30 de março de 2023

Na Páscoa, a realidade última

Pe. Geovane Saraiva*

Permita-me, com relação à morte, ao se contrapor com a vida, quando esta não se harmoniza com a existência humana, devemos pensar na vida envolvida em mistério. Que a nossa reflexão seja no sentido de se pensar na morte circundada de mistérios, contornando o perímetro do coração humano, mas no mais elevado silêncio e respeito. Devemos pensar na morte a partir da vida, que vibra, pulsa e palpita, aqui no recado de São João XXIII, ao se despedir dos padres conciliares, em 1962, no final da primeira sessão do Concílio Vaticano II: “Quando vocês voltarem para casa encontrarão crianças. Deem a elas um carinho e digam: Este é o carinho do Papa”. Pulsar, sim, no verdadeiro Cordeiro, naquele que, morrendo, destruiu, inabalavelmente, a morte, na mais absoluta certeza de que na sua Páscoa as portas do reino celestial nos são abertas, para se compreender, no mistério da fé, que a criatura humana foi redimida na sua entrega, no seu oferecimento pela humanidade. 

A partir da vida das crianças, fica nossa profunda gratidão àquilo que se irrompe como eclosão da Páscoa. Que cresça o fervor do povo de Deus, no mesmo mistério, com a consciência de que só se conseguirá dar passos e avançar na vida solidária quando se convence do auxílio da graça que brota do mistério pascal. Na Páscoa, mistério inabalável de amor e esperança, quando se apreende e se apropria do prosseguimento da vida, no descruzar dos braços, rumo ao novo “amanhã”, a criatura humana, com seus limites, mas com uma vontade de caminhar na direção das realidades últimas, fica naquela esperança, antevendo, pela fé, a realidade paradisíaca, no contexto do absoluto, na realidade última, no coração dos homens e das coisas. 

O mistério inabalável da Páscoa, sendo derrotado o que é corruptível, proporciona a realização da nova criação. Jesus, na oblação de seu corpo, o lenho da cruz tem seu ponto mais elevado. Enfim, tudo plenificado, pacificado e conciliado consigo. A vida, em um grau superior, vigorosamente muito acima da teoria, no instinto e sentimento permanente, ininterrupto e inalterável, iniciado pelo pensar das pessoas, encontra seu ponto alto e conclusivo no agir humano, mesmo no humilde entendimento e compreensão do amor, não suficiente, ou insuficiente, a partir da verdade, da liberdade, da beleza, da bondade, da alegria e da felicidade. Temos, por exemplo, um sentimento de decepção inexorável, quando repercutiu, ou ressoou, em 1958, no mundo inteiro, a eleição do Papa João XXIII (1881-1963). 

Foi visto de imediato como um papa de bastante idade, longe de se depositar entusiasmo e confiança, que dificilmente iria corresponder aos anseios e clamores da humanidade; parecendo desanimar a todos, até mesmo pelo seu mandato, por causa da idade, seria curto ao tampão. Mas sua surpreendente maneira de perceber o mundo, pelas suas ações e iniciativas revolucionárias, burlou o mundo. Logo a humanidade passa a experimentar os sinais admiráveis de esperança, na sua abertura para com o mundo, que se modernizava, num compromisso de renovação ou “aggiornamento” mundo afora, sendo cognominado “o Papa da Bondade”. 

Padre Geovane Saraiva – Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

26 de março de 2023

Boa semente

 Pe. Geovane Saraiva*

Jesus, filho de Maria de Nazaré e do carpinteiro José, querendo, evidentemente, desmanchar a montanha da falta de esperança, do orgulho, do egoísmo que está dentro de nós, amparado pela tão visível simbologia do manto da paz, da justiça e da afável ternura, fala ao interior do coração das pessoas, querendo entrar na frágil existência humana. Ele quer que plantemos boas sementes no mundo. Mas quais sementes? Sementes de paz, amor e compreensão, do não ao egoísmo, de um ambiente leve, com bons e construtivos olhares e de um coração fértil, grande e largo. Numa palavra: sementes de esperança.

O Verbo de Deus, que se encarnou e veio se estabelecer entre nós (cf. Jo 1, 14), quer que nos coloquemos à sua disposição como seus generosos colaboradores, mas num ardente desejo de edificar seu projeto de amor, afastando-nos da intolerância, do preconceito e do ódio. Dom Helder Câmara nos ensina o sentido da verdadeira e autêntica fraternidade. Quando resolvemos buscar a referida e tão sonhada esperança, na fé a nós ensinada de que Deus é Pai de todos e que, vivendo a vida de irmãos, não nos afastaremos da promessa divina: de a terra se transformar em céu e de o céu se transformar em terra.

Na contemplação do mistério da encarnação, do Deus pequeno da estribaria de Belém, na expectativa de sua chegada, evidentemente, não de braços cruzados, sou levado a pensar e ao mesmo tempo a colocar diante dos olhos a imagem do Menino Maluquinho, de Ziraldo Alves, com quem Dom Helder tão profundamente se identificou e, abraçando-a com a força do seu vigor e de seus sonhos, com sua vida fecunda e seu inquestionável legado para a humanidade, de dom e graça, a partir da Feira da Providência em 1961, na cidade do Rio de Janeiro, ensina-nos a plantar, convenhamos, a boa semente: a esperançosa semente de que um mundo melhor é possível.

É por isso mesmo que neste Tempo do Advento, inspirados na profecia de Dom Helder Câmara, possamos aprender com as crianças da Infância e Adolescência Missionária e do Projeto Dom Helder, Arte e Missão de nossa Paróquia de Santo Afonso, “meninos e adolescentes maluquinhos da Auristela”, fazendo o mesmo questionamento: “Quais sementes desejo espalhar pela terra? Sementes de paz, amor, compreensão e esperança. Há tanto desespero, desengano, decepção, frustração e desesperança! Sementes de esperança, sem dúvida, chegariam em boa hora”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF)


23 de março de 2023

Deus, no agora e para o além

 Pe. Geovane Saraiva

Seguindo as pegadas de Jesus de Nazaré, com a compreensão de povo da promessa ou povo da aliança, na bondade indescritível de Deus, a esperança das criaturas e do próprio mundo se cumpre, mas naquele que, para salvar essa realidade contraditório e paradoxal, pela proposta da estrada do êxodo, constantemente reaberta, quis nascer entre os seres humanos, nascer neste mundo. 

O Filho de Deus, Mistério de amor, inacessível, imperscrutável e insondável, quer desmantelar a montanha da iniquidade humana, pelo nosso amor próprio, no indiferentismo insensato, mas ao mesmo tempo em que é sua vontade elevar nossos sentimentos e fortificar nosso espírito fraterno, pelos laços humanitários e solidários, na resplandecente luminosidade de que Ele e a luz a iluminar a convivência humana rumo à Pascoa definitiva. 

Nele toda resplandecência, nele o Sol do Pai Celeste, o Deus conciliador, indulgente e tolerante, que se levanta tanto sobre os bons como sobre os maus, exemplo que vale para nós, cristãos. Quem ama cresce como criatura humana, na complacência transigente e flexível, no agora e para o além. Daí a convocação: amar é sair de si mesmo, na dedicada persistência de responder o mal com o bem. 

Quem ama, de verdade, quer enveredar num esmerado capricho, sua única alternativa: fazer o bem sem olhar a quem, tudo num amor elevadamente verdadeiro, o qual se abre aos irmãos e ao mundo, cognominado como amor desinteressado, abnegado, altruísta, no compromisso, repetindo, de sair de si mesmo, valendo aqui o pensamento do doutor da graça, Santo Agostinho: “Ama e fazes o que quiseres”.

No amor de Jesus de Nazaré, farol da justiça, que, ao penetrar no chão da nossa mente, com seu amor complacente, luz que a tudo conduz. Nele a vida que floresce, como dom e graça nos enaltece, um Deus consistente, na alegre esperança, o sonho de um mundo mais atraente e benevolente. Assim seja!

Padre Geovane Saraiva – Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

22 de março de 2023

O LEGADO DE KARL MARX

Pe. Waldemir Santana*

No dia 14 de março, celebramos os 140 anos da morte do grande pensador político, Karl Marx. Filósofo e pensador, mas também jornalista, ele descreveu a produção material e a produção ideológica que justificava, a riqueza nas mãos de capitalistas a custa da miséria da classe trabalhadora. O trabalhador, nesse sistema criticado ferozmente por Marx, é desumanizado e transformado numa peça da engrenagem capitalista.

As palavras de Engels no dia do seu sepultamento foram emblemáticas, pois, revelavam a importância que teve esse grande pensador da história. “ Marx foi o homem mais odiado do seu tempo por governos absolutistas, como também republicanos, que o deportaram dos seus territórios”. As difamações contra ele eram crescentes, mas tudo isso ele colocava de lado como se fossem teias de aranhas, não tomando conhecimento e só respondia as agressões quando a necessidade extrema assim exigisse. Esse homem de grande lucidez, foi amado e reverenciado por trabalhadores de todas as partes do mundo. A sua grandeza de pessoa humana era profunda. Apesar de incontáveis adversários, nunca teve nenhum inimigo pessoal. O impressionante é que além do trabalho de organizar os trabalhadores em toda Europa, ainda tinha tempo de produzir uma obra tão vasta que ainda hoje é pesquisada. Cento e quarenta anos depois, a imensidão de toda sua obra ainda não foi totalmente publicada.

O legado teórico de Marx é extraordinário. Ele foi uma figura histórica de primeira grandeza que a partir de observações da realidade, formulou uma base teórica de uma envergadura invejável. Suas ideias políticas não brotavam de uma mente privilegiada, mas do cotidiano de trabalhadores que eram oprimidos pelo nefasto sistema capitalista. Quando Marx fala de modo de produção capitalista, ele o faz como uma chave de interpretação da história humana com suas contradições.

Marx viveu situações de muita carência. Seus filhos morreram de forma precoce, porque passaram por privações e extremas dificuldades que comprometeram a sustentabilidade da própria vida. No sistema capitalista essa realidade de mortes precoces continua com toda sua violência. Muitos morrem antes do tempo, porque não têm as condições adequadas de vida. O que nos deixa estupefatos é que as suas obras ganham vigor teórico em meio a tantas privações. É inconteste que esse arguto pensador deve ser lido e pesquisado para que possamos compreender as crises sucessivas pelas quais passa o sistema capitalista. Até seus inimigos teóricos e políticos têm que reconhecer que Marx foi a grande referência de todo pensamento contemporâneo. Nenhum pensador teve a influência no vértice do pensamento como Marx teve. Muitos afirmam com certa ingenuidade que Marx está superado, fora de moda. O certo é que Marx se sobrepõe a essas deturpações oriundas de capitalistas liberais e da esquerda sócio democrata. A vitalidade do seu pensamento é inquebrantável. Suas obras são instrumentos para pensar e transformar realidade social e política. Marx meios de transformação da realidade e não um dogma religioso cristalizado.

Hoje há ferrenhos adversários do pensamento de Marx. A história nos ajuda a entender uma coisa: quando um pensamento, não consegue derrubado devido a sua grandeza e solidez, procura-se mutilá-lo para que perca sua força teórica e prática. Assim acontece com Marx, como na Igreja acontece com a Teologia da Libertação. Procuram desacreditá-la por estar ao lado dos pobres contra a pobreza e a favor de sua libertação. A afirmação de Marx de que a religião é o ópio do povo, deve ser entendida dentro do seu quadro histórico. A religião pode ser o ópio do povo se ela legitima em nome de Deus a opressão de um povo. Sem sombra de dúvida, se Marx tivesse conhecido a Teologia da Libertação, jamais teria feito essa afirmação. 

Poucos pensadores tiveram a lucidez que Marx teve para compreender os mecanismos sociais, políticos e econômicos do sistema capitalista. Entre o pensador e o homem, o erudito e militante, estava a pessoa que fez da compreensão da história com todas as suas manifestações o seu alimento diário.

Esse grande pensador, abriu-nos um novo horizonte para uma vivência genuinamente num mundo conturbado e em crise dilacerante. É inegável atesta o velho historiador Eric Hobsbawm, as teses de Marx ainda são válidas e importantes para percorrermos outro caminho social e político.

Toda sua história de vida, foi marcada pela busca constante de outra configuração de mundo. Toda sua obra é densa, profunda, fruto da experiência do pensador com a realidade de pobreza. No seu tempo, como no nosso, forças obscuras regem o desenvolvimento social em benefício de uma classe burguesa perversa. Marx por sua coerência de vida e magnitude de seus escritos falou fundo na vida de seus admiradores e dos seus críticos.

O homem é eterno quando sua obra torna-se perene. Marx cumpriu bem a função da vida. Procurou ajudar aos cativos do sistema perverso e cruel que é o capitalismo. Um povo só se liberta se tiver quem o provoque. Decorridos 140 anos de sua morte, queremos render homenagem ao grande contestador das forças da opressão. Esse grande luminar e gigante da história humana permanecerá entre nós, iluminando-nos com a força dos seus escritos e de sua prática. 

 *Professor Universitário, da Fraternidade Jesus + Caritas e Sacerdote  na Arquidiocese da Paraíba


20 de março de 2023

Anunciação do Senhor

Deus desce, passa a viver entre nós!

No seio de Maria, o Emanuel,

As criaturas vivem, não mais a sós,

Ele veio morar aqui, na terra o céu!


A voz do anjo, na jubilosa ocasião,

Mensagem fecunda, de esperança,

Alegria pela redenção, numa criança!

Maria contraria: vida sem decepção!


Palavras divinas, chuvas de graças,

Mistério de amor, vida no compasso,

Sublime sinal, numa palavra sem ilusão!


A vida com razão, no mundo de irmãos!

Concórdia e paz, um eco, num só coração,

Das alturas do céu o recado: Na Saudação!

Pe. Geovane Saraiva


16 de março de 2023

Cultura de paz

Deus no caminho, alegre gratidão!

Nele, não ao emocionante,

Também nada de comovente,

Mas mistério de amor e comunhão.


Nas situações de contradições,

Na angústia e desespero da vida,

Na luz que conduz, bastante atenção,

Nas aflições do caminho, eis a saída!


No Deus indulgente e condescendente!

Na cordialidade, confiança e tolerância,

Mais: a vida requer uma cultura de paz!


Justiça e bondade, na diversidade,

Deus pede coragem na iniquidade,

O clamor por justiça é o que satisfaz!

Pe. Geovane Saraiva




15 de março de 2023

O Papa é pop

“Não esqueça dos pobres” Cardeal Dom Cláudio Hummes

Por Alvim Aran*

No dia 13/03/2023, dez anos atrás, em 2013, tivemos um novo Papa eleito pelo “conclave”, seu nome é Jorge Bergolio, Cardeal. Mas ao ser eleito ele escolhe o nome de Francisco, sugestão de um franciscano, Dom Cláudio Hummes. Então temos o Papa Francisco. Que nome forte, nos remete a um outro Francisco, ao santo de Assis. 

Esse santo, São Francisco, viveu o evangelho encarnado, isto é, um compromisso com toda criação de Deus, não se sentia como separado do mundo, mas dentro dele de tal modo que presava pela vida de todos osorganismos vivos, se referindo a eles como irmãos e irmãs. 

O Papa, ao escolher esse nome também quer isso, uma Igreja aos moldes de Francisco, isto é, uma Igreja aos moldes de Jesus (cf. Mc 10, 44 – 45). Uma Igreja que se abra ao diferente e dialogue com eles (cf. Mc 9, 40), como São Francisco indo ao encontro do Sultão Al-Malik Al-Kamil Al Ayoubi. Era um prelúdio das chaves que servem para abrir e não trancar. 

O Papa Francisco pega as chaves da Igreja dada por Jesus e, como São Francisco de Assis, se abre ao diálogo, abre as portas. Portas que foram fechadas para proteger a Igreja do mundo, abertas pelo Papa Francisco, pois, como diz Edward Schillebeeckx, não existe salvação fora do mundo. 

No mundo estão aqueles da qual Jesus disse que “tudo que fizeres a um desses pequeninos é a mim que fareis” (Mt 25, 35-45), o Papa parece levar isso a sério. Da Teologia do Povo, proveniente da Argentina, fala para nós com um olhar latino-americano. Nosso continente marcado por opressões e descasos, então, Francisco é um projeto voltado para esses povos sofredores, uma opção preferencial pelos pobres oprimidos (cf. Lc 4, 18 – 19). A mesma opção de São Francisco de Assis.

Diz Leonardo Boff que Francisco não é somente um nome, é um projeto. Como projeto necessita de tempo, o Papa precisa ser forte para enfrentar os dramas de um mundo passado que não quer se abrir ao futuro, pois esseprojeto não pode se perder. Precisamos rezar a Deus para que a Igreja continue a crescer na fé e na caridade com nosso sumo pontífice. 

A Igreja cresce à medida que se abre ao diferente, pois como nos ensina Paulo Freire, os professores não ensinam sozinhos, eles ensinam e aprendem enquanto ensinam. Com a Igreja também deve ser assim, com Jesus foi assim, aprendeu durante 30 anos com o povo simplesem meio as guerras pelo poder, depois ensinou sobre o reino com a mentalidade daquela sociedade.

Com isso queremos dizer que a Igreja precisa aprender com os novos tempos e não se fechar, como no passado, e com Papa Francisco temos essa possibilidade de abertura. Rezemos pelo nosso querido Papa. 

Habemus Papam.

*Aluno do 1º ano de Teologia, Diocese de Guanhães, Seminário Maior de Diamantina-MG.

Mãos humanas nas boas ações

Pe. Geovane Saraiva*

O mistério de Deus não é mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, comunicação e recebimento. Por causa disso, somos o que somos. Existir, para o homem, é poder participar daquilo que Deus é, numa palavra: Amor. Em nossa vida do dia a dia, ora trágica, ora tão complicada, vida na qual precisamos de toda a atenção para as inúmeras situações e coisas que nos reclamam, à luz de Deus, na expressão cheia de maior força: o amor.

Ele é o farol luminoso, do qual deriva ou brota toda a luminosidade. Daí o convite do nosso bom Deus, o do seu constante seguimento, sem nunca perder o cerne da verdadeira luz, no sentido da existência das criaturas de Deus, tendo como fundamento Jesus de Nazaré: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade” (1Jo 3, 18)..

O sentido da existência das criaturas de Deus, consta do instrumento imprescindível das mãos, num obrigado, Senhor, pelas mãos humanas, que realizam coisas boas e ações beneficentes. Igualmente, suplicamos, indulgentemente, perdão quando essas mãos ficam cruzadas para não ajudar, para não servir, para não oferecer e nada compartilhar, para não cativar e nem mesmo cumprimentar o irmão.

Também quando estão abertas, mas no sentido de não colaborar, e mesmo desfazer coisas relevantes e edificantes, sinal admirável da presença divina. Ó Deus, favoravelmente bom e afável, que possamos, com nossas mãos, colaborar para a construção do teu reino de amor. Ajudai-nos, dia após dia, pelo bom uso delas, a contribuir com tua obra redentora. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).


14 de março de 2023

Cruz Admirável da Igreja de Santo Afonso

Pe. Geovane Saraiva*

Para quem aspira a honras, sucessos e glórias mundanas, é a cruz motivo de escândalo, sendo essa cruz o inimigo que destrói a própria felicidade, que restringe a liberdade. Quando contemplo a cruz admirável da nossa Paróquia de Santo Afonso, Fortaleza/CE, numa indicadora simetria, artisticamente esmerada, atraente, graciosa e harmoniosa, penso numa dedicação, sempre maior e mais intensa de cada ano, por ocasião do nosso itinerário quaresmal. A observância da Quaresma, na proposta da Igreja, vai no sentido de mergulhar no mistério da nossa fé (paixão, morte e ressurreição de Jesus), que seja intensificado, pessoalmente ou em comunidade, pela prática da oração vocal ou mental. Em vista dessa dedicação maior e mais acentuada, numa insistência obstinada e instrução religiosa, consequente, pelos esforços dos exercícios espirituais e pela vivência da fé, a partir dos sacramentos, que se obtenha o espírito solidário, o da caridade fraterna, tendo na mente e no coração a CF 2023: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14, 16).

As pessoas autossuficientes, que sonham com o absoluto em suas próprias vidas, se revoltam contra qualquer forma de sofrimento e encontram enormes dificuldades em contemplar Jesus de Nazaré. Não hesitar nunca, mas ao contrário, mergulhar no seu amor infinito e na sua compassiva misericórdia, mas de um modo implacável, porque não temos outra saída, não encontramos, nós, seus seguidores, outra imagem melhor e mais elevada e digna. A imagem primorosa e encantadora fascinante da cruz da nossa Igreja de Santo Afonso, aqui em Fortaleza, bem em cima do altar, passa para nós a ideia – mais nítida possível – do Senhor ressuscitado, e contraria, na nossa consciência, tudo aquilo que parece ser só sofrimento, fracasso e derrota, não vendo manchas de sangue, estigmas e dilacerações.

Deus, na sua compaixão e indizível amor, por ocasião desta Quaresma, pela cruz santa e sagrada, na nossa Paróquia de Santo Afonso, bairro Parquelândia, a meu ver, demonstra e ratifica a todos uma coisa: de não nos afastarmos, impressionados, de suas santas chagas, de suas chagas gloriosas, do Cristo Senhor, que nos protege e nos guarda. Ela ajuda a contemplar o Cristo Senhor como único, nascido da Santa e Bendita Virgem Maria, tão próxima da cruz santa de Deus. Por esse mistério, associados, nós de Santo Afonso, à Mãe do Perpétuo Socorro, que possamos entrar no caminho daquele que quer reconciliar e salvar a todos.

Só os humildes são capazes, como Jesus de Nazaré, de inclinar os ombros sob o peso da cruz, de aceitar, como ele, ultrajes, humilhações, tratos injustos. Olhemos para São João da Cruz, neste tempo santo da Quaresma, querendo mesmo, e com a maior boa vontade, nos penitenciarmos, pensando nas nossas sombras e contradições, distâncias e afastamentos de Deus. Que possamos aproveitar esse tempo como restaurador e de providencial bênção, convencidos de que “no entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

Pe. Geovane Saraiva - Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).


12 de março de 2023

A humanidade no poço de Jacó

 

Pe. Geovane Saraiva*

Oxalá, saibamos ouvir a voz de Deus, de não fechar o nosso coração, para que, a exemplo da samaritana, nosso diálogo com o Filho de Deus seja sempre mais estreito e profundo. Ele, fonte da vida, oferece-nos como presente o alimento da vida eterna, o dom maravilhoso da fé e da esperança, e quer de nós aquele vínculo, sempre mais sincero, nesta Quaresma, matando nossa sede, para adorá-lo em espírito e em verdade. Sedentos da verdadeira água, aproxime-nos do poço, no qual Jesus mesmo se oferece como dom para a humanidade.

Que a nossa fé nos ajude a pensar bem, no sentido de darmos a devida importância, sempre cada vez maior, de perceber a necessidade de se saciar na fonte da verdadeira água: Jesus de Nazaré. Água é vida; a água mata a nossa sede e, além de representar a vida, tira nossa sujeira do corpo. Jesus desceu do céu e veio habitar entre nós, com a missão de cumprir o projeto que de seu Pai recebeu, andando de lugar em lugar, fazendo o bem a todos. Eis um exemplo concreto, no encontro com a samaritana.

O contexto do Evangelho (Jo 4, 5-42), apresenta Jesus já cansado do caminho, desejando um momento de parada, sentando-se junto ao poço de Jacó. Logo, chega uma mulher para buscar água; ela pertence a uma população inclinada ao paganismo, estigmatizada pelo desprezo dos judeus. O Mestre de Nazaré inicia um espontâneo, rico e inigualável diálogo com a mulher samaritana, marcado por grande e profunda ternura.

A samaritana representa a humanidade sedenta, que, em meio aos apelos de expressão e liberdade, encontra um poço para que dele possa tirar água; que possa romper barreiras, as quais impedem as pessoas de se relacionarem e conviverem em todos os campos da vida humana, em toda a sua plenitude. Aprendamos com a samaritana a fazermos uma opção pelo dom da vida em Deus.

Enormes são os ensinamentos de Jesus, no diálogo com a samaritana, sobretudo no sentido da superação dos nossos preconceitos, em muitas ocasiões da estrada exigente da vida. Resta nossa confiança na compaixão de Deus, nós, que somos necessitados do vigor da sua graça, de modo especial na celebração da eucaristia, que no alimento redentor de Jesus encontremos a verdadeira água viva, a saciar nossa sede, a renovar toda a nossa existência.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

11 de março de 2023

Parquelândia: o sol entre nós!

O voo da vida aqui na nossa Parquelândia,

Num convívio sadio, entre suas criaturas,

Requer disposição, na mesma compostura

Sem preterir de Jesus, que nos acompanha!


Vida com esperança, a de se reinventar,

Muita paz para o bairro, Deus nos quer dar,

Longe da desarmonia, sem nunca fomentar,

Pelos caminhos seguros, sempre estimular.


O dia a dia, com raios do sol entre nós!

Parece até que se ouve sua voz!

Revelada lá no alto e aqui, aos irmãos.


Já a serenidade da noite, vida gera,

Na concórdia, a mais elevada, quisera,

Na lua, a harmonização, num só coração!


Pe. Geovane Saraiva - Pároco de Santo Afonso,

blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da

Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).




10 de março de 2023

“Jesus, eu confio em vós!”

 Por Alvim Aran* 

A Festa da Divina Misericórdia, instituída por S. João Paulo II em 30 de abril no ano de 2000, nos recorda dois pontos que não podem ser esquecidos durante nossa caminhada rumo ao céu: a confiança em Jesus e a misericórdia do Mestre de Nazaré. 

Primeiramente a confiança que, não raro, nos falta em Deus. Durante o tempo de nossa vida cotidiana vamos nos afastando ao pouco de Jesus, quando deixamos de rezar, meditar a Palavra de Deus, tratar as irmãs e irmãos com amor, buscando sempre o que é bom para construção do reino de Deus e quando percebemos estamos atordoados por problemas que já não somos capazes de confiar nossa vida a Jesus. 

O segundo ponto é a misericórdia vivida por Jesus, que está sempre perto de nós e ainda mais, Ele ainda vem ao nosso encontro cheio de misericórdia. E se não reconhecemos Jesus perto de nós, não conseguiremos reconhecer a sua misericórdia. 

E para reconhecê-la, uma vida de oração é de suma importância, intensificando nosso diálogo com Jesus, pois sem ele não seremos capazes de exercer a misericórdia que Ele vem nos oferecer, para assim revelarmos e vivermos para com nossos irmão e irmãs a mesma misericórdia (cf. Lc 6,36-38).

Portanto, Festa da Divina Misericórdia, tal como seus belos aspectos (como o terço da misericórdia),  deve nos recordar e nos estimular a sermos misericordiosos com todos, e mais ainda, confiar em Jesus. 

Aprendamos a ver Jesus. o rosto da misericórdia do Pai, como um amigo que vem sofrer conosco, mas que também vai se alegrar quando nos alegramos. 

De fato, o Jesus que seguimos é misericordioso, sempre disposto a nos perdoar quando saímos da lógica do reino de Deus, para que renovemos os sagrados compromissos com a construção de uma sociedade melhor, mais justa, fraterna e solidária, sinal do Reino definitivo.

*Aluno do 1º ano de Teologia, Diocese de Guanhães, Seminário Maior de Diamantina-MG.


Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem

Por Alvim Aram*

Na passagem do Evangelho de hoje, Jesus acaba com nossa presunção de achar que Deus olha somente os bons, uma visão destorcida, pois o nosso Deus faz “nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (cf. Mt 5, 45). 

Ora, isso significa que todos nós temos, diante de Deus, o mesmo amor. Porém existem aqueles que se distanciam desse amor filial de Deus, caindo na lógica do mundo e seguindo preceitos humanos. 

O único preceito que devemos seguir é o de Jesus de Nazaré, aquele que diz “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (cf. Jo 13, 34), essa é a diferença do cristão. Por isso Jesus vai dizer: “amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (cf. Mt 5, 44). 

Muitas vezes, durante nossa vida, caímos no erro de acharmos, que só porque seguimos Jesus ou vamos à Igreja, somos melhores que os outros que não vão. Está errado. O sol é o mesmo para todos, isto é, a graça de Deus. 

É por essa graça que não devemos sentir-nos superiores, mas acolhedores, se alguém me faz o mal, devo pagar com o bem. Se alguém me persegue, devo rezar por ele. E aqui evocamos o primeiro mártir, São Estevão, que diante daqueles que o apedrejaram rezou por eles, para que fossem salvos (cf. At 7, 60).

Deste modo, somente seremos salvos quando aprendermos a lógica de Jesus, a tratar todos bem, mais ainda aqueles que, como diz a expressão popular, “nosso santo não bate”. Se tenho problemas com um irmão devo fazer as pazes com ele, se formos atrás só daqueles que nos faz o bem não passaremos de cobradores de impostos e pagãos. 

Oremos: Ajudai-nos, Senhor, por vossa graça, a rezar por aqueles que nos perseguem e sejamos capazes de amar aqueles que não nos ama. Que São Charlles de Foucauld, nosso irmão universal, rogue por nós. Amém. 

*Aluno do 1º ano de Teologia, Diocese de Guanhães, Seminário Maior de Diamantina-MG.



9 de março de 2023

Davi, último filho de Jessé

Davi, último filho de Jessé,

Prefigura o grande e divino sinal,

Admirável e consistente: sem igual!

A profecia se realiza: Jesus de Nazaré!


Belos olhos, bonito e charmoso,

Aventura para o mundo, a mais bela,

Dom maior, é a estrela que se revela,

Eis o visível sinal de Deus: luminoso!


Ungido rei, tempos de abundância,

Voz segura e corajosa: tolerância,

Nele o Deus verdadeiro: ao alcance.


A linhagem mais bonita: inaudita!

Deus se manifestou: tudo foi dito,

A esperança chegou: o infinito!


Pe. Geovane Saraiva - Pároco de Santo Afonso,

blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da

Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).



8 de março de 2023

Livros: oásis de esperança

Livros são bubuias, são cantos de aleluia!

São sementes benéficas ou grãos edificantes,

Quão enormes levezas nas energias nutrientes,

Sutilezas nas imagens ondulantes e flutuantes.


São crônicas, contos e canções tais,

Reflexões inspiradas em nossos ancestrais,

Elevações de glórias e contentamentos,

Antenados, sim, sendo templos sacrossantos!


Nosso livro dócil e afável no seu texto,

Condigno na imagem de Marta e de Maria,

Alegria no destino final do seu contexto.


Jesus nos assegura a arte da melhor parte,

Oásis de esperança aos baluartes irmãos,

Inspiração de que dele todos se saciarão!

Pe. Geovane Saraiva









Compaixão para além da pandemia

Pe. Geovane Saraiva*

Compaixão, virtude que deve acompanhar os seres humanos, é um sentimento solidário que nos causa dor e sofrimento, sofrendo com os que sofrem, irmanados no mesmo espírito. Mas certos de que essa compaixão é um remédio pedagógico que cura aquele amor compulsivo e insaciável de possuir, do qual não conseguimos nos separar com nossas próprias forças. Compaixão é um desejo de justiça, imprescindível para a vida de fé, social e comunitária, e é vista, nestes tempos difíceis, como sementes de esperança, como bem afirmou Dom Helder: “Quais sementes desejo espalhar pela terra? Sementes de paz, de amor, de compreensão e de esperança. Há tanto desespero, desengano, decepção, frustração e desesperança! Sementes de esperança, sem dúvida, chegariam em boa hora”.

Compaixão não deve ser apenas mais uma combinação de esforços na maneira de ser, liberando seu ego aprisionado, mas no sentido de enxergar seus semelhantes, com o sentimento de ir ao encontro dos fracos. Vivemos numa sociedade, em que cada vez mais só se reconhece os fortes ou os vencedores, mas, dentro da lógica humana, esquece-se de que o cristianismo tem por base a preocupação com o verdadeiro humanismo, mesmo sendo uma virtude das lágrimas, porque sofrer com o outro é reconhecer a criatura humana como sendo a imagem de Deus.

Nós todos, diante da companheira “compaixão”, somos convidados a ajudar, não só a partir da pandemia e além pandemia a Auristela em seu gesto concreto: “A pandemia está aumentando ainda mais a desigualdade social; além do medo da doença e da morte, o auxílio emergencial não chegou para muitas famílias, aumentando as dificuldades de alimentação. Estamos nos mobilizando para atender algumas das famílias de nossa comunidade, e você pode ajudar! Colabore com a campanha É tempo de cuidar. Doe alimentos e materiais de higiene pessoal. Que Santo Afonso interceda por nós!”.

Desmanchar a montanha da falta de esperança, do orgulho e do egoísmo, que está dentro de nós, só mesmo amparados pela tão visível simbologia do manto da paz, da justiça e da compaixão. Dom Helder Câmara nos ensina o sentido da verdadeira e autêntica compaixão. Quando resolvemos buscar a referida e tão sonhada esperança, na fé a nós ensinada de que Deus é Pai de todos, vivemos a vida de irmãos sem nos afastarmos da promessa divina: a de a terra se transformar em céu e de o céu se transformar em terra. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

7 de março de 2023

Dá-me de beber!

Soneto

Grande sede por volto do meio dia,

E Jesus a dizer: dá-me de beber!

Pedir para uma mulher da Samaria?

É Deus mesmo que se dar a conhecer!


Eis uma pecadora que se encanta,

Do fundo do poço, a água para aquele ser,

Já a samaritana, água viva a encontrar,

Quanta alegria e fé, na nova lei de crer!


Água inusitada, muito boa e fina!

Bebida fora do comum: divina!

É muita gratuidade: especial e correta!


A vida cheia de graça para toda terra,

Mas em Jesus de Nazaré e Ele quer,

Belo sinal; dedo de Deus, na medida certa!

Pe. Geovane Saraiva





1 de março de 2023

Jesus transfigurado

Pe. Geovane saraiva*
Na Quaresma, apreciar a qual consiste,
No Mestre da montanha sagrada,
Vindo das entranhas do Pai, Ele existe,
Prenúncio do Deus grande: transfigurado!

A luz verdadeira pelo caminho sedutor,
Dos discípulos, a resposta no grande temor,
Testemunhas do mistério de amor,
Pedro, Tiago e João, reação de louvor.

Nele o dia, chama candente de claridade,
Na manifestação do Filho Amado do Pai,
Dosado da mais elevada luminosidade!

É a esperança a transbordar corações,
Sem lamento, num pensamento de gratidão,
Na escuta do que Ele diz: a transfiguração!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).