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Papa convida, no Domingo de Ramos, a não recusar a cruz

Por Miguel Pérez Pichel

VATICANO, 09 Abr. 17 / 09:00 am (ACI).- Neste Domingo de Ramos, ou Domingo da Paixão, o Papa Francisco incentivou os cristãos a seguir Jesus e a carregar a cruz com paciência, sem recusá-la.
“Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la dia após dia”.
Na Missa celebrada na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Pontífice recordou que Jesus “nunca prometeu honras nem sucessos. Os Evangelhos são claros. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz. “Tinha-o dito claramente aos seus discípulos: ‘Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me’”.
A celebração começou com a entrada em procissão, segurando ramos e palmas, na Praça de São Pedro.
Após a procissão, o Papa deu a bênção dos ramos. Recorda-se, assim, a acolhida do povo de Jerusalém a Jesus Cristo quando realizou sua entrada triunfal na cidade santa. Naquela ocasião, uma multidão recebeu o Senhor segurando ramos de palma e aclamando-o sob o grito de “Hosana”, grito de júbilo de profundo significado messiânico.
Antes de começar a procissão, foi lido o trecho do Evangelho de São Mateus no que é narrada a entrada de Jesus a Jerusalém sobre um burrinho que ninguém havia montado antes. O Pontífice destacou “o entusiasmo dos discípulos, que acompanham o Mestre com aclamações festivas”.
“Pode-se, verossimilmente, imaginar que isso contagiou os adolescentes e os jovens da cidade, que se juntaram ao cortejo com os seus gritos. O próprio Jesus reconhece neste jubiloso acolhimento uma força irreprimível querida por Deus, respondendo assim aos fariseus escandalizados: ‘Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras’”.
O Bispo de Roma assinalou que “esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica da sua Paixão”.
“Por isso o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora em uma medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém”.
Francisco insistiu que Jesus “não é um iludido que apregoa ilusões, um profeta ‘new age’, um vendedor de fumaça. Longe disso! É um Messias bem definido, com a fisionomia concreta do servo, o servo de Deus e do homem que caminha para a paixão; é o grande Padecente da dor humana”.
“Assim, enquanto festejamos o nosso Rei – continuou – , pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer nesta Semana. Pensemos nas calúnias, nos ultrajes, nas ciladas, nas traições, no abandono, no julgamento iníquo, nas bastonadas, na flagelação, na coroa de espinhos... e, por fim, no caminho da cruz até à crucifixão”.
Nesse sentido, o Papa explicou que Jesus “não nos pede O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar”.
“Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado”.
O Papa convidou a refletir sobre esse Jesus na cruz, o mesmo Jesus que alguns dias antes tinha entrado triunfalmente em Jerusalém. “Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz”.
Finalmente, o Papa Francisco fez uma referência à Jornada Mundial da Juventude que é celebrada neste fim de semana a nível diocesano.

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