31 de agosto de 2014

Evangelho, eucaristia e oração: o caminho para não sermos cristãos sem consistência

Audiências e Angelus > 2014-08-31 13:13:02 

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Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco, na oração dominical do Angelus deste domingo (31), lembrou o Evangelho de Mateus, no ponto crucial em que Jesus, depois de ter verificado que Pedro e os outros 11 tinham acreditado nEle como Messias e Filho de Deus, “começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse muito..., que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (16,21).

Sobre esse ponto, tanto o Santo Padre como a liturgia deste domingo (31), insistem que “também o apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, diz a eles: ‘Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus’” (Rm 12,2).

Papa Francisco: "De fato, nós, cristãos, vivemos em um mundo totalmente integrado na realidade social e cultural do nosso tempo, e é certo assim; mas isso traz o risco de nos transformarmos em ‘mundanos’, que ‘o sal perca o sabor’, come diria Jesus (Mt 5,13), isto é, que o cristão se ‘modere’, perca a carga da novidade que lhe vem do Senhor e do Espírito Santo. Entretanto, deveria ser o contrário: quando nos cristãos permanece viva a força do Evangelho, ela pode transformar “os critérios de juízo, os valores determinantes, os puntos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida” (Paolo VI, Esort. ap. Evangelli nuntiandi, 19)."
Papa Francisco usou a imagem do vinho e da água para ilustrar os cristãos e as pessoas mundanas.

Papa Francisco: "Por isso, é necessário se renovar continuamente, atingindo a seiva do Evangelho. E, como se pode fazer isso na prática? Antes de mais nada, lendo e meditando o Evangelho todos os dias, para que a palavra de Jesus esteja sempre presente na nossa vida; além disso, participando da missa dominical, onde encontramos o Senhor na comunidade, escutando a sua Palavra e recebendo a Eucaristia que nos une a Ele e entre nós; e, ainda, são muito importantes para a renovação espiritual, os dias de retiro e de exercícios espirituais."

O Santo Padre também nos chamou para a renovação constante com a Palavra de Deus:
Papa Francisco: "Evangelho, Eucaristia, oração: graças a esses dons do Senhor, podemos nos conformar não ao mundo, mas a Cristo, e segui-lo sobre sua estrada, a estrada do ‘perder a própria vida’ para reencontrá-la (v.25). ‘Perdê-la’ no sentido de doá-la, oferecê-la por amor e no amor – e isso, quer dizer, o sacrifício, a cruz – para recebê-la novamente purificada, livre do egoísmo e da dívida da morte, cheia de eternidade."

Em seguida à mensagem inicial, Papa Francisco concedeu a bênção apostólica a todos fiéis presentes na Praça São Pedro e a quem acompanhava a transmissão ao vivo mundo afora. Nas saudações finais, o Santo Padre lembrou a presença de peregrinos da Itália e do Chile, além de um grande grupo de motociclistas, e de parlamentares católicos reunidos para mais um Encontro Internacional. O Santo Padre ainda fez um último apelo:

Papa Francisco: "Hoje, na Itália, celebra-se o ‘Dia da Proteção da Criação’, promovido pela Conferência Episcopal. O tema deste ano é muito importante: ‘educar para a proteção da Criação, para a saúde de nossas comunidades e das nossas cidades’. Desejo que se reforce o compromisso de todos, instituições, associações e cidadãos, para que sejam protegidas a vida e a saúde das pessoas, também respeitando o ambiente e a natureza." (AC)
Rádio Vaticano 

Polícia trabalha para identificar mais racistas

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De acordo com a lei que tipifica o racismo como crime, pessoas condenadas podem, inclusive, ser presas.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul trabalha na identificação dos torcedores acusados de agredir verbalmente o goleiro Aranha, do Santos, na última quarta-feira (27), em partida disputada em Porto Alegre. Até agora, dois torcedores e sócios do Grêmio foram identificados, entre eles Patrícia Moreira, ,jovem que apareceu em vídeos chamando o atleta de “macaco”. Segundo o comissário Sousa, da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, que coordena as investigações, os torcedores podem ser intimados a depor na próxima semana.
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Mais três pessoas foram identificadas pelo Grêmio, que já excluiu os dois sócios de seus quadros. Para ter mais efetividade na investigação, a polícia solicitou as imagens do circuito interno do estádio ao clube, no dia seguinte ao do jogo (28). De acordo com Santos, até agora, os vídeos não foram entregues aos investigadores. A expectativa é que o inquérito seja concluído em 30 dias.

O comissário destacou que os torcedores identificados são, até agora, suspeitos de crime de injúria. “Ela não é foragida”, destacou Santos, referindo-se à torcedora que aparece nas imagens veiculadas por emissoras de televisão. Santos preferiu não antecipar possíveis penalidades. De acordo com a lei que tipifica o racismo como crime, pessoas condenadas podem, inclusive, ser presas.

A torcedora foi afastada do trabalho. Ela era funcionária de uma empresa prestadora de serviços ao centro médico e atuava como auxiliar de saúde bucal.

“A autoridade policial que preside o inquérito ainda não cogitou essa hipótese”, afirmou Santos. Para ele, primeiro, é preciso identificar qual foi a participação de cada torcedor nos fatos. Tudo “tem que ser provado no inquérito, não pode se provar na imprensa”, alertou, acrescentando que as investigações estão bem encaminhadas e seguem o procedimento padrão da polícia.

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) informou, na sexta-feira, que processará o Grêmio por injúria racial, já que o clube, conforme o Estatuto do Torcedor e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), é responsável também pelos torcedores.

Também na sexta-feira (29), o clube divulgou nota em que repudia o que classificou como ato de racismo e afirma que busca identificar os torcedores que agrediram o goleiro santista.

Já a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) procurou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Santos para discutir medidas efetivas de combate ao racismo no esporte, segundo nota divulgada pela secretaria. Nela, a ministra da pasta, Luiza Bairros, repudiou as agressões e disse que há "uma grande tolerância para práticas de racismo".
Agência Brasil

Dilma associa o discurso de Marina ao dos militares

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Em evento do diretório do PMDB de São Paulo em Jales, nesse sábado, a presidente Dilma Rousseff partiu para o ataque à candidata do PSB, Marina Silva. Em um discurso focado na “defesa das instituições”, a presidente relembrou o período ditatorial para criticar o discursos da ex-senadora de que não governa com partidos, mas sim com pessoas.

“Em uma democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo”, afirmou a presidente. Ela procurou, também associar o discurso de Marina à ditadura militar que, segundo ela, foi o período em que “poucos e bons” governavam. “Eu me lembro da ditadura, onde o que se dizia era o seguinte: empresário é para fazer negócio, estudante é só para estudar, todas as pessoas têm que trabalhar. Uns poucos, uns bons, governarão”, disse. “Poucos e bons governaram, essa era a visão mais atrasada, que nós na época chamávamos a visão da tecnocracia, de que tinha no Brasil (sic) escolhidos que não eram escolhidos pelo povo e que eram os mais capazes”, acrescentou.

A fala da presidente ocorre um dia após a divulgação de nova pesquisa que mostrou Dilma empatada com Marina Silva no primeiro turno da disputa presidencial com 34% das intenções de voto e, no segundo turno, uma vitória de Marina com 10 pontos de vantagem.

Questionado sobre o levantamento, o vice-presidente Michel Temer desconversou. “Não preocupa não, nós temos um mês e quatro dias de campanha”, disse. Neste mesmo período, em 2010, o Datafolha apontava a presidente com 47% das intenções de voto contra 29% de José Serra (PSDB) e 9% de Marina. Naquela época, as pesquisas já apontavam a vitória de Dilma no segundo turno.

Tentando não deixar transparecer preocupação com os novos números do Datafolha, Temer deixou claro que a campanha precisa “politizar” e reforçou o discurso da “preocupação com as instituições”. “Temos que mostrar o que o governo fez, mostrando mais mudanças para o futuro e, do outro lado, a política, nosso governo é obediente às instituições. Veja que não houve nenhuma agressão, seja aos partidos, ao Legislativo e ao Judiciário”, afirmou.

Skaf lá

A fala de Temer não apaga, no entanto, o desconforto causado pelas posições de Paulo Skaf, o candidato do partido ao governo de São Paulo, que tem evitado aproximação com o PT e chegou a dizer, de público, que não iria a Jales nem abraçaria Dilma no palanque. Skaf, porém, apareceu no evento. No discurso de dez minutos, não citou Dilma. Fez apenas uma referência indireta à presidente.

Eles não ficaram próximos e nem se cumprimentaram. Hoje com 20 pontos na pesquisa Datafolha, em segundo lugar - o governador Geraldo Alckmin (PSDB) lidera com 50 pontos e o petista Alexandre Padilha vem em terceiro, com 5 pontos - Skaf teme a rejeição aos petistas no Estado.
Agência Estado

Apenas 0,01% do PIB preservaria Mata Atlântica

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A Mata Atlântica é menor e muito mais degradada do que a floresta amazônica.

O Brasil conseguiria preservar a Mata Atlântica investindo apenas 0,01% do seu PIB (Produto Interno Bruto), garante um estudo [Using ecological thresholds to evaluate the costs and benefits of set-asides in a biodiversity hotspot] feito por cientistas e relatado à revista Science. Os pesquisadores afirmam que US$ 198 milhões por ano (o equivalente a cerca de R$ 443 milhões) seriam suficientes para conservar a maioria das espécies e preservar muitos dos benefícios que vêm do ecossistema da floresta, tais como controle de pragas e polinização.A quantia equivale a apenas 6,5% do que o Brasil já investe em subsídios agrícolas e menos de 0,01% PIB anual do país.
A Mata Atlântica é um dos mais importantes e ameaçados ecossistemas do mundo, contendo mais de 1.000 espécies de plantas e mais exemplares de aves que toda a Europa. Situada ao longo da costa atlântica do Brasil, já cobriu uma área de aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados. Devido ao desmatamento, hoje tem apenas 160 mil quilômetros quadrados.
Segundo a pesquisadora Cristina Banks-Leite, do Departamento de Ciências da Vida da Imperial College London (Reino Unido), uma das líderes da pesquisa, a Mata Atlântica é menor e muito mais degradada do que a floresta amazônica, e contém uma rica diversidade biológica, sendo o habitat de mais da metade das espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil. “Cerca de 90% da Mata Atlântica tem menos de 30% de cobertura florestal remanescente. Isso não é suficiente para garantir a sobrevivência das espécies e a manutenção de um ecossistema próspero”, afirma.
Para calcular os custos, os pesquisadores primeiro tiveram que registrar quais e quantas espécies vivem atualmente nas áreas intocadas e degradadas da Mata Atlântica. Ao longo de nove anos, uma equipe de mais de 100 pesquisadores liderada pelas doutoras Renata Pardini, Marianna Dixo e pelo professor Jean Paul Metzger, da USP (Universidade de São Paulo), coletaram dados sobre aves, mamíferos e anfíbios que vivem na floresta.
Usando redes ornitológicas para capturar aves e armadilhas para apanhar mamíferos e anfíbios, os pesquisadores registraram a existência de mais de 25 mil animais, divididos em 140 espécies de aves, 43 de mamíferos e 29 de anfíbios.
Eles coletaram dados em 79 regiões diferentes da floresta, em 150 km, e estimaram é necessário preservar o mínimo de 30% do habitat natural para manter um nível semelhante de funções da biodiversidade e dos ecossistemas que se encontram em áreas protegidas, como parques nacionais.
Para avaliar os custos gerais de manutenção desse mínimo, os cientistas combinaram as estimativas atuais de cobertura florestal com custos médios pagos aos proprietários particulares de terras pela desapropriação das áreas e descobriram que a preservação da floresta é viável e de baixo custo.
Já existem alguns programas no Brasil para desapropriar terra para a conservação da floresta, preservação de espécies e manutenção dos ecossistemas saudáveis, mas essa tem sido uma iniciativa em escala local, com pouco impacto na manutenção e melhoria das condições da floresta como um todo, segundo o estudo.
EcoDebate

Contenção do desmate confronta crescimento

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A exploração de áreas de floresta para a atividade agropecuária leva a colapsos sociais cada vez mais frequentes.

Por Fábio M. Michel

De lá para cá, é verdade que o Brasil instituiu uma série de políticas e medidas que levaram a significativas quedas dos índices oficiais de desmatamento, que chegaram ao menor nível em 2012, aproximadamente 4,5 mil quilômetros quadrados. Os resultados levaram o país a ser considerado pela ONU um exemplo para o mundo de como reduzir o desmatamento e combater a ameaça do aquecimento global, o que foi constatado por um estudo sobre mudanças climáticas produzido pela Union Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos.O cientista norte-americano Doug Boucher, que foi o coordenador da pesquisa divulgada no mês de junho deste ano em reunião da ONU, realizada na Alemanha, cita a criação de novas áreas de proteção ambiental e de unidades de uso sustentável, além das moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas, como primordiais para combater a derrubada das florestas brasileiras em geral e, particularmente, a amazônica. “As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes”, declarou.
Na mesma ocasião, porém, Boucher também alertou que o desmatamento voltou a crescer em 2013, ano em que foram ao chão mais de 5,8 mil quilômetros quadrados de matas amazônicas, entre floresta tropical e cerrado – um repique de 28% em relação ao ano anterior. O Brasil, conclui o UCS, dá sinais que trazem dúvidas sobre a continuidade do sucesso na contenção do desmatamento, mantendo, portanto, incertezas sobre o futuro daquele e demais biomas. Os cientistas discordaram, por exemplo, das emendas aprovadas ao Código Florestal no Congresso Nacional, que, entre outras inconsistências, concedeu anistia aos ruralistas por desmatamentos anteriores à promulgação.
Figura também, entre as ameaças potenciais à preservação florestal, o fim da vigência da moratória da soja, em dezembro próximo, que levou diversos países a deixarem de comprar o grão produzido nas áreas provenientes de áreas desmatadas na Amazônia depois de 2006.
Como raiz da iminente retomada dos ataques às coberturas florestais dos biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal) está o atual modelo econômico, ainda fortemente baseado em exportações das chamadas commodities agrícolas e minerais. Ainda que com ares de modernidade, essa já era a principal atividade econômica do país nos tempos coloniais. Historicamente, o Brasil promove alternância de ciclos de intensa exploração de algumas monoculturas, como foram os da cana-de-açúcar, do cacau e do café, ou de minérios, a exemplo de ouro e ferro.
E, a cada ano, as receitas produzidas pelo setor se agigantam. As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram o montante de US$ 9,61 bilhões em julho de 2014, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No acumulado dos 12 meses anteriores, o faturamento bateu a marca de US$ 99,81 bilhões, dos quais as exportações do chamado “complexo soja” ficaram na liderança (US$ 33,84 bilhões). O setor de carnes aparece em segundo, com US$ 17,03 bilhões em vendas, seguido pelo complexo sucroalcooleiro, US$ 11,84 bilhões.
O economista Guilherme Delgado, consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e ex-integrante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alerta que a expansão desses setores puxados pela demanda externa, o agronegócio e a mineração, principalmente, têm como ponto comum a exploração não onerosa de recursos naturais, o que equivale a dizer que, entre outras políticas deixadas de lado, está a preservação do entorno ambiental, de forma a elevar a competitividade comercial das commodities.
“Em tais condições o setor primário fica escalado para superexplorar recursos naturais, o que provoca, evidentemente, consequências ambientais, que são custos sociais não internalizados na conta do empreendedor, mas completamente detectáveis na conta da sociedade: desmatamentos e queimadas por um lado, com inegáveis contribuições ao efeito estufa”, resume Delgado.
Segundo o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), num artigo divulgado em 2007, o modelo de ocupação do interior do país segue o padrão “boom-colapso”, ou seja, sucesso crescente no início das atividades, seguido de apogeu e queda. Nesse círculo pouco virtuoso, a prática comum é derrubar as florestas para a plantação de vastas áreas de uma só cultura até o esgotamento do solo, acelerado pelo uso intensivo de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Uma nova área é derrubada para o cultivo e a anterior é substituída por pasto, passando a receber grandes rebanhos bovinos, que, por sua vez, leva à degradação completa do ambiente. Quando isso ocorre, a criação de animais é deslocada para outra área que deixou de servir para a agricultura. E assim ininterruptamente.
Como agravante, o instituto aponta ainda que a exploração de áreas de floresta para a atividade agropecuária ou mineral leva também a colapsos sociais cada vez mais frequentes, como os tensos e violentos conflitos pelas disputas de terra, o desemprego no campo e os movimentos migratórios das zonas rurais para as urbanas.
Daniel Nepstad, coordenador dos programas Internacional e Cenários do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) alerta que as medidas e políticas do governo a partir de 2004 podem estar no limite da capacidade de contenção do desmatamento provocado pela manutenção da agroindústria, que é grande provedora de divisas comerciais internacionais. “Esses ganhos são globalmente significativos, mas frágeis”, explica Nepstad. “Estamos esbarrando nos limites do que pode ser alcançado por meio de medidas punitivas. Um aumento da demanda global por soja e carne bovina, por exemplo, nos fará precisar de uma nova abordagem para manter o desmatamento nas taxas atuais.”
Conflito
O caminho entre as políticas federais e as lutas dos movimentos sociais ligados à terra para conter o expansionismo do agronegócio cruza com a bancada ruralista no Legislativo, que é o maior grupo do Congresso Nacional atualmente. Oficialmente, conta com 162 deputados e 11 senadores, sob a sigla de Frente Parlamentar da Agropecuária. No Senado e na Câmara, os parlamentares representam empresas e proprietários de terras, que movimentam R$ 440 bilhões entre a produção agrícola e pecuária.
Além disso, representantes desses interesses estão espalhados por prefeituras e governos estaduais. O jornalista Alceu Castilho, autor do livro “Partido da Terra”, levantou 13 mil declarações de bens de políticos brasileiros, incluindo deputados estaduais, prefeitos, vices, suplentes e governadores, e concluiu que, somados, eles representam 2,03 milhões de hectares, ou 203 mil quilômetros quadrados, mais que todo o estado do Paraná, que, segundo o IBGE, tem 199 mil quilômetros quadrados.
As prioridades políticas dos deputados e senadores são claras: liberação de terras dos territórios indígenas, quilombolas, reservas e parques ecológicos para a exploração agropecuária. Também miram a flexibilização de leis trabalhistas do setor rural, a redefinição do que deve ser considerado trabalho escravo, para a seguir com a submissão de trabalhadores a condições mais que precárias, relaxar regras para o registro de agrotóxicos e de novos produtos alimentares, alterar leis para facilitar a compra de terras por grupos estrangeiros e renegociar, a perder de vista, as dívidas dos ruralistas.
Com tantos interesses contrários à preservação ambiental e tamanha representatividade no Legislativo, a consolidação das políticas públicas brota, mas não floresce. Cândido Grzybowski, sociólogo e pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), avalia que o debate sobre as urgências ambientais do país está pautado exclusivamente pelos promotores do agronegócio, entre o que esse grupo considera aceitável para continuar em expansão e o que a sociedade é capaz de suportar.
“Os dilemas sobre o que Brasil e o mundo precisam, e o que estamos dispostos a construir como nação numa perspectiva de sustentabilidade e justiça social, com democracia, ficam em segundo plano. Na verdade, a questão pública e política é determinada por uma velha agenda desenvolvimentista, hegemonizada pelos grandes interesses e forças econômicas envolvidas na cadeia agroindustrial. Tudo que se fará não será no sentido de uma mudança de rumo, mas de flexibilização de regras e condutas para continuar destruindo”, alerta o sociólogo.
Estradas e energia
À medida em que as fronteiras da exploração agropecuária avançam para o interior do país, crescem também as demandas por obras de infraestrutura, especialmente por aquelas que possibilitem o escoamento da produção até os portos de onde sejam exportadas. Num país em que grande parte dos transportes de carga ainda se faz por caminhões, a construção de rodovias toma a frente dos investimentos do setor e, historicamente, se transforma em grande indutora do desmatamento.
Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, 75% dos desmatamentos na região ocorreram numa faixa de 100 quilômetros de largura de cada lado das rodovias pavimentadas. Com a ocupação ao longo das estradas e as atividades de pecuária extensiva e agricultura de corte e queima, os incêndios florestais se proliferam. O fogo invade a floresta e o cerrado, e os danos tornam as áreas mais vulneráveis ao fogo. Como o clima da região é diretamente afetado pelas queimadas e a tendência é de agravamento do quadro, a alteração dos sistemas climáticos também é um possível reflexo da pavimentação de rodovias.
O asfaltamento das rodovias Cuiabá-Porto Velho e Belém-Brasília, por exemplo, foi decisiva para a formação do que hoje é chamado de “arco do desmatamento” (compare os mapas nas fotos). São 500 mil quilômetros quadrados entre o leste e sul do Pará em direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre, onde a fronteira agrícola avança em direção à floresta e também onde encontram-se os maiores índices de desmatamento da Amazônia. O Ipam calcula que o desmatamento adicional associado às rodovias planejadas para a Amazônia pode chegar a 270 mil quilômetros quadrados até o ano de 2030 (o estado de São Paulo tem 248 mil quilômetros quadrados).
Outro órgão de pesquisa, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), contabiliza o impacto de outros projetos de infraestrutura existentes na região, como hidrelétricas – entre as quais atualmente se destacam as construções de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, além de Belo Monte, no Pará –, e linhas de transmissão, gasodutos, ferrovias, que também induzem desmatamentos. O levantamento amplia o impacto em mais 236 mil quilômetros quadrados de áreas desmatadas. Somados, os cálculos de ambos os institutos de pesquisa projetam mais de 500 mil quilômetros quadrados da Amazônia drasticamente alterados num ritmo acelerado.
Qual caminho?
Em âmbito federal, lidar com a complexidade que envolve a questão fundiária, da qual o desmatamento é uma das consequências mais desastrosas, tem igualmente se mantido como o reflexo de relações entre os grupos de interesse representados pela bancada ruralista no Congresso, muitas vezes num embate entre forças desproporcionais.
Contudo, em que pese a força da representatividade legislativa, ainda que grandes proprietários de terra representem uma parcela ínfima da população brasileira, é fato que, sucessivamente, as gestões federais, Lula e Dilma incluídos, têm sido pouco decididos a levar adiante a reforma agrária necessária para garantir a democratização da posse da terra e a expansão da agricultura familiar como forma de garantir a segurança alimentar, a diversidade ambiental e a fixação dos descendentes dos agricultores no campo.
“Optamos pelo caminho mais curto de crescimento, que tem como pressuposto o velho modelo primário exportador, que nos torna dependentes de potências industriais e nos faz ser um grande destruidor ambiental. Não é esse o Brasil emergente que o mundo precisa e que quem luta por democracia e justiça social quer. Só mais democracia pode nos levar a superar esse dilema”, alertou Cândido, em artigo escrito em agosto de 2012, quando o país assistia o Congresso alterar perigosamente o Código Florestal.
“Se o modelo de desenvolvimento não for modificado em sua essência, nada impedirá a destruição contínua da biodiversidade. Não há modelo matemático capaz de calcular em termos econômicos, muito menos em termos de importância para a vida, o que significa toda essa riqueza” reforça Roberto Malvezzi, filósofo e teólogo, que já foi coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e atualmente milita nas pastorais sociais do São Francisco, em Juazeiro, na Bahia.
E a julgar pelos programas de governo dos principais candidatos à presidência da República nas eleições deste ano, pouco mudará o cenário de ameaça aos biomas do país. Em linhas gerais, Dilma, Aécio e Marina consagram o agronegócio como fonte de riquezas e enumeram medidas que, espera-se, ao menos alterem a lógica expansionista de grandes agricultores e pecuaristas.
Na primeira candidatura, em 2010, Dilma prometia, em programa de governo, "dar seguimento a um projeto nacional de desenvolvimento que assegure grande e sustentável transformação produtiva do Brasil", o que incluiria, conforme o documento, definição de políticas especiais para o meio meio ambiente, fortalecimento da agricultura familiar e ênfase à produção de energia renovável.
Para a atual corrida presidencial, o programa de governo da presidenta comemora que a produção de grãos tenha saltado de 96 milhões de toneladas em 40 milhões de hectares, na safra 2001/2002, para 191 milhões de toneladas em 56 milhões de hectares, na safra 2013/2014. O crescimento é associado a investimentos na capacidade de produção, da expansão de obras de infraestrutura e da ampliação do crédito. Estão previstos R$ 156,1 bilhões para financiar a agroindústria no biênio 2014/2015.
A agricultura familiar aparece também no conjunto de metas para um eventual segundo mandato da petista, mas apenas para dizer que as políticas públicas iniciadas com Lula fizeram a renda no campo aumentar em 52% e que estão previsto pouco mais de R$ 24 bilhões de recursos públicos para financiar o setor para a safra 2014/2015.
Marina Silva, a candidata do PSB, ainda terá de explicar melhor o que pretende em relação ao modelo de crescimento econômico a adotar, ou manter, e o impacto da opção ao meio ambiente. Quando candidata em 2010, o "agronegócio sustentável" foi um capítulo à parte nas diretrizes de programa, que dizia: "a produção (agropecuária) deveria ser aliada à conservação e restauração dos recursos naturais, incluindo o desmatamento zero em todos os biomas, a redução do uso de agroquímicos e uma transição para o sistema de agroecologia."
No entanto, o atual programa que norteia a atual campanha, o do candidato morto em acidente de avião, Eduardo Campos, é menos incisivo. Nele, a redução do uso de agroquímicos nem é citada, a agroecologia figura como "um modelo que pode ser encorajado por meio de incentivos" e a agropecuária seria fortalecida por "acordos comerciais bilaterais com parceiros estratégicos."
Já as propostas de governo de Aécio Neves (PSDB), embora longas, nada propõe sobre mudanças do modelo de desenvolvimento ou padrão de consumo. Cita vagamente que buscará a "transição para uma economia de baixo carbono para o enfrentamento do aquecimento global" e "adoção de medidas voltadas à redução do desmatamento da Amazônia, do Cerrado e dos demais biomas."
O desafio, seja para um eventual segundo mandato de Dilma, seja para a futura gestão de um dos outros candidatos que disputam a corrida presidencial, já está lançado há muito tempo. O Brasil, na questão do desmatamento, clama por firmeza de propostas.
Rede Brasil Atual

Aprendendo o caminho do coletivo

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Enquanto o individualismo conduz o ser humano à perdição, a generosidade o leva à salvação.

Por José Antonio Pagola*

O ditado está registrado em todos os evangelhos e se repete até seis vezes: “Se alguém quer salvar a sua vida a perderá, mas quem a perde a encontrará por mim”. Jesus não está falando de uma temática religiosa. Ele está propondo aos seus discípulos qual é o verdadeiro valor da vida.

O ditado está expresso de forma paradoxal e provocativa. Há duas formas muito diferentes de orientar a vida: uma conduz para a salvação, a outra para a perdição. Jesus convida todos a seguir o caminho que parece mais duro e menos atrativo, pois conduz o ser humano à salvação definitiva.

O primeiro caminho consiste em se aferrar a vida vivendo exclusivamente para si mesmo: fazer do próprio “eu” a razão última e o objetivo supremo da existência. Esse modo de viver, buscando sempre a própria ganância e vantagem, conduz o ser humano à perdição.

O segundo caminho consiste em saber perder, vivendo como Jesus, abertos ao objetivo final do projeto humanizador do Pai: saber renunciar à própria segurança ou ganância, buscando não somente o próprio bem, mas também o dos outros. Esse modo generoso de viver conduz o ser humano à sua salvação.

Jesus está falando desde sua fé num Deus Salvador, mas suas palavras são uma forte advertência para todos: Que futuro espera uma Humanidade dividida e fragmentada, onde os poderes econômicos buscam seu próprio benefício; os países, seu próprio bem-estar; os indivíduos, seu próprio interesse?

A lógica que dirige nestes momentos o caminho do mundo é irracional. Os povos e os indivíduos estão caindo progressivamente na escravidão de “ter sempre mais”. Tudo é pouco para dar-se por satisfeito. Para viver bem, é necessário sempre mais produtividade, mais consumo, mais bem-estar material, mais poder sobre os outros.

Procura-se insaciavelmente o bem-estar, mas será que não há uma progressiva desumanização? Quer-se “progredir” cada vez mais, mas qual é o progresso que leva a abandonar milhões de seres humanos na miséria, na fome e na desnutrição? Por quantos anos será possível desfrutar desse bem-estar, fechando as fronteiras aos famintos?

Se os países privilegiados só procuram “salvar” seu nível de bem-estar, se não se quer perder o potencial econômico, jamais se darão passos em direção a uma solidariedade a nível mundial. Mas não nos enganemos. O mundo será cada vez mais inseguro e mais inabitável para todos e também para nós. Para salvar a vida humana no mundo é preciso aprender a perder.
Instituto Humanitas Unisinos, 29-08-2014.
*José Antonio Pagola é teólogo. O texto é baseado no Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 16, 21-27, que corresponde ao 22º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico.

Padre brasileiro fala sobre o catolicismo na Coreia

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Aparecida, SP, 31 ago (A12/SIR) - Cinco meses depois de se mudar para a República da Coreia com o objetivo de aprimorar o idioma, Padre Daniel Hayang Lim Koo, vigário da Paróquia Nossa Senhora do Carmo na Arquidiocese de São Paulo, testemunhou de perto a visita do Papa Francisco à nação asiática entre os dias 13 e 18 de agosto.

O país de maioria budista tem apenas 10,7% de cristãos católicos, mas segundo padre Koo, “há um grande sentimento de respeito e fraternidade entre os budistas e católicos, tanto por parte dos fiéis quanto por parte dos seus líderes”. Nesta entrevista concedida ao A12.com, o sacerdote de ascendência coreana relata um pouco de sua experiência no país que possui 35 bispos e 4.261 sacerdotes, distribuídos em 1.673 paróquias.
 
A12 - O que o levou a partir para a Coreia e quando pretende voltar ao Brasil?
Padre Koo - Quando estava exercendo o ministério como Vigário no Brasil, comecei um trabalho junto ao povo coreano que morava nos arredores da paróquia. Tal trabalho consistia de Missa mensal em coreano, atendimento e confissões, bênção de casas e também casamentos. Durante este trabalho, percebi que o meu coreano não estava adequado suficientemente para um trabalho pastoral mais sério, o que me levou a buscar aprender o coreano de forma mais fluente e adequada. Assim, obtive a licença de Dom Odilo Scherer para fazer este curso na Coreia, fato que agradeço imensamente e sem o qual não poderia estar aqui. Ficarei aqui na Ásia até fevereiro de 2015, quando retorno para São Paulo.
 
A12 - Como é a comunidade em que atua? Quais são as atividades pastorais realizadas?  
Padre Koo - Como estou aqui para estudar, não pude participar ativamente de nenhuma atividade pastoral, mas ajudo nas missas universitárias, em uma paróquia perto do convento, onde celebro missas, e em um convento de irmãs distante de Seul, na área rural, e também nas confissões. Estou residindo em um convento franciscano em Seul, e participo então das atividades desta comunidade. Eles desenvolvem um trabalho junto com algumas paróquias, possuem também várias pastorais que envolvem não somente católicos, mas também leigos de outras religiões, além de possuírem um curso de teologia para leigos. Também tenho ajudado um convento de freiras que exercem um dificílimo, mas necessário, trabalho junto aos idosos, onde administram um bonito Centro para a Terceira idade. Há assistência médica, centro de convivência, formação espiritual e catequese, além de exercerem, quem pode, trabalhos de ajuda comunitária e social.
 
A12 - Tem tido contato com brasileiros?
Padre Koo - Tenho encontrado alguns brasileiros na Universidade em que estou estudando coreano, e também nas missas universitárias, mas todos eles são estudantes de língua coreana.
 
A12 - Como é o catolicismo neste local? Os católicos são hostilizados por serem minoria?  
Padre Koo - O catolicismo aqui na Coreia está bem incrustado na história do povo coreano. Apesar de serem minoria, eles exerceram grandes trabalhos, especialmente nos momentos mais críticos da história do povo coreano, durante a ditadura militar em 1960-1980, e também durante a ocupação militar japonesa na 2ª Guerra Mundial, além de estarem envolvidos na ajuda constante aos coreanos que vivem na Coreia do Norte. O grande protagonismo da Igreja aqui na Coreia vem dos seus leigos que atuam vivamente na política e também nas atividades sociais e de reivindicações junto ao povo para assuntos de justiça social e paz. A história da Igreja aqui na Coréia começa exatamente no protagonismo dos leigos que vão buscar a fé fora do país, movidos tão somente pela fé despertada na leitura dos livros sobre o catolicismo e pela Bíblia em chinês. Vão então à China buscar saber exatamente como deve se vivenciar a fé católica de maneira correta, e somente então trazem os primeiros missionários, que já encontram uma Bíblia traduzida para a língua local. Encontram a perseguição por parte do governo da época e o subsequente martírio. Assim nasce a Igreja na Coreia, que vê dentre os seus, um jovem assíduo na fé, se tornar o primeiro padre desta comunidade, e lidera esta comunidade até o seu martírio com apenas 24 anos. Portanto, desde o século XVII, a Igreja possui uma história que se enraíza junto à história do povo coreano, de forma que, apesar de ser minoria, são extremamente respeitados e possuem um alto grau de participação e transformação na história do povo coreano. Hoje, apesar de a grande maioria ser de protestantes e budistas, não há hostilidade por parte do povo, que possui uma história de participação e atuação conjunta com a Igreja. Aliás, há um grande sentimento de respeito e fraternidade entre os budistas e católicos, tanto por parte dos fiéis quanto por parte dos seus líderes.  
 
A12 - O que mudou com a visita do Papa Francisco, há cerca de 15 dias?
 
Padre Koo - A visita do Papa Francisco transformou a visão do povo sobre a Igreja aqui - um pouco esquecida, e também distraídos com uma vida voltada ao materialismo. A Igreja teve a sua voz ouvida e o seu rosto conhecido através do carinho e mensagens do Papa, pelas quais o povo coreano ganhou grande alegria e consolo para as suas dores. É um momento em que a sociedade coreana enfrenta grandes problemas relacionados à sua juventude e à vida espiritual, que hoje parece estar relegada ao segundo plano. Os coreanos puderam ver que há algo mais do que números e metas econômicas, que a vida possui um valor incalculável, e uma luz se acende para um futuro onde há algo pelo qual vale a pena sacrificar a sua vida inteira.
SIR

Filme aborda temas sérios de forma superficial

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O filme se contenta com clichês sobre personagens.

Por Alysson Oliveira

Estrangeiro muda para uma pequena cidade no sul da França e seus pratos exóticos começam a fazer sucesso, alterando a dinâmica do pequeno vilarejo e incomodando a elite local. Para o diretor Lasse Hallström, aparentemente, contar essa história apenas uma vez não é suficiente. “Chocolate” não bastou, agora ele dirige “A 100 Passos de um Sonho”.
A trama é basicamente a mesma do filme estrelado por Juliette Binoche, com algumas diferenças. A maior delas é que aqui o diretor, trabalhando com roteiro assinado por Steven Knight, adaptado do romance de Richard C. Morais (no Brasil chamado de “A viagem de 100 passos”), quer falar do caldeirão cultural do mundo globalizado.
Mas é aí que o crème brûllée - para usar uma metáfora culinária rasteira -, passa do ponto, pois as soluções que o filme encontra para a harmonia numa França contaminada por movimentos de extrema direita e xenofóbicos são para lá de ingênuas. Há também tumultos políticos na Índia, descritos como “uma eleição ou outra”.
Não que algo disso seja o tema do filme, pelo contrário. As questões vem à tona apenas em um momento, e é como se o diretor pedisse desculpa por falar disso – sem nunca, é claro, nomear a questão. Assim, “A 100 Passos de um Sonho” se limita em ser quase duas horas de programa culinário, sem dar as receitas. Hallström se contenta com as obviedades das metáforas culinárias e o poder transcendental da comida unindo culturas.
É de se lamentar, no entanto, que o filme se contente com isso, pois parte de bons personagens e atores. Ao centro, como narrador e protagonista, está o jovem Hassam (Manish Dayal), cuja família foge da Índia e se instala na Europa, meio que por acaso nesse pequeno vilarejo, cujo único restaurante tem uma estrela do conceituado guia Michelin (a ponto de atrair políticos importantes) e é dirigido com pulso firme por Madame Mallory (Helen Mirren).
Hassam é filho do teimoso Papa Kadam (Om Puri), que abre um espalhafatoso restaurante indiano bem em frente ao estabelecimento da francesa. Ele conta com o talento culinário de seu filho e a ajuda dos outros três para tocar o lugar, mas encontra na vizinha uma inimiga e sabotadora.
Então, o filme se contenta com clichês sobre personagens: franceses são esnobes, as porções são mínimas; indianos, alegres e cozinham abundantemente etc. Além disso, há também o envolvimento amoroso de Hassam com Margueritte (Charlotte Le Bom), a sous chef do restaurante francês que aspira à posição principal dentro da cozinha – mas, no filme, as posições centrais parecem caber apenas aos homens.
Ao final, não é de se espantar encontrar os nomes de Oprah Winfrey e Steven Spielberg como produtores do filme. “A 100 Passos de um Sonho” é exatamente o tipo de história que a apresentadora gosta – de superação com uma profundidade falsa – e Spielberg providencia o lado “diversão para toda a família”. E aí estão as raízes de alguns dos maiores problemas nesse filme, que fazem dele um passatempo mediano e previsível.

Clique aqui e confira o trailler e onde o filme está em cartaz!
Reuters

'Peço a Deus que não sejamos daqueles que escondem os talentos'

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Aparecida, SP, 31 ago (SIR/A12) - O Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ,) Dom Orani João Tempesta, presidiu nesse sábado (30) a Santa Missa no Santuário Nacional às 9h, a celebração acolheu a romaria da Arquidiocese do Rio. No início da celebração o Arcebispo apresentou algumas intenções de oração, como os 275 anos do Seminário São José do Rio de Janeiro, pelo ano da Caridade e pelos fiéis da Arquidiocese que vieram em 1500 ônibus do Rio Janeiro para a romaria a Aparecida (SP).

Em sua homilia dom Orani abordou o evangelho do dia “Mt 25, 14-30” que compara o reino dos céus com o homem que ao viajar confia seus bens ao empregados. O cardeal destacou a missão dos católicos em multiplicar os talentos que Deus confia às pessoas. “O Senhor nos deu um trabalho, essa missão que se sucede, e cada um é responsável em responder por essa missão cada uma com um talento, dois talentos etc. Nós viemos aqui hoje justamente para pedir ao Senhor, através das mãos maternais de Maria, que essa missão, importante para o mundo e para vida das pessoas, nós estejamos empenhados em fazer”, disse.

Dom Orani pediu que a missão da Igreja seja assumida por todos os fiéis. “Eu só peço a Deus que nenhum de nós seja daqueles que escondem os talentos e não os multiplicam. Porque é importante para as pessoas e para o mundo, essa missão confiada à Igreja, confiada a nós pelo Senhor. Ele colocou em nossas mãos, esse trabalho essa missão. Agradeço a Deus por ver isso acontecer, quantas pessoas ter multiplicado os talentos e poder fazer acontecer o reino de Deus”, agradeceu.

Pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, o cardeal conclui pela continuidade da missão da Igreja realizada pelo trabalho dos fiéis que se colocam disponíveis às coisas de Deus. “Aqui estão aqueles que querem acolher o trabalho, a missão, os interesses do reino de Deus. Pedimos por intercessão de Maria que nós continuemos a fazer nossa missão, a cumpri-la a ver como o senhor nos capacita para poder levar adiante. Por isso nossa Ação de Graças. Mesmo no meio de tanta injustiça e situações que cortam os nossos corações sabemos que é grande o trabalho, pedimos que Deus nos capacite, ainda mais, para continuar fazendo em nossas capelas, paróquias, vicariatos e toda a arquidiocese nos coloquemos com e como Maria, “Eis aqui aquele(a) que quer servir o Senhor”, que se cumpra o plano de Deus em Nossa vida e através de nós também em nossa missão em nossa cidade”, encerrou. A Romaria do Rio de Janeiro trouxe cerca de 60 mil fiéis, os bispos auxiliares e todo clero diocesano.


 
SIR

Muito triste ver cristãos "diluídos", sal que perdeu o sabor

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sal terra

Cidade do Vaticano, 31 ago (SIR) - O cristão está chamado a viver bem inserido no mundo, mas sem ser “mundano”. O risco é que o sal perca o seu sabor, que percamos a carga de novidade que nos vem do Senhor e do Espírito Santo. - Recordou-o Papa Francisco neste domingo (31) ao meio-dia, na Praça de São Pedro, comentando o Evangelho da liturgia dominical, em que Jesus repreende severamente o Apóstolo por ele “pensar segundo os homens, não segundo Deus” e, portanto, sem dar por ela, estar da parte de satanás, o Tentador.

Também São Paulo, na segunda leitura, exorta os cristãos de Roma a “não se conformarem com este mundo, mas a deixarem-se transformar, renovando o seu modo de pensar, para poderem discernir a vontade de Deus”. De fato, nós cristãos vivemos no mundo, plenamente inseridos na realidade social e cultural do nosso tempo, e é justo que assim seja; mas isto comporta o risco de nos tornarmos mundanos, o risco de que “o sal perca o seu sabor”… que o cristão se dilua, perca a carga de novidade que lhe vem do Senhor e do Espírito Santo. Ora deveria ser o contrário – prosseguiu o Papa, observando que “quando nos cristãos permanece viva a força do Evangelho, essa pode transformar (como dizia Paulo VI) “os critérios de juízo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras, os modelos de vida” (Evangelii nuntiandi).

Portanto é necessário renovarmo-nos continuamente, alimentando-nos da linfa do Evangelho. Mas como conseguir isso, na prática? – interrogou-se o Papa, sugerindo, antes de mais, a leitura e a meditação quotidiana do Evangelho, de tal modo que a palavra de Jesus esteja sempre presente na nossa vida… E também a participação na Missa dominical, para uma pessoa se encontrar com o Senhor na comunidade, escutando a sua Palavra e recebendo a Eucaristia que nos une a Ele e entre nós. Muito importantes também – lembrou Francisco – dias de retiro e os exercícios espirituais… Evangelho, Eucaristia, oração: é graças a estes dons do Senhor que nos podemos conformar, não ao mundo, mas a Cristo, seguindo-o no seu caminho, a via do perder a própria vida para a encontrar. Perdê-la no sentido de doá-la, oferecê-la por amor e no amor… Doar assim a vida – concluiu o Papa – comporta o sacrifício, a cruz, para a receber novamente - purificada, libertada do egoísmo e da hipoteca da morte, plena de eternidade.

Nas saudações conclusivas, já depois da recitação do Ângelus, o Papa recordou que nesta segunda-feira (1º) se celebra, em Itália, a Jornada para a proteção da natureza criada, tendo desta vez como tema “Educar para a defesa da criação, para a saúde das nossas aldeias e das nossas cidades”…
Faço votos de que reforce o empenho de todos – instituições, associações e cidadãos – para que se salvaguarda a vida e a saúde das pessoas, respeitando também o ambiente e a natureza.
O Santo Padre saudou os parlamentares católicos, reunidos – disse - no seu quinto Encontro Internacional, encorajando-os a viver o delicado papel de representantes do povo, em conformidade com os valores do Evangelho.
Antes de se despedir, o Papa pediu, como sempre, que se reze por ele e a todos desejou bom domingo e… bom almoço…


 
SIR

Seminário aborda organizações religiosas e o Estado laico

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Brasília, 31 ago (CNBB) - "Organizações religiosas e o Estado laico: contribuições e desafios". Este é o tema do 3º Seminário Relações Estado e Sociedade, que ocorrerá nos dias 1º e 2 de setembro, no Instituto São Boa Ventura, em Brasília (DF). Trata-se de uma iniciativa do Coletivo Inter-Religioso para a Relação Estado e Sociedade e que reunirá lideranças convidadas pela organização. 


Dois painéis marcam o Seminário: "Visão internacional do Estado laico e sua percepção no Brasil", com a presença do bispo auxiliar e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, e do professor Silvio Fauto Gil Filho; e "Estado laico e organizações religiosas entre o discurso e a prática", com assessoria do juiz Roberto Arriada Lorea e da representante do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Cristina Vital.

O seminário tem como objetivos fazer memória do processo de elaboração do Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil, aperfeiçoar as propostas das Organizações Religiosas para o marco legal e analisar a atuação das Organizações Religiosas.

Coletivo Inter-Religioso
A finalidade do coletivo inter-religioso é atuar de forma organizada, com identidade própria, na relação cooperativa entre religiões e Estado; no diálogo e articulação permanente entre as instituições religiosas e o Governo, bem como com outros grupos já constituídos e que atuam na melhoria do ambiente regulatório por um Estado de Direitos. O caráter inter-religioso e ecumênico é uma das características importantes para os representantes das instituições congregadas neste coletivo.

Contato: www.interreligioso.org.br ou pelo e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo." style="line-height: 1.3em; text-align: justify;">coletivointerreligioso@gmail.com

 
SIR

Deus sempre nos perdoa, diz papa via Twitter

31/08/2014  |  domtotal.com


O papa Francisco disse nesse sábado, dia 30, que "o senhor sempre nos perdoa e sempre nos acompanha".    Em sua conta no Twitter (@Pontifex_pt), ele ainda apontou que "cabe a nós deixar-nos perdoar e deixar-nos acompanhar" por Deus.

A conta oficial do Pontífice superou a cifra de 15 milhões de seguidores. Ele tem contas na rede social nos idiomas Espanhol, Italiano, Português, Francês, Latim, Polonês, Alemão e em Árabe.
Ansa

Uso exagerado das 'telinhas' pode insensibilizar crianças

 Atualizado em 31/08/2014 09h38

Estudo indica que jovens que passam muito tempo com aparelhos digitais têm capacidade de empatia reduzida.

Da BBC
Estudo questiona uso excessivo de tablets e celulares por crianças (Foto: Thinkstock)Estudo questiona uso excessivo de tablets e celulares por crianças (Foto: Thinkstock)

Um estudo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, indica que o uso exagerado de equipamentos digitais pode atrapalhar a capacidade de crianças em reconhecer emoções de outras pessoas.
Pesquisadores do departamento de psicologia observaram 105 alunos de 11 e 12 anos, divididos em dois grupos, e perceberam que depois de cinco dias sem acesso às telas de celulares, tablets ou televisores, eles passaram a identificar emoções muito melhor.
No estudo publicado na revista especializada Computers in Human Behaviour os psicólogos afirmam que o efeito da mídia digital pode ser muito mais danoso que se imagina.
"Muitos olham para os benefícios da mídia digital na educação, mas não há muitos que estudam o custo disso", afirmou uma das autoras da pesquisa, Patricia Greenfield.
"Sensibilidade reduzida diante de sinais emocionais, ou uma certa perda da capacidade de entender as emoções dos outros, é um deles", disse.
Ela diz ainda que a troca da interação interpessoal pela interação via telas parece estar reduzindo o "traquejo social".
Os alunos da rede pública californiana foram separados em dois grupos: 51 passaram cinco dias no Instituto Pali, um acampamento para ciência e natureza cerca de 110km a leste de Los Angeles, enquanto os outros 54 continuaram em sua escola em Los Angeles (eles também passaram cinco dias no acampamento depois do estudo).
O acampamento não permite o uso de equipamentos eletrônicos, o que muitos alunos acharam difícil nos primeiros dias. No entanto, a maioria se adaptou à situação rapidamente.
No início do estudo, ambos os grupos tiveram avaliada a capacidade de reconhecer emoções em outras pessoas através de fotos e vídeos.
Depois de cinco dias no Instituto Pali, os 51 alunos apresentaram uma melhora significativa nesta capacidade.
Já os que continuaram imersos nas "telinhas" não tiveram grande melhora.
"Não se pode aprender a ler sinais não-verbais a partir de uma tela da mesma forma que se aprende na comunicação cara a cara. Sem essa prática, perde-se importantes habilidades sociais", disse outra autora do estudo, Yalda Uhls.
O conselheiro do governo britânico para questões de infância, Reg Bailey, também recentemente criticou o uso excessivo de equipamentos eletrônicos.
Para ele, os pais estão deixando as "telas assumirem o controle" e recomendou que as famílias passassem mais tempo conversando.
Bailey afirmou que as famílias deveriam considerar "refeições sem-telinhas" para estimular o contato pessoal.

O som da metralha

Dapieve: repertório das duas grandes guerras (Dapieve: repertório das grandes guerras (Dapieve: Lembranças das grandes guerras (U.S National Archives)))
Um repertório bélico reúne lembranças das duas grandes guerras mundiais

Arthur Dapieve
Arthur Dapieve Foto: O Globo
O mês que se encerra deu início a um período singular para quem se interessa pelas duas guerras mundiais. Vai de 12 de agosto deste ano — centenário da invasão da Sérvia pelo Império Austro-Húngaro — a 9 de agosto do ano que vem — septuagésimo aniversário da bomba jogada pelos EUA sobre Nagasaki. É como se esses 362 dias comprimissem todas as lembranças da Primeira e da Segunda Guerras.


Aliás, há quem fale num único conflito 1914-1945, ou seja, numa única grande guerra mundial com uma trégua de 21 anos no meio. Presente à Conferência de Versalhes, Lorde Keynes anteviu que uma segunda guerra surgiria de dentro da primeira por causa das sanções econômicas impostas à Alemanha. Além de programas de TV, filmes, livros e reportagens, a música também permite rememorar as duas guerras.

Não é difícil organizar um repertório bélico. Dele podem constar, por exemplo, as duas sinfonias em que Villa-Lobos celebrou a participação brasileira na Primeira Guerra e as três sinfonias que Shostakovich estreou durante a Segunda Guerra, em particular aquela dedicada à sua cidade natal, a sitiada Leningrado. Podem constar a big band de Glenn Miller, desaparecido num voo sobre o Canal da Mancha em 1944, ou a cantora popular Vera Lynn, citada na ópera-rock “The wall”, do Pink Floyd. Graças a Roger Waters muita gente se lembra de Dame Vera Lynn, que está viva, aos 97 anos.

Há ainda trilhas prontas para consumir. Em 2011, já no embalo do centenário de início da Primeira Guerra, o barítono Simon Keenlyside e o pianista Malcolm Martineau gravaram “Songs of war” para a Sony. O CD levou o prêmio da revista “Gramophone” na categoria vocal solo. Onze de suas 29 canções em língua inglesa foram compostas por George Butterworth entre 1911 e 1912, a partir dos poemas de “A Shropshire lad”, de A.E. Housman, publicados no final do século anterior. Seu pessimismo calou fundo em 1914. Na delicada “The lads in their hundreds”, os personagens são centenas de rapazes “que nunca ficarão velhos”. Butterworth também nunca ficou velho: morreu na Batalha do Somme, em 1916, aos 31 anos. Seu corpo jamais foi identificado.

A música que mais me impressionou no CD de Keenlyside e Martineau, porém, foi composta por outro inglês, Gerald Finzi, sobre um poema de Shakespeare. Chama-se “Fear no more the heat o’ the sun” e já surge como uma canção, entoada por Guidério e Arvirago no quarto ato de “Cimbeline”, durante o funeral do príncipe inimigo Cloten. É uma comovente — e, em se tratando de Shakespeare, irônica — oração por um guerreiro.

Na tradução de Barbara Heliodora, a primeira estrofe diz: “Não temas do sol o calor/ E nem os ventos do inverno,/ Findo na terra o teu labor/ No lar terás salário eterno./ Nem a beleza e nem dinheiro/ É mais no pó do que o lixeiro.” O próprio Finzi posteriormente fez uma versão orquestral, mas apesar de toda aquela força dramática das cordas, o barítono e o piano passam melhor a solidão de cada morte.

“Fear no more the heat o’ the sun” faz parte de “Let us garlands bring”, ciclo de cinco canções extraídas por Finzi das peças “Os dois cavaleiros de Verona”, “Noite de reis” (duas) e “Como quiserem”, além de “Cimbeline”. Finzi as escreveu entre 1929 e 1942. Seus temas são amor e morte. O compositor conhecia de perto essa combinação. Perdeu muitos entes queridos antes de completar 18 anos. O pai se foi em 1909. Um irmão morreu de pneumonia em 1912. Outro irmão se suicidou em 1913. O terceiro morreu na guerra em 1918. No mesmo ano, também em ação, foi morto Ernest Farrar, seu primeiro professor de música. Logo, suas obras são de uma enorme melancolia.

Finzi não foi o único a musicar as letras de Shakespeare para as canções das peças (diferentemente das criações populares citadas aqui e ali, as dele eram cantadas na íntegra). Muitos as musicaram, sim, desde os tempos do dramaturgo. Sobrevivem 11 dessas versões renascentistas. Contemporâneo de Finzi, Roger Quilter compôs quatro ciclos de canções de Shakespeare. Sua versão para “Fear no more the heat o’ the sun” está no segundo deles, opus 23, publicado em 1921. É uma bela música, sim, mas a versão de Finzi costuma ser a preferida, inclusive por mim. Os estilos são bastante distintos. Finzi é mais “romântico”, solene; Quilter, mais “renascentista”, sereno.

Em junho, a soprano Anna Prohaska e o pianista Eric Schneider lançaram pelo selo Deustche Grammophon o CD “Behind the lines”, título que faz um trocadilho entre as linhas de uma pauta musical e as linhas inimigas. Eles preferiram gravar a “Fear no more the heat o’ the sun” de Quilter. As 25 canções são cantadas em quatro idiomas: inglês, alemão, francês e russo — “Polyubila ya na pecal’ svoyu”, de Rachmaninoff, está entre os pontos altos do disco. Elas são mais variadas estilisticamente por se espraiarem do renascentista Michael Cavendish ao contemporâneo Wolfgang Rihm, passando por Beethoven, Schubert e Mahler, entre outros. Vão aí quatro séculos de música, pois as guerras são mais características da “natureza humana” do que a paz.


http://oglobo.globo.com/cultura/o-som-da-metralha-13762576