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Obra escrita por cineastas reforça a importância da produção audiovisual feminina

O livro "Mulheres Atrás das Câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018" será lançado nesta quinta-feira (5) na livraria Lamarca, em roda de conversa com pesquisadoras e realizadoras cearenses


Quando pensamos em filmes e cinema, muitos nomes de diretores influentes nos vêm à memória. Steven Spielberg, Christopher Nolan, Tim Burton, Sam Mendes. Alguma semelhança? Exatamente, todos homens.
O cenário cinematográfico ainda não é um espaço completamente dominado por mulheres. Longe disso. Mas, não quer dizer que elas não sejam responsáveis por grandes produções ou não tenham marcado época.
O livro "Mulheres Atrás das Câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018" faz um panorama histórico de mulheres que realizaram filmes no cinema brasileiro durante o período de tempo marcado no título. A obra é uma coletânea de vinte e sete artigos sobre as protagonistas da vida real, escritos por pesquisadoras e críticas de cinema.
Neusa Barbosa, Marina Costin Fuser, Janaína Oliveira, Amanda Aouad Almeida, Karla Holanda, Beatriz Saldanha, Iomana Rocha, Nina Velasco e Cruz, Marina Cavalcanti Tedesco, Luiza Lusvarghi, Monica Kanitz, Isabel Regina Augusto, Julie Nunes, Maria do Rosário Caetano, Mariana Tavares, Roni Filgueiras, Flavia Guerra, Nayara Renaud, Denise Costa Lopes, Cecilia Barroso, Camila Vieira da Silva, Suyene Correia Santos, Patrícia Rebello, Elen Doppenschmitt, Samantha Brasil, Camila Suzuki, Isabel Wittmann, Luiza Lusvarghi. Todas mulheres.
O projeto é uma iniciativa da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e tem o objetivo de reconhecer mulheres influentes da área. A proposta visa que futuras gerações de cineastas tenham mais referências femininas e possam tê-las como espelho.
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O livro faz um recorte de cineastas brasileiras de 1930 a 2018
Além dos artigos, o livro traz um "pequeno dicionário das cineastas brasileiras", um catálogo de cerca de 300 diretoras, responsáveis pela estreia de pelo menos um longa nos cinemas brasileiros. Os verbetes consistem em uma pequena biografia de cada uma, com data de nascimento e filmografia.
A difusão da obra, por enquanto, está concentrada na turnê de lançamento em várias Capitais do Brasil. No dia 5 de março, é a vez de Fortaleza sediar o evento com uma roda de conversa mediada pela jornalista Camila Vieira, e com a presença das realizadoras cearenses Jane Malaquias, Josy Macedo, Kamilla Medeiros, Luciana Vieira, Noá Bonoba e as pesquisadoras Emilly Guilherme e Lilian do Rosário. O lançamento acontece na Livraria Lamarca, às 18h30 e é aberto ao público.
Segundo a mediadora, a conversa endossa o conteúdo do livro, abordando a história do cinema brasileiro, as dificuldades e perspectivas de ser mulher na indústria e propostas rumo à sustentabilidade do audiovisual. "As diretoras vão falar um pouco da produção em uma conversa motivada a partir do livro e como se dá essa produção aqui no Ceará", afirma Camila Vieira.
Produção e pesquisa
Para conseguir incluir cineastas a partir de 1930 até 2018, foram necessários dois anos de pesquisa e mais um ano de revisão, além do tempo para o processo de publicação.
Desde o início, as idealizadoras tinham apenas um livro como referência para a conclusão da proposta: "Quase Catálogo", organizado por Heloísa Buarque de Holanda. A obra, de objetivo semelhante, finaliza a história nos anos 1980. A ideia de "Mulheres Atrás das Câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018" é dar continuidade e servir como um ponto de partida para que novas pesquisas surjam a partir dela.
Mulheres em foco
Os artigos escritos pelas pesquisadoras destacam momentos importantes da presença feminina nas produções cinematográficas. Segundo a organizadora da obra, os textos que descrevem sobre o pioneirismo de Cléo de Verberena, primeira mulher brasileira a dirigir um filme, Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem, e Helena Solberg, a única mulher nos anos 1960 a dirigir filmes no Cinema Novo, são os que mais caracterizam e reproduzem o reconhecimento do papel feminino na sétima arte.
A diretora cearense Luciana Vieira, conta que a falta de referências de mulheres na indústria cearense ainda é um problema recorrente.
"Aqui em Fortaleza eu consigo contar vários diretores homens, e mulheres eu tenho mais dificuldade. O lugar da criação é muito menos acessível às mulheres. A gente demora mais a entender que a gente pode", diz.
Este fato é um problema que vai muito além do Ceará. É uma dificuldade inserida em um contexto nacional e internacional. Como prova disso, Luciana reflete: "Quantas diretoras mulheres ganharam o Oscar? Uma. E nem foi de melhor filme." A cineasta se refere à compositora do longa "Coringa", Hildur Guðnadóttir, vencedora do Oscar de "Melhor Trilha Sonora".
"O ideal é que o trabalho da mulher seja mais valorizado e que seja criada uma cultura de equiparação com a produção masculina, porque não há diferença", acrescenta.
Lançamento Mulheres Atrás das Câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018
Dia: 5 de março de 2020
Horário: às 18h30
Local: Livraria Lamarca
Endereço: Av. da Universidade, 2475, Benfica
Gratuito e aberto ao público

Preço do livro: R$ 64,00 

Diário do Nordeste

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