Agora, escritores e editoras têm até o dia 29/05 para submeter suas obras ao prêmio literário
Na semana passada, o grupo Juntos pelo Livro, que reúne mais de uma centena de editores, enviou carta à Câmara Brasileira do Livro (CBL) pedindo mais prazo e diminuição das taxas de inscrições no Prêmio Jabuti, que em 2020 chega a sua 62ª edição. A CBL resolveu conceder mais prazo e, agora, os interessados em participar das 20 categorias do prêmio têm até às 18h do dia 29 de maio para se inscrever. Sobre a redução dos valores das inscrições, a CBL disse que não será possível mexer. “Ao disponibilizar o regulamento, a organização do Prêmio assume, com editoras e autores inscritos, o compromisso com as condições previamente estabelecidas, o que torna, no momento, inviável uma alteração nestes preços”, diz o documento. A entidade lembra ainda, em sua resposta, que o valor das inscrições não foi corrigido nas últimas quatro edições e que, há dois anos, houve um aumento no valor da premiação para os vencedores. Lembra ainda que a plataforma de inscrições permite o parcelamento em até três vezes no cartão de crédito. Podem concorrer ao Prêmio Jabuti obras inéditas com ISBN e Ficha Catalográfica, impressas ou digitais, publicadas em língua portuguesa no Brasil, em primeira edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2019. Clique aqui para conferir o regulamento e aqui aqui para fazer a inscrição.
A Ria Livraria lança no dia 1/05 a 'Revistaria', revista eletrônica com textos inéditos de escritores, além de entrevistas e ilustrações
Em tempos de pandemia, isolamento social e incertezas, o que acontece com os espaços que se estruturam em cima dos encontros pessoais? Partindo deste pensamento, Morgana Kretzmann, escritora, atriz e produtora cultural da Ria Livraria da Merça; Ian Uviedo, escritor e livreiro; e Marcos Benuthe, dono da Ria Livraria e da Mercearia São Pedro se uniram para criar a Revistaria. Partindo do princípio do pensamento livre, a Revistaria será uma revista literária, cultural e boêmia, que será lançada virtualmente no dia 1º de maio com textos inéditos de escritoras e escritores, além de entrevistas e ilustrações. “Uma revista que seja o equivalente eletrônico de uma conversa de bar: espaço de experimentação, afeto e criação”, explicam os organizadores. Assim que a pandemia passar, e a Ria Livraria voltar as suas atividades normais, a revista, com todas as suas edições, será impressa e estará disponível no local. A partir desta sexta-feira (1º), a revista estará disponível pelo site www.revistaria.net.
A programação online está bombando durante o período de quarentena. Museus, artistas e outros equipamentos culturais encontraram na internet uma forma de promover entretenimento. Pensando nisso, a Fundação Memorial Padre Cícero, localizada no Centro de Juazeiro do Norte, realiza visita virtual gratuita ao museu nas terças-feiras via Instagram.
A atividade é mediada pela presidente da instituição, Cristina Holanda, e conta com quatro episódios sobre a história da importante figura do Cariri cearense. De acordo com Cristina, a ideia partiu da Secretaria da Cultura do Município e foi uma forma de apresentar a mais recente exposição de longa duração do Museu, inaugurada em setembro de 2019 e com a curadoria da presidente, Claudinei Silva, Karla Lima, Yorrana Gonçalves, Mateus Quintans e Lis Cordeiro.
Os dois primeiros episódios da série já foram lançados e apresentam linha do tempo da trajetória do ‘Padim Ciço’. O vídeo de estreia mostra a obra “Padre Cícero: eterna inspiração” do artista plástico conterrâneo Marcus Jussier. Em 10 quadros, é retratado momentos da vida do sacerdote do nascimento à morte.
Quadro de Marcus Jussier que compõe a obra: "Padre Cícero: Eterna Inspiração"
Foto: Augusto Pessoa
O segundo apresenta essa jornada dividida por temas e elaborada pela equipe da Instituição por meio de objetos e peças histórias do acervo do Museu. Os episódios três e quatro serão lançados nos dias 5 e 12 de maio, respectivamente.
“No próximo vídeo, vamos apresentar três eixos temáticos: as representações sobre o Padre Cícero; a Beata Maria de Araújo; e a renovação do Sagrado Coração de Jesus, uma prática religiosa muito forte aqui no Juazeiro que foi ensinada pelo Padre Cícero”, adianta Cristina. O quarto, por sua vez, traz outros três eixos: a história de Juazeiro por meio do mobiliário; a Guerra de 1914; e cantinho sensorial.
No Museu, é possível ver artigos pessoais do Padim Ciço, como seu cajado e uma réplica do chapéu
Foto: Rosângela Menezes
“Caso a quarentena se prolongue, a nossa ideia é mostrar posteriormente o acervo da biblioteca, que é o acervo técnico de material, e pode ser uma excelente oportunidade para outras pessoas conhecerem”, revela Cristina, que não descarta uma próxima série apresentando os outros espaços da Fundação.
O projeto conta ainda com interpretação em libras realizada pelo Centro de Libras da cidade como forma de tornar a experiência mais acessível.
De acordo com a presidente, a recepção do projeto tem sido bem positiva. “Os moradores que não tinham ido visitar a nova exposição estão encantados em conhecer, saber mais detalhes da vida de Padre Cícero. Além disso, temos a oportunidade de levar a mostra para outros lugares”, comemora.
A ação faz parte da programação do projeto +CulturaemCasa, realizado pela Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, que promove diariamente atividades culturais, como dicas de leitura e cursos profissionalizantes gratuitos.
Existem os dias que foram, os que gostaríamos que fossem e os que estão sendo
Recomeço é a única certeza da vida além da morte (Nathan Dumlao/ Unsplash)
Ricardo Soares*
Mexendo nos guardados, boa terapia mas cheia de ácaros nos tempos de quarentena, dou de cara com uma crônica do saudoso Lourenço Diaféria publicada em 23 de dezembro de 1993 no finado Diário popular de São Paulo. Nela o cronista nos diz que sua vida havia lhe ensinado que existem três tipos de Natal. “Existe o Natal que foi. Existe o Natal que gostaríamos que fosse. E existe o Natal que está sendo”.
Lourenço Diaféria não chegou a viver até essa pandemia mas podemos adaptar seu raciocínio aos tempos que correm: existem os dias que foram. Existem os dias que gostaríamos que fosse. E existem os dias que estão sendo. Os dias que estão sendo são, todos eles, aprendizados quase brutais porque podemos enxergar até belos horizontes mas não podemos ir até eles sem nos sentirmos ameaçados pelo vírus implacável. É como se houvesse ali no fim do arco-íris o pote de ouro, mas não pudéssemos alcança-lo. É a utopia que está ali na próxima esquina, no balcão da padaria onde tomávamos café e pão com ovo, na mesa da calçada de um bar de sábado a tarde tomando cerveja com torresmo com os amigos. Tudo ficou tão longe embora perto.
Os dias que estão sendo são realistas, crus, implacáveis. No ensinam que o clichê de que é ruim ficar no passado e não se pode prever o futuro é mais do que realidade. É o que nos resta. Um dia de cada vez, nem ilusório, nem festivo, mas o que temos à mão. Afagando nossos cães e gatos, tentando ser compreensivo com aqueles que dividem o cativeiro – ops, quarentena – com a gente com suas manhas e manias. Aprendendo mais que nunca a conviver com os defeitos e qualidades daqueles que nos cercam. Com isso, talvez, não mudemos o mundo, mas mudamos de assunto. O que não era importante passa a ser.
Já os dias que foram esses foram mesmo e não voltam. Os guardamos como relíquias, espinhos, alentos e desalentos. Talvez nos sirvam para alguma coisa. Para que nos tornemos melhores, mas nem tanto. Os dias passados não vão mudar o mundo. Do riso ao pranto passaram, mas podem sim nos ensinar. De que o recomeço é a única certeza da vida além da morte. Depois da queda, depois do espanto, depois do aclive, do declive lá estará em todas as conjugações o verbo recomeçar.
Nossa sensibilidade e circuncisão de coração, ouvidos e mente, a partir de Jesus de Nazaré, nosso bom caminheiro e andarilho, é a de que o reconheçamos, agradecidos, como companheiro e amigo em nosso sonho, arrancada ou peregrinação, na busca de justiça e verdadeira paz. No desânimo, na acídia ou mesmo no abatimento, em nossos desertos da vida, temos a mão afável e solidária do bom irmão e companheiro de caminhada, o filho do operário-carpinteiro de Nazaré e de Maria.
Jesus de Nazaré, que nos foi dado por Deus Pai, sendo a nossa paz (cf. Mq 5, 5), quer que nós, seguidores e companheiros, sejamos desafiados a testemunhá-lo, com sua viva presença na Igreja e no mundo atual, nos estigmas de dores e sofrimentos. Ele mesmo nos assegura o segredo da vida, dizendo-nos que chegou a hora de iniciarmos seu projeto de salvação, pondo-nos a caminho da felicidade eterna, como no seu próprio exemplo oferecido, indistintamente, de amor e compaixão para com todos.
Os discípulos, na experiência da ceia eucarística, embora não soubessem ainda que era Jesus de Nazaré que tinha caminhado com eles, sentem a necessidade de sua presença amiga e de sua companhia. Daí prevalece a afetuosa e sólida expressão, que deve ser também nossa: "Fica conosco, Senhor!". "O Senhor ficar conosco" quer dizer que temos de acolher sua esperança proclamada naquele duelo triunfante, estando muito acima e indo além da esperança terrena. Evidentemente, ela será abundante e terá sua plenitude e esplendor na glória de Deus, nos tempos infinitos.
A presença do Senhor ressuscitado, o bom andarilho, transforma o desânimo daqueles dois discípulos de Emaús no alegre entusiasmo, na contumácia restaurada e na comunhão com o próprio Cristo Senhor, na mesma comunhão, da qual, nesta assoladora pandemia, somos privados temporariamente; o que nos alimenta é a resoluta e tenaz esperança em Deus, que muito em breve o teremos na presença do pão partilhado. Assim seja!
*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).
Sétimo episódio do ColabPublishNews traz a experiência de Cassia Carrenho e Raquel Menezes que têm conseguido realizar eventos virtuais que convertem em vendas de livros
Com as medidas de isolamento, pipocaram lives e encontros virtuais. O PublishNews inclusive criou uma página onde estão reunidos muitos desses eventos. Os grandes artistas conseguiram monetizar suas lives que reúnem milhares de pessoas, vendendo espaços publicitários e merchands. Mas e os editores? Como eles podem conseguir levantar algum dinheiro dessas lives e eventos virtuais? Esta é a principal pergunta que Leonardo Neto, editor do PublishNews, deverá fazer para Cassia Carrenho (LabPub) e Raquel Menezes (Oficina Raquel) no sétimo episódio da ColabPublishNews, série do PublishNews que busca apresentar soluções que podem minimizar os efeitos da pandemia na economia do livro. A conversa será transmitida pela página do PublishNews no Facebook logo mais, às 14h. Depois, o conteúdo estará disponível na PublishNewsTV e também nos aplicativos de podcast: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.
A pedagoga Sany Rios encontrou na internet uma forma de encurtar a distância física e amenizar a saudade dos pequenos, para quem lê livros desde quando estavam na barriga da mãe
Contar histórias para ninar os filhos é um hábito repassado de geração a geração. Com o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, pais têm se reinventado para manter os pequenos entretidos durante o período e, às vezes, acabam contando com a tecnologia.
A leitura está presente na vida da pedagoga Sany Rios há bastante tempo e, desde que se tornou avó, usa a ferramenta como ponte de conexão com os netos.
A cearense, que mora no município de Cascavel, é avó de Lucca, de 4 anos, e Clara, de 1 ano, e mantém o hábito de contar histórias para os dois desde que estavam na barriga da mãe, Nayanne. Com a quarentena, viram a rotina de leitura interrompida e a crescente saudade das narrativas por parte do neto.
Nayanne, o marido e os filhos moram em Fortaleza e, para diminuir a distância física, faziam ligações virtuais com Sany. “Durante uma chamada de vídeo, ele chorou querendo que eu contasse histórias para eles. Nós já estávamos há algumas semanas sem contato físico”, conta a avó. A professora começou então a gravar em vídeos as tais historinhas que tanto acalentava os netos.
Ao lado dos netos, antes da determinação de isolamento social, Sany costumava ler histórias para eles
Arquivo pessoal
“Acabou que foi ganhando uma dimensão que eu não imaginava, porque minha filha e minha irmã compartilharam com os colegas dos meninos e as mães começaram a me pedir mais”. Para manter a qualidade dos vídeos e promover entretenimento educativo para mais crianças, Sany resolveu criar um canal no YouTube com a ‘brincadeira’, em que faz publicações duas vezes na semana.
A produção é inteiramente caseira e os vídeos têm como pano de fundo o quintal esverdeado do sítio onde Sany mora. Para gravar, um tripé, o celular e muita disposição. A ideia da pedagoga é tornar a experiência o mais natural possível, por isso não faz nenhuma edição das gravações.
“Não quero mostrar como uma coisa perfeita, para que os pais se sintam encorajados para também fazerem em casa”, explica.
O cenário ajuda a transformar a experiência, já que é possível ver o balançar das árvores com o vento e o voo dos pássaros ao redor. É um mergulho no reino mágico dos livros e da natureza.
RELEVÂNCIA
Na plataforma, a especialista em Leitura apresenta livros de autores que compõem a Literatura Brasileira, a exemplo de Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Sylvia Orthof e também escritores cearenses como Elvira Drummond. Além de produções autorais, como “Solzinho e a surpreendente missão do menino árvore”, escrita por ela e Míria Espíndola.
É com essa proposta lúdica que Sany quer promover a importância da leitura infantil. “As crianças precisam entender que ler é divertido, ler também é brincar, quero mostrar que o livro é também um brinquedo, um objeto mágico e acredito que por isso os pais simpatizam muito com minha ideia”, aponta.
Apesar da ludicidade, Sany não aposta em muitos artifícios para capturar a atenção das crianças e não cair na dramatização. Sem gesticular e apenas com expressões faciais marcantes, a evidência fica para os livros, companheiros fixos nos vídeos, e para as ilustrações das obras. “A minha única função é de ser ponte entre a criança e o texto literário”.
Para Sany, a leitura estimula a criatividade infantil. “Acredito que não há nenhum outro gênero tão bom para formar um leitor como a literatura, o texto literário é artístico, tem nas suas entrelinhas uma riqueza de possibilidades muito ampla”, explica.
CONEXÃO AFETIVA
Além dessa relevância do conhecimento, a contação de histórias promove uma conexão entre crianças e adultos. De acordo com Sany, quando há essa união, há uma maior facilidade para que conversas e brincadeiras aconteçam, o que estabelece a confiança. “A proposta do canal é justamente que a contação de história seja esse elo afetivo, não só para que os pais acompanhem, mas que contem e recontem as próprias narrativas”.
Sem a possibilidade de contato direto, Sany estreita a distância compartilhando leitura de historinhas infantis
Arquivo pessoal
A filha Nayanne acredita que esse hábito da mãe foi uma forma que ela encontrou de comunicar o amor. “É um meio de trazer conhecimento e até ensinar lições de vida paras as crianças. Quando eu engravidei, ela já ficou imaginando quantas possibilidades de livros e histórias ela poderia contar pra ele. Ele sempre ficou muito vidrado, era um momento ímpar”, lembra.
Agora, por enquanto, esse carinho é repassado pelas telas, mas sem deixar a magia acabar.
Mais de duzentos incunábulos, os livros impressos com tipos ou carácteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. As obras são dos séculos XV e XVI
Vatican News
Manuscrito da Divina Comédia
Os incunábulos, livros impressos com tipos ou caracteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. Parte da catalogação dos 206 incunábulos, impressos entre a metade do século XV e o ano de 1500, pertenciam aos monges beneditinos de Subiaco. O projeto é coordenado e dirigido pela Biblioteca Nacional Central de Roma, em colaboração com o Consórcio Europeu de Bibliotecas e o Mosteiro Beneditino e será financiado pela Fundação Polonsky.
A iniciativa, organizada em módulos, concentra-se em pequenas coleções públicas, privadas e eclesiásticas, espalhadas pelo território italiano que conservam acervos de extraordinária preciosidade e raridade e requerem particular atenção para sua tutela, conservação e utilização.
Onze bibliotecas de mosteiros no projeto
Além do Mosteiro de Santa Escolástica a fase inicial do projeto contará com a participação das abadias de Santa Justina, Praglia, Montecassino, Farfa, S. Nilo em Grottaferrata, Casamari, a Certosa de Trisulti, a Abadia de Cava dei Tirreni e o Oratório dei Gerolamini de Nápoles. São as 11 bibliotecas anexadas aos monumentos nacionais que foram retidas no final do século XIX pelo Estado Italiano depois da lei de confisco e que agora pertencem ao Ministério dos Bens Culturais e Turismo.
Leitura obrigatória para os monges
No site do Mosteiro de Santa Escolástica, lê-se que desde a redação da “Regra” de São Bento, foi imposto aos monges “a leitura tanto privada quanto comunitária, principalmente em particulares momentos do ano litúrgico. Portanto era necessário um lugar para conservá-los, mas em Santa Escolásticas não ficou nenhum sinal desta prática”. No final de 1100, o abade João V, amante da cultura, criou um “Scriptorium” na estrutura, para o qual chamou miniaturistas de grande fama de mosteiros italianos e estrangeiros.
Entre as várias comissões recorda-se a do “Sacramentarium Sublacense”, hoje conservado junto da Biblioteca Vallicelliana de Roma. No final de 1300 a biblioteca de Santa Escolástica contava com 10 mil livros, muitos dos quais foram perdidos com o passar dos séculos. Em 1465 sob iniciativa de dois clérigos o Mosteiro tornou-se sede da primeira tipografia italiana e aqui em 29 de outubro foi impresso o primeiro livro italiano no chamado “estilo Subiaco”.
No século XIX os livros foram confiscados pelo Estado Italiano e, como outros bens do mosteiro, colocados em leilão. Depois Santa Escolástica tornou-se um Monumento nacional. Hoje é Biblioteca Estatal e conta com 100 mil livros, 3780 pergaminhos, 15 mil documentos do ano de 1500 em diante, 440 códigos manuscritos e mais de 200 incunábulos, dos quais apenas 3 impressos em Subiaco.
Os promotores da iniciativa
Quem são os promotores do projeto? O Consortium of European Research Libraries, é uma entidade de pesquisa para a criação de instrumentos para o estudo de livros antigos impressos e manuscritos, enquanto que a Fundação Polonski dedica-se em investir em programas filantrópicos com objetivos de conservação, valorização e livre utilização das heranças históricas e dos patrimônios culturais e ao democrático acesso ao conhecimento e ao saber. O projeto de digitalização dos incunábulos das bibliotecas monásticas na Itália foi encaminhado em 2018.
O festival Literatura em Viagem (LeV) deste ano vai acontecer online, através das redes sociais do evento e do município de Matosinhos, contando com as participações de escritores como Isabel Allende, Héctor Abad Faciolince e José Eduardo Agualusa.
LeV decorre entre 13 e 17 de maio nas páginas de Facebook da Câmara Municipal de Matosinhos, da Biblioteca Municipal Florbela Espanca e do próprio festival literário, tendo como tema "Volta ao mundo em 80 viagens", segundo comunicado da autarquia.
Para além da chilena Isabel Allende, a autarquia de Matosinhos anunciou hoje também Alexandre Quintanilha, Ana Luísa Amaral, David Machado, Gonçalo M. Tavares, Joana Amaral Dias, José Luís Peixoto, Matilde Campilho, Pedro Abrunhosa, Gonçalo M Tavares e Ondjaki.
"Nos próximos dias serão anunciados mais autores estrangeiros, fazendo desta edição do LeV uma das mais internacionais de sempre", adiantou a câmara municipal.
Nos dias 13, 14 e 15 de maio haverá quatro sessões diárias (17h00, 18h00, 19h00 e 22h00), enquanto nos dias seguinte serão cinco momentos por dia.
Paolo Giordano escreveu "A matemática do contágio", que foi lançado em 25 países, inclusive no Brasil. Também roteirista, ele prepara série com Alice Braga
No último dia 26 de fevereiro, o jornal Corriere della Sera publicou o artigo A matemática por trás do contágio, do escritor Paolo Giordano, conhecido no Brasil por obras como A solidão dos números primos e O corpo humano.
O texto foi compartilhado 3,5 milhões de vezes e passou a ser considerado determinante para mudar a opinião pública italiana a respeito da gravidade do surto de coronavírus, então em suas primeiras semanas no país europeu, que acabou se convertendo no segundo epicentro da pandemia - depois da China.
Oficialmente, a Itália só entrou em quarentena em 9 de março. Naquele momento, havia 10 dias que Giordano estava fechado em sua casa, em Roma. Em 29 de fevereiro, ele tinha dado início ao seu novo livro.
No contágio é um ensaio em que o autor de 38 anos, doutor em física e um dos jovens romancistas mais prestigiosos de seu país descreve seus pensamentos e angústias frente à pandemia.
Publicado na Itália no fim de março, em menos de um mês o livro já foi lançado em mais de 25 países, em 30 idiomas. No Brasil, o ensaio sai pela editora ítalo-brasileira Âyiné. Por ora, somente no formato digital. Assim que for possível, também em livro.
“O que os escritores têm que fazer é lembrar às pessoas que elas continuam sendo únicas”, afirma Giordano, na entrevista a seguir ao Estado de Minas.
No contágio é a primeira publicação literária da Itália sobre a pandemia e também uma das pioneiras em todo o mundo. É urgente que a literatura trate da questão?
Sim, porque acho que a literatura vai lidar com o coronavírus de diferentes maneiras, seja em histórias ou ensaios. Quando eu, rapidamente, escrevi No contágio, pensei que as pessoas precisavam de informações claras, mas também de informações que pudessem construir um elo de sensibilidade, especialmente quando você está machucado, confuso e com medo. Eu vi na Itália, mas acredito que isto ocorra em todo lugar: é difícil encontrar o seu lugar no meio do discurso comum. Estamos tão focados na questão emergencial que não há espaço, neste momento, para discutir de onde a epidemia veio e o que devemos fazer no futuro. Acho que este é o lugar da literatura agora.
No início do ensaio, você escreveu que não quer perder o que a epidemia está revelando sobre nós mesmos. Que aspectos positivos e negativos sobre a humanidade já foram revelados desde então?
Para mim, uma surpresa positiva foi a disciplina das pessoas, como a população está pronta para reagir e se sacrificar para proteger sua comunidade e os mais vulneráveis. Por outro lado, há questões preocupantes. Uma, é claro, é a forma descrente com que vários países estão vendo os acontecimentos. Depois que o livro foi lançado na Itália, por exemplo, o seu presidente ainda estava acreditando na ideia de que a pandemia não é grande coisa. Ele foi o último de uma longa lista de governantes que tiveram a mesma opinião. E há outra coisa: somente agora percebemos que sempre colocamos a economia e o lucro em primeiro lugar. Fica parecendo que não podemos pensar de maneira diferente. E estamos pagando por isso, porque não conseguimos pensar de outra maneira quando foi necessário.
Qual é a responsabilidade de um escritor neste momento?
Há uma grande necessidade de significado. As pessoas estão perdidas, com medo, então precisam de sentido. Há muito espaço para os escritores oferecerem tanto isso quanto também consolo. Há uma necessidade real de conexão. Estamos lidando com medidas muito pesadas, e o vírus trata todos da mesma maneira. Todos precisamos ficar confinados, ainda que este momento seja diferente para cada um. O que os escritores têm que fazer é lembrar às pessoas que elas continuam sendo únicas. Cada um tem sua própria história, seus problemas e preocupações. Então, não podemos perder a ideia sobre nossa singularidade. E um escritor pode fazer isso, ainda mais porque os governos e instituições estão muito ocupados lidando com a situação em geral.
Stephen King afirmou recentemente que os romancistas terão que repensar seus trabalhos diante dos acontecimentos. Concorda com isso?
É verdade, ele está completamente correto. Fiquei mais tranquilo em não estar com um romance em andamento quando tudo começou. Fosse de outra maneira, eu estaria com um grande problema em mãos, pois o que estamos passando nos força a repensar tudo. Pensar hoje em algo de dois meses atrás me parece tão distante. Vejo comerciais que foram produzidos antes de tudo e aquelas pessoas fazendo coisas comuns na TV me parecem como uma janela do passado. Como podem fazer isso? (Quando acabar) Terei que recomeçar com uma cabeça totalmente diferente. E vou levar muito tempo para encontrar um novo caminho.
O que os brasileiros deveriam aprender com os italianos diante dos acontecimentos?
É difícil falar para quem está de fora, mas o que todos têm problema para entender é que estamos na mesma linha do tempo. A Itália, de alguma maneira, está no futuro em relação aos outros países. Mas o que aconteceu conosco tem que ter o interesse do mundo todo. Temos que cooperar, todos. No último mês, o Brasil foi na posição contrária, assim como outros países. No livro, menciono a questão dos incêndios na Amazônia – esse é apenas um exemplo. Lembro que a resposta à questão foi: “Ok, a floresta é nossa. Não mexa com o nosso negócio”, enquanto o resto do mundo expressava sua preocupação com o que ocorria. Este é exatamente o tipo de atitude que temos que mudar. Os acontecimentos nos mostram que a saúde, a segurança do mundo são uma preocupação que concerne a todos, em qualquer lugar.
Qual é a primeira coisa que quer fazer quando estiver “livre”?
Ir a um restaurante na praia. Penso muito sobre isso. A costa é muito perto de Roma, não mais do que meia hora de carro. E a última vez que saí, livre, foi em fevereiro, quando fui a esse restaurante almoçar. Como foi a última coisa que fiz, quero que seja a primeira na volta. Mas terei que esperar mais.
Trecho
“Quando eu estava no ensino médio, houve várias manifestações contra a globalização. Só participei de uma delas e fiquei decepcionado. Não conseguia entender por que estávamos nos lamentando, tudo era abstrato demais, muito genérico. Para ser sincero, gostava da globalização, visto que prometia música excelente e boas viagens.
Ainda agora, quando digo ‘globalização’, fico confuso diante de uma ideia vaga e multiforme. Mas consigo pelo menos intuir seu esboço, seus efeitos colaterais a desenham. Por exemplo, uma pandemia. Por exemplo, a nova forma de responsabilidade estendida, da qual nenhum de nós pode mais escapar.
Realmente, ninguém. Se os seres humanos que interagem uns com os outros estivessem ligados com traços de caneta, o mundo seria um gigantesco rabisco. Em 2020, até o eremita mais rigoroso tem sua cota mínima de conexões. Vivemos em um gráfico muito, mas muito conectado com a matemática.
O vírus corre ao longo dos traços da caneta e chega a qualquer lugar. Aquela meditação abusada de John Donne, ‘nenhum homem é uma ilha’, assume no contágio um novo e obscuro significado.”
SÉRIE SOBRE O DESEJO
Romance mais conhecido de Giordano, A solidão dos números primos (Rocco, 2009) foi adaptado para o cinema em 2010 por Saverio Costanzo. O roteiro foi do próprio escritor. Giordano também roteirizou a série Who are who we are, produção da HBO em fase de finalização dirigida por Luca Guadagnino (Me chame pelo seu nome). Na história, dois adolescentes norte-americanos crescem numa base militar dos EUA na Itália. A brasileira Alice Braga está no elenco, como a mãe de um dos jovens. “É uma série delicada, e em boa parte das vezes falta sutileza às produções do gênero, especialmente aquelas que falam de jovens. Esta é muito verdadeira, fala sobre o desejo, e como ele sempre escapa das certezas que temos sobre nós mesmos”, diz Giordano.