28 de outubro de 2014

O título Dom Helder Câmara: Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos


Brasília/DF – No momento em que os 50 anos do início da ditadura no Brasil são recapitulados e discutidos por todo país, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), deu entrada na mesa da Câmara dos Deputados de um Projeto de Lei que outorga a Dom Helder Câmara, o título de Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos, por suas ações durante o regime ditatorial (1964-1985). Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, sendo o único brasileiro indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.
Dom Helder (Fortaleza, 7 de fevereiro de 1909 - Recife, 27 de agosto de 1999) foi bispo da igreja Católica, arcebispo emérito de Olinda e Recife e um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, um dos grandes defensores dos direitos humanos no país, e cuja atuação foi destacada durante o período do regime da ditadura brasileira (1964-1985).
  
Ele estabeleceu uma frente de resistência ao regime militar, tornando-se um dos líderes contra o autoritarismo e em favor dos direitos humanos. Não hesitou em utilizar todos os meios de comunicação para denunciar as injustiças e pregava tanto no Brasil e no exterior uma fé cristã comprometida com os anseios dos mais carentes.
Por sua atuação social e política, foi perseguido pelos militares, sendo acusado de comunismo, sendo chamado de "Arcebispo Vermelho". Seu acesso aos meios de comunicação foi vedado após a decretação do AI-5, sendo proibida inclusive qualquer referência a ele pela mídia. Foi adepto e promotor do movimento de não-violência ativa.
“Nada mais natural que Dom Helder, seja reconhecido por sua grande contribuição para a resistência ao regime ditatorial e para a redemocratização do país”, afirmou o deputado paraense. Segundo o Projeto apresentado por Jordy, “Dom Helder era mais que uma liderança religiosa, era referência na luta pela paz e pela justiça social”.

Títulos
Seu primeiro título veio em 1969, de doutor honoris causa pela Universidade de Saint Louis, Estados Unidos. Este mesmo título foi-lhe conferido por diversas universidades brasileiras e estrangeiras: Bélgica, Suíça, Alemanha, Países Baixos,Itália, Canadá,e Estados Unidos. Foi intitulado Cidadão Honorário de 28 cidades brasileiras e da cidade de São Nicolau na Suíça e Rocamadour, na França. Ele recebeu ainda o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, totalizando 32 títulos.
    
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
     
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Punição não é caminho para a paz, adverte o papa

28/10/2014  |  domtotal.com

Francisco lembra, de forma perspicaz, que o desejo de criar a paz através da punição leva à busca de mais alvos.

Por Andrew Hamilton*

Dois observadores romanos da vida pública - o moralista Tácito e o objetivo Agostinho - comentaram sobre o contraste entre as intenções elevadas que levam as pessoas a agir de forma punitiva e as consequências destrutivas de suas ações.

Agostinho observou que todas as guerras são travadas a partir de um desejo de paz. Tácito disse, sarcasticamente, que onde as pessoas constroem um deserto, elas chamam isso de paz.

A verdade dessas percepções pode ser verificada com as guerras travadas atualmente. Mas também é evidente em outras áreas da vida, especialmente no sistema penal. Em um discurso para a Associação Internacional de Direito Penal, na última quinta-feira (23), o papa Francisco centrou-se na dinâmica da punição na sociedade contemporânea.

Ao longo das últimas décadas, a convicção que se espalhou é a de que os problemas sociais mais díspares podem ser resolvidos através da punição pública, como se o mesmo medicamento pode ser prescrito para as mais diversas doenças. Isto não é sobre a confiança de que a punição pública irá desempenhar o papel tradicionalmente atribuído a ela, mas sim a crença de que benefícios, os quais realmente exigem a implementação de um outro tipo de política social ou econômica e de inclusão social, podem ser obtidos através de tal punição.

Na Austrália, essa convicção está consagrada na ideia de uma guerra contra o crime travada com as armas da criminalização e do encarceramento. Podemos vê-la na imposição de penas mais pesadas, a remoção da discricionariedade judicial e da flexibilidade para decidir sentenças apropriadas, o preconceito contra a concessão de fiança e liberdade condicional. Ela também é vista na criminalização de uma ampla gama de comportamentos na legislação terrorista. O pressuposto é que a possibilidade de prisão e a imposição de pesadas penas irão dissuadir as pessoas de ofender e dessa forma tornar a comunidade mais segura. Isso incentivará as pessoas a assumir a responsabilidade por suas ações, e a paz civil prevalecerá.

O senso comum sugere que esses meios de produzir a paz e a segurança serão mais propensos a construir um deserto do que a paz. Quando as pessoas, condenadas a dez anos de prisão por um crime com muitas circunstâncias atenuantes, veem que elas receberam a mesma sentença que outras que agiram com plena consideração, elas provavelmente sairão da prisão amarguradas contra a sociedade. E elas terão perdido as relações e as conexões que as impediriam de reincidir no crime. Com a enorme expansão das prisões necessárias para manter os condenados, consequentemente, menos recursos estarão disponíveis para os programas que tratam as razões pelas quais as pessoas acabam caindo no sistema judicial.

A mesma dinâmica pode ser vista na guerra contra o terrorismo e na guerra contra os requerentes de asilo. Os meios utilizados para processar a guerra ameaçam envenenar a paz que eles estão destinados a alcançar.

O papa Francisco adverte, de forma perspicaz, que o desejo de criar a paz através da punição leva à busca de mais alvos.

E não apenas bodes expiatórios são procurados para pagar com sua liberdade e sua vida por todos os males sociais, como era típico em sociedades primitivas, mas, além disso, por vezes, há a tendência de construir inimigos deliberadamente: figuras estereotipadas, que concentram em si todas as características que a sociedade percebe ou interpreta como ameaçadoras. Os mecanismos de formação dessas imagens são os mesmos que uma vez possibilitaram a disseminação de ideias racistas.

Aqueles que jogam o jogo da guerra o fazem com altos riscos. Mas o melhor caminho para a paz e a segurança não é fazer guerra contra as pessoas, mas ter curiosidade sobre elas - o que as torna seguras, o que as leva a fazer atos criminosos, como podemos intervir para ajudá-las a fazer boas conexões com a sociedade e como podemos impedi-las de retornar à prisão. Reflexão e cuidados são sempre melhores do que a guerra.
Eureka Street, 26-10-2014.
*Andrew Hamilton é padre jesuíta. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Como é um processo de nulidade matrimonial?

28/10/2014  |  domtotal.com

Será que a nulidade matrimonial é um 'divórcio aprovado pela Igreja'?
Os trabalhos do sínodo extraordinário dos bispos 2014 geraram todo tipo de especulações, comentários e rumores sobre a família e o casamento. Entre os temas tratados pelos padres sinodais e mais mencionados pela imprensa, ocupa um lugar notável a necessidade de tornar mais acessível e ágil o processo de nulidade matrimonial.

 Vale a pena recordar que este não é um tema novo, pois já em 27 de agosto, o papa Francisco instituiu uma comissão para o estudo da simplificação do procedimento de nulidade matrimonial. No entanto, ainda não há nada estabelecido e, para obter os resultados, teremos de esperar que tal comissão apresente propostas concretas.

Enquanto esperamos, gostaríamos de dar a conhecer algumas linhas gerais do processo de nulidade matrimonial segundo a legislação vigente da Igreja Católica.

O processo de nulidade matrimonial vigente

1. o primeiro aspecto que precisamos levar em consideração é que a nulidade não é um “divórcio eclesiástico”, mas um “julgamento” em sentido estrito, cuja finalidade é declarar nulo um sacramento entre os batizados (c. 1671) que, desde a sua origem, não foi válido de acordo com as causas estabelecidas no Código de Direito Canônico (CDC).

2. Quem julga e onde acontece um processo de nulidade matrimonial? O bispo da diocese é quem tem a potestade judicial entre seus fiéis e a exerce por meio dos tribunais eclesiásticos – concretamente, por meio do vigário judicial e dos juízes. Neste sentido, o lugar onde se tramita a nulidade é o tribunal eclesiástico. Vale a pena esclarecer que são 4 os tribunais que gozam de potestade para declarar a nulidade de um matrimônio: o do lugar em que se celebrou o matrimônio; o do lugar em que mora o cônjuge “demandado”; o do lugar onde mora o cônjuge que inicia a demanda de nulidade; e o do lugar em que existe a maior quantidade de provas (c. 1673 y DC 10).

3. Por quais instâncias passa o processo e quanto tempo dura? O juízo de nulidade matrimonial conclui com uma sentença que pode ser afirmativa (o matrimônio é nulo) ou negativa (o matrimônio é válido). A sentença é o resultado do julgamento realizado por um tribunal chamado de “primeira instância”, que, ao ditar tal sentença, a transmite a outro tribunal, chamado de “apelação”, que é o responsável por confirmar ou não a sentença (c. 1682). Os processos de nulidade costumam durar 1 ano na primeira instância e 6 meses no tribunal de apelação.

 4. Como se inicia ou se pede um processo de nulidade matrimonial? Para iniciar um processo, é necessário apresentar um “escrito de demanda”, no qual se especifica: diante de que tribunal se introduz a demanda; o que se pede e contra quem; os dados e o domicílio do demandante e do demandado; os fatos que justificam a demanda. Também há outros requisitos e a maioria dos tribunais tem um “manual de instruções” que facilita a redação de tal escrito (c. 1504).

5. Em que se fundamenta a decisão dos juízes ao declarar válido ou nulo um matrimônio? O CDC (c. 1608) pede que, para que os juízes possam declarar um matrimônio nulo, é preciso ter “certeza moral”, que se desprende das provas apresentadas ao juiz (as declarações das partes, as declarações de algumas testemunhas, alguns documentos e inclusive alguns exames psicológicos que podem ser pedidos pelo juiz).

6. O processo de nulidade matrimonial tem um custo? Sim, como indica o CDC (c. 1649) e que se destina aos gastos do processo: pagamento da equipe do tribunal, dos peritos, correio, telefone, gastos de escritório etc. As pessoas que se encontram em uma situação econômica precária podem obter a redução dos custos processuais.

7. Dúvidas e consultas: se uma pessoa tem argumentos válidos para suspeitar da nulidade do seu casamento, pode pedir uma entrevista, totalmente gratuita, aos tribunais eclesiásticos. Em casos de dúvidas ou para saber mais sobre o processo de nulidade, pode procurar o tribunal mais próximo.
SIR/Siame

Existe diferença entre santos e beatos?

28/10/2014  |  domtotal.com

Não são reconhecidas como santas todas as pessoas acolhidas no Céu?

Beato Charles de Foucauld
Por Toscana Oggi

são José de Anchieta
Aprender a distinção que a Igreja faz entre beatificação e santificação me parece útil. Um beato, reconhecido oficialmente como tal, não é santo? Da mesma forma como também são santos todos aqueles não reconhecidos que, após a morte, são acolhidos no Céu?

Confira a resposta do padre Valerio Mauro, professor de Teologia Sacramental:

Uma tradicional divisão da comunhão dos santos, que constitui a Igreja como povo de Deus, distingue a Igreja peregrina, a nossa condição na história, daquela gloriosa, os santos no céu, e daquela em um estado de purificação, os defuntos pelos quais rezamos.

Quando a Igreja reconhece a santidade de uma pessoa, existe uma mudança precisa: a nossa relação com aquele cristão passa de uma oração para ele(a), em seu favor, a um pedido de oração voltado para ele ou para ela. Certamente o convite à oração recíproca tem valores para todos, como nos lembra o apóstolo Tiago: "rezem uns pelos outros" (Tg 5,16). Precisamos da oração dos irmãos na fé durante o nosso caminho em direção ao Reino de Deus ou pela nossa última purificação.
Os santos e beatos intercedem por nós enquanto da parte deles estão em comunhão definitiva com Deus, na espera da manifestação do Senhor Jesus Cristo quando retornará na glória da ressurreição dos mortos. A tradição ortodoxa expressa bem esta passagem com uma liturgia formal, dita glorificação e distinta em duas partes: a primeira se desenvolve pela última vez uma oração em favor do defunto, passando pela primeira vez a uma liturgia na qual se dirigem orações oficiais ao novo santo. No dia seguinte é celebrada pela primeira vez uma missa durante a qual o santo é nomeado como tal, pela graça e a glória de Deus.

O culto dos santos, portanto, pertence aos modos com os quais a Igreja manifesta a sua fé através da oração, pessoal e comunitária. Cada expressão histórica da vida eclesial viveu mudanças e modificações no curso dos tempos. As primeiras atenções de uma oração pública voltada aos santos são aquelas para com os mártires, ligados a uma comunidade particular. Pensemos nos santos tradicionais como Lúcia, Ágata, Cecília ou os apóstolos, dos quais o martírio em uma cidade deu lugar a um culto precioso. De maneira singular a morte dos santos Pedro e Paulo em Roma decidiu pelo papel eclesial único do bispo daquela cidade. De maneira paralela o culto para com a Virgem Maria se liga à manifestação particular neste ou naquele lugar. Em síntese, o culto aos santos nasce ligado a um lugar, a uma comunidade local. Somente com o tempo se estende a outras comunidades. Os primeiros santos não mártires dos quais se conhece um culto são Antônio, padre do monaquismo, e Martinho de Tours, o primeiro santo não mártir do qual temos um ofício litúrgico.

O culto público a um santo ou uma santa era confiado à aclamação popular ou a uma decisão episcopal: momento decisivo era a trasladação do corpo a um altar, que se tornava o centro do culto a ele voltado. No tempo Medieval a Igreja começa a regular, de maneira formal e universal, o reconhecimento de um culto litúrgico para os santos. Estamos em período de crescente autoridade do Papa na Igreja e assistimos a várias intervenções dos pontífices. No século XIII, Gregório IX reservou as canonizações ao ministério do Papa, instituindo o processo para o reconhecimento da santidade de um cristão (Francisco de Assis foi o primeiro pelo qual se desenvolveu uma investigação através de testemunhos sobre sua vida e seus milagres). Em 1588, Sisto V, fundou a Sagrada Congregação dos Ritos, encarregando-a de examinar as várias candidaturas ao culto público. Com Urbano VIII e Bento XIV se elaboram normas ainda mais precisas, definindo a distinção entre beato e santos: o beato goza somente de um culto público local, o santo é proposto ao culto da Igreja Universal.

A distinção formal entre beato e santo, portanto, não diz da presença deles no Céu, mas da difusão do culto deles em nível de uma Igreja local ou da Igreja Universal. Segundo a teologia católica, desenvolvida no período medieval, na declaração de santidade, ou "canonização", o pontífice se pronuncia pela nossa fé, propondo à Igreja Universal um culto público e legítimo para daquele santo(a). Em 1983, o então Papa João Paulo II emanou novas normas, reorganizando o processo através do qual um cristão pode ser reconhecido digno de um culto público e, desta forma, canonizado (Constituição apostólica Divinus perfectionis magister).

Quando nasce uma devoção popular por uma pessoa, morta em concepção de santidade, abre-se um processo diocesano, através do qual são examinadas suas virtudes heroicas, os seus escritos e a devoção popular. Uma comissão é encarregada de verificar o milagre apresentado para a beatificação e atribuído à intercessão do servo de Deus. Um segundo milagre é pedido para a canonização.

À luz deste breve panorama histórico, podemos responder em síntese à pergunta acima:

A distinção entre beato e santo é historicamente ligada à difusão do seu culto. Nos nossos tempos os termos são muito mais nuances, mesmo em razão das enormes possibilidades de comunicação. Basta pensar no Padre Pio de Pietrelcina, que suscitou ao seu redor uma devoção universal já antes de ser reconhecido beato. Todavia, um sinal litúrgico que poderia ser importante a conservar é a modalidade da proclamação de beato e de santo.

A cerimônia de beatificação pode acontecer na cidade que deu lugar ao culto popular, reservando as cerimônias na Basílica de São Pedro à intervenção pessoal do pontífice, as canonizações para o culto universal. É uma pequena distinção útil, que dá valor à Igreja local onde o santo recebeu a sua formação cristã e deu exemplo de vida evangélica. Enfim, para os inúmeros santos desconhecidos, que no silêncio transcorreram uma vida cristã cheia de conversão e fidelidade plena ao Evangelho de Cristo, a Igreja conhece a festa de primeiro de novembro, na qual honra todos os santos e não por acaso esta festa precede a lembrança litúrgica dos nossos defuntos, dia dois de novembro.

Voltamos, assim, ao sentido profundo do culto dos santos e dos beatos, acenado ao início do nosso discurso: na comunhão eclesial que se manifesta através da oração, sobretudo a oração litúrgica, os santos são aqueles companheiros nossos de viagem com os quais passamos da oração de intercessão feita por eles à oração voltada a eles, para que intercedam junto ao Senhor por nós.
SIR

São Judas e São Simão: amigos íntimos de Jesus

28/10/2014  |  domtotal.com

Segundo a tradição, São Simão foi serrado ao meio e São Judas Tadeu decapitado com um machado.

Os personagens que celebramos hoje fazem parte do grupo de amigos mais íntimos do Senhor Jesus, o grupo dos Apóstolos. Esses 12 homens que seguiram a Jesus mais de perto são uma figura da Igreja primitiva, na qual pessoas com diferentes personalidades conviviam unidas em torno a Jesus.

Sabemos muito pouco sobre São Judas Tadeu e São Simão, o zelote. Seus nomes aparecem sempre juntos nas listas dos 12 apóstolos e segundo uma antiga tradição os dois foram sempre juntos pregando a Palavra de Deus por toda parte. Por isso a Igreja recorda esses dois santos no mesmo dia.

Que são Simão seja denominado zelote significa provavelmente que era muito zeloso pela identidade judaica, talvez chegando a pertencer a um grupo nacionalista de Zelotes. Em todo caso podemos pensar nele como uma pessoa que possui um zelo, um amor particular a Deus e a lei dos Judeus. Ao contrário, por exemplo, de Mateus, que era publicano, uma atividade considerada impura pelos judeus mais rigorosos. Como esses dois podiam estar juntos no mesmo grupo? Somente se estivessem unidos em algo superior a eles dois, como de fato o era Jesus.

São Judas Tadeu é autor de uma das cartas do novo testamento. É uma carta dirigida não a uma comunidade específica mas “aos que foram chamados por Deus Pai e guardados em Jesus Cristo...” Por essa universalidade do destinatário, sua carta faz parte das cartas católicas do novo testamento. Nessa carta ele ataca aos agnósticos e diz que os que têm fé mas não fazem obras boas são como nuvens que não têm água, árvores sem fruto, e ondas só de espumas, e que os que se dedicam aos pecados de impureza e a fazer atos contrários à natureza sofrerão a pena de um fogo eterno.

Apesar da pouca informação que possuímos de São Judas, ele é um dos santos mais venerados da Igreja Católica, popularmente conhecido como o Santo das causas impossíveis. Muitas graças lhe são atribuídas em todo o mundo. Isso é uma lição para cada um de nós. A santidade não se mede pela quantidade de coisas grandes que possamos fazer para que outros vejam e conheçam. A grandeza dos nossos atos está na quantidade de amor que colocamos em cada um deles. Talvez façamos coisas grandes, talvez não, mas, como diz São Paulo, se não nessas coisas não tenho a caridade, de nada serve.

Segundo a antiga tradição, a São Simão foi morto serrado ao meio, e São Judas Tadeu tendo a cabeça cortada com um machado, por isso São Simão é pintado com uma serra e São Judas Tadeu com um machado na mão.

Sempre me chamou a atenção nas estátuas e imagens dos apóstolos os objetos com os quais eles são representados. O instrumento do martírio de cada um deles se transforma de alguma maneira em algo positivo, de maneira semelhante ao que acontece com a Cruz de Jesus. A Cruz, sem Jesus, é um objeto de tortura, horrível. Com Jesus, ela ganha um sentido que transcende o negativo. Ela passa a ser um instrumento da salvação de toda a humanidade e de glorificação de Deus.

Talvez nós não seremos martirizados, mas com certeza possuímos nossas cruzes cotidianas. Elas são os objetos que podem fazer de cada um de nós mártires da vida cotidiana, sofrendo por amor, junto à Jesus, nos assemelhamos aos apóstolos que entregaram sua vida até o derramamento do sangue.

Que hoje possamos olhar para esses dois Santos Apóstolos, amigos íntimos de Jesus e pedir que cresça em cada um de nós o desejo de sermos cada vez mais amigos de Deus. Que cada dia nos esforcemos por amar um pouquinho mais como Jesus e seus apóstolos amaram.
A12, 28-10-2014.

Papa diz que Big Bang e Teoria da Evolução não contradizem a lei cristã

terça-feira, 28 de outubro de 2014

 28/10/2014 09h40

Francisco ainda criticou interpretação errada do Gênesis: 'Deus não é mago'.

Declarações foram feitas à Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano.

Do G1, em São Paulo
Papa Francisco fez declarações sobre a ciência durante inauguração de busto em homenagem ao Papa Emérito Bento XVI (Foto: Osservatore Romano/Reuters)Papa Francisco fez declarações sobre a ciência durante inauguração de busto em homenagem ao Papa Emérito Bento XVI (Foto: Osservatore Romano/Reuters)
O Papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (27), durante discurso na Pontifícia Academia de Ciências, que a Teoria da Evolução e o Big Bang são reais e criticou a interpretação das pessoas que leem o Gênesis, livro da Bíblia, achando que Deus "tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas".
Segundo ele, a criação do mundo "não é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo que cria por amor". "O Big Bang não contradiz a intervenção criadora, mas a exige", disse o pontífice na inauguração de um busto de bronze em homenagem ao Papa Emérito Bento XVI.
Ele acrescentou dizendo que a "evolução da natureza não é incompatível com a noção de criação, pois exige a criação de seres que evoluem".
O Papa criticou que quando as pessoas leem o livro do Gênesis, sobre como foi a origem do mundo, pensam que Deus tenha agido como um mago. "Mas não é assim", explica.
Segundo Francisco, o homem foi criado com uma característica especial – a liberdade – e recebe a incumbência de proteger a criação, mas quando a liberdade se torna autonomia, destrói a criação e homem assume o lugar do criador.
"Ao cientista, portanto, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou uma classe de privilegiados", concluiu o pontífice.

Combate a preconceito contra nordestinos precisa começar em casa e na escola

por Andrea Ramal*

A onda de comentários ofensivos contra os nordestinos que se alastrou nas redes sociais logo após o resultado das eleições revela que o país não está dividido somente pela opção política, mas também por um preconceito latente, pronto para explodir diante da primeira oportunidade.

O que surpreende é que as redes sociais, embora sejam frequentadas por pessoas de todas as idades, são o espaço privilegiado dos jovens. Como então sonhar com mudanças, se uma parte importante da juventude, em vez de ousar e ir contra a corrente, apresenta a mais conservadora e grosseira das atitudes?

De onde vem tal preconceito, a estas alturas? Os caminhos que explicam são muitos e um deles passa pela educação recebida, tanto em casa como na escola.

Muitas vezes, até sem perceber, os pais podem ensinar atitudes preconceituosas às crianças menores. Quando, por exemplo, se referem a alguém pejorativamente como “aquele paraíba”, “o cabeça chata”, “o ceará”. Somados a outros adjetivos e comparações que a família possa empregar no cotidiano (“todo baiano é preguiçoso”, “o ebola só podia vir da África”, “só não gosto de argentinos”) e pronto, está fértil o terreno para criar uma cabecinha preconceituosa e xenófoba, presa aos estereótipos do século passado.

Mais tarde, na escola, o estudante pode acabar reforçando visões discriminatórias, como por exemplo com as mensagens (mesmo implícitas) dos livros didáticos. Neles, o Nordeste é quase sempre retratado como lugar pobre e de privações, onde se sofre pela seca. Pouca diferença se faz entre um estado e outro, como se o Nordeste fosse um amálgama sem identidades, definido só pelos mapas. O nordestino é descrito, até nas ilustrações, como migrante e retirante. 

Em muitos livros didáticos vi uma imagem similar: o personagem maltrapilho desenhado sob um sol escaldante, a terra cheia de sulcos e aridez, ele com uma trouxinha, acompanhado de uma mulher grávida com outra criança no colo, e uma legenda explicando que “nordestinos partem em busca de melhor destino”.

Um certo livro escolar dá como título ao capítulo que fala do Nordeste “Penando na terra”, com imagens de seca e sertão. Enquanto isso, ao apresentar o Sudeste, o capítulo seguinte traz fotos de cenas urbanas, contextos industriais e desenvolvimento.

Esse discurso reforça uma suposta condição de inferioridade daquele que nasce numa “região-problema”, “afligida” por um fenômeno climático. Sugere passividade das populações e vitimização irremediável.

Nas festas juninas, que são das poucas ocasiões em que a cultura nordestina é trazida para o interior das escolas das demais regiões, as crianças são fantasiadas de um modo que ridiculariza o homem do campo. O “caipira” é caracterizado com a roupa remendada, sem combinar as cores, e lhe faltam dentes, ou dança com as pernas tortas. É a cultura urbana debochando da cultura rural.

Pouco se fala, no currículo escolar, da riqueza e da heterogeneidade da cultura nordestina, com sua música, danças, culinária, arte, manifestações religiosas, as belas festas populares, os grandes nomes da literatura, da política, da dramaturgia, da indústria, da educação, e da tantas outras esferas.

Qual seria o motivo de tanta agressividade nos comentários registrados contra os nordestinos? Talvez – é apenas uma hipótese – o fato de que nesta eleição, os “pequenos” e condenados ao esquecimento hajam tido um papel protagonista, o que colocou em xeque uma noção de hierarquia regional cristalizada por longas gerações.

Cabe a nós, pais e educadores, criar oportunidades para educar numa lógica diferente. Afastar os velhos paradigmas que rotulam regiões e seus habitantes. Estimular um modelo mental que combine mais com o mundo de hoje, das redes e interconexões, em que as pessoas precisam trabalhar em grupos multidisciplinares, aprender com as diferenças e interagir o tempo todo com empatia e respeito.

Cientistas australianos criticam plano para salvar a grande barreira de corais

28/10/2014 06h52

O rascunho do plano do governo é uma resposta à preocupação da Unesco.

Para cientista, projeto não pensa no longo prazo.

Da France Presse
A Grande Barreira de Corais vista de cima (Foto: Flávia Mantovani/G1)A Grande Barreira de Corais vista de cima (Foto: Flávia Mantovani/G1)
Cientistas australianos demonstraram ceticismo nesta terça-feira (28) com o plano do governo do país para salvar a grande barreira de corais.
"A ciência afirma claramente. Os corais estão degradados e a situação está piorando. Este plano não vai restaurar os corais, nem sequer manterá a grande barreira em reduzido nível atual", disse Terry Hughes, da Australian Academy of Science
O rascunho do plano do governo é uma resposta à preocupação da Unesco, que ameaçou incluir a barreira de corais na lista de patrimônio mundial em perigo.
O ministro do Meio Ambiente, Greg Hunt, afirmou que a proposta equilibra a proteção dos corais com a vida marinha e o desenvolvimento sustentável a longo prazo, mas para os cientistas não leva em consideração o impacto da mudança climática, nem aspectos como a qualidade ruim da água ou o desenvolvimento da pesca.
"O plano parece estar pensado a curto prazo para responder às preocupações da Unesco sobre a inclusão na lista do patrimônio, ao invés de pensar nos desafios a longo prazo para restaurar os corais", disse Hughes.
A grande barreira de corais da Austrália enfrenta as consequências da mudança climática, da má qualidade da água que chega de terra firme, assim como a ameaça das estrelas-do-mar.

Havaianos se preparam para fugir de lava vulcânica

terça-feira, 28 de outubro de 2014

28/10/2014 03h02

Lava do vulcão Kilauea avança 10 m/h e ameaça casas de 4 mil no Havaí.

Área residencial deve ser atingida nesta quarta-feira |(29).

Do G1, em São Paulo
Lava do vulcão Kilauea avança 10 m/h e ameaça casas no Havaí. (Foto: Divulgação / US Geological Survey / Via AFP Photo)Lava do vulcão Kilauea avança 10 m/h e ameaça casas no Havaí. (Foto: Divulgação / US Geological Survey / Via AFP Photo)
Cerca de 4 mil pessoas começam a se preparar, nesta terça-feira (28), para deixar suas casas ameaçadas pelo vulcão Kilauea, no Havaí. Lava expelida pela montanha se aproxima de áreas residências.
O material incandescente avança cerca de 10 metros por hora pela floresta, e pode chegar às casas nesta quarta (29).
As autoridades alertaram os moradores para que estejam prontos para deixar a região a qualquer momento.
O vulcão Kilauea é um dos maiores do mundo e está ativo desde 1983.