27 de março de 2022
Não aos tempos tenebrosos
26 de março de 2022
O bispo das favelas
Alvim Aran*
“A vida do Dom Helder é como uma mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada” Geovane Saraiva
O termo favela, por parte da ideia burguesa, sempre se remete a um lugar conflitivo e violento. No entanto, quem vive nessa realidade tem um modo próprio de enxergar o mundo, pois são nas favelas que as pessoas aprendem a ver e ter compaixão, a se colocar no lugar do outro pela mesma realidade de necessidades, faltas e carências. Deus, ao se fazer carne, escolhe uma favela para habitar (Mt 2, 1), e o Verbo se fez favelado para nos ensinar.
Ao falarmos em favela, falamos de toda a massa dos excluídos existências, falamos do povo de Deus que sofre de diferentes formas (Sejam espiritualmente ou materialmente), sejam as mulheres vítimas do machismo estrutural de nossa sociedade patriarcal burguesa, ou o racismo, homofobia, aporofobia, o abandono de crianças e idosos, a intolerância religiosa, o descaso com as comunidades indígenas, etc. Todos se enquadram na favela, dizemos, sem medo de errar, que as comunidades periféricas são, nas palavras dos Racionais e Exalta Samba, mães que sempre estão de braços abertos para acolher as pessoas que precisam morar ali.
Acolher as pessoas é um ato de amor que Jesus veio nos ensinar durante três anos de catequese. E até hoje temos dificuldade para colocar em prática a lógica de Jesus, uma fé capaz de nos libertar de nossas misérias, sejam físicas e espirituais, uma fé capaz de nos mostrar o sentido do amor e acolher a todos como acontece nas favelas. Com isso, depois de Jesus, vieram diversos seguidores que mostraram o sentido do cristianismo, e aqui falaremos de Helder Câmara, o bispo da favela, um santo de nossos dias.
Helder foi bispo de Olinda e Recife, e participou de diversos movimentos em prol dos pobres e oprimidos, lutando pelo direito da favela de ter vida. O Brasil naquele tempo, assim como hoje foi e é comandado por uma pequena minoria que mantem o monopólio de toda terra produtiva e os meios de produção. Restando ao povo trabalhar não para viver, mas sobreviver (Gasolina a oito reais o litro, ir trabalhar para comprar gasolina para poder ir trabalhar), isto é, se manter com energia para o serviço, mas sem direito ao lazer e cultura, eis o capitalismo resumido.
Diante dessa realidade, Helder, no papel de bispo, emprestou a voz da igreja (Bispo e padres) para denunciar essas misérias e mostrar o Cristo crucificado nas pessoas e que a miséria na qual se encontravam não era, nunca foi, a vontade de Deus. Muito pelo contrário, o Reino que Jesus anunciou é uma sociedade sem classes, onde todos viverão em harmonia, uma sociedade onde impera a justiça e a paz.
Em um mundo de injustiças, falar em direito e justiça pode ser considerado loucura e até subversão, então que seja subversão, pois Helder não se importou com isso. A radicalidade em denunciar aquilo que oprime é um ato de amor, chamemos de amor subversivo, pois como disse Júlio Lancelloti numa homilia: “Amar o opressor é tirar das mãos dele a tirania”, doutro modo, é lutar contra o sistema opressor, e no nosso papel de cristão é nosso dever ser essa voz profética, essa voz do amor, que luta em prol do bem, que busca corrigir aqueles que oprimem (Is 1)
Essa correção precisa de exortações e lutas, ou seja, não vem fácil, no entanto para Deus nada é impossível, então se levantou, cheio do Espirito Santo, o santo rebelde, Helder Câmara. Esse lutou e inspirou muitos outros a lutar contra as ditaduras, contra os poderes terrenos, afirmou, Helder, veementemente que o dia que o cristianismo deixasse de lutar por um reino de justiça e paz, não seria mais cristianismo. Helder foi perseguido pelos militares e a elite brasileira latifundiária, mas o profeta de verdade sempre é perseguido, então, sim, ele foi verdadeiro profeta de Jesus Cristo, exímio seguidor da palavra viva que transforma.
A palavra transformou Helder de tal modo que esse entrou de alma e coração nas lutas sociais, percebeu que o abismo entre ricos e pobres crescia mais ainda. Lutou em prol dos povos, e hoje em dia é considerado, pelo estado de Pernambuco, o patrono dos direitos humanos.
Lutar pelos direitos humanos é um dever de todos, ainda mais para nós cristãos. Lutar para que as pessoas tenham acesso a coisas básicas que todo ser humano deve ter, um sistema de saúde de melhor qualidade, boa educação, lazer e cultura, direito de ir e vir, etc. O salmista diz que “o Senhor é meu pastor e nada me faltará”, e denunciou Helder Câmara, “eu olho o meu povo e falta é tudo”. Então, esse buscou de forma esplêndida uma forma de acabar com essa falta durante o regime ditatorial militar.
Como de costume, podemos observar em nossa sociedade atual que tudo que fala do social ou do direito dos pobre e oprimidos é visto como comunismo, até a defesa do meio ambiente virou pauta de comunista (O verde é o novo vermelho, afirmam alguns), com Helder naquele tempo não foi diferente. Mal sabendo os “cristãos” que lutar por uma sociedade justa, divisão de terras, casa para todos, trabalho bem remunerado, defender a natureza, em suma, colocar os bens em comum de todos para cuidarmos de nossa casa comum é cristianismo.
Cuidar de nossa casa comum é cuidar de nossos irmãos e irmãs também, é lindo dar um prato de comida à um morador de rua, mas é divino procurar saber de onde vem a pobreza, qual a causa daquela situação e lutar para resolve-la. Mas como dito acima, ao dar comida aos pobres, Helder foi chamado de santo, mas quando perguntou de onde vinha a pobreza, chamaram-no de comunista.
Foi acusado, mas não abaixou a cabeça, o baixinho, empregando o coloquialismo, era invocado de mais, era chave. Viveu, mais que a fé em Jesus, a fé de Jesus (“Nossa Espiritualidade”, de Pedro Casaldaliga). Rompeu com os ricos e poderosos e mostrou que a igreja de Cristo sobrevive pela ação do Espirito Santo, não precisa de poderes terrenos que são corruptíveis. Que o povo de Deus pode se organizar e lutar pelo reino, mas para isso precisa de bons pastores que os ajudem a tomar essa consciência de força, e aprender que “o governo deve temer o povo, e não o povo temer o governo” (Emiliano Zapata)
E Helder foi esse pastor, o povo o buscava, ele era, como dito na música de Anderson Freire, “o espelho que reflete a imagem do senhor”. Então, a partir disso, temos a ideia do Jesus mostrado por Helder. Não um Jesus poderoso, imperialista, mas um Jesus com os pés no chão, isto é, um Jesus que veio para servir e não para ser servido.
Servir nossos irmãos é dever de todo cristão, pois nisso se baseia o cristianismo, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Um amor que nos leva, assim como Helder Câmara, lutar pelo reino de Deus, pois o verdadeiro amor é dar vida pelo irmão, e lutar para que esse tenha vida. Eis o bispo da favela, eis Helder, aquele que esteve ao lado dos pobres oprimidos, aquele que seguiu Jesus e nos serve de exemplo para lutar pelo povo em prol da construção do reino de Deus.
Não abaixemos a cabeça, olhemos para Jesus, nosso bom pastor e então seguiremos firmes na caminhada. São muitas as barreiras, mas Deus é maior, e pelas palavras de Helder: “Quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes”. Olhemos para Helder, olhemos para Jesus, sejamos cristãos.
Beato Carlos de Foucauld e Helder Câmara, rogai por nós.
*Aluno de 3º ano de Filosofia, Seminário Maior de Diamantina-MG
25 de março de 2022
O banquete da fraternidade
Alhures, já falei
repetidas vezes sobre uma Igreja portadora da esperança, que muito fala da
esperança, sendo sua razão de ser, de existir, e seu sonho muito acima dos
demais, mas que nem sempre assegura e provoca a suficiente esperança.[2]
Entende-se como mística a
espiritualidade de Jesus de Nazaré, própria do tempo quaresmal, a do silêncio e
do abandono nas mãos do absoluto de Deus, juntando-se à escuta da Palavra de
Deus, da adoração a Jesus eucarístico, sem esquecer do evangelho da cruz e da
busca do último lugar, identificada aqui com a espiritualidade de Charles de
Foucauld, aquele que foi seduzido pelo amor de Deus, ao confessar seus pecados
e sentir uma indizível alegria, a mesma alegria do filho pródigo. O emblema
apocalíptico da contemplação do Filho de Deus, com a parábola do pai bondoso,
ou misericordioso, que quer chegar ao preconceito dos doutores da lei e dos fariseus,
pessoas consideradas puras, justas e distantes daquelas que, ao contrário, não
eram consideradas boas e também pecadoras. Fica claro que o pai bondoso é o
próprio Deus, que, com seus didáticos ensinamentos, quer ver os filhos livres,
em suas escolhas e decisões.
Numa religião que carrega consigo
as marcas da esperança, eis o pensamento do grande educador e pensador Rubem
Alves: “Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte,
mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos”.[3]
Voltados para uma confissão integralmente pura, que Deus nos dê o dom da
misericordiosa graça, para que, pela mística cristã, possamos experimentar o
amor de Deus-Pai, que ama a todos indistintamente, estando sempre de braços
abertos para acolher os filhos que retornam ao aconchego do bom, generoso e
misericordioso pai.
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor,
poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
22 de março de 2022
Água: criatura de Deus!
Padre Geovane Saraiva*
Que Deus abra nossa mente e nosso
coração, neste Dia Mundial da Água, diante de gritos, dores e gemidos da terra,
grande casa e mãe, a partir da assertiva do saudoso Pe. João Batista Libânio:
“Rios e mares, antes gigantescos úteros de vida, que vêm sendo esterilizados
pela poluição industrial, esgotos, sujeira produzida pelo ser humano. Se
esquece de que a água, fonte de vida, transforma-se facilmente em uma das
piores fontes de morte, ao transmitir doença. Por ela navegam germes de morte
até os confins da terra”.
Água é essencial à vida e sem ela
a criatura humana não pode jamais subsistir, o gado e todos animais se
extinguem, os campos se transformam em áridos desertos, num sinal e símbolo da
morte. Portanto, comemorar o Dia Mundial da Água, na restauradora compreensão
de que água para todos pode mudar a vida e a própria história, significa dizer
que a vida pede coragem, com respostas que venham em socorro e favoreçam a
humanidade no seu todo. Esse é o grande e maior desafio. Paz e bem!
*Pároco
de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da
academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
20 de março de 2022
A sabedoria do tempo
Paulo Roberto*
Sabe que começou a viver, sabe também que terá um fim.
Somente os humanos podem organizar suas vidas e planejar o tempo para viver, amar, crescer, criar, conhecer e morrer.
1 – Tempo para viver
Viver a vida em toda a sua intensidade. Nunca enterrar o talento da vida.
Quanto mais você vive a vida fazendo o bem, tanto mais você percebe que ela é bela. Parar, descansar e sentir a grandeza da vida. Há pessoas que nunca encontram tempo para viver, sonhar e cantar. Vivem mergulhadas em negócios, trabalhando e trabalhando. Na verdade, se esperam terminar o trabalho para começar a viver, então nunca viverão, porque nunca terminam o trabalho. Apodere-se do tempo, caso contrário ele se apodera de você e o torna frustrado.
Entre os mandamentos dados pelo Criador, existe o mandamento do descanso, “guardar os domingos e festas de guarda”.
Há certamente muita sabedoria neste preceito divino.
2 – Tempo para amar:
Achar tempo para cativar, para atrair, para contemplar e para amar.
Achar tempo para aproximar-se mais…chegar mais perto. Tudo isto exige tempo, porém, sem o amor desfalece e murcha, Achar tempo para estar juntos nas refeições, nos passeios, nas caminhadas, nas alegrias e nas tristezas, partilhando, rindo chorando e acolhendo.
Amar não consiste em fazer grandes declarações. É principalmente e acima de tudo, um jeito de estar juntos, um jeito de viver juntos: alegrar-se juntos e chorar juntos. Amar de verdade, então, requer tempo, muito tempo para você contemplar quem está a seu lado, na sua frente.
Por vezes você julga que algumas pessoas são chatas e até antipáticas, porque você não as contemplou e não lhes deu a oportunidade de revelarem sua riqueza interior.
Deixe que elas se abram e você perceberá que elas são maravilhosas, admiráveis e belas. Tenha em mente que a mesma força criadora que te deu a vida, é a mesma fonte que deu vida a ela também.
Tudo isto é demorado, mas é sabedoria do tempo.
3 – Tempo para crescer:
O homem só cresce com o tempo. A paciência é uma virtude, e ser paciente é possuir a chave da alegria. Experimentar ser criança, ser adolescente, ser jovem, ser adulto e idoso, sem querer antecipar as fases da vida. Não querer ser adulto sem ter saboreado o ser jovem.
Cada idade chegará a seu tempo.
Não se abre uma flor com os dedos, ela tem sem tempo certo para desabrochar.
Os melhores frutos são aqueles que caem por si mesmos, quando estão maduros. Da mesma forma o homem, o seu crescimento, a sua maturidade e o seu caráter, requerem um ritmo, é tudo uma questão de tempo e paciência, e não de técnicas. Levar em conta tudo isto é sabedoria do tempo.
4 – Tempo para criar:
Aquele que não amadurece, não tem imaginação. Não sentiu o seu sangue circulando nas veias, não sentiu o pulsar do seu coração e não tem sentimento, como poderá criar? – não amadureceu, não houve a devida gestação. Disse Pascal “Escrevi um livro grande, porque não tive tempo de escrever um pequeno” O homem em essência é um artista, porquanto o homem só atinge a sua plenitude quando a vida lhes é experimentada, provada, vivida e amadurecida. Isto não se faz da noite para o dia, exige tempo, porque a inspiração vem da sabedoria por excelência.
5 – Tempo para conhecer:
Conhecer e não aprender somente. Conhecer uma pessoa é nascer com ela, é partilhar de igual um novo começo, o que está em voga é o conhecimento que mergulha no tempo. Existe diferença entre conhecer e aprender é preciso muito tempo para alguém conhecer-se a si próprio, de igual forma, é necessário muito tempo para alguém conhecer outra pessoa, mas muito mais tempo se exige para que o homem conheça seu Deus, seu Criador.
O Criador não se revela na pressa, na correria. Ele é uma realidade que se experimenta, que se saboreia no diálogo personalizado, na oração constante e silenciosa. Não se recebe e não se experimenta o Criador de uma só vez e para sempre. Ele é novo a cada instante, a cada dia.
Se estamos vazios, perturbados, mal-humorados, agressivos e neuróticos não encontraremos tempo para desfrutar do seu conhecimento, da sua sabedoria. Temos que achar tempo para a nossa riqueza contemplativa, e isto é sabedoria admirável.
6 – Tempo para morrer:
Todo ser humano sabe que vai morrer. Somente não sabe quando e de que maneira.
Para aquele que crê, a aproximação da morte exige uma preparação especial e determinados atos praticados em plena consciência.
Deve e pode encerrar seu curso terrestre com dignidade e serenidade.
Deve ter a oportunidade de escrever com letras de ouro a última pagina do livro da sua vida. Talvez tenha que pedir perdão aos que magoou com atitudes mesquinhas ou então quem sabe, gostaria de deixar alguma mensagem especial para seus parentes, para seus amigos, para a sociedade.
Sabedor destes princípios, o homem deveria se preparar para a morte bem cedo, desde os primeiros anos de vida. Seria bom ensinar às crianças e aos jovens a encarar a realidade da morte com serenidade e inteligência, Certamente esta pedagogia peculiar ajudaria adotar conduta de vida diferente. Ajudaria morrer ao orgulho, à vaidade de aparecer e à ganância do possuir.
Ajudaria assumir um compromisso de partilha, de perdão e de amor. Principalmente ajudaria escrever toda a história de sua vida com letras de ouro.
A morte significaria então, a coroação, o desfecho de uma vida de doação.
Tudo isto exige aplicação e seriedade, mas é SABEDORIA DO TEMPO.*
17 de março de 2022
Triste lembrança do passado
Convém pensar no momento atual,
que é doloroso e crucial, pelo qual passa a humanidade. A partir do diálogo e
da concórdia, que a solução para essa situação de calamidade seja providencialmente
divina. Compreendamos o sentido da mais humana e radical solidariedade, na
busca do sonho do amanhã, levando em conta o amor de uns para com os outros, na
semeadura da boa semente: a da esperança. Que Deus nos ajude a superar todos os
empecilhos. N'Ele contamos com a reconciliação em tempos de discórdia e ódio.
Jamais se deve pensar e introjetar um negativismo, imaginando que será o fim.
No amor pela vida, sobretudo
através da criatura humana, se repetem, no diálogo e na consonante concórdia,
as condições, “sine qua non” como única arma possível para salvar o nosso
mundo, num não às armas que nos incitam à luta. Procurar o diálogo, isso sim,
nos coloca em humildade e amor, como o Senhor nos pede. Do contrário, se fica
diante do vexame, ineditamente histórico, triste, penoso, e que vergonhosamente
o tempo não irá apagar.
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor,
poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF
16 de março de 2022
Do Ceará Padroeiro
Pouco tempo após o nascimento de
Jesus, recebe a ordem do alto dos céus: “Levanta-te, pega o menino e Maria, sua
mãe, e foge para o Egito” (Mt 2, 3). Tempos depois, o anjo lhe diz: “Vai para a
terra de Israel”. É dura a partida, mas de imediato, de noite, José foi
flexível à voz soberana, por estar diante de tal situação, sem pedir
explicações e não sendo causa de objeções. Pensemos na grandeza de uma alma
literalmente obediente: “Servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou sua
família” (Lc 12, 24), totalmente disponível ao projeto de Deus. Esteve sempre
atento à convocação divina e amplamente entregue ao serviço do Senhor, na
perfeita dedicação, no amor a Deus, de todo o coração, de toda a alma e com
todas as forças.
São José, da descendência de
Davi, como nos asseguram as Escrituras Sagradas, une Jesus de Nazaré à linhagem
do povo eleito, o qual esperava pelo Messias. Cabe a nós, pois, pensar na
benevolência de Deus, que é a de reconciliar consigo mesmo todas as coisas.
Vemos que, por meio de simples e humilde carpinteiro de Nazaré, se realiza a
profecia anunciada a Davi: “Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre
diante de mim, e teu trono será firme para sempre” (cf. 2 Sm 7, 16), no sol da justiça,
mistério oriundo do seio sagrado da Virgem Maria. Amém!
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
11 de março de 2022
O interesse do Ocidente
Pe. Geovane Saraiva*
O que se evidencia na elevada atrocidade emocional e na cristalinidade de uma imprensa ocidental tendenciosa e parcial, como asseverou o Pe. José Alves dos Santos, o Dr. Enoque: “Pode-se dizer que essa guerra entre Rússia e Ucrânia tem sua principal motivação nos Estados Unidos da América, que quer a Ucrânia fazendo parte da OTAN, e isso tem impactado o Governo Russo. Essa aliança da Ucrânia com os americanos via OTAN enfraqueceria e ameaçaria a Rússia, ficando à mercê dos interesses do Ocidente, principalmente dos Estados Unidos da América. A situação se complica, porque a cobertura jornalística só apresenta uma parte da história, ou seja: os russos são os únicos vilões. Eles não abrem mão do seu maior objetivo: impedir que a Ucrânia se alie à OTAN. Vale ressaltar, que apesar dos motivos causadores dessa guerra nos seus bastidores, não se justifica a morte de tantos civis indiscriminadamente, isso é reprovável e abominável".
O que transparece é uma Europa telespectadora e bastante impotente, não desejando enfrentar e duelar com a Rússia, na mesma altura – igual e equitativamente –, mesmo assistindo sua parceira, Ucrânia, dentro do fogo demolidor e devastador. A única saída parece consistir na repercussão e no efeito da grande parcialidade da mídia. Fica patente que o prejuízo é incalculável para a Europa, na sua dependência da Rússia, olhando-a, estruturalmente empoderada, como a maior potência energética do planeta: no gás, no petróleo, no carvão e no níquel.
O respaldo chinês à Rússia causa inconformidade fugaz e mortífera aos Estados Unidos, propulsor e fomentador-mor da OTAN, embora a OTAN esteja mais sólida, mas estremecida, num imperdoável equívoco bloco ocidental, com a aproximação de Rússia e China, unidas de modo ininterrupto e permanente.
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
9 de março de 2022
MULHER
5 de março de 2022
O caminho do Páscoa
Pe. Geovane Saraiva*
Alimentados e envolvidos pelo Senhor Jesus, no sonho desafiador de um humanismo novo e solidário, que o sagrado tempo da Quaresma seja de bênçãos e graças, no esforço da construção do dom maior do amor, pela cultura do diálogo, na esperançosa peregrinação pelo nosso deserto do dia a dia, rumo à montanha sagrada. Gravemos na mente e no coração a sua extraordinária força simbólica, como um tempo favorável na caminhada do povo de Deus. Quaresma, na verdade, expressa um tempo santo e abençoado (dias, noites e anos), em que Deus quer se revelar e se manifestar em toda a sua plenitude, e quer uma única coisa dos cristãos: a conversão, a começar pelo interior do coração.
Só mesmo na certeza de que Deus quer nossa conversão interior, respondamos, não só com súplicas e louvores, mas, sobretudo, com o coração aberto aos sinais de Deus. É na adesão pelo essencial, invisível aos nossos olhos, que somos chamados a um profundo mergulho no mistério de Deus, neste tempo precioso da Quaresma. Voltemo-nos ao mistério do invisível e do essencial, como nas palavras de Dom Helder Câmara: "Que eu aprenda afinal, com a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cobrir de véus o acidental e efêmero, deixando em primeiro plano apenas o Mistério da Redenção”. Assim seja!
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor, poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
1 de março de 2022
Igreja: paz e reconciliação
Pe. Geovane Saraiva* Foto: arquivo/Geovane Saraiva
Imaginava-se uma guerra mundial
muito mais distante, mesmo com a devastação das florestas, o aquecimento ou
elevação da temperatura no globo, tendo como consequência o poder destrutivo e
arrasador dos oceanos, no bombardeio químico, pela pulverização das áreas
terrestres, na depreciação da natureza em todo o planeta. Que não se esqueça
nunca dos contínuos bombardeios, numa lista bem extensa de países soberanos,
sendo patrocinados, evidentemente, pela OTAN e seu responsável maior, os
Estados Unidos, transparecendo até muito chique e natural: tudo muito
longínquo.
Agora, com a guerra entre Rússia
e Ucrânia, como se diz na gíria, o “bicho pegou”, mas que pela palavra do
teólogo Leonardo Boff possa se pensar ou refletir: “Nem chorar nem rir, mas
procurar entender”. Com a dissolução da União Soviética, Gorbachev havia feito
um acordo: o Ocidente desmantelaria a OTAN e a Rússia, o Pacto de Varsóvia. A
Rússia fez o combinado e o Ocidente não observou. Depois fez-se outro acordo:
que a OTAN não daria nenhum passo além. Muitos passos, em desacordo, foram
dados.
Convém não se distanciar da
Igreja, na busca da concórdia e da paz para os povos, como lugar de encontro de
todos com o Pai, em Jesus de Nazaré. São Pedro exprime, de modo muito claro e
sugestivo, esse processo: “A Ele (Jesus) haveis de achegar-vos, como à pedra
viva rejeitada pelos homens, porém escolhida, preciosa diante de Deus e vós
mesmos; como pedras vivas, sede edificados em casa espiritual e sacerdócio
santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus
Cristo” (1 Pd 2, 4). Na fidelidade a Deus, a Igreja jamais pode perder de vista
seu compromisso no mundo, como instrumento de reconciliação e de paz. Assim
seja!
*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, jornalista, escritor,
poeta e integrante da academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).




