"Diário de Anne Frank" completa 70 anos e sua história é recontada no teatro em Fortaleza, em apresentação única

Elenco de "Anne Frank" em diferentes momentos do espetáculo: figurino e cenário tentam recriar esconderijo em que a família ficou escondida
Em 1942, quando os nazistas invadiram os Países Baixos, a menina judia Anne Frank é forçada a se esconder com a família em um anexo secreto de uma fábrica, onde permaneceria por dois anos. Registrada no diário da garota de 13 anos, posteriormente publicado por seu pai, a história tornou-se best seller mundial. Por ter entrado em domínio público no ano passado, "O Diário de Anne Frank" rende, desde então, ainda mais reedições e adaptações em diferentes linguagens artísticas.
Uma delas será apresentada hoje (27) em Fortaleza, quando o espetáculo "Anne Frank" ocupa o palco do Teatro Celina Queiroz, da Universidade de Fortaleza (Unifor).
Trazido pelo Instituto de Ciências Médicas (ICM), a peça é uma realização da Contar Produções Artísticas, cuja proposta é realizar espetáculos sempre gratuitos. O grupo já tem em seu currículo 19 apresentações - algumas em cidades do interior de São Paulo, como Campinas, Piedade e Americana, outras na capital paulista.
Agora, o grupo se apresenta pela primeira vez em Fortaleza. Com a política de ofertar espetáculos gratuitos, a companhia geralmente usa o artifício de "passar o chapéu" ao final das apresentações, para arrecadar dinheiro para sua manutenção.
Na capital cearense a vinda do espetáculo é patrocinada pela ICM. "Casou a vontade de divulgar o nosso trabalho e o trabalho deles, foi uma parceria que deu certo. E quem sabe possamos voltar à cidade com outros trabalhos", comemora Cecília Escanhoela, uma das atrizes.
Preparação
A montagem da peça contou com um preparador vocal auxiliando 11 atores. Além dos ensaios, o grupo mergulhou fundo no trabalho de pesquisa, desde março de 2016 - processo que, além de proporcionar melhor atuação, ajudou os técnicos na escolha dos objetos de cena e do figurino.
Ao todo, a elaboração levou 10 meses, entre ensaios e criação da dramaturgia. A adaptação do texto foi feita pelo diretor Edigar Contar, também fundador da Contar Produções Artísticas. Com a iluminação muito bem definida, "Anne Frank" usa tons azulados e avermelhados para mostrar as marcas daquele época em tempos de guerra.
"O texto permite certa magia, porque conta a história pelos olhos de uma adolescente, com olhos de fantasia. Na peça há momentos em que a plateia ri. Mesmo o mundo lá fora caindo aos pedaços ela ainda permanece sonhando. A realidade é crua, fria, mas ela (Anne) conta uma história doce. O livro tem momentos de muita doçura", explica Cecília Escanhoela.
História
Em 1947, o livro foi publicado pelo pai de Anne, Otto Frank, único sobrevivente do esconderijo. A autora do diário morreu em um campo de concentração. Nas páginas do fiel amigo, ela narra a própria história, privada do mundo exterior, enquanto sonha em ter sua liberdade de volta.
O diário revela os sentimentos mais profundos da garota que, presa por tanto tempo em um pequeno abrigo com outras sete pessoas, ainda se revela uma jovem engraçada, sensível e cheia de esperança.
"O Diário de Anne Frank" já vendeu mais de 30 milhões de cópias. Foi publicado em mais de 60 países e está traduzido em mais de 70 idiomas.
Há diferentes versões dos escritos de Anne Frank, além do texto bruto, escrito pela própria garota. Otto Frank foi responsável por uma delas, e uma última versão, datada de 1995, é da escritora alemã Mirjam Pressler.
Recentemente, em comemoração aos 70 anos de publicação do diário, o roteirista e diretor Ari Folman e o desenhista David Polonsky lançaram a história em formato de graphic novel, e atualmente preparam uma animação para o cinema.
Das diversas adaptações teatrais, destaca-se a da Broadway "The Diary of Anne Frank", de 1955. Com roteiro adaptado de Goodrich e Hackett, ganhou o Prêmio Tony de Melhor Peça Teatral e o Pulitzer para Teatro, em 1956. Susan Strasberg foi indicada para o prêmio de melhor atriz, por seu papel de Anne.
Legado de Anne Frank
Desde a publicação do diário, Anne Frank tem sido apontada como um símbolo universal contra a intolerância, além de ter dado um rosto aos milhões de pessoas que morreram no Holocausto. Em maio de 1957, um grupo de cidadãos, incluindo Otto Frank, estabeleceram a Fundação Anne Frank, em um esforço para resgatar o edifício Prinsengracht da demolição e torná-lo acessível ao público.
A Casa de Anne Frank foi aberta em 3 de maio de 1960. Composta pelo armazém e os escritórios da Opekta e o Anexo Secreto, os cômodos estão todos sem mobília para que os visitantes possam andar por eles. Algumas relíquias pessoais dos antigos ocupantes permanecem, como fotografias de estrelas de cinema colados por Anne Frank em uma das paredes.
Em 2014, o local tornou-se uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, recebendo mais de 1 milhão visitantes. Desde então, o museu oferece exposições que já viajaram para mais de 32 países na Europa, Ásia, América do Sul e América do Norte. A fundação defende a luta contra o antissemitismo e o racismo e publica um relatório anual no qual são estudadas as atividades atuais dos racistas e da extrema direita.
Mais informações:
Espetáculo "Anne Frank". Nesta sexta (27), às 20h, no Teatro Celina Queiroz da Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). Gratuito. Contato: (85) 3477.3033
Diário do Nordeste

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