31 de outubro de 2017

Halloween: nada como uma boa história de fantasmas

Dia das Bruxas
Banheiro de uma casa de Isernhagen (Alemanha) decorada para o Halloween.  (AFP)
Há poucos seres tão terrenos como os fantasmas: aparecem em todas as culturas e são quase tão antigos como a própria civilização, porque refletem o medo da morte, mas também a esperança de que haja algo no além e que possamos nos comunicar com quem já partiu. Agora que celebramos a Noite de Todos os Santos – a qual mandamos às favas por causa do Halloween, uma festa que se impõe com cada vez mais força –, é um bom momento para recordar que os fantasmas são criaturas tangíveis, terrenas e políticas.
Uma das maiores crises que os fantasmas já viveram em sua história demonstra até que ponto seus destinos estão ligados aos nossos. Como explica Susan Owens em The Ghost: A Cultural History (“fantasmas: uma história cultural”), recém-lançado no Reino Unido, durante a Idade Média a principal teoria para explicar a presença de espectros entre nós era que seriam almas do purgatório que continuavam vagando pela terra. Entretanto, os partidários dessa tese enfrentaram um problema maiúsculo quando a Reforma anglicana decretou que o purgatório não existia.
Por isso, Owens observa que Shakespeare, ao escrever Hamlet (1609), toma muito cuidado para evitar qualquer referência a esse território agora proibido, afirmando que o fantasma do pai do príncipe dinamarquês estava “condenado a caminhar durante a noite”. Como os espectros se empenharam em continuar aparecendo, a solução encontrada diante da inexistência do purgatório foi o inferno: tratava-se de criaturas que fugiam do submundo para nos atormentar. Mas, no universo espectral, nada é tão simples, porque nem todos os fantasmas são necessariamente maléficos.
Na verdade, os que protagonizam o relato fantasmagórico mais famoso da história da literatura, Um Conto de Natal, de Charles Dickens, publicado em 1843, são seres bastante positivos. Trata-se de três criaturas, os fantasmas dos natais presentes, passados e futuros, que aparecem ao infames avaro Scrooge, obtendo a redenção desse chefe tóxico até transformá-lo em um ser generoso e amável. Nada é simples quando se trata de fantasmas.
Roger Clarke escreveu um ensaio interessante sobre nossa obsessão com essas criaturas do além, História dos Fantasmas – 500 Anos Procurando Provas. Não se trata de um texto que tente demonstrar sua existência; ele apenas se limita a descrever nossa obsessão com os ectoplasmas contando episódios tão espectrais como uma epidemia de fantasmas que se abateu sobre um bairro de Londres no século XIX. Clarke explica que as aparições se dividem em numerosas categorias: “Poltergeists, fantasmas históricos ou tradicionais, manifestações de imagens mentais, aparições relacionadas com situações de crise ou próximas à morte, saltos no tempo, fantasmas dos vivos, objetos inanimados encantados”.
halloween
A Dama Marrom de Raynham Hall.
Embora sejam universais, é fato que o Reino Unido foi sempre uma terra fértil para os fantasmas. Muitas das mais conhecidas histórias de fantasmas foram escritas por autores britânicos, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII, quando parecia impossível que os fantasmas resistissem à ofensiva científica da Revolução Industrial. Entretanto, até mesmo Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, o mais racional dos personagens racionais, acreditava firmemente nos espíritos.
De novo, os fantasmas conseguiram se impor num mundo onde pareciam não ter lugar. Nem mesmo à fotografia eles resistiram – a imagem mais famosa de um fantasma, a Dama Marrom de Raynham Hall, foi captada em 1936 (ainda há quem defenda sua autenticidade) –, ao passo que em Poltergeist, um filme que revolucionou o cinema de terror, eles saem da televisão (embora a explicação final de sua presença iracunda seja que alguém teve a banal ideia de construir um loteamento sobre um antigo cemitério indígena).
Existam ou não, os fantasmas nos deixaram um punhado de obras-primas da literatura – como O Horla, de Guy de Maupassant, os contos do M.R. James e A Outra Volta do Parafuso, de Henry James – e filmes que, por mais vezes que os vejamos, continuam dando medo, como O Sexto SentidoOs Outros e A Troca. Ainda assim, se tivesse que ficar com um espectro, eu escolheria o fantasma interpretado por Miguel Rellán em El Bosque Animado, adaptação do romance homônimo e Wenceslao Fernández Flórez dirigido por José Luis Cuerda. O espectro em questão arruína o negócio do bandido da mata, o Fendetestas, um maravilhoso Alfredo Landa, que busca convencer a alma a ir para Cuba com a Santa Compaña… “Se eu fosse você, sobretudo não tendo que pagar a passagem, não pensava duas vezes… Não ter ido a San Andrés de Teixido, eu não digo que esteja bem, mas não ter estado na América, podendo estar. Aí já é demais...”

El País

Em comemoração aos seus 50 anos, Arievaldo Viana lança novo cordel e prepara livro sobre suas memórias

Ilustração para o livro de Arievaldo Viana
Nascido na fazenda Ouro Preto - antes pertencente a Quixeramobim e hoje parte integrante do município de Madalena -, o artista, xilogravador e poeta passou sua infância e parte da idade adulta no Sertão Central, tendo toda sua formação cultural formada através das cantorias e da leitura do cordel.
"Fui alfabetizado com a ajuda do cordel, era a leitura que mais me agradava, ficava pedindo para minha avó ler 'João Grilo' e a 'Chegada do Lampião no Inferno'", explica Arievaldo. Juntando sílaba por sílaba, o futuro poeta já lia suas histórias sozinho, aos três anos de idade.
Propagador do cordel como ferramenta de educação, desde criança já demonstrava sua veia literária. "Na escola tinha aquelas leituras em voz alta, onde você precisava escolher entre texto de prosa w poesia. Sempre tive preferência pela poesia e procurava textos desse tipo para declamar", ressalta.
Seu novo trabalho pela editora Imeph, "Encontro com a Consciência", será lançado nesta quinta-feira (31), às 19h, no Sesc da Duque de Caxias, dentro do projeto Bazar das Letras. Com mediação do poeta Rouxinol do Rinaré, o evento ainda contará com exposição de xilogravuras do próprio Arievaldo e show de contação ao final.
Além de "Encontro com a Consciência", serão vendidas outras obras do autor. Disponível no site da editora, na ocasião o novo livro de Arievaldo pode ser adquirido por R$ 30.
O artista já fez diversos trabalhos por encomenda, como a adaptação dos contos dos irmãos Grimm para a editora Globo ou parcerias com o ilustrador pernambucano João Oliveira. Entretanto, em muitas obras o artista cearense faz questão de tomar a frente do projeto e assinar tanto o texto quanto as ilustrações - caso de "O Jumento Melindroso: desafiando a ciência" e o próprio "Encontro com a Consciência".
Cordel-romance
A historia de Leonel dos Santos foi passada para Arievaldo Viana como uma história real. "Foi um cidadão que me passou esses escritos, um diário chamado 'Memórias de um caminhoneiro' e dentro desse livro tinha esse texto, 'Encontro com a consciência', no qual percebi uma grande riqueza", conta.
Nesse novo livro, Arievaldo teve a ideia de "ilustrar e prestar homenagem a artistas como: Edmundo Rodrigues e Raimundo Cela. A capa do livro foi inspirada na obra de Cela, do pescador pintando o mar ao sertanejo pintando o sertão".
Escrito em sextilhas e setissílabos, "Encontro com a consciência" está na justa medida do cordel-romance. As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença marcante do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura.
Cinco décadas
O autor prepara ainda um balanço de tudo que já produziu ao longo dos seus 50 anos de vida, comemorados em 2017. O xilogravador e poeta prepara um livro de memórias, "No Tempo da Lamparina". Residindo em Canindé dos 12 aos 25 anos, Arievaldo Viana traz seus traços nordestinos em todos os livros que escreveu e ilustrou, mesmo trabalhando com temas urbanos - como fez na adaptação das obras de Cervantes, em que aqui e acolá encontra-se uma palavra nordestina.
Vivendo desde 1993 em Fortaleza, ele fala da dificuldade de se viver somente de literatura no Brasil e lembra que já trabalhou em diversos ofícios ao longo da vida - por exemplo, quando morou em Canindé foi camelô e por conta disso teve oportunidade de conviver com a romaria, que muito o inspirou culturalmente.
Ao longo dessas cinco décadas o autor já publicou 31 livros e cerca de 150 folhetos de cordel, foi premiado em concursos literários e quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola).
Arievaldo já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001, e foi consultor e editor de uma série de programas da TV Brasil, "Salto para o futuro".
Mais informações:
Lançamento do livro "Encontro com a Consciência". Nesta terça (31), às 19h, no Sesc da Duque de Caxias (R. Clarindo de Queiroz, 1740, Centro). Gratuito.
Livro

Encontro com a consciência

Arievaldo Viana
Editora Imeph
2014, 28 páginas
R$ 30

Diário do Nordeste

Concurso de redação premia alunos

Solenidade de premiação do concurso foi realizada na manhã de ontem. Evento teve a presença da presidente do Grupo de Comunicação O POVO, Luciana Dummar, e do titular da Seduc, Idilvan Alencar
 MAURI MELO
Solenidade de premiação do concurso foi realizada na manhã de ontem. Evento teve a presença da presidente do Grupo de Comunicação O POVO, Luciana Dummar, e do titular da Seduc, Idilvan Alencar MAURI MELO
Ler muito e exercitar a escrita são estratégias para alcançar boa pontuação nas provas de redação. As dicas são de alunos vencedores do concurso “Redação Enem: Chego Junto, Chego a 1.000”, realizado pela Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) e pela Fundação Demócrito Rocha (FDR). Dos 9.623 inscritos, 23 finalistas da etapa regional participaram da premiação na manhã de ontem, no Espaço O POVO de Cultura & Arte. Na ocasião, foi lançada a revista Seduc/CE Enem. 
O tema escolhido para o concurso foi “Ciberativismo: a luta popular na internet”. Os concorrentes passaram por três etapas (escolar, regional e estadual) realizadas em escolas da rede estadual. Os três primeiros colocados (vencedores da etapa estadual) ganharam notebooks e os demais, smartphones.

Para escolher as três melhores redações, foram adotadas como critério as cinco competências exigidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dois textos alcançaram a pontuação 1.000. Um deles foi escrito pelo aluno Luiz Rodrigues de Oliveira Neto, 17, do Liceu de Itarema. O estudante explica que leitura e treino são ferramentas e que o concurso ajudou a intensificar os estudos. 
Ele acrescenta ainda a importância das referências históricas, culturais e conhecimento sobre atualidade. “O jovem não pode ficar alheio ao que acontece no mundo e se trancar numa bolha longe de tudo daquilo que aconteceu e acontece”, suscita. O professor dele, Ivaldo Bleaspy, reitera. “Primeiro caminho é a leitura. Só com uma leitura consolidada o aluno vai construir uma visão de mundo que possibilite argumentar melhor”, explica.  
O concurso de redação integra série de ações do projeto Anima Enem, realizado pela FDR em parceria com a Seduc, que reúne iniciativas para possibilitar o ingresso de alunos da rede pública nas universidades. “A cada ano esses números estão aumentando, não apenas no que diz respeito ao Enem, mas também aos índices educacionais”, enfatiza o coordenador do Anima Enem, Raymundo Netto. 
Entre 2015 e 2016, cresceu 35% o número de alunos das escolas públicas do Estado que entraram na universidade. Titular da Seduc, Idilvan Alencar destaca a parceria com a FDR como um dos agentes impulsionadores para os resultados. “Essa parceria tem alcançado muito sucesso para a educação no Ceará”, destacou. “O objetivo é que o aluno conclua o 3º ano, siga a trajetória escolar e consiga aprovação no ensino superior”, diz. 
Saiba mais
Também são vencedoras da etapa estadual do Concurso “Redação Enem: Chego Junto, Chego a 1.000” as alunas Sara Holanda Bezerra Desidério, da Escola Deputado Joaquim de F. Correia (Crede 11), e Ingrid Barbosa Lima, da Escola João Barbosa Lima (Crede 10).
A presidente do Grupo de Comunicação O POVO (GCOP) Luciana Dummar, anunciou que todos os alunos da rede estadual agora têm acesso ao jornal digital gratuitamente. “Fazer jornal é fazer educação. A nossa responsabilidade é fazer algo pela sociedade e a gente encontra na Seduc um campo fértil para receber isso, então, somos aliados”, disse.
A revista Seduc/CE Enem traz depoimentos e dicas, entrevista com o secretário da Educação, percursos de alunos, além das redações premiadas.
BRUNA DAMASCENO
O Povo

Veja dez monumentos brasileiros iluminados de rosa

Anualmente, prédios e monumentos por todo o mundo ganham novosares durante o mês de outubro. No embalo do período conhecido como Outubro Rosa, pontos turísticos e equipamentos públicos, e privados, brasileiros aderem à cor em prol da conscientização à prevenção do câncer de mama.
O ato de iluminar de rosa monumentos, pontes, teatros e outros locais turísticos foram posteriores ao inicio da campanha - não há, porém, uma informação oficial de como, quando e onde foi realizada a primeira iluminação. A ação, entretanto, já se tornou símbolo do período. Confira dez monumentos das cinco regiões do País que "se vestiram de rosa" durante este mês.

1. Espigão
Fortaleza está no clima do Outubro Rosa. Durante o mês de outubro, vários lugares da cidade iluminam suas fachadas e pontos turísticos. O Espigão, próximo à avenida Rui Barbosa, é exemplo de locais que aderiram à campanha e trazem o rosa em sua estrutura.

2. Elevador Lacerda
Um dos principais símbolos de Salvador foi iluminado em referência ao Outubro Rosa. O Elevador Lacerda, até o fim deste mês, permanece em tom de rosa.

3. Cristo Redentor
Cartão postal mais conhecido do Rio de Janeiro e também uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Cristo Redentor iluminou-se de rosa neste mês de outubro

4. Viaduto do Chá
São Paulo entrou novamente na campanha Outubro Rosa. Alguns pontos da capital paulista estão iluminados, como é o caso do Viaduto do Chá.

5. Palácio do Planalto
Brasília ilumina as fachadas dos prédios dos três poderes em adesão ao Outubro Rosa – o Palácio do Planalto onde fica o gabinete oficial da presidência da república também se iluminou de rosa neste mês.

6. Viaduto Latif Sebba
Importante cartão postal de Goiânia, capital de Goiás, o viaduto Latif Sebba, por mais um ano, aderiu ao rosa em alusão à campanha mundial de combate ao câncer de mama.

7. Fachada do TJPA
Em Belém, capital do Pará, a fachada do Tribunal de Justiça do estado segue até o final deste mês iluminada de rosa.

8. Teatro Amazonas
Ainda na região norte do Brasil, outra cidade aderiu ao Outubro Rosa: Manaus. A capital amazonense, mais uma vez, iluminou um de seus principais e mais antigos cartões postais, o Teatro Amazonas, fundado em 1896.

9. Estufa do Jardim Botânico
Em Curitiba, capital do Paraná, é tradição a iluminação da estufa do Jardim Botânico durante o mês de outubro. Em 2017, não é diferente e a beleza desse ponto turístico curitibano não ficaria fora dessa lista.

10. Museu de História da Medicina
No Rio Grande do Sul, o Outubro Rosa tem atenção especial. Segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) apontam que o estado gaúcho possui a terceira maior taxa de mortes por câncer de mama entre as mulheres com mais de 20 anos. Na imagem, o Museu da História da Medicina, localizado em Porto Alegre.
O Povo

Papa agradece realizadores de filme que teve sua participação

“Beyound the Sun” além de conter cenas especiais com a participação do Papa, foi também inspirado em ideia do pontífice

Da redação, com Rádio Vaticano
O Papa Francisco agradeceu no último domingo, 29, os realizadores do filme “Beyound the Sun” (“Além do Sol”), do qual participou de algumas cenas, e que deverá estrear no cinema italiano em dezembro deste ano. A mensagem, escrita em espanhol, foi lida durante a coletiva de imprensa de apresentação do filme no Festival de Cinema de Roma.
“Muito obrigado. Faço votos de que o filme tenha sucesso na apresentação [no festival]. O que quer dizer que irá muito bem, rezo por isto. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Que Jesus e a Santa Virgem vos abençoes. Afetuosamente, Francisco!” escreveu o Papa. O filme de Graciela Rodriguez, nascido de uma ideia de Bergoglio, é uma história sobre uma viagem de fé, contada por meio de uma aventura vivida nas montanhas por cinco crianças, que se perguntam como e onde encontrar Deus.
O Papa tem participação especial nas cenas mais importantes do filme, segundo o produtor da obra cinematográfica, Andrea Iervolino, mas não interpreta em nenhuma parte. Na cena em que participou Francisco disse: “A melhor forma para encontrar Jesus é por meio do Evangelho, do Catecismo, mas também conversando com Ele diretamente, contando a Ele o que acontece contigo, o que está bem ou não, o que acontece na tua família. Isto chama-se oração. É um caminho seguro. Jesus está esperando por vocês, está buscando vocês e quem o busca o encontrará. Força e coragem!”.
Papa Francisco e o produtor do filme Andrea Iervolino / Foto: Sala de Imprensa da Santa Sé
Francisco já viu o filme em uma projeção privada no Vaticano, ao lado de outros cinquenta convidados. Segundo Iervolino, após uma projeção, chegaram pedidos para o filme, de todo o mundo. “Queremos propô-lo em muitas projeções no cinema para as escolas, mas sairá também em todos os outros canais, salas, web e TV”, acrescentou.
Segundo a diretora de “Beyound the Sun”, o pedido do Papa era para que fosse feito um filme que as crianças conseguissem entender, no qual se falasse do Evangelho. A sequência que o Santo Padre gravou em Santa Marta, no Vaticano, foi segundo Graciela, a primeira da produção. A diretora é uma psiquiatra que trabalhou por 38 anos e em 11 países, ajudando as vítimas de abusos e desastres, e colaborando também com a Igreja na Argentina, na prevenção de abusos contra menores.
Graciela foi consultora do Cardeal Bergoglio e atualmente colabora com o Vigário do Papa Francisco em Buenos Aires, Dom Eduardo Garcia, consultor religioso do filme. “Existe uma viagem espiritual, com muitas metáforas, como as montanhas, símbolo de elevação. Parte-se de uma pergunta que todos nós fazemos, onde está Jesus, como fala conosco”, afirmou.
O filme, que para o título inspira-se no Livro do Apocalipse, é, segundo a diretora, voltado a todos aqueles que estão em busca e que estão enfrentando sem violência os conflitos da vida. “É para crianças e adultos, porque todos nós temos uma criança dentro de nós”, finalizou.

Festival gratuito exibe no Rio 150 curtas-metragens de 27 países

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Resultado de imagem para 27ª Edição do Festival Curta Cinema
A 27ª Edição do Festival Curta Cinema começa amanhã (1º) com uma programação que reúne 150 filmes de 27 nacionalidades. As exibições vão até 8 de novembro, quando haverá a premiação dos vencedores da mostra competitiva em uma cerimônia no Cine Odeon.
As exibições do festival serão em sessões gratuitas no  Odeon NET Claro, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Centro Cultural da Justiça Federal, no Cinemaison e no Cine Arte da Universidade Federal Fluminense.
Em sua edição deste ano, o festival conta com uma seleção mais enxuta por conta da perda de alguns patrocínios. Em anos anteriores, a promoção já teve 300 filmes. O número de inscrições, no entanto, chegou a quase 4 mil, segundo o diretor Ailton Franco.
"O curta-metragem propicia novas abordagens, novas linguagens, novas histórias. E as histórias ficam muito conectadas com a realidade e com a vontade de realizar obras audiovisuais mais modernas e mais ágeis", diz Franco.
Entre os filmes exibidos, 112 vão participar da mostra competitiva, que vai distribuir oito prêmios. A categoria principal qualifica o vencedor a concorrer a uma indicação ao Oscar 2017. Os filmes exibidos vão desde documentários a filmes de ficção e fantasia e, além de filmes europeus, latinos e americanos, o festival exibirá curtas de países de fora da América e Europa, com representantes do Líbano, Irã, Camboja e Tailândia.
A seleção de 150 filmes conta com 79 curtas nacionais, incluindo três hors-concours: Ruído, de Gabraz Sanna, um documentário que traça um perfil de Caetano Veloso sob uma perspectiva experimental;  A Ilha do Farol, de Jo Serfaty e Mariana Kaufman; e The Dead Fish Story, de Marion Naccache, uma coprodução entre França e Brasil.
Também será exibido - sem disputar prêmios - o curta Salada Russa, da suíça Eileen Hofer, que será jurada do festival e ministrará masterclass no Centro Cultural da Justiça Federal em 3 de novembro.
O curta de Eileen reúne um grupo de amigos de diferentes grupos étnicos que formavam a antiga União Soviética e discute os desdobramentos da Revolução Russa, que completa 100 anos em 2017.

Exposição mostra parceria entre Ziraldo e Drummond e marca aniversário do poeta

Paulo Virgilio - Repórter da Agência Brasil
Estátua de Drummond
Estátua de Drummond na Praia de Copacabana -Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil
Entre 1979 e 1981, o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) publicou, na coluna que mantinha no Caderno B do Jornal do Brasil, frases relâmpago cheias de humor que retratavam, de forma crítica, o país na época, e às quais deu o nome de “pipocas”. Admirador e amigo do poeta, o escritor e caricaturista Ziraldo percebeu que as sátiras eram charges em potencial, faltando apenas associar desenhos às palavras.
Os dois autores concordaram em juntar texto e traço, e dessa união resultou o livro O pipoqueiro da esquina, publicado em 1981 pela editora Codecri. Trinta e seis anos depois, a parceria entre o poeta e o chargista, ambos mineiros, é lembrada pelo Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro (IMS Rio), que inaugura nesta terça-feira (31), dia do aniversário de Drummond, uma exposição com 30 dos desenhos originais guardados por Ziraldo em seu ateliê.
A mostra O pipoqueiro da esquina apresenta também bilhetes, cartas, poemas e outras peças que contam um pouco da amizade entre os dois mineiros. A curadoria é de Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS, e o projeto expositivo da cenógrafa e cineasta Daniela Thomas, filha de Ziraldo.
Para Eucanaã Ferraz, o senso de humor é uma das marcas que definem a escrita de Carlos Drummond de Andrade, desde sua estreia em livro, com Alguma poesia (1930). Do mesmo modo, a atenção voltada para o fato cotidiano, como atestam versos do poema Mãos dadas: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.
“Esse desejo radical de compreensão do seu tempo e dos seus contemporâneos faz ver o espírito de cronista que ganhou corpo numa ininterrupta colaboração com a imprensa”, diz o curador. Ele lembra que Ziraldo, por sua vez, sempre foi um apaixonado pela literatura, como comprova sua brilhante carreira de escritor.
“A parceria dos dois oferece-nos, sobretudo, retratos de um certo Brasil - alguns, sob muitos aspectos, infelizmente, atual, mas é também um elogio à amizade, ao diálogo e à liberdade”, resume Eucanaã Ferraz.
Antes da abertura da exposição, às 19h, para convidados, haverá, das 16h às 18h, a atividade Arquiteturas de si, em torno dos poemas de Drummond e a casa do IMS Rio. A partir da leitura de poemas e de uma visita à casa, os participantes poderão criar uma arquitetura de si mesmos, relacionando conteúdos subjetivos e concretos. A atividade é gratuita e para pessoas a partir de 14 anos.
A exposição O pipoqueiro da esquina fica em cartaz até 18 de fevereiro de 2018 e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 11h às 20h. O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro fica na Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea, zona sul da cidade.

Enem terá prova personalizada e detector de ponto eletrônico para coibir fraudes

Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Estudantes chegam à Universidade 9 de Julho (Uninove) para o segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em Barra Funda, zona oeste. (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Estudantes passarão por detectores de metal nos locais de prova do EnemRovena Rosa/Agência Brasil
Detectores de metal e de ponto eletrônicos, fiscalização de lanches e provas personalizadas são algumas medidas que serão adotadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para garantir a segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano.
Ao todo, serão utilizados 67 mil detectores de metal durante o Enem, um para cada 100 participantes. O número garante a vistoria dos candidatos na entrada e na saída de todos os banheiros das 13.632 coordenações de local de aplicação.
Novidade neste ano, os detectores de aparelhos de ponto eletrônico de ouvido serão usados de forma experimental em alguns locais de prova. O sistema encontra os aparelhos de transmissão pelo sinal de rede móvel de banda larga, por radiofrequência de wi-fi e bluetooth. Outras medidas já consolidadas nas demais edições do exame serão mantidas, como a coleta da impressão digital dos participantes.
Nome na prova
Pela primeira vez, neste ano será usada a prova personalizada, com os cadernos de questões e a folha de respostas identificados com o nome e número de inscrição do participante. Ao receber a prova, o candidato deverá verificar se o caderno de questões e o cartão-resposta têm a mesma quantidade de itens, se o nome dele está correto e se não há defeito gráfico.
Segundo o Inep, a identificação das provas e dos cartões de resposta vai contribuir para inibir possíveis fraudes no exame, além de facilitar a transcrição das respostas. Os cadernos continuam tendo cores diferentes, mas não será mais necessário assinalar a cor do caderno no cartão de resposta. Até o ano passado, o próprio candidato fazia a identificação da cor do caderno de questões na folha de resposta, o que poderia possibilitar a troca de informações entre pessoas com provas diferentes. Continua obrigatória a transcrição da frase de segurança apresentada na capa do caderno de questões para o cartão-resposta.
O cartão-resposta e a folha de redação, também com o nome do candidato, virão encartados no caderno de questões e serão entregues a partir das 13h. Depois desse horário, o candidato só pode ir ao banheiro acompanhado do fiscal de sala. O aluno só poderá deixar o local duas horas depois do início da prova. Além disso, só é possível sair com o caderno de questões nos últimos 30 minutos antes do fim da aplicação.
Itens proibidos
De acordo com o edital, não é autorizado o uso de celular ou qualquer aparelho eletrônico durante as provas. Os equipamentos terão de ser colocados em um porta-objetos com lacre, que deverá ficar embaixo da cadeira até o final das provas.
O candidato também não poderá usar lápis, lapiseira, borrachas, livros, manuais, impressos, anotações, óculos escuros, boné, chapéu, gorro e similares e portar armas de qualquer espécie, mesmo com documento de porte. Se estiver com um desses objetos, eles deverão ser colocados no porta-objetos.
Lanche vistoriado
É permitido levar lanches para comer durante as provas, mas os alimentos industrializados, como biscoitos, salgadinhos e iogurte precisam estar com as embalagens lacradas, e todos os itens serão vistoriados antes do ingresso na sala.
O Enem será aplicado nos dias 5 e 12 de novembro para 6,7 milhões de candidatos. No primeiro domingo, os estudantes farão provas de ciências humanas, linguagens e redação. No segundo, as provas serão de matemática e ciências da natureza.

30 de outubro de 2017

CINEMA: A última fronteira de Joan Didion

Jan Didion, seu marido e filha em sua casa de Los Angeles em 1968
Jan Didion, seu marido e filha em sua casa de Los Angeles em 1968 JULIAN WASSER / CORTESÍA DE NETFLIX
O documentário Joan Didion: The Center Will Not Hold(Joan Didion: o Centro Cederá), dirigido pelo sobrinho da escritora, o ator e cineasta Griffin Dunne, indaga sobre a vida da mulher que nos anos sessenta trouxe sensibilidade californiana ao Novo Jornalismo e que quatro décadas depois viu sua fama se revigorar com uma dissecação arrepiante da dor: O Ano do Pensamento Mágico (2005), que se centrava na perda de seu marido, o escritor John Gregory Dunne, e na doença de sua filha, Quintana Roo Dunne, cujo fatal desenlace inspiraria também Noites Azuis(2011).
Acompanhada de seu terrier, Didion (Sacramento, Califórnia, 1934) vive o presente rodeada de recordações, comendo como um passarinho e combatendo suas incessantes enxaquecas. Em sua mesa de trabalho há emolduradas duas notas manuscritas da filha. Em uma delas se lê: “Querida mamãe, era eu quem fugia quando você abriu a porta”.
A escritora admite à câmera que ainda se sente culpada por essa morte (“Era adotada, tinha sido dada a mim para que cuidasse dela, e falhei”). Afirma que escreveu sobre o sofrimento “porque ninguém tinha me explicado o que era” e confessa que espera o final da vida sem medo: “Uma das principais preocupações é as pessoas que deixamos para trás. Eu não deixo ninguém”. Didion assume com distanciamento que sua figura delgada e pequena se agigantou ao aplicar à morte de seus dois seres queridos seu instinto de repórter. Diante das trevas da depressão e da falta de senso, buscou um sentido e sem se propor lançou luz a um pranto universal.
"Falar de Joan é falar de nossos próprios mortos", diz Dunne, lembrando sua irmã, estrangulada pelo ex-namorado
Sentado no terraço da cafeteria ucraniana Veselka, instituição do East Village nova-iorquino famosa por seu gulash, Griffin Dunne (Nova York, 1955) fala de seu pai falecido, o produtor e escritor Dominick John Dunne, e de sua irmã, a atriz Dominique Ellen Dunne, estrangulada pelo ex-namorado no início dos anos oitenta, quando tinha 22 anos. “É curioso, sempre acontece o mesmo. Falar de Joan é falar de nossos próprios mortos”, reconhece em um momento da entrevista.
Além do mais, naquela manhã de setembro um cadáver inesperado se sentou à mesa, o do ator Harry Dean Stanton. “Nós ficamos mais velhos”, lamentou Dunne. “Sinto falta de atores como Harry, com história em seu rosto. Ele a tinha há muitos anos. Tomara que meu rosto também acabe sendo um mapa de vida. Conhecido como intérprete, entre outros em Depois de Horas (1985), de Martin Scorsese, como diretor por joias como a comédia romântica A Lente do Amor(1997) ou, mais recentemente, pela série I Love Dick, onde interpreta um intelectual com problemas, Dunne é uma personalidade atraente e atípica na indústria do cinema.
A seu ver, o segredo de Joan Didion remonta à última fronteira, a terra de Sacramento. Didion cresceu escutando as histórias de seus antepassados, que tinham feito parte do que se conhece como a expedição Donner, malogrado grupo de pioneiros que a caminho da Califórnia modificou sua rota até ficar preso nas montanhas de Nevada. Mais da metade morreu, o resto sobreviveu comendo os mortos. A família de Didion se negou a seguir o atalho, completando por sua conta o resto do caminho até a fronteira. “Cresci escutando todos os adjetivos possíveis sobre a força, ou o que for, de Joan”, explica Dunne. “E, sim, ela é tudo isso que irradia, mas acho que o segredo é genético, procede de um entorno duro de verdade. E desde menina escuto todas aquelas histórias que determinaram sua construção moral. Joan adora a palavra caráter, e isso é ela, alguém com verdadeiro caráter.” Com cinco anos, Didion escreveu sobre uma mulher que se congelava no Ártico e outra que derretia no deserto, sua imaginação só entendia de extremos. “De alguma forma, a Califórnia sempre permaneceu impenetrável para mim”, diz no filme. “Acaso não somos a paisagem na qual crescemos? Tudo o que eu sou, faço ou penso está nessa paisagem.”
A primeira lembrança de Dunne é de sua infância, quando durante uma refeição zombaram dele e ela permaneceu séria enquanto os demais adultos gargalhavam. “Serei grato a ela por toda a vida”, diz. “Durante muitos anos John e Joan eram a mesma pessoa para todos nós. Não se separavam nunca. Mas eu sempre me senti muito próximo dela. Por uma razão estranha sempre me incluíram em sua vida, também a social. Quando eu tinha 12 anos, Joan deu uma festa na qual iria Janis Joplin. Ela sabia o quanto eu gostava de Janis e disse à minha mãe que me levasse com eles. Foi uma experiência que não esquecerei jamais, lembro de cada detalhe como se fosse ontem. Receio que os demais estavam chapados demais para se lembrar de algo.”
ator Harrison Ford rememora seus anos de carpinteiro, quando ampliou a biblioteca e a casa de Malibu da escritora: “Apesar de não ser como eles, sempre me incluíam e minha jovem família em sua vida. Convidavam-nos para suas festas. Eram mais inteligentes e mais cultos, mas nunca nos trataram diferente por isso.” Mas talvez o instante mais tocante seja protagonizado por Vanessa Redgrave, que em 2008 interpretou na Broadway uma peça baseada em O Ano do Pensamento Mágico. Repassando um álbum de fotos familiares, as duas idosas lembram de Natasha Richardson, a filha de Redgrave que faleceu em um acidente de esqui em 2009. Redgrave admite que para ela nada mais é o mesmo, mas interrompe a via do drama com um corte que faz as duas rirem: “Entendi algo que até então não podia compreender, e é que a gente não se pode permitir ser uma alma em sofrimento”.

El País

O vendedor de Judas, de Tércia Montenegro, é tema do Clube Escritoras Cearenses

Tércia Montenegro. Foto: Rodrigo Carvalho/ em 28 03 2015
O Clube de Leitura Escritoras Cearenses, que atua em Fortaleza desde 2016, vai discutir o livro O Vendedor de Judas – obra da escritora Tércia Montenegro. A entrada é gratuita e o encontro acontece no Espaço O POVO de Cultura e Arte, no dia 31 de outubro, terça-feira, a partir das 19 horas. Os encontros vão acontecer sempre nas últimas terças de cada mês.
A mediação é da poetisa Mika Andrade, criadora do projeto Escritoras Cearenses(@escritorasce no instagram) e da jornalista Isabel Costa (redatora do blog Leituras da Bel). Vamos fazer um momento de debate aberto. Todos poderão falar sobre a experiência com os escritos das autoras cearenses. Publicado pelas Edições Demócrito Rocha, O vendedor de Judas, livro de contos de Tércia Montenegro, revela uma escritora sensível aos dramas da condição humana.

Leia Tércia Montenegro

“Os personagens que habitam suas histórias são pessoas simples envolvidas em situações comuns ou inusitadas, mas acima de tudo reais na sua fé ingênua, na obsessão amorosa, na dor, no sublime, no patético, na solidão e nas múltiplas facetas que possa assumir o drama humano. E ao compreender esses seres, nossos semelhantes, a que sua arte de contar dá vida, essa contista de enormes possibilidades nos faz lembrar, lendo-a, que ver bem não é ver tudo: é ver o que ninguém consegue ver”, explica material de divulgação da editora.
Serviço
Clube Escritoras Cearenses
O Vendedor de Judas, de Tércia Montenegro
Mediação: Mika Andrade e Isabel Costa
Quando: 31 de outubro, terça-feira
Horário: 19 horas
Onde: Espaço O POVO (avenida Aguanambi, 282)
Entrada gratuita

O Povo

Projetos literários promovem compartilhamento de livros

Escolas também podem promover trocas de livros mais abertas, como bancas em feiras literárias.
As regras, aliás, são estabelecidas nos primeiros combinados com as  famílias.
As regras, aliás, são estabelecidas nos primeiros combinados com as famílias. (Pixabay)

Pare por um instante e imagine alguém lendo um livro. Esta pessoa  está sozinha, certo? Pelo menos na maioria das vezes é esta a imagem que  temos do ato de leitura, digamos, ideal. Esquecemos que compartilhar  leituras com o outro pode fazer parte da formação literária e ser um  benefício fundamental para que se construa, de fato, um país de  leitores. Isso porque o coletivo tem muita potência.

Na Escola Carandá Vivavida, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, o  exercício começa cedo. As crianças com 3 anos são estimuladas a criar  uma ciranda de livros. As famílias recebem a incumbência de ajudá-las a  escolher um livro do acervo pessoal para compartilhar com o grupo. Elas,  então, fazem carteirinha, identificam as obras e anotam as idas e  vindas. Depois que um livro passa pelas mãos de todos, volta ao lar  inicial.

"Queremos criar a possibilidade de as crianças trocarem o que leem entre  elas, partilhar de algo que gostam. E exercitar o emprestar e tudo o  que envolve a questão, como o cuidado com um objeto que não é da gente",  diz Márcia Hippolyto, coordenadora pedagógica do grupo de 3 anos da  escola. "A gente levanta junto as regras para o manuseio: é preciso se  lembrar de trazer (o livro) para o outro não ficar sem, etc", afirma.

As regras, aliás, são estabelecidas nos primeiros combinados com as  famílias. Não colocar na roda livros de pouca qualidade literária é uma  delas. "Reforçamos que o interesse esteja no literário e não enviem só  livros mais baratos ou de licenciamentos", diz Márcia, que percebe a  força da rede entre os pares: as famílias se influenciam pelas outras  famílias por meio da ação dos filhos. "É tão bonito quando as crianças  vão percebendo como há várias formas de interpretar uma história e isso  acaba refletindo nos pais, que se surpreendem com os tipos de livros que  chegam em casa, às vezes mais desafiantes do que a família possui."

A preocupação com repertório também impulsiona o trabalho da professora  Regiane Magalhães Boainain, para quem compartilhar títulos de qualidade é  quase uma obsessão. Primeiro, ela criou um blog, o 'Veredas do Texto',  para destacar livros que, segundo ela, outros educadores precisam  conhecer. Depois, se empenhou para criar duas bibliotecas: na capital e  na cidade onde nasceu, Piquete (SP).

Com uma amiga, Regiane juntou seu acervo com os de outros colegas e  organizou tudo no Centro Juvenil Dom Bosco, dentro de uma igreja, no  Alto da Lapa. A biblioteca já está funcionando, mas será inaugurada  oficialmente no mês que vem. Agora, se prepara para o projeto em  Piquete. "Descobri que poderia colaborar com o Geladeiroteca", diz,  sobre o projeto que transforma geladeiras em prateleiras de livros,  brincando com a ideia de "alimento para a alma". "Já tenho a geladeira,  estamos cuidando de estilizá-la para encher de livros bons."

Dividindo

A jornalista Duda Porto também sonhava em compartilhar seu acervo.  Devoradora de livros, ela formou uma verdadeira biblioteca, com uma  particularidade: reuniu livros de diversos idiomas. "Queria manter os  títulos em um lugar aberto, de forma gratuita."

Da ideia à abertura da Biblioteca Infantil Multilíngue Belas Artes, que  fica dentro do Centro Universitário Belas Artes, na Vila Mariana, zona  sul, foram quatro anos. Além dos livros que integravam sua coleção  particular, outros foram acrescentados ao acervo e hoje somam 22 mil  títulos em 36 idiomas, como alemão, árabe, catalão, francês, holandês,  polonês e russo, entre outros. Duda ainda abastece, com as doações que  recebe, nove instituições associadas do projeto Biblioteca Circulante.  "Foi um outro jeito que descobri de compartilhar."

Escolas também podem promover trocas de livros mais abertas, como bancas  em feiras literárias. A Escola Santi, no Paraíso, zona sul, além de  estimular a troca de uniformes e livros didáticos entre os alunos,  promove há quase dez anos um encontro por semestre para que as crianças e  adolescentes compartilhem suas leituras literárias. "As famílias fazem  seleção prévia em casa, há pontos de coleta pela escola e no dia do  evento pais voluntários organizam os espaços, dividem os títulos por  gênero"  explica Camila Albuquerque de Mauro, coordenadora de eventos e  atividades extracurriculares do Santi. A qualidade do acervo está na  mira do projeto, assim como provocar a reflexão sobre um consumo  excessivo.

Espaços abertos

Em São Paulo, diversos espaços também promovem feiras de trocas de  livros, como o Instituto Itaú Cultural. "Se eu tenho um livro  posso  trocá-lo por outro para estar sempre com um diferente, e não  necessariamente só comprando, mas exercitando o compartilhamento", conta  Eneida Labaki, coordenadora do Centro de Memória e da Biblioteca do  Instituto Itaú Cultural, sobre a feirinha de trocas que a instituição  promove desde 2014 aos fins de semana.

"É uma experiência interessante. O adulto tem, em geral, a premissa de  que não pode perder na troca, ou seja, que os objetos trocados precisam  ter mais ou menos o mesmo valor. Para a criança isso não importa, ela  não olha o valor, o quanto custou", afirma. A troca, ali, se torna uma  espécie de clube do livro entre desconhecidos, com liberdade de escolha.  "A criança troca porque gostou da capa, gostou de um desenho, porque  algo chamou sua atenção. Muitas vezes elas levam um livro caro e trocam  por outro barato."

Já o Espaço de Leitura, lugar dedicado ao incentivo e a práticas de  leitura no Parque da Água Branca, em São Paulo, faz a feira com base nas  doações recebidas. "Selecionamos e separamos os livros em caixas, por  gênero. E a troca é um livro por outro, do mesmo gênero. Assim, trocamos  literatura adulta por literatura adulta, infantojuvenil por  infantojuvenil e assim por diante", explica Taís Mathias, uma das  educadoras do Espaço. "A questão do consumo permeia nosso projeto. Temos  como valor o acesso ao livro da forma mais desimpedida que puder. Não é  preciso se cadastrar nem se identificar para fazer a troca." As  informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

Estátua de Drummond é mais uma vez alvo de vandalismo no Rio

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil
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A Secretaria de Conservação e Meio Ambiente  do Rio informou que fará hoje (30) o registro do furto na polícia dos óculos da estátua em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade, ocorrido na madrugada de ontem (29) na altura do posto 6, em Copacabana.
A estátua foi instalada na orla em outubro de 2002 para comemorar o centenário do escritor nascido em Itabira, em Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902. Imagens de câmeras de segurança do Centro de Operações Rio flagraram um homem carregando uma mochila e usando uma camisa listrada e boné. Ele chutou o rosto da estátua do poeta, cujos óculos foram arrancados. Em seguida, o homem pegou os óculos no chão e foi embora. Pela imagem das câmeras dá para avaliar que o vândalo agiu sozinho.
Em nota, a Fundação Parques e Jardins, órgão da prefeitura do Rio,  informou que está em entendimentos com a multinacional francesa Essilor/Varilux para verificação de possível renovação ou não do termo de adoção da estátua de Drummond pela empresa.
Prazo de 45 dias
O contrato foi iniciado em 2008 e interrompido em janeiro de 2016. Por ter ultrapassado o limite máximo para renovação automática de 30 dias, após o vencimento, mesmo que a empresa demonstre interesse em renovar a adoção, deverá ser providenciado um ato publicado no Diário Oficial do Estado do Rio para que também outras empresas interessadas possam participar do processo - que deve ser finalizado dentro de um prazo de cerca de 45 dias, a partir de sua abertura.
A Fundação Parques e Jardins informou ainda que, desde que o termo foi interrompido, a manutenção do monumento está inserida na programação da Gerência de Monumentos e Chafarizes da Secretaria de Conservação e Meio Ambiente, que vai avaliar a reposição imediata dos óculos.
A estátua de Drummond foi esculpida em bronze pelas mãos do mineiro Leo Santana. Pesando cerca de 150 quilos, foi feita para retratar um momento rotineiro da vida de Drummond, que sempre sentava num banco do calçadão na orla de Copacabana para observar o mar. Desde que foi inaugurada, a imagem já teve os óculos arrancados ou pichados por tinta spray por 11 vezes.

Candidatos que fraudaram o Enem em 2016 serão eliminados, diz Inep

Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil
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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou hoje (30) que irá tomar providências para responsabilizar e eliminar pessoas que possam ter se beneficiado de esquemas de fraudes na edição de 2016 do exame.
Uma operação foi deflagrada hoje (30) pela Polícia Civil do Distrito Federal para desarticular uma organização criminosa que fraudava concursos públicos no Distrito Federal e em Goiás, entre os quais o Enem.
“A partir das informações obtidas e do que for constatado, o Inep tomará as providências cabíveis, delimitando as responsabilidades, eliminando eventuais beneficiários de esquemas de fraudes na edição de 2016”, informou o Inep, em nota.
O Inep disse que ainda não foi notificado sobre essa operação. O órgão oficiou hoje (30) a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal para obter informações em caráter de urgência, sobre o inquérito que resultou na prisão de envolvidos no Distrito Federal e Goiás, especificamente no que diz respeito ao Enem.
Reforço
Em nota, o Inep lembrou que as medidas de segurança para o Enem foram reforçadas neste ano. Uma das medidas inéditas é o uso de detectores de ponto eletrônico. Além disso, todos os requisitos de 2016 foram garantidos, como a identificação biométrica, o detector de metal nas portas dos banheiros e escoltas para entrega das provas, inclusive, no retorno. Pela primeira vez, as provas serão personalizadas, com identificação do nome e número de inscrição do participante.
O órgão também reiterou que todas as medidas para uma aplicação segura e que garanta a isonomia entre os participantes foram adotadas em 2016 com apoio da Polícia Federal, Exército e policias militares dos Estados.

Artista cearense ganha premiação no 1° concurso Paz no Caos

O painel vencedor é do artista Almeida Luz. Foto: Divulgação/Assessoria
O artista cearense Almeida Luz, mais conhecido como LUZ, foi o vencedor do I Concurso PAZ no CAOS, promovido nos meses de agosto e setembro pela SJ Administração de Imóveis. Com o objetivo de divulgar a arte urbana, a empresa disponibilizou uma parede de 35m² no interior de sua agência central (Av. Santos Dumont, 1388) para receber a obra – escolhida por uma comissão julgadora – e uma premiação em dinheiro, além de todo o material de pintura e suporte requerido pelo artista para a execução do projeto.
Ao todo, a empresa recebeu 19 inscrições de obras de artistas locais. “Assim como a arte urbana, a SJ também está presente em toda a cidade, então, é natural que nossos caminhos se cruzem”, afirma Luciana Alencar, diretora geral da empresa. A iniciativa integra uma série de ações em comemoração aos 35 anos da SJ, como a reforma de sua sede. “O painel veio a coroar essa celebração, oferecendo aos nossos colaboradores e clientes o contato permanente com uma arte tão genuína como a urbana”, complementa a gestora, enfatizando que visitantes são muito bem-vindos para apreciar a obra.

Sobre a obra Paz no Caos

O painel de 35m², executado por Luz, foi finalizado no início de outubro. Utilizando técnica em spray, o artista conta que passou vários dias tentando compreender a sensação de paz em uma situação de caos, até encontrar no elemento gráfico do farol o ponto de partida para seu trabalho. “Ele representa um norte, uma direção para quem se encontra perdido”, conta o artista. Construído sobre uma rocha, o farol aparece firme e imponente em meio a figuras que remetem à desordem. “Nesses elementos, priorizei o uso de cores quentes, como amarelo, laranja e vermelho, para provocar um estado de inquietação”, continua.
Quem conhece o trabalho de Luz, consegue identificar no painel uma característica forte de seus trabalhos, as hachuras. Este foi o maior trabalho indoor já realizado pelo artista, cujas obras estão presentes em vários pontos da cidade, como os murais do Boteco Praia (Avenidas Beira-mar e Abolição) e da Rua Compartilhada (Hospital São Carlos).

Incentivo

Ainda incipientes em nossa capital, iniciativas como a da SJ ajudam a quebrar paradigmas relacionados à arte urbana, enquanto uma arte marginalizada, destinada somente às ruas. “Essa mobilização funciona como um despertador, como uma nova forma de apresentar a street art, possibilitando ao artista diferentes formas de contato com seus apreciadores, abrindo novos mercados e formas de comercialização também”, analisa Luz.
O painel de Luz soma-se a outras obras de artistas cearenses em exposição na agência central da SJ, como a obra “Iracema”, de Zé Pinto, esculturas de Mestre Noza e o presépio feito de material reciclável pelo artista Luís Eduardo Ângelo da Silva, exposto no período de Natal. “Temos como uma de nossas missões valorizar e incentivar a produção artística da nossa terra, tão rica e expressiva, por isso, fazemos questão de expor algumas obras que a representam em nossa agência para que o público tenha um acesso direto a elas”, explica Luciana Alencar.

Sobre o artista Luz

Almeida Luz, artista urbano cearense mais conhecido como Luz, possui mais de 20 anos de carreira, tendo enveredado pela ilustração, quadrinhos e fotografia. Há 10 anos, ganhou as ruas e faz delas o habitat natural para suas artes, adotando um traço inconfundível com sua técnica em spray. Pintou por diversas cidades dentro e fora do Brasil, tendo suas obras expostas em galerias, centros culturais e universidades, além de murais espalhados em vários pontos conhecidos de Fortaleza. Atualmente, o artista dedica-se também a ensinar técnicas de desenho, pintura a óleo e spray por meio de oficinas.
Contato: (85) 98827-6444 / grafiteluz@gmail.com

Serviço

Exposição Paz no Caos
Data: aberto à visitação por tempo indeterminado
Local: SJ Administração de Imóveis – Avenida Santos Dumont, 1388
Horário: 8h às 19h (segunda à sexta) e 8h às 15h (sábados)
Visitação gratuita
Mais informações: (85) 3255-8818

Com informações da Assessoria de Comunicação
Boa Notícia

29 de outubro de 2017

Biografia: Retrato do meu assassino

Publica uma biografia em grande parte inédita de Stalin que Trotsky escreveu quando foi morto

Leon Trotski no escritório de sua casa no México.
Leon Trotski no escritório de sua casa no México. AFP
"Stalin se divertiu em sua casa de campo, abate de ovelhas ou derramando querosene nos formigas e incendiando-os. Kamenev disse-me que em suas visitas de lazer no sábado para Zubalovka, Stalin atravessou a floresta e continuou divertindo-se disparando animais selvagens e assustando a população local. Tais histórias sobre ele, provenientes de observadores independentes, são numerosas. E, no entanto, não há escassez de pessoas com esse tipo de tendências sádicas no mundo. Era necessário condições históricas especiais antes que esses instintos escuros encontraram uma expressão tão monstruosa ".
Essas palavras fazem parte de uma biografia única. Para a relevância de seus protagonistas, duas das figuras proeminentes da Revolução Russa, enfrentadas por uma das mais amargas rivalidades do século XX. E porque o perfil permaneceu inacabado depois que os retratados ordenaram a morte de seu biógrafo. Stalin , o trabalho que Leon Trotski escreveu quando foi assassinado por Ramón Mercader no México em agosto de 1940, permaneceu adormecido por mais de sete décadas. E depois de muitas vicissitudes, mutilações e adições, novamente vê a luz em um volume de quase mil páginas, em grande parte inédito, coincidindo com o centenário da chegada ao poder dos bolcheviques.
A história deste livro mereceria a publicação de outro que o dirá. Trotsky, exilado no México depois de ter sido negado o asilo em vários países, se conheceu condenado pelo líder da União Soviética Josif Stalin . Mas ele não tinha nenhum interesse particular em escrever a vida de seu antigo camarada. "Não foi uma vingança. Escrever essa biografia não se encaixava nos planos do vovô. Eu estava focado em terminar outro em Lenin ", explica Esteban Volkov, neto do revolucionário , em uma conversa telefônica da Cidade do México, onde ele reside. "Mas ele precisava de dinheiro e Harper & Brothers em Nova York fez uma oferta generosa".
Volkov, prestes a completar 92 anos, tem sido o guardião da memória do seu avô há décadas. Ele também é diretor do Leon Trotsky House Museum, entre cujas paredes o revolucionário foi assassinado em agosto de 1940 por um golpe de piolet pelo agente stalinista Ramón Mercader. O mesmo cenário onde a versão em espanhol do livro, publicada pela editora mexicana Fontamara, será apresentada no dia 11, coincidindo com o aniversário de uma Revolução de Outubro que, devido às diferenças entre os calendários gregoriano e juliano, aconteceu em novembro para o resto da mundo O trabalho foi publicado há um ano em inglês em uma editora marxista em Londres e depois foi traduzido para o italiano e o português, mas as notícias não tiveram impacto na mídia.

SANGUE NO PAPEL

JORGE F. HERNÁNDEZ
A biografia mais transcendental de Joseph Vissarionovich, tristemente ainda comemorada por alguns por seu apelido: Stalin, é um retrato meticuloso do diabólico ditador russo em 890 páginas, escrito não menos por Leon Davidovich Bronstein, que conhecemos como Trotsky. Parece incrível que a publicação em inglês há um ano não tenha produzido manchetes em oito colunas ou se agite as redes ou diversas revisões. Vivemos em amnésias funcionais que acreditam estar sedimentadas com 140 personagens, onde pelo menos duas gerações só sabem algo de Leon Trotski para os filmes, cartões postais, máquinas de café e outros produtos que circulam desde que Frida Kahlo se tornou marca registrada.
A imensa biografia assinada por um dos principais líderes da Revolução Russa derruba cirurgicamente a demência incrível de um traidor sanguinário daquela Revolução: um animal que parece indescritível se milhares de documentos, fotografias (mesmo aqueles alterados "por causa de da História "), testemunhos, sobreviventes das purgas, náufragos do Gulag, proscritos fora da lei e seguidores arrependidos que, mesmo desde o primeiro triunfo bolchevique, deixaram um registro de sua trilha de infortúnios e constante compêndio de crimes. Entre os parágrafos que Trotsky esboçou durante seu incansável exílio em sua frágil fortaleza de Coyoacán, estavam na mesa os papéis que seriam sua lápide, cuja escrita foi interrompida assim que Ramón Mercader pregou sua pioleta de alpinista no crânio.
Trotsky lutou com o enviado, sabendo que seu executor estava sorrindo no Kremlin e, talvez, durante sua agonia, ele pensou que pelo menos uma grande parte da biografia escrupulosa de seu executor e a maioria de sua família, de milhões de seres humanos e de não poucas ilusões utópicas foram praticamente finalizadas. Ele concordou em escrevê-lo para o suculento pagamento prometido por uma editora americana, cujo tradutor teve uma boa vontade para traduzir, editar e até mesmo alterar e adicionar parágrafos de sua própria safra. Isso já foi corrigido e agora temos a publicação de um retrato do Diabo feito em prosa em papéis ... corados com sangue.
Harper & Brothers publicou uma versão incompleta do livro em inglês em 1946. Não era possível, porque os EUA e a União Soviética eram aliados contra a Alemanha. Mas a viúva de Trotsky, Natalia Sedova, processou judicialmente sem sucesso para ser retirada. Suas objeções foram abordadas, sobretudo, contra o editor e o tradutor do trabalho. "Ele fez uma edição deficiente do livro, com mutilações e múltiplas adições de sua colheita longe do pensamento político do avô", explica Volkov. O próprio Trotsky nunca teve muita confiança em seu tradutor e ridicularizou quando soube que havia ensinado alguns originais a terceiros. "Ele parece ter pelo menos três qualidades: que ele não conhece o russo, que ele não conhece o inglês e que ele é tremendamente pretensioso", escreveu ele em uma carta ao jornalista americano Joseph Hansen.
Mas parte do trabalho nunca chegou às mãos do editor. Quando ele se encontrou condenado, Trotsky enviou muitos de seus documentos para custódia à Universidade de Harvard nos Estados Unidos . "Os arquivos saem esta manhã de trem", o revolucionário escreveu em 17 de julho de 1940, um mês e três dias antes do assassinato. E foram acumulados 20.000 documentos que ocuparam 172 caixas de artigos, fotografias e papéis manuscritos, digitados, traduzidos e não traduzidos, com uma grande quantidade de correções que mostravam o quanto era extraordinariamente meticuloso com seu trabalho.
Capítulos completos do livro sobre Stalin permaneceram inactivos até que, em 2003, o historiador galesa Alan Woods começou a cavar na montanha de documentos para resgatar a versão mais ampla e completa possível do livro. E depois de mais de dez anos de trabalho, o resultado foi um trabalho um terço mais do que o livro publicado nos anos 40, sem as adições do primeiro tradutor e, agora, com as bênçãos da família de Trotsky.
Woods concorda com Volkov que Trotsky não queria escrever este livro. "Mas, uma vez que ele chegou a isso, ele fez isso conscienciosamente, com muita documentação e detalhes sobre o período mais desconhecido da vida de Stalin, sua infância. Para qualquer leitor é um estudo psicológico fascinante ", explica ele de Londres, onde ele reside. O historiador é um membro ativo da Tendência Marxista Internacional. Ele participou da luta contra o regime franquista na Espanha e foi um forte defensor da revolução bolivariana e amigo pessoal de Hugo Chávez, embora nos últimos tempos tenha se distanciado da deriva do governo venezuelano.
Os líderes do Partido bolchevique eram geralmente pessoas muito capazes, e entre eles brilhavam Trotsky, que dominavam cinco línguas e escreveram vários livros ao mesmo tempo. Stalin aparece em vez retratado por seu grande rival político como um homem de horizontes limitados. Esse perfil medíocre coincide com o feito por outros observadores, como o jornalista norte-americano John Reed, que em sua crónica. Dez dias que abalou o mundo menciona The Man of Steel apenas duas vezes e Trotsky nada menos do que 67.
Mas, do que é dito no livro agora apresentado, as qualidades de Stalin eram outras: a astúcia e a arte da manipulação. "A técnica de Stalin era gradualmente avançar passo a passo para o cargo de ditador, enquanto representava o papel de um modesto defensor do Comitê Central e liderança coletiva. Ele usou completamente o período de doença de Lenin para colocar os indivíduos que se dedicaram a ele. Ele aproveitou todas as situações, de todas as circunstâncias políticas, de qualquer combinação de pessoas para promover seu próprio avanço que o ajudará em sua luta pelo poder e alcançará seu desejo de dominar os outros. Se ele não conseguisse elevar-se ao seu nível intelectual, ele poderia provocar um conflito entre dois concorrentes mais fortes. Ele elevou a arte de manipular antagonismos pessoais ou grupais em novas alturas.
No entanto, Woods não atribui a ascensão de Stalin ao poder de seu personagem. "Ele era uma criança abusada por seu pai, rancorosa e com tendências sádicas. Mas nem todos os abusos se tornam monstros. Como nem todos os artistas mal sucedidos se tornam Hitler ". E ele propõe um argumento marxista para explicar sua ascensão. "Em todas as revoluções há um período que precisa de heróis, gigantes. Quando você atinge um período de declínio, você precisa de medíocre. A degeneração burocrática teria ocorrido sem ou com Stalin, porque a Rússia era um país isolado e atrasado. Mas, neste caso, a burocracia foi encarnada em um personagem sanguinário ".
O livro poderia acelerar o assassinato? Stalin estava muito bem informado sobre o que seu rival estava fazendo. Todas as manhãs eu tinha os últimos artigos de Trotsky em sua mesa. E Volkov lembra como Robert Sheldon Harte, guarda-costas de seu avô, que é atribuída a traição que facilitou um primeiro ataque contra ele em maio de 1940, sempre lhe perguntou sobre o progresso do trabalho. "Como qualquer criminoso teve que eliminar testemunhas", concorda Woods.
El País