30 de setembro de 2020

Morre Quino, criador da personagem de quadrinhos Mafalda

 

Cartunista argentino faleceu aos 88 anos de idade

Legenda: Nos comentários da publicação sobre a morte de Quino, fãs lamentaram e agradeceram pela criação de Mafalda
Foto: AFP/Alejandro Pagni




cartunista argentino Quino, conhecido pelos quadrinhos da personagem Mafalda, faleceu aos 88 anos nesta quarta-feira (30). A informação foi confirmada pelo editor do desenhista, Daniel Divinsky, em publicação no Twitter. Até o momento, a causa da morte não foi informada. 

Joaquín Salvador Lavado Tejón, nome completo de Quino, nasceu em 1932, na cidade de Mendoza, na Argentina, local para o qual retornou em 2017 logo após a morte da mulher, Alicia Colombo. 

Quino foi o criador de histórias em quadrinhos mais traduzido da língua espanhola. Na página oficial de Mafalda, o comunicado sobre a morte do desenhista também foi publicado.

 Diário do Nordeste

 


29 de setembro de 2020

Cristãos e cristãs, comam (a) história!

 Precisamos encontrar os desígnios salvíficos de Deus Deus na história


Comer do livro diz respeito à vocação profética

Comer do livro diz respeito à vocação profética (Unsplash/Ryan Riggins)

Felipe Magalhães Francisco*

"Eu fui até o anjo e pedi que me entregasse o livrinho. Ele me falou: 'Pega e devora. Será amargo no estômago, mas na tua boca será doce como mel'. Peguei da mão do anjo o livrinho e o devorei [...]. Então me foi dito: 'Deves profetizar ainda contra muitos povos e nações, línguas e reis'" (Ap 10,9-11). A ordem celeste dada a João, o vidente do Apocalipse, é bastante inspiradora para nos ajudar a pensar a atuação cristã no mundo, no momento atual em que nos encontramos. Como em todo o livro do Apocalipse, o comer o livro é um símbolo muito importante, pois está ligado à missão profética, tal como nos inspira o Livro do Profeta Ezequiel (cf. 2,8).

Antes, porém, de nos dedicarmos a refletir sobre o gesto simbólico de comer o livro, faz-se necessário que nos atenhamos ao símbolo mesmo que representa o livro no Apocalipse. O capítulo 5 introduz o tema do livro: o vidente vê, na mão direita de quem estava sentado no trono – o próprio Deus – um livro, que é descrito como que sendo um rolo, escrito por dentro e por fora. Esse livro estava lacrado com sete selos. Sete, aqui, tem um valor qualitativo – portanto, simbólico: esse livro estava plenamente lacrado, inacessível, o que leva um anjo, de voz forte, a proclamar uma importante questão sobre quem é digno de romper os sete selos. A narrativa diz que João, o vidente, chorava, porque ninguém havia sido mostrado digno de romper os selos. Um ancião, porém, disse a João: "Não chores! Vê, o leão da tribo de Judá, o rebento de Davi saiu vencedor. Ele pode romper os selos e abrir o livro" (Ap 5,5).

Certamente, o ancião se referia a Jesus, o que em seguida fica claro, quando se fala do Cordeiro. A imagem do Cordeiro traz um paradoxo interessante: esse personagem é apresentado estando de pé, "como que imolado" (5,6). Os cristãos e cristãs são chamados, tão logo, a reconhecer: o Cordeiro é o crucificado-ressuscitado. Ele é, pois, o único digno de romper os lacres do livro, afinal ele é o vitorioso. Além disso, e sobretudo, ele é o "Alfa e o Ômega" (Ap 1,8), isto é, aquele que é o princípio e o fim, portanto o pleno conhecedor da história. Aqui, pois, desvela-se para nós o significado do símbolo do livro no Apocalipse: significa a História. Não é sem motivos que, a cada selo rompido, revelações e suas respectivas interpretações (apocalipse) são feitas.

Abrir o livro, na literatura apocalíptica, significa, pois, revelar os segredos da história, os mistérios da origem e do destino do mundo. O que mais especificamente faz a literatura apocalíptica é uma teologia da história, pois é na história que precisamos encontrar os desígnios salvíficos de Deus, bem como apontar toda a ação do anti-Deus, que atua para impedir a salvação. Quando o autor do Apocalipse de João mostra que o Cordeiro é digno de romper os selos, ele ajuda os cristãos e cristãs a compreenderem que, a partir de sua fé, o mistério da vida do crucificado-ressuscitado é o que ilumina a verdadeira leitura e o entendimento da história.

Há muito o que podemos aprender com tudo isso. Um elemento, nisso tudo, merece destaque: quando cristãos e cristãs perdem sua capacidade de ler, criticamente à luz da fé, a história, sempre recaem nas armadilhas feitas pelo anti-Deus, isto é, pelo maléfico sedutor. Ao olharmos para a história do cristianismo no mundo, perceberemos que, muitas vezes, cristãos e cristãs se aliaram ao poder do anti-Deus, pensando que lutavam contra o mal. Saber ler a história é critério fundamental para o comprometimento verdadeiro com o Evangelho do Reino de Deus.

Em nossa atualidade brasileira, temos visto como cristãos e cristãs se aliaram ao perverso, em nome daquilo que julgam como que sendo bons valores. Na verdade, o grito perverso contra a diferença, contra a pluralidade, contra o diálogo é sinal de que deixamos de saber ler a história. Se não sabemos ler a história, não sabemos atuar verdadeiramente como profetas. A ordem dada a João, para que comesse do livro, é uma exortação forte, que precisa ecoar entre os cristãos e cristãs de hoje: devemos saber ler a história; devemos fazer com que essa história entranhe em nós. É preciso que não nos atenhamos ao doce que fica na boca: é preciso ir além, deixando que o amargo desse livro alcance nossas entranhas.

Como dissemos, comer do livro diz respeito à vocação profética. E, no caso dos cristãos e cristãs, batizados e, por isso mesmo, comprometidos com a missão do próprio Cristo, o Cordeiro imolado-vitorioso, precisamos assumir uma postura profética no mundo. E isso só bem o faremos, se nos permitirmos redescobrir a importância e a prática de ler a história. O livro já nos foi aberto, isto é, revelado: tal como João, que recebeu o livro aberto, também nós precisamos ter o Evangelho como luz que nos ajuda a compreender a história, para fazermos a opção pelo Deus da Vida, o Senhor absoluto, e não nos deixarmos seduzir por falsos messias que nos arrastam para a morte e são empecilho para a instauração do mundo novo que há de vir. Comamos, pois, a história!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com

28 de setembro de 2020

Os doentes não-Covid face à urgência da Covid-19

 



Um dos principais problemas do nosso sistema de saúde, ao longo do ano de 2020, durante a urgência dos doentes-Covid, foi o atraso no atendimento aos restantes doentes.

Com efeito, os serviços hospitalares realizaram, a nível nacional, entre janeiro e final de junho de 2020, 896.000 consultas a menos, comparando com doze milhões de consultas anuais em 2019. Por sua vez, os Cuidados de saúde primários realizaram menos 1,1 milhões de consultas, no mesmo período, comparando com trinta e um milhões de consultas realizadas em 2019 [iii].

O número de cirurgias programadas não realizadas, a nível nacional,  não é menos impactante: de 58.829 realizadas em Março de 2019, caiu-se para 31.216 em Março de 2020 [iv].

No Distrito de Bragança,  no mesmo período, a crise Covid-19 «levou à suspensão da atividade assistencial programada e ao cancelamento de 7.687 consultas e 584 cirurgias» nas unidades hospitalares da Unidade Local de Saúde [v], 50% das quais remarcadas até ao final de Agosto.

Estes atraso, suspensão e cancelamento, nos diferentes espaços territoriais, dever-se-ão essencialmente a duas razões: 1) menor procura social dos serviços de saúde, sobretudo por pessoas acima dos 70 anos, presumivelmente por receio de contaminação; e 2) problemas derivados da reorganização dos serviços de saúde, quer dos cuidados primários quer dos cuidados hospitalares segundo circuitos diferenciados para doentes-Covid e doentes não-Covid, com realocação e readaptação de recursos humanos.

A informação disponível sobre o número de mortos a mais, em 2020, a nível nacional e até ao final de Agosto (6.312), relativamente ao período homólogo do último quinquénio (2015-2019) [vi], permite-nos agora hipotetizar a profundidade e extensão do abandono a que os doentes não-covid foram submetidos, não se conhecendo devidamente as causas da sua morte, o que poderá aumentar as mortes por Covid-19.

De qualquer modo, o atraso nas consultas e nas cirurgias é um indicador poderoso, mesmo se atenuado pelo recurso à telemedicina, que a inevitável desatualização dos sistemas TIC, por parte dos serviços de saúde, e da infoexclusão, por parte das pessoas acima dos 50 anos, não permitiram tornar totalmente eficaz ainda que muito contribuindo para o não maior aumento de consultas não realizadas [vii].

É verdade que o sistema de saúde e os seus profissionais viveram – e ainda viverão – um período de ambiente e tecnologia incertos face ao SARS-CoV-2, mas, adquiridos procedimentos contra o contágio, será tempo de criar eficácia no sistema, mesmo nas situações que exigem tecnologia intensiva [viii] como são as intervenções cirúrgicas e o tratamento de doentes-Covid-19, que impõem a abordagem multidisciplinar.

É da mais elementar justiça, com vista a um convívio social pacífico e saudável, que os portugueses sintam confiança no seu sistema de saúde. Os tempos de caos são excelentes para a reengenharia e para a reinvenção da excelência organizacional [ix] tanto mais que a pandemia veio manifestar, mais uma vez, a grande qualidade humana e técnico-científica dos nossos profissionais e do nosso sistema de saúde, sobretudo do subsistema hospitalar.

Elisabete Pinelo, Médica internista com diferenciação em imunologia e diretora do internato médico na Unidade Local de Saúde do Nordeste. Membro da Comissão Diocesana Justiça e Paz – Bragança/Miranda

Henrique da Costa Ferreira, Professor Coordenador Aposentado do Instituto Politécnico de Bragança, área de Ciências da Educação – Sociologia das Organizações Educativas e Administração da Educação. Membro da Comissão Diocesana Justiça e Paz – Bragança/Miranda

 

Fonte: https://agencia.ecclesia.pt

Autor: Elisabete Pinelo e Henrique Ferreira, Diocese de Bragança-Miranda 

A presença da morte em meio à vida

Publicado pela José Olympio, livro inspirou autores como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa

O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem Pedro Páramo (José Olympio, 176 pp, R$ 39,90 – Trad.: Eric Nepomuceno), livro de Juan Rulfo que inaugura o gênero e serviu de fonte onde beberam o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa. A partir da combinação de dois elementos essenciais ao sucesso da literatura latino-americana – o realismo fantástico e o regionalismo -, Juan Rulfo se destaca pela sua habilidade em contar uma história reunindo relatos e lembranças. De enredo conciso e preciso, o único romance do escritor trata da promessa feita por Juan Preciado à mãe moribunda. O rapaz sai em busca do pai, Pedro Páramo, um lendário assassino. No caminho, encontra personagens repletos de memórias, que lhe falam da crueldade implacável de seu pai. Em sua estrutura não há linha temporal exata, tampouco um narrador fixo. Juan Rulfo leva o leitor a mergulhar e a se dissolver no turbilhão dos sentimentos de todo um povoado, em torno desse grande homem.

Via PUBLISHNEWS

Vencedora do Nobel de Literatura deixa Belarus

Vencedora do prêmio Nobel de Literatura e uma das últimas figuras da oposição em liberdade em Belarus, Svetlana Alexievich, deixou seu país para fazer um tratamento médico na Alemanha, anunciou nesta segunda-feira uma de suas amigas.


"Em um mês ela voltará a Belarus. Não renuncia a suas atividades de membro do Conselho de Coordenação", o órgão formado pela oposição, declarou à AFP sua amiga Maria Voiteshonok.

"Há dois meses ela deveria ir ao médico, mas o coronavírus e os acontecimentos políticos a impediram", completou, antes de informar que Alexievich pretende viajar à Itália depois da Alemanha.

Alexievich é a única dos sete membros da direção do Conselho de Coordenação, formado para promover uma transição de poder em Belarus, que ainda está em liberdade.

Todos os demais foram detidos ou forçados ao exílio, assim como uma das principais figuras do movimento de protesto, Svetlana Tikhanovskaya, refugiada na Lituânia.

Alexievich, de 72 anos, foi intimidada no início de setembro por homens desconhecidos perto de sua casa, que tocavam o interfone de sua residência e ligavam para o seu telefone.

Belarus foi abalada desde o início de agosto por um movimento de protesto sem precedentes que questiona a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994.

Via AFP

 

Um artigo nada religioso

 De minha parte, tenho medo do diabo, não me atrevo a desafiá-lo ou brincar com ele


A existência do diabo deve ser tratada com humor

A existência do diabo deve ser tratada com humor (Unsplash/Dan Sealey)

Afonso Barroso*

Religião é coisa séria para muitos, fanatismo para outros, fonte de renda para outros tantos e, em muitos casos, arsenal de desavenças, inconformismo e até guerras. Já contei como fui vítima de intolerância religiosa quando estudava no colégio salesiano de São João del-Rei. Um padre cismou que eu havia tirado a vocação de um colega. Ora essa! Eu não sabia nem sei o que é isso, tirar a vocação de alguém. Mas ele cismou, me acusou e me torturou psicologicamente, em nome de Deus, querendo que eu confessasse um pecado que não havia cometido. O episódio marcou minha adolescência e acabou me rendendo um bom dinheiro. É que escrevi um conto baseado nele e fui premiado com um chequinho gordo no Concurso Unibanco de Literatura, o único do gênero para inéditos no Brasil.

O fanatismo religioso me faz lembrar, de vez em quando, o artigo de um padre (ou bispo, não sei bem), que li em uma publicação religiosa, acho que a Folhinha de Mariana. Ele escreveu um texto furioso, descendo a madeira no filme O bebê de Rosemary e comentando um dos fatos tenebrosos que ocorreram após o lançamento desse filme, considerado um clássico do terror.

Uma das várias maldições atribuídas à realização do diabólico filme, dirigido pelo cineasta holandês Roman Polanski, foi a morte da mulher dele, a belíssima Sharon Tate, que estava grávida quando foi assassinada de forma brutal. Fanáticos seguidores de uma seita dirigida pelo facínora Charles Manson, líder de uma seita satânica, mataram-na e ao bebê a facadas. Ao final do artigo, em que parece comemorar a morte da atriz, o padre (ou bispo) escreve com todas as letras: "Dessa vez o diabo não nasceu".

Eu era um jovem estudante quando li o tal artigo e fiquei tremendamente revoltado. Cheguei a falar sobre isso com meu irmão padre, Luiz Barroso, mas ele desconversou, dizendo que se tratava apenas da opinião pessoal de um articulista. Mas, que diabo, o autor era um religioso católico, e eu jamais esqueci as palavras dele. Não imaginava que alguém com fé em Deus, que havia feito votos de fé, castidade e religiosidade ao receber as ordens sacerdotais, pudesse ter um coração tão empedernido. Ainda que quisesse atribuir o assassinato da bela esposa do cineasta a um castigo divino, ainda assim, o que ele deveria fazer, como "servo de Cristo", era orar pela alma dela e pedir a Deus que a acolhesse no reino dos Céus, quem sabe até pedindo clemência aos assassinos. Em vez disso, considerou que ela estava também grávida do diabo na vida real. Cruz credo!

Assisto atualmente à série Lúcifer, da Netflix, e acho que a existência do diabo deve ser tratada como descrita nos episódios. Com humor. A série conta como o rei dos infernos resolveu tirar férias e usufruí-las em Los Angeles, onde se torna conselheiro da polícia e acaba se apaixonando por uma linda detetive. Vira um diabo do bem, que ajuda a resolver crimes e prender os autores. Não mata, só apavora os meliantes mais renitentes, quando isso contribui para o sucesso das investigações.

De minha parte, tenho medo do diabo, não brinco com ele. Quero-o à distância, a não ser que se disponha a juntar-se a Deus e me ajudar em alguma coisa. Como, por exemplo, escrever crônicas que agradem aos meus abnegados vinte e poucos leitores.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

26 de setembro de 2020

Inspirado no Recôncavo, filme baiano resgata afetos e aponta literatura como refúgio

 por Jamile Amine

Inspirado no Recôncavo, filme baiano resgata afetos e aponta literatura como refúgio
Foto: Reprodução / Facebook

Nascido em Salvador, mas criado na região de Conceição do Almeida e Sapeaçu, o diretor e roteirista Dan Borges buscou inspiração nas lembranças da infância para rodar seu segundo filme, “Retirante Juvenil”, que tem estreia virtual neste domingo (27), a partir das 19h, seguida de um bate-papo com a equipe e o público (clique aqui para reservar ingresso). 


O média-metragem conta a história de Luce (Marina Torres), uma menina irrequieta que cresceu em uma fazenda junto com a irmã Dora (Camila Castro) e a mãe (Eliana Assumpção). Insatisfeita com a vida monótona do campo, além de abalada pela desestruturação da família e o abandono do pai, ela encontra refúgio e redenção nos livros apresentados pelo misterioso e sábio andarilho Alberto (Isaac Fiterman). “Ela tem um amigo no filme, que é aquele famoso velho do interior, contador de história. E ele é um cara muito viajado, conhece muito, também gosta de ler filosofia, gosta de poesia, esse tipo de coisa, então o refúgio dessa menininha é com esse senhor. Ela se isenta completamente da casa dela, que é onde tem uns problemas familiares, o pai abandonou, a mãe é meio traumatizada e chocada com o abandono, porque numa cidadezinha uma mulher que é abandonada pelo marido até hoje ainda é vista como uma largada. E aí a irmã mais velha que teve que assumir a casa e por causa desse estresse acaba descontando tudo nessa menininha”, detalha o diretor.

 

O filme é centrado na relação de uma menina com um velho andarilho, que conduz sua pupila pelo mundo da literatura e lhe estimula a ver o mundo por diferentes perspectivas | Foto: Reprodução / Facebook

 

Apesar de usar suas experiências como base para o enredo, o artista conta que a obra não foi inspirada em sua história pessoal, em si, mas no que presenciou e nas relações que mantinha na infância. “Como eu passei a minha juventude toda indo para o interior e passando vários dias na fazenda, eu tive o convívio com muitas pessoas que são de lá, que se você for relacionar, estão como personagens do filme. Não ninguém específico, mas, por exemplo, a menininha que nasceu no interior e detesta aquela vida monótona e queria vir para a cidade, porque lá nada acontece. É basicamente a personagem principal. Mas tem outras pessoas que são do contraponto, de pensar totalmente o oposto, que acham maravilhoso aquela vida calma e jamais iriam querer morar na cidade”, contextualiza Dan Borges.

 

O baiano explicou ainda que o média-metragem filmado nas fazendas e vilarejos da região onde cresceu se passa em uma cidade específica, mas propositalmente não citada de forma explícita na obra. A ideia de não delimitar uma “locação muito palpável”, segundo ele, se deu para que todo o Recôncavo e o interior, de forma geral, se identificassem com a história. Essa ideia de representatividade também pautaria a estreia, que precisou ser readaptada na quarentena. “A pandemia acabou com todos os nossos planos de lançamento, nossos planos físicos. A gente já tinha três sessões fechadas nos interiores, pra começar a exibir basicamente nos interiores. Já tinha uma sessão marcada na cidade da atriz, que é Alagoinhas; na própria cidade de Conceição do Almeida, no auditório da prefeitura; Sapeaçu também, numa escola. Tudo isso foi cancelado por conta da pandemia”, conta o diretor, lembrando que começou a escrever o roteiro no início de 2019 e só em fevereiro deste ano a equipe finalizou a obra, realizada de forma totalmente independente.

 

Apesar da mudança inesperada de rota, Dan avalia que o lançamento virtual não tem apenas pontos negativos. “É diferente, a gente como pessoas de público, de cinema, principalmente os atores que são de teatro e têm a paixão por esse contato com plateia, é um pouco decepcionante. Tem esse lado ruim, que a gente queria estar nesse calor da festa, do lançamento, mas também tem o lado bom, que é a possibilidade de maior alcance, online”, pondera o artista, que mesmo aceitando as imposições do momento, segue otimista quanto ao futuro e diz que pretende retomar a ideia inicial de circular pela Bahia. “A gente pretende fazer uma sessão [física] de alguma forma, ainda não planejamos. Talvez, dependendo até do possível sucesso do filme durante esse período em alguns festivais e no lançamento online, pode ser que a gente consiga fazer em algum momento. Mas está dentro do plano, a gente não desistiu não. Inclusive, essas sessões que a gente já tinha marcado e foram abortadas nos interiores, nós vamos voltar com elas. A gente pretende fazer uma mini turnezinha pelo Recôncavo, porque é um filme que é a cara deles, é a representação deles ali, e acho que vai ser muito bem recebido nessas cidades”, conta.

 

Com um diretor e roteirista que é também artista gráfico, o storyboard do filme se aproxima muito do elenco selecionado | Foto: Reprodução / Facebook

 

Profissional originalmente das áreas de design, ilustração e quadrinhos, Dan Borges revelou ainda que a experiência das artes visuais segue expressa em seu trabalho no audiovisual, iniciado a partir de 2012 com videoclipes de bandas baianas. Um exemplo bem claro dessa influência é a forma pela qual ele faz a escolha dos atores para suas produções, garimpando perfis na internet. “A questão de selecionar elenco, eu tenho um ponto meio louco na minha cabeça que ajuda e dificulta. Porque quando eu crio o personagem, eu já penso exatamente na imagem dele, até a voz já está construída na minha cabeça”, revela, atribuindo o comportamento ao costume dos quadrinhos. “Então, quando eu penso nesses personagens e depois vou procurar pessoas reais para colocar no lugar deles, tem que ser uma pessoa que se encaixe com aquilo que eu imaginei, senão eu não quero (risos). E isso é terrível, porque pra achar uma pessoa bem próxima pelo menos, se não for idêntica ao que eu imaginei, é difícil. Mas também quando eu acho, aí pronto, estou 100% satisfeito, só precisa que a pessoa seja bom ator, boa atriz, e graças a Deus todos foram”, diz o artista, revelando o fato curioso de que para “Retirante Juvenil”, o storyboard foi desenhado antes da seleção do elenco, mas acabou muito parecido com os atores escolhidos.

 

O resultado de tudo isso - memórias de infância, diferentes olhares sobre a vida no campo, além de afetos e reflexões por meio da literatura - poderá ser conferido nesto domingo (27), no Brasil e no mundo, durante a sessão online. 


Fonte: Bahia Notícias

Dia do Livro Sagrado

 Padre Geovane Saraiva*

Neste domingo, 27 de setembro de 2020, comemora-se o Dia do Livro Sagrado, entre os católicos, recordando-se de São Jerônimo, grande especialista da Palavra de Deus. Ele a carregou nos lábios, meditando-a dia e noite (cf. Js 1, 8). Nasceu na Dalmácia, hoje Iugoslávia, no ano de 342, e morreu em Belém, em 420. Consagrou sua vida ao estudo da Sagrada Escritura e é considerado o maior e melhor exegeta de todos os tempos. A Igreja Católica o reconheceu como homem eleito por Deus para explicar e fazer compreender, do melhor modo, a Palavra de Deus.

O fôlego e o alento da justiça transformadora, proposta do Evangelho, não acontecem e jamais acontecerão pelo encantador arquétipo de uma acentuada valorização de imagens, valendo-se ostensivamente de ambientes com característica de suntuosidade e pompa, mas nas imagens de janelas abertas, no sentido de se respirar o ar acolhedor do Espírito Santo de Deus. No seguimento de Jesus de Nazaré, urge uma prática religiosa, nem a do “sim” e nem a do “não” (cf. Mt 21, 28-32), no cumprimento de rituais e preceitos, mas de uma religião que quer colocar em prática os mandamentos de Deus, através de atitudes ou gestos concretos e insuspeitos, fruto da esperança cristã, vivenciada no dia a dia, não numa resposta daquilo que é aparente e fictício, mas sim do que é real, verdadeiro e sincero.

A Palavra de Deus nos ensina que não basta simplesmente dizer “sim”, mas que é preciso um andar coerente e persistente, percorrido no exercício da justiça, buscando a realização da vontade de Deus e confiando nos bons frutos de sua ação redentora. Evidentemente, bem no contexto do perdão e da compaixão do Filho de Deus, a criatura humana, no seu viver, terá sempre possibilidades ou chances de se converter, quer tenha uma vida no distanciamento de Deus, quer tenha superado os empecilhos do mal, no serviço do Senhor. Deus quer pessoas resolvidas, convertidas e persistentes, na prática de caminheiros da paz e do bem, como assevera Dom Helder: “É graça divina começar bem, graça maior é persistir na caminhada, mas a graça das graças é não desistir nunca”.

Que Deus nos dê a inspiração de São Jerônimo, ao acolher a revelação divina, no que diz respeito à Palavra de Deus. Como é importante o seu belíssimo comentário sobre o Salmo 102! “Sou como um pelicano do deserto, aquele pássaro bom que fustiga o peito e alimenta com o próprio sangue os seus filhos”. Ele é o símbolo da obediência e da entrega do Filho de Deus, o qual nos convida, com Ele, a nos configurarmos. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

25 de setembro de 2020

Sobre aborto, leis, portarias e o mundo real


A questão relacionada ao aborto sempre estará envolta em polêmicas, notadamente porque envolve questões morais e religiosas.

Tratemos aqui acerca do aborto necessário, previsto no Código Penal, que descriminaliza tal conduta quando a gravidez resultar de estupro.
Nesse caso, havendo o consentimento da gestante, ou se incapaz, de seu representante legal, o médico procederá ao aborto, sem a necessidade de autorização judicial. Basta que seja feito um boletim de ocorrência para ser apresentado ao médico.
Recente Portaria nº. 2561/2020 do Ministério da Saúde, determina que em caso de aborto decorrente de crime sexual, em atendimento no SUS, deverá ser feito um “Procedimento de Justificação e Autorização da Interrupção da Gravidez”, em quatro etapas: a gestante deverá relatar de modo circunstanciado o evento; parecer técnico do médico precedido de vários exames e profissionais; assinatura da gestante de Termo de Reponsabilidade, de Consentimento Livre e Esclarecido.
Por fim, o médico deverá comunicar o fato à autoridade policial, enviando as evidências materiais do crime. Aqui, há uma completa inversão do papel do médico, a quem caberá avaliar se houve ou não crime de estupro para então realizar o aborto.

O estupro é um tipo de crime que causa grandes traumas nas vítimas, levando muitas delas a sequer comunicar o fato à polícia, por vergonha, por medo, por não querer se expor ao se submeter a oitivas na delegacia, no fórum, potencializando ainda mais o processo de violência sofrido.
Muitas preferem o silêncio, por vezes, escondendo o fato até da própria família.
Maior ainda é o sofrimento da mulher que engravida do estuprador. E quando essa gravidez se dá em adolescentes, a situação só piora.
Foi pensando nisso que o legislador permitiu que, em caso de estupro, possa a vítima abortar, sem incorrer em crime. Em tal situação, exige-se apenas o boletim de ocorrência narrando de forma sucinta o ocorrido, documento de que se valerá o médico para realizar o aborto, com a certeza de que sua conduta está amparada por lei.
Em caso de estupro, cabe ao poder público ter sensibilidade para diminuir os terríveis dramas das vítimas, facilitando seus efeitos, coisa que a citada Portaria só complica.
Talvez, a melhor maneira de tratar desse assunto seja colocando-se no lugar do outro. E se fosse você ou a sua filha a vítima, precisando do SUS?
As dores do mundo real não cabem em uma Portaria.
- Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

Instituto de Leitura Quindim é declarado de Utilidade Pública

 Projeto de lei foi apresentado no início de agosto pela vereadora Denise Pessôa (PT)

Instituto de Leitura Quindim | © Pati Produções
Instituto de Leitura Quindim | © Pati Produções
A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul (RS) aprovou, na manhã desta quinta-feira (24), o projeto de lei apresentado pela vereadora Denise Pessôa (PT), que declara de utilidade pública o Instituto de Leitura Quindim.

Idealizado por Volnei Canônica, o Instituto Quindim foi fundado em 19 de setembro de 2014, como Centro de Leitura, com a proposta de democratizar o acesso de crianças, jovens e adultos à literatura infantil e juvenil, além de conteúdos teóricos sobre a temática.

“Não poderíamos ter ganhado presente melhor para celebrar o aniversário do Quindim. Agradecemos à vereadora Denise Pessôa e aos demais parlamentares caxienses por acreditarem no nosso trabalho de promoção do livro e da leitura”, agradeceu Volnei Canônica, presente do Instituto.

Em seis anos de história, o Quindim participou de feiras e festivais literários, promoveu dezenas de eventos com artistas nacionais e internacionais, se transformou em Instituto, inaugurou sua própria sede e, sobretudo, se tornou referência na área da promoção da leitura.

Via PUBLISHNEWS

Democracia


De maneira bem objetiva, podemos dizer que democracia é um sistema de governo em que o povo exerce a soberania, estando comprometido com a liberdade e a justiça social. As manifestações democráticas não devem ser eventuais, mas permanentes. Assim, democracia não significa apenas votar no dia das eleições. Trata-se, na verdade, de um sistema bem mais amplo, em que a participação popular, a recusa ao fanatismo, a defesa das minorias e da pluralidade, a não concordância com a busca do poder pelo poder e com casuísmos aéticos, a não utilização de práticas fisiológicas para conquistar a governabilidade, bem como o respeito aos dispositivos constitucionais são atitudes básicas para o sucesso do processo democrático.

As condutas mencionadas permitirão que alcancemos uma verdadeira democracia representativa, consolidada e permanente, e não uma democracia de resultados, fraca e efêmera, longe de princípios morais e próxima da corrupção e do falso pragmatismo. O Estado Democrático de Direito será perfeito, caso os governantes e governados assumam comportamentos compatíveis com a solidariedade e o interesse público. "É necessário demonstrar ao povo que através do regime democrático se pode governar com visão", segundo disse Oswaldo Aranha.

Por sua vez, as democracias de resultados, expressão que imaginamos para denunciar as atitudes dos pseudo-democratas, não comprometidos com a melhoria da qualidade de vida das populações, representam a marca dos Estados totalitários. Ademais não é justo alcançar resultados monetários e financeiros satisfatórios, deixando o povo em condições sociais inaceitáveis. Dentro dos princípios democráticos, a governabilidade verdadeira e o poder legítimo são conquistados mediante o atendimento das reais necessidades e carências da população e não fazendo concessões e acordos que possam prejudicá-la

Gonzaga Mota

Professor aposentado da UFC

Livro reúne quase 300 cartas inéditas de Clarice Lispector

 

Lançada nesta sexta-feira (25) pela editora Rocco, obra integra comemorações do centenário da escritora, ajudando a compreender o itinerário literário e o universo íntimo de Clarice


Reunindo quase 300 correspondências inéditas escritas por Clarice Lispector ao longo da vida, o livro "Todas as Cartas" ganha lançamento nesta sexta-feira (25). A iniciativa faz parte da comemoração do centenário da autora, celebrado em 10 de dezembro deste ano.

Publicada pela editora Rocco, a obra ajuda a compreender o itinerário literário de Clarice e seu universo. O conjunto de correspondências inéditas endereçadas aos amigos escritores tem entre os destinatários João Cabral de Melo Neto, Rubem Braga, Lêdo Ivo, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles, Natércia Freire e Mário de Andrade.  

As correspondências foram organizadas por décadas – dos anos 1940 a 1970 – e contam com 510 notas da biógrafa Teresa Montero, que contextualizam o material no tempo, no espaço e nas inúmeras citações a personalidades e referências culturais. O editor da obra de Lispector na Rocco, Pedro Karp Vasquez, assina o posfácio da edição.

Com grande material inédito, o volume resultou de longa pesquisa realizada pela jornalista Larissa Vaz, sob orientação de biógrafos e da família, para trazer uma visão integral de Clarice. A publicação da correspondência de grandes escritores constitui-se, assim, um importante acontecimento literário, pois a escritora não perde a inspiração, o lirismo e o humor ao escrever cartas, que chegam a ser tão fascinantes e criativas quanto seus próprios livros. 

Seleção

Para o livro, foram selecionadas cartas relevantes, com interesse literário ou biográfico, sendo excluídos missivas comerciais, bilhetes e recados de caráter efêmero. A editora manterá as futuras edições abertas à inclusão de textos que possam surgir a partir da publicação desta obra.

Clarice viveu quase duas décadas no exterior e escreveu sempre neste período, para cultivar o afeto da família e dos amigos e para tratar da publicação dos seus livros. Apesar de afirmar que “não sabia escrever cartas”, suas correspondências são tão interessantes quanto seus romances, contos e crônicas.

Em alguns dos textos enviados aos amigos, a escritora – que passou parte da vida no Nordeste – também revela que se inspirou em um dos retornos a Pernambuco para escrever um novo livro. Ricas minúcias recuperadas na obra.

Todas as Cartas - Clarice Lispector
Prefácio e notas: Teresa Montero
Posfácio: Pedro Karp Vasquez
Pesquisa textual e transcrição das cartas: Larissa Vaz

Rocco
2020, 864 páginas
R$ 119,9

Diário do Nordeste

Documentário no Netflix traça panorama assustador das redes sociais

 

O Dilema das Redes mostra como as Facebook, Twitter etc. tiveram papel definitivo na polarização política e na disseminação de fake news 

Snapchat ; application

Documentário mais comentado da pandemia, 
O Dilema das Redes, do diretor Jeff Orlowski, traça um panorama amplo, aprofundado e assustador do uso que fazemos de Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, Pinterest etc. Disponível no Netflix, o longa foi inspirado no livro Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais (2018), de Jaron Lanier. As justificativas são realmente convincentes.

Como aponta o filme, só existem duas indústrias que se referem a seus clientes como usuários: o tráfico de drogas e as empresas de tecnologia. O Dilema das Redes faz o caminho desde o princípio, mostra como o Facebook partiu de uma lógica de valor de marca e com o tempo entendeu que poderia lucrar em cima de anúncios. 

Logo percebeu que seu maior bem, ou seu maior asset, para usar um jargão do meio, eram os dados que são coletados com a experiência do usuário, os algoritmos. Como diz a expressão, que é citada no filme: “Se você não está pagando pelo produto, você é o produto”. Existe uma área do conhecimento, chamada Big Data, que se debruça no estudo das relações entre essas informações que passaram a valer dinheiro alto nas mãos de grandes empresas. 

Esses dados foram inicialmente usados para engajar o usuário e torná-lo mais e mais viciado no uso das redes, problema que traz consequências cada vez mais graves, como jovens (e adultos) com problemas de ansiedade, atenção, concentração e depressão, que podem levar ao suicídio e atrapalham, inclusive, os relacionamentos interpessoais. 

Como explica um dos executivos que falam no filme, todos egressos de grandes empresas de tecnologia como Facebook, Google e Twitter, uma linha do tempo é desenhada de acordo com o princípio do reforço intermitente. De acordo com a teoria psicológica do behaviorismo, esse é o nome de quando um comportamento é reforçado sem frequência ou periodicidade fixas, o que deixa o cérebro dependente daquela dose moderada de dopamina que é descarregada quando aparece algo interessante. O que explica como ficamos vasculhando as redes sociais com o scroll compulsivamente até finalmente encontrarmos algo que prenda nossa atenção. Reações como o likes também reforçam esse comportamento. 

Com o aperfeiçoamento da análise dos algoritmos conseguiu-se não só interferir no tempo que o usuário passa diante da tela, como no seu comportamento de compra. Esses dados podem ser tão precisos a ponto de dizer mais sobre um usuário do que muitas vezes ele tem consciência de si mesmo. E como toda ferramenta poderosa, pode ser um perigo quando cai nas mãos erradas. 

Como vem ocorrendo notoriamente na política, em que os chamados bots (robôs) disparam conteúdos passando-se por humanos, as redes sociais tornaram-se ferramenta para a disseminação de fake news, perseguição de oponentes ideológicos etc. Ou seja, qualquer político pode implantar conteúdo de potencial viral e muitas vezes prejudicial sem precisar se expor. 

Além disso, as redes sociais são projetadas de uma maneira que gera a polarização. Por meio dos algoritmos (sempre eles), identifica-se a afinidade entre os usuários e regula-se para que eles só interajam entre si. Isso dá uma sensação de pertencimento e, ao mesmo tempo, de que um determinado grupo está do lado da verdade. Assim formaram-se as “bolhas”.

O que leva a humanidade a um impasse inédito, uma vez que nunca antes houve noções tão distintas de realidade ao mesmo tempo. Ao não regular informações falsas que dizem que a Terra é plana, por exemplo, as redes sociais criaram grupos que já não possuem os mesmos alicerces de realidade, não têm mais as premissas básicas de mundo que permitem um diálogo amplo ou universal. 

O documentário deixa uma perspectiva desanimadora: Se as nossas relações continuarem nesse passo, como a humanidade resistirá enquanto esses problemas não forem contidos? 


Via Aleteia

24 de setembro de 2020

Concurso de artigos para estudantes de direito é lançado pela OAB Ceará

Podem participar graduandos de instituições de ensino superior de todo o Brasil. O tema é “32 anos da Constituição Federal e o papel do STF”


Legenda: Concurso de Artigos da OAB-CE tem o objetivo de aproximar a instituição da academia e possibilitar a universitários experiência em iniciação científica.
Foto: Divulgação


A Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE) lança edital para o primeiro Concurso de Artigos destinado a graduandos de instituições de ensino superior do Brasil. O concurso tem o tema “32 anos da Constituição Federal e o papel do STF (Supremo Tribunal Federal)” em alusão ao aniversário da Constituição de 1988, celebrado em 5 de outubro. As inscrições abrem no dia 28 de setembro e seguem até 10 de outubro — o resultado está previsto para ser divulgado 15 dias depois. 

O trabalho que alcançar a melhor nota na avaliação dos jurados será publicado no site da OAB-CE e em jornal de grande circulação, de acordo com o edital. Além disso, o primeiro colocado deve ganhar desconto no Curso Prime e um exemplar do livro “Curso de Direito Constitucional (2020) – 12ª Edição”, de Bernardo Gonçalves.  

A presidente da comissão, Arsênia Brecknfeld, afirma que o intuito do concurso é divulgar atividades de pesquisa e integrar mais a OAB-CE ao ambiente acadêmico. “O concurso vem para ser um incentivo e fomentar as diversas maneiras de se aprofundar sobre a temática constitucional. Estamos felizes com o projeto e em poder trazer essa discussão à tona”, disse.

Também integrante da comissão, Lara Duarte ressalta que o momento dá aos universitários a possibilidade de adquirir experiência em iniciação científica, “contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico sobre normas constitucionais e o sistema de justiça”.

Serviço

Concurso de Artigos da OAB-CE
Inscrições: de 28 de setembro a 10 de outubro, somente pelo e-mail ceconst@oabce.org.br 
Resultado: 25 de outubro

Via Diário do Nordeste

 

Brasil e Portugal se unem para criar clube de leitura com temáticas ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Social, da ONU

 Iniciativa prevê a criação de um acervo de livros infantis em língua portuguesa sobre temas que tratam de sustentabilidade e igualdade

Na Semana dos Objetivos Globais, criada para acelerar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Social (ODS), as entidades do mercado editorial do Brasil e Portugal se uniram para viabilizar o projeto Clube de Leitura com temáticas ligadas aos ODS, da Organização das Nações Unidas (ONU) em Língua Portuguesa.

© Eduardo Aigner
© Eduardo Aigner

Por aqui, a Câmara Brasileira do Livro (CBL), a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), sessão brasileira do International Board on Books for Young People (Ibby), e a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab), participam do clube que irá reunir obras brasileiras infantis e juvenis que abordem a temática do desenvolvimento sustentável. Os títulos vão estar disponíveis na plataforma da ONU, que já conta com livros de diversos países e idiomas. Estar nesta lista é uma oportunidade de fazer com que esses livros se tornem referências bibliográficas em escolas públicas e particulares, com a chancela da ONU.

A CBL está trabalhando para lançar uma plataforma onde será possível inscrever as obras brasileiras, a FNLIJ será a responsável pela seleção dos títulos e a Febab vai dar todo apoio relacionado às bibliotecas públicas. O lançamento do Clube de Leitura em Língua Portuguesa acontecerá na Feira do Livro de Bolonha em 2021.

Também são membros do Clube a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (Apel) e a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

Com o projeto, o Brasil passa a integrar um movimento global chamado SDG Book Club, desenvolvido pela ONU com o apoio da Associação Internacional de Editores (IPA), que tem a missão de disseminar os conteúdos dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável entre crianças e jovens de todo o mundo por meio do acesso a livros e à literatura. A ONU espera alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável e transformar o mundo para melhor até 2030.

Via PUBLISHNEWS

Estudantes da rede pública podem se inscrever no II Concurso Literário

 

Nesta edição, o homenageando é o Bicentenário da Emancipação Política de Sergipe.


Por G1 SE

— Foto: Andrew Brookes/Cultura Creative/AFP/Arquivo

Estão abertas, até o dia 30 de novembro, as inscrições para o II Concurso Literário da Rede Pública Estadual promovido pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc).

Podem participar estudantes do Ensino Médio da Rede Pública de Ensino de Sergipe, do programa Pré-universitário (Preuni). Eles devem ter o apoio do professor orientador. Nesta edição, o homenageando é o Bicentenário da Emancipação Política de Sergipe, celebrado durante o ano de 2020.

As produções devem ser estruturadas em dissertações argumentativas, balizadas na categoria Criação Literária. As inscrições deverão ser efetuadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no site da Seduc.

“O concurso visa a identificar, valorizar e dar visibilidade à produção artística literária dos estudantes. É importante a participação do estudante nesse concurso pela perspectiva do estímulo à leitura e do exercício da escrita, que trazem consigo outros valores indispensáveis à formação do cidadão”, salientou a diretora do Dase, professora Eliane Passos.

Cada estudante, acompanhado do professor orientador, poderá participar com apenas uma Redação – Dissertação. O texto deverá ser escrito a mão, em letra legível, de acordo com a folha padrão que estará disponível no anexo I do edital, quantidade mínima de 20 linhas e no máximo de 30 linhas.

A cerimônia de premiação será em 9 de fevereiro, e os três melhores trabalhos gerais serão agraciados com medalhas e certificados.