27 de outubro de 2022

A fé dos pais aos filhos

Pe. Geovane Saraiva*

Jamais pensar numa catequese apócrifa, na evidente aparência de “coisa escondida ou oculta”. Nada de uma catequese duvidosa ou falsa, nas diversas novidades do mundo, até mesmo nos falsos ou apócrifos padres, como foi veiculado recentemente, e por meio deles se deveria falar tudo, a bem verdade. Catequese, sim, mas a partir de Jesus de Nazaré, uma catequese muito verdadeira e autenticamente abrangente, na vida concreta das pessoas, no alargado e grande sonho: catequese para os nossos tempos, atualizada, fecunda, na promessa de muitos e bons frutos.

A fé dos povos católicos passa, em grande parte, dos pais para os filhos, no modo como se chega ao primeiro anúncio e no encanto das crianças por Deus e por sua Santa Mãe, a Virgem Maria. O exemplo da mãe, ao reverenciar o crucifixo e o apontar com a mão, nos ajuda a pensar na catequese como missão da Igreja e riqueza para o mundo. Que se possa reafirmar a importância da catequese nos generosos e conscientes catequistas, sabedores de suas tarefas temporais, mas sem prescindir do serviço à Igreja, comunidade de fé e sacramento de salvação, fazendo-a florescer, numa Igreja inclusiva e solidária.

Como é maravilhoso considerar o processo catequético! A atenção que se dá, nas diversas circunstâncias, com a mão do pai ao fazer o sinal da cruz, sem esquecer de outros sinais, que se dão em família, através de inúmeras palavras e gestos, em que as crianças percebem e escutam aquilo que representa e diz respeito ao fundamento da fé, mas no mais amplo compromisso dos catequistas, em toda a caminhada evangelizadora, convencidos de que são criaturas dignas, na esperança de todos tomarem seu lugar em torno do mesmo alimento sagrado, com o “pão em todas as mesas”.

Pensar mesmo que o exemplo arrasta multidões, como no caso de os bebês se criarem sem o contato com os adultos, crescendo neles pouca “humanidade”, e os pais, ao comunicarem aos filhos o que eles carregam de melhor consigo aqui na face da terra, tendo como presente o futuro civilizatório, na cultura, convicção e costume de um povo, quando se escuta de crianças o que não se deve fazer, começando por maltratar plantas floríferas animais, passarinhos.

Como é magnífico o esforço dos pais! Ao viverem e testemunharem sua fé, no contexto familiar, os filhos os acompanham numa generosa e espontânea pedagogia, reconhecida depois como herança ou espólio de gratidão, mistério imorredouro que lhes foi comunicado, numa riqueza incomparável, com uma fé que é capaz de mover montanhas.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

19 de outubro de 2022

Concílio Vaticano II: 60 anos

Pe. Geovane saraiva*

O Concílio Vaticano II quis ser um essencialmente remédio, para a Igreja Católica no mundo moderno, desde o seu advento, em todo seu processo de ação evangelizadora, respondendo aos anseios e clamores do mundo moderno. Pensou João XXIII na criatura humana como um todo, restaurada e renovada, pela viagem de si mesma rumo ao incondicional e ao absoluto, percebendo o homem com um ser social, na sua íntima natureza, não sendo possível o mesmo viver sem desenvolver suas atividades, sem se relacionar com os demais seres humanos (cf. GS 12).

Como é indispensável pensar na imensa importância dos pequenos gestos e das pequenas iniciativas, que contribuem para a vida do mundo ser mais digna e melhor, mais agradável, respirável e bela, vida dos seres viventes, das pessoas e de todo o planeta! Que a humanidade possa se comprometer, através dos bons propósitos, com a constante busca e procura da vida, evidentemente associada à vontade divina.

O nosso Deus se manifestou, há 60 anos, através do Concílio Vaticano II (1962-1965), maior bênção, graça e dom oferecidos pelo Senhor Deus à Igreja no século XX, no projeto grande e planetário de São João XXIII, o Papa da “bondade”, através da ação e inspiração do Espírito Santo de Deus.

Pode até surgir a pergunta: Para onde foram as graças e os sinais de esperança com a reforma da Igreja?

Convém pensar na Igreja restaurada e reconciliada com o mundo, na promessa de uma nova primavera, em meio a guerras, destruição de florestas e outros tantos males, no comprometimento da vida no seu todo, nas visíveis manifestações contra a agressão ao meio ambiente. O mundo quer sinais generosos dos seguidores de Jesus de Nazaré, mas na direção do espírito do Concílio Vaticano II, ao não se distanciar do sonho esperançoso de João XXIII, o do mundo de hoje, renovado e reconciliado em Cristo, nos gestos e atitudes dos seres humanas.

No Concílio Vaticano II, Espirito Santo abriu um vasto caminho, que conduz a Deus e ao irmão. Resta para o seguidor de Jesus de Nazaré o esforço, e que seja gigantesco, no sentido se viver e conviver em paz, além de amar e servir o próximo, no justo pleito da Assembleia convocado por João XXIII, de comunidades fraternas, solidárias e inclusivas, fermentadas pelo Evangelho.

É obvio que o espírito do Concílio prossegue, mas quando a criatura humana, voltando-se para si mesma, desejosa de encontrar, na complacência e na clemência divina, seu esmerado nirvana, no empenho generoso e sincero, na factual concretização da maturidade humana, na relevante verdade divina em questão.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

14 de outubro de 2022

Livro: Gentileza do Papa Francisco, “No mundo de Fortaleza”.

 Augusto Pontífice agradece, 

ao invocar sobre Pe. Geovane Saraiva, seus familiares e fiéis da Paróquia Santo Afonso, Parquelândia, na Arquidiocese de Fortaleza, graças divinas e a Bênção Apostólica.



12 de outubro de 2022

Feliz retorno

Pe. Geovane Saraiva*

Na abertura ao infinito, ao mistério do eterno, a criatura humana é cheia de vontade, na qualidade de ser que deseja caminhar na direção do definitivo. Ultrapassa a si mesma, embora seja, por si mesma, reduzida e irrelevante, pela condição humana, no dizer de Dom Helder: "Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante, não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo". No pacto ou postulado da graça e pela vida, naquele em quem tudo consiste, por ser bondade deslumbrante, na luminosidade do ser infinito, está o nosso verdadeiro querer, no desígnio da plenitude divina, da criatura humana, ao adentar abismado na realidade do mundo, mesmo insuficiente na cordialidade complacente.

Tudo, evidentemente, a partir de Jesus de Nazaré, que é a “palavra”, o “verbo”, pessoa que, dele e por ele, se vê fundir numa só coisa: o mistério da sua obra redentora, da qual não pode se separar. Nele, razão da existência de todas as criaturas, de tudo o que existe (cf. o prólogo do Evangelho de João), se consuma, portanto, a vontade daquele que o enviou, com fiel consideração e desvelo, desde sempre e para sempre, verdade incontroversa, na qual tudo se estabelece e se instaura, na esperança da plena reconciliação.

Deus criou tudo por amor e, constantemente, somos convidados a participar da sua graciosa e perfeita obra criadora e vivificadora. Deus não se retira e jamais se afasta de sua operosa ação, no Universo que lhe pertence, ao estender sua mão onipotente, pacificadora e restauradora. Aquilo que Deus mesmo contemplou: “Tudo está muito bom” vai crescendo e evoluindo nas suas mãos,  na acolhedora concepção da criatura humana.

Na mais radical, irrefutável e incontestável dependência divina, o ser humano não imagina um Deus semelhante ao carpinteiro, escultor e pintor, que, depois de todo o procedimento, na condição de artesão e artífices, no acabamento de seus projetos, estes vão-se embora e se retiram do mundo, mesmo tendo contribuído para que o mundo fique mais formoso e atraente. A humanidade está agarrada e presa pelos laços do Espírito de Deus, que, além de sua existência, pode contar com sua subsistência, sendo luz e dia, luminosidade infinita que se irradia.

Discordância há e haverá, mas por causa do pecado, identificado com a liberdade humana, liberdade esta que, ao se desenvolver e evoluir, surge com ela o mal no seio do mundo, o qual, em maior ou menor grau, se traduz na plena capacidade de contrariar ou não a vontade divina. São as transgressões que caminha com a liberdade humana, através das inflações como fato inegável.

Pelo caminho paciente da cruz, que o espírito humano se volte para o Deus clemente, sempre indagando, no espírito comovido, na realidade maliciosa do mundo, própria da vida. Mas sem medo de dizer quando de verdade o pecado bate sua porta, no amor que sempre se renova: “Cometi grande pecado, com qual mal e descaso sou culpado sim, no aguardo do feliz retorno, isento de qualquer fardo!”. Amém!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

11 de outubro de 2022

Com Maria, nossa romaria!

 Pe. Geovane Saraiva*

Em nossa romaria com Maria, na teimosia e na persistência, nos resta a esperança! Tudo no compromisso resistente, no intenso vigor de jamais perecer. Eis o ensinamento vivamente presente: lutar sem nunca esmorecer!

Nossa missão aqui na terra é uma contumaz e obstinada romaria, como na canção: “Sou caipira, Pirapora / Nossa Senhora de Aparecida / Ilumina a mina escura e funda / O trem da minha vida”, mas na esperança da feliz e eterna romaria. Eis o nosso maior desafio: o de viver o Evangelho de Jesus. É mais que entendível e indiscutível o convite à conversão do nosso coração, na alegria de sempre mais redescobrir o amor verdadeiro, de nos inspirarmos no gesto da Mãe de Deus e de nos unirmos à Igreja, que nos convida a caminhar juntos, pelos dons do Espírito Santo, apropriando-nos da Solenidade de Maria, neste 12 de outubro, mês missionário.

Sabemos que cada pessoa, no exemplo acima mencionado, ao mergulhar na sabedoria divina, quer mais e mais exteriorizar, difundir e disseminar a ternura compassiva de Deus, carregando consigo, neste mundo, o segredo de seu mistério ou a razão de seu encargo ou dever de edificar o mundo e sua realidade contraditória. Embora se saiba que são muitos os que se encontram na aridez do deserto, também no seu calor escaldante e exaustivo procuram um poço de água, uma torrente miraculosa, no sentido de jorrar água redentora, a mesma de Maria no Rio Paraíba. É o amor transbordante de Deus que nos faz pensar, acima de qualquer metáfora ou alegoria, no mistério da Mãe de Deus.

Neste mês missionário de 2022 somos convidados a abraçar a proposta do Evangelho de Jesus, na compreensão generosa de que “A Igreja é missão”, “Sereis minhas testemunhas”, na ordem vital e irrecusável de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Que Deus nos conceda a graça da consciência de que fomos criados para apreciar e valorizar seu Reino, em sua beleza, não num sentimento de tristeza, nos limites precários e na transitoriedade da vida, mas longe de ilusões e vantagens deste mundo, com um sentimento de viva esperança, anunciada no Magnificat: “O Poderoso fez em mim grandes coisas. Seu nome é santo e seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem”.

Aventura magnífica, a partir de Michelangelo (1475-1564), pintor, escultor, poeta, arquiteto e gênio italiano, ao retratar, evidentemente através da arte, essa tese, de um modo indizível, mostra a Virgem Maria nas sete dores sofridas com o corpo de seu filho, Jesus, morto em seus braços, após a crucificação, com dores colossais e descomunais, que representam as dores da humanidade. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

6 de outubro de 2022

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e da capital federal

Olímpio Araújo*

Por que tão grande é o número de devotos de Nossa Senhora em todo este país imenso que é o Brasil? 

Pensar em Nossa Senhora, falar de Nossa Senhora, é-me inevitável a lembrança da letra de uma música de Roberto Carlos, intitulada Todas as Nossas Senhoras, especialmente o refrão: Minha mãe Nossa Senhora somos todos filhos seus / Todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus.

Aí, o compositor expressa duas verdades que o católico deve ter sempre em mente: Maria é nossa mãe, este foi o último mandamento de Cristo, na sua vida terrena; e que Ela é venerada sob muitos títulos, ora relacionados às aparições (como em Fátima, e em Lourdes), ora a acontecimentos específicos, que é o casso de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

Mas por que tão grande é o número de devotos em todo este país imenso, que é o Brasil? Pessoas que acompanham as missas, novenas, terços, e outros eventos, pela TV, pelo rádio e mídias sociais… E se deslocam em romarias, movimentos, pastorais e assembleias (nacionais ou do continente americano) — a lotar, muitas vezes, uma catedral que perde em tamanho apenas para a de São Pedro, no Vaticano? 

Busquemos, pois, a resposta a partir da História, a Mestra da vida (no dizer do orador romano Cícero).

A história de Nossa Senhora Aparecida 

Tudo começou em 1717. Os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, vão pescar nas claras águas (à época) do rio Paraíba do Sul, para prover o banquete com que a Vila de Guaratinguetá receberia o Conde de Assumar, Governador da Província de São Paulo e Minas, em passagem pela região, com destino à cidade mineira de Vila Rica (atual Ouro Preto). Muitas tentativas em vão. De repente “pescam” uma imagem sem cabeça; e, no lançamento seguinte, a cabeça, completando a imagem. Então, conseguem uma espantosa pesca, em volume descomunal. A imagem foi reconhecida como de Nossa Senhora da Conceição. E, os pescadores, devotos da Virgem Maria, viram no surgimento da imagem, junto com a pesca milagrosa, um sinal da Santa. 

As pessoas passam a visitar a imagem, com rezas e novenas. Nos primeiros anos, na casa de Felipe Pedroso. Com o número de devotos e visitantes sempre crescendo, construiu-se uma capela no Morro dos Coqueiros, em 1735. 

Os milagres 

E seguem os milagres atribuídos à Nossa Senhora Aparecida. Pomos, aqui, uma rápida síntese dos primeiros, citados pelo historiador de Aparecida Júlio J. Brustoloni (História de Nossa Senhora Aparecida: Sua Imagem e seu Santuário): 

Em noite sem vento, as velas do altar de Nossa Senhora apagam-se, para depois de algum tempo, voltarem a acender-se, sem a intervenção humana. 

O escravizado Zacarias, preso por grossas correntes, tem permissão do feitor para rezar no Santuário. E, ao rezar com fé, caem-lhe as correntes.

Um cavaleiro sem fé, querendo mostrar que toda aquela fé era bobagem tenta entrar no templo a cavalo; é impedido porque uma das patas do animal fica presa no piso da escadaria; e o cavaleiro, arrependido, torna-se devoto.

Uma menina cega de nascença, comenta, surpresa, com a mãe, diante da Basílica Velha: “Mãe, como é linda esta igreja!”.

Um garoto no rio (acompanhara o pai, numa pescaria); de repente é puxado pela correnteza. O pai, ao se sentir impotente para salvar o filho, suplica à Nossa Senhora Aparecida: logo a correnteza deixa de levar o garoto, que, parado, sobre as águas, é resgatado, vivo, pelo pai.

Um caçador, ao voltar de sua caçada já sem munição, vê-se encurralado por uma enorme onça. Ele suplica à Nossa Senhora Aparecida; a onça desiste de ataca-lo, e vai embora.

A devoção 

Aumentava, aos milhares, o número de milagres, de benefícios recebidos pelas mãos da Mãe Aparecida. E, assim, crescia, mais e mais, a veneração. E, consequentemente, os deslocamentos de romeiros à (por isso mesmo) progressiva cidade de Aparecida, antes modesto lugarejo encravado no Município de Guaratinguetá.

Foi necessária a construção de uma igreja mais ampla; a devoção passou a receber maior atenção das autoridades eclesiásticas. Assim, foi inaugurada, em 1888, a chamada Basílica Velha (hoje também conhecida como Basílica Histórica), que, depois, também foi insuficiente para comportar tanta gente. Então, edificou-se a majestosa e atual Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que foi consagrada pelo papa João Paulo II em 1980. Era a coroação de um culto iniciado, espontaneamente, pelo povo simples, e reconhecido pela Igreja em 1743.

Uma imagem encontrada por humildes pescadores, na época em que se praticava no Brasil uma perversa escravidão de negros, comprados da África; enegrecida com o tempo, para ficar da cor dos cativos… Quebrada, a lembrar os maus tratos a estes seres humanos, tal como já se fizera com os indígenas, de quem foi tomada a terra… Um contexto ideal para que Maria chegasse e denunciasse a situação degradante; como quando, em silêncio, acompanhava o filho Jesus… 

Nossa Senhora presente 

E a injustiça social ainda persiste. Num mundo paradoxalmente tecnológico. E Nossa Senhora continua presente… No clamor de famintos e miseráveis de triste e curta vida, ao relento, misturados ao lixo; outros, trabalhadores (escravizados do século XXI), morando em barracos, buracos, favelas, de quando em vez eliminados por balas perdidas… Nos desesperados fugitivos de seus países, afundados em guerras civis e disputas pelo poder… 

Que, em mais uma edição das Festas de Nossa Senhora Aparecida, ressoe nos nossos ouvidos esses clamores, e o grito do Probrezinho de Assis: “O Amor não é amado!”.

Na certeza de que nossa generosa Intercessora jamais desiste dos que a invocam, e tem como filhos seus todos os filhos de Deus… 

Com confiança, recorramos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Ela conhece todas as nossas necessidades! Participe desta bela novena de Nossa Senhora Aparecida no Hozana (clique aqui para se inscrever).

Devotos, rezem!

Romeiros, clamem! Como em Romaria:

É de sonho e de pó

O destino de um só

Feito eu perdido em pensamentos

Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó

De gibeira o jiló

Dessa vida cumprida a sol

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe solidão

Meus irmãos perderam-se na vida

A custa de aventuras

Descasei, joguei, investi, desisti

Se há sorte eu não sei, nunca vi

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

Me disseram, porém, que eu viesse aqui

Pra pedir de romaria e prece

Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar, só queria mostrar

Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora

Nossa Senhora de Aparecida

 *Membro da AMLEF e ACLP. 

Pelo Hozana - publicado em 30/09/22


4 de outubro de 2022

Francisco de Assis: inspiração

Pe. Geovane Saraiva*

Inspirados em Francisco de Assis, que teve uma vida marcada pela simplicidade, mantenhamo-nos no cuidado com a criação, obra de Deus, sem nos esquecer dos pobres vulneráveis de nosso tempo. Claro que o centro ou o eixo é a fé, pela qual o povo de Deus caminha e nela encontra solidez, fé no anúncio pascal, mensagem consistente e fundamento inabalável, não nos cansando de repetir com todas as letras que Jesus de Nazaré é o mistério inefável e indizível, que precisa ser sempre mais anunciado integralmente aos homens do nosso tempo. Como é importante o anúncio profético, em palavras escritas e oralmente, sem que jamais possa causar ou ocasionar insegurança à comunidade dos batizados!

Que a força da figura humana de São Francisco de Assis, ao anunciar a Boa-Nova de Cristo e Senhor, seja dom e graça, apresentada por nós em linguagem simples, de fácil acesso e longe de desaparecer sua inequívoca beleza, também inculturada, em meio às grandes tribulações, obstáculos e embaraços do mundo, mas tudo na luz do Evangelho. Jamais prescindir do depósito da fé, no conjunto dos dogmas da Igreja, na sua mensagem, a mais íntegra e completa, numa aproximação sempre maior, inspiração iluminadora do Espírito Santo de Deus.

Com o Poverello de Assis, espero que nossa palavra neste artigo seja útil aos leitores, que a acessarem, ávidos pelos ensinamentos proclamados pelo aventureiro da paz, Francisco de Assis. Que prevaleça a sólida clareza, aquela que nos diz respeito ao depósito da fé, ao mesmo tempo em que estamos persuadidos e banhados nos limites, mas ousados no sentido da busca do infinito e do absoluto, da realidade última da criatura humana e das coisas. No esforço de uma fé lúcida, animados e encorajados pela ternura franciscana, mesmo em meio às limitações, que reine a esperança cristã, com seu eixo, num clamor pela vida, e vida bem vivida, em questão aqui, pela nossa contribuição.

O Deus verdadeiro, o de São Francisco, que se despojou de sua glória e pelo seu sangue derramado na cruz, nos oferece a paz, paz para a humanidade e para o mundo inteiro. Ele assumiu a condição de criatura humana, assemelhando-se aos homens em tudo, exceto no pecado; nele está o caminho inquestionável e legítimo que a humanidade tem diante de si, com respostas para todas as interrogações, evidentemente mergulhados no Evangelho. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).