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Proibição ao uso de véu leva a protesto contra discriminação

Uma antropóloga e especialista em estudos do Islã diz que há um processo de alijamento dos muçulmanos, acentuando a islamofobia e o banimento dos seguidores do Islã.
A multa pela desobediência pode chegar a mil euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram enfrentar a lei e protestar.
A multa pela desobediência pode chegar a mil euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram enfrentar a lei e protestar. (Andrew Kelly/Reuters)
Por Renata Giraldi
Desde essa quarta-feira (1º), na Dinamarca, as mulheres muçulmanas estão proibidas de usar o nicabe e a burca, vestimentas islâmicas que cobrem o rosto. Determinação que poderá se estender para o hijab (o véu que cobre apenas o cabelo e o pescoço). A legislação dinamarquesa segue exemplo do que ocorre na França, Bélgica, Bulgária, Letônia, Áustria e regiões da Suíça, Itália e Alemanha.
A multa pela desobediência pode chegar a mil euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram enfrentar a lei e protestar. Elas convocaram para uma manifestação pacífica em favor da liberdade religiosa e do direito de usar os trajes do Islã.
Para Francirosy Campos Barbosa, antropóloga e especialista em estudos do Islã, professora do departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, há um processo de alijamento dos muçulmanos, acentuando a islamofobia e o banimento dos seguidores do Islã.
“Eu me pergunto quantas são as mulheres muçulmanas que usam nicabe e burca na Dinamarca? Ainda não encontrei esses dados”, reagiu. “É uma lei totalmente arbitrária e que atinge diretamente as mulheres, pois muitas usam o véu desde os 10, 12 anos. Adultas, sem o uso do nicabe (cobertura da cabeça aos pés, incluindo o rosto), não se sentem à vontade.”
A lei aprovada pelo Parlamento da Dinamarca pretende garantir que mulheres adultas ou jovens não sejam obrigadas a cobrir os rostos. Os defensores da proposta afirmam que a proibição assegura a integração dos imigrantes que pleiteiam asilo à sociedade dinamarquesa.

Discriminação

Estudiosa do tema, a professora Francirosy Barbosa alerta que uma legislação que veta o direito à cultura religiosa para encobrir preconceitos tem um objetivo: o da exclusão. “O sentido é deixar os muçulmanos cada vez mais coagidos para provar que eles não são ‘daquele lugar’. É um disparate.”
O protesto organizado pelo grupo Kvinder I Dialog (Mulheres em Diálogo), na Dinamarca, pode servir como advertência sobre o respeito e a preservação dos direitos das mulheres como um todo, segundo a especialista.
“Temos muito o que avançar quando se trata de direitos das mulheres, mas isso não é a particularidade de uma cultura ou religião, isto tem que ser uma mudança mundial, mas que deve partir, sobretudo, das mulheres”, disse. “Nossa luta é para que cada uma encontre sua maneira de ser respeitada dentro do seu universo, dentro da sua religião, respeitando a sua identidade, a noção de pessoa e não necessariamente tem que ser moldada pelas ou pelos ocidentais.”

Agência Brasil

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