30 de julho de 2014

Do céu estrelado viestes

Padre Geovane Saraiva*


“Ao Senhor eu peço apenas uma coisa e só isso que eu desejo, habitar na sua casa do Senhor, por toda minha vida, para sentir-me maravilhado diante da sua bondade. Ele me guardará no seu templo e me colocará em sua presença” (Sl 27, 4-5). Quando uma pessoa é amada por Deus, leva em si mesmo, uma vontade misteriosa de sair do seu próprio egoísmo e experimentar a alegria de servir e de amar os irmãos e irmãs, tendo na mente e no coração o grande projeto de Deus, o da glória futura. 

Santo Afonso Maria de Ligório viveu deste modo, correspondendo com sua inteligência raríssima e privilegiada e o coração cheio de fé e bondade. Primogênito de uma família numerosa da nobreza italiana da cidade de Nápoles, o qual recebeu uma esmerada educação e formação, no campo das ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música, conseguindo nos seus estudos, rápidos e surpreendentes progressos, tornando-se advogado ainda bem jovem, logo colhendo os frutos no fórum de Nápoles.

No mundo da história das artes temos figuras talentosas, são gênios que influenciaram a humanidade, tais como Dante Alighieri (1265-1321), escritor, poeta e político italiano, considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana; Leonardo da Vinci (1452-1519), inventor, pintor, matemático e físico, figura das mais importantes da Renascença; Michelangelo (1475-1564), pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do Ocidente. É nesse contexto de sábios e gênios que não posso esquecer a figura prodigiosa de Afonso Maria de Ligório, enfatizando sua obra musical mais conhecida, o hino natalino, composto em 1744, intitulado: Tu scendi dalle stelle - Do céu estrelado viestes.

É importante destacar no jovem uma profunda e intensa vida de oração, fazendo a cada  ano o seu retiro espiritual. Por sua inigualável sabedoria, também foi considerado o homem das letras, de tal modo que tudo concorre em Afonso Maria de Ligório, para que o amor de  Deus cresça, desenvolva e se faça dom não só para si, mas para toda humanidade. Ele quer ser feliz, indo ao encontro de Deus, que se revelou e se manifestou, buscando-O no amor pelas pessoas do seu tempo, em especial, os pobres e sofredores.

Em um determinado momento tomou a firme decisão de abandonar a advocacia e dedicar-se à arte de salvar as almas, a “Arte das Artes”.  Estudou Filosofia e Teologia e aos trinta anos foi ordenado sacerdote, vivendo o ministério em profunda coerência com seu lema: “Deus me enviou para evangelizar os pobres”. A partir daí colocou seu rigor intelectual e sua oratória a serviço do reino de Deus, na sua ação vigorosa, como prodigioso escritor, deixando 111 obras publicadas, destacando-se pelo seu tratado de teologia moral, transformando-se num mestre sábio, de uma  importância incomensurável.

Sem deixar de lado o homem de Deus, que pela sua santidade percebeu a realidade dos empobrecidos, logo lhe surgindo a ideia das missões populares, com o objetivo levar a boa nova da salvação aos que viviam na ignorância, longe do conhecimento da fé e das verdades reveladas pelo Senhor Jesus Cristo.  Conhecido também como apóstolo do culto à Eucaristia e à Virgem Maria, conduzindo o povo de Deus à meditação das realidades últimas: morte e juízo, inferno e paraíso. E ainda à vida de oração e à vida sacramental. Imprimiu nas pessoas com quem conviveu a marca indelével do indizível mistério do amor de Deus.

Santo Afonso fundou a Congregação dos Padres Redentoristas em 1732. Eles são numerosos, com presença no mundo inteiro, carregando consigo marca da generosidade, no esforço constante de encarnar o Evangelho, sempre sensíveis aos clamores dos pobres, excluídos e marginalizados da nossa sociedade.  Aqui em Fortaleza, temos a alegria e a graça de contar com o trabalho e a presença valiosa das comunidades redentoristas.

Santo Afonso Maria de Ligório viveu uma longa vida, morrendo com mais de noventa anos de idade (1696- 1787), deixando-nos um enorme legado, compreendido a partir do Deus terno e bom. Como Mestre dos bons costumes, da ética e da moral, pensou e desejou que sua mensagem, herança inestimável e inquestionável, deixada para a humanidade, chegasse, enquanto possível, a todas as pessoas do planeta, através do Evangelho, anunciado pelos seus filhos, os missionários redentoristas, sempre sensíveis ao clamor de uma multidão de pessoas, que pela fé  sonham com a vida em abundância (cf. Jo, 10, 10).

O Senhor colocou nos seus lábios palavras seguras e sábias, deu-lhe o espírito de sabedoria, inteligência e o revestiu de glória (cf. Sl 36, 31-32), através da vida, com todos seus prodígios. Nomeado bispo dos Godos em 1762; já no ano de 1839 foi canonizado; declarado solenemente Doutor da Igreja em 1871; pelo seu jeito de viver, em 1950, tornou-se padroeiro dos moralistas e confessores.  Nós, povo de Deus do bairro Parquelândia, nesta cidade de Fortaleza, somos gratos ao nosso bom Deus, por tê-lo como nosso padroeiro. Deus seja louvado por suas santas criaturas!

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com

29 de julho de 2014

Livro: Francisco, um sinal para o mundo, na Livraria A Diocesana de Cachoeiro de Itapemirim - ES

"Francisco é um milagre da humildade na era da vaidade”

 "Ponte entre a existência terrena e o céu".


Páginas: 112
Editora: Graphcolor
R$ 15 reais
ISBN: 9788561831387
Autor: Pe. Geovane Saraiva
Elton John afirmou que o zelo ardoroso e a maestria do Papa Francisco tiram as pessoas do indiferentismo e da insensibilidade, na força e clareza de suas palavras. Nascidas do interior uma das pessoas mais estimadas e queridas do Planeta: “O Papa Francisco é para a Igreja Católica a melhor notícia dos últimos séculos. Este homem, sozinho, foi capaz de reaproximar as pessoas dos ensinamentos de Cristo (…). Os não católicos como eu levantam-se para aplaudir de pé a humildade de cada um dos seus gestos, porque Francisco é um milagre da humildade na era da vaidade”.
Também como é encantador e edificante, saber que outras pessoas desejam testemunhá-lo, entre as quais, Andrea Bocelli, o cantor que aos doze anos ficou cego por causa de um acidente, ao revelar que, quando ouviu as primeiras palavras do Papa Francisco, sentiu os olhos cheios de lágrimas: “Foi para mim um grande privilégio conhecer pessoalmente o Papa Francisco, inclinar-me diante de uma pessoa como ele, ponte entre a existência terrena e o céu. A sua voz, as suas palavras, aquela doçura inefável da qual é dotado, abundantemente, falaram ao meu coração de um modo grandioso e comovente”.

Fatores que favorecem o avanço da AIDS no Brasil

 
Igreja > 2014-07-29 13:37:54 
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RealAudioMP3 
Cidade do Vaticano (RV) - Continuamos em nosso espaço de saúde a nossa conversa com o assessor Nacional da Pastoral da AIDS, Frei Luís Carlos Lunardi, sobre o aumento, no Brasil, em 2013, do número de novas infecções do vírus HIV. Ele nos fala ainda sobre alguns fatores que favorecem o avanço da epidemia no país.

No Brasil, o número de soropositivos é de 730 mil. Esta é a proporção mais baixa de todos os países lusófonos. Apesar de uma variação no ano passado, em todo o mundo a quantidade de infecções baixou 38% desde 2001.

O Brasil é citado no Relatório Gap, lançado recentemente pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), por ter modificado as diretrizes para o tratamento, permitindo que todos recebam os antirretrovirais independentemente das taxas de infecção.

O Unaids acredita que 47% das pessoas que convivem com o vírus na América Latina morem no Brasil. Cerca de 30% das novas infecções na região são entre pessoas de 15 a 24 anos.

O documento também traz boas notícias no caso de contaminação com o HIV em crianças. Moçambique é um dos oito países, onde as taxas baixaram em 50% ou mais. Os outros países africanos são: Botsuana, Etiópia, Gana, Malauí, Namíbia, África do Sul e Zimbábue.

Frei Luís o que a Pastoral da AIDS tem feito para combater a doença no Brasil? (MJ/Rádio ONU)
Rádio Vaticano 

Católicos brasileiros em Londres: o desafio do anúncio do Evangelho e da formação cristã

Igreja > 2014-07-29 14:06:07 
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RealAudioMP3 Londres (RV) – Anúncio do Evangelho e formação cristã: na capelania brasileira em Londres, a maior da Europa, estes são os principais desafios - desafios de que fala o Papa Francisco em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium:

É necessário reconhecer que, se uma parte do nosso povo batizado não sente a sua pertença à Igreja, isso deve-se também à existência de estruturas com clima pouco acolhedor nalgumas das nossas paróquias e comunidades, ou à atitude burocrática com que se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos nossos povos. Em muitas partes, predomina o aspecto administrativo sobre o pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização.
A capelania brasileira está em fase de transição. Em breve, será administrada pela Comunidade Providência Santíssima. Até lá, o capelão é o Padre Túlio Melo, da Arquidiocese de Porto Alegre (RS). Ele está em Londres há um ano e, inspirado na Exortação Apostólica de Francisco, nos relata as principais dificuldades.

Clique acima para ouvir a reportagem completa.

(BF)
Rádio Vaticano 

Fortaleza: Mês Vocacional na Arquidiocese

A Pastoral Vocacional da Arquidiocese de Fortaleza tem uma vasta programação para esse mês de agosto. Em anexo três CARTAS CIRCULARES: Mês Vocacional, Jornada Vocacional e Missa dos Coroinhas.

As regiões episcopais também têm uma programação especial para o mês de agosto.
  • Despertar Vocacional:pastoralvocacional1
3 de agosto: 7 às 12 h – Região Episcopal Metropolitana Sagrada Família – na Paróquia Nossa Senhora Perpétuo Socorro – Jereissati/Timbó;
- 7 às 12 h - Região Episcopal Praia  - S. Pedro e S. Paulo – na Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Guanacés :
-  14 `às 18 h – Região Episcopal Metropolitana São José – na Paróquia Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (Col. Pe. José Nilson);
- Durante a manhã haverá movimento vocacional na Paróquia S. Francisco de Assis – Dias Macêdo (Salão Paroquial);
8 de agosto: 14-17h – Colégio Santa Cecília
11,12 e 13 de agosto:  Durante a noite, haverá movimento vocacional na Paróquia Nossa Senhora da Assunção – Nova Assunção;
16 de agosto: Encontro com EJC na Paróquia S. Diogo – Cajazeiras;
17 de agosto: 8 às 11h – Região Episcopal Sertão São Francisco das Chagas – Paróquia São Miguel Arcanjo – Itapebussu;
- Durante à tarde,  a partir das 15 h,  haverá movimento vocacional na Paróquia Nossa Senhora de Fátima – Bairro de Fátima;
24 de agosto: Durante à tarde haverá Despertar Vocacional nas Regiões Episcopais Nossa Senhora  da Conceição e Nossa Senhora dos Prazeres. O lugar ainda  será divulgado pelas referidas Regiões.
O subsídio para o Mês Vocacional  pode ser adquirido ao valor de R$2,00 nas Livrarias Paulus e Paulinas  ou com o Coordenador da Pastoral Vocacional (Pe. Rafhael)
Informações: (85) 3290-1045
PASCOM - Arquidiocese de Fortaleza

Milhões fugiram de conflitos religiosos

  domtotal.com

Os ataques de viés religioso não se restringiram ao mundo em desenvolvimento, revelou o relatório.

Por David Brunnstrom

WASHINGTON - Mais membros de comunidades religiosas de todo o mundo foram forçados a abandonar seus lares no ano passado do que em qualquer momento da história recente, disseram os Estados Unidos nesta segunda-feira em seu relatório anual sobre liberdade religiosa.
"Em quase todos os cantos do globo, milhões de cristãos, muçulmanos, hindus e outros, representando uma variedade de credos, foram obrigados a fugir de casa por conta de suas crenças religiosas", informa o relato.
O documento afirma que centenas de milhares de cristãos fugiram dos três anos de guerra civil na Síria, e que na República Centro-Africana a ausência da lei e a violência sectária entre cristãos e muçulmanos resultaram em 700 mortes registradas só em dezembro, além do deslocamento de mais de um milhão de pessoas em 2013.
O relatório ainda ressaltou atos de violência antimuçulmana em Mianmar que levaram à morte de 100 pessoas e à fuga forçada de 12 mil na área da cidade de Meiktila no início de 2013.
Os discursos de incitação ao ódio e o assédio contra muçulmanos continuaram, e a rivalidade entre budistas e muçulmanos muitas vezes foi explorada com fins políticos, diz o levantamento norte-americano.
Também se chamou atenção para a violência sectária no Paquistão, que causou a morte de mais de 400 muçulmanos xiitas e 80 cristãos, e o julgamento de parentes de pessoas que atearam fogo a si mesmas em manifestações religiosas na China.
Os ataques de viés religioso não se restringiram ao mundo em desenvolvimento, revelou o relatório. O antissemitismo em toda a Europa, visto em fóruns da Internet e em estádios de futebol, levou muitos indivíduos judeus a ocultar sua identidade religiosa.
Mas o levantamento também afirmou ter havido situações nas quais pessoas de diferentes crenças trabalharam juntas para se proteger umas às outras.
Um aumento nos ataques a mesquitas na Grã-Bretanha levou um grupo de vigilância de um bairro judeu ortodoxa a ajudar líderes muçulmanos a proteger os edifícios, informou o relatório.
Outros gestos de solidariedade inter-religiosa incluíram muçulmanos ajudando a proteger cristãos formando correntes ao redor de igrejas no Paquistão e ações semelhantes de muçulmanos no Egito.
Reuters

Missas em latim atraem jovens católicos conservadores

 domtotal.com

Pe. Samuel Brandão de Oliveira, MSC
Paróquia são João do Tauape
Fortaleza CE
Manhã de domingo, igreja cheia. Muitos homens vestem trajes formais. Mulheres levam véus sobre os cabelos. O silêncio absoluto é quebrado por um canto gregoriano. O padre passa pelos fiéis a caminho do altar. Sempre de costas para a audiência, dá início à missa em inconfundível latim: In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. A resposta vem em uníssono: Introibo ad altare Dei, ad Deum qui lætificat juventutem meam (Subirei ao altar de Deus, o Deus que alegra minha juventude). A cena evoca imediatamente imagens medievais, mas ocorreu no último dia 13 de julho, no Centro do Rio de Janeiro. Lá, a antiga Sé do Brasil, atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo, sítio da coroação de João VI e Pedro I, é palco para uma das muitas missas tridentinas que se espalham pelo Brasil, numa ressurreição de formas litúrgicas antigas que atrai incontáveis jovens fiéis. O termo Juventutem, aliás, designa um movimento de volta às tradições católicas liderado por pessoas de 16 a 34 anos.
"Descobri a missa há uns anos, é um tesouro. Está claro que tem algo de sagrado aqui. É possível perceber tanto com os ouvidos quanto com os olhos", arrisca o engenheiro Felipe Alves, de 25 anos.
Origens no império romano do ocidente
A missa tridentina, ou rito latino, foi normatizada no Concílio de Trento, em 1570, mas tem bases bem mais antigas, que remontam ao Império Romano do Ocidente, extinto no século V. O conservadorismo, a sobriedade e o extremo recolhimento dos fiéis na cerimônia foram utilizados pela Igreja no século XVI como resposta às reformas protestantes do Norte da Europa que abalaram as estruturas pontifícias.
Nela, o único idioma utilizado é o latim, chamado pelos adeptos de “língua universal da fé”. Enquanto nas missas comuns nos nossos tempos os católicos se ajoelham apenas uma vez, na antiga esse número salta para quase dez, incluindo o momento de receber a hóstia. Há intervalos para a meditação, quando o silêncio chega ao extremo de permitir que se ouça tudo o que se passa do lado de fora da igreja. Durante quase toda a cerimônia o padre permanece de frente para a cruz do altar.
Foram séculos assim, até que o Concílio Vaticano II, na década de 1960, introduziu inúmeras mudanças, o uso da língua local e o padre de frente para os fiéis entre elas. Mas o século XXI vive uma intrigante retomada de tradições conservadoras na Igreja. Em 2007, o agora papa emérito Bento XVI promulgou a carta “Summorum Pontificum”, em que exaltava a volta às tradições e o caráter “excepcional” da missa tridentina. Até então, párocos que quisessem rezar no estilo antigo deveriam pedir permissão direta à Cúria, no Vaticano. Desde então, a escolha passou a caber a cada paróquia.
Para o padre Luís Correa Lima, professor de Teologia da PUC-Rio, o mistério por trás da missa tridentina é o que fascina.
"Tudo nela é meio misterioso. O padre fica de costas, falando em uma língua desconhecida e seguindo uma liturgia extremamente codificada. Mas esse rito encanta por ser algo ancestral e imutável, por evocar a transcendência de Deus. São elementos que fascinam o jovem", opina.
Curiosamente, a introdução da missa moderna e a ressurreição da antiga têm a mesma preocupação: tentar estancar a perda de fiéis da maior designação cristã. Não há números que revelem se a volta ao passado teve algum efeito nesse sentido. Mas é fato que, amparadas pelos jovens católicos conservadores, as missas tridentinas crescem país afora. Em 2007, uma organização independente contabilizou 20 dessas celebrações no território nacional. Agora, cerca de cem ocorrem com regularidade.
"Vivemos numa sociedade muito centrada no indivíduo, na qual se valoriza a autodeterminação e tudo é incerto. Então surgem grupos que evocam o passado, em que tudo estava respondido pelo religioso", analisa o historiador Sérgio Coutinho, presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina (CEHILA).
Ligado à ala progressista da Igreja, Coutinho entende que os fiéis da missa tridentina são conservadores em tudo, inclusive politicamente:
"Eles creem que o Concílio Vaticano II não deveria ter acontecido, pois teria aberto demais a Igreja. Querem uma fuga do mundo, encontrar formas tradicionais de se viver. É como se quisessem que o passado voltasse".
Responsável por rezar a missa tridentina aos domingo na igreja do Centro do Rio, o padre Bruce Judice discorda. Segundo ele, dois dos princípios pregados em sua celebração são o respeito às diferenças e a orientação para que os fiéis não se fechem em círculos católicos isolados.
"Sempre dizemos que este não é o único modo de rezar. Não somos contra o Concílio Vaticano II", esclarece o padre, de 35 anos.
"O que há, sim, é uma sede de espiritualidade entre os jovens. Há quem procure ioga, meditação, natureza... E há quem busque a missa tridentina".
Foi esta última a escolha do adolescente Eduardo Salomão, de 15 anos. Ele aprendeu latim sozinho e quer ser padre. Aos domingos, vai a uma missa tridentina e a outra contemporânea:
"Claramente prefiro a tridentina. Já cheguei a ser tachado de maluco. O rito contemporâneo não é para mim. No antigo, a meditação, o silêncio e a beleza encantam".
Bárbara Soares descobriu o rito pela internet. Foi no quase extinto Orkut que a estudante de Letras conheceu outros jovens adeptos da tradição. Ela ficou tão encantada com as primeiras celebrações que não parou mais de frequentar as missas. Numa delas, conheceu seu marido. Hoje, já casada aos 20 anos, Bárbara vai à igreja com o véu sobre os cabelos e defende a vestimenta:
"Ele mostra a dignidade da mulher, exalta seu caráter sagrado".
Ela segue a linha de centenas de integrantes oficiais do Juventutem no Brasil. Fundado em 2004, na Suíça, o movimento teve um primeiro encontro internacional em 2005, na Alemanha, e, desde então, tem crescido e sido cada vez mais representado nas Jornadas Mundiais da Juventude. Ano passado, milhares deles vieram ao Rio de Janeiro. E, pela internet, muitos se já se articulam para a próxima edição do evento católico, em 2016, na Polônia. Em fóruns internacionais do movimento pela internet são comuns discussões relacionadas à liturgia católica e também a assuntos ligados a direitos civis, com muitos dos seus membros condenando uniões entre pessoas do mesmo sexo e o direito ao aborto, por exemplo.
Ortodoxos mantêm uso de grego e árabe
Engana-se quem pensa que o ritual tridentino é o único dentro do catolicismo que busca a retomada de tradições ancestrais. A poucas quadras da antiga Sé carioca, na paróquia greco-melquita de São Basílio e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em plena Saara, histórico lar dos primeiros imigrantes sírios e libaneses católicos ortodoxos, os idiomas usados em ritos conservadores são o grego e o árabe. A igreja melquista, espremida entre prédios na rua República do Líbano, é o primeiro templo católico oriental do Brasil, fundado em 1941. Apesar de ainda ter forte conexão com a comunidade sírio-libanesa, a missa tem um público crescente de jovens e de pessoas curiosas.
Lá se celebra a missa bizantina, tradição que começou ainda no século V numa região onde onde se estendem parte dos territórios da Turquia, de Israel e da Palestina. Assim como no rito latino, o sacerdote reza de costas para o público. A música, a liturgia e as vestimentas remetem à cultura medieval dos católicos orientais.
"O rito chama a atenção dos jovens, eles se sentem bem pela beleza das orações. Hoje em dia os fieis estão a procurar as tradições em resposta aos tempos tão conturbados em que vivemos. Devemos voltar sempre às origens", diz o monsenhor George Khoury, da paróquia de São Basílio.
O Globo, 28-07-2014.

O São Francisco já é um rio intermitente

28/07/2014 | Roberto Malvezzi (Gogó) *
Embora não tenha cortado totalmente seu fluxo de água, o São Francisco já é praticamente um rio intermitente.
A atual defluência - saída de água rio abaixo - da represa de Três Marias, em Minas Gerais, é de 150 m3 por segundo (sic!). Não se espantem, é essa mijada de gato. Portanto, um fiapo de água para o que já foi o grande rio São Francisco (CBHSF).
Essa realidade é visível a olho nu em municípios como Pirapora. Até a extração de água para abastecimento humano das cidades ribeirinhas já está comprometida. Se formos falar em navegação, pesca, etc., é melhor procurar nas fotografias.
A cidade de Xique-Xique, no médio São Francisco, se abastece de um braço do Velho Chico. Em 40 dias - se o rio não recuperar volume - terá seu abastecimento cortado. A calha central está há mais de trinta quilômetros da cidade. Portanto, Xique-Xique vai conhecer o que é um rio intermitente antes das demais cidades.
Abaixo, em Sobradinho, a defluência está em 1.100 metros cúbicos por segundo. As maiores balsas de transporte de passageiros entre Juazeiro e Petrolina estão encostadas no porto. Não há profundidade para sua navegação.
Gostaria de saber onde andam os políticos, os técnicos, o pessoal do governo que projetou a Transposição e nos diziam com arrogância em todos os debates que a defluência em Sobradinho era - com absoluta segurança - de 1800 metros cúbicos por segundo, portanto, a extração de água para a Transposição seria absolutamente insignificante. Onde será que eles estão?
Em terceiro, abaixo de Xingó, no Baixo São Francisco, a defluência também continua com 1.100 metros cúbicos por segundo, comprometendo até a produção de água para consumo humano e para a bacia leiteira de Alagoas. Sergipanos e alagoanos são os que pagam a conta de toda degradação e irresponsabilidade de quem destrói o São Francisco. Na foz, o mar já adentrou o rio em cerca de 50 quilômetros.
Hoje ainda se fala na Transposição, ela continua na mídia, por muitos considerada ainda como a redenção do Semiárido. Vamos respeitar a ignorância dessa afirmação, afinal o Nordeste e o Semiárido continuam desconhecidos para 90% dos brasileiros, mas vale lembrar que 40% do Semiárido brasileiro estão em território baiano, portanto, longe dos eixos da Transposição.
Quantos ainda falam da Revitalização? Alguém tem alguma notícia?
O São Francisco continua em processo de extinção rápida e fatal. Mesmo assim fala-se em projetos de 100 mil hectares de cana irrigada em Pernambuco, 800 mil hectares de cana irrigada na Bahia, Transposição para outros estados, assim por diante.
Certamente voltará a chover, o rio vai recuperar volume, mas, as secas serão cada vez maiores e mais constantes. A NASA, anos atrás, projetava que o São Francisco seria um rio intermitente em 2060. Realizamos a façanha de antecipar a projeção em mais de 40 anos.
* Roberto Malvezzi (Gogó) é agente da Comissão Pastoral da Terra, Juazeiro, BA.
Fonte: Revista Missões

28/07/2014 | Zenit


Viver e deixar os outros viverem. Compartilhar o domingo em família e brincar com as crianças. Esquecer o negativo e doar-se aos outros. Estes são alguns dos conselhos que o papa Francisco nos dá em seu "decálogo" para sermos felizes, publicado pelo repórter Pablo Calvo em sua entrevista ao pontífice para a revista argentina "Viva".
"Qual é a fórmula da felicidade?", pergunta o jornalista, que depois conta aos leitores: "O papa não foge da pergunta e, nesta resposta pontual e durante o resto da conversa, ensaia uma receita para sermos felizes. Seguem 10 elementos dessa poção que parece inalcançável, mas que Francisco nos convida a tentar", apresenta Pablo Calvo.
1. Viva e deixe viver: "Os romanos têm um ditado que poderíamos tomar como ponto de partida: 'Vá em frente e deixe os outros irem em frente'. Viva e deixe viver, é o primeiro passo da paz e da felicidade".
2. Doar-se aos outros: "Se você estancar, vai correr o risco de ser egoísta. E a água estancada fica logo estragada".
3. Mover-se "remansadamente": "Em ‘Dom Segundo Sombra' há uma coisa muito bonita, de alguém que relê a sua vida. O protagonista. Diz que, quando era jovem, era um arroio pedregoso que arrastava tudo pela frente; quando adulto, era um rio que corria em frente; e na velhice ele se sentia em movimento, mas lentamente, ‘remansado'. Eu utilizaria esta imagem do poeta e novelista Ricardo Güiraldes, esse último adjetivo, ‘remansado'. A capacidade de mover-se com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os idosos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não cuida dos seus idosos não tem futuro".
4. Brincar com as crianças: "O consumismo nos levou a essa ansiedade de perder a cultura sadia do ócio, de ler, de desfrutar da arte. Agora eu atendo pouco em confissão, mas, em Buenos Aires, eu ouvia muitas confissões e quando vinha uma jovem mãe eu perguntava: 'Quantos filhos você tem? Você brinca com eles?'. E era uma pergunta que elas não esperavam, mas eu dizia que brincar com as crianças é fundamental, é uma cultura sadia. É difícil, os pais vão trabalhar cedo e voltam muitas vezes quando os filhos já estão dormindo. É difícil, mas eles têm que brincar".
5. Compartilhar os domingos com a família: "Outro dia, em Campobasso, fui a uma reunião entre o mundo da universidade e o mundo operário. Todos pediam o domingo livre. O domingo é para a família".
6. Ajudar os jovens a conseguir emprego: "Temos que ser criativos com essa faixa etária. Se faltam oportunidades, eles caem na droga. E está muito alto o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia eu li, mas não confio porque não é um dado científico, que havia 75 milhões de jovens de até 25 anos desempregados. Não basta dar comida para eles: tem que inventar cursos de um ano de encanador, eletricista, costureiro. É a dignidade que dá o pão para casa".
7. Cuidar da natureza: "Temos que cuidar da criação e não estamos fazendo isso. É um dos maiores desafios que nós temos".
8. Esquecer rápido o que é negativo: "A necessidade de falar mal do outro indica uma baixa autoestima: eu me sinto tão abaixo que, em vez de subir, rebaixo o outro. Esquecer rápido o que é negativo é sadio".
9. Respeitar quem pensa diferente: "Podemos instigar o outro com o testemunho, para que os dois progridam nessa comunicação, mas o pior que pode acontecer é o proselitismo religioso, que paralisa: 'Eu dialogo contigo para te convencer'. Não. Cada um dialoga a partir da sua identidade. A Igreja cresce por atração, não por proselitismo".
10. Procurar ativamente a paz: "Estamos vivendo uma época de muita guerra. Na África parecem guerras tribais, mas são mais do que isso. A guerra destrói. E o clamor pela paz tem que ser gritado. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa".
Fonte: www.zenit.org

Paris: Impostos representam até 94% no preço de presentes para Dia dos Pais


Levantamento é da consultoria BDO.
Veja a lista de presentes e sua respectiva carga tributária.

Do G1, em São Paulo
Comércio espera vendas 20% a mais que em 2012 (Foto: Reprodução/TV RIO SUL)Presentes têm até 94% de impostos
(Foto: Reprodução/TV RIO SUL)
A carga tributária nos presentes mais comuns comprados para o Dia dos Pais pode representar até 94% do seu preço, segundo pesquisa da consultoria BDO.
Entre os itens analisados, o campeão da lista é o uísque (94,25%), seguido por caixa de charutos (64,25%), garrafa de vinho (54,25%). Por outro lado, possuem carga tributária menor, por exemplo, mala de viagem (37,25%), camisa social (27,25%) e tênis (27,25%).
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) também fez uma pesquisa e, de acordo com os itens analisados, aponta que o perfume importado é o que apresenta a maior carga tributária embutida no preço do produto, com 78,43%, enquanto o nacional conta com 69,13% de tributos.
O presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, explica que a maioria dos principais presentes para o Dia dos Pais é de itens industrializados que têm incidência de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e, no caso dos importados, do Imposto de Importação.
Veja a lista de presentes e sua carga tributária:
Água de colônia (nacional): 50,38%
Almoço em restaurante: 32,31%
Aparelho MP3 ou iPod: 49,45%
Barbeador elétrico: 48,11%
Bolsa de couro: 41,52%
Flores: 17,71%
Cachecol: 34,13%
Calça jeans: 38,53%
Câmera fotográfica: 44,75%
Cartão de Dia dos Pais: 37,48%
Computador acima de R$ 3.000,00: 33,62%
Computador até R$ 3.000,00: 24,30%
Gravata: 35,48%
Ingressos: 40,85%
Óculos de sol: 44,18%
Perfume importado: 78,43%
Perfume nacional: 69,13%
Serviço de TV por assinatura: 46,12%
Telefone celular: 33,08%
Televisor: 44,94%
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Suíça: Confira galeria de fotos com diversas paisagens

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Confira galeria de fotos com diversas paisagens
Confira galeria de fotos com diversas paisagens da Suíça (Renata Capucci)