30 de junho de 2016

O JORNALISMO ESTÁ VIVO E BRILHA

 
Mídia comercial e mídias comunitárias e populares trataram a questão do impeachment de Dilma Rousseff de formas distintas.
Por Elaine Tavares
Antes de qualquer coisa vamos estabelecer um consenso sobre os conceitos. O que é a mídia comercial e o que são as mídias comunitárias, populares e os ativistas digitais. Bom, a mídia comercial reúne os grandes meios de comunicação, empresas privadas que usam o espaço público – com as TVs e Rádios – e empresas privadas que atuam no espaço privado: os jornalões dos grandes centros e os jornais médios e pequenos dos municípios menores.
A mídia comunitária e popular é composta por um conjunto bem diverso de meios. Espaços privados de gente que tem uma posição política mais avançada e que organiza blogs e páginas pessoais, espaços públicos comunitários – o caso das rádios e TVs comunitárias – espaços sindicais e do movimento social, espaços de grupos organizados de produção de informação, espaços no éter de pessoas físicas que de forma isolada produzem e distribuem informações.
Pois bem, agora vamos ver como esses dois blocos se comportaram durante o processo de discussão do impedimento da presidenta Dilma Roussef. O primeiro, que é reconhecidamente o braço armado ideológico da classe dominante, fez o que lhe é comum: defender os interesses dessa classe. E quais eram? Criar um consenso nacional sobre a necessidade da saída da Dilma e consolidar a derrubada do PT do governo. Para tanto usaram o tema da corrupção, useiro e vezeiro nos processos de golpe. Como já existe um consenso generalizado na sociedade de repúdio à corrupção, apelar a isso é sempre uma boa estratégia. Então, começaram as reportagens sobre o tema cuja intenção principal era implicar a presidenta. Nenhuma ligação sobre o fato de ter sido esse governo o que deu as condições para que a Polícia Federal pudesse aprofundar as denúncias e chegar aos verdadeiros implicados.
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Se observarmos com cuidado vamos ver que desde o final das eleições que acabaram conduzindo Dilma ao segundo mandato, já teve inicio a cruzada anti-PT. O tal do terceiro turno, que nunca se encerrou. Não houve um dia que a mídia comercial não tenha feito alguma matéria que levasse a essa formação de consenso: o PT era ruim para o país. Os casos de corrupção que foram sendo levantados só serviram para consolidar esse mantra. Junte a isso o arrefecimento do “espetáculo do crescimento” e estava formado o caldo perfeito paro que veio a seguir.

A queda de braço do governo com Eduardo Cunha, por exemplo, que foi o estopim do golpe, teve um tratamento totalmente manipulado. Em nenhum momento a mídia comercial deixou claro que a presidenta se recusava a blindar o então aliado que estava – ele sim – acusado de corrupção. E foi justamente essa recusa em defender Eduardo na comissão de ética que levou à vingança do mesmo, com o pedido de impedimento de Dilma. Assim, estava virado o jogo e a presidenta foi quem começou a aparecer como corrupta.
O bombardeio na mídia comercial para implicar Dilma foi feroz. Quem não se lembra da conversa gravada com Lula, divulgada no Jornal Nacional – e em todos os grandes jornais televisivos - como a prova definitiva da culpa de Dilma? E o que havia na gravação? Nada. Ocorre que ninguém prestou atenção ao conteúdo ou ao contexto da fala. Todo o cenário espetacularizado foi montado para criar uma sensação: a culpa de Dilma. O tom da voz dos apresentadores, os trechos fragmentados incompreensíveis e inconclusivos. Era o carnaval da corrupção. O consenso já estava criado. Ninguém precisava escutar com atenção a conversa para saber que ali estavam as provas. E as gentes foram às ruas pedir o fora Dilma, inclusive usando a última frase da conversa entre ela e Lula, quando o presidente se despede e diz: tchau, querida. Isso acabou virando o mote da campanha do impedimento. Orientadas pelos jornais nacionais as pessoas batiam panelas e saíam às ruas. Muitas sem saber, inclusive, que aquelas gigantescas manifestações estavam sendo organizadas e financiadas pelos mais “importantes” corruptos do país, liderados por Fiesp e outras entidades internacionais, também useiras e vezeiras em financiar golpes de estado.
Não foi sem razão que a manifestação do domingo que levou milhões às ruas pedindo a saída da presidenta, foi televisionada desde os primeiros momentos, ao vivo, por emissoras que jamais abririam espaço na sua programação para manifestações políticas. Pois essa se fez em tempo real na casa de outros milhões de brasileiros. Já a resposta dos movimentos sociais, dias depois, mereceu algumas notas, senão o silenciamento. Ou seja, a mídia atuava de maneira fundamental na construção de uma ideia, na criação de um consenso.
E a mídia alternativa? Qual foi o seu papel? Esses espaços atuaram como sempre fazem no trato com a notícia, buscando trazer as informações dentro do seu contexto para que as pessoas tenham noção da totalidade. Foi assim, nos chamados “blogs sujos” de jornalistas de esquerda ou progressistas, foi assim nas páginas de sindicatos e movimentos sociais e foi assim nos coletivos livres de produção de notícias. A outra versão, os fatos no contexto, as realidades destapadas.
Mas, toda essa gente – que desde sempre atuou na contrainformação – contou com uma ajuda inesperada. Os chamados ativistas digitais. Que são pessoas comuns, não necessariamente envolvidas em coletivos ou movimentos, que se agregaram a essa linha de divulgação das informações e passaram a atuar de forma intensa nas redes sociais. Assim, de repente, todo o trabalho realizado por essa mídia alternativa, comunitária e popular, começou a ser viralizado, horizontalmente pelos ativistas. A rede passou a ser um espaço de contrainformação importantíssimo e passou a também mobilizar pessoas para atos de protesto, ou de apoio à Dilma.
Aqui é bem importante fazer uma relação com a chamada “primavera árabe”, na qual as mídias sociais foram bastante utilizadas, só de que maneira contrária. As pessoas reproduziam a informação que era criada pelas forças de desestabilização dos governos, financiadas pelas instituições golpistas internacionais. A fabricação do consenso foi de que lá, naqueles países, Argélia, Líbano, Líbia, Síria, estava nascendo uma revolução “popular” contra os regimes autoritários, quando na verdade, era uma ação violenta dos países centrais contra o nacionalismo árabe. Naqueles dias do que foi o grande inverno das populações árabes, as redes sociais eram usadas com maestria pelos “tanques de pensamento” do sistema capitalista mundial. É claro que os governos em questão não eram ilhas de paz e amor, estavam eivados de suas contradições, e é claro também que havia resistência popular, mas o que se viu nas redes – e que foram reproduzidos nas grandes cadeias de informação comercial – foram informações produzidas a dedo pelos think tanks.
É fato que no Brasil também tivemos o ativismo de direita, que foi grande e poderoso, com a ação articulada do Revoltados On Line e MBL, mas nesse campo eles acabaram, de certa forma derrotados, pois ainda que tenham arrebanhado milhões de seguidores, não conseguiram estabelecer o consenso nas redes sociais. O ativismo de esquerda enfrentou a máquina comercial e os tanques de pensamento da direita com uma ação coletiva, massiva, horizontal e articulada, e colocou o povo nas ruas. Manifestações gigantescas passaram a acontecer até o dia da votação do impedimento, e continuam a se realizar nesses dias todos de governo golpista. Impossível negar o papel fundamental dessa rede no processo de resistência.
Bueno, diante disso, do fato de que o ativismo digital foi decisivo para a articulação da luta nas ruas, surgem as alegações de que agora, o jornalismo não é mais necessário. Pois, se cada pessoa é um comunicador em potencial, não precisa mais da mediação do profissional do jornalismo. E, se a informação circula horizontalmente e em tempo real, tampouco se faz necessária a mediação – coisa que é papel do jornalista fazer.
Defendo contrário a essa tese e arrisco dizer que o jornalismo foi a grande estrela desse processo de mobilização popular. Sem ele - o jornalismo de verdade - não teria sido possível todo esse rastilho de pólvora que se espalhou pelas redes sociais. E o que quero dizer com “jornalismo de verdade”? É essa maneira de narrar a vida de tal forma que o leitor/ouvinte/espectador possa compreender o fato em toda a sua inteireza. Na prática, é a notícia como forma de conhecimento, tal qual ensina o teórico Adelmo Genro Filho, partindo de uma singularidade e dialeticamente passando ao particular e ao universal, permitindo ao que recebe a informação apreendê-la de forma totalizante. Ou seja, dentro de seu contexto geral.
Nesse sentido é importante observar que houve um casamento perfeito entre os ativistas da informação, que são esses que repassam informações fragmentadas, imagens em tempo real, fatos particulares, sem qualquer análise, e os velhos e novos jornalistas que, usando de toda essa trama de informações segmentadas, faziam as amarrações, apontavam análises da realidade e estruturavam as notícias de forma a oferecer a universalidade do assunto. Jornalistas como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif – para citar alguns mais conhecidos – aos quais poderia agregar jornalistas críticos que existem em todos os estados brasileiros, como eu e o Raul Fitipaldi em Santa Catarina, por exemplo, os coletivos de jornalistas como o Desacato, o Mídia Ninja e os Jornalistas Livres, e os blogs e portais de notícias comandados por jornalistas foram decisivos no processo que se contrapôs aos grandes meios comerciais. Então, o que isso significa? Que o jornalismo está vivo sim, e brilha, e desaloja, e transforma. O jornalismo não morreu como alegam alguns que se comportam ou como neo-ludistas – negando as novas formas de comunicação e buscando destruí-las - bem como os que pensam que agora qualquer pessoa que passa informação na rede é jornalista.
Não é.
O jornalismo é uma forma específica de produzir conhecimento que narra a vida de maneira a articular o que há de singular num fato com a universalidade que ele totaliza no contexto da história dos homens e mulheres. Essa amarração, essa análise, essa totalização precisa ser feita para que as pessoas não se afoguem no mar das informações que lhes chega todos os dias. Os ativistas, que hoje prestam esse inestimável serviço de divulgar as informações mais variáveis precisam se apropriar desse fazer, esse é o grande desafio para eles. Mas, ainda que não se apropriem, há outras milhares de pessoas que atuam com o jornalismo, fazendo isso, trabalhando em uníssono. Esse é um daqueles momentos incríveis, de mudança de temperatura do mundo. Temos que trabalhar juntos para fazer aquilo que o velho Marx apontava, quando também criou uma forma nova de ver o mundo: transformar a realidade para o bem dos trabalhadores.
Resumindo a ópera. A mídia popular, comunitária e os ativistas digitais fizeram a diferença nesse processo do impedimento. Informaram e levaram gente para as ruas na luta contra o golpe. Abriram caminhos por entre a selva de informações da internet e foram capazes de fazer frente aos barões da imprensa. Mas, a mídia comercial ainda é poderosa, vejam o consenso que ela conseguiu criar. Ela forte e não deve ser subestimada. Por isso precisamos seguir na luta por soberania comunicacional, que se plasma na seguinte proposta: a mídia livre precisa de um estado livre e uma comunicação sob o controle da maioria. Outro estado, portanto.
Não duvido nem um pouco de que a classe dominante já esteja atuando no sentido de enfraquecer – senão destruir – essa mídia libertadora que assomou no processo de impedimento. Um dos elementos que nos fazem pensar é a decisão do Facebook – que já abocanhou mais de um bilhão e meio de pessoas na sua rede – criando um novo serviço para que as pessoas sejam obrigadas a entrar diretamente nos sítios das grandes corporações midiáticas. Ou seja, para que um texto seja lido ele precisa estar numa plataforma de uma empresa conveniada ao face. Tudo isso porque a plataforma percebeu que as pessoas estão lendo pessoas ou blogs e não os meios, que tiveram uma queda de mais de 42% na audiência. Logo, esse setor – que nunca perde - está se rearticulando, se aliando às plataformas de rede, para derrotar a informação livre.
Então, o nosso desafio segue o mesmo: mudar a forma de organizar a vida para, então, mudar a forma de fazer comunicação. Construir o socialismo ou qualquer outro modo de vida que inventemos, que garanta não apenas vida boa e bonita para todos, mas também a informação livre, contextualizada e produtora de conhecimento. E, seja como for, o jornalismo seguirá, brilhando e se fazendo, tal qual ensinou Adelmo, livre da manipulação, oferecendo ao que lê/ouve e vê, a universalidade dos fatos.
*Elaine Tavares é jornalista.

BRAGA: CATÓLICOS PEDEM AO PAPA QUE PROCLAME SÃO JOÃO GUALBERTO «PADROEIRO» DO PARQUE PENEDA-GERÊS

Agência Ecclesia 30 de Junho de 2016, às 10:49
Foto: Santuário de São Bento da Porta Aberta       
Foto: Santuário de São Bento da Porta Aberta
Iniciativa promovida pela Irmandade de São Bento da Porta Aberta

Terras de Bouro, Braga, 30 jun 2016 (Ecclesia) – A Irmandade de São Bento da Porta Aberta, na Arquidiocese de Braga, já tem “centenas” de assinaturas na petição que vai pedir ao Papa que São João Gualberto seja proclamado “padroeiro celeste” do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o mesário da irmandade explicou que a ideia da petição surgiu no contexto dos 50 anos da proclamação de São Bento padroeiro da Europa e pelos 400 anos do santuário a ele dedicado em Rio Caldo, Terras de Bouro.

“Trabalhou-se muito o património legado por São Bento e chegamos à conclusão que entre os filhos espirituais havia um homem, que em Portugal não é muito conhecido, mas que marcou o seu tempo”, disse Carlos Aguiar Gomes sobre São João Gualberto.

O monge italiano fundou a Congregação Beneditina Valombrosana e foi proclamado protetor da floresta e dos “agentes florestais” na Itália, pelo Papa Pio XII em 1951, e “mais recentemente” das florestas do Estado de São Paulo, no Brasil.

A Mesa da Irmandade de São Bento da Porta Aberta pela localização do santuário no Parque Nacional da Peneda-Gerês considerou que “seria interessante e útil” espiritualmente que essa “grande reserva da biosfera” tivesse “um padroeiro celeste”.

Segundo Carlos Aguiar Gomes a iniciativa “mereceu aplausos” do arcebispo-primaz de Braga e foi criada a comissão responsável pela recolha de assinaturas que depois D. Jorge Ortiga vai “fazer chegar” à Santa Sé, ao Papa Francisco”.

A divulgação e recolha de assinatura começou a 12 de julho de 2015, dia da festa litúrgica de São João Gualberto, quando o arcebispo presidiu a uma Missa solene e “lançou o desafio”.

“Já temos largas centenas de assinaturas entre diferentes grupos sociais e culturais. As pessoas têm aderido muito à iniciativa”, adiantou o mesário da Irmandade de São Bento da Porta Aberta.

São João Gualberto que nasceu na região da Toscana, em Florença, Itália, e fundou os monges Beneditinos Valombrosanos é pouco conhecido em Portugal mas segundo o entrevistado, o boletim da Irmandade tem-lhe “dedicado artigos” e já pediram “autorização” para editar um livro, “relativamente pequeno, muito bem escrito, bem documentado”, que os monges brasileiros publicaram.

Carlos Aguiar Gomes acrescenta que outras formas de divulgação hão de surgir e se o santo for proclamado “patrono celeste, haverá a colocação de uma estátua voltada para o Parque Nacional Peneda-Gerês”.

O mesário da Irmandade de São Bento da Porta Aberta destaca ainda que São João Gualberto “é notável” não só na área das florestas, da botânica, mas é também viveu a misericórdia do perdão de uma forma “muito intensa” quando não vingou “a morte do irmão mas caiu nos braços do assassino e perdoou-lhe, num Sexta-feira Santa”.

De 10 a 12 de julho há dias de festa no Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Rio Caldo, Terras de Bouro, que começa por celebrar o Patrono da Europa - São  Bento – e depois São João Gualberto.

Segundo a irmandade o “espaço geográfico, geológico, ecológico, monumental e humano de valor ímpar” do Parque Nacional da Peneda-Gerês situa-se no espaço das Dioceses de Braga, Vila Real e de Viana do Castelo e tem “implantados” antigos mosteiros beneditinos - Ermelo e Pitões das Júnias - e nas cercanias mosteiros de filhos espirituais de S. Bento como os cistercienses em Fiães e Santa Maria de Bouro e em Santo André de Rendufe dos “monges negros”.

CB

INFLUÊNCIA POLÍTICA DO FACEBOOK É ANALISADA

domtotal.com
Quando amigos foram marcados em lembretes de votação, o comparecimento aumentou.
O Face está se esforçando para mostrar neutralidade.
O Face está se esforçando para mostrar neutralidade.

Por Yasmeen Abutaleb

Com a campanha presidencial dos Estados Unidos se acelerando, o Facebook está se esforçando para mostrar neutralidade - um assunto cada vez mais urgente para a rede social, uma vez que evidências sobre seu poder continuam a surgir.

Estudos recentes mostraram que a rede social tem uma influência extraordinária. De acordo com pesquisas que devem ser publicadas em agosto, no Journal of Communications, quando pessoas marcaram seus amigos em lembretes de votação do Facebook, o comparecimento aumentou entre 15 e 24 por cento.

Durante as eleições primárias para a Presidência dos EUA este ano, um lembrete que informou as pessoas quando o prazo de registro para votação em seu Estado estava se aproximando e fornecia um link que ajudou a produzir um aumento de quase 650 mil novos registros de votações somente na Califórnia, de acordo com o secretário de Estado Alex Padilla.

No Reino Unido, um lembrete do Facebook dias antes do prazo para se registrar para votar no referendo sobre a saída do país da União Europeia levou 186 mil pessoas a se registrarem online, de acordo com o governo.

"Geralmente, conseguir que as pessoas votem pode balançar uma eleição nacional", disse a doutoranda da Universidade do Texas em Austin Katherine Haenschen, autora do estudo que será divulgado em breve no Journal of Communications.

O Facebook está ávido para mostrar que seu envolvimento político é limitado a atividades que parecem neutras, como encorajar o voto. A empresa divulgou essa semana diretrizes que governam o importante feed de notícias - seção onde são exibidas a maior parte das postagens no Facebook - e refutou fortemente alegações de viés político em seu Trending Topics.

Reuters

PAPA FALOU SOBRE A VIAGEM À ARMÉNIA. VOLTA EM BREVE AO CÁUCASO

O Papa Francisco, na audiência jubilar deste dia 30 de junho, comentou a sua recente viagem à Arménia, “nação que abraçou o cristianismo já no início do século quarto e que ao longo da história testemunhou a sua fé em Cristo, mesmo com o martírio”. O Santo Padre referiu que com esta viagem procurou reforçar a comunhão fraterna para que os cristãos possam ser fermento de uma sociedade mais justa e solidária: "Dou graças a Deus por esta viagem, e estou muito grato ao Presidente da Arménia, ao Catholicos Karekin II, ao Patriarca e aos bispos católicos, e a todo o povo arménio por terem-me acolhido como peregrino de fraternidade e paz.”
Entretanto, o Papa Francisco recordou que daqui a três meses irá à Geórgia e ao Azerbaijão, outros dois países situados no Cáucaso:
“Acolhi o convite de visitar estes países por dois motivos: por um lado, valorizar as antigas raízes cristãs presentes naquelas terras, sempre com o espírito de diálogo com as outras religiões e culturas, e por outro, incentivar esperanças e caminhos de paz. A história ensina-nos que o caminho da paz requer grande tenacidade e passos contínuos, começando pelos pequenos e devagar fazê-los crescer, indo um ao encontro do outro. Por isso, o meu desejo é de que todos e cada um dêem a sua contribuição para a paz e a reconciliação.”
(RS)

CARDEAL DE BOSTON: PROCUREMOS TODOS SER MAIS MISERICORDIOSOS

Cathedral In Boston 
É o apelo que o Cardeal D. Seán Patrick O´Malley lança a propósito do Ano da Misericórdia que a igreja está a viver em todo o mundo.
Declarações à Rádio Vaticano em Lisboa após ter recebido do Presidente da República Portuguesa a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique por serviços à comunidade lusa nos Estados Unidos.
O cardeal norte-americano diz que a misericórdia tem sido a marca do ministério do Papa, que olha para a misericórdia como “o rosto de Deus e tem que ser rosto da igreja”.
Sobre as obras da Misericórdia, o prelado considera que “ têm que ser obras que nascem de um coração convertido, do amor e humildade para com os outros”.

PAPA FRANCISCO: A MISERICÓRDIA NÃO É “ABSTRATA” E SEM OBRAS ESTÁ MORTA


O Papa Francisco na audiência jubilar de hoje na Praça de São Pedro. Foto Daniel Ibañez (ACI Prensa)
Vaticano, 30 Jun. 16 / 10:50 am (ACI).- Em sua reflexão nesta manhã na audiência jubilar na Praça de São Pedro, o Papa Francisco explicou que "a misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um estilo de vida”, já que uma pessoa pode decidir ser misericordiosa ou não, pode decidir se envolver e ajudar os outros ou ser indiferente ante as necessidades do próximo.

Photo published for Sexta-feira da Misericórdia: Papa Francisco visita 2 comunidades de sacerdotesO Papa começou sua reflexão afirmando que é necessário fazer um “sério exame de consciência” sobre as obras de misericórdia na vida cotidiana.

“É bom, de fato, não esquecer jamais que a misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um estilo de vida. Uma pessoa pode ser misericordiosa ou pode ser não misericordiosa. É um estilo de vida, eu escolho viver como misericordioso ou escolho viver como não misericordioso. Uma coisa é falar de misericórdia, outra é viver a misericórdia”.
O Santo Padre explicou que “a misericórdia sem as obras é morta em si mesma. É exatamente assim! O que torna viva a misericórdia é o seu dinamismo constante de ir ao encontro de quem precisa e das necessidades de quem se encontra em dificuldade espiritual e material”.

Às vezes, alertou o Pontífice, passamos diante de situações dramáticas de pobreza e parece que estas não nos tocam; tudo continua como se nada fosse, em uma indiferença que, ao final, nos torna hipócritas e, sem perceber, acaba em uma forma de letargia espiritual em que o ânimo se torna insensível e a vida, estéril”.

Quando isto acontece, disse Francisco, as pessoas se tornam “gente que passa toda a vida sem nunca perceber as necessidades dos outros. Lembrem-se bem: quem não vive para servir, não serve para viver”.

Depois de recordar que quem experimentou a misericórdia de Deus na própria vida não pode permanecer insensível ante as necessidades dos outros, o Papa ressaltou que “não se pode procrastinar diante de uma pessoa que tem fome: é preciso lhe dar de comer. Jesus nos diz isto. As obras não são temas teóricos, mas testemunhos concretos. Obrigam a arregaçar as mangas para aliviar o sofrimento”.

“Por causa das mudanças de nosso mundo globalizado, algumas pobrezas materiais e espirituais se multiplicaram: demos, portanto, espaço à fantasia da caridade para identificar novas modalidades operativas. Deste modo, a via da misericórdia será sempre mais concreta”.

O Papa Francisco sublinhou deste modo que, “portanto, pede-se a nós que permaneçamos vigilantes como sentinelas para que, diante das pobrezas produzidas pela cultura do bem-estar, o olhar do cristão não se enfraqueça e se torne incapaz de ver o essencial”.

“O que significa olhar o essencial? Olhar Jesus. Olhar Jesus no faminto, no prisioneiro, no doente, no nu, em quem não tem trabalho e deve levar avante uma família. Olhar Jesus nestes irmãos e irmãs”.

“Olhar Jesus em quem está triste, só, em quem erra, em quem precisa de conselho, caminhar em silêncio com quem precisa de companhia”.

Estas, concluiu o Papa, “são as obras que Jesus pede a nós. Olhar Jesus nestas pessoas. Por quê? Porque Jesus nos olha assim”.

O Santo Padre também deu graças por sua recente viagem à Armênia, a primeira nação cristã do mundo, realizado de 24 a 26 de junho, e pediu pela paz nessa região.

MEIO AMBIENTE 30/06/2016 | DOMTOTAL.COM AQUECIMENTO: LONDRES MANTERÁ COMPROMISSO

Mas especialistas temem o impacto de sua saída da UE sobre a ação climática europeia.

"Estamos claramente empenhados em agir contra as mudanças climáticas. (...) Isso vai continuar".
A Grã-Bretanha prometeu, nessa quarta-feira, manter seus compromissos contra o aquecimento global, apesar do Brexit, mas especialistas temem o impacto de sua saída da UE sobre a ação climática europeia.

"Estamos claramente empenhados em agir contra as mudanças climáticas. (...) Isso vai continuar", assegurou a secretária de Estado britânica para Energia e Mudanças Climáticas, em uma audiência de CEOs e responsáveis pelo clima reunidos em Londres na terça e quarta-feira para um "Business and Climate Summit".

"A decisão da semana passada (saída britânica da União Europeia) pode tornar o caminho mais difícil", admitiu Amber Rudd. Mas "os nossos esforços foram essenciais para alcançar este acordo histórico (de Paris). O Reino Unido não vai desistir desse papel de liderança", acrescentou.

Além da ação britânica, é uma onda de choque do outro lado do Canal da Mancha que faz tremer os atores na luta climática, seis meses após o acordo global alcançado em Paris para limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Para eles, este evento pode prejudicar a ação da Europa. E quanto mais tempo o processo de divórcio entre Londres e Bruxelas levar, maiores serão so danos, alertam, temendo ainda que outros países se inspirem nos desejos de independência britânicos.

"Haverá alguma incerteza, transição e volatilidade por pelo menos dois anos" na política da UE, advertiu nesta terça-feira a responsável pela questão climática na ONU, Christiana Figueres, diante da mesma assembleia.

Na melhor das hipóteses, essa saída vai gerar um quebra-cabeça administrativo, uma vez que o Acordo de Paris foi negociado com base em um bloco de 28 países, que se comprometeram a reduzir suas emissões em 40% até 2030 em relação a 1990.

"A UE vai estudar uma recalibração" dos esforços comuns de redução de emissões entre os países, disse Figueres.

Pior cenário

O caso também promete complicar a situação de algumas empresas que precisam antecipar as mudanças ligadas ao aquecimento global.

"Dentro da comunidade dos negócios, o tempo gasto nesta questão do Brexit vai nos desviar de decisões importantes que poderíamos tomar em outras questões", considerou Peter Sweatman, CEO da empresa de consultoria Climate Strategy.

Outros temem que o Brexit dificulte a capacidade da UE, o terceiro maior emissor mundial, de rever rapidamente seus planos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, medida esperada dos principais países emissores se o mundo quiser se manter abaixo do limiar crítico de 2°C de aquecimento.

"O papel de protagonista da Europa sobre o clima vai ser reduzido", acredita Nick Mabey, do think tank londrino E3G. "E isso vai afetar a motivação geral". "Logo, veremos o mundo se desviar da trajetória de 2 graus, e é aí que entraremos nas zonas de perigo globais", alertou.

No Acordo de Paris, a comunidade internacional comprometeu-se em limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C ou 1,5°C em relação ao nível de antes da Revolução Industrial.

Acima dessa meta, os cientistas prometem ao planeta eventos extremos, com consequências desastrosas para as espécies e economias.

Os compromissos nacionais atuais levam o mundo a um aumento em 3°C. Acertar esta lacuna tornou-se uma questão prioritária para os 195 Estados partes no acordo.

Historicamente, a Europa - em parte sob o impulso britânico - tem sido líder na luta contra o aquecimento global, fazendo o papel de mediador junto aos países relutantes a partilhar os esforços.

Enquanto os partidos de extrema-direita cobraram, na França e na Holanda, referendos sobre a saída de seus países da UE, o pior cenário seria, aos olhos dos defensores do clima, que outros Estados sigam o exemplo da Grã-Bretanha.

"Se a Europa realmente começar a se desintegrar, será difícil preservar as políticas europeias (para o clima), seja em relação as normas de emissões, energia limpa ou mercado de energia", afirma Nick Mabey.

AFP

RÁDIO VATICANO - PROGRAMA BRASILEIRO

Foto do perfil de Rádio Vaticano - Programa Brasileiro

MARGUERITE


Título original: Marguerite
Nos anos 1920, a rica Marguerite Dumont (Catherine Frot) está convencida de que tem uma belíssima voz, e organiza vários concertos privados em sua mansão. Ela é muito apreciada pela generosidade e pelas belas festas, mas ninguém tem coragem de dizer que Marguerite canta incrivelmente mal. Um dia, a artista decide se apresentar em público. O marido teme a reação negativa, mas ela contrata um professor e se prepara para a apresentação de sua vida.
País: França, República tcheca, Bélgica
Ano: 2016
Gênero: Drama
Classificação: 14
Direção: Xavier Giannoli
Elenco: Catherine Frot, André Marcon, Michel Fau
Duração: 2h 09 min.

A RECONSTITUIÇÃO DE UM PERÍODO HISTÓRICO NO BRASIL EM “TRAGO COMIGO”



Por Charles Mascarenhas
No filme Trago Comigo, Telmo Marinikov (Carlos Alberto Riccelli), um diretor de teatro, e outras pessoas que militaram contra o período da ditadura militar são convidados agora no século XXI à darem uma entrevista sobre suas participações políticas naquela época. Telmo não consegue lembrar-se muito bem do que aconteceu nos meses em que ficou preso e clandestino.

Quando questionado sobre uma pessoa chamada Lia, sua memória reascende e ele resolve investigar seu passado. É dessa forma que, ao tentar montar uma peça de teatro com os fragmentos relembrados, Telmo vai sentindo quão doloroso foi o período que viveu na ditadura, razão que o levou a forçar o esquecimento e junto com isso um grande amor.

Nesse filme da diretora Tata Amaral, que dirigiu o longa Hoje (2011), traz à tona as questões da ditadura militar. O diretor de teatro, Telmo, conduz os atores em cena com o intuito de mostrá-los o que era viver sob um governo opressor e para que eles pudessem encarnar personagens verdadeiros.

À medida que Telmo vai se lembrando do que aconteceu, novos jogos são propostos aos atores, que muitas vezes confrontam o diretor sobre a veracidade da história proposta, bem como questionam se seria correto ter personagens assaltantes e sequestradores em nome das ideologias políticas defendidas. Esses diálogos são bem interessantes, pois trazem alguns discursos reproduzidos hoje em dia.
O filme estreou em um momento que se discute a democracia no país, conquistada arduamente, deixando claro que as feridas causadas pela ditadura, ainda estão abertas.

Clique aqui e confira o trailer

Charles Mascarenhas
Graduando em cinema e audiovisual pela PUC-Minas e estudante de cursos livres de teatro