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Da solidariedade à Caridade

  1. Da solidariedade…
Quando Aristóteles definiu o homem como «animal político », quis dizer que o ser humano é um ser solidário: um ser cuja essência é a sua relação com o seu semelhante.
Sendo a solidariedade humana a nota caraterística do ser humano, tinha que haver instituições de solidariedade tão velhas como o homem, sendo a família a mais velha e a mais importante.
Como animal que é, o homem é um dos animais mais frágeis. A inteligência, de que a Natureza o dotou, levou-o a descobrir a sua força na solidariedade. Podemos dizer que foi a solidariedade que salvou a espécie humana. Foi como ser social e solidário que o homem se tornou senhor e rei da Criação, obedecendo assim ao Mandamento divino: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra» (Gn 1,28).
Sendo a essência do homem a solidariedade, o individualismo e o egoísmo constituem o maior pecado do homem, porque atingem a sua própria essência. Não é por acaso que a Bíblia, depois de apresentar o pecado contra Deus, apresenta, logo de seguida, o pecado contra o homem. Podíamos dizer que o pecado original não só a agressão contra Deus, mas também a agressão contra o seu semelhante, simbolizada no homicídio de Abel, praticado pelo seu irmão Caim. O pecado contra o homem (contra a solidariedade) é tão velho como o homem. É a solidariedade que humaniza o homem; o homem só se faz homem à custa dos seus semelhantes: precisamos dos nossos semelhantes para nos humanizarmos. A família que nos acolhe é o primeiro berço da humanização do homem.
  1. À Caridade
A solidariedade, só por si, não é caridade. Mas é o melhor caminho para a caridade, para o amor dos outros, a partir de Deus. Só o egoísmo e o individualismo são entraves à transcendência: quem não consegue  transcender-se a si mesmo, a favor dos outros a quem vê, como poderá transcender-se a favor de Deus, a Quem não vê? (1 Jo4, 20); os outros são o melhor – senão o único – caminho para Deus.
Poderão os «praticantes da solidariedade afirmar que são melhores pessoas do que os «praticantes da religiosidade»? De si, nunca, porque «ninguém é bom, senão só Deus» (Mc 10, 18). Daí que só possa ser verdadeiramente «bom», quem procura viver a sua semelhança com Deus.
A fé para além de ser um dom de Deus, é também um ato da vontade pessoal de quem quer ser crente: para crer é preciso querer…
A caridade é mais do que a solidariedade. Caridade é cuidar das «humanidades» de Deus na humanidade daqueles que tomo como meus irmãos, por serem filhos do mesmo Pai: «  Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas sua direita, mas os cabritos  esquerda.  Então dirá o Rei aos que estiverem  sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.
  Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? 
Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. »

Via Paróquia São Luís Faro

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