Novo Ensino Médio dará autonomia ao estudante

Com investimento previsto pelo Governo Federal de R$ 1,5 bilhão, até 2018, o novo Ensino Médio promete dar mais flexibilidade e autonomia aos estudantes. O novo modelo baseia-se em evidências demonstradas por estudos e segue tendências que acompanham processos de mudanças curriculares e estruturais da organização do Ensino Médio no mundo todo.
A mudança ocorre em um momento crítico do Ensino Médio atual e tem recebido a aprovação de especialistas em educação por representar uma reversão do quadro de estagnação da educação básica. Segundos dados do MEC, desde 2011, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do Ensino Médio está estagnado em 3,7 e a taxa bruta de matrícula está estacionada em 82%.
Em relação às perspectivas profissionais, os números apontam para a direção contrária de uma carreira no Ensino Superior, uma vez que apenas 18% dos jovens de 18 a 24 anos ingressam na faculdade. A maioria que não entra na universidade vai para o mercado de trabalho sem qualificação profissional para desempenhar atividades de baixa remuneração. Enquanto isso, 1,7 milhão dos jovens de 15 a 24 anos ficam pelo meio do caminho do Ensino Médio, engrossando o grupo "nem, nem", que nem estuda e nem trabalha.
"O Ensino Médio vive essa crise que pode ser percebida claramente quando se olha os dados de evasão", observa Xênia Diógenes Benfatti, Doutora em Educação, professora e pesquisadora da Universidade de Fortaleza (Unifor). Para ela, é notória a falta de vínculo dos jovens com o Ensino Médio atual. "Alguns jovens chegam a dizer: 'vou para escola mas eu não sei o que eu vou fazer com essa física e essa química'. Parece que é uma escola que não consegue se vincular à realidade do jovem", avalia Xênia Diógenes Benfatti.
Escolhas
No novo Ensino Médio, a principal mudança vai ser permitir que cada aluno faça escolhas de acordo com suas vocações e sonhos, seja para seguir os estudos no Ensino Superior, seja para entrar no mercado de trabalho.
Hoje, todos os estudantes são obrigados a cursar as 13 disciplinas, independente do caminho profissional que seguirá. Com o novo Ensino Médio, eles poderão escolher a área em que tem maior interesse. Ou seja, quem quiser fazer Medicina, vai poder estudar apenas as disciplinas relacionadas à área de conhecimento ligada a essa escolha. O aluno, se desejar, também poderá optar por seguir formação técnica e profissional, em cursos associados a ocupações do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.
Interessante
Para Shirlei Vieira de Lima, professora da rede estadual de ensino há 19 anos, a reforma do Ensino Médio é necessária para o aluno dos dias de hoje. "Eu acho positivo. É interessante que o aluno possa escolher o seu caminho. Ele vai construir sua carreira na área em que ele quer dar prosseguimento na vida dele. Eu gostaria de ter tido essa oportunidade. Acho fantástico", opina.
De acordo com o MEC, nos três primeiros anos de Ensino Médio, Português e Matemática serão obrigatórios. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas (I - Linguagens e suas tecnologias; II - Matemática e suas tecnologias; III - Ciências da Natureza e suas tecnologias; IV - Ciências Humanas e Sociais Aplicadas) ou a cursos técnicos (V - formação técnica e profissional). Os currículos serão organizados por cada estado, considerando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que está em elaboração e será homologada neste ano. A implementação do novo Ensino Médio depende da BNCC. No primeiro ano letivo subsequente à data de publicação da BNCC, os sistemas de ensino deverão estabelecer um cronograma de implantação das principais alterações da lei e iniciar o processo, conforme o referido cronograma, a partir do segundo ano letivo.
A BNCC não é currículo, mas vai estabelecer as competências gerais - pessoais e sociais, competências cognitivas e comunicativas - que todos devem desenvolver, independente das escolhas na vertente acadêmica ou técnica profissional.
Conhecimento
Com a homologação da BNCC, a grade curricular do novo ensino médio irá compreender uma parte comum e obrigatória a todos (envolve os conteúdos das disciplinas já existentes) e outra parte em que o estudante irá escolher itinerários formativos nas áreas do conhecimento que vai aprofundar seus estudos. Com isso, a grade será definida conforme a sua aspiração dentro de 4 áreas do conhecimento ou de atuação profissional.
As redes de ensino terão liberdade sobre o que, como ensinar para desenvolver competências básicas requeridas pela BNCC. A BNCC terá impacto nas avaliações nacionais (por exemplo no Enem), nos materiais didáticos e na formação de professores. O MEC irá apoiar estados e municípios na implementação do novo ensino médio.

Diário do Nordeste

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