Padre Geovane saraiva*
O
compromisso com Nosso Senhor Jesus Cristo e seu projeto de amor, levou Afonso
Maria de Ligório a investir no essencial, naquilo que não só humaniza, mas que
torna a pessoa segura e convicta, na perseguição do projeto de Deus Pai. Quando
alguém é amado por Deus, leva em si mesmo, uma vontade misteriosa de sair
do próprio egoísmo e experimentar a alegria servir e de amar os irmãos e irmãs,
tendo na mente e no coração o grande sonho de Deus para a humanidade, o da
glória futura, sem jamais se esquecer: "Ao Senhor eu peço apenas uma coisa
e só isso que eu desejo, habitar na sua casa do Senhor, por toda minha vida,
para sentir-me maravilhado diante da sua bondade. Ele me guardará no seu templo
e me colocará em sua presença" (Sl 27, 4-5).
Santo Afonso Maria de Ligório
viveu deste modo, soube corresponder, com sua inteligência raríssima e
privilegiada, com o coração cheio de fé e bondade; primogênito de uma família
numerosa, da nobreza italiana, da cidade de Nápoles; recebendo uma esmerada
educação e formação, no campo das ciências humanas, línguas clássicas e
modernas, pintura e música, conseguindo nos seus estudos rápidos e
surpreendentes progressos, tornando-se advogado bem jovem, logo colhendo os
frutos no fórum de Nápoles. É importante destacar no jovem uma profunda e
intensa vida de oração, fazendo cada ano o seu retiro espiritual. Por sua
inigualável sabedoria, também foi considerado o homem das letras, de tal modo
que tudo concorre em Afonso Maria de Ligório, para que o amor de Deus cresça,
desenvolva e se faça dom não só para si, mas para toda humanidade. Ele quer ser
feliz, indo ao encontro de Deus, que se revelou e se manifestou, mas pessoas do
seu tempo, em especial, os pobres e sofredores.
Em um determinado momento tomou a
firme decisão de abandonar a advocacia e dedicar-se à arte de salvar as almas,
a “Arte das Artes”. Estudou Filosofia e Teologia e aos trinta anos foi ordenado
sacerdote, vivendo o ministério em profunda coerência com seu lema: “Deus me
enviou para evangelizar os pobres”. A partir daí colocou seu rigor intelectual
e sua oratória a serviço do reino de Deus, na sua ação vigorosa, como
prodigioso escritor, deixando 120 obras publicadas, destacando-se pelo seu
tratado de teologia moral, que o transformou num mestre, de sabedoria
incomparável. Homem de Deus, pela que sua santidade percebeu a realidade dos
empobrecidos, logo surgindo-lhe a ideia das missões populares, com objetivo
levar a boa nova da salvação aos que viviam na ignorância, longe do
conhecimento da fé e da esperança, reveladas por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Conhecido como apóstolo do culto à Eucaristia e à Virgem Maria, levando também
o povo de Deus à meditação das realidades últimas: morte e juízo, inferno e
paraíso. E ainda a vida de oração e a vida sacramental. Imprimiu nas pessoas
com quem conviveu a marca indelével do amor de Deus
Santo Afonso fundou a Congregação
dos Padres Redentoristas em 1732. Eles são numerosos, com presença no mundo
inteiro, homens generosos, que procuram encarnar o Evangelho, sempre sensíveis
aos clamores dos empobrecidos, excluídos e marginalizados da nossa sociedade.
Aqui em Fortaleza, temos a alegria e a graça de contar com o trabalho e a
presença dos religiosos da referida congregação, de importância incomensurável.
Santo Afonso Maria de Ligório viveu uma longa vida, morrendo com mais de
noventa anos de idade (1696-1787), deixando-nos um grande legado. Como mestre
dos bons costumes, da ética e da moral, pensou e desejou que sua mensagem,
herança inestimável e inquestionável, deixada para a humanidade, chegasse,
enquanto possível, a todas as pessoas do planeta, através do Evangelho,
anunciado pelos os seus filhos, os missionários redentoristas, sempre sensíveis
ao clamor de uma multidão de gente, que vive em busca da vida, da vida e vida
em abundância (cf. Jo, 10, 10).
Escutar com o coração significou
para Afonso Maria de Ligório deixar de lado seus projetos e intenções pessoas;
significou mergulhar em toda sua plenitude no excelso mistério do Filho de
Deus, do qual hauriu ou sorveu, tornando-se sua fonte inesgotável. Faz-nos
recordar o Livro Sagrado: "O Senhor colocou nos seus lábios palavras
seguras e sábias, deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu
de glória" (cf. Sl 36, 31-32). Nomeado bispo dos Godos em 1762; já no ano de
1839 foi canonizado; declarado solenemente doutor da Igreja em 1871; pelo seu
jeito de viver, em 1950, tornou-se padroeiro dos moralistas e confessores. Nós,
povo de Deus do bairro Parquelândia, nesta cidade de Fortaleza, somos gratos ao
nosso bom Deus, porque o temos como nosso padroeiro. Deus seja louvado por suas
santas criaturas!
*Escritor, blogueiro,
colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso,
Parquelândia, Fortaleza-CE – geovanesaraiva@gmail.com

