24 de novembro de 2021

Teimosia: sinônimo de perseverança

 
A VERDADEIRA TEIMOSIA DEVE SER AQUELA REVESTIDA NA PERSEVERANÇA DO EVANGELHO* 

Jesus orientou os apóstolos para que estivessem preparados para os tempos difíceis. Ou seja, *Jesus despertava em seus seguidores a importância de ser constante (perseverante) no Evangelho quaisquer que fossem as origens das adversidades.*

Advertiu para a traição extrema: "Sereis entregues até mesmo por vossos próprios pais, irmãos, parentes e amigos."

Essa é a lição do Evangelho que devemos ter em mente. Pois, ninguém - nem pai, nem mãe, nem irmão, nem irmã, nem filho, nem filha, nem primo, nem prima, nem amigo e nem amiga - deve ser capaz de nos afastar do Caminho de Deus. 

Essas pessoas, como Jesus advertiu, estão em missão obscura quando traem o exercício cristão.

Respeitar Pai e Mãe significa obedecer aos guias terrenos que Deus nos concedeu, desde que cumpram com a condição imposta por ele: "Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor."

Fora disso não existe a figura do cristão como integrante da família e sim um simples ato de procriação como os demais animais.

Costumo dizer que para um homem descobrir se é perseverante deverá indagar de si próprio: Sou inconstante nas atitudes de minha vida? Em caso afirmativo ele saberá, reversamente, que a perseverança não habita em seu coração.

*Ser perseverante é não desistir!*

Ah, se todos os seres humanos teimassem, fizessem birra na defesa e exercício do Evangelho! 

Teimosia e birra são expressões sinônimas da perseverança.

Ah, se os pais aproveitassem esse potencial dos filhos teimosos (perseverantes) para direcioná-los no caminho da luz!

*Desejo ao mundo mais seres birrentos, teimosos, perseverantes na fé cristã!*

Fernando A T Távora

23 de novembro de 2021

Viagens: bênçãos e vantagens!

 Pe. Geovane Saraiva*

Serra do Baturité, estrada de
Mulungu -Aratuba-CE
Foto: Pe. Geovane Saraiva/arquivo

“Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65). É a palavra de Deus que nos convida a realizar seu projeto de amor nas circunstâncias mais diversificadas, seja pelo trabalho, em tempo de férias ou em viagens. Confesso que meu limite, de não gostar de tirar férias, de não procurar visitar lugares novos, conhecer pessoas e realidades diferentes, de fazer coisas fora de minha rotina e do meu dia a dia. Também não gosto de viajar. Por outro lado, noto claramente como as pessoas ficam para cima e transfiguradas quando viajam, seja de automóvel ou de avião, quando vão de férias e se deparam com realidades novas. Como é maravilhoso! Em certa ocasião, há 11 anos, vindo de Cascavel-PR, encontrei em Cumbica, Aeroporto de Guarulhos-SP, Dr. Evilberto Freitas e Dra. Emair Borges, médicos e amigos, voltando de Paris, os quais, com enorme alegria e satisfação, falaram-me da belíssima viagem, usando a expressão: “Um verdadeiro banho de civilização!”.

Fortaleza-CE
Foto: Pe. Geovane Saraiva/arquivo

Mesmo sem gostar de avião e não ser de meu feitio viajar de férias, dos dias 21 a 24 do mês de janeiro do ano de 2014, nunca me esqueci de ter visitado a cidade de Ilhéus, no sul da Bahia. Confesso que foi para mim um verdadeiro banho de cultura, por que não dizer também de civilidade, olhando pelo lado histórico, cultural e religioso? E eu, na condição de sacerdote da Igreja Católica, escritor, colunista e blogueiro, tenho muito que aprender de uma cidade da altura de Ilhéus, nas suas profundas marcas históricas e raízes culturais, cantada em versos e prosas, no cenário nacional.

Ao chegar a Ilhéus, tive a preocupação de dar um profundo mergulho no contexto histórico na terra de Jorge Amado, alhures, parafraseando o poeta e escritor cearense Gonzaga Mota, “Além de gostar, sou um curioso”. Daí o cuidado de visitar com um olhar de curioso os pontos principais da cidade cacaueira, a saber: Vesúvio, Academia de Letras de Ilhéus, Casa Jorge Amado, Bataclan, Cartório Sá Barreto, Catedral São Sebastião, a Igreja de São Jorge dos Ilhéus e a Igreja do Colégio da Piedade, construção gótica belíssima (idos de 1920) das irmãs Ursulinas, sem me esquecer da cidade histórica de Olivença.

Na Academia de Letras de Ilhéus comprei um ótimo livro, “Minha Ilhéus”, de José Nazal Pacheco Soub, não somente pela sua dissertação, profundamente pedagógica, para aqueles que desejam melhor conhecer a história da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, doada a Jorge de Figueiredo Correia, assinada em Évora, aos 26 de junho de 1534, mas também pelo seu conteúdo fotográfico, seu rigor técnico, obra que apresenta a realidade daquela cidade, sobretudo no século XX, época de grande influência literária, personificada no imortal dos imortais, Jorge Amado; ao mesmo tempo em que coincide com o apogeu da chamada “civilização do cacau”. Na página 123 encontra-se uma fotografia da visita de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao Porto de Ilhéus em construção, acompanhados de Jorge Amado e Zélia Gatai, aos 19 de agosto de 1960.

Um capítulo, das páginas 84 a 94, conta resumidamente a história da Igreja Católica, através da diocese centenária de Ilhéus. Aos 20 de outubro de 1913, o Papa Pio X erigiu a diocese de Ilhéus, com a bula Majus animarum bonum, isto é, para o bem maior das pessoas, por solicitação do então arcebispo metropolitano da Bahia, Dom Jerônimo Tomé da Silva, concomitante com as dioceses de Barra e Caetité, passando o estado da Bahia, por esse procedimento do Sumo Pontífice, a contar com quatro circunscrições eclesiásticas ou dioceses.

Ademais, mesmo sem esquecer-me das belíssimas praias da terra de Gabriela, Cravo e Canela, ainda me detive, superficialmente, sobre os nove bispos, os quais estiveram à frente daquela diocese centenária, voltando minha atenção para o 2º bispo, Dom Eduardo José Herberhold (1931-1939), um franciscano alemão, considerado um homem de Deus, concretamente nos gestos de profunda caridade pastoral, além de ser um verdadeiro pai para os padres. Outro franciscano, também alemão, marcou forte presença naquela Igreja do sul da Bahia, Dom Valfredo Bernard Tepe, o 8º bispo (1971-1995). Entre as muitas iniciativas, fundou a Escola de Teologia para os leigos, estimulou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o Movimento Cursilho de Cristandade (MCC), o Encontro de Casais com Cristo (ECC), sem esquecer a fundação do Seminário Maior de Ilhéus, num marco histórico que foi para a diocese de São Jorge dos Ilhéus, a contar com um centro superior de formação para os seus sacerdotes e demais sacerdotes das dioceses do sul da Bahia.

Foram dias de graças e bênçãos! Que o bom Deus me dê sempre mais olhos para ver melhor dias de viagem como algo maravilhoso! De férias, ainda mais, inigualáveis! Conhecer novos lugares, novas realidades, culturas e pessoas é de verdade um banho de civilização. A partir do esforço da vivência da nossa fé cristã, num desejo de guardar no mais íntimo do íntimo a realidade bela de uns dias de férias, de acordo com o que nos assegura o Apóstolo Paulo: “Tudo é vosso. Mas vós sois de Cristo!”.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

17 de novembro de 2021

Cristo é Rei, sim!

 Pe. Geovane Saraiva*

Pe. Geovane Saraiva, 1/11/2021
Mazagão, Capistrano-CE.
Em Jesus de Nazaré, temos a verdade do Reino de Deus, o filho de Maria e José, alfa e ômega. Nele, então, temos o Reino de Deus instaurado no meio da humanidade, no beneplácito desse mesmo Reino de amor, justiça e paz. Ao mesmo tempo em que Jesus postula, também conta com nossa acolhida, evidentemente criteriosa, nós que somos criaturas humanas, naquilo que é a essência do Reino, a partir das primeiras comunidades, que formaram a Igreja, em prelúdio ou no seu limiar, com a valorização da vida, florescendo em consonância com a vontade do Pai, pelos preceitos e crenças dos seus irrefutáveis valores.

Pe. Geovane Saraiva/Jardel Silveira,
Serra do Baturité/Mulungu-CE 31/9/2019
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Cristo Rei exige, dos seus seguidores, amor e solidariedade, diante da vida humana, desfigurada e estigmatizada pelo flagelo, que evidencia na ausência de dignidade: fome de toda sorte. Deus, que é Pai e amor, aspira e anseia por nossa afável ternura, no drama de milhares de seres humanos, sempre mais elevado e crescente, privados do que deveria ser básico e indeclinável para se sobreviver, sem esquecer sua bondade, mesmo num grande contingente de pessoas deslocadas: migrantes e refugiados.

Na solenidade de Cristo Rei, que seja uma palavra de ordem sonhar com uma Igreja constituída de comunidades, é claro, mas que carrega consigo o distintivo e emblema da fé e da esperança, no sonho do Papa Francisco, o de comunidades mais inclusivas, num não à apatia e à impassividade, no que diz respeito ao alimento da alma e do corpo. Nesse sentido, o anúncio é a salvação, e não a condenação. O Reino se edifica, pois, pelo homem que aceita Deus acima de todo e qualquer valor, não com palavras, mas na aceitação do Deus de Jesus de Nazaré, naquilo que ele é, resoluto, no destemor e na intrepidez: amor, justiça e verdade.

As comparações utilizadas por Cristo – como pesca, plantação, tesouro e fermento – revelam que o Reino de Deus se realiza aqui na terra, no dia a dia, por isso mesmo não cabe mais persistir num ambiente e clima desfavoráveis à sua mobilização. Cabe como dom e graça de Deus buscar o alcance de todos, tendo como compromisso neutralizar o flagelo das populações atingidas pela fome e pela miséria. Cristo é Rei, sim! Resta-nos convencermo-nos de seu bem supremo e absoluto e fazer com que Ele seja mais amado, percebendo-o na face de cada irmão.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

12 de novembro de 2021

Indulgência e gratidão

Pe. Geovane Saraiva*

Pe. Geovane Saraiva, 1/11/2021
Mazagão, Capistrano-CE.
O negacionismo, que desonra o propósito, no seu fundamentalismo torpe ou obtuso; tendo sido a causa fertilizadora do passado pouco edificado e nada profícuo da humanidade, continua, lastimavelmente, vivo e presente nos dias atuais. Resta-nos, num clamor por vida e dignidade, invocar a compaixão de Deus aos mentores e aos seus seguidores, tendo presente o afável convite a boas relações entre as pessoas, no que importa um amor persistente, mas a partir da misericórdia divina, que quer inspirar na criatura humana um sentimento de consternação para com seu semelhante, como na expressão bíblica: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (cf. Mt 6, 36), e também em: “Quero misericórdia, e não sacrifício” (cf. Mt 9, 13). Temos também a conhecida parábola do “Bom samaritano” (cf. Lc 10, 30ss), na sua melhor compreensão, na sua maneira de se relacionar com o próximo.

Reconheçamos e sejamos agradecidos pela misericórdia divina e nela os comprazimentos recebidos, sem nunca nos esquecermos do dom da gratidão. O nosso Deus indulgente e clemente oferece e demonstra seu amor misericordioso para conosco, quando da nossa parte existe gratuidade. No dizer de São Bernardo de Claraval, Deus se retém em sua misericórdia, mas só quando por parte da pessoa humana se percebe falta de deferência, indulgência e gratidão.

Professor Airton de Farias com
Pe. Geovane Saraiva, 9/11/2021
No nosso mundo hodierno, constata-se excessiva ingratidão, aliada ao descompromisso com a lealdade. Num quadro de enfermidade, semelhante ou mais elevado do que aquele dos dez leprosos do Livro Sagrado (cf. Lc 17, 11-19), atingem-se e contaminam-se as estruturas, no que diz respeito à vida e ao convívio social, como se fosse um maldito padecimento. Que o espírito da Sabedoria divina, inflexível e imutável, renove tudo, fazendo-nos viver, sendo um reflexo da luz eterna, espelho sem mancha da atividade de Deus e imagem de sua Sabedoria ou misericórdia (cf. Sab 7, 26).

Particularmente, agradeço ao bom Deus pela visita honrosa do professor do IFCE, historiador e pós-doutor, Airton de Farias, no dia 9 de novembro de 2021, presenteando-me com seus livros; ele veio a mim como um humilde irmão; foi possível perceber o que disse dele o historiador Gustavo Brígido, entre outros: “Tornou-se embaixador do Ceará no mundo”, deixando-me edificado com suas publicações, livros mais que bons; ótimos! Unidos ao professor Airton de Farias e aos demais irmãos, que nossa oração suba aos céus, mas de maneira complacente, benevolente e tolerante, no sentido de que nossas atitudes e gestos possam percorrer a estrada do amor compassivo, na mais profunda gratidão.

Permita-me, pois, concluir com a oração do Rei Salomão: “Deus de nossos Pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas que criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos, porque qualquer homem, mesmo perfeito entre os homens, não será nada se lhe falta a Sabedoria que vem de vós”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Processo de beatificação de brasileiro Dom Helder Câmara avança em Roma

Processo do bispo avança e muitos estão na expectativa para o anúncio da sua beatificação 

Processo do bispo brasileiro avança em Roma e muitos estão na expectativa para o anúncio da sua beatificação


Causa de beatificação de Dom Helder é avaliada pelo Vaticano desde 2019 (Celam)

Mirticeli Medeiros

Sínodo sobre a sinodalidade em andamento, e a pergunta: Dom Helder Câmara será beatificado no meio de uma das maiores consultas eclesiais públicas da história? Francisco pode elevar aos altares, em breve, o bispo brasileiro cuja trajetória ele mesmo disse admirar?

Conhecendo a forma como o pontífice atua, é provável. Lembram da Irmã Dulce? Ela foi canonizada na abertura do Sínodo da Amazônia, em outubro de 2019. E com esse reconhecimento, Francisco, na época, deu ênfase a um dos maiores lemas do seu pontificado: “uma igreja pobre para os pobres”. Deixou claro, com isso, em que direção deveria ser conduzida aquela assembleia especial.

Francisco não se comunica somente através de seus discursos improvisados e da forma peculiar com a qual se apresenta como pontífice romano. Ele tem uma capacidade única de ‘encarnar’ as próprias palavras. Acredita na força dos símbolos e do exemplo. E é certo que suas referências condizem não somente com seu estilo de governo, mas com o modelo de Igreja com o qual ele sonha.

É claro que o pontífice deverá seguir os protocolos próprios do órgão competente pelos processos de canonização. Ele não pretende dar ‘um jeitinho’ para que Dom Helder seja beatificado. Longe disso. Mas pode recorrer às leis canônicas que estão a seu favor.

Porém, como líder da Igreja Católica, ele pode, se considerar oportuno, declarar alguém “beato (ou santo) por aclamação”, que na linguagem técnica se chama beatificação/canonização equipolente. Nessa modalidade, quando se atesta que existe um culto consolidado à memória da pessoa, o santo padre pode dispensar o milagre atribuído à intercessão desse venerável. Por vias normais, segundo as regras da Santa Sé, a confirmação de uma cura inexplicável pela ciência é uma condição necessária para reconhecer a santidade de alguém. Francisco aplicou essa exceção algumas vezes. Só para citar alguns casos, ele fez isso com o jesuíta José de Anchieta, copatrono do Brasil, e o Papa João 23, em 2014.

Caso tudo seja feito em tempo hábil, sem declaração de equipolência, seria muito do agrado de Francisco (sem dúvida!) transformar em santo alguém que incorporou os ideais de uma igreja sinodal. Os escritos de Dom Helder estão aí para comprovar. Sua vida também. É por isso que a beatificação em si, principalmente pensando nesse sínodo que está em curso, é algo que pode ser cogitado sem medo.

E quem o difama é porque quer ofuscar sua importância para a Igreja do Brasil num período conturbado da história do país. Mais que combater a ditadura, ele foi porta-voz dos menos favorecidos. O ‘São Francisco de Assis da Terra de Santa Cruz’, com alguns fazem questão de chamá-lo. Generoso e de choro fácil, se emocionava até com as marchinhas de carnaval que eram entoadas pelas ruas de Recife. A imagem na qual ele aparece visivelmente emocionado, captada por uma tevê francesa, que circulou este ano pela internet, mostra alguém que entoa louvores a Deus ao som do frevo de bloco ‘Bom São Sebastião’. Bem Dom Helder. Aqueles poucos segundos de gravação o representam muito bem.

Dom Helder foi um dos grandes protagonistas do Concílio Vaticano II. E era muito respeitado por Paulo VI - que o nomeou bispo - e também por João Paulo II. Em sua visita ao Brasil, em 1980, o papa Wojtyla, ao cumprimentá-lo, o chamou de “irmão dos pobres e meu irmão”. E, ao contrário do que se pensa, os religiosos se admiravam mutuamente.

O bispo dos pobres, cuja luta em defesa dos direitos humanos foi interpretada como ‘comunismo’ pelos apoiadores do regime militar, não era mal visto por Roma, ao contrário do que se diz. Ele nunca recebeu nenhum tipo de advertência por parte da Santa Sé.

Desde 2019, está a cargo de Roma decidir sobre o futuro daquele que, para muitos, já é considerado um santo. Inclusive foi a Santa Sé a solicitar que todos os escritos, incluindo cartas privadas e programas de rádio que o prelado nordestino realizava, fossem encaminhados para a Congregação para a Causa dos Santo. Em agosto deste ano, o vice-postulador da causa, frei Jociel Gomes, confirmou que todo o material foi enviado por ‘malote diplomático’ através da Nunciatura Apostólica do Brasil.

Agora é aguardar. Se ele for beatificado, mais um motivo para que este sínodo entre para a lista de evento históricos. Será, verdadeiramente, uma assembleia com “cheiro de Concílio”. E ter Dom Helder como “seu patrono”, se assim o Papa o quiser, para muitos será muito bem-vindo..

Dom Total

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

5 de novembro de 2021

Berço amado e prezado

Pe. Geovane Saraiva*

Mesmo quando o dia é exaustivo e o cansaço físico parece dominar, resta-nos a oração a nos envolver ou incorporar por toda a vida humana, na sua completa extensão, tanto nos benefícios temporais quanto nos espirituais. A oração bem que nos desconserta, dando-nos mais do que um relaxamento, apontando-nos para o sentido da remissão dos pecados e da comunhão com Deus, sendo a mais pura e verdadeira esperança: a de experimentar a face de Deus, no mistério do prometido Monte Santo, da cidade de Sião ou da Jerusalém celeste. 

Pensemos, pois, na riqueza da oração, mas a partir da graça divina, no esforço por uma conduta coerente e exemplar, a ponto de pautar os rumos da nossa existência pelo conteúdo da oração, fundamento sólido, que não é passageiro nem terrestre. Deus quer que nos afastemos daquilo, por vezes comum, implorar a cura de doenças, o livramento de perigos mortais, calamidades e até castigo para os inimigos. A vida de oração consequente abre a mente e o coração humano, exige muito mais. 

Na oração, como é importante perceber e se levar em conta aquele contexto rítmico do povo de Deus! Com seus versos, ela deve ter um cunho poético, mas sem esquecer que deve vir do interior do coração, numa amplitude laboriosa, para os filhos da Igreja, orgulhosos, ao falar com Deus em prosa. A oração se distingue em súplica, penitência e ação de graças. É claro que a oração de penitência pode conter os mesmos elementos da oração de petição, mas a oração de gratidão consiste na invocação do santo nome de Deus, por seus favores, em Jesus de Nazaré, no mais elevado sentido, no sonho de todas as coisas reconciliadas no amor. 

Apropriei-me de um bom mergulho no dia 1º de novembro de 2021, num dia exaustivo, a partir daquilo que é absolutamente universal, tanto temporal como espiritual. É indescritível a gratidão a Deus, na nossa condição de humilde instrumento de seu amor e de sua paz, mesmo na realidade conturbada do mundo. Voltei para minha terra natal, Mazagão, Capistrano-CE, meu berço amado e prezado, indo bem nas origens, em nossa casa, a mesma que não existe mais. naquele lugar árido, mas querido por Deus, do notável e memorável Mazagão.

Foi um dia de bênçãos e de oração muito verdadeira. Emergi ou elevei-me, numa forte simbologia, com meus pés fincados no chão sagrado da minha terra, no lugar em que nasci e vivi minha infância, com meus pais, Agapito e Eliete, e quatro irmãos. Fui até fotografado diante da árvore lá existente, a qual nos aponta para a árvore da vida, a nos fecundar e encher de graça, como bem disse o Dr. Lúcio Alcântara, ao opinar sobre nosso comentário no Facebook: “É a volta de onde na verdade nunca saímos”. 

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).