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Chico ganha apoio do público em BH

Artista brincou dizendo que usaria permanentemente fones de ouvido no bairro do Rio onde ele gosta de caminhar.
Apesar da poética perpassar a obra de Chico como um todo, é possível  senti-la de forma diferente a cada música cantada.
Apesar da poética perpassar a obra de Chico como um todo, é possível senti-la de forma diferente a cada música cantada. Nesses (estranhos) tempos atuais, um show de música pode não ser  apenas um show de música. Atacado nas redes sociais e mesmo nas ruas,  Chico Buarque foi acolhido pela plateia lotada do Palácio das Artes, em  Belo Horizonte, onde ocorreu a estreia nacional de sua nova turnê,  Caravanas, na quarta, 13, de uma maneira mais fervorosa do que a se viu  em temporadas anteriores. E não foram só os habituais gritos de 'eu te  amo', 'lindo' ou 'casa comigo' que costumam brotar da plateia. Foram  vários momentos em que o público ficou de pé para aplaudi-lo, inclusive  assim que as cortinas se abriram no começo do show.Da plateia, também partiu o coro 'Fora, Temer'. "Falaram 'Fora,  Temer'?", perguntou Chico. E, com a afirmativa, ele disse: 'É pouco".  Chico demorou um pouco para entender o que era aquela manifestação, por  causa dos fones de ouvido que estava usando. Ele brincou dizendo que  usaria permanentemente aqueles fones no bairro do Rio onde ele gosta de  caminhar. Lá, ouve gritos endereçado a ele, como 'veado, vá pra Cuba!',  'veado, vá pra Paris!'. "O único consenso é o veado", disse,  bem-humorado, o que fez o público cair na gargalhada. E cantar Geni e o  Zepelim, do musical Ópera do Malandro, dos anos 1970, e que atualmente,  vira e mexe, é criticada pelo teor de sua letra? Foi apenas uma vontade  de Chico de incluir um clássico de sua obra no repertório do show? Seja  qual for a motivação dele, a plateia, com 1.600 pessoas, o acompanhou em  coro.

Falando ainda sobre repertório, Chico fez uma saborosa seleção de  canções de outros trabalhos e as colocou para dialogar com as nove  canções de seu novo disco, Caravanas, lançado em agosto, criando pontes  temáticas e afetivas, como quando canta Outros Sonhos, de 2006, e, logo  na sequência, a nova Blues Pra Bia - as duas falam de amores que ficam  no campo do sonho, do desejo.

Apesar da poética perpassar a obra de Chico como um todo, é possível  senti-la de forma diferente a cada música cantada. Tua Cantiga, do novo  disco, por exemplo, remete automaticamente à produção atual do  compositor, enquanto clássicos como Gota D'Água, As Vitrines e Futuros  Amantes, também presentes nesse set list, nos conduzem ao reconfortante  campo da familiaridade.

Esse repertório está estreitamente conectado com elementos cênicos do  show. Chico se posiciona estrategicamente no meio do palco, ora de pé,  ora sentado, cercado pelos músicos de sua banda. Atrás deles, o cenário  ganha vida própria. A cenografia é novamente assinada pelo célebre Helio  Eichbauer, que criou uma escultura suspensa que flutua no ar, em  sintonia com a iluminação artística, viva e multicolorida de Maneco  Quinderé.

O show Caravanas fica em temporada no Palácio das Artes, em Belo  Horizonte, até dia 17. As apresentações no Vivo Rio e no Tom Brasil, em  São Paulo, ocorrem no ano que vem, com ingressos concorridos - por isso,  serão abertos mais oito shows em cada cidade, neste sábado, 16, a  partir das 10h, na bilheteria e nos canais online.

Dom Total

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