RELER UM CLÁSSICO

Grecianny Carvalho Cordeiro*
Alguém já leu um livro na adolescência e o releu na maturidade?
As impressões da primeira leitura jamais são esquecidas, mas a leitura madura nos faz descortinar um livro completamente diferente.

Alguns clássicos nacionais constituem leitura obrigatória na escola. Nessa época da vida, nem sempre se consegue dar o crédito devido a tais livros.
Recentemente, decidi ler Iracema, o romance de José de Alencar, pelo que passei a ver nosso Ceará e a herança cultural deixada pelos índios com outros olhos, deslumbrada por tamanha riqueza e beleza. 
O Ceará, a terra dos verdes mares bravios é o cenário do romance. 
Iracema, filha de Araquém, chefe da tribo dos Tabajaras, “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as asas da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira”, dispara uma flecha que atinge o guerreiro branco Martim Soares Moreno, perdido nas matas. Arrependida, ela presta-lhe socorro e o acolhe em sua tribo.
Martim levantara sua taba nas margens do Jaguaribe, o rio onde bebem as garças, vivendo por entre os Pitiguaras. Martim contava com a amizade e a irmandade do índio Poti, irmão de Jacaúna.
Iracema deixa a cabana do pai e foge com Martim em direção aos Pitiguaras, os quais travarão um confronto com os Tabajaras. A bela índia, virgem de Tupã, que guardava o segredo da jurema, não se importou com a profecia segundo a qual morreria, caso fosse possuída por um guerreiro.
Martim e Iracema, com a ajuda de Poti, seguem pelas margens do Camucim e Araracu. Passam pela Meruoca e dormem em Uruburetama, depois seguem pelo rio Mundaú até Potengi. Continuam pelo Soipé e atravessam o rio Taíba, até chegarem no alto do Mocoripe. Depois, vão para a serra do Maranguab, onde ficava a cabana do velho guerreiro Batuireté, junto às formosas cascatas.
Iracema tomava banho na lagoa Porangaba ou lagoa da beleza e, desde então, as mães ali mergulhavam suas filhas para que adquirissem a beleza da “mais bela filha da raça de Tupã”.
Poti levava Martim para caçar na serra da Aratanha, do outro lado da serra de Maranguab, onde subiam a encosta da Guaiuba até o córrego habitado pelas pacas, a bela Pacatuba.
Entristecida, Iracema passa a tomar banho na lagoa da Mecejana (abandonada).
Após o nascimento de Moacir, Iracema falece e é enterrada ao pé do coqueiro, à borda do rio, onde a jandaia repete o nome: Iracema.
E esse local um dia se chamaria Ceará, “onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba”.



*Promotora de Justiça

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