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Evento on-line debate e promove literatura LGBTQIA+

Festa literária Flicadê acontece de hoje (25) a domingo na internet

Representatividade. Essa é a palavra mais lembrada pelos participantes do Flicadê, festa literária on-line dedicada à comunidade LGBTQIA+, que acontece desta quinta-feira (25) até domingo (28), no YouTubeInstagram e Twitter. O evento ocorre no mês do Orgulho LGBT e seu nome faz menção ao perfil Cadê LGBT, que está em diversas redes sociais.
O escritor baiano Deko Lipe, 34 anos, é um dos organizadores da festa literária com a colega mineira Maria Freitas e ressalta sua importância:
“Ainda existe uma invisibilização das pessoas LGBTQIA+ na literatura. No máximo, chegamos à letra 'B' [bissexuais] da sigla. Precisamos furar bolhas, entrar em determinados ambientes. Então, teremos uma mesa trans e outra para falar sobre corpos não padrão. Nessa segunda mesa, vai-se falar sobre os corpos gordos, que não costumam ser protagonistas”.
Bruno Santana, homem trans, estará numa mesa
Uma das mesas vai debater a literatura trans. A conversa, no sábado, às 20h30, terá presença do escritor Bruno Santana, 32, homem trans negro, pesquisador e autor de artigos acadêmicos. Ele também destaca a importância da representatividade: “Representatividade é poder ser protagonista da sua vivência, da sua história. É ter voz e visibilidade. Não quero que pessoas cis, por exemplo, falem sobre minha vivência trans. O lugar de fala é de quem vivencia”.
Variação de Temas
Até domingo, serão realizadas nove sessões de debates, sobre outros diversos temas, como a relação entre o mercado editorial e o público LGBTQIA+ e a importância da influência digital voltada para esse grupo. 
A escritora Lorena Ribeiro, 28 anos, vai falar sobre a importância da representatividade LGBTQIA+ nos blogs e nas redes sociais.
“Costumo participar de debates sobre representatividade negra na literatura, mas pela primeira vez vou participar de uma discussão sobre representatividade LGBT. Sobre as duas questões, penso o mesmo: ambas são uma forma de fortalecer o leitor e de permitir que ele se reconheça num personagem de uma história que lhe agrada e isso é importante para a autoestima”.
Lorena ressalta também que eventos como o Flicadê fortalecem a rede de escritores. Para isso, acontecerão, além dos debates, promoções de livros, lançamentos, e-books gratuitos para download e sorteios. Tudo poderá ser acompanhado no Twitter @cadelgbt e no Instagram @flicade. As mesas serão transmitidas no canal CadêLGBT, no YouTube.
Deko Lipe, um dos organizadores da Flicadê
A mineira Cidinha da Silva, 53, autora do livro Kuami e de Um Exu em Nova York, fala sobre a importância do Flicadê acontecer no mês do Orgulho LGBT: “Junho é um momento do ano em que as discussões sobre a LGBTfobia e seus efeitos nefastos são intensificadas e é muito salutar que isso aconteça também na literatura, especialmente na Flicadê que apresentará ao público abrangente a produção literária polifônica e polissêmica de várias/os de nós”. Cidinha falará sobre a temática LGBT na literatura infantil, no domingo, às 16h.
A mineira Cidinha da Silva
Embora os autores participantes do evento façam parte da comunidade LGBT, Deko Lipe afirma que o público não deve se restringir a esse grupo: “Principalmente neste mês, há uma grande busca pelos títulos LGBTQIA+, porque vários instagrams e bolgues falam sobre esse protagonismo. Nós não escrevemos apenas para pessoas LGBT, mas para todos. Eu cresci e vivo num meio onde 98% das pessoas são héteros e elas consomem o que escrevo”.
PROGRAMAÇÃO
Quinta, 25
Programação surpresa e abertura oficial

Sexta-feira, 26
Mesa 01 - 16h
Literatura LGBTQIA+ e o mercado editorial
Mesa 02 - 19h
A importância da publicação independente para autores LGBTQIA+
Mesa 03 - 20:30h
Corpos não-padrão na narrativa LGBTQIA+
Sábado, 27
Mesa 04 - 16h
A importância da influência digital para a literatura LGBTQIA+
Mesa 05 - 19h Literatura LGBTQIA+ - da publicação indie até a publicação por editoras
Mesa 06 - 20h30 Literatura trans e poesia
Domingo, 28
Mesa 07 - 16h Literatura infantil LGBTQIA+
Mesa 08 - 19h O protagonismo LGBTQIA+ na ficção especulativa
Mesa 09 - 20h30 Escrevivências de mulheres LGBTQIA+
Via Correio24horas

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