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Páscoa, além dos ritos

Padre Geovane Saraiva*
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Jesus morreu por causa da reação violenta e da indiferença de tantos inimigos. Ao seu lado se encontravam, por ocasião de sua morte, sua mãe, o discípulo amado e Maria Madalena, e mais pessoas, certamente (cf. Jo 19, 25-27). As mulheres não ficaram, de jeito nenhum, indiferentes; foram ao sepulcro para terminar de embalsamar o corpo de Jesus, mas não o encontraram. Logo, um anjo apareceu a elas e disse-lhes: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse” (Mc 16, 6-7).
Quantas Mulheres foram ao Sepulcro de Jesus? Uma, duas, três ou mais?
A Páscoa do Senhor nos ajuda a pensar nas pessoas que morrem no abandono, sozinhas ou, como queira, na solidão, sem o menor cuidado e sem ninguém, na mais completa indiferença, sem nenhum choro ou lágrima derramada. Que a nossa páscoa, na Páscoa do Senhor, seja consequente, a partir do que acontece hoje, por causa do coronavírus, pois sabemos que cumprir o preceito de se despedir de seu ente querido é pela distância, e mentalmente, repetindo-se também a prece ou oração que brota do interior das pessoas, pelos mesmos irmãos queridos e demais pessoas que chegaram ao fim da jornada terrena e ao ocaso.
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Importa a todos nós o espírito de esperança pascal a nos desafiar, colocando, na mente e no coração, a proposta do percurso divino, afastados da ilusória e mutável esperança, no abraço do triunfo da Páscoa eterna. A Páscoa do Senhor, a partir da Vigília Pascal, no dizer de Santo Agostinho, é a “mãe de todas as celebrações”, que, com seus ritos antigos, toda a sua beleza, sua profundidade poética, e ao mesmo tempo profética, devem nos estimular a ir além do rito.

Que Deus nos dê a mesma graça, a de Jesus ressuscitado, para que possamos, nesta Páscoa de 2020, demonstrar solidariedade, ficando perto e ao lado dos enfermos moribundos, sem se esquecer dos que sofrem por causa do isolamento. Na dor humana percebe-se, com clareza, um enorme número de irmãos e irmãs que carregam sua pesada cruz. Superar a indiferença é o nosso desafio, ao vivenciarmos a proposta pascal, restando-nos, pois, fé e esperança no Senhor da vida, o verdadeiro sol, aquele que é eterno e que nunca se extingue. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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