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Nomofobia: O medo de desconectar

EM MUROS de Fortaleza, grafites do artista Thyago Cabral e os transeuntes online FÁBIO LIMA
EM MUROS de Fortaleza, grafites do artista Thyago Cabral e os transeuntes online FÁBIO LIMA
Pequeno, funcional, companheiro durante o dia e, muitas vezes, a noite. Para alguns, quase uma parte do próprio corpo. “Competir” com o celular por atenção durante uma conversa é uma situação cada vez mais comum. O adversário é forte. É comum perceber que está falando sozinho enquanto a pessoa com quem você conversa mexe no celular, ou estar em casa ao lado da família, resolvendo questões do trabalho pelo whatsapp. Apesar dos benefícios da tecnologia, o uso exacerbado dos aparelhos de internet móvel pode resultar em problemas físicos, sociais e emocionais. Em casos extremos, a dependência digital é considerada uma patologia: a nomofobia.
“Esse termo vem do inglês, significa o medo de ficar sem o acesso a telefonia móvel, que vem preocupando sobremaneira todas as áreas de pesquisa clínica, médica, educacional. Porque o celular é um aparelho que está disponível 24 horas por dia e o acesso financeiro é bem maior agora”, explica Sylvia van Enck, psicóloga do Núcleo de Dependências Tecnológicas e de Internet do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Quando uma pessoa tem prejuízos nos relacionamentos e na saúde, além de deixar de atender aos compromissos do dia a dia para ficar conectado, de acordo com os especialistas, é sinal de que o uso abusivo dos meios digitais chegou a um “nível exagerado”.
“Há uma preocupação em manter o aparelho disponível o tempo todo. A pessoa começa a ficar muito preocupada com o nível da bateria, se está ou não sem o carregador, se está em lugar sem o sinal do wifi... Outro aspecto é quando ela começa a sentir que está recebendo mensagens, pensa que curtiram algo dela ou postaram algo e precisa verificar o tempo tudo. Muitas vezes, não é”, descreve, sobre a “vibração fantasma”.
Marina Simas de Lima, mestre em psicologia clínica e terapeuta de casal e família, analisa a mudança “na forma de estar na vida” com a utilização exacerbada dos meios digitais. “Algumas pessoas que usam muito o celular não vivem mais. Tudo está no celular. Quando mandam consertar ou algo do tipo parece que tira um pedaço da pessoa. Uma sensação de descontrole, de que está perdendo coisas, de que não tem controle do que tá acontecendo no mundo. Tem gente que passa mal, sua frio. A tecnologia mudou demais a forma de existir”, considera uma das fundadoras do Instituto do Casal, com sede em São Paulo. 
Pela convivência saudável
EFEITOS. Fique atento às consequências físicas (privação de sono, dores na coluna, no punho ou no braço, problemas de visão) e psicológicas (ansiedade, angústia, depressão) devido ao uso das tecnologias PRODUTIVIDADE. Verifique se o desempenho acadêmico ou profissional e as relações com família e amigos estão sendo prejudicados pelo uso de redes sociais, jogos e outras atividades digitais ENCONTROS. Prefira uma vida social real à virtual. Esteja realmente presente nos momentos com família, amigos e colegas de trabalho em detrimento do celular. Nessas ocasiões, coloque o celular no silencioso e dê atenção às pessoas CRÍTICAS. Esteja atento ao que família e amigos comentam a respeito da rotina de uso do aparelho OCUPAÇÃO. Dedique tempo para outras coisas, fazer atividades físicas, hobbies, família, amigos, outras atividades que não sejam na internet. Pratique exercícios físicos regularmente. PAUSA. Crie intervalos regulares durante o uso das tecnologias para fazer alongamentos no corpo. Fonte: Sites Instituto Delete e Dependência de Internet e entrevistas com os especialistas citados nas matérias
Avalie o seu nível de dependência tecnológica num teste desenvolvido pelo Programa Integrado do Transtorno do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP 
O Povo

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