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Filhos da luz

Padre Geovane Saraiva*
Nestes tempos de coronavírus, Deus não cessa de enviar mensageiros, que, inflamados pelo Espírito Santo, iluminam nossa escuridão. Nele encontramos força e ânimo, quando se buscam ações luminosas, e, confiantes no seu constante poder, como peregrinos, já antevemos seus sinais restauradores, fazendo “novas todas as coisas”. Aproveitemos, pois, do que Deus nos concede, hoje, quebrando nossa solidão, ao nos aproximar dos irmãos e irmãs, na dor e na angústia do isolamento, com mensagens de esperança, através da ferramenta das redes sociais.

Em consequência da cegueira, indiferença e pouca sensibilidade dos atuais fariseus e mestres da lei, como ensinou o Evangelho do cego de Siloé, Jesus não é escutado. Num espírito mundano, fútil, raivoso ou truculento, eles abraçaram uma proposta larga, no convite de caminhar na lógica cega e demoníaca da serpente, a ponto de substituir autênticos pregadores e profetas por anunciadores falsos ou deletérios demônios.

Fica patente a cegueira acima mencionada: a do corpo e da alma. Jesus curou a cegueira do corpo, acontecimento estrondoso, prodigioso e raro. Por causa da obstinada cegueira, que não nos falte a crença no poder salvífico de Jesus de Nazaré, curando nossa alma, pois não foi possível a cura naquela gente. De todos os sentidos, o mais precioso é o da visão. Ao se revelar maravilhoso instrumento da luz, na luminosidade que vem lá do alto, como porta ou janela, as pessoas são chamadas a perceberem o exterior e o interior, na “luz dos olhos” e no “espelho da alma".

O Deus que quer nos amparar em todas as circunstâncias, seja a luz dos nossos olhos, sempre vigilantes, sem nada de autossuficiência. Saibamos, pois, buscar nos amigos de Deus, seguidores generosos e ardorosos, que ajudam a nos distanciarmos das ciladas de demônios e embusteiros, num não às suas próprias paixões e falso esplendor. Com a graça do bom Deus, não adormeçamos jamais, para não sermos vencidos pelas trevas. Na clareza do caminho verdadeiro, que não nos afastemos da ordem de Deus: a de vivermos como filhos da luz.

Deus quer também aumentar nossa responsabilidade, mesmo no distanciamento, indispensável como nutrição da esperança que faz viver, pelas atitudes e pelos gestos edificantes, num coração alegre e cheio de amor. Privados do calor humano físico, a distância, exercitemos o terno e afável poderoso instrumento, através dos meios que nos são colocados, sobretudo os das redes sociais. A oração, convenhamos, é a nossa grande força. O Espírito de Deus quer nos suscitar; dele vem a luz e nele encontramos força e coragem para realizarmos boas ações. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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