30 de junho de 2015

EU E VOCÊ... VOCÊ E EU...

Minha foto

Lu Couto*
O dia... Eu. A noite, você!
A brisa... Eu. O vento, você.
A lua... Eu. O sol, você.
Arrepios... Eu e você!

Leves suspiros... Afagos!
Carinhos e sussurros...
Eu e você!
           Bocas coladas... Beijos!       

Toques... Mãos... Olhares.
Sorrisos... Abraços!
Abraços, em confortáveis braços
Em que me amasso!

Por horas ficamos assim...
Eu e você... Você em mim!
Saímos de dentro de nós...
E juntos, tudo vivemos!

Eu e você... Corpos colados
Que grita ao vento,
À procura de água no deserto
Para nossa sede de amor, saciar.

Juntos, somos estrada deserta...
E eu descobri uma estrada nova
Que sem você,
Ainda não percorri.

Estrada que anseio percorrer
E poder chegar logo ao oásis...
Oásis de suaves mãos e beijos.
Você... Minha estrada nova!

Olhares... Suspiros...
Mãos dadas... Sussurros... Arrepios.
Bocas coladas... Nossas bocas...
Amor em brasas!

Afagos... Carinhos... Ternura.
Amor... Saudades.
Saudades sem fim...
Eu de você... Você de mim!
  
Vida... Amor... Estrada Nova.
Estradas... Curvas perigosas...
Eu e você, juntos a percorrer
Sem olhar para trás.

Carinhos... Afagos...
Estrada... Estrada de amor...
Nosso caminho...Estrada da vida.
Estrada sem acostamento,
Eu e você!
*jornalista, escritora, poetisa e colunista.

Declaração climática de Brasil e EUA não deve ter desmatamento zero


Pôr do sol no Pico Alto, o ponto culminante da serra.
Serra do Baturité CE

Declaração conjunta será divulgada na semana que vem.

Países devem anunciar planos para cooperação corajosa.

Da Reuters
Uma data para o Brasil alcançar o desmatamento zero não deve fazer parte de uma declaração conjunta com os Estados Unidos sobre o clima que será divulgada na semana que vem, quando a presidente Dilma Rousseff visitará o mandatário norte-americano, Barack Obama, em Washington, afirmam especialistas em clima.
Eles esperam, no entanto, que os dois países pelo menos anunciem planos para uma cooperação corajosa com o objetivo de enfrentar as principais causas do desmatamento brasileiro.
Brasil e Estados Unidos planejam emitir uma declaração conjunta expressando o compromisso de ambos com o êxito da Conferência sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas, que vai ocorrer em Paris no fim deste ano.
O texto deve indicar o que os dois países estão dispostos a fazer para garantir que a cúpula seja produtiva, disse o subsecretário-geral Político I do Itamaraty, Carlos Antonio Paranhos, sem dar mais detalhes.
O Brasil conseguiu reduzir drasticamente o desmatamento nos últimos 10 anos, mas quase 5.000 quilômetros quadrados de florestas são perdidos a cada ano.
"Está muito claro, por conversas que tive com membros do governo dos EUA, que a mudança climática está em nível muito elevado na agenda desta reunião bilateral", disse o diretor da Climate Advisers, Michael Wolosin.
O consultor climático e florestal Tasso Azevedo afirmou que não há sinal de que Dilma levará à reunião algo como o desmatamento zero, mas disse acreditar que os Estados Unidos possam desempenhar um papel na questão.
"Eles podem colocar pressão sobre empresas americanas para parar de comprar qualquer coisa que esteja ligada a desmatamento ilegal de terras", declarou.
Azevedo também vê possibilidade de os EUA se juntarem a mecanismos baseados em resultados, como o Fundo Amazônia.
O fundo recebe doações de países para financiar programas de luta contra o desmatamento. Os resultados são medidos e os doadores recebem certificados relacionados à quantidade de emissões de carbono que evitam ao financiar a preservação da floresta.
Até agora, apenas Noruega e Alemanha contribuíram para o fundo.
O diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, afirma que, mesmo se uma meta de desmatamento zero não for anunciada em Washington, ele espera que isso faça parte das contribuições que o Brasil vai apresentar nas negociações do clima em Paris.
"O Brasil tem todos os elementos para fazê-lo. Nós já provamos que é possível", declarou.

Primeira consultoria feminina ganha vida no Vaticano

 Rádio Vaticano


O Pontifício Conselho para a Cultura promoveu uma Consultoria Permanente formada somente por mulheres. O organismo reuniu-se pela primeira vez na última terça-feira, dia 23 de junho. Nossa colega do Programa alemão, Gudrun Sailer, entrevistou o Cardeal Gianfranco Ravasi sobre os objetivos da nova e inédita iniciativa.
"Os objetivos são, substancialmente, de dois gêneros: por um lado - e este é o fundamental - convidar as mulheres a oferecer, com o seu olhar e interpretação pessoal, um juízo sobre todas as atividades do dicastério.
Portanto, não se trata de uma consultoria decorativa. A segunda dimensão a que nós queremos chegar é a de ter, por meio das mulheres, a sugestão de levar-nos além, em terras incógnitas, isto é, em novos horizontes... Pois, aqui somos todos homens, não temos um oficial que seja mulher e as mulheres têm somente funções do tipo administrativo e de secretaria. Justamente por este motivo, queremos pedir às mulheres para indicar também percursos que nunca tenhamos percorrido".
RV: Então, se poderia dizer que seja realmente inovadora a instituição de uma consultoria voltada ao feminino...
"É inovadora justamente neste sentido, porque não quer simplesmente ter também vozes femininas. Eu sou substancialmente cético sobre a tese da 'cor rosa'. Estou mais convencido de que seja absolutamente necessária uma presença, e uma presença relevante, que não somente dê vagamente uma cor, mas que entre, pelo contrário, no mérito das questões, também com a sua capacidade crítica".
RV: Vimos este núcleo, este primeiro núcleo que reuniu-se pela primeira vez aqui na sede do dicastério. Quais são os passos seguintes?
"Eu gostaria um pouco de descrever esta primeira reunião, que ocorreu naturalmente a partir de uma manifestação de todas as mulheres presentes, que - justamente por meio desta apresentação, não meramente biográfica - já deram uma mexida em nós que assistíamos, mas também nelas mesmas, pois cada uma se recontou, não somente do ponto de vista profissional, mas também do ponto de vista humano. Portanto, esta já é uma contribuição também para nós: ouvir, isto é, as experiências existenciais. Eu propus um exemplo a partir do qual se poderia iniciar. Eu tenho ao menos sete, oito atividades dentro de meu dicastério que gostaria que fossem julgadas, interpretadas, apoiadas pelas mulheres. Uma destas, a primeira, é talvez, aparentemente, somente aparentemente, marginal: a do esporte. O esporte, de fato, tornou-se uma espécie de ‘esperanto dos povos' e é também um dos fenômenos nos quais mais se reflete a figura do homem e da mulher, do bem no jogo, na riqueza, na fantasia, mas também na degeneração. Pensemos o que é o doping, a corrupção, a violência nos estádios, o racismo e assim por diante. Este, portanto, foi o primeiro exemplo. Nós gostaríamos agora de continuar, de etapa em etapa, com dois percursos: de um lado, ampliar este grupo, e de outro, solicitar o juízo delas sobre uma série de outros temas que temos já prontos".
RV: As componente do grupo devem ser todas católicas?
"Atualmente a totalidade, acredito, seja de mulheres católicas. Na verdade, justamente o tema, que apareceu de imediato, foi não somente o da dimensão ecumênica, mas também o da dimensão inter-religiosa. E eu coloquei uma terceira dimensão: não somente os fieis, os diversamente crentes, mas também os não-crentes. Eu tenho intenção, portanto, de introduzir também mulheres que não tenham nenhuma fé religiosa explícita".
RV: Seria pensável formar grupos deste gênero, de consultoria feminina, em outros dicastérios da Cúria romana?
"Isto eu pensaria como um desejo, porque o Papa Francisco insistiu sobre isto, fez frequentes declarações nesta linha, reconhecendo que a presença das mulheres na Cúria vaticana é ainda muito exígua. Isto deve ocorrer, na minha opinião - como disse uma vez o Papa Francisco - não somente na via funcional, isto é, não segundo a mentalidade clerical, para a qual a presença é somente se tu consegues ter uma função do tipo sacerdotal, do tipo dicasterial, ou seja, funções que sejam substancialmente ainda aquelas que foram codificadas pelos homens. Seria preciso ter grande criatividade e eu espero que sejam criados ministérios, funções, responsabilidades que sejam primorosamente femininas. Devemos recordar também, como frequentemente citado pelo Papa Francisco, que a figura de Maria é mais relevante do que aquela dos Cardeais e aquela dos próprios bispos. Por este motivo, eu acredito que deva vir uma revolução, uma evolução em nível teórico, antes de tudo, isto é, de mentalidade, de teologia e, em nível prático, certamente, tendo presente, porém, sempre esta observação: que não devemos considerar o modelo masculino, que até agora construiu, também legitimamente, as funções, os ministérios dentro da Igreja, como o modelo a ser imitado, o único exclusivo".
Fonte: br.radiovaticana.va

Vaticano diz que Papa é livre para mascar folhas de coca na Bolívia


Folhas são usadas para combater efeitos da altitude no país.
Papa Francisco visitará Equador, Bolívia e Paraguai de 5 a 13 de julho.

Da France Presse

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O porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, afirmou nesta terça-feira que o Papa Francisco "é livre" para mascar folhas de coca para combater os efeitos da altitude durante sua viagem à Bolívia, como anunciou o ministro da Cultura do país andino.
"O papa atuará do modo que considerar oportuno. Me parece que é um costume popular para a altitude. Não me confirmou nem negou se vai se adequar a este uso tão popular e eficaz", declarou Lombardi em um encontro com a imprensa para falar sobre a viagem do pontífice ao Equador, Bolívia e Paraguai de 5 a 13 de julho.
Vento tira a mitra da cabeça do Papa Francisco na chegada à audiência geral desta quarta-feira (24) na Praça de São Pedro, no Vaticano (Foto: Tony Gentile/Reuters)Vento tira a mitra da cabeça do Papa Francisco na
chegada à audiência geral desta quarta-feira (24)
na Praça de São Pedro, no Vaticano (Foto: Tony
Gentile/Reuters)
"É como o mate argentino, que normalmente aceita se o oferecem na Praça de São Pedro. É um costume local, como uma água aromática. Vocês sabem que o papa ama compartilhar os costumes locais", disse Lombardi.
Segundo o ministro da Cultura boliviano, Marko Machicao, o papa solicitou "especificamente" mascar coca para combater os efeitos da altitude, quando pousar em 8 de julho no aeroporto de El Alto, que fica mais de 4.000 metros acima do nível do mar.
Lombardi recordou que Francisco visitou estes países quando era arcebispo de Buenos Aires e que se reuniu em outubro de 2014 no Vaticano com o presidente Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia e líder do movimento sindical "cocalero" boliviano, que lutou nas décadas de 80 e 90 contra a erradicação da folha de coca, por considerar o seu uso parte da tradição.
Morales lidera uma campanha internacional a favor da milenar planta, consumida em uma prática ancestral na Bolívia, inclusive em rituais religiosos.
A folha de coca é o principal insumo para a produção de cocaína através de um processo químico. Morales, no entanto, defende que mascar a folha regula a diabetes ou a pressão arterial alta, entre outros benefícios.
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22 de junho de 2015

Papa: Que nossas comunidades reflitam o esplendor da Trindade

Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Ao meio-dia deste domingo, Solenidade da Santíssima Trindade, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os milhares de fieis reunidos na Praça São Pedro, a oração mariana do Angelus. Eis a íntegra da reflexão que precedeu a oração:
“Hoje celebramos a Festa da Santíssima Trindade, que nos recorda o mistério do único Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Trindade é comunhão de Pessoas divinas as quais estão uma com a outra, uma para a outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério do amor do Deus vivo. Mas quem nos revelou este mistério? Jesus. Ele nos falou de Deus como Pai; nos falou do Espírito; e nos falou de si mesmo como Filho de Deus. E quando, ressuscitado, enviou os seus discípulos a evangelizar os povos, disse a eles para os batizarem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Esta ordem, Cristo confia à Igreja em todos os tempos, que herdou dos Apóstolos o mandato missionário. O dirige também a cada um de nós que, pela força do Batismo, fizemos parte da sua Comunidade.
Portanto, a solenidade litúrgica de hoje, enquanto nos faz contemplar o maravilhoso mistério de onde viemos e para o qual iremos, nos renova a missão de viver a comunhão com Deus e entre nós no modelo daquela trinitária. Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar concordes a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e para os outros, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e dar perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores. Em uma palavra, nos é confiada a missão de edificar comunidades eclesiais que sejam sempre mais família, capazes de refletir o esplendor da Trindade e de evangelizar não somente com palavras, mas com a forma do amor de Deus que habita em nós.
A Trindade, como eu acenava, é também o fim último para o qual é orientada a nossa peregrinação terrena. O caminho da vida cristã é, de fato, um caminho essencialmente “trinitário”: o Espírito Santo nos guia ao pleno conhecimento dos ensinamentos de Cristo, de seu Evangelho; e Jesus, por sua vez, veio ao mundo para nos fazer conhecer o Pai, para nos guiar a Ele, para reconciliar-nos com Ele. Tudo, na vida cristã, gira em torno ao mistério trinitário e é realizado na ordem deste infinito mistério. Procuremos, portanto, manter sempre elevado o “tom” da nossa vida, recordando-nos sempre a que finalidade e para qual glória nós existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos; e a qual imenso prêmio somos chamados.
Neste último dia do mês de maio, o mês mariano, confiemo-nos a Virgem Maria. Ela, que mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou, amou o mistério da Santíssima Trindade, nos guie pela mão; nos ajude a perceber nos eventos do mundo os sinais da presença de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo; nos faça amar o Senhor Jesus com todo o coração, para caminhar rumo à visão da Trindade, objetivo maravilhoso para o qual tende a nossa vida. Peçamos a ela também para ajudar a Igreja, mistério de comunhão, para ser comunidade acolhedora, onde cada pessoa, especialmente pobre e marginalizada, possa encontrar acolhida e sentir-se filha de Deus, querida e amada”.
(from Vatican Radio)

17 de junho de 2015

Família real sueca divulga primeira foto de filho da princesa Madeleine

Ainda sem nome, criança nasceu em Estocolmo na segunda (15).

Bebê é o sexto na linha de sucessão ao trono da Suécia.

Do G1, em São Paulo

Primeira foto oficial do filho da princesa Madeleine da Suécia. Ainda sem nome, o bebê é o sexto na linha de sucessão ao trono (Foto:  Reuters/Jonas Ekstromer/TT News Agency)Primeira foto oficial do filho da princesa Madeleine da Suécia. Ainda sem nome, o bebê é o sexto na linha de sucessão ao trono (Foto: Reuters/Jonas Ekstromer/TT News Agency)
Ainda sem nome, o segundo filho da princesa Madeleine da Suécia teve sua primeira foto oficial divulgada na terça (16), um dia após seu nascimento. O menino aparece vestido com um macacão cinza e dormindo, ainda no hospital Danderyd, em Estocolmo.
O bebê é o sexto na linha de sucessão ao trono sueco, atrás da princesa Victoria, de sua filha Estela, do príncipe Carlos Filipe - que se casou neste fim de semana, da própria Madeleine e da primogênita dela, a princesa Leonor, de um ano.

Leonor, a irmã mais velha do novo membro da família real sueca, nasceu em Nova York, onde sua mãe trabalhava em uma ONG fundada pela rainha Silvia. Madeleine é casada com o financeiro britânico-americano Christopher O’Neill desde junho de 2013
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Francisco e a Criação segundo o Papa

 domtotal.com

A encíclica do Papa dedica-se à “casa comum” da qual cada um deve cuidar.

"A Terra, nossa casa, parece transformar-se sempre mais num imenso depósito de imundície".
“A contínua aceleração das mudanças da humanidade e do planeta se une hoje à intensificação dos ritmos de vida e de trabalho, naquela que alguns chamam, em espanhol, “rapidación” (aceleração). Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que as ações humanas lhe impõem hoje contrasta com a natural lentidão da evolução biológica. A isso se acrescenta o problema que os objetivos desta veloz e constante mudança não são necessariamente orientados ao bem comum e a um desenvolvimento humano, sustentável e integral”, escreve o Papa Francisco no XVIII parágrafo de sua encíclica, dedicada aos temas do ambiente, a “casa comum” da qual cada um deve cuidar.
Da contaminação dos rejeitos ao superaquecimento global
“Existem formas de poluição que atingem cotidianamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz um amplo espectro de efeitos sobre a saúde, em particular dos mais pobres [...]. A Terra, nossa casa, parece transformar-se sempre mais num imenso depósito de imundície. Em muitos lugares do planeta, os anciãos recordam com nostalgia as paisagens de outros tempos, que agora aparecem submersos por lixo [...]. Estes problemas estão intimamente ligados à cultura do rejeito, que golpeia tanto os seres humanos excluídos quanto as coisas que se transformam velozmente em lixo”.
“O clima é um bem comum, de todos e para todos. Esse, em nível global, é um sistema complexo em relação com muitas condições essenciais para a vida humana. Existe um consenso científico muito consistente que indica que estamos em presença de um preocupante aquecimento do sistema climático. [...] A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de modificações de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou o acentuam. [...]. Se a tendência atual continuar, este século poderia ser testemunha de mudanças climáticas inauditas e de uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.
As mudanças climáticas e os migrantes abandonados
“As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, e constituem um dos principais desafios atuais para a humanidade. Os impactos mais pesados recairão provavelmente nas próximas décadas sobre Países em via de desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente golpeados por fenômenos conexos ao aquecimento [...]. É trágico o aumento dos migrantes que fogem da miséria agravada pela degradação ambiental, os quais não são reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais e, portanto, carregam o peso da própria vida abandonada sem nenhuma tutela normativa. Infelizmente há uma indiferença generalizada diante destas tragédias, que acontecem atualmente em diversas partes do mundo. A falta de reações diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda daquele senso de responsabilidade pelos nossos semelhantes sobre os quais se fundamenta toda sociedade civil”.
A água, direito fundamental e o respeito pela biodiversidade
“A água potável e limpa representa uma questão de primária importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. [...]. Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares avança a tendência de privatizar este recurso escasso, transformado em mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à agua potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas, e por isso é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem um grave débito social com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isso significa negar a eles o direito à vida, radicado em sua inalienável dignidade”.
“Também os recursos da terra são depredados por causa de modos de entender a economia e a atividade comercial produtiva, demasiado ligadas ao resultado imediato. A perda de florestas e bosques implica ao mesmo tempo na perda de espécies que poderiam constituir no futuro recursos extremamente importantes, não só para a alimentação, mas também para a cura de doenças e para múltiplos serviços. [...] Mas, não basta pensar nas diversas espécies somente como eventuais “recursos” desfrutáveis, esquecendo que têm um valor em si mesmos. A cada ano desaparecem milhares de espécies vegetais e animais que não poderemos mais conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. A imensa maioria se extingue por razões que têm a ver com alguma atividade humana. Por nossa causa, milhares de espécies não darão glória a Deus com sua existência nem poderão comunicar-nos a própria mensagem. Não temos esse direito”.
A renúncia ao paradigma tecnocrático
Existe um modo de compreender a vida e a ação humana que é desviado e que contradiz a realidade até o ponto de arruiná-la. Porque não podemos parar e refletir sobre isto? “De nada servirá descrever os sintomas, se não reconhecermos a raiz humana da crise Proponho, portanto, que nos concentremos sobre o paradigma tecnocrático dominante e sobre o lugar que aí ocupam o ser humano e sua ação no mundo”. “Em tal paradigma ressalta uma concepção do sujeito que progressivamente, no processo lógico-racional, compreende e de tal modo possui o objeto que se encontra fora. Tal sujeito se explica no modo de estabelecer o método científico com sua experimentação, que já é explicitamente uma técnica de posse, domínio e transformação [...]. Por isso, o ser humano e as coisas têm cessado de dar-se amigavelmente a mão, tornando-se, ao invés, contendentes.
Daqui se passa facilmente à ideia de um crescimento infinito ou ilimitado [...]. Isso supõe a mentira sobre a disponibilidade infinita dos bens do planeta, que conduz a “espreme-lo” até limite e além”.
O ponto de vista dos excluídos também na ecologia
“Gostaria de observar que com frequência não se tem clara consciência dos problemas que golpeiam particularmente os excluídos. Eles são a maioria do planeta, bilhões de pessoas. Hoje são mencionados nos debates políticos e econômicos internacionais, mas em geral parece que os seus problemas sejam colocados como um apêndice, como uma questão que se acrescente quase por obrigação ou de maneira periférica, quando não são considerados como um mero dano colateral. [...] Mas hoje não podemos deixar de reconhecer que uma real concepção ecológica se torna sempre uma concepção social, que deve integrar a justiça nas discussões sobre o ambiente, para escutar tanto o clamor da terra quanto o clamor dos pobres”.
Corriere della Sera, 16-06-2015.

Franciscanos em Assis: "fazer as pazes com a terra"

Rádio Vaticana

Assis (RV) – “Fazer as pazes com a terra e cuidar dela. Seguindo o exemplo de São Francisco, nos comprometemos em respeitar e tutelar a natureza, irmã que recebemos como dom para a vida presente e que somos chamados a entregar para nossos filhos”. Este é o apelo feito pelos frades da Basílica de São Francisco, antes da publicação da Encíclica sobre a ecologia integral, de Papa Francisco.
“É a primeira vez na história que um Pontífice utiliza as palavras de São Francisco em um documento oficial. O título da Encíclica se inspira no Cântico das Criaturas, manifesto de uma nova visão do mundo e fonte da espiritualidade franciscana”, reitera o Frei Enzo Fortunato, Diretor da Sala de Imprensa do Sacro Convento de Assis. “O Cântico – diz ele – é um doce louvor a Deus, feito através de suas criaturas: o sol, a lua, o vento, a água, o fogo e a terra”.
A Encíclica ‘Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum será apresentada quinta-feira, na Sala do Sínodo, no Vaticano.
(CM)
(from Vatican Radio)

Audiência: a fé dá esperança às famílias em luto

Rádio Vaticana

Quarta-feira, 17 de junho: o Papa Francisco na audiência geral propôs uma catequese sobre o luto na família. O Santo Padre começou por referir o episódio da viúva de Naim relatado por S. Lucas no capítulo 7 no qual Jesus se compadece da dor daquela mãe e nos faz ver a potência de Deus perante a morte.
Todas as famílias, sem exceção, devem lidar com a experiência da morte – afirmou o Santo Padre. A morte faz parte da vida, mas quando se dá na família, é muito difícil vê-la como algo natural. Pensemos nos pais que vivem a desoladora experiência de ter de enterrar os seus filhos, ou nas crianças que ficam órfãs: algo difícil de explicar.
“A morte toca e quando é um filho, toca profundamente” – disse o Papa. A perda de um filho é como parar o tempo, onde passado e futuro já não se distinguem. Toda a família fica paralisada. O mesmo acontece para o menor que fica órfão e, com sofrimento e que pergunta onde está o pai ou a mãe.
Jesus ensina-nos a não temer a morte – frisou o Santo Padre – mas também a vivenciá-la de forma humana. Ele mesmo chorou e ficou perturbado ao compartilhar o luto de uma família querida. Quando uma família em luto encontra forças para perseverar na fé e no amor experimenta que o amor é mais forte do que a morte – afirmou o Papa Francisco:
“No povo de Deus, com a graça da sua compaixão dada em Jesus, tantas famílias demonstram com factos que a morte não tem a última palavra. Todas as vezes que a família no luto – mesmo terrível – encontra a força de conservar a fé e o amor que nos unem àqueles que amamos, está a impedir a morte de tomar tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um mais intenso trabalho de amor.”
No final da sua catequese o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:
“Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os membros do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase e do Instituto D. Helder Câmara: sejam bem-vindos! Faço votos de que nos vossos corações reine a certeza de que o amor misericordioso do Pai celeste não esquece ninguém e se revela especialmente próximo daqueles que são deixados para trás pela cultura do descarte. Que Deus abençoe a cada um de vós e quantos vos são queridos.”
Nas saudações em italiano dois apelos importantes. O primeiro sobre a Encíclica que se publica amanhã dia 18 de junho:
Amanhã, como sabeis, será publicada a Encíclica sobre o cuidado da “casa comum” que é a criação. Esta nossa casa está-se arruinando e isso prejudica a todos, especialmente os mais pobres. Portanto, o meu apelo é à responsabilidade, com base na tarefa que Deus deu ao ser humano na criação: “cultivar e preservar” o “jardim” em que ele o colocou (cfr Gen 2,15). Convido todos a acolherem com ânimo aberto este Documento, que se coloca na linha da Doutrina Social da Igreja.”
A seguir o Papa lembrou o Dia Mundial do Refugiado, promovido pelas Nações Unidas:
“Sabado próximo ocorre o Dia Mundial do Refugiado, promovido pelas Nações Unidas. Rezemos por tantos irmãos e irmãs que buscam refúgio longe da sua terra, que buscam uma casa onde poder viver sem temor, para que sejam sempre respeitados na sua dignidade. Encorajo a obra de quem lhes leva um auxílio e faço votos de que a comunidade internacional atue de maneira conforme e eficaz para prevenir as causas das migrações forçadas. Convido todos a pedir perdão pelas pessoas e as instituições que fecham a porta a esta gente que busca uma família, que busca proteção.”
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção! (RS)
(from Vatican Radio)