30 de abril de 2015

Livro - Voz dos que não têm voz, na Livraria Saraiva - Iguatemi II

Fortaleza - CE
O livro 'Voz dos que não têm voz', do Padre Geovane Saraiva, expõe e elucida, à luz do Evangelho inúmeros gestos de amor do Papa Francisco em prol da humanidade e enaltece nossa sensibilidade e liberdade de sonhar. Muitos seres humanos se encontram às margens da sociedade, são os últimos dos últimos dentro de nossa sociedade. Ao longo desses dois anos de pontificado, o Papa Francisco demonstrou com atitudes concretas seu amor e apreço pelos empobrecidos, os quais ocupam  últimos lugares. Neste livro, com muita habilidade o Padre Geovane destaca e esclarece à luz do Evangelho inúmeros gestos de amor do Santo Padre em favor da humanidade. Sonhar jamais foi proibido e com este livro, 'Voz dos que não têm voz', somos convidados a caminhar na direção do grande sonho de Santo Agostinho, em busca da cidade celestial: "Dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial".
Jardel Silveira, prof. e pesquisador da UFC
VOZ DOS QUE NÃO TÊM VOZ
Saraiva, Geovane
Francisco Geovane Saraiva Costa
RELIGIÃO / CRISTIANISMO
Cód.: 8757567 / 9788561831448 
Por R$ 15,90 

13 de abril de 2015

A Busca por um Coração Pascal

Padre Geovane Saraiva*


Na noite de Páscoa os cristãos recordam as maravilhas de Deus na história da humanidade, ao mesmo tempo em que exultando no Senhor Ressuscitado, renovam e fortalecem a fé e a esperança no nosso Deus, que é essencialmente bom e terno, quando ao passar da morte para a vida, mostra-nos que a tristeza e o desânimo são coisas do passado. A esperança e o otimismo, proclamados pelo Sumo Pontífice, no domingo de Ramos de 2013, foram na intenção de contagiar nossa existência, na certeza de que Jesus vencedor da morte quis se estabelecer para sempre no meio da sua gente querida. “Por que estais procurando entre os mortos àquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” (cf. Lc 24, 5-6).

Páscoa é ir ao encontro da vida, distanciando-se da morte, evidenciada na vitória e no milagre da vida a partir do duro contexto da morte. A Igreja sempre dá uma grande importância à simbologia do fogo, na luz do Círio Pascal, luz que nasce das trevas, sinal do Senhor ressuscitado, da vitória diante da angústia da morte, trata-se do fogo como sinal da presença de Deus no decorrer da história. A luz é a própria vida, pela presença do Cristo Jesus, trazendo vida à criatura humana, no “duelo forte e mais forte, na vida que vence a morte”.

Não podemos jamais esquecer a água como símbolo da vida, porque dela as pessoas renascem no batismo para a vida do mundo (cf. Jo 3, 1-7), levando-nos a compreender que a vida é duradoura e que participamos do ponto mais elevado, não da vida de um herói, mas fomos mergulhados na vida do próprio Filho de Deus, razão pela qual vivemos, constantemente convidados a sonhar com a glória futura, na feliz afirmação do refrão do Salmo responsorial: “Este é o dia que Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”.

A esperança é a grande oportunidade para a criatura humana assumir uma vida nova, uma vida diferente. Na Igreja, “memória”, “presença” e “profecia” são trinômio que só se compreende a partir da Páscoa, tendo o Senhor ressuscitado como o centro, o qual nos encoraja e nos enche de alegria e uma vez conquistada, jamais podemos perdê-la, tendo diante dos olhos, mente e coração o pensamento de Miguel Cervantes: “Quem perde seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo”.

A Páscoa deve ser um processo que se realiza e acontece através do compromisso ético, na ação pastoral, no trabalho, no convívio social e nas mais diferenciadas atividades das pessoas de fé e que acreditam no futuro da humanidade e que “O Cristo, Nossa Páscoa”, com toda sua força, renove e fecunde a face da terra. A liturgia da Páscoa (Vigília Pascal), no dizer de Santo Agostinho, é a “Mãe de todas as celebrações” que, com seus ritos antigos, com toda sua beleza, sua profundidade poética e, ao mesmo tempo profética, deve nos estimular e desafiar. Ficarmos só no rito, seria muito triste ao coração de Deus.

A Páscoa quer ser também um grito, um clamor, um anúncio e a proclamação, numa só fé, da busca de um mundo novo que tem seu início na esperança e no amor de Deus, exigindo da pessoa humana realização de vida. Quando teremos uma Igreja verdadeiramente marcada pela esperança, com um rosto pascal? Somos desafiados a construir esta Igreja, associados ao Papa Francisco, pela força e graça, que nasce da Páscoa.

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE - geovanesaraiva@gmail.com

7 de abril de 2015

A Páscoa de todos os homens

  domtotal.com

É dia de celebrarmos a festa da Salvação conquistada por Cristo para todos nós.

Por Dom Gil Antônio Moreira*
Acabamos de celebrar, na Semana Santa, os sublimes mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Abre-se agora tempo novo das alegrias pascais.
Celebrar não significa somente recordar, rememorar, mas sim vivenciar profundamente, pois, na verdade, o mistério da Páscoa acontece a cada vez que nos reunimos no memorial de Jesus que deu sua vida por nós, envolvendo-nos em sua Salvação, através da santa liturgia.
Celebrar bem este tempo é ser capaz de unir-se misticamente a Cristo em todos os seus passos a fim de, com ele, morrermos para os nossos pecados e, com ele, ressurgirmos para uma vida nova. Santo André de Creta, no século 8º, conclamava a sua comunidade, ao iniciar este tempo santo, com os seguintes termos: Vinde, subamos juntos ao monte das oliveiras e corramos ao encontro de Cristo que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa paixão, a fim de realizar o mistério de nossa Salvação”.
São Gregório Nazianzeno, bispo de século 4º, ensinava aos seus fiéis a forma mais prática de participar destes santos mistérios, dizendo: Imolemo-nos a Deus, ou melhor, ofereçamo-nos a Ele cada dia, com todas as nossas ações. Façamos o que nos sugerem as palavras: imitemos com nossos sofrimentos a Paixão de Cristo, honremos com nosso sangue o seu sangue, e subamos corajosamente à sua cruz.
Na busca de fazer o povo entender bem o que significa isto e na esperança de que os mistérios não sejam somente recordados como algo do passado, São Gregório, continua a exortar: Se és Simão Cirineu, toma a cruz e segue a Cristo. Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus...Preso à tua cruz, aprende a tirar proveito até da tua própria iniqüidade...entra com Jesus no Paraíso. Prossegue o santo bispo a indicar as pessoas de José de Arimatéia, de Nicodemos, de Maria e de outras figuras bíblicas como protótipos de união com Cristo, para que vivenciemos fortemente os santos mistérios desta Semana.
Esta união entre nós e Cristo, na verdade foi iniciativa do próprio Cristo, pois ele se colocou em nosso lugar para morrer por nós, pois não merecia morrer, uma vez que era inocente, homem e Deus verdadeiro. Sobre isto nos ensina São Pedro em sua Primeira Carta, capítulo 2: Sobre a cruz, carregou os nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça.
São Basílio Magno, em seu livro sobre o Espírito Santo, nos recorda: A vinda de Cristo na carne, os exemplos de sua vida apresentados pelo evangelho, a paixão, a cruz, o sepultamento e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.
São Militão de Sardes, na sua homilia de Páscoa, no século 2º, dizia: Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac;exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.
Na Semana Maior, a liturgia nos auxilia a estarmos intimamente unidos a Cristo. No Domingo de Ramos nos faz entrar novamente em Jerusalém com ramos de oliveira e reconhecemos, mais que povo de sua época, a realeza de Cristo e cantamos Bendito seja em nome do Senhor o que vem, o rei de Israel! Hosana nas alturas!  Na segunda, terça e quarta-feiras santas caminhamos com o Senhor, passo a passo, nos momentos dolorosos de sua prisão, julgamento e condenação à morte.
Na quinta-feira santa, dia de altíssima significação, quando iniciamos o Tríduo Pascal, entramos com Cristo no cenáculo, para deixar que ele nos dê novamente a lição do serviço, como nos lembrou a Campanha da Fraternidade deste ano: “Eu vim para servir”. Tal lição se expressa plasticamente no lava-pés, depois do qual, com ele ceamos e dele recebemos o grande dom da Eucaristia, seu corpo e sangue que se tornam nosso místico alimento. Maravilhados o contemplemos na instituição do Sacerdócio, fruto de seu imenso amor para com a Igreja, forma de estar e de agir visivelmente entre nós.
Na sexta-feira, subimos com ele o calvário levando as nossas dores e as angústias de todos os sofredores, para experimentarmos, com Jesus, a morte de nossos pecados e de nossas misérias. No silêncio respeitoso, no jejum celebremos sua morte redentora, no sacrifico pascal.
No sábado santo, descemos com ele à mansão dos mortos, para termos condição de, com ele ressuscitarmos para uma vida nova. Guardando ainda o silêncio e recolhimento, deixamo-nos invadir pela expectativa da vitória e celebramos, à noite, a vigília pascal, mãe de todas as vigílias.
Domingo, o “Dia que o Senhor fez para nós”, celebramos, exultantes, a festa da Salvação conquistada por Cristo para todos nós, a Páscoa salvadora da ressurreição.    
Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo sempre!
Feliz e Santa Páscoa, meu caro leitor, a festa da vida!
*Dom Gil Antônio Moreira é arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.

6 de abril de 2015

O triunfo do Servo fiel o obediente

Padre Geovane Saraiva*
Na mensagem de Páscoa (20/04/2014) o Papa Francisco se expressou assim: “Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-o e fê-Lo Senhor da vida e da morte. Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte”. Que a nossa reflexão desta Semana Santa de 2015 tenha por base o Evangelho segundo São João, no supremo gesto revelador do Filho de Deus, na doação, na renúncia e na generosidade: “Jesus levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido” (cf. Jo 13, 4-5). Depois Jesus explicou o gesto: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (cf. Jo 13,15).

E qual é realmente o significado de “pegar uma toalha e lavar os pés?” Jesus, sendo Deus assumiu a forma de servo, isto é, tornou-se pobre e humilde e colocou-se a serviço da humanidade. O Santo Padre nos responde: “Há tanta gente necessitada que lhes 'lavemos os pés'. É bem possível que bem perto tenha gente assim. Pessoas necessitadas que 'lavemos seus pés' ouvindo-as, aceitando-as como são, ajudando-as para que cresçam e não as discriminando. A situação do mundo, imerso em tantos problemas, é prova de que ainda, dois mil anos depois, não somos capazes de  'lavar os pés' dos nossos irmãos. Comungamos o Corpo e o Sangue do Senhor, mas não o transmitimos o suficiente nem aos mais próximos” (17/04/14).

O Augusto Pontífice, nesses dois anos de pontificado, tem sido exaustivo nos exemplos, indicando que nós cristãos (discípulos do Senhor) somos convidados a assumir também uma postura de humildade, no serviço e  no despojamento, colocando-nos ao lado do povo aflito, frágil e sofredor: os pobres, os doentes, os fracos, os presos. Também os que sobram e são excluídos e mesmo nem visto são, numa sociedade hedonista e consumista, que se diz cristã. A humanidade precisa ter clareza e colocar bem diante dos olhos e no coração a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nova Lei: “Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (cf. Jo 13,34).

No consumismo somos desafiados pela lei da concorrência. Quando falta o amor e a amizade, nenhuma lei civil, nenhum ordenamento jurídico é suficiente. Mas quando a velha Igreja se reveste de amor, de um solidarismo profundamente fraterno, então se apresenta nova e fecunda, cheia de graça, concretamente abraçada com a missão de irradiar a Boa Nova da Salvação e jamais  perde de vista os empobrecidos: “Eu vos asseguro: o que fizestes a estes meus irmãos, a mim o fizestes” (cf. Mt 25,40).

Nesta semana santa, eu Pe. Geovane Saraiva, ficarei cingido com uma toalha na liturgia da quinta-feira, para lavar os pés de pessoas de nossa Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório. É claro que vem a pergunta de diversas pessoas: ele estará disposto a ser Cirineu, a ajudar alguém a carregar a Cruz; ou a exemplo de Verônica a enxugar o suor, a aliviar os sofrimentos de inúmeras pessoas? Deus nos dê a graça de mais e melhor compreendermos o insondável mistério do qual somos chamados a participar, sem jamais esquecer de nos colocarmos solidários ao pé da Cruz, identificados com Maria e o discípulo amado. Numa prece fervorosa, peçamos o convencimento de que é só no amor encontramos a explicação plausível do que Deus realizou e realiza sempre por cada um de nós, e por toda a humanidade. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (cf. Jo 15, 13).

Quando na Sexta-Feira da Paixão o sacerdote, presidente da celebração, prostra-se diante do altar, em um inexprimível simbolismo de reverência, humildade e penitência, no início da celebração da Paixão do Senhor, ele quer transmitir um forte e expressivo gesto de amor, que não se explica com palavras e muito menos com a razão. É como diz Dom Helder Câmara: “Que eu possa aprender afinal, cobrir de véus o acidental e efêmero, deixando em primeiro plano, apenas, o mistério da redenção”. Entende-se a partir de uma excelsa mística, identificando-a na importância do silêncio, concentração, meditação e oração, com grandiosa fé diante do mistério, no qual o Filho de Deus se antecipa na glória. Com a escuta atenta da música litúrgica e apropriada para a celebração da paixão do Senhor somos convidados a refletir: “Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos, e espero pela tua salvação”. Assim seja!

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE -geovanesaraiva@gmail.com

DOM HELDER CÂMARA: Santa Sé sinaliza sim e Fortaleza pode ter o seu primeiro santo

05.04.2015

Primeiro passo é reunir a documentação para a beatificação de um dos religiosos mais carismáticos do País


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Em seus 67 anos de sacerdócio, o "Dom", como era chamado, reunia multidões
FOTO: ARQUIVO
Se a persistência transpõe todo obstáculo, a fé e orações podem alcançar graças. E nada mais simbólico do que, em plena Semana Santa, Fortaleza receber a notícia de que um de seus filhos mais queridos, dom Helder Câmara, está mais perto de se tornar santo. Menos de um ano depois do pedido de abertura do processo de beatificação do ex-arcebispo de Olinda e Recife, conhecido como "Irmão dos Pobres", a Cúria Romana emitiu seu primeiro parecer favorável. Com isso, o processo começa.
Essa possibilidade renova as esperanças dos familiares, dos que conviveram com o pastor e de toda a comunidade católica cearense.
"Já não era sem tempo", comemora o bispo emérito de Limoeiro do Norte, dom Edmilson Cruz. Para ele, há merecimento pela importância da obra daquele que foi um dos idealizadores e fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Cruz acredita que toda documentação será reunida rapidamente e que a necessidade de comprovação de milagres não será problema.
Dom Edmilson destaca que o processo de Helder se junta ao de outros cearenses de nascimento e de coração, como Antônio de Almeida Lustosa, Padre Ibiapina, Rosita Paiva, menina Benigna e do Padre Cícero (para a sua reabilitação sacerdotal). "No caso de o 'Dom', como ele é carinhosamente chamado pelos pernambucanos até hoje, terá o olhar especial de nosso papa Francisco", avalia.
Memórias
O menino nascido nas imediações do Passeio Público, indo morar no primeiro ano de vida em um casarão onde hoje funciona o Mercado Central, sempre demonstrou força para a defesa dos mais carentes. Um de seus sobrinhos, o pesquisador Cristiano Câmara, relata que sua casa fica exatamente no antigo quintal do religioso famoso.
"Ele foi para o Rio de Janeiro e, depois, para Recife, muito jovem, aos 27 anos de idade, mas sempre vinha aqui. Uma de minhas lembranças mais fortes é de vê-lo na porta da residência conversando com meu pai, no caso, seu irmão mais velho, Gilberto, que era o conselheiro dele", conta. O imóvel a que o pesquisador se refere ficava na Av. Alberto Nepomuceno, 245 e a sua moradia fica na Rua Baturité, no Centro.
Cristiano afirma que, desde cedo, o tio já demonstrava a preocupação com as injustiças sociais e tinha ideias avançadas para a época. "Eu ia dormir na casa dele e me impressionava com a quantidade de livros. Mesmo morando fora, ele sempre vinha aqui e ficava alegre", frisa.
Não só pelo valor de ter sido a residência de um dos líderes religiosos brasileiros mais carismáticos e proeminentes, como também pela sua relevância histórica, Câmara critica a venda do imóvel. "Esse casarão deveria ser o Museu Dom Helder", destaca o pesquisador.
Um dos mais entusiasmados com o início do processo de beatificação é o padre Geovane Saraiva, da paróquia Santo Afonso, na Parquelândia.
Autor de três livros sobre o ex-arcebispo de Recife e Olinda, aposta até na possibilidade da dispensa pelo papa da comprovação de milagres, com fez com João XXIII. "Pelo conceito elevado que ele tem e tudo que inspira de amor ao próximo e trabalho pastoral dentro da Igreja, acredito sim nessa ideia que não deve ser descartada", declara.
Até porque, segundo o pároco, foram muitos alcançados durante a vida. "Além disso, fundou o Banco da Previdência para ajudar pessoas na faixa da miséria, que tinham direito à alimentação, atendimento médico, remédios, enxovais para bebê, cursos profissionalizantes", acrescenta.
Caminhos
Padre Geovane explica que, com "Nihil Obstat - nada consta" de Roma, o próximo passo é a autorização dos trâmites em nível diocesano, que depende do posicionamento de outros dicastérios. Em seguida, uma comissão jurídica vai avaliar as "virtudes heroicas" do religioso por meio do estudo de textos publicados em vida e análise dos testemunhos de pessoas que conheceram o "Dom da Paz".
Depois dos estudos, o relator do processo, a ser nomeado pela Congregação para a Causa dos Santos, deverá elaborar um documento denominado "Positio", que é um compêndio das análises realizadas pela comissão. Assim que aprovado, o papa concede o título de Venerável Servo do Senhor. Somente após essas autorizações é que acontece a beatificação.
"Ser beato, ou bem-aventurado, significa representar um modelo de vida para a comunidade e, além disso, ter a capacidade de agir como intermediário entre os cristãos e Deus e isso ele fez muito bem. Isso ninguém pode questionar", ressalta.
Depois, ainda é preciso passar por mais uma fase: a canonização. Para ser proclamado santo, é imprescindível a comprovação de um milagre, que deve ocorrer após sua nomeação como beato. Ele lembra que, além dos cearenses, existem outros processos de beatificação ligados à região Nordeste. Cita o de frei João Pedro de Sexto São João, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas (cuja casa geral fica o bairro de Messejana, em Fortaleza); o da irmã Dulce, de Salvador (BA), cuja beatificação está próxima; e o do conhecido missionário nordestino Frei Damião.
Início
Dom Helder Camara nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, e teve 12 irmãos. Após entrar muito jovem no Seminário da Capital do Ceará, se tornou padre aos 22 anos.
Comandou a Arquidiocese de Olinda e Recife até o dia 10 de abril de 1985, quando - por atingir a idade limite de 75 anos - foi substituído pelo arcebispo dom José Cardoso Sobrinho. Ele morreu em sua casa, no Recife, em 27 de agosto de 1999, devido a uma insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral São Salvador do Mundo, em Olinda.
Pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos, dom Helder recebeu vários prêmios internacionais, como Martin Luther King, nos Estados Unidos, 1970; e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, 1974. O religioso é autor de 22 livros, a maioria ensaios e reflexões sobre o terceiro mundo e a Igreja.

Papa Francisco batizou portuguesa na Vigília Pascal

Na Vigília Pascal na Basílica de S. Pedro, numa liturgia densa de símbolos de purificação e de vida nova como o fogo e a água, o Papa Francisco batizou e crismou dez homens e mulheres de Itália, do Camboja, do Quénia, da Albânia e também de Portugal.
Com efeito, vinda da diocese de Setúbal, Helena Lobato foi batizada pelo Papa Francisco e, dias antes da partida para Roma, falou à reportagem da Agência Ecclesia e confessou algum nervosismo que se foi esmorecendo ao longo do tempo e declarou sentir-se tranquila para a celebração do seu batismo. (RS)

Domingo de Páscoa: Mensagem “Urbi et Orbi” do Papa Francisco

Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - Segue, na íntegra, a Mensagem “Urbi et Orbi” proferida pelo Papa Francisco, neste Domingo de Páscoa (05/04).
Queridos irmãos e irmãs,
Jesus Cristo ressuscitou!
O amor venceu o ódio, a vida venceu a morte, a luz afugentou as trevas! Por nosso amor, Jesus Cristo despojou-Se da sua glória divina; esvaziou-Se a Si próprio, assumiu a forma de servo e humilhou-Se até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e fê-Lo Senhor do universo. Jesus é Senhor!
Com a sua morte e ressurreição, Jesus indica a todos o caminho da vida e da felicidade: este caminho é a humildade, que inclui a humilhação. Esta é a estrada que leva à glória. Somente quem se humilha pode caminhar para as «coisas do alto», para Deus (cf. Col 3, 1-4). O orgulhoso olha «de cima para baixo», o humilde olha «de baixo para cima».
Na manhã de Páscoa, informados pelas mulheres, Pedro e João correram até ao sepulcro e encontraram-no aberto e vazio. Então aproximaram-se e «inclinaram-se» para entrar no sepulcro. Para entrar no mistério, é preciso «inclinar-se», abaixar-se. Somente quem se abaixa compreende a glorificação de Jesus e pode segui-Lo na sua estrada.
A proposta do mundo é impor-se a todo o custo, competir, fazer-se valer… Mas os cristãos, pela graça de Cristo morto e ressuscitado, são os rebentos duma outra humanidade, em que se procura viver ao serviço uns dos outros, ser não arrogantes mas disponíveis e respeitadores.
Isto não é fraqueza, mas verdadeira força! Quem traz dentro de si a força de Deus, o seu amor e a sua justiça, não precisa de usar violência, mas fala e age com a força da verdade, da beleza e do amor.
Do Senhor ressuscitado imploramos a graça de não cedermos ao orgulho que alimenta a violência e as guerras, mas termos a coragem humilde do perdão e da paz. A Jesus vitorioso pedimos que alivie os sofrimentos de tantos irmãos nossos perseguidos por causa do seu nome, bem como de todos aqueles que sofrem injustamente as consequências dos conflitos e das violências em curso.
Pedimos paz, antes de tudo, para a Síria e o Iraque, para que cesse o fragor das armas e se restabeleça a boa convivência entre os diferentes grupos que compõem estes amados países. Que a comunidade internacional não permaneça inerte perante a imensa tragédia humanitária no interior destes países e o drama dos numerosos refugiados.
Imploramos paz para todos os habitantes da Terra Santa. Possa crescer entre israelitas e palestinenses a cultura do encontro e se retome o processo de paz a fim de pôr termo a tantos anos de sofrimentos e divisões.
Suplicamos paz para a Líbia a fim de que cesse o absurdo derramamento de sangue em curso e toda a bárbara violência, e aqueles que têm a peito o destino do país se esforcem por favorecer a reconciliação e construir uma sociedade fraterna que respeite a dignidade da pessoa. E almejamos que, também no Iémen, prevaleça uma vontade comum de pacificação a bem de toda a população.
Ao mesmo tempo, confiamos esperançosos ao Senhor misericordioso o acordo alcançado nestes dias em Lausanne, a fim de que seja um passo definitivo para um mundo mais seguro e fraterno.
Do Senhor Ressuscitado imploramos o dom da paz para a Nigéria, o Sudão do Sul e as várias regiões do Sudão e da República Democrática do Congo. De todas as pessoas de boa vontade se eleve incessante oração por aqueles que perderam a vida – penso de modo particular aos jovens mortos na quinta-feira passada numa Universidade de Garissa, no Quênia -, por quantos foram raptados, por quem teve de abandonar a própria casa e os seus entes queridos.
A Ressurreição do Senhor leve luz à amada Ucrânia, sobretudo àqueles que sofreram as violências do conflito nos últimos meses. Possa o país reencontrar paz e esperança, graças ao empenho de todos as partes interessadas.
Paz e liberdade, pedimos para tantos homens e mulheres, sujeitos a formas novas e antigas de escravidão por parte de indivíduos e organizações criminosas. Paz e liberdade para as vítimas dos traficantes de droga, muitas vezes aliados com os poderes que deveriam defender a paz e a harmonia na família humana. E paz pedimos para este mundo sujeito aos traficantes de armas.
Aos marginalizados, aos encarcerados, aos pobres e aos migrantes que tantas vezes são rejeitados, maltratados e descartados; aos doentes e atribulados; às crianças, especialmente as vítimas de violência; a quantos estão hoje de luto; a todos os homens e mulheres de boa vontade chegue a voz consoladora do Senhor Jesus: «A paz esteja convosco!» (Lc 24, 36). «Não temais! Ressuscitei e estou convosco para sempre!» (cf. Missal Romano, Antífona de Entrada no dia de Páscoa).
Na saudação aos fiéis Francisco disse:
Queridos irmãos e irmãs, 
dirijo minhas felicitações de Feliz Páscoa a todos vocês presentes nesta praça provenientes de vários países, como também a todos aqueles que nos acompanham através dos meios de comunicação. Levem para suas casas e às pessoas que encontrarem o alegre anúncio de que o Senhor da vida ressuscitou, trazendo consigo amor, justiça, respeito e perdão! Obrigado pela sua presença, por sua oração e pelo entusiasmo de sua fé. Obrigado pelas flores que também este ano vieram da Holanda. Feliz Páscoa a todos!