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Lilly, a Greta Thunberg da Tailândia, entra em guerra contra o plástico

A Tailândia é o sexto país que mais contribui para a poluição dos oceanos, segundo a ONG Greenpeace.
Lilly, de 12 anos, em um mutirão de limpeza na Tailândia, em agosto de 2019.
Lilly, de 12 anos, em um mutirão de limpeza na Tailândia, em agosto de 2019. (AFP)

"Sou uma garota em guerra", diz Lilly, 12 anos, que estabeleceu para si o objetivo de acabar com o excesso de plásticos na Tailândia, a exemplo da ambientalista sueca Greta Thunberg.
Em junho, esta adolescente de dupla nacionalidade (americana e tailandesa) obteve sua primeira vitória: ajudou a convencer a Central, uma grande rede de supermercados, a parar de distribuir sacolas de plástico de uso único em suas lojas.
Como consequência, outros grupos de distribuição implantados na Tailândia, entre eles a rede japonesa 7-Eleven, onipresente no país, se comprometeram em setembro a não distribuir mais essas sacolas a partir de janeiro de 2020. "É bom que seja assim", sorri Lilly, enquanto se aproxima de uma sacola cheia de latas oxidadas e garrafas quebradas.
A jovem conta que achava ser jovem demais para militar. "Mas Greta Thunberg me deu confiança. Quando os adultos não fazem nada, nós crianças temos que agir", acrescenta.
Ralyn Satidtanasarn, conhecida como Lilly, não estará em Nova York junto à jovem sueca, ícone da luta contra o aquecimento global, na manifestação organizada em 20 de setembro antes da conferência da ONU sobre o clima, mas se manifestará em Bangcoc. "Meu lugar é aqui. A luta deve ser travada no Sudeste da Ásia", diz.
Vários países da região – Tailândia, Camboja, Filipinas, Malásia, Indonésia –rejeitaram recentemente se tornar o "lixão" do Ocidente, e mandaram contêineres cheios de plástico para reciclagem de volta a seus países de origem.
Mas estes países do Sudeste Asiático continuam gerando em seu próprio território quantidades astronômicas de plástico. Na Tailândia, as sacolas de plástico são onipresentes, para embalar as comidas servidas na rua ou as bebidas que as pessoas levam ao trabalho. Um tailandês usa em média oito sacolas por dia, cerca de 3 mil por ano, segundo dados do governo. É 12 vezes mais que na União Europeia.
A Tailândia é o sexto país que mais contribui para a poluição dos oceanos, segundo a ONG Greenpeace. A morte recente de um dugongo bebê – uma espécie de mamífero marinho ameaçada – que engoliu resíduos plásticos demais causou comoção nas redes sociais.
"Capricho de menina"
As autoridades tailandesas querem pôr fim às sacolas de uso único até 2022, segundo um roteiro ambicioso elaborado no início deste ano, mas alguns duvidam que será possível. "Não está previsto nenhum mecanismo juridicamente obrigatório, e sensibilizar o público não será suficiente", adverte Tara Buakamsri, diretor local do Greenpeace.
Na linha do movimento iniciado por Greta Thunberg, Lilly realizou uma concentração em frente à sede do governo. Também pediu uma reunião com o primeiro-ministro, Prayut Chan-O-Cha, sem sucesso.
A jovem pode contar com o apoio de sua mãe, que a ajuda a escrever seus discursos ante responsáveis da ONU e de embaixadas. "No início, pensei que era um simples capricho de menina. Mas ela não abranda em seu empenho", conta a mãe, Sasie, que também foi ativista ambiental.
Lilly começou a militar aos 8 anos, após passar férias em uma praia da Tailândia "coberta de plásticos". Desde então, embora às vezes tenha vontade de parar para ir brincar, participa nas sessões de limpeza organizadas pela associação Trash Hero.
A última ocorreu em Bang Krachao, um bairro conhecido como o "pulmão verde de Bangcoc" mas que está cheio de garrafas, sacolas e outros resíduos de plástico que chegam ali arrastados pelas águas do rio Chao Praya. Muitos acreditam no poder de persuasão de Lilly.
Mas na Tailândia "os lobbies são poderosos e isso faz com que qualquer mudança seja mais difícil", aponta Nattapong Nithiuthai, um ativista ambiental. Um dos maiores obstáculos é o setor petroquímico, muito concentrado no plástico, que representa 5% do PIB tailandês e gera dezenas de milhares de empregos.

AFP

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