Pular para o conteúdo principal

Pesquisa da UFC ajuda a entender o processo de metástase

Na UFC, estudo constata que rigidez e viscosidade de células cancerosas são menores, o que facilita a progressão da doença
Prof. Jeanlex de Souza coordena a pesquisa, feita com auxílio do microscópio de força atômica (AFM) (Foto: Ribamar Neto/UFC)
Um dos fatores que torna difícil o combate ao câncer é a capacidade das células doentes de se multiplicar e viajar pelo corpo. Na metástase, a migração das células resulta no aparecimento de novos tumores, o que torna o entendimento desse mecanismo algo essencial para tratar a doença. Pesquisa da Universidade Federal do Ceará investigou uma área ainda pouco estudada no Brasil – a biofísica celular – e obteve dados que ajudam a entender melhor a metástase.
Realizado pelo Laboratório de Microscopia Avançada do Departamento de Física da UFC, o estudo analisou as características de células de câncer de rim a partir de aspectos biofísicos. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que, comparadas a células saudáveis, as cancerosas apresentavam menor rigidez e viscosidade.
Para que o câncer se espalhe, no processo mais comum de metástase, as células doentes viajam pelos vasos sanguíneos até chegar a outra parte do corpo, atravessando as paredes do vaso e instalando-se no novo órgão. A hipótese da pesquisa é a de que as características físicas das células cancerosas – menor rigidez e menor viscosidade – facilitam esse processo de penetração.
De forma análoga, seria como tentar passar dois tipos de materiais por baixo de uma porta: um rígido e outro flácido. Quanto mais flácido o objeto (como as células cancerosas), mais fácil a passagem. Já a viscosidade tem relação com a velocidade do processo: a água, por exemplo, é menos viscosa que o mel e demora menos tempo para se alastrar quando jogada sobre uma superfície.
Com essas informações, os pesquisadores apontam que seria possível, a partir de estudos biofísicos, combater o câncer produzindo medicamentos que tornassem as células mais rígidas e mais viscosas, dificultando o processo de metástase. Uma vez limitada ao tumor primário, a doença poderia ser tratada com mais facilidade.
“Podemos ir atrás de drogas conhecidas que mexam com o citoesqueleto (da célula) para manter o câncer confinado”
O Prof. Jeanlex de Souza, coordenador da pesquisa, explica que a diminuição da rigidez e da viscosidade da célula é um reflexo de mudanças na composição interna dela, sendo proporcional à agressividade do câncer. “Uma célula pode ter um formato estranho porque o citoesqueleto se desestrutura e se rearranja de um modo diferente”, explica. “Podemos ir atrás de drogas conhecidas que mexam com o citoesqueleto para manter o câncer confinado.”

Isso porque, uma vez presente no sangue, a célula cancerígena está sujeita a variações bruscas de força causadas pelo fluxo sanguíneo, como se estivesse em um imenso toboágua. Essas variações potencializam ainda mais a baixa viscosidade das células. “A corrente sanguínea é turbulenta e a viscosidade da célula é influenciada pela força que é aplicada nela. Ela pode fluidificar totalmente quando chacoalhada pela corrente”, diz.

Microscópio

Determinar fatores físicos de uma célula humana requer equipamentos específicos, como o microscópio de força atômica (AFM) utilizado na pesquisa. Ele é capaz de criar, na tela de um computador ligado ao microscópio, uma imagem digital mostrando algo parecido com relevos geográficos, como uma “topografia” da célula.
No AFM, uma pequena haste quase invisível toca suavemente a superfície das células, similar ao modo de funcionamento das antigas vitrolas que tocam discos de vinil. Na parte inferior dessas hastes, há outra ponta, impossível de ser vista a olho nu, responsável por “passear” sobre a superfície da célula e captar informações físicas nesse contato.
O Prof. Jeanlex explica que, para detectar o delicado movimento da ponta do AFM em contato com a célula, é preciso ainda o auxílio de um laser. “Se a ponta do AFM mexer, o reflexo do laser vai para um lado ou para outro. É possível ver o desvio do reflexo por meio de um fotodetector. Tudo é transformado em topografia”, diz.
Para medir rigidez, o microscópio fornece dados na forma de curvas de força após aplicar pressão sobre o objeto de análise. É fácil entender esse processo se compararmos a célula a um travesseiro viscoelástico, como aqueles utilizados por astronautas. Uma vez amassado, ele aos poucos vai voltando a seu estado normal, e a velocidade com que isso acontece ajuda a entender sua viscoelasticidade.

Pesquisa

O estudo foi realizado durante um projeto de doutorado sob a supervisão do Prof. Jeanlex. A pesquisa agora será estendida a outros tipos de câncer, além do renal, e aplicada ao desenvolvimento de métodos biomecânicos para o diagnóstico de câncer em parceria com outros departamentos da UFC.
As informações são da Agência UFC

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

O Natal em Natal (RN), a capital potiguar fundada em 25 de dezembro de 1599

Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto 'O Natal em Natal'.
Considerada uma das maiores e mais bonitas do Brasil, a Árvore de Natal instalada no bairro de Mirassol encanta a natalenses e turistas. (Alex Regis/ Secom Natal)
Os moradores da capital do Rio Grande do Norte têm um motivo a mais para se alegrar e vivenciar esta época do ano. Afinal, eles celebram o “Natal em Natal”. Aliás, a capital potiguar recebeu este nome devido a data da sua fundação: 25 de dezembro de 1599. Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto “O Natal em Natal”, promovido pela prefeitura municipal. Ao todo, segundo a prefeitura, são mais de 40 eventos que contemplam dança, música, teatro, audiovisual, artesanato, gastronomia e outras manifestações culturais.
Na zona sul da capital, foi acessa, no dia 3 de dezembro,  a tradicional “árvore de Mirassol”, com 112 metros de altura, ornamentada com enfeites nos formatos de …

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…