MORDOMIA NA PRISÃO

Grecianny Carvalho Cordeiro*


Como é sabido, o Brasil é um país que ocupa o terceiro lugar no ranking de encarceramento e, dentre outras peculiaridades em nosso sistema penitenciário, possuímos uma preocupante superpopulação carcerária.

As prisões brasileiras possuem uma precária infraestrutura, além da falta de higiene, péssima alimentação (muitas vezes estragada), não oferecendo trabalho ao interno, tornando cada estabelecimento prisional um barril de pólvora prestes a explodir.
sempre explode.
E eclodem as rebeliões, os massacres em que literalmente cabeças são roladas, fugas em massa, enfim, o retrato de um caos a refletir a total e absoluta incompetência do Estado em exercer seu papel.
A massa carcerária brasileira é essencialmente formada por homens ainda jovens, com pouca instrução, com histórico de violência na família e oriundos da classe econômica menos favorecida.
A massa carcerária brasileira, em sua maioria, é formada por presos provisórios, sem que tenham sido condenados definitivamente (quando não cabe mais recurso), e os crimes variam de tráfico de drogas a furto, de roubo a homicídio...
Nesse quadro de horrores que é o sistema prisional brasileiro, parece-nos abominável a existência de privilégios para alguns presos.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textoSérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, condenado por diversos crimes a dezenas de anos de pena, estava recolhido em um estabelecimento prisional em que exercia enorme poder de influência política e econômica junto àqueles encarregados de custodiá-lo. Isto não poderia dar em outra senão em um disparate contra a Justiça e o povo brasileiro.
Sérgio Cabral estava recolhido em uma cela confortável, podia tomar banho de sol e receber visitas quando bem quisesse, se alimentava de filé, camarão e bacalhau, oriundo de um restaurantes cariocas, assistia filmes variados em uma televisão de 64 polegadas e outras regalias jamais imaginadas ou sonhadas por um preso “comum” ou mesmo para muitos cidadãos livres, que trabalham e pagam seus impostos.
Inadmissível essa “vida mansa” para qualquer criminoso, pior ainda para um que conseguiu quebrar um Estado por completo e que continua usufruindo e se beneficiando do assalto feito aos cofres públicos.
Essa mordomia é uma aberração, pois premia aqueles que roubam do povo brasileiro o direito à saúde, à educacão, à segurança, consequenciando no aumento da massa carcerária já referida, a lotar as prisões.
De um jeito ou de outro, o cidadão paga a conta.

*Promotora de Justiça

Comentários

Mais Visitadas

As dores da humanidade

Tudo começa com o caderno de caligrafia

Missão da Unesco faz primeira visita ao Museu Nacional

Bancário faz sua estreia como escritor

Livro aborda a memória crítica da escravidão