31 de janeiro de 2018

A voz de Deus

Padre Geovane Saraiva*
O absoluto de Deus é mistério e comunhão indizíveis, a partir de uma fé firme e segura. Como parte da família dos filhos de Deus, totalmente aberta e voltada ao mistério a nos envolver, lembro-me das palavras de Dom Helder: “Quando as palavras somem, quando os cuidados adormecem, quando nos entregamos, de verdade, nas mãos do Senhor, o grande silêncio nos mergulha na paz, na confiança, na alegria… E a voz de Deus se faz ouvir”. É a voz de Deus que nos leva a acreditar na Sua palavra, sempre criadora e vivificadora, caso a acolhamos com humildade, na certeza de contarmos com sua misteriosa presença.
Sua voz clama aos cristãos de hoje, dentro da comunidade dos batizados, assim como clamou e penetrou no coração do mundo no decorrer dos séculos em toda a sua plenitude. Voz de Deus muitas vezes no silêncio da noite, exemplo concreto de Deus falando a Samuel, numa profunda paz e sossego (cf. 1Sm 3, 3-10). Só mesmo a partir de um espírito aberto, tranquilo e calmo é possível ouvir, perceber e acolher a voz inspiradora de Deus. Jesus, na sua missão, andando de lugar em lugar, tinha palavras a desconcertar a muitos, porque chegava ao fundo do coração, tocando, lá no interior, a vida das pessoas, sensibilizando-as.
Nosso Deus é solidário e próximo de seu povo; é um Deus comunhão que quer de verdade entrar na vida daqueles que abraçam a fé, buscam respeito, acolhida e compreensão solidária. É claro que Deus não nos fala como falou a Samuel, chamando-o diversas vezes pelo nome. Fala-nos de diversos e variados modos e circunstâncias, manifestando sua santa vontade. Em muitas ocasiões é preciso contar com o socorro de pessoas generosas, no discernimento à vontade de Deus. Veja o exemplo do pequeno Samuel, dirigindo-se a Eli, como nos ensina o Livro Sagrado.
Nossas celebrações litúrgicas devem estar de acordo com o ensinamento da Mãe Igreja, longe de ser um espetáculo espiritual. Ao contrário, que ela conduza a um sincero e profundo envolvimento, levando as pessoas a mergulharem no sagrado, no próprio Deus. Convencidos de que a eucaristia alimenta nosso chamado e nossa missão, tornando mais claro e evidente os nossos passos, chamados a dar uma resposta ao infinito amor de Deus para conosco. Amém!
*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza –geovanesaraiva@gmail.com

Igreja de 'O Pagador de Promessas' será reaberta após 16 anos fechada

Reabertura da igreja do 'Pagador de Promessas
JOÃO PEDRO PITOMBO
DE SALVADOR
Cercada por vitrais quebrados, a imagem do menino Jesus foi resgatada sob espessa crosta de fezes de morcego. A cúpula do altar-mor, destroçada, estava guardada aos pedaços em baús de madeira.
Com quatro grandes rachaduras nas paredes, a igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo, no Centro Histórico de Salvador, desmantelava-se rumo ao precipício.
Mas o templo fez jus à saga de seu mais ilustre e improvável personagem. Assim como Zé do Burro, protagonista de o "Pagador de Promessas", peça do dramaturgo baiano Dias Gomes, resistiu, persistiu e manteve-se de pé.
Depois de 16 anos de portas fechadas e 3 anos de uma restauração que custou R$ 11,3 milhões, a igreja do Passo será reaberta aos fiéis nesta segunda-feira (5).
Construído no século 18 numa colina entre Pelourinho ao Santo Antônio Além do Carmo, o Passo é considerado um dos templos católicos mais importantes da Bahia. Com arquitetura que transita entre o barroco e o neoclássico, a igreja é tombada como patrimônio histórico desde 1938.
Aos seus pés, esparramam-se os 55 degraus da Escadaria do Paço, que ganhou o mundo como cenário da adaptação de "O Pagador de Promessas" feita pelo cineasta Anselmo Duarte, até hoje o único filme brasileiro a ganhar Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.
É nos degraus que levam à igreja –que, no filme, era igreja de Santa Bárbara– que o personagem do beato Zé do Burro enfrenta a ira dos religiosos e a esperteza dos malandros, enquanto tenta cumprir a promessa de levar até o altar uma cruz de madeira que trouxe nos ombros ao longo de sete léguas.
A restauração da igreja, realizada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no âmbito do PAC Cidades Históricas, dá fim a mais de duas décadas de degradação.
SEM FIÉIS
A saída das comunidades tradicionais que deram lugar ao comércio e turismo no Centro Histórico de Salvador acabou afastando os fiéis que a frequentavam. Sem a participação e o engajamento da população, a igreja definhou.
O primeiro baque aconteceu em 1998, quando desabou o baldaquino –espécie de cúpula– do altar-mor. Nos quatro anos seguintes, a igreja funcionou de maneira precária até fechar em 2002 e ser interditada em 2006.
"Muito se perdeu. A igreja foi abandonada e acabou sendo alvo de saques e roubos", afirma Luís Alberto Freire, professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, que fez pesquisas sobre a igreja.
O restauro acabou se revelando uma odisseia. Construída no topo de uma ladeira e tendo aos fundos um grande precipício, a obra demandou um crucial trabalho de contenção de encostas –foram instalados 22 tirantes de aço para sustentar o templo.
Do lado de dentro, imagens sacras e azulejos portugueses pintados à mão, datados do século 18, tiveram que ser recuperados um a um.
A cúpula da igreja, pintada em perspectiva ilusionista barroca, foi totalmente refeita. Folhas de ouro foram trazidas da Itália para fazer o processo de douramento das peças que ornam a Igreja.
"Foi um obra de logística complexa porque envolveu, ao mesmo tempo, obras estruturais e a restauração de peças extremamente delicadas", diz Bruno Tavares, superintendente do Iphan na Bahia.
CORES ORIGINAIS
O processo de restauro foi minucioso: sete camadas de tinta foram retiradas para que se descobrisse a cor original das portas, num tom azul escuro desbotado. Na imagem do menino Jesus, foram cinco camadas de tinta retiradas.
O principal desafio da igreja do Passo, contudo, será recuperar os fiéis numa área de Salvador em que há uma igreja histórica em cada esquina. Para isso, o envolvimento da comunidade será crucial.
"Queremos uma igreja aberta para todos que queiram entrar e somar", diz o irmão Jorge Mendes, da Fraternidade Samaritana Beneditina, responsável pela igreja.
As missas serão retomadas, inicialmente às quintas-feiras e aos domingos. Mas a ideia é que tanto a igreja como as escadarias se firmem como um polo cultural do Centro Histórico de Salvador.
Por enquanto, estão sendo discutidos projetos para a construção de um memorial em torno do filme do "O Pagador de Promessas", com uma réplica da Palma de Ouro, além de um café colonial anexo à igreja.
Também há uma proposta de implantar uma escola para formar jovens aprendizes para restaurar monumentos e imagens sacras.


Veja o clipe de "The Obvious Child"

A história não deixa dúvidas para o potencial. Depois de se tornar um ícone com "O Pagador de Promessas", a Escadaria do Paço foi também cenário do clipe de "The Obvious Child", do cantor norte-americano Paul Simon, com participação do Olodum.
Na década seguinte, já com a igreja fechada, as escadarias deram lugar a shows semanais do cantor e compositor Gerônimo Santana, autor de clássicos baianos como "É d'Oxum" e "Eu Sou Negão" e um dos principais expoentes do que pode ser chamado "axé de raiz".
Gerônimo, que entre 2005 e 2015 transformou as escadarias em um grande baile de música baiana, torce para que o espaço seja palco para diferentes formas de arte –da música ao artesanato, da poesia à capoeira.
"O carma cultural daquela escadaria é muito forte. Tem algum mistério por ali que a gente não entende", diz o compositor baiano.

Folha de S. Paulo

Como usar o Twitter na sala de aula

Por: Débora Garofalo
Twitter: plataforma pode ser usada para desenvolver textos e incentivar interação em sala de aula    Foto: Getty Images
Adotar ferramentas de comunicação não é fácil. Inúmeras vezes, após tentativas frustradas, ficamos com a impressão que não vamos dominar essas plataformas e nem fazer uso delas em sala de aula. Ainda assim, acredito que é fundamental incorporá-las ao processo de educação. Hoje quero compartilhar com você o uso do Twitter em sala de aula.
Em tempos em que vemos uma grande disseminação de ódio nas redes sociais, temos uma oportunidade de explicar aos alunos e refletir sobre o seu uso no dia a dia. O Twitter é uma ferramenta que pode ser aproveitada para dinamizar o ensino. Se fizermos um uso personalizado, podemos estreitar laços entre professores e estudantes. Os docentes ganham um espaço para colaboração, verificar aspectos do ensino que muitas vezes é difícil fazer em sala de aula – como o desenvolvimento e produção de texto, melhoria do desenvolvimento da escrita, aprofundamento sobre um determinado assunto, apresentação e difusão de uma ideia e debate entre os estudantes.
Se pensarmos que as redes sociais passam a fazer parte do cotidiano dos estudantes cada vez mais cedo, fica claro que essa é uma realidade imutável. Mais do que entreter, as redes podem se tornar ferramentas de interação valiosas para apoiar o trabalho em sala de aula.
O primeiro passo é saber quantos dos seus alunos possuem perfis em redes sociais, e conversar com os jovens sobre os cuidados necessários para utilização de redes sociais. O seu uso pode ocorrer por equipamentos (computadores e tablets) ou celulares, o que auxilia a direcionar o seu uso para práticas pedagógicas.

Ilustração: Getty Images
Um pouco sobre o Twitter
O Twitter é uma das redes sociais mais utilizadas no mundo, permitindo que os usuários enviem e recebam atualizações de notícias e informações em tempo real. Os textos de até 280 caracteres, conhecidos como tweets, podem conter links de vídeo e fotos para os usuários que seguem o seu perfil, criando uma interação com as pessoas. A seguir você encontra um passo-a-passo para criar uma conta e iniciar o seu uso:
Criar Conta
O primeiro passo para introduzir o assunto é convidar os alunos a criarem sua conta. Isso pode ser feito em conjunto com a turma durante a aula.

“Twittada”
Para essa atividade, que tal falar sobre um filme/série que os alunos viram e ou um assunto do momento, uma notícia interessante? Vale tudo nessa primeira “twittada”. A graça está justamente em contar as pequenas coisas.

Encontrar amigos e começar a segui-los
Com a conta criada, auxilie os alunos a encontrar os amigos na rede e também assuntos/perfis que sejam relevantes para que possam segui-los. Para encontrar alguém, use a ferramenta de busca (Search).

Conversando através do @nomedousuário
Para conversar com alguém no Twitter, é necessário colocar um @ seguido do nome do usuário. Por exemplo: @NovaEscola, eu leio sempre. Somente desta forma é possível identificar com quem os usuários estão conversando.

Retwittar
Se você gostou de algum conteúdo que viu na página de alguém no Twitter e quer reproduzir no seu perfil, basta adicionar um retwittar na frente do texto e dizer de quem são as palavras usando um @nome do usuário.

Benefícios do Twitter em sala de aula 
A ferramenta oferece um leque de possibilidades para promover debates e desenvolver habilidades e competências de leitura e escrita com os estudantes. Veja a seguir algumas dicas: 

1. Disponibilize materiais. Ofereça e compartilhe materiais multimídia. Podem ser notícias de jornais, revistas, vídeos, músicas, trechos de textos, assuntos que foram trabalhados em sala de aula.
2. Aproveite o campo Comentários. Peça a opinião dos alunos, pois assim você estará auxiliando a promover o senso crítico, fomentando a se manifestarem, ampliando o repertório e o conhecimento de mundo.
3. Use o Calendário de Eventos. O Twitter possui um calendário oficial de eventos do ano, com datas comemorativas. Você pode recomendar visitas durante eventos que ocorram pela cidade e que estejam sendo trabalhados nas aulas para ampliar discussões e fazer com que a turma interaja sobre o assunto.
4. Organize chats. É uma boa opção para mediar grupos de estudos de diferentes séries e níveis de aprendizagem em torno de assuntos distintos, enriquecendo o debate. Através dos chats é possível também diagnosticar dúvidas, oferecer colaboração e proporcionar aprendizado para além da sala de aula.
5. Incentive Minicontos. Que tal desenvolver e produzir minicontos com os alunos? O que torna a plataforma interessante é a limitação de caracteres, trabalhando de forma natural o desenvolvimento de ideias de forma direta e objetiva. O miniconto é perfeito para ser explorado nessa plataforma, com uma narração curta, dentro de uma linha. A ideia é que, com um mínimo de palavras, cada miniconto apresente contexto e uma ação, beneficiando a leitura e a escrita, ao brincar com as elipses narrativas e fazer com que leitor compreenda o enredo naquela história escrita.
6. Envolva os pais. Durante as reuniões na escola, vale comunicar os pais sobre a ação que você está promovendo nas redes sociais – apresentando a proposta de trabalho com a turma, para que eles compreendam os benefícios desse aprendizado.
E você, querido professor, já utilizou o Twitter em suas aulas? Compartilhe suas experiências, aqui nos comentários.
Um grande abraço.
Débora Denise Dias Garofalo é formada em Letras e Pedagogia e está cursando mestrado em Educação. Ela atua como professora na rede de ensino público em São Paulo.
Nova Escola

O fotógrafo paulista Leonil Júnior levará imagens do sagrado e do profano brasileiro para a Europa

por Roberta Souza - Repórter
Leonil tinha por volta de 13 anos quando fotografou a primeira festa popular da qual tem lembrança. Ele já estava ambientado com tudo aquilo, afinal, desde criança presenciava, no bairro da zona rural paulista onde reside até hoje, na cidade de Joanópolis, essa festa de Nossa Senhora do Rosário.
Na ocasião, seus registros deram conta dos devotos arrancando punhados de terra dos barrancos, dando a volta pela igreja e jogando a terra atrás dela, no processo que denominam de "Carpição". Aquele material seria, portanto, o começo da caminhada profissional do garoto que hoje, aos 21 anos, leva o projeto "Brasil, do Sagrado ao Profano" - resultado de sua incessante busca em revelar a fé do povo brasileiro e seus ritos - para a Europa.
A turnê começa no dia 1º de março, por Londres, e segue em abril para Bélgica e Bruxelas. A exposição vai apresentar as mais diversas manifestações de fé, como o Círio de Nazaré em Belém do Pará; os Congados em Minas Gerais; os batuques no interior de São Paulo; os Maracatus e suas cortes reais em Pernambuco; o Tambor de Mina na Amazônia; a Jurema sagrada no Nordeste; as Folias do Divino Espírito Santo em São Paulo; e os rituais sagrados dos povos indígenas. Imagens dos romeiros de Canindé (CE), fotografados por ele em 2017, também constam no trabalho.
"Costumo dizer que já nasci 'batendo os pés pra São Gonçalo'. Nasci e fui criado na roça, no Interior, onde as devoções e as festas populares fazem parte do cotidiano. Desde pequeno me interessava pelas Congadas, Caiapós e diversos folguedos da região, sendo que já fiz parte de um desses grupos. Então, a cultura e a religiosidade popular são intrínsecas em mim, não consigo separar minha fotografia da fé, do povo, das festas. Faço parte disso, e amo incondicionalmente o nosso Brasil e nossa cultura", afirma, entusiasmado, o fotógrafo.
A primeira câmera, ele ganhou aos 8 anos de idade. Num belo dia, uma das fotógrafas da vanguarda paulistana, K.K. Alcovér, mudou-se para um sítio vizinho ao que Leonil morava, e fizeram-se ali uma mestra e um discípulo.
"Com ela comecei a me interessar cada vez mais pela fotografia, ela foi minha mestra, sempre me ensinando com toda dedicação e paciência e eu um jovem aprendiz 'de pés rachados'. Desde então nunca mais parei de fotografar. Hoje a fotografia representa muito pra mim, representa a memória", pontua.
Rotas
A primeira viagem que Leonil fez para registrar imagens foi em 2014. Na época, ainda cursava Fotografia, graduação que só viria a concluir em 2015. O convite veio de um amigo, quando o jovem sequer tinha andando de avião. "Me embrenhei pelos congados do Vale do Jequi, pelas antigas e tradicionais Irmandades do Rosário, nascendo então uma nova paixão, os congados". A partir dessa viagem um novo projeto nascia, o Rosário dos Pretos, a partir do qual Leonil reuniria imagens de diversos roteiros pelo Brasil em uma exposição no Sesc Sorocaba, em São Paulo.
As manifestações de fé e seus desdobramentos sempre foram critérios para o fotógrafo definir por onde deveria passar. Esse seria um indicativo do olhar de Leonil, ainda que ele não consiga defini-lo. "Alguns dizem que é um olhar espiritualista, confesso que ainda não consigo definir. Busco transmitir a fé e a esperança por um mundo melhor. A fé dos povos é algo que me encanta, pois é capaz de levantar multidões, começar e terminar guerras e 'mover montanhas'", acredita.
Fotógrafo documental, Leonil trabalha na perspectiva de registrar as pessoas, porque vê nelas sua conexão com o sagrado. "As pessoas me movem, me fazem refletir sobre quem somos, de onde somos e pra onde vamos, e mesmo sem saber me dão mais fé e esperança. É amando ao próximo e me colocando entre eles que consigo captar os momentos e eternizá-los em fotografias", declara o jovem.
As imagens em preto e branco são características em seu trabalho, e é com um equipamento simples que ele captura o que lhe é sagrado. "Utilizo uma câmera de entrada da Nikon e algumas analógicas. A fotografia analógica me faz refletir mais", explica.
Exposições
A turnê pela Europa contará com uma exposição de 20 imagens, divididas em quatro núcleos - Círio de Nazaré, folguedos, religiões e indígenas - além de fotos de um projeto social do qual Leonil faz parte, o "Eyes of the street" - de fotografia, voltado para crianças em situação de vulnerabilidade social. Em maio ele retorna ao Brasil, já com planos de expor em outras localidades, incluindo Fortaleza entre as prioridades. "Já estou em negociação com diversos museus e espaços culturais para trazer a exposição, e Fortaleza com certeza vai ser o primeiro destino depois da Europa", garante Leonil.
A diretora de Museus do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), Valéria Laena, já se reuniu com o fotógrafo no ano passado e confirma que suas imagens devem ocupar a varanda dos museus, onde ficava a livraria do Dragão, no segundo semestre de 2018.
"O Ceará como um Estado que vivencia experiências de romarias, especialmente em louvor ao 'Padrinho Cícero' e ao São Francisco de Canindé, acolhe com admiração a exposição 'Brasil do Sagrado ao Profano', do fotógrafo Leonil Júnior. Percorrendo um Brasil de maracatus, congadas, círios e romarias, as imagens de Leonil revelam a fé e a força da religiosidade popular no País. Leonil é promessa grande!", opina Valéria.
No retorno da Europa, ele também pretende se voltar mais para o seu Interior, para os mestres, para os povos tradicionais. "Sou feito de cada momento que vivi, de cada mestre que conheci, de cada Preto Velho que conversei, de cada chão que pisei, de cada sorriso que cliquei. Sou feito dos lugares que passei, sem esquecer da minha raiz", define-se. Com a sensibilidade e a câmera em mãos, ele ainda tem muito a florescer.
Experiência
O Ceará e a fé que "move montanhas"
O Ceará sempre foi um sonho pra mim; as Romarias de São Francisco das Chagas no Canindé, os romeiros de Padre Cícero... Estive em 2017 no Canindé, onde fui muito bem acolhido pelo querido Frei Domingos e pelo hospitaleiro povo cearense. A viagem para o Canindé mexeu muito comigo, me fez refletir sobre diversas outras coisas. Tudo isso resultou em inúmeras imagens dos romeiros de São Francisco e me levaram a ter certeza de que a fé "move montanhas". Ainda pretendo passar uma temporada no Ceará, documentando as romarias de Padre Cícero, de São Francisco e as outras festas populares da região, que por sinal já são muito bem documentadas por grandes fotógrafos, a exemplo de Tiago Santana, Celso Oliveira, e outros mestres da fotografia cearense e nacional.

Leonil Júnior
Fotógrafo

Saiba mais
"Brasil, do Sagrado ao Profano" na Europa
1/3
Gallery 32, embaixada do Brasil em Londres.
7/4
Café Botéco - Gent, na Bélgica.
12/4
Casa do Brasil, embaixada do Brasil em Bruxellas.
*Algumas fotos estão disponíveis no instagram @leoniljr

Diário do Nordeste

Obras de Sérvulo Esmeraldo serão reinauguradas



Quatro obras do escultor cearense Sérvulo Esmeraldo serão devolvidas à paisagem de Fortaleza nesta quinta-feira (1º), às 8h30. O evento simbolizará uma homenagem, uma vez que a data marca, também, um ano de falecimento do artista.

As peças La Femme Bateau, Infinito, Pulsação e Ballet Gráfico foram submetidas ao projeto Reconstrução, Restauro e Conservação de Esculturas de Sérvulo Esmeraldo, realizado pela Prefeitura de Fortaleza através da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor), em parceria com o Instituto Sérvulo Esmeraldo (ISE). Para efetuar a reconstrução, foi preciso consultar arquivos detalhados de projetos, estudos, maquetes e fotografias deixadas pelo artista.
"Esse projeto é de maior importância para a cidade, para a arte brasileira, porque ele vem preservar um grande patrimônio que é esse legado que o Sérvulo nos deixou", explica Dodora Guimarães, curadora de arte e presidente do ISE.
Segundo a curadora, que era também esposa de Sérvulo Esmeraldo, a exposição de obras no Ceará foi motivada pela possibilidade de criar arte pública e visível pelas ruas, aproveitando a luz privilegiada do Estado.
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"A arte que está nos museus exige que você se desloque até lá, e quando você entra no museu, já está preparado para ver arte ou o que ali está exposto, diferentemente da rua. A arte na rua é mais generosa, porque ela já está no seu caminho e convive com o ritmo da cidade e todas as suas interfaces", diz Dodora. O trabalho de recuperação foi executado por Ari Josino, da Metalúrgica Santa Luzia, que esteve responsável pelas esculturas de Sérvulo Esmeraldo desde o início dos anos 2000. A iluminação do projeto foi feita por Mario Yoshi, a sinalização por Paulo Barbosa, e o paisagismo por Ricardo Marinho.
"Esse projeto está em execução desde 2017. O objetivo é possibilitar aos cidadãos de Fortaleza o acesso às obras de um dos mais importantes artistas do Ceará, e democratizar o acesso à arte", ressalta o secretário Municipal da Cultura de Fortaleza, Evaldo Lima.
O evento de inauguração acontecerá no Viaduto Reitor Antônio Martins Filho, onde o prefeito Roberto Cláudio entregará a escultura Pulsação.
Reconstruída
La Femme Bateau é uma escultura-biruta que foi reconstruída em aço inox pintado, localizada na Praia de Iracema. A coluna de aço pintado de azul, batizada de Infinito, fica na Praça General Murilo Borges, no Centro. No mesmo bairro, está a escultura-fonte Ballet Gráfico, instalada na Praça Pedro II. No bairro Cocó está Pulsação, escultura cinética em aço policromado.
"Esse trabalho era tudo para ele. O Sérvulo falava que tinha um compromisso de todos os dias acrescentar um ponto à arte. Cada projeto era uma oportunidade de encarar um novo desafio", lembra Dodora Guimarães.
Para o secretário Evaldo Lima, o momento é importante para prestar homenagem a um artista que viajou pelo mundo e, mesmo tendo sido reconhecido em tantos lugares, retornou ao Ceará. A curadora celebra: "Eu acho que onde quer que ele esteja, ele vai estar muito feliz".
Esculturas

Fortaleza embelezada

No bairro Cocó está Pulsação, escultura cinética em aço policromado; a escultura-fonte Ballet Gráfico encontra-se instalada na Praça Pedro II, no Centro, defronte à Catedral Metropolitana de Fortaleza; no mesmo bairro está a coluna de aço pintada de azul, batizada de Infinito, na Praça General Murilo Borges FOTOS: THIAGO GADELHA

Diário do Nordeste

Superlua, Lua azul e Lua de sangue acontecem nesta quarta-feira (31)

A maioria da população brasileira terá de se contentar com a Superlua, com exceção de quem vive em algumas localidade do extremo Norte do país (Foto: Kleber A. Gonçalves)
Nesta quarta-feira (31) ocorrerá uma conjunção astronômica pouco comum. Teremos, ao mesmo tempo, as chamadas SuperluaLua azul e Lua de sangue - esta uma consequência de um eclipse lunar total. A Nasa (agência espacial americana) vem chamando essa convergência lunar de "Superlua azul de sangue" (Super Blue Blood Moon, em inglês).
Os brasileiros, no entanto, com exceção de quem vive em algumas localidade do extremo Norte, não poderão observar o eclipse. A maioria da população terá de se contentar com a Superlua, fenômeno que ocorre várias vezes ao ano.
A Superlua ocorre quando a Lua está cheia e no momento de máxima aproximação de nosso planeta, o chamado perigeu. O efeito é um brilho do nosso satélite natural 14% maior do que o normal. A Lua azul é o nome dado dado à segunda lua cheia que acontece em um mesmo mês. Apesar do nome, não há alteração de sua cor.
Já a Lua de sangue ocorre durante um eclipse lunar total, quando a sombra da Terra se projeta sobre a Lua, deixando-a avermelhada. O efeito se dá pela refração de raios de luz solar que são desviados pela atmosfera da Terra e acabam chegando à Lua, mesmo encoberta pela sombra do nosso planeta.
A "Superlua azul de sangue" será melhor observada no costa oeste do EUA, na Ásia e na Oceania.

Diário do Nordeste

RELER UM CLÁSSICO

Grecianny Carvalho Cordeiro*
Alguém já leu um livro na adolescência e o releu na maturidade?
As impressões da primeira leitura jamais são esquecidas, mas a leitura madura nos faz descortinar um livro completamente diferente.

Alguns clássicos nacionais constituem leitura obrigatória na escola. Nessa época da vida, nem sempre se consegue dar o crédito devido a tais livros.
Recentemente, decidi ler Iracema, o romance de José de Alencar, pelo que passei a ver nosso Ceará e a herança cultural deixada pelos índios com outros olhos, deslumbrada por tamanha riqueza e beleza. 
O Ceará, a terra dos verdes mares bravios é o cenário do romance. 
Iracema, filha de Araquém, chefe da tribo dos Tabajaras, “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as asas da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira”, dispara uma flecha que atinge o guerreiro branco Martim Soares Moreno, perdido nas matas. Arrependida, ela presta-lhe socorro e o acolhe em sua tribo.
Martim levantara sua taba nas margens do Jaguaribe, o rio onde bebem as garças, vivendo por entre os Pitiguaras. Martim contava com a amizade e a irmandade do índio Poti, irmão de Jacaúna.
Iracema deixa a cabana do pai e foge com Martim em direção aos Pitiguaras, os quais travarão um confronto com os Tabajaras. A bela índia, virgem de Tupã, que guardava o segredo da jurema, não se importou com a profecia segundo a qual morreria, caso fosse possuída por um guerreiro.
Martim e Iracema, com a ajuda de Poti, seguem pelas margens do Camucim e Araracu. Passam pela Meruoca e dormem em Uruburetama, depois seguem pelo rio Mundaú até Potengi. Continuam pelo Soipé e atravessam o rio Taíba, até chegarem no alto do Mocoripe. Depois, vão para a serra do Maranguab, onde ficava a cabana do velho guerreiro Batuireté, junto às formosas cascatas.
Iracema tomava banho na lagoa Porangaba ou lagoa da beleza e, desde então, as mães ali mergulhavam suas filhas para que adquirissem a beleza da “mais bela filha da raça de Tupã”.
Poti levava Martim para caçar na serra da Aratanha, do outro lado da serra de Maranguab, onde subiam a encosta da Guaiuba até o córrego habitado pelas pacas, a bela Pacatuba.
Entristecida, Iracema passa a tomar banho na lagoa da Mecejana (abandonada).
Após o nascimento de Moacir, Iracema falece e é enterrada ao pé do coqueiro, à borda do rio, onde a jandaia repete o nome: Iracema.
E esse local um dia se chamaria Ceará, “onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba”.



*Promotora de Justiça

Fórum Mundial da Água espera receber quase 7 mil representantes de 150 países

Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil
Fórum Mundial da Água espera receber quase sete mil representantes de 150 países
O consultor de conteúdo do 8º Fórum Mundial da Água, Glauco Kimura; o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, e o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Vanilton TadiniDivulgação/TV Brasil
Pelo menos 6.700 representantes políticos de mais de 150 países foram convidados a participar do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, entre os dias 18 e 23 de março. O tema central será debatido com mais de 250 sessões, com a participação da sociedade civil, empresas públicas e privadas, universidades e organizações não governamentais de todo o mundo.
"O fórum é muito importante, porque é a primeira vez que ocorre no Sul do Equador, em um país em desenvolvimento, onde pretendemos ter uma forte mobilização da classe política em torno do tema da água, com discussões que podem ser compartilhadas com participantes dos outros setores. O evento é movimento vivo, com processo de preparação muito importante, que discute problemas que precisam de solução", disse hoje (30) o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, em coletiva de apresentação do fórum, na sede da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, em São Paulo.
Segundo os organizadores, o Fórum Mundial da Água – que é realizado a cada três anos – por iniciativa do Conselho Mundial da Água, é um espaço de diálogo e intercâmbio de experiência e boas práticas relacionadas ao uso da água. O foco na sustentabilidade alinha o evento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para água potável e saneamento, agenda definida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que propõe metas a serem atingidas globalmente até 2030.
Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água
Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da ÁguaDivulgação/TVBrasil
De acordo com o consultor de conteúdo do 8º Fórum Mundial da Água, Glauco Kimura, a grade temática foi desenvolvida tendo como base acordos globais sobre a água e o clima, desastres naturais e os objetivos de desenvolvimento sustentável.
"Serão nove temas, dos quais seis centrais e três transversais. Os centrais serão clima, pessoas, desenvolvimento, urbano, ecossistemas, finanças. Os outros três são compartilhamento, governança e capacitação". Cada tema se desdobrará em tópicos, chegando a 32 no total, gerando 95 sessões temáticas.
As discussões de dividem em quatro categorias: painéis de alto nível (com representantes máximos), sessões ordinárias (propostas pelos processos), sessões especiais (com relevância que merecem destaque), eventos paralelos (produtos comerciais que as organizações podem adquirir e desenvolver um evento desde que esteja alinhado com a grade temática).
"Pela nossa prévia da grade de programação, teremos 313 sessões, das quais 18 painéis de alto nível, 33 sessões políticas, 18 cidadãs, 55 especiais, 61 regionais, de sustentabilidade e talvez 30 eventos paralelos, que ainda estão com inscrições abertas. Toda a grade é importante e interessante para o Brasil", disse Kimura.
Vila Cidadã
Nesta edição, a novidade é a Vila Cidadã, espaço gratuito e aberto à população, com arena de debates, exposições, palestras, cinema, artesanato, talk shows e espaço gourmet. A vila será montada no Estádio Nacional Mané Garrincha, próximo ao local dos debates, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães. No local, serão desenvolvidas atividades interativas com exposições lúdicas, palestras, cinema ao ar livre e apresentações artísticas, sempre das 9h às 22h.
As edições anteriores foram realizadas em Marrakesh (Marrocos, 1997), Haia (Holanda, 2000), Quioto (Japão, 2003), Cidade do México (México, 2006), Istambul (Turquia, 2009), Marselha (França, 2012) e Gyeongju e Daegu (Coreia do Sul, 2015).
As inscrições estão abertas e podem ser feitas no site do  fórum e valem como acesso para a Vila Cidadã e para o fórum.

A professora de Filosofia, Márcia Tiburi lança livro sobre feminismo em Fortaleza

A professora de Filosofia, artista plástica e escritora Márcia Tiburi volta a Fortaleza no fim de janeiro, para apresentar seu mais recente trabalho, o livro “Feminismo em Comum”. O evento é aberto ao público e acontecerá no dia 31, a partir das 19 horas, na Livraria Leitura do Shopping RioMar Fortaleza.

Nesta nova obra, a autora se propõe a levantar as questões em torno do feminismo e das estruturas da sociedade. Este tema cada vez mais atual e urgente é repensado e criticado nas palavras de Tiburi, em uma linguagem que busca incluir, como diz o próprio subtítulo do livro, “todas, todes e todos” no debate. Antes de chegar em Fortaleza, Márcia ainda vai passar por Salvador e Recife, conversando com fãs sobre este novo trabalho.
Confira o convite da escritora publicado em vídeo:
Márcia Tiburi esteve em Fortaleza recentemente, participando de uma aula aberta no Porto Iracema das Artes em 1º de dezembro. Na ocasião, ela discutiu duas das suas mais de 20 publicações: “Como Conversar com um Fascista” e “Ridículo Político”. Outras importantes obras de Tiburi são: “As Mulheres e a Filosofia”, “Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita”, “Filosofia Brincante” e “Olho de Vidro”.
Serviço
Lançamento de “Feminismo em Comum” de Márcia Tiburi
Quando: quarta-feira, 31, às 19 horas
Onde: Livraria Leitura do Shopping RioMar Fortaleza (rua Des. Lauro Nogueira, 1500 - Papicu)
Gratuito
Redação O POVO Online

30 de janeiro de 2018

Cannes importará areia para ampliar praia durante festival de cinema de 2018

A ampliação da praia deve estar pronta até maio, data do evento deste ano.
Cannes importará areia para ampliar praia durante festival de cinema de 2018
Cannes importará areia para ampliar praia durante festival de cinema de 2018 (Reprodução)

Por Michel Bernouin
Todo ano a cidade de Cannes, na Riviera Francesa, estende o tapete vermelho para celebridades de primeiro escalão durante o festival de cinema mais glamoroso do mundo, mas neste ano ela quer exibir outro tipo de local de exibição.
O resort mediterrâneo está importando 80 mil metros cúbicos de areia branca, o suficiente para encher 32 piscinas olímpicas, para ampliar a praia que se estende por 1,4 quilômetro ao longo da famosa avenida La Croisette.
As areias finas, os hotéis sofisticados e os restaurantes gourmet já receberam os maiores astros do cinema durante o festival anual, de Brigitte Bardot nos anos 1950 a Nicole Kidman e Leonardo DiCaprio em anos mais recentes.
A ampliação da praia deve estar pronta até maio, data do evento deste ano, e para os administradores de praias particulares isso significa mais espaço para ganhar dinheiro.
"Tivemos uma faixa de areia de cerca de 20 metros de largura, agora teremos de 10 a 12 metros extra", contou Bruno Richard, gerente de Long Beach, onde uma espreguiçadeira custa 25 euros por dia.
Mais da metade da areia está chegando de barco vinda de uma pedreira da região vizinha de Var. A areia é misturada à água do mar e bombeada por meio de um duto flutuante para a praia, onde escavadoras moldam a nova margem.
Os moradores estão divididos quanto ao empreendimento. Enquanto alguns aplaudem uma praia pública maior, outros se queixam do desperdício de dinheiro dos contribuintes.
"O que me preocupa é se o mar vai levar tudo de volta. Custou muito dinheiro à cidade", opinou Gerard Rollandin.

Reuters

Inteligência artificial ajuda a decifrar manuscrito misterioso de 600 anos

(Foto: Davis Dunavin / WSHU)
O Manuscrito Voynich é talvez um dos textos mais enigmáticos da humanidade. Escrito no século 15 e descoberto no século 19, cientistas do mundo todo tentaram desvendar o seu conteúdo, mas nenhum conseguiu até hoje. Agora, a tecnologia promete ajudar significativamente.
Uma equipe de cientistas da computação da Universidade de Alberta, no Canadá, liderados por Greg Kondrak, utilizou algoritmos de processamento de linguagem natural para tentar desvendar, pelo menos, o idioma em que o antigo texto foi escrito, o que permanecia um mistério até hoje.
Uma equipe de cientistas da computação da Universidade de Alberta, no Canadá, liderados por Greg Kondrak, utilizou algoritmos de processamento de linguagem natural para tentar desvendar, pelo menos, o idioma em que o antigo texto foi escrito, o que permanecia um mistério até hoje.
Usando amostras da Declaração Universal dos Direitos Humanos em mais de 400 dialetos e idiomas difundidos em todo o mundo, o sistema desenvolvido pelos cientistas concluiu que o mais provável é que o manuscrito tenha sido escrito em hebraico, e depois codificado pelo autor ou autores.
Com base em estudos anteriores, os cientistas partiram da hipótese mais difundida de que o manuscrito usa um alfabeto definido, e, com isso em mente, tentaram criar um sistema capaz de identificar a gramática desse texto. O algoritmo descobriu que pouco mais de 80% das palavras no texto existiam no dicionário hebraico.
Em seguida, usando o Google Tradutor, os cientistas checaram a gramática de um trecho do manuscrito. "Ela fez recomendações ao sacerdote, homem da casa e eu e as pessoas", é o que diz a primeira frase do manuscrito, numa tradução aproximada ao português, se o algoritmo estiver correto. "É uma sentença estranha, mas certamente faz sentido", disse Kondrak ao Phys.org.
Os pesquisadores ainda estão em busca de especialistas na língua hebraica para validar a descoberta da inteligência artificial e tentar decifrar o resto do enigmático texto, mas eles dizem que identificar o idioma original do manuscrito "é um primeiro passo". "O próximo passo é descobrir como decifrá-lo", afirmou Kondrak.
Descobrir o idioma original de um manuscrito pode parecer simples, mas não é. A vantagem no uso de um algoritmo de inteligência artificial é de que os pesquisadores não precisam reunir 400 especialistas em cada idioma do planeta para tentar desvendar a origem das palavras no texto.
O sistema faz o trabalho de 400 especialistas sozinho e muito mais rapidamente. A equipe da Universidade de Alberta também planeja levar essa tecnologia para o estudo de outros manuscritos antigos.
Olhar Digital

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!


Ricardo Gondim

Paulo Freire: 5 livros imperdíveis indicados por professores

Educadores falam sobre a obra do pensador brasileiro
Salvar
Por: Caroline Monteiro
Arte: Alice Vasconcellos
Se estivesse vivo, o pedagogo e filósofo Paulo Freire completaria 96 anos nesta terça-feira, 19 de setembro. Reconhecido não só no Brasil, mas também no exterior, o Patrono da Educação Brasileira é responsável pelo processo de alfabetização que incentiva o uso do vocabulário e conhecimento dos alunos, principalmente jovens e adultos, na aprendizagem da leitura e escrita. Testada na cidade de Angicos (RN) em 1963, a atividade não utilizava cartilhas e alfabetizou 300 catadores de cana em 40 horas de aula distribuídas em 45 dias. Na época, 40% da população brasileira era analfabeta.
No ano seguinte, Paulo Freire foi preso e exilado pela ditadura. Ficou cinco anos no Chile, onde desenvolveu suas teses e trabalhos em programas de Educação de jovens e adultos. O educador viveu também na Inglaterra, na Suíça e em colônias portuguesas da África, como Guiné-Bissau e Moçambique. Foi nesse período de 16 anos fora do Brasil que Freire escreveu várias de suas obras.
Morto em 1997, seu trabalho continua reconhecido por professores e pedagogos brasileiros e estrangeiros, mas o Freire é também criticado por ter ideias de esquerda.
Em comemoração ao aniversário do educador, pedimos a cinco professores que indicassem um livro importante de sua obra. Confira:
"Educação como Prática de Liberdade" (1967)
Indicado por João Paulo Pereira de Araújo, professor de História nas EEs Dr. Pompílio Guimarães e Professor Botelho Reis e no Colégio Equipe, em Leopoldina (MG)

"Fala sobre um método de alfabetização de adultos, mas para isso, Freire faz um passeio pelo passado e conta de suas experiências. O livro me impactou porque, logo no início, coloca para reflexão a importância da compreensão em torno do que é existir. E nesse momento ele explica que existir é muito mais do que apenas estar no mundo, pelo contrário, é preciso participar dele. O pedagogo propõe que é necessário dialogar e se comunicar. Isso é muito importante, por exemplo, quando pensamos na profissão do professor, no existir dentro da sala de aula. De ter o olhar social e compreender que seu papel vai muito além do que se imagina. No livro, Freire apresenta uma trajetória da construção do país e ressalta a ausência do povo nas grandes decisões e faz uma crítica à Educação tradicional, falando da massificação, e das possibilidades que a Educação tem de libertar o homem. Quando fala da sua experiência no ensino de adultos, Freire nos mostra o quanto é possível transformar a nossa realidade."
"Pedagogia do Oprimido" (1968)
Indicado por Mara Mansani, professora alfabetizadora na EE Professora Laila Galep Sacker, em Sorocaba (SP), e blogueira de Nova Escola

"Quando o li esse livro pela primeira vez, chorei, pois aquelas palavras me falaram fundo. Refleti, me inquietei e me questionei. Que Educação eu vinha fazendo? Minha prática educativa contribuía na opressão, na formação de mais oprimidos e de opressores? Descobri, então, que eu estava acomodada em uma situação de segurança, sem ação. Mas eu não queria mais isso nem para mim, nem para meus alunos. E assim, depois dessa leitura, me esforço sempre para construir para eles e com eles, meus alunos, uma Educação de qualidade, onde juntos, mediatizados pelo mundo, possamos nos libertar, com diálogo, com amor, criticidade, sendo sujeitos ativos na construção da nossa história. De tempos em tempos, volto a ler Paulo Freire para acender a chama da inquietude, da reflexão, da ação e da esperança."
"A importância do ato ao ler" (1981)
Indicado por Diego Durães, professor de Língua Portuguesa no Sesi 284, em Presidente Prudente (SP)

"Ao falar de Língua Portuguesa, a obra me faz refletir sobre as possibilidades de se trabalhar com a leitura na sala de aula, bem como da necessidade de um olhar mais próximo das práticas sociais. O livro apresenta uma intensa discussão sobre as necessidades de se ensinar a ler na escola  ler com sentido, com referências, com contextualização, e sobretudo, ler para conhecer e mudar o mundo! Conhecer e reconhecer a obra de Paulo Freire é necessário para a minha prática porque considero que o ensino de Língua Portuguesa contempla, como base em diversos temas e conteúdos, o ato de ler."
"Professora sim, tia não" (1993)
Indicado por Sunamita Silva de Oliveira, pedagoga na Escola Maria Alice da Veiga Pessoa, em Gravatá (PE)

"A obra de Freire, como um todo, é impactante e indispensável. Não consigo desmembrar um livro do outro. Todos se complementam, mas 'Professora sim, tia não' faz uma crítica a forma como, a partir de uma nomenclatura, se compromete a autoridade e se mistura e confunde o papel do professor em sala. Visão patriarcal, paternalista, com um protecionismo exacerbado. A tia é aquela que permite, brinca, diverte e esporadicamente visita em um passeio. A obra de Freire me incentiva a ser uma combatente. Luto, para mim, é de fato, verbo!"
"Pedagogia da Autonomia" (1996)
Indicado por Fabio Augusto Machado, coordenador pedagógico da EMEF Recanto Dos Humildes, São Paulo, e professor de Geografia

"É um livro que considero simples, mas de ideias profundas. Quando ainda cursava a licenciatura em Geografia, fui impactado com a coragem e a ousadia da obra. Freire tem a audácia de definir o que vem a ser o 'pensar certo' ou o 'pensar errado' no fazer pedagógico. Não há neutralidade. Os 'saberes necessários', sobre os quais Freire discorre da primeira à última página, são a própria antítese do projeto Escola sem Partido. Aliás, a superficialidade na prática pedagógica é condenada por ele no livro. É o 'pensar errado'. Até porque, para ele, 'ensinar exige compreender que a Educação é uma forma de intervenção no mundo'. Em sua obra, ele destaca que 'ensinar exige a convicção de que mudar é possível'. É preciso constatar, não apenas para saber como é, mas para transformar. A 'Pedagogia da Autonomia' mudou a minha vida, fez com que eu me apaixonasse pela Educação, e gerou consequências na vida dos meus alunos. O projeto 'A construção da Identidade', um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 2016, é uma conseqüência direta dessa obra."
Fonte: Nova Escola