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Masp recebe exposição da pintora modernista Djanira da Motta

A mostra faz parte de um esforço para reposicioná-la no cenário artístico brasileiro do século 20, além de marcar 40 anos de sua morte.


A exposição abre o ciclo Histórias das mulheres, histórias feministas, que trará a produção de várias artistas para a programação do museu ao longo de 2019.
A exposição abre o ciclo Histórias das mulheres, histórias feministas, que trará a produção de várias artistas para a programação do museu ao longo de 2019. (Reprodução/Secretaria Estadual de Cultura do RJ)
Por Daniel Mello
O Museu de Arte de São Paulo (Masp) recebe, a partir de hoje (1º), a exposição Djanira: a memória de seu povo, que traz trabalhos de toda a trajetória da artista, do início dos anos 1940 ao final dos anos 1970. A mostra faz parte de um esforço para reposicionar Djanira da Motta e Silva no cenário artístico brasileiro do século 20, além de marcar 40 anos de sua morte.
Com pouco estudo formal em artes e um desenvolvimento principalmente autodidata, Djanira trouxe diversas influências para suas obras. “Ela vai buscar uma série de referências plásticas tanto em uma tradição mais ocidental da história da pintura, quanto na própria visualidade popular brasileira. Aí está essa fricção, essa dificuldade de reduzir Djanira a um lugar só”, explica um dos curadores da exposição, Rodrigo Moura.
Falta de reconhecimento
As especifidades da obra dela, que não estava ligada diretamente a nenhum grupo de artistas, fizeram com que a crítica da época, na opinião de Moura, fosse injusta ao analisá-la. Djanira recebeu, segundo o curador, rótulos como pintora “primitiva” ou “ingênua”, que significavam que ela não tinha plena consciência de suas opções estéticas. “Me parece que isso é uma certa limitação que havia naquele momento para lidar com a sua singularidade, o fato de ela ser uma mulher vinda da classe trabalhadora, com uma instrução formal em arte limitada”, comenta Moura.
No entanto, o curador explica que a produção de Djanira estava em diálogo com o momento artístico da época. “Uma coisa muito forte na experiência moderna brasileira dos anos 1940 para a frente, os artistas participam do modernismo sem ser necessariamente artistas com formação moderna sólida”, explica. Apesar de ter aprendido grande parte de sua técnica por conta própria, a pintora também esteve em contato e acompanhou o trabalho de outros artistas modernos.
Ao mesmo tempo que o momento era propício a que artistas fora dos círculos ganhassem espaço em salões e museus, ainda existia, de acordo com Moura, algumas barreiras para que essa produção ganhasse o destaque que merecia. “Uma maneira que as pessoas tinham de se relacionar com essa diferença de origem era justamente com essa taxação, essa rotulação, que a gente acha que servia para diminuir naquele momento, diferenciar de uma maneira um pouco preconceituosa em relação ao dela”, analisa.
Os ofícios e a religiosidade afrobrasileira
Djanira olhava o mundo a partir de sua origem, valorizando na produção o mundo do trabalho e os diferentes ofícios. A partir de uma temporada em Salvador, na Bahia, os temas afrobrasileiros e a religiosidade do candomblé também passam a ser retratados em suas pinturas. As festas populares e os costumes indígenas, especialmente dos Canelas, do Maranhão, foram outras temáticas que inspiraram suas obras.
Mulheres
A exposição abre o ciclo Histórias das mulheres, histórias feministas, que trará a produção de várias artistas para a programação do museu ao longo de 2019. Em abril, serão abertas mostras dedicadas à modernista Tarsila do Amaral e à arquiteta Lina Bo Bardi, responsável pelo projeto do Masp.
A exposição Djanira de fica em cartaz no Masp, na Avenida Paulista, região central da capital, até o dia 19 de maio.

Agência Estado

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