3 de dezembro de 2013

CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA

Em clima de larga fraternidade e abundante alegria – uma tradição do Sodalício – os acadêmicos da AMLEF realizaram hoje (03.12.2013), nas dependências do Náutico Atlético Clube, a Confraternização Natalina de 2013.

O evento foi prestigiado por grande contingente de Amlefianos.

Uma singela e tocante celebração foi realizada ao redor de um presépio montado especialmente para a ocasião. O Presidente Júnior Bonfim abriu a solenidade agradecendo a presença de todos e solicitando ao acadêmico Marcus Fernandes que procedesse à leitura da belíssima crônica intitulada Fortaleza Natalina, da lavra do confrade Paulo Roberto Cândido:

  FORTALEZA NATALINA

Já vemos as luzes adornando as silhuetas das árvores e das edificações, construindo uma Fortaleza Natalina, que mesmo com os aspectos tradicionais de outras plagas, principalmente as estrangeiras, ainda consegue ser sertaneja e litorânea diante das minhas retinas apaixonadas. 


 Antes de encontrar o Bom Velhinho, com suas barbas brancas e corpo rechonchudo, trazendo no ombro o saco com os presentes, quero dar de cara com o pescador cearense, que traz a rede de pescar nas costas, cheia de sabores marinhos que acostumaram meu paladar com o gosto do litoral Fortalezense, ou com a rendeira, às vezes também redondinha como o Papai Noel, com seus bilros encantados nas mãos, a nos preparar a genuína renda do Ceará, que irá enfeitar de beleza e singeleza, mesas e outros objetos espalhados pelo mundo. 


Tanto o pescador quanto a rendeira formam a simbologia do meu Natal, muito mais do que as luzes e os brilhos que pousam abundantemente, por galhos, sacadas e fachadas que anunciam o nascimento e o fim. Afinal de contas estamos fechando mais uma era no mês de Dezembro. O menino Jesus nascendo e o ano se entregando ao encerramento do calendário. Enxergar o vermelho do Papai Noel sem ser mais criança, traz para nós adultos esta universal melancolia, que nos prepara para o momento em que ficaremos de costas para o que passou, olhando para a frente, em futuro que desejamos ser promissor, assim que os ponteiros deixarem o " dezembrino" dia 31. Melhor lembrar da simbologia da nossa natividade, aquela que nasce um dia e nunca mais morre. O lugar que nos oferta a tradição, a cultura, os hábitos, as cores, os sons e tudo mais que nos dá a identidade. 


Assim é a Fortaleza Natalina, deixou em mim a jangada, a mulher rendeira, o verdejante mar bravio e manso quando quer, o sabor da paçoca com baião de dois e a rede branca pra descansar ou sonhar. Tudo que ficou foi trazido pela criança que fui, pela que sou e pela criança que sempre serei. É ela quem vê o Papai Noel e os enfeites do Natal sem ficar melancólica, pois compreende que a minha cidade é Natalina, por que me deu o berço e mesmo que tenha vindo de fora, foi por esta Fortaleza que construi meus caminhos e nasci para a cidadania. 



Feliz Natalina Fortaleza! 

Paulo Roberto Cândido 
Cadeira 29 da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF

Embalado pelo clima de emoção que contagiou os presentes, Marcus Fernandes – que, dentre suas multifacetadas habilidades, é também excelente intérprete – recitou um Soneto que escreveu em homenagem à filha:

MEU PRESENTE DE NATAL

'Para minha infante Raphinha’

 Ah! Minha filha, quando eu era criança 
Pro Natal me preparava contente 
Só a alegria morava em mim somente 
Velhos tempos que guardo na lembrança. 


 E pra Papai Noel eu escrevia 
Pedindo para me fazer feliz. 
Que me desse tudo que eu sempre quis: 
Presentes, quando criança pedia. 


O tempo deixou pra trás os meus sonhos 
E não pretendo ser hoje tão rude! 
Sonhos, filha, de velhos, são estranhos. 


Enfim, para uma pessoa da minha idade, 
No instante imploro somente saúde. 
Deixo para trás a triste saudade. 


Após essa tocante homenagem, ouvimos uma comovente mensagem do General Torres de Melo sobre o significado do Natal. Emocionado, Dezinho Lemos pediu espaço para contar um pouco da sua luta de homem da roça até chegar a conquistar um espaço entre a elite intelectual como fundador de uma Academia de Letras. 

Em seguida todos uniram as mãos aos céus para rezar a Oração do Pai Nosso e a Ave Maria. Por fim, o Presidente Júnior Bonfim agradeceu ao ex-Presidente Seridião Montenegro pela maneira parcimoniosa com que gerenciou os recursos da AMLEF, cujo saldo de caixa possibilitou o custeio integral da confraternização. Na sequencia, pediu que a dama Luiziana Esteves sorteasse uma cesta natalina entre os acadêmicos. Paulo Roberto Cândido foi o felizardo e, nessa condição, fez uso da palavra para agradecer o anjo da guarda e creditar o crescente sucesso da AMLEF à força espiritual que a movimenta.

Ao final, o banquete foi servido sob a animação de um grupo musical regional patrocinado pelos acadêmicos Osmar Diogénes e Fernando Távora. Vejam alguns flashes da festa:

18 de agosto de 2013

Discurso de posse novos acadêmicos

Discurso de saudação de posse de novos membros da AMLEF, Acadêmicos Mônica Tassigny, Gonzaga Mota e Evandro Bezerra Digníssimos membros da mesa diretora dos trabalhos desta solenidade, aos quais saúdo na figura do Presidente da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, imortal e amigo Seridião Correia Montenegro. Saudamos a todos os presentes, autoridades, acadêmicos, familiares, amigos e convidados. Agradecemos a todos e a todas que aqui representam a sociedade. Faço eco às palavras do escritor José Augusto Bezerra quando diz que “A sociedade é a razão de ser de uma Academia e vocês emolduram glamorosamente esta solenidade, com as expressões dos seus rostos e a dignidade das suas figuras.” A Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza se engalana, nesta noite de abril, para receber seus três novos membros: Mônica Mota Tassigny, Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, e Evandro Bezerra. Coube-me, por incumbência do Presidente Seridião Correia Montenegro, a honrosa missão de, em nome de nossa academia, estender o tapete vermelho das boas-vindas aos ilustres recipiendários. Uma dama e dois cavalheiros, nomes consolidados no conceito da sociedade e destacados pelo privilegiado exercício da inteligência na literatura e no magistério, já perpetuados por seu trabalho e pelas obras que publicaram. MÔNICA MOTA TASSIGNY: nasceu em Fortaleza, em 28 de maio de 1955. É filha de Ivan Alcântara Mota e de Vera Lúcia Mota. Pedagoga e Especialista em Educação Infantil, pela Universidade de Fortaleza, Mestra em Educação pela Universidade Federal do Ceará, com defesa de tese sob o título de “Crítica à Pedagogia Histórico-Crítica: As Relações Idealistas entre Pedagogia e Sociedade.” Mônica é uma mulher comprometida com o futuro da sociedade e isso se revela no rol de atividades que ela desenvolve, sempre voltadas para o crescimento do ser humano no compromisso com a cidadania, formando homens e mulheres que sejam capazes de transformar o meio em que estão inseridos. Perpassando o currículo da nova imortal, veio-me à mente a sabedoria de Cora Coralina ao afirmar em palavras e testemunhar com a própria história que “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”. Mônica veio de uma família simples, mas que sempre valorizou a educação, a sabedoria e isso é palpável pela escolha primeira por se tornar uma educadora, uma pedagoga. Afinal, a etimologia da palavra pedagogia vai nos levar à Grécia, berço da Democracia e da Civilização Ocidenteal e nos fazer recordar o seu rico significado – pedagogo(a) é aquele que conduz com segurança a criança para o lugar onde deveria se educar. Mônica, no entanto, bebeu da fonte do mestre Paulo Freire e não se contenta em conduzir ninguém pela mão. Quis, fez e faz novos caminhos, com nossos parceiros da sabedoria, discípulos ou não; Mônica tornou-se artesã da palavra, pois, de tanto saber, passou a distribuir o que acumulou, parafraseando, mais uma vez, a velha poetisa de Goiás, quando diz que é “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Mônica é feliz porque não detém o conhecimento só para si. E com a sua firme suavidade de mulher segue partilhando conhecimento e sabedoria. Atualmente é professora titular da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Administração. É consultora do Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Ceará e da Universidade do Parlamento da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Foi consultora MEC/UNESCO para o Ensino Médio Integrado. Faz parte do cadastro nacional de avaliadores do SINAES/INEP/MEC. No momento é Editora da Revista Ciências Administrativas da UNIFOR. Publicou em parceria ou isoladamente os livros: Parlamento, República e Cidadania (2008); Ações da Cidadania Compartilhada (2007); Questões da Cidadania Compartilhada (2007); Lições de Democracia (2006); Seca, Fornalha e Estado de Emergência (2006); História da Nossa Gente (2004); e os seguintes trabalhos científicos: “Ferramenta Estratégica de Comunicação Organizacional”; “Homossexualidade, Psicanálise Freudiana e Pós-Modernidade”; “O Poder do Blog na Comunicação Organizacional”. Seja bem-vinda, querida acadêmica! Que seja profícua e plena a sua participação na AMLEF assumindo a Cadeira n. 26, que tem como patrono Clóvis Bevilaqua. LUIZ DE GONZAGA FONSECA MOTA, uma das mais destacadas figuras da sociedade do nosso tempo, personagem importante da história política e econômica do nosso Estado e do país. Gonzaga Mota, nosso novo imortal, nasceu em 09 de dezembro de 1942. Estudou no Colégio Cearense dos irmãos maristas e já aos 16 anos iniciou-se no magistério. Muito cedo, forma-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará, e, por concurso, passa a integrar seu corpo docente a partir de 1970. No ano seguinte, ingressa nos quadros de servidores do Banco do Nordeste do Brasil como Técnico em Desenvolvimento Econômico. Nessa época, o Banco do Nordeste era um conceituado centro técnico cultural, merecendo o reconhecimento de quantos militavam na área econômica em todo o Brasil. Mais adiante, fez pós-graduação em Economia na Fundação Getúlio Vargas. Por sua reconhecida capacidade técnica, foi escolhido pelo Governador Virgílio Távora para ser o Secretário de Planejamento do Ceará. O Governador pediu ao Ministro Mário Henrique Simonsen a indicação de um nome que somasse talento, inteligência, cultura, conhecimento e vontade de trabalhar, a fim de ajuda-lo a governar o Estado, com uma visão voltada para o desenvolvimento econômico e social. Foi com surpresa que Virgílio ouviu do Ministro que, no Ceará, ele tinha um dos maiores talentos do Brasil, na área da economia e do planejamento, um seu aluno de nome Gonzaga Mota. No cargo, o Secretário realizou um trabalho extraordinário e admirável na coordenação do II Plano de Metas Governamentais do Governo Virgílio. O desempenho foi de tal envergadura que o credenciou a disputar o Governo do Ceará nas eleições diretas de 1982, sendo consagrado nas urnas para o exercício de 1983 a 1987. A escolha do candidato foi feita, fugindo aos processos tradicionais da indicação política e dos interesses partidários, para premiar a opção baseada tão somente na competência, na capacidade de trabalho e no inegável valor pessoal do candidato. No seu governo, a força de trabalho, a determinação, a competência, o profundo amor e respeito à coisa pública, deixaram para a história grandes e inesquecíveis lições, que ficaram gravadas na memória do agradecido povo do nosso Estado. Em momento decisivo da vida nacional, quando se exauria o duro período do Regime Militar, teve Gonzaga Mota papel preponderante, pois foi o primeiro governador a assumir a candidatura de Tancredo Neves à Presidência, num gesto de coragem inaudita e altiva consciência histórica. Por sua atitude corajosa, foi convidado por Tancredo para compor a chapa majoritária na condição de Vice-Presidente, e, quando recusou, estava dispensando o proverbial “cavalo que passava selado” e deixando de ser PRESIDENTE DA REPÚBLICA, depois da tragédia da morte do querido político mineiro. Coube, então, a José Sarney governar o país, com todas aquelas consequências sobejamente conhecidas. Pode-se dizer, portanto, que o nosso Gonzaga Mota desdenhou do destino. Sua administração foi marcada pelos princípios da honestidade, merecendo por essa razão a confiança do povo cearense, que, cumprida a missão executiva, lhe concedeu três mandatos de deputado federal, onde consolidou sua projeção nacional, passando a conviver e dialogar de igual para igual com os maiores nomes políticos da República, vultos da estirpe de Ulisses Guimarães, que assim registrou o seu reconhecimento ao valor pessoal de Gonzaga Mota: “Vale a pena a vida pública quando convivemos com a exemplaridade de seu caráter, de sua honradez e de seu consagrado talento político. ” Gonzaga deu contribuição inestimável para o aprimoramento de leis e ações governamentais brasileiras, no campo da economia nacional. Não podemos virar a página, sem trazer à lembrança de todos, o testemunho principal de toda a sua atividade política, dado por quem estava ao seu lado, em todos os momentos, dona Mirian, uma mulher excepcional a quem o Ceará muito deve, pois como primeira-dama sempre teve o olhar voltado para os mais necessitados, sendo sua mão o instrumento divino no socorrer e na minoração do sofrimento da população carente. Onde houvesse alguém chorando as amarguras da pobreza e do infortúnio, aí estava a primeira dama a levar o socorro, a palavra de conforto, a presença oficial do Estado no campo da assistência social. O Ceará jamais esquecerá a ação generosa do “Programa Asa Branca”, nascido do sentimento de solidariedade e compaixão de quem sonhava com um Ceará menos sofrido, a primeira dama, dona Mirian Mota. Mas Gonzaga Mota não é só homem da economia, da estatística, das planilhas, da frieza dos cálculos, da ciência dos números, do planejamento, das ações de governo, do trato com as leis de mercado e com as oscilações do câmbio e das bolsas de valores. No lugar mais recôndito do seu ser, vibram as cordas de um coração sensível, tocado pela chama ardente do sentimento poético, que sabe fazer a transmutação de emoções em poemas, em cânticos de amor à natureza e aos sublimes sentimentos que divinizam o ser humano, levando-o à adoração do Criador. E Gonzaga, nos seus poemas, fala que em noites de insônia, com a alma possuída pelas ansiedades que só os estetas interpretam, busca com fervor as palavras e expressões para simbolizar sentimentos que falam ao seu coração. E, ao correr da pena, sobre a face branca e acolhedora do papel, qual uma cachoeira indomável e estrepitosa, a palavra jorra ainda molhada pelas lágrimas dos sentimentos de sua alma nobre. Aí então o poeta, debruçado sobre a mesa, contempla o poema como um filho provavelmente divino, nascido das entranhas de seu ser, de seu lado escondido, e que traduz de forma misteriosa o sublime sentimento humano que os outros olhos não veem, senão quando transformado em poesias, traduzido pelo dom divino da palavra. Gonzaga Mota tem vasta e diversificada publicação literária, vejamos: Exercício de Moedas e Bancos – Curso de Ciências Econômicas da UFC – 1975 (Monografia), Noções sobre Taxas de Crescimento – Curso de Ciências Econômicas da UFC-1971 (Monografia), Operações de "Underwriting"- Curso de Ciências Econômicas da UFC-1972 (Monografia), Noções sobre Balanço de Pagamentos – Curso de Câmbio promovido pelo BNB 1974 (Monografia), Introdução à Análise Monetária – Editora Atlas, 1979, Nordeste: Desafio Nacional – 2002, Questão Social Brasileira, 2002, Reflexões I, 2004, Reflexões II, 2005, Reflexões III, 2006, Ideias (Coletânea de artigos publicados no jornal Diário do Nordeste), 2004, Desenvolvimento da América Latina, 2005, Textos para Reflexão, 2010, Ao vento: Poemas –, 2011, Amor e Dor: poemas, 2012, ed. Premius, Sonhos: poemas, 2013, ed. Premius. Por sua trajetória acadêmica e política recebeu os seguintes Títulos de Cidadania: Tabuleiro do Norte, Granjeiro, Acopiara, Limoeiro do Norte, Barro, Jaguaribe, Pedra Branca, Barbalha, Boa Viagem, Mauriti, Quixeramobim, Russas, Independência, Chaval, Quixadá, Novo Oriente, Quixeré, Santa Quitéria, Itapipoca, Mulungu, Sobral, São Benedito, Trairi, Hidrolândia, Maracanaú, Maranguape, Morrinhos, Milhã, Itapajé, Capistrano, Madalena, Icó, São Benedito, Crato, Ibaretama e Jaguaribara. Por tudo isso, nos sentimos honrados por ele agora fazer parte dessa Academia. Seja bem-vindo, companheiro Gonzaga Mota à Cadeira 19 da AMLEF, que tem como patrono: Joaryvar Macedo. Saudemos EVANDRO BEZERRA, que nasceu em 28 de agosto de 1941, em Fortaleza, em plena Segunda Grande Guerra, quando o mundo vivia momentos de dor e angústia. O nascimento do menino Evandro veio como um ponto de luz iluminar a triste escuridão que encobria a consciência humana e para dar alegria a Raimundo Nonato Bezerra e Maria do Carmo, seus pais. Viveu infância e adolescência feliz naquela Fortaleza ainda horizontal, quando as brisas do mar chegavam ao lares e às praças e bem antes de se tornar esta cidade emparedada pelos espigões de cimento armado. Tempo em que as crianças podiam sair à rua sem os perigos de hoje e os jovens andavam pela noite fazendo serenatas e tecendo loas às suas namoradas. Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará é Consultor em Agronomia. É assessor e consultor da Secretaria da Agricultura Irrigada para Estudos de Solos nos Vales dos Rios Jaguaribe e Banabuiú. Sócio da Associação Cearense de Imprensa (ACI). Sua produção bibliográfica inclui os livros: O Centenário do DNOCS e a Convivência com a Seca (2009); A Salinização de Solos Aluviais em Perímetros Irrigados no Estado do Ceará (2006); O Rio São Francisco: A Polêmica da Transposição (2002); A Barragem do Castanhão e a Transposição do Rio São Francisco (1996); A Terra e a Irrigação no Nordeste (1996) e O Nordeste Semiárido e o Bioma Caatinga. Também já escreveu dezenas de crônicas que foram publicadas pelos principais jornais de Fortaleza - CE. Por esse currículo aparentemente técnico poder-se-ia pensar em um homem também frio e distante... mero engano. Observar a natureza com suas variadas nuanças, requer sentimento e ternura de poeta. Afinal a Natureza é mulher cheia de caprichos e para desvendá-los é preciso ter a maestria de quem enxerga para além da chuva, do sol, do solo íngreme. Na natureza, está a fonte primeira de quem escolhe como profissão a agronomia e áreas afins. Nos estudos que Evandro desenvolve encontra-se a sua busca por encontrar as ferramentas mais eficazes, capazes de transformar o homem e a natureza em parceiros solidários, embora no momento esse relacionamento encontre percalços e dificuldades. Não são meras palavras as que ora profiro aos senhores, senão vejamos um de seus principais títulos: O Centenário do DNOCS e a Convivência com a Seca (2009). Quantos, além de Patativa do Assaré ou Luiz Gonzaga, enxergaram a seca não apenas um flagelo, mas um capricho da mãe Natureza a desafiar a capacidade de seus filhos de achar soluções nas dificuldades? EVANDRO BEZERRA, sabemos que a cadeira n. 33 será bem ocupada pelo estimado acadêmico. Senhoras e Senhores Acadêmicos, Senhoras e Senhores Convidados: Esta noite tem o gosto e as cores da felicidade. É uma festa de alegria e em nome desse sentimento estamos reunidos. Como humanos, somos seres gregários por natureza e quando nos associamos cumprimos o principal destino da espécie. Tenho certeza, senhoras e senhores, que a recepção que oferecemos a Mônica Tassigny, Gonzaga Mota e Evandro Bezerra é como se fosse um cântico de aleluia e de boas vindas, pois sabemos que suas presenças, como astros de primeira grandeza, irão iluminar, com os raios fúlgidos da melhor inspiração, o campo fecundo e produtivo da cultura e da literatura do Ceará e de nossa academia, que neste momento os abraça com todas as forças da amizade, de calor humano e de fraternidade. Saudações companheiras. Assis Almeida.

mulher inteligente

Mulher inteligente Mulher inteligente não usa o corpo, usa a mente. Não precisa de roupas curtas, falar alto, ficar bêbada e dançar até cair. Procura resolver problema e dizer como está se sentido através do diálogo e não age por vingança. É capaz de mantém sua dignidade independente da circunstância, tem boa autoestima e mantém o controle dos estressores que lhe causem sofrimentos. Renuncia a qualquer tipo de reação negativa que venha piorar a situação. Sabe que o amor que sente por si e o outro é verdadeiro. Não se desrespeita, quando se sente que está sendo traída, não abre mão de si e nem de seus princípios para prender alguém. Sabe que sua beleza é apenas reflexo de todo seu conteúdo e de todo o seu eu. Sabe a diferença entre ser vulgar e ser sexual. Sabe o que falar. Sabe deixar saudades e sua presença seja notada, não porque seu corpo está a mostra, mas porque tem presença, é decidida e sabe o que quer e o que merece. adaptação Assis almeida

1 de março de 2013

As cidades de leitores

As cidades de leitores Na continuação da série sobre os baixos índices de leitura registrados em Fortaleza, os exemplos positivos adotados em outras cidades. Reportagem do Jornal O povo. Como se constrói uma cidade de leitores? A pergunta é complexa, mas a resposta é menos difícil do que parece. Está embutida nos problemas e carece mais de ações efetivas, articuladas entre poder público e sociedade, que de ideias mirabolantes. À leitura obrigatória, enfadonha, apenas avaliativa das escolas, aplique doses generosas de leitura por prazer. Contra a falta de hábito leitor entre os próprios professores, livros como antídoto: dê também a eles a chance de escolher o que querem ler, para além do exigido pelo plano de aula. Ante a ausência de profissionais capacitados para estimular práticas leitoras, forme bibliotecários, líderes comunitários, professores; torne-os multiplicadores de leitura. Se as bibliotecas são poucas, que sejam boas: torne o espaço agradável, renove constantemente o acervo, faça uma ponte com outras linguagens e tecnologias. Foi para atacar essas deficiências, com as ações citadas acima, que nasceram projetos como o São Paulo Um Estado de Leitores, implantado desde 2003, e Rio Uma Cidade de Leitores, a partir de 2009. Em ambas as iniciativas, um ponto em comum: vontade política. “Falta o governo embarcar numa ideia, vestir a camisa, investir recursos para que se crie um conjunto, um guarda-chuva de ações, todas interconectadas”, diz José Luiz Goldfarb, mentor dos programas nos dois estados, doutor em História da Ciência, mestre em Filosofia e curador do prêmio Jabuti de Literatura – principal comenda do mercado editorial brasileiro. Para ele, “a tragédia no Ceará, em São Paulo, no Rio de Janeiro, e em muitos estados brasileiros, é que nossos políticos não leem”. Onde se decide ter uma política pública de incentivo à leitura, diz Goldfarb em entrevista por telefone, é preciso agir em três eixos: ampliação e renovação constante de acervo – não só o das escolas –, formação de multiplicadores de leitura nas comunidades, nas salas de aula e nas bibliotecas, além de promoção do livro, do hábito de ler em todas as mídias possíveis: da internet ao outdoor. Dentro de cada eixo, ações específicas e cotidianas que garantam o sucesso da iniciativa. No Rio de Janeiro, exemplifica Goldfarb, coordenador do programa implantado lá, a renovação do acervo se deu não apenas em nível pedagógico ou restrito às bibliotecas escolares. Mas entre os professores, com a criação do projeto “Biblioteca do Professor”. “Desde 2009, a cada três meses, cada professor da rede ganha dois livros: um de literatura nacional e outro de literatura estrangeira. Ao longo de quatro anos, o professor criou uma biblioteca sua, com livros de sua preferência”, conta ele. A ideia surgiu do diagnóstico de que mais de 60% dos professores não liam por prazer. “Claro que o professor lê, mas as leituras que são necessárias para o seu trabalho. A leitura por prazer é a pessoa que lê uma quantidade de livros muito alta por ano porque ela junta ao seu lazer, ao seu entretenimento a leitura”, diz Goldfarb. Sabendo que a leitura obrigatória atrai menos ainda o jovem, em ano de Bienal do Livro, caso deste, cada escola do município carioca recebe um vale entre R$ 600 e R$ 900 para abastecer sua sala de leitura, além do vale recebido pelos professores e alunos. “O jovem não volta pra sala de leitura, pra biblioteca, se não tem novidade. Tem de ter renovação, tem de ter aumento de novidades. Se a gente quer criar uma cidade de leitores, a gente precisa passar por essa questão da leitura por prazer”, enfatiza Goldfarb. Mobilização Oferecer formação a professores, bibliotecários e líderes comunitários, com metodologias específicas, é outra ação do projeto. “Um bom projeto de incentivo à leitura tem de envolver vários atores da sociedade brasileira. Não é o Estado sozinho, não é o prefeito sozinho, o secretário de cultura sozinho. A leitura, para se tornar um hábito, precisa de uma mobilização”, ressalta ele. Daí o envolvimento de ONG’s que podem se aproximar do poder público misturando linguagens como o teatro ou audiovisual, envolvendo a família e a comunidade no processo de estímulo à leitura. Um exemplo é o projeto Teatro Literário. “A gente criou um grupo de teatro que leva pros palcos pequenos contos de machado de Assis e Lima Barreto”, ele cita. “O último eixo é muito importante, é o da promoção. É um esforço da sociedade para conseguir usar a mídia para a promoção do livro. Daí apoiar uma feira do livro, um prêmio literário, e atrair as atenções para o livro, para a leitura”, diz ele, citando ainda o Twitter e o Facebook do programa Rio Uma Cidade de Leitores, que promove não só as ações realizadas lá, mas também as de outros estados. Goldfarb também já passou por estados como Tocantins e Mato Grosso do Sul dando consultorias para a implantação de projetos de leitura. Em cada lugar, realidades distintas que lhe ensinaram que não é possível dissociar responsabilidades. É necessária uma articulação dentro do próprio poder público. Por exemplo, das secretarias de educação e de cultura. “A educação tem uma limitação em que o recurso tem de ser aplicado nas escolas. Mas está geralmente na alçada da Cultura a rede de bibliotecas públicas, que são essenciais para a leitura do município. A educação tem as escolas, a cultura tem a vantagem da capilaridade, pode trabalhar com outras faixas etárias, outros espaços”, detalha. Sobre ações de formação do leitor ressaltadas pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), como o projeto Agentes de Leitura, Goldfarb chama atenção para a constância e a abrangência dos projetos. “Os agentes de leitura são um projeto excelente, mas junto a ele tem de criar outros eixos de atuação”. No caso da Bienal Internacional do Livro, outra iniciativa relacionada à política de leitura do Estado, ele lembra que “se essa atividade não for muito articulada com um projeto que dure 365 dias, fica muito isolada, tem muito tititi, muito confete, mas não resolve o problema. As festas têm de ser o coroamento de um trabalho, e não o trabalho”, conclui. SERVIÇO Biblioteca Pública Menezes Pimentel Onde: Av. Presidente Castelo Branco, 255, Centro Funcionamento: de 8h às 18h Outras informações: (85) 3361-1930 Biblioteca Pública Dolor Barreira Onde: Av. da Universidade, 2572, Benfica Funcionamento: de 9h às 17h Outras informações: (85) 3254-6041 Saiba mais Ações e metas previstas no Plano Municipal de Cultura para as políticas de livro e leitura: - De acordo com o Regimento Interno do Conselho Municipal de Política Cultural (CPMC) (Art. 15), até 2014 deverá funcionar e ser estruturado o Fórum Permanente de Literatura, Livro e Leitura. - 05 bibliotecas por Regional vinculadas à Rede de Bibliotecas Públicas Municipais até 2022. - Entre as ações previstas, estão a criação de bibliotecas com instalações adequadas, contemplando boas condições de iluminação e ventilação; e apresentando todos os recursos de acessibilidades necessários para atender o público; a contratação de corpo técnico especializado para o funcionamento das bibliotecas; e a realização de oficinas, seminários e eventos que envolvam a prática da leitura para professores, estudantes e moradores das regionais. > TAGS:PESQUISAGOLDFARBFORTALEZALEITURA Raphaelle Batistaraphaellebatista@opovo.com.br Facebook