30 de novembro de 2017

Almoço de confraternização da nossa querida irmandade Literária, a AMLEF - Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza











Fotos da publicação de Angélica Sampaio

Atrações culturais nas ruas de Recife

por João Neto - Repórter
Grupos de maracatu e bandinhas levam carnaval às ruas em pleno mês de novembro. As vestimentas chamam atenção de quem vai ao Marco Zero
O turismo das grandes capitais é voltado para museus, praias, parques ecológicos entre outras atividades em prédios históricos. Em Recife, em plena época de Papal Noel, quem toma as ruas são os blocos de maracatu. O evento só acontece graças ao projeto "Recife Antigo de Coração". Um convite para que recifenses e turistas aproveitem e vivam intensamente a cidade. Desde março de 2013, o Centro Histórico se transforma em um grande parque a céu aberto, aos domingos, congregando pessoas de todas as idades, gostos e estilos.
O turista que for passar longas temporadas em Recife vai encontrar uma programação variada a cada fim de semana. O cronograma, que toma conta das ruas do Bom Jesus, Alfredo Lisboa, Avenida Rio Branco, Rua da Moeda e Marquês de Olinda, conta com brincadeiras para a criançada, shows e muitas atividades esportivas, como futebol, vôlei, slackline, patinação artística, handebol, skate e badminton. A média de público do evento é de 25 mil pessoas. Em 2017, foram realizadas sete edições.
Além disso, todo domingo é realizada uma "prévia" da edição maior com atração cultural itinerante, aluguel de bikes e o fechamento do bairro para carros. Em 2017, foram realizadas 23 edições com a presença de 15 mil pessoas por domingo.
A turista argentina Esmeralda Roca, 52, escolheu Recife pelo valor histórico. A aposentada que também é arquiteta descobriu os prédios históricos da cidade pela internet e resolveu conferir de perto as paisagens e as construções históricas. "Eu rodo o mundo em busca de arquitetura. É bom saber que estão preservando um pedaço da história aqui em Recife", comenta a turista.
Rotas
A secretária de Turismo, Esportes e Lazer de Recife, Ana Paula Vilaça, explica que desde a chegada da hub da Azul, a cidade vem recebendo um perfil diferente de turistas. "Nos últimos três anos passamos a ofertar mais de 25 destinos nacionais e nove destinos internacionais. Isso deu um grande impacto ao município. Temos dados da Polícia Federal que apontam que houve um aumento em mais de quatro vezes o número de turistas, principalmente os argentinos", avalia a gestora.
Até o fim do ano, a prefeitura, junto com o governo estadual, deve entregar mais um ponto de turismo na orla: o Boulevard da Avenida Rio Branco. O projeto tem custo previsto de R$ 5,2 milhões e será realizado com recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur).
A avenida manterá seus 8,8 metros de largura, mas o piso será elevado até a altura do piso da Praça do Marco Zero e seguirá o mesmo padrão, em granito. Haverá cinco quiosques comerciais, árvores e bancos, compondo um espaço de convivência. As calçadas vão manter as pedras mineiras atuais e a fiação será embutida. Os veículos ficarão limitados para cruzar a via.
Cores de Carnaval
 
Confira galeria de imagens de blocos de Carnaval no Marco Zero de Recife clicando no link: http://bit.ly/recifeantigotur

Diário do Nordeste

Ancine prorroga prazo para salas de cinema atenderem normas do Estatuto da Pessoa com Deficiência

por Iracema Sales - Repórter
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/ 2005), conhecida como "Estatuto da Pessoa com Deficiência", dispõe no seu artigo 44 sobre a obrigação das salas comerciais de cinema oferecerem recursos de acessibilidade para pessoas portadoras de necessidades especiais auditiva e visual. Até o momento, os cinemas brasileiros não cumpriram a determinação, fazendo com que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) prorrogasse o prazo - que terminaria neste mês - para 16 de novembro de 2018, estipulando como data limite 16 de setembro de 2019. A determinação atende a pedido do segmento dos exibidores, que reivindica mais tempo para a definição de padrões técnicos.
A decisão pelo adiamento foi tomada após as discussões da câmara técnica instalada pela Ancine para avaliar o assunto, responde em nota, a assessoria de comunicação da agência. Informa que, "em março deste ano, a câmara produziu um termo de recomendações que dispõe sobre padrões técnicos relativos aos formatos de produção e entrega dos recursos de acessibilidade. Após a publicação do documento, a Digital Cinema Initiatives (DCI), entidade internacional responsável pela gestão do padrão tecnológico de cinema digital, emitiu recomendações relativas à disponibilização de tecnologias de acessibilidade, que conflitam em parte com o documento final da câmara técnica. Para dirimir as divergências, a Ancine decidiu então reabrir os debates da câmara técnica acerca da acessibilidade com o intuito de amadurecer as discussões e buscar uma solução consensual".
Na primeira reunião após seu restabelecimento, em 27 de outubro, os integrantes da câmara propuseram à Ancine a prorrogação, por um ano, dos prazos das obrigações incidentes sobre os agentes exibidores devido à insegurança associada ao investimento na adaptação do parque exibidor, num contexto de incerteza quanto aos parâmetros de interoperabilidade a serem adotados pelo Brasil. Por isso, a diretoria colegiada da agência resolveu atender ao pleito, editando nova instrução normativa, alterando a data para a obrigação de provimento dos recursos de acessibilidade pelas empresas exibidoras aos consumidores.
Custos
Segundo a assessoria de comunicação da Ancine, foram realizadas cotações para o serviço de adaptação de salas, que serviu de subsídio à elaboração de um relatório de análise de impacto do serviço. "O documento trouxe também estimativas de custo de adaptação do parque exibidor. Vale notar, no entanto, que desde a publicação do relatório surgiram novos prestadores de serviços, e foi publicada a Instrução Normativa 128, o que trouxe mais clareza quanto aos requisitos associados à adaptação das salas. Esses fatores impactam no custo real de adaptação do parque exibidor", admite.
No 4º capítulo, o documentos prevê as penalidades para aqueles que descumprirem o que propõe a legislação brasileira para pessoa com deficiência. Caso a distribuidora de obras audiovisuais deixe de disponibilizar ao exibidor cópia da obra audiovisual com os recursos de acessibilidade de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras), sofrerá de advertência até o pagamento de multas, que variam entre R$ 500 mil e R$ 100 mil.
Um dos motivos da prorrogação é o alto custo para a adaptação das salas aos recursos de legendagem descritiva, audiodescrição e Libras. O curador do Cinetearo São Luiz, Duarte Dias, estima que o valor médio do investimento custe R$ 30 mil, por cada sala. "Estamos acompanhando a discussão e o setor está conversando sobre o tema", admite o curador. Uma das sugestões seria a criação de um fundo da Ancine a fim de ajudar na realização do trabalho, comenta. "O custo é muito alto. Vamos negociar com a Ancine", diz, justificando a prorrogação do prazo. Cabe à Secretaria da Cultura do Estado (Secult) a administração do São Luiz e das salas do Dragão do Mar.

Diário do Nordeste

Multiplicando os dons de Deus

Padre Geovane Saraiva*
Deus nos dá dons ou talentos, e Jesus nos convida a multiplicá-los, jamais mantê-los escondidos ou debaixo do chão. Acolhendo-os generosamente, devemos compartilhá-los, numa atitude de confiança ou de coragem, a ponto de tornar possível dar bons e abundantes frutos. O Papa Francisco asseverou que a parábola dos talentos (19/11/2017) faz-nos entender como é importante ter uma ideia verdadeira de Deus, chamando-nos a atenção para uma responsabilidade pessoal e fidelidade “que se torna também capaz de colocar-nos novamente a caminho em novas estradas, sem ‘enterrar o talento’, ou seja, os dons que Deus nos confiou, e dos quais nos pedirá conta”.

A parábola em si revela uma estrutura desigual, mas não injusta, visto que cada um recebeu segundo a sua própria capacidade. Além disso, o que importa para Deus são: o engajamento, o testemunho e a generosidade. Aqui me recordo da inesquecível Irmã Dorothy, ao abraçar a proposta do Evangelho, indo, com seus dons e talentos, residir na floresta amazônica, por opção de vida, por mais de 30 anos, repleta de ternura, paixão e compaixão pela referida floresta amazônica e seus habitantes. Mulher forte, foi determinada com seu estilo de vida e uma mística a causar medo e contrariar os que queriam outro projeto concentrador para a floresta, semelhante ao do senhor da referida parábola (cf. Mt 25, 14-30).

O grande pecado dos seguidores de Jesus de Nazaré consiste no medo de não arriscar e também na inércia e falta de criatividade. É nesse contexto que enxergamos o grande pecado dos que abraçam a fé e experimentam a esperança cristã, faltando-lhes a mística de ser sempre consequente e de se aventurar. O triste para o terceiro servo da parábola dos talentos, foi não ousar e sua falta de atitude e postura, com desconfiança ou medo daquele senhor, enterrando o talento que lhe fora confiado.

Ele é condenado, mesmo sem ter cometido ação injusta alguma, também pela recusa de favorecer o patrão. O que está por trás da parábola não é o estímulo ao enriquecimento, de modo algum, mas que todos percebam os dons recebidos de Deus. O Senhor Deus quer contar com nosso empenho, fidelidade e atenção na administração dos dons, produzindo muitos e bons frutos, recordando-nos, assim, a vida de Irmã Dorothy Stang, no testemunho do seu martírio pela Floresta. Amém!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza -geovanesaraiva@gmail.com

Vacina antidengue traz riscos para quem nunca contraiu o vírus

Anvisa destacou que os dados precisam de confirmação. Mesmo assim, por precaução, a bula da vacina deverá ser atualizada.
A vacina está disponível nas clínicas particulares. Ela não é adotada no  Programa Nacional de Imunização.
A vacina está disponível nas clínicas particulares. Ela não é adotada no Programa Nacional de Imunização. (Fotos Públicas)

A única vacina contra dengue disponível no Brasil, produzida pela  Sanofi Pasteur, não é mais recomendada para as pessoas que nunca foram  infectadas pela doença. O alerta foi emitido nesta quarta-feira, 29,  pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recebeu  nesta semana dados preliminares de estudo conduzido pela própria Sanofi.  A pesquisa indicou aumento do risco de desenvolvimento da forma grave  da doença entre aqueles que nunca contraíram o vírus.

No comunicado, a Anvisa esclareceu que a vacina em si não desencadeia a  dengue nem a forma grave da doença. O risco de casos graves estaria  restrito, segundo o trabalho, a quem nunca teve contato com o vírus.

A Anvisa destacou que os dados precisam de confirmação. Mesmo assim, por  precaução, a bula da vacina deverá ser atualizada. Já o próprio  laboratório admite que a vacina deixará de ser recomendada a quem nunca  teve dengue. "Não é uma contraindicação porque os riscos são baixos, mas  deixamos de recomendá-la para quem nunca teve contato com o vírus  porque os estudos mostraram que não compensa para esse público", disse  Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur.

Ainda é investigado o motivo da reação adversa. Para quem já tomou a  vacina, a recomendação é de buscar logo o médico, caso haja sintomas da  doença.

Aprovada no País em 2015, a vacina é indicada para a proteção contra os 4  tipos de vírus da dengue e aplicada em três doses. Na época do  lançamento, a informação era a de que proporcionaria eficácia global de  65%. Isso significa que, mesmo após imunização, havia risco de 35% de  uma pessoa contrair a doença se exposta ao vírus. O desempenho da  vacina, porém, variava conforme o subtipo do vírus.

A vacina está disponível nas clínicas particulares. Ela não é adotada no  Programa Nacional de Imunização. O governo do Paraná, porém, comprou  por iniciativa própria cerca de 700 mil doses para áreas de maior risco.  Dos 399 municípios do Estado, 30 receberam a vacina. Mesmo após o  alerta da Anvisa, o Estado vai manter a estratégia - 300 mil foram  imunizados entre 2016 e 2017.

Os estudos conduzidos pela Sanofi mostram que o aumento de risco se  traduz em 5 casos de hospitalização em cada mil pessoas que nunca haviam  tido contato com o vírus e foram vacinadas e 2 casos de dengue severa  em cada mil vacinados sem contato prévio com o vírus.

A Anvisa diz que, para quem já teve contato com o vírus, "o benefício da  vacina permanece favorável". Antes da obtenção do registro, o  imunizante havia sido testado em cerca de 40 mil pessoas. Naquela etapa,  não foi achado risco na população em geral. 

Agência Estado

França muda trecho da oração 'Pai Nosso' a partir deste fim de semana

França muda trecho da oração ‘Pai Nosso’
Missa celebrada na basílica de Notre-Dame-des-Victoires, em Paris, no dia 27 de novembro de 2017 - AFP
Os fiéis na França começarão a rezar uma nova versão do “Pai Nosso” a partir de domingo, após a modificação de uma frase que sugere que os pecadores são tentados por Deus.
A frase “não nos submeteis à tentação”, como aparece atualmente na versão em francês desta oração, será substituída a partir deste fim de semana por “não nos deixeis cair em tentação”, como em português, o que transfere a carga do pecado aos homens.
A versão atual da oração em francês foi adotada em 1966, como resultado de um compromisso ecumênico após o Concílio Vaticano II, e nunca foi unânime.
Pode Deus submeter seus filhos à tentação, um domínio reservado ao diabo? O teólogo protestante Jacques Ellul considerava esta tese absurda, enquanto outros, especialmente católicos, a consideravam quase blasfematória.
“A tradução não era errônea, mas a interpretação era ambígua”, comentou o monsenhor Guy de Kerimel, presidente da comissão episcopal para a liturgia na Conferência de Bispos da França (CEF).
Mas a nova versão também gerou críticas. Para o Conselho Nacional de Evangélicos da França (CNEF), o novo texto elimina a ideia de que o Criador “seria responsável pela tentação, mas solapa a soberania de Deus”.
A Igreja espera que esta mudança seja uma “ocasião para que os cristãos se reapropriem” do Pai Nosso.
 
Isto É

MAM restringe uso de celular no museu

O acordo se deve à polêmica provocada pela performance La Bête, do artista carioca Wagner Schwartz, em setembro.
O acordo se deve à polêmica provocada pela performance La Bête, do artista carioca Wagner Schwartz, em setembro, em que uma criança interagiu com o bailarino nu.
O acordo se deve à polêmica provocada pela performance La Bête, do artista carioca Wagner Schwartz, em setembro, em que uma criança interagiu com o bailarino nu. (Reprodução)

O MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo assinou um acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo no qual se compromete a restringir o uso de celulares e outros aparelhos digitais em instalações interativas entre visitantes e performers ou artistas, mediante avisos ao público. O acordo se deve à polêmica provocada pela performance La Bête, do artista carioca Wagner Schwartz, em setembro, em que uma criança interagiu com o bailarino nu, apresentação analisada após protestos recebidos pelo Ministério Público.
No âmbito do acordo, o museu se prontificou a doar 15% da bilheteria da exposição 35º Panorama da Arte Brasileira ao Fumcad - Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, para a realização de ações voltadas à proteção da liberdade artística. O MAM também se comprometeu a realizar, nas suas dependências, uma jornada de discussões sobre esse tema. Desse modo, diz a nota oficial do MAM, o museu "reafirma a sua missão educadora de formação e relacionamento com o público, neste contexto em que se torna cada vez mais necessária a mediação com diferentes setores da sociedade".

Agência Estado

Monge sem convento

Padre Geovane Saraiva*
O grande perigo dos nossos tempos, do ponto de vista da espiritualidade e da mística cristã, é o de não se dar a devida importância à oração silenciosa e contemplativa. Somos desafiados a ir além da compreensão deste candente assunto, dando aquele belo mergulho na oração contemplativa como um caminho divino, um apostolado libertador, convencendo-nos do imprescindível: o de sorver na fonte inexorável da íntima união com Deus.
Diante do grande espetáculo e teatro da vida, só mesmo um coração incessante, voltado para Deus, quando se nota facilmente que as pessoas parecem perder de vista o farol norteador de sua própria existência, no absoluto de Deus. Eis o poço inesgotável de Deus a se revelar na espiritualidade do bem-aventurado Charles de Foucauld, assassinado há 101 anos, no Deserto do Saara, em 1º de dezembro de 1916. Somos chamados sempre mais a nos convencer da nossa estreita aproximação do onipotente Deus. No egoísmo e na indiferença do Irmão Charles de Foucauld lá estava Deus para, providencialmente, transformar seu coração duro e de pedra em um coração bom, dadivoso e com marcas de esplêndidas virtudes.
Que cresça a consciência, nos passos de Charles de Foucauld, o bem amado no Senhor, de que o critério decisivo, segundo a vontade de Deus, é o compromisso do amor solidário, sem jamais esquecer de que o irmão universal gritou o Evangelho com a própria vida. O seu amor faz-nos recordar o que alhures já dissemos, a respeito de sua conversão: “Parece até que estava previsto nos planos de Deus, porque, ao cair nas mãos de Deus e ser seduzido por Jesus de Nazaré, encontrou seu maior tesouro”. Rendamos graças pelo amor indizível de Deus, nas palavras paradoxais de René Bazin, a seu respeito: “Foi um monge sem mosteiro, um mestre sem discípulos, homem do deserto à espera de um tempo que não devia ver”.
Dom Helder Câmara, no seu estonteante deslumbre, ao prefaciar o livro de René Voillaume, “Fermento na Massa”, edição brasileira alusiva ao centenário de nascimento de Charles de Foucauld (1858-1958), na seguinte assertiva: “Aquilo que ele começou, e jamais conseguiu realizar em vida através de seguidores, é hoje realizado através dos irmãozinhos e das irmãzinhas que se espalham pelo mundo inteiro, escolhendo de preferência os pontos da terra onde residem criaturas em situação infra-humana ou em estado de rejeição ou abandono”. Amém!
Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza –geovanesaraiva@gmail.com

Reunião Ordinária da AMLEF - Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza. Hoje, com eleição da nova diretoria para o biênio 2018-2019.

Reunião Ordinária da AMLEF - Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza. Hoje, com eleição da nova diretoria para o biênio 2018-2019.












Fotos: Angélica Sampaio

29 de novembro de 2017

Livros do medo: três histórias brasileiras de horror

Por Samir Machado de Machado
Escritor, designer gráfico e roteirista. Autor de "Homens Elegantes" (2016)
Alina é uma jovem urbana, doutoranda em religião comparada, cuja racionalidade se manifesta através de um ceticismo sarcástico beirando a arrogância. Quando uma delegada pede sua opinião sobre um caso envolvendo um culto, voltam-lhe lembranças de sombras em sonhos que via desde pequena. Ao longo de um dia e uma noite, movida pela curiosidade e em desafio ao próprio ceticismo, ela se envolve cada vez mais com esse culto.
As Perguntas (Companhia das Letras, 2017, 184 páginas, R$ 25,90), novo romance de Antônio Xerxenesky, é em essência uma história de horror, no seu sentido mais psicológico. Alina experimenta uma lenta distorção da realidade que pode (ou não) ser fruto de paranoia, uma incerteza obscura alimentada pela sensação de ser seguida por uma sombra que talvez só ela veja. 
A certa altura, afirma: "Nunca deixei de dividir os artistas em duas categorias: os da memória e os da imaginação", e, enquanto declara preferir os primeiros, sua história a conduz para o segundo tipo. É nesse contraste que ela se divide, como se uma personagem de um romance realista de autoficção de repente percebesse que foi parar num romance de horror sobrenatural.
"Viramos adultos quando pessoas da nossa idade morrem de forma absolutamente estúpida e podemos contemplar, com a lucidez necessária, a fragilidade e o absurdo da vida", diz ela. Mas se as religiões existem para mediar nossa relação com a morte, como o sarcasmo niilista de uma millenial sobrevive, quando sua racionalidade é assaltada pelo medo sobrenatural?
E que tipo de medo ocupará esse lugar, se houver somente o vazio? As perguntas do título talvez não tenham resposta, e talvez nem devessem. Mas é nessa soma de opostos – dia e noite, luz e sombra, realidade e imaginação – que Xerxenesky cria o retrato espiritual de uma geração em crise ao atravessar tempos sombrios.
Já em Neve Negra (Companhia das Letras, 2017, 248 páginas, R$ 26,90), de Santiago Nazarian, Bruno é um artista plástico de meia-idade cujo sucesso o faz comparável a Romero Britto, mas também o mantém afastado da mulher e do filho. Ao voltar de viagem para casa, na cidade mais fria de Santa Catarina, sente um estranhamento inexplicável – a cadela está arredia, o filho urinou na cama, a mulher não sai do quarto. Soma-se a isso um vizinho, que fala de uma entidade sobrenatural, o "Trevoso" que sai da mata na noite mais fria do ano "para matar o velho e ocupar o lugar do novo". Ao explorar paternidade e paranoia, insatisfação profissional e conflitos geracionais, Nazarian traça o quadro psicológico de outra geração, uma que já não se sente mais em casa e já não se reconhece no mundo que criou para si.
Escritas sob encomenda para uma coleção de horror da Companhia das Letras, é curioso como, a seu modo, ambas as obras traçam quadros complementares de um momento muito particular. Se Xerxenesky cria um terror de alienação urbana que remete a Dario Argento e Polansky, Nazarian evoca e atualiza o desconforto familiar e o isolamento da casa mal-assombrada, com elementos que vão de O Iluminado a Psicose. Em ambos, a insatisfação de seus personagens com a vida que construíram os leva a enfrentar a possibilidade do sobrenatural.
Um terceiro livro se soma a esse recente ressurgimento do terror: Jantar Secreto (Companhia das Letras, 2016, 376 páginas, R$ 24,90), de Raphael Montes. Lançado no final do ano passado, aborda um grupo de jovens cariocas sem dinheiro e desiludidos com a vida urbana. Para enfrentar a crise, criam elegantes e exclusivos jantares para alta sociedade onde o prato é carne humana, tomada de pessoas "invisíveis" ou "indesejáveis" na sociedade.
Com banhos de sangue dignos de Sweeney Todd e referências ao filme clássico Soylent Green, Montes cria tanto uma paródia da gourmetização da sociedade quanto uma crítica à alienação da elite brasileira – que, em tempos de farinata, se tornou mais caricata na vida real do que na ficção.
Em comum, os três livros trazem um frescor novo, um sinal de que, nestes tempos cada vez mais surreais, a literatura realista atinge seus limites, e cabe à literatura de imaginação buscar um modo de interpretarmos e dar sentido a essa época estranha em que vivemos.
Zero Hora

Noeli Tejera Lisbôa: o silêncio ensurdecedor de Clarice Lispector

Por Noeli Tejera Lisbôa

Jornalista, mestre em Teorias do Texto e do Discurso pela UFRGS
claudia andujar / Divulgação
Clarice Lispector fotografada por Claudia Andujar em 1961
Quando o nazismo dominou a Europa, as universidades do continente e, em especial, as alemãs, não só não ofereceram resistência à barbárie como, com frequência, a acolheram. A cultura continuou a ser ministrada aos alunos como atividade humanizadora, embora, sabidamente, um número considerável de oficiais nazistas era amante de Wagner, Goethe e outros.
Conforme o crítico literário George Steiner, a visão de cultura como força humanizadora fica irremediavelmente abalada ao sabermos que uma pessoa podia ler Goethe ou Rilke enquanto ouvia Bach ou Schubert, à noite, e cumprir a rotina de trabalho em Auschwitz pela manhã: "A linguagem perdeu a capacidade de expressar a verdade" (de Linguagem e Silêncio).
Esse desgaste da linguagem se reproduziu em todo o mundo, seja pela sua banalização pelos meios de comunicação de massa, seja pelo uso distorcido que dela fizeram os regimes totalitários. No Brasil dos anos 1960 e 70, a Operação Limpeza (para o extermínio dos guerrilheiros do Araguaia), a Operação Bandeirantes, para o centro de tortura do exército, e outras coisas dessa ordem tornaram-se comuns.
Em decorrência do esgotamento dos sentidos, o silêncio assumiu importância como força literária, como o que questiona a própria capacidade de dizer da linguagem, como espécie de resistência a sua banalização. Esse questionamento está na gênese da escritura de Clarice Lispector.
A língua é fascista, diz Roland Barthes em A Aula. O fascismo, ele acrescenta, não é impedir de dizer – é obrigar a dizer. E a língua tem uma estrutura que nos obriga a dizer de determinado modo. Sendo o sujeito constituído pela linguagem, onde estaria o espaço de resistência, ou de transgressão? Na crítica à linguagem – esta é a resposta de Barthes. É ao professar que nenhuma linguagem é inocente, diz o pensador, que a literatura é revolucionária. É, portanto, ao fazer a crítica da linguagem que a literatura se torna escritura.
Essa passagem da escrita para a escritura é exatamente o que Clarice Lispector faz em sua obra. Por meio da transgressão das regras gramaticais de sintaxe, paragrafação e, especialmente, a partir de uma pontuação inusitada, Clarice nos leva a um estranhamento que coloca em xeque a própria estrutura da língua. E, ao questionar a linguagem, coloca em xeque também a visão do papel transformador da literatura como representação do mundo.
"(não me corrija). A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim." Com este recado ao linotipista, em crônica publicada no Jornal do Brasil em 1968, Clarice justifica uma das principais peculiaridades de sua escrita: a pontuação. Transgredindo regras as mais ortodoxas, ela inicia um romance (Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres) com vírgula, e o acaba com dois pontos. Em Água Viva, utiliza maiúsculas no meio da frase, em locais inusitados como no uso de pronomes, altera a posição dos parágrafos, inicia parágrafos com minúsculas, interrompe parágrafos no meio da frase e da linha, sem ponto final. Em Perto do Coração Selvagem, coloca reticências em títulos. Inicia e encerra A Paixão Segundo GH com seis travessões. Enfim, rompe de forma gritante a normatização gramatical, tornando evidente a participação da pontuação na constituição do sentido.
Numa crítica contundente e, ao mesmo tempo, sensível à ideologia, cujo trabalho é a simulação de um sentido único, por meio de uma crítica à própria linguagem, lugar privilegiado de materialização desta, Clarice promove uma renovação da língua ao expandir seus espaços de movência dos sentidos até o ponto em que esta toca no real do discurso, a saber, o silêncio (entendendo o real, aqui, como o termo utilizado nos estudos psicanalíticos como um fenômeno imanente à representação e impossível de simbolizar). Desse modo, ao invés de fechar os sentidos, movimento próprio do totalitarismo e dos meios de comunicação de massa, lança-os inteiramente em aberto para o leitor, exigindo a participação deste na sua constituição. Faz aí, nesse uso inusitado da pontuação, aquilo que Barthes chama de crítica da linguagem.
Clarice promove a única possibilidade de transgressão da língua, que é a transgressão de sua própria estrutura interna, a sintaxe. Rompe, assim, com aquilo que Barthes define como o poder intimidador da estrutura linguística, desfazendo a evidência do sentido e demonstrando que todo dizer está imerso num contínuo discursivo. Promovendo a descontinuidade do discurso, ela se interrompe, indaga, se contradiz, ou seja, quebra exatamente com aquilo que seria a própria característica definidora do texto: a unidade textual. A história da humanidade, diz o psicanalista Contardo Calligaris, poderia ser vista como um longo discurso contínuo no qual nós interferimos em determinados pontos. Ou, como diz Clarice, quase ao final de Água Viva: "O que te escrevo é um 'isto'. Não vai parar: continua".
Nesse sentido, o trabalho sobre o real é revolucionário por si só, pois é ali, digamos, que encontramos as bordas da linguagem, e é ali, também, que encontramos o que do humano não pode ser simbolizado, que não está atravessado pela interpretação e, portanto, não sofreu ainda determinação ideológica. Esse trabalho é desenvolvido por meio da expansão dos espaços de silêncio constituintes das palavras, ou seja, do real do discurso, conforme noção formulada por Eni Orlandi em As Formas do Silêncio: "O silêncio é o real do discurso". E, ao contrário de ser uma manifestação exitosa da escrita, é exatamente no fracasso da linguagem, como bem demonstrou Clarice, que encontramos o indizível: "O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem" (em A Paixão Segundo GH).
É ali, nas brechas da linguagem, onde deparamos com o silêncio, como expressão do indizível, que somos impelidos a um desacomodamento da nossa relação com a linguagem e, em consequência, com a nossa compreensão do mundo.
Zero Hora

Grammy 2018: Jay-Z e Kendrick Lamar lideram indicações

Lista de indicados ao Grammy 2018
Jay-Z, no último domingo em Nova York. SCOTT ROTH/INVISION/AP
Os rappers Jay-Z e Kendrick Lamar lideram as indicações ao Grammy 2018, principal premiação de música nos EUA, anunciadas nesta terça-feira. O marido de Beyoncé tem oito nomeações, incluídas três nas categorias principais por seu disco 4:44. Já Lamar tem sete indicações pelo disco DAMN. Childish Gambino, Khalid, No ID y SZA aparecem na sequência em número de nomeações, com cinco cada um. A música Despacito, de Luis Fonsi e Daddy Yankee, que arrasou nos Grammy Latinos no mês passado, volta ao páreo para concorrer ao troféu de melhor canção do ano e gravação do ano.
Um dos grandes vencedores do ano no pop, Ed Sheeran, foi praticamente ignorado pela Academia de Gravação apesar de estar nas apostas. Bruno Mars também conseguiu indicações nas três grandes categorias da premiação: álbum (24K Magic), música (That's What I Like) e gravação. Dois artistas que faleceram recentemente também concorrem na categoria Melhor Performance de Rock: Leonard Cohen (morto em novembro de 2016), com You Want It Darke, e Chris Cornell (falecido em maio deste ano), com The Promise.
Estes são os indicados nas principais categorias e em algumas das especializadas. A lista completa pode ser consultada aqui. A 60ª edição dos prêmios Grammy de 2018 será celebrada em 28 de janeiro em Nova York.

Gravação do Ano

Redbone — Childish Gambino
Despacito — Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
The Story Of O.J. — JAY-Z
HUMBLE. — Kendrick Lamar
24K Magic — Bruno Mars

Álbum do Ano

Awaken, My Love! — Childish Gambino
4:44 — JAY-Z DAMN. — Kendrick Lamar
Melodrama — Lorde
24K Magic — Bruno Mars

Música do Ano

Despacito — Ramón Ayala, Justin Bieber, Jason "Poo Bear" Boyd, Erika Ender, Luis Fonsi & Marty James Garton, compositores (Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber)
4:44 — Shawn Carter & Dion Wilson, compositores (JAY-Z)
Issues — Benny Blanco, Mikkel Storleer Eriksen, Tor Erik Hermansen, Julia Michaels & Justin Drew Tranter, compositores (Julia Michaels)
1-800-273-8255 — Alessia Caracciolo, Sir Robert Bryson Hall II, Arjun Ivatury, Khalid Robinson, compositores (Logic Featuring Alessia Cara & Khalid)
That's What I Like — Christopher Brody Brown, James Fauntleroy, Philip Lawrence, Bruno Mars, Ray Charles McCullough II, Jeremy Reeves, Ray Romulus & Jonathan Yip, compositores (Bruno Mars)

Melhor Novo Artista

Alessia Cara
Khalid
Lil Uzi Vert
Julia Michaels
SZA

Melhor performance pop solo

Love So Soft — Kelly Clarkson
Praying — Kesha
Million Reasons — Lady Gaga
What About Us — P!nk
Shape Of You — Ed Sheeran

Melhor interpretação pop (grupo)

Something Just Like This ­— The Chainsmokers & Coldplay
Despacito — Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
Thunder — Imagine Dragons
Feel It Still — Portugal. The Man
Stay — Zedd & Alessia Cara

Melhor álbum de Dance/Eletrônico

Migration — Bonobo 3-D
The Catalogue — Kraftwerk
Mura Masa — Mura Masa
A Moment Apart — Odesza
What Now — Sylvan Esso

Melhor performance rock

You Want It Darke — Leonard Cohen
The Promise — Chris Cornell
Run — Foo Fighters
No Good — Kaleo
Go To War — Nothing More

Melhor álbum de Urbano

Free 6lack — 6lack
Awaken, My Love! — Childish Gambino
American Teen — Khalid
Ctrl — SZA
Starboy — The Weeknd

Melhor álbum de rap

4:44 — JAY-Z
DAMN. — Kendrick Lamar
Culture — Migos
Laila's Wisdom — Rapsody
Flower Boy — Tyler, The Creator

Melhor álbum country

Cosmic Hallelujah — Kenny Chesney
Heart Break — Lady Antebellum
The Breaker — Little Big Town
Life Changes — Thomas Rhett
From A Room: Volume 1 — Chris Stapleton

Melhor álbum jazz

The Journey — The Baylor Project
A Social Call — Jazzmeia Horn
Bad Ass And Blind — Raul Midón
Porter Plays Porter — Randy Porter Trio With Nancy King
Dreams And Daggers — Cécile McLorin Salvant

Melhor álbum de pop latino

Lo Único Constante — Alex Cuba
Mis Planes Son Amarte — Juanes
Amar Y Vivir En Vivo Desde La Cuidad De México, 2017 — La Santa Cecilia
Musas (Un Homenaje Al Folclore Latinoamericano En Manos De Los Macorinos) — Natalia Lafourcade
El Dorado — Shakira

Produtor do ano (não clássico)

Calvin Harris
No I.D.
Greg Kurstin
Blake Mills
The Stereotypes
El País