31 de março de 2020

"Quadrinhos em Foco", da Biblioteca Dolor Barreira, é realizado de forma online nesta terça

Vídeo sobre quadrinista Hal Foster será postado no Instagram da Secretaria da Cultura de Fortaleza às 9 horas, com participação do diretor da biblioteca, Eduardo Pereira

FORTALEZA, CE, BRASIL, 05-06-2017 : Biblioteca Dolor Barreira, Av. da Universidade. (Foto: Fabio Lima/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 05-06-2017 : Biblioteca Dolor Barreira, Av. da Universidade. (Foto: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA)
Para seguir com o evento, a Biblioteca Dolor Barreiras irá realizar de forma online o evento “Quadrinhos em Foco” nesta terça-feira, 31, no Instagram da Secretaria da Cultura de Fortaleza, @secultfor.
O perfil da Secretaria irá postar às 9 horas um vídeo com o diretor da biblioteca, Eduardo Pereira, que irá fazer comentários acerca do tema “Hal Foster e o Incrível Príncipe Valente”. O foco é a trajetória do quadrinista americano Hal Foster e sobre sua obra de maior impacto, o Príncipe Valente, que teve protagonismo na revolução do mercado dos quadrinhos.
A proposta é que todas as terças-feiras o evento siga de forma online, sempre com vídeos sobre novos temas acerca do mundo dos quadrinhos e HQ’s.
“Quadrinhos em Foco” online
Quando: todas as terças-feiras
Onde: no perfil de Instagram @secultfor https://www.instagram.com/secultfor/

O Povo

No valor de R$ 1 milhão, Secult lança edital do Festival Cultura Dendicasa

O edital selecionará até 400 produtos de conteúdos artísticos e culturais em formato virtual para compor a programação do festival

O edital busca auxiliar artistas durante o período de quarentena
O edital busca auxiliar artistas durante o período de quarentena (Foto: Divulgação)
Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult) divulgou o I Edital Cultura Dendicasa: Festival Arte de Casa para o Mundo. Com o objetivo de diminuir os impactos do novo coronavírus no setor cultural, está investindo R$ 1 milhão do Fundo Estadual de Cultura (FEC).
Até 400 produtos de conteúdos artísticos e culturais serão selecionados para compor a programação, que acontecerá entre maio e junho de 2020. O formato deve ser adaptado para o digital e com classificação etária livre. Apenas pessoas físicas poderão participar do processo seletivo. Cada trabalho selecionado receberá o total de R$ 2.500,00
As inscrições poderão ser realizadas de 31 de março a 10 de abril.
Para se inscrever, acesse o site da Secult.
O Povo

Amor e quarentena sob o mesmo teto?

Não te queria por perto. Mas ainda hoje sinto que longe também não resolve
A quarentena não ajuda a discernir se amor mesmo é se tolerar sob o mesmo teto ou se guardar pela distância
A quarentena não ajuda a discernir se amor mesmo é se tolerar sob o mesmo teto ou se guardar pela distância (Unsplash/ Soroush Karimi)

Ricardo Soares*
Agora, nesses tempos de quarentena, muitos lamentam ter que estar tão próximos dos seus amores com seus dissabores e sabores. Aí se descobre que é difícil assim conviver no mesmo teto, panela de pressão, válvulas sem escapes. Sempre achei que o melhor de tudo fosse a distância entre os amores para a sobrevivência das uniões. Mas agora questiono isso com força.
Isso porque chamá-la, muita entre muitas, mas, talvez a mais importante, de "estranha criatura" talvez seja injusto ou rancoroso, mas agora, passados esses anos todos, não encontro outra definição. Chegou numa tarde fria para morar na minha casa depois de manter comigo uma relação à distância, cada qual no seu canto. Ofereci guarida para incertos tempos profissionais e você, apesar disso, chegou de cara amarrada, depositando a sua mudança como fardos pesados que deveriam ser leves. Cheguei a imaginar que isso era um primeiro mau presságio. E o tempo provou que foi.
Nos primeiros tempos você reclamou da lonjura da casa, do mato em volta, dos barulhos noturnos e diurnos, de baratas voadoras que vinham no verão, de correspondências antigas e informes de banco que chegavam pelo correio para uma ex-namorada que um dia também morou na mesma casa. Foste ingrata desde a primeira hora, mas isso eu não percebia ou se percebia fingia que não. "Deve ser só gênio ruim" ponderei, apaixonado, esperando, em vão, os segundos tempos mais brandos que nunca vieram.
Abaixei a guarda, aprumei e desaprumei, enviesei, me guardei e me recolhi, a tudo recorri para que o lance desse certo.  E aí resolvi depositar na areia do tempo essa maçaroca de lembrança com impressão, andança com veneração, memória real com memória inventada justamente no ano da peste. No ano da peste me ponho em quarentena que não tem quarenta dias e nem os conto. Ponto. Não sei por onde começo. Poderia ser pelo fardo. Mas é o ano da peste e as pessoas recolhem os trens de pouso. Daí que duelo com um paradoxo. Não te queria por perto. Mas ainda hoje sinto que longe também não resolve e a quarentena não ajuda a discernir se amor mesmo é se tolerar sob o mesmo teto ou se guardar pela distância. No entanto espero que após a quarentena, independente de julgamentos,  longe ou perto , sobreviva o amor com “A” maiúsculo.

*Ricardo Soares é escritor, roteirista , jornalista e diretor de tv. Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários.

Museus Vaticanos. A beleza nos une #2

A Beleza cria comunhão, envolve no mesmo olhar povos distantes, reúne passado, presente e futuro. O próprio Papa Francisco o recordou em mais de uma ocasião. A universalidade da Boa Nova sempre foi traduzida pela Igreja na linguagem da arte. Destas premissas, num momento histórico dramático, caracterizado por incerteza e isolamento, nasce esta iniciativa realizada pelos Museus Vaticanos e Vatican News: as obras-de-arte das coleções vaticanas comentadas com palavras dos Papas.
 
Mestre do Crucifixo de Trevi, Histórias da Paixão: a crucificação com Maria, João Evangelista e aos pés da cruz S. Nicolás de Tolentino, têmpera e ouro sobre madeira, 1320-1330, Museus Vaticanos, Pinacoteca © Musei Vaticani
© Musei Vaticani
© Musei Vaticani© Musei Vaticani
“Senhor Jesus, ajudai-nos a ver na vossa Cruz todas as cruzes do mundo. Senhor Jesus, revitalizai em nós a esperança da Ressurreição e da vossa vitória definitiva contra todo o mal e toda a morte. Amém!”
(Papa Francisco – oração durante a Via-Sacra no Coliseu – 19 de abril de 2019)
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A esperança é a chave para suportar qualquer dificuldade

A esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias

woman looking at the sunset
Em tempos sombrios, tendemos a perder a esperança, especialmente quando eles se prolongam. Até que tentamos ter uma atitude positiva, mas as circunstâncias nem sempre promovem essa virtude.
No entanto, uma das únicas maneiras pelas quais podemos suportar tais dificuldades é ter esperança.
São João Clímaco, um monge cristão do século VI, passou 40 anos levando uma vida solitária, raramente tendo contato as pessoas. Mas, em determinada época, ele foi encarregado de um mosteiro e vários religiosos o procuraram para ter orientação espiritual. Sua sabedoria era profunda e seus escritos continuam a inspirar as pessoas até hoje.
O Papa Bento XVI destacou sua vida em uma audiência geral em 2009, na qual se concentrou em várias lições que podemos tirar da vida do eremita. Em particular, Bento XVI enfatizou a necessidade de ter esperança, citando os pensamentos de São João sobre o assunto:
“A esperança é o poder que impulsiona o amor. Graças à esperança, podemos esperar a recompensa da caridade … A esperança é a porta do amor … A ausência de esperança destrói a caridade: nossos esforços estão ligados a ela, nossos trabalhos são sustentados por ela e, por meio dela, somos envolvidos pela misericórdia de Deus.”
O tipo de esperança sobre a qual São João Clímaco escreve é a esperança sobrenatural, uma firme esperança no futuro e no que Deus tem reservado para seus fiéis discípulos. O Papa Bento XVI explica mais detalhadamente essa virtude fundamental:
“Com razão, João Clímaco diz que somente a esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias, não esperamos sucesso em nossos dias terrestres, mas estamos ansiosos pela revelação do próprio Deus, finalmente. É somente nessa extensão de nossa alma, nessa auto-transcendência, que nossa vida se torna grande e que somos capazes de suportar o esforço e as decepções de todos os dias, que podemos ser gentis com os outros sem esperar qualquer recompensa. Somente se houver Deus, essa grande esperança à qual aspiro, poderei dar os pequenos passos da minha vida e, assim, aprender a caridade.”
Qualquer sofrimento que experimentamos pode ser suportado com a virtude da esperança. Ele nos sustenta em tempos sombrios e nos aponta a direção certa. Em vez de buscar consolo nesta vida terrena, esperamos ansiosamente a vida eterna. Todas as nossas ações podem ser ordenadas para essa esperança, dando sentido e propósito às nossas vidas.
Se você está sofrendo agora, peça a Deus a virtude da esperança, para poder superar as decepções diárias e transmitir a alegria a que somos chamados a experimentar na presença de Deus.

Aleteia

30 de março de 2020

Filha faz videoconferência para cuidar da mãe de 90 anos com Alzheimer durante isolamento pelo coronavírus em Fortaleza

Parte das madrugadas de Isabel Silva são dedicadas à mãe, Graziela Angelim da Silva, de 90 anos, com uso de videoconferência desde que a cuidadora da idosa entrou em quarentena para evitar a propagação da covid-19. Recurso surge como alternativa à distância entre a funcionária pública, que mora em Fortaleza, e mãe - diagnosticada com Alzheimer - que vive no Eusébio, na Região Metropolitana da Capital.
Os casos de infecção pelo novo coronavírus chegaram ao registro 322 pacientes de 4 mortes no boletim da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), divulgado neste sábado (28). Camilo Santana, governador do Estado, prorrogou o decreto que restringe aulas e parte das atividades comerciais e de serviços até o dia 4 de abril.
Após a rotina de cuidados que mobiliza as filhas, Isabel observa a mãe à distância pela câmera durante cerca de 3 horas por noite. Embora afirme não ter familiaridade com o uso da tecnologia, ela diz que, agora, a família, está habituada aos encontros virtuais que passaram a ser constantes.
"Nós somos uma família que gosta muito de tá junta. Agora nós fazemos videochamadas para descontrair. Tá todo mundo dentro de casa com saudade. Estamos brincando com a tecnologia. No nosso dia a dia, a gente não tem tempo", relata.
 
 
Filha cuida da mãe mesmo de longe por causa do isolamento do coronavírus — Foto: Arquivo PessoalFilha cuida da mãe mesmo de longe por causa do isolamento do coronavírus — Foto: Arquivo Pessoal
Filha cuida da mãe mesmo de longe por causa do isolamento do coronavírus — Foto: Arquivo Pessoal
Outro exemplo desse uso da tecnologia vem de uma turma de estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental que se reúne em videoconferência para manter o contato social no período de isolamento. As mães dos alunos resolveram proporcionar as reuniões virtuais que acontecem diariamente desde que as reclamações da falta dos colegas de classe se tornaram insistentes.
“Elas já estavam entrando no 5º dia de quarentena, já diziam que estavam com saudade do colégio e dos amiguinhos. Foi quando uma mãe deu a ideia e todas vimos uma oportunidade deles matarem um pouco a saudade e o tédio também", explica Virgínia Brasil, mãe de uma das estudantes, a Alice, de 7 anos. São utilizados celulares para o encontro virtual. "As crianças vibram quando se veem, gritam, riem, ficam até sem saber o que dizer", acrescenta.
Fernando Pinto também encontra nas câmeras e na tela do celular o caminho para encurtar a distância daqueles que sente saudade desde que entrou em isolamento voluntário para evitar a doença. Família e amigos são acionados por aplicativos desde então. “A tecnologia está sendo fundamental para passar entretenimento para a gente, enquanto estamos em casa”, reflete o advogado.
"Quando acabar o isolamento, eu acho que vai ser mais intenso as pessoas irem aos compromissos. Acho que eu vou dar mais valor. Porque eu gosto muito de contato, de muita gente. Eu não vejo a hora disso acabar", disse.
 
Falta de contato físico durante o isolamento social devido a covid-19 abre espaço para a criatividade em manter formas de socialização e de interação humana, como explica a psicóloga e doutoranda em Saúde Pública, Maria Camila Moura. “A situação reafirmou que somos seres sociais. Que nenhuma distância física e geográfica apaga isso. Que damos o nosso jeitinho. Usamos novas tecnologias para exercemos nossa socialidade. Mas o que foi ressignificado foi nossa socialização. Novas maneiras de interação. Novas vivências em sociedade”.
Ainda assim, alguma relações conflituosas podem continuar gerando situações desagradáveis no período também, como a especialista ressalta. “Uma família que não convive tão bem, não é porque eles estão agora se olhando diariamente, que esse vínculo vai melhor. Não necessariamente. Às vezes, pode até agravar algumas divergências. Assim como não é porque algumas pessoas estão com o contato limitado ao meio virtual, que esses vínculos vão se enfraquecer”, conclui.

Por G1Ce

Museus Vaticanos. A Beleza nos une 1

A Beleza cria comunhão, envolve no mesmo olhar povos distantes, reúne passado, presente e futuro. O próprio Papa Francisco o recordou em mais de uma ocasião. A universalidade da Boa Nova sempre foi traduzida pela Igreja na linguagem da arte. Destas premissas, num momento histórico dramático, caracterizado por incerteza e isolamento, nasce esta iniciativa realizada em colaboração pelos Museus Vaticanos e Vatican News: as obras-de-arte das coleções vaticanas comentadas com palavras dos Papas.
 
Giovan Francesco Barbieri dito ‘il Guercino’ (1591-1666), Santa Maria Madalena Arrependida, retábulo destinado à igreja de Sta. Maria Madalena das Convertidas ‘al Corso’, óleo sobre tela, 1622, Museus Vaticanos, Pinacoteca © Musei Vaticani
© Musei Vaticani
© Musei Vaticani

“A misericórdia de Deus é fonte inesgotável que Cristo trouxe ao mundo justamente com o desejo, a ânsia de nos procurar, seguir e repetir: amo a ti; vim por ti, para que entendas quem és e quanto és paralítico e miserável. Mas confia, meu filho, te serão perdoadas as tuas misérias. Por isso, hoje, iremos até Jesus: também nós apresentando-nos diante Dele como o paralítico. Com toda a humildade, lhe pediremos que a confiança na sua onipotência e bondade se renove em nossa alma. Cada um suplicará: Senhor, salva-me: somente o Senhor tem palavras de vida eterna”
(Paulo VI – Homilia de 20 de setembro de 1964)
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Aos cuidados de Paolo Ondarza

28 de março de 2020

Pele, carne e ossos

Padre Geovane Saraiva*
O isolamento, ou confinamento, como queiram, em nossos aposentos ou casas, pesa e exige enorme renúncia, mas incomparavelmente menor, diante da dolorosa angústia de muitos irmãos e irmãs que passam pelo sofrimento na própria pele, carne e ossos, pela devastação da Covid-19, e também pelas pessoas relacionadas: os seus cuidadores.

Ficar em casa custa muito, sim! Como é indispensável agir com ponderações, nestes tempos de Coronavírus! Somos todos, agressivamente, atingidos por tal força devastadora, em primeiro lugar, por causa da idade avançada de muitas pessoas que moram sozinhas; e também devido o incômodo de um espaço, seja numa casa ou um apartamento pequeno, sem esquecer a cruz pesada da aglomeração, exigindo-se renúncia e doação, para que a convivência humana em família seja boa saudável.

A imagem pode conter: atividades ao ar livreDistanciados dos próprios interesses, vontades pessoais e individuais, convém lembrar, mais do que nunca, que, na dadivosa vontade divina, o que mais importa nessa circunstância é a vida como dom e graça. Vejamos e sintamos, providencialmente, aos olhos da fé e da esperança, dessa maneira, a mão afável de Deus a se manifestar em nosso favor.

Associados ao mistério da encarnação, na Anunciação do Senhor, quando Jesus entra no mundo querendo uma única coisa: habitar entre os seres humanos e reconciliar todas as coisas consigo mesmo, como na seguinte manifestação: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!". Depois da mensagem de Deus pelo anjo Gabriel, em meio às perplexidades, temos a resposta de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (cf. Lc 1, 38). Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Lágrimas de Marta e Maria

Padre Geovane Saraiva*
O contexto bíblico do ocaso de Lázaro passa pelo forte e expressivo símbolo do pecado e da morte. A fotografia de sua alma, sem Deus, fica como que aniquilada e acabada, a partir do seu rosto lúgubre e melancólico, privado da vida em Deus. Atentemos, pois, ao recado de suas irmãs: “Senhor, aquele que amas está doente”. E Jesus lhes responde: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (cf. Jo 11, 3-4). Jesus, ao promover a vida daquele que se encontra morto, se torna causa de fúria e ira de seus inimigos, em detrimento do bem e da vida. 

A Ressurreição de Lázaro! - Palavra de Fé e EsperançaJesus quer salvar todos, que reconhecem, na sua pessoa, o Messias, o Filho de Deus e enviado do Pai, que entrou no mundo carregando consigo a grande novidade da feliz vida futura, evidentemente para os que têm fé e se alimentam da esperança. Por isso mesmo, ele declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e quem vive e crê em mim não morrerá para sempre" (cf. Jo 11, 26-26).

Não imitemos os sábios insensatos, aqueles que se atiram ao precipício ou pulam lá das alturas. Deus não quer que, diante de nossos prejuízos – e neles os nossos próprios interesses –, deploremos e lastimemos, entristecidos, as perdas e os bens. Ele nos aponta para valores, inigualavelmente maiores, que nos levam à felicidade sobrenatural, na sua imorredoura contemplação. Sensatez, sim, mas num grau e numa esfera, de tal modo elevada e divina, a ponto de se afastar de tudo o que é obstáculo, a partir do sentimento de comoção e sensibilidade do Filho de Deus, como nas lágrimas de Marta e Maria.

Ele realiza, de uma vez por todas, a missão, sobretudo, diante dos implacáveis e sanguinários poderes do ódio, sem se afastar das desesperadas cóleras, as quais mantiveram em seus algozes uma firme postura, no sentido de apressarem sua condenação, paixão e morte. O milagre de Jesus, ao ressuscitar seu amigo Lázaro, vai na direção de animar a fé dos apóstolos, ainda que debilitada e enfraquecida, didaticamente, querendo fortalecê-los e encorajá-los, num jeito de crer e perceber sua vida e missão salvífica. Que sejamos animados e revigorados na fé pelo poder de Deus!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

E-book ilustrado ajuda pais a explicar coronavírus para crianças; baixe e compartilhe

Diário do Nordeste lança história em quadrinhos para auxiliar pais a orientar filhos na prevenção à Covid-19. Baixe o e-book e compartilhe


Capa da história digital, que traz explicações simples sobre o coronavírus para crianças.
O e-book ilustrados para crianças "O Ataque do Coronavírus", lançado pelo Diário do Nordeste, tem uma missão clara: ajudar pais, padrinhos, avós e familiares em geral a explicar para crianças as cinco principais questões ligadas ao novo coronavírus. Como, por exemplo:
  • o que é o vírus;
  • como o vírus age no corpo humano;
  • como é a doença;
  • quais são os principais sintomas; 
  • os principais cuidados para evitar a doença.
A história em quadrinhos é para facilitar a compreensão, de forma lúdica, sobre o coronavírus.
"Ao recorrer a figuras que já pertencem ao imaginário infantil (como planos infalíveis, vilão mega malvado e caricato), trazemos informações importantes de sintomas e cuidados de forma lúdica e de fácil compreensão para os pequenos. Assim, eles podem nos ajudar com a conscientização dos mais velhos, quem sabe?!", relata Lincoln Souza, cartunista, designer e editor do Núcleo de Arte do Audiovisual do SVM.

Diário do Nordeste

Cascão aparece usando água para lavar as mãos em ação da Turma da Mônica contra o coronavírus

A postagem repercutiu entre os internautas, que apoiaram a campanha. O personagem, criado em 1961 por Mauricio de Sousa, é notório por ter medo de água


A ação repercutiu entre os internautas, que apoiaram a campanha
A ação repercutiu entre os internautas, que apoiaram a campanha (Foto: Reprodução/Twitter/Turma da Mônica)
Popular por ter aversão à água, o personagem Cascão, da Turma da Mônica, apareceu em imagem lavando as mãos nesta sexta-feira, 27. A inciativa busca incentivar as pessoas a aplicarem as medidas de prevenção contra o novo coronavírus, que já tem 3.417 casos confirmados e 92 mortes registradas no País
O personagem está em cima de um banquinho, em frente ao espelho, enquanto esfrega as mãos com sabão e sorri. "Eis a imagem oficial do Cascão lavando as mãos. Quando é pela solidariedade, o Cascão supera o medo", escreveu o perfil da revista em quadrinhos no Twitter.
A ação repercutiu entre os internautas, que apoiaram a campanha. "Arretado demais. Boa, Cascão! Baita exemplo", comentou um. "Ele tem um olhar de desespero e tristeza profunda ao lavar as mãos. Mas tem que lavar mesmo, a mãe dele não é obrigada a morrer por causa da porquice", escreveu outro.

Confira o tweet em perfil da Turma da Mônica:


27 de março de 2020. Eis a imagem oficial do Cascão lavando as mãos. Quando é pela solidariedade, o Cascão supera o medo.
Ver imagem no Twitter
27,2 mil pessoas estão falando sobre isso

O Povo

Uma fonte fundamental para leitores e aspirantes a escritores

Em 'A escritura na era da indeterminação', Philippe Willemart caminha na contramão dos manuais rápidos e oferece uma via mais rica, densa e inteligente aos futuros escritores
O livro publicado é a repetição da repetição de um processo exaustivo de reescritas e recalques. O manuscrito é a gênese, e por isso pode nos fornecer ainda mais
O livro publicado é a repetição da repetição de um processo exaustivo de reescritas e recalques. O manuscrito é a gênese, e por isso pode nos fornecer ainda mais (Reprodução/Youtube)

Jacques Fux*
Neste momento em que tem se proliferado o desejo de muitos de se tornarem escritores, mas que a leitura, a crítica literária, o estudo profundo das obras, técnicas, reflexões estão postos de lado – e alguns “manuais” rápidos e pragmáticos que “ensinam” como escrever fazem sucesso, o professor titular de literatura francesa da Universidade de São Paulo, Philippe Willemart, caminha na contramão.
Uma contramão mais rica, densa e inteligente, que fornece subsídios e inflexões para futuros escritores – e também para os amantes da literatura e dos enigmas criativos e ficcionais. A proposta de se estudar “crítica genética”, com ênfase na maior obra acerca do poder e da busca da memória – Em busca do tempo perdido -, é digna de mérito.  
No livro Grande sertão: veredas, Guimarães Rosa escreveu: “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância”. A crítica genética – o estudo e a investigação da gênese do texto – se preocupa, de alguma forma, com essa busca não linear, muitas vezes obtusa e secreta, porém mais próxima da arte-falha do viver do que da própria literatura publicada.
O pesquisador procura extrair das emendas e lituras do texto – e das cicatrizes, lascas e ranhuras do texto perdido original – o enigma da criação, do big bang ficcional. A constituição/construção do texto, por meio do material bruto esquecido e clandestino, é revisitado – porque o aprender a escrever é o escrever mesmo, assim como a própria vida (nas palavras de Riobaldo): “Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo.”
A vida, talvez, seja mais próxima do manuscrito. Assim, para entender a vida-obra-literatura, é importante adentrar nos rascunhos, nas rasuras, nas lacunas e brechas deixadas pelos canônicos escritores. Esses textos furtivos têm uma gama infinita de possibilidades - uma chave, uma dica, uma vinheta da arte da criação/invenção - como escreve Willemart: “O manuscrito é terreno fértil no qual o acaso, especialmente visível em cada rasura, abunda, já que o releitor pode afirmar o contrário do que tem sido escrito a cada palavra, frase, parágrafo, embora deva frequentemente levar em conta o que precede. De todo forma, a coerência global está ameaçada em qualquer mudança. O manuscrito inclui ambas as possibilidade, a coerência e a inconsistência, e é, por isso, o lugar do acaso mallarmeano definido por Meissalloux (55)”.
Nós, aspirantes, escritores e leitores, buscamos pela palavra, expressão, densidade e pela trama correta. Porém, ao idealizarmos que o escritor canônico, em um momento sublime e rotineiro de inspiração, encontra magicamente a palavra “perfeita”, nos minimiza e nos conduz a um bloqueio.
A gênese da criação apresenta o caminho real, resvaloso, e fornece uma pista mais fiel para seguir: “cada palavra utilizada se refere não a uma invenção do autor que capta o que lhe convém nos numerosos livros lidos ou nas experiências próprias. Resultado modesto, mas que confirma uma das teses em crítica genética, a saber, a desaparição progressiva do nome do escritor nos manuscritos e a construção paralela da instância do autor (62)”.
A poeta polaca Wislawa Szymborska, agraciada com o Nobel de Literatura em 1996, escreveu em seu belo poema, A vida na hora, o seguinte: “Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira antes / ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez! / Mas já se avizinha a sexta com o roteiro que não conheço”. O livro publicado é a repetição da repetição de um processo exaustivo de reescritas e recalques. O manuscrito é a gênese, e por isso pode nos fornecer ainda mais: “Estudar o manuscrito compensa o trabalho, às vezes, de difícil decifração, porque, além de relativizar a instância do autor, dá acesso à informação do pensamento do autor e da cultura subjacente, e à descoberta dos processos de criação (64)”.
Os manuais de escrita de ficção são limitados e limitantes, enquanto que o estudo crítico e genético apresenta um infinito de informações e pensamentos: “o escritor não escreve sem um prazer particular que o empurra a trabalhar, prazer muitas vezes misturado com o sofrimento, como as rasuras testemunham, mas esse prazer/sofrimento é sempre sustentado por um gozo inconsciente, o grão de gozo, que tem em sua base a pulsão invocante. Dar um sentido ao grão de gozo desconhecido é o objetivo subentendido e não sabido de todo escritor. Portanto, o texto móvel provocará a rasura do texto, questionando cada releitura até o texto publicado (69)”.
O leitor desse belo trabalho de Philippe Willemart – que além de explorar os textos de Proust, ainda nos presenteia com a análise dos manuscritos de Flaubert, Poe, Joyce, Bauchau e Murakami – é metamorfoseado em investigador. Uma inquirição que não trará nenhuma solução dos enigmas da inspiração, e desnorteará a tentativa de uma explicação da estrutura rígida textual. Porém, verificará a transpiração do autor/scriptor – “Quantos textos do narrador proustiano foram abandonados e teriam suscitado outra escritura ou mesmo outra história?” –, e poderá enriquecer a reflexão do fazer artístico.
“Essa mudança de perspectiva, como leitor do manuscrito e não mais como leitor de um livro publicado, obriga-me, sem dúvida, a mudar algo nos movimentos já definidos da roda da leitura, e a encarar a diferença ao nível do interesse que ponho. Não procurarei mais conhecer especificamente uma história e saber o fim, não estarei envolvido pelas personagens, nem dilacerado entre eles para saber de que lado me situo, meu afeto não se deixará levar, em primeiro lugar, pelo imaginário do romance que me separa do mundo no qual vivo. O romance já foi lido e somente será considerado o fim de um longo processo ou de uma longa caça do escritor preso com a história e sua língua (70)”.
Willemart não conclama que sejamos leitores de manuscritos – “Assim como o grito gera o silêncio, a rasura, que equivale a uma emergência ou a um grito, gera um tempo de espera e um silêncio mais ou menos longo (80)” –, mas nos convida a conhecer o inaudito e subterrâneo mundo das complexas desrazões, rasuras, recalques e descobertas que esses manuscritos nos trazem.

A ESCRITURA NA ERA DA INDETERMINAÇÃO
De Philippe Willemart
Perspectiva
232 páginas
R$49,90 (Saraiva)
*Jacques Fux é professor da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE), matemático e escritor, autor de 'Meshugá: um romance sobre a loucura' (José Olympio, 2016), 'Nobel' (José Olympio, 2018), entre outros.

Morre, no Rio, o artista plástico Daniel Azulay

Artista lutava contra leucemia e contraiu coronavírus


Daniel Azulay
Foto:
Rodrigo Berthone
/
Agência O Globo
O artista plástico Daniel Azulay, de 72 anos, morreu na tarde de hoje (27), na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, onde estava internado há duas semanas. O artista  lutava contra uma leucemia e contraiu o novo coronavírus (covid -19), que acabou agravando o quadro do paciente. 
Em sua página em uma rede social, foi publicada a notícia da morte do artista:  “Com extremo pesar comunicamos que nosso querido Daniel Azulay faleceu hoje à tarde no Rio de Janeiro. Ele estava tratando uma leucemia e contraiu coronavírus. Sua alegria continuará em todos nossos corações para sempre. Faremos rezas virtuais para ele nos próximos dias em virtude do isolamento. Daniel, Te amamos”!!!
Entre as crianças, a criação de Daniel Azulay que fez mais sucesso foi A Turma do Lambe Lambe. Criada em 1975, o programa ficou no ar durante 10 anos, primeiro na antiga TV Educativa (TVE) e depois na Rede Bandeirantes, sempre apresentada por Daniel Azulay, que mostrou o mundo do desenho e da arte para milhares de crianças em todo o Brasil.
A volta à televisão ocorreu em 1996 com o programa Oficina de Desenho Daniel Azulay na TV Bandeirantes, que tinha vários quadros com a Turma do Lambe Lambe e introduziu também o personagem Azulinho, uma versão da Emília, de Monteito Lobato, de Daniel Azulay.
Entre 2003 e 2004 foi ao ar no Canal Futura o programa Azuela do Azulay, que contou com algumas aparições dos personagens. Entre 2006 e 2007 foi lançada uma série de minicurtas em animação para a TV Rá-Tim-Bum.

Revista em quadrinhos

De 1982 até 1984 foi publicada a revista da Turma do Lambe Lambe pela Editora Abril, que teve 20 edições. Em 2015, Ediouro lançou o Almanaque da Turma do Lambe-Lambe, em comemoração aos 40 anos da franquia.
Azulay influenciou a geração dos anos 80, que aprendeu com ele a desenhar, construir brinquedos com sucata doméstica e a importância da reciclagem e sustentabilidade em defesa do meio ambiente. Recentemente, viajava pelo mundo expondo, fazendo palestras e conduzindo workshops de arte, educação e responsabilidade social.
Edição: Fábio Massalli

27 de março de 2020

Podcast: Sofrimento na pele, carne e ossos



Por Pe. Geovane Saraiva

Poesia, sempre!

Poesia é alimento a ser compartido em banquetes do espírito
Cartaz de El Lisstizky representa vitória do exército vermelho sobre o branco
Cartaz de El Lisstizky representa vitória do exército vermelho sobre o branco (El Lisstizky)

Eleonora Santa Rosa*
Hábitos expandidos em regime de quarentena, dentre eles a leitura de poesia, de boa poesia, de muito boa poesia, de poesia atemporal, de poesia excepcional, de poesia que alimenta o dia, de poesia que transcende a vida, de poesia de inovação, de poesia como esteio, de poesia como reflexão, de poesia como renovação, de poesia para o coração, de poesia a plenos pulmões, de poesia como elevação, de poesia em doses maciças, de poesia como alimento a ser compartido em banquetes do espírito:
De O Pequeno Bacarrão de Feira no Pequeno Planeta “Terra” - (fragmento)
Maldito –
               – Maldito – maldito –
                                                   – Aquele demônio,
Que –
        – Na pátria dividida
        Quebrou
        Nossas vidas
        De terra firme – em borrifos
                                      De Morte, –
Que me apartou para sempre
De
Ti –
    – Para que –
                        – Eu –
                                  – Te odiasse por isso –
E –
   – A mim!
 
- Andréi Biéli – 1922 /Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
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A Vocês
Vocês que vão de orgia em orgia, vocês
Que têm mornos bidês e W.C.s,
Não se envergonham ao ler os noticiários
Sobre a cruz de São Jorge nos diários?
Sabem vocês, inúteis, diletantes
Que só pensam em encher a pança e o cofre,
Que talvez uma bomba neste instante
Arranca as pernas ao tenente Pietrov?...
E se ele, conduzido ao matadouro,
Pudesse vislumbrar, banhando em sangue,
Como vocês, lábios untados de gordura,
Lúbricos trauteiam Sievieriânin!
Vocês gozadores de fêmeas e de pratos,
Dar a vida por suas bacanais?
Mil vezes antes no bar às putas
Ficar servindo suco de ananás.
- Vladimir Maiakóvski – 1915 / Tradução de Augusto de Campos  
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Come Ananás
Come ananás, mastiga perdiz
Teu dia está prestes, burguês.
 - Vladimir Maiakóvski – 1917 / Tradução de Augusto de Campos

*Eleonora Santa Rosa é jornalista

Quaresma, isolamento, fé e mergulho interior

Quando a confiança é colocada à prova, podemos discernir se nossa postura é de fé ou não
Confinamento nos obriga ao mergulho interior
Confinamento nos obriga ao mergulho interior (Szabo Viktor/ Unsplash)

Felipe Magalhães Francisco*
A crise sanitária que estamos vivendo está deixando a muitos com as sensibilidades à flor da pele. A verdade é que não sabemos muito o que nos espera, apesar das previsões de especialistas que se dedicam a estudos dessas situações. Estamos diante do maior de todos os nossos riscos: o do morrer. A revelação de nossa fragilidade é assustadora. Já sabemos que somos frágeis, mas, diante de nós, está o fato. Além disso, estamos tendo que mudar radicalmente o ritmo de vida e, numa sociedade cada vez mais tarefeira, o que temos para fazer, no isolamento de nossas casas? Além da lida doméstica, temos tido uma oportunidade singular de olhar para dentro de nós mesmos.
São nestas situações limites que sabemos se temos ou não fé. É quando a confiança é colocada à prova, que podemos discernir nossa postura, se é de fé ou não. Há uma certa ironia ou, no mínimo, um simbolismo no fato de este isolamento de quarentena se dar em pleno momento litúrgico que, para alguns cristãos, corresponde ao que chamamos de Quaresma. Tempo de retiro, de deserto. Em todo período quaresmal, ano após ano, insistimos no fato de que temos a oportunidade de fazer um mergulho em nós mesmos, para lá encontrarmos um caminho de encontro com Deus. Agora, esse mergulho está sendo inevitável: mas como temos lidado com esse encontro profundo com nossa interioridade? O Dom Especial desta semana se propõe a contribuir com esse processo de interiorização, refletindo sobre a singularidade desta Quaresma, e como ela interpela nossa fé.
Abre a reflexão, Eduardo César, com o artigo A fé em tempos de isolamento, no qual chama a atenção para o real sentido da fé, na sua perspectiva de um consentimento, quando acolhemos a comunicação que o próprio Deus faz de si conosco. A pergunta motivadora para esta reflexão é sobre como viver a fé, nesse nosso contexto de isolamento, no qual o ritmo da vida e a maneira de realizarmos a convivência estão radicalmente diferentes. A fé é uma grande aliada, na experiência e no enfrentamento desse difícil momento, quando a percebemos e a compreendemos em seu papel transformação.
No segundo artigo, Quaresma em quarentena: tempos de provação, Daniel Reis reflete sobre o sentido deste tempo litúrgico, trazendo as implicações espirituais para a especificidade da crise sanitária que o mundo tem sofrido. Alertando para os riscos que falsas interpretações teológicas e religiosas a respeito da gravidade do mundo, quando tendem a imputar a Deus a origem do caos que nos acomete, o autor trabalha de modo a nos ajudar a perceber como a pedagogia da Quaresma nos ajuda a passar por esse momento, experimentando verdadeiros valores espirituais.
O mergulho interior, provocado por esta quaresma de quarentena, pode revelar algo que o tempo todo buscamos por esconder: nosso vazio existencial; nossa falta radical. Essa é uma boa ocasião para que percebamos a perversidade do capitalismo, que nos condiciona num individualismo solitário e voraz, ao mesmo tempo que nos convence de que no consumo e na saciedade dos desejos imediatos estão a solução para o drama do existir. Quando tudo está parado, quando o tempo do fazer e do consumir está em suspenso, temos a chance de refletir a respeito daquilo que realmente nos humaniza e, em decorrência disso, quais os valores que podem dar um significado rico de sentido para como conviver sabiamente com esse vazio. Será que a fé cristã tem algo a nos ensinar, a este respeito? Daniel Couto nos ajuda nessa reflexão, com o artigo O isolamento: dicotomia entre a fé e o capitalismo.
Boa leitura e feliz e rico encontro interior!
*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com