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Contadores de histórias seguem encantando nas redes sociais

Contadores de histórias promovem eventos lúdicos nas redes sociais para aproximar pais e filhos por meio da literatura. E dão dicas de como usar os livros como diversão nesses tempos de isolamento

Psicopedagoga, Viviane conta histórias fazendo lives durante a quarentena para ajudar pais e crianças nesse momento de isolamento social (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
Psicopedagoga, Viviane conta histórias fazendo lives durante a quarentena para ajudar pais e crianças nesse momento de isolamento social (Foto: Thais Mesquita/O POVO) (Foto: Thais Mesquita)
"A poesia está guardada nas palavras". E as brincadeiras também. Transmitidas pela fala, pela espontaneidade dos gestos ou pela simplicidade de olhar nos olhos de quem escuta, o hábito de contar histórias, além de despertar o lúdico e a imaginação em adultos e crianças, adquire um novo significado em um momento marcado pela brusca interrupção na rotina e a consequente maior proximidade entre familiares no espaço doméstico. Nesse período, diversas iniciativas online têm incentivado a escuta e a narração de histórias por meio de transmissões ao vivo, como forma de entreter as famílias durante a quarentena e também preencher os vazios da rotina com encantamento e imaginação.
Para Elisabete Pacheco, contadora de histórias e produtora cultural, a contação de histórias surge como forma de estreitar vínculos entre filhos e pais e recuperar a leveza esquecida nos dias mais agitados. "Às vezes a gente tende a ficar paralisado com tantas notícias que assustam, e a gente precisa de uma válvula de escape no meio disso tudo. Por que não a arte, a música a dança, a literatura? Contar histórias e unir a família cria laços entre as pessoas, as histórias nunca mais são as mesmas depois que nos são contadas pelos nossos pais", pontua. Para ela, o momento é propício para despertar a imaginação, aguçar os sentidos e trazer serenidade para a vida por meio das palavras. "A arte pode fazer muito. Especialmente nesse momento de pandemia, ela também pode nos salvar", pontua.
Para o cearense Almir Mota, escritor de literatura infantil, os melhores livros para crianças pequenas são os que contém imagens. "Isso dá liberdade para a história, para que os pais também imaginem desdobramentos e criem novos enredos a partir das figuras. Além da criança se divertir, o contador se diverte também", conta. Ele defende que, mesmo sem muita experiência com os livros, qualquer pessoa pode se tornar um narrador ou narradora para seus filhos. "Os contadores profissionais trabalham o tempo todo fazendo isso, mas todos nós, em geral, já nascemos com essa capacidade de contar. Além disso, todos somos capazes de inventar uma boa história a partir de coisas simples, faz parte da nossa essência", elucida.
Nas últimas semanas, narradores de diferentes partes do País têm usando seus perfis no Instagram para fazer lives interativas e lúdicas, contando histórias com o objetivo de divertir, mas também educar e informar. Diariamente, a psicopedagoga cearense Viviane Paiva convida pais e filhos para interagir e ouvir histórias de autores infantis clássicos como Ruth Rocha e Ana Maria Machado. "Existem técnicas para ajudar na contação de histórias, como a postura e a entonação da voz. Mas acho legal que quem queira começar a vivenciar essa arte leve sua essência, algo seu. A minha experiência tem mostrado que o improviso também faz parte e a interação com as crianças enriquece ainda mais esses momentos", pontua.
Viviane explica que é interessante utilizar diferentes recursos que possam criar um espaço de acolhimento e dinamicidade para as crianças. "Sempre são bem vindos adereços coloridos, os brinquedos podem fazer parte da contação, além de objetos improvisados do dia a dia, como uma colher de madeira, uma almofada", explica. As transmissões em seu perfil no Instagram (@pedagogia_vivipaiva) tem início sempre às 16 horas. "É gratificante para mim perceber que os adultos também estão curtindo com suas crianças esse momento, participando, interagindo e ajudando nas divulgações. E vejo que isso ajuda a amenizar essa tensão que estamos vivendo durante esse tempo de isolamento", comenta.
Para além das contações de história no ambiente virtual, o escritor Almir Mota lembra que o tempo de quarentena também pode ser aproveitado para usufruir dos livros que as famílias já têm em casa. "Não nos esqueçamos das nossas estantes de livros, imagine se não tivéssemos a internet nesse momento? Eles seriam nossa única opção. Então é hora de tirar a poeira das páginas, reler nossas histórias, descobrir outras novas. Livro na mão é também uma excelente dica para quem tem essa possibilidade à disposição", conta.
Na hora de dormir, após o almoço, durante a manhã ou antes da soneca da tarde, Viviane explica que o melhor horário para as narrações deve estar sempre de acordo com a realidade de cada família. "Sempre achei que a contação de história também ajuda a unir as pessoas. Podemos todos buscar momentos de vínculos afetivos com nossas crianças a partir de um momento, como a narração de uma história, ou cuidando de uma planta, fazendo um bolo, permitindo a criança fazer o que ela já é capaz de fazer. Isso traz ganhos em vários aspectos, além dos sociais e emocionais", conclui Viviane, que estuda educação inclusiva.

Dicas de livros para ler em família, por Elisabete Pacheco:

Contos de espanto e alumbramento (2005), de Ricardo Azevedo
A volta ao mundo em 52 histórias (1998), vários autores
Guerreira Invisível e outros contos (2014), de Julia e Nicia Grillo
A zebra Camila (2000), de Marisa Nunez
A verdadeira História dos três porquinhos (1989), de Jon Scieszka

Contação de histórias no Instagram:

- Viviane Paiva (pedagogia_vivipaiva)
Todos os dias às 16 horas
Flávia Scherner (@fafaconta)
Segundas, quartas e sextas, às 10h30min. Terças e quintas, às 16h30min
Carol Levy (@carollevy)
De segunda à sábado, às 11h30min e às 20 horas 
Emília Nuñez (@maequele)
Todos os dias às 11 horas
Marina Bastos (@marinabastoshistorias)
Todos os dias às 12h30min
Camila Genaro (@camila.genaro)
Todos os dias às 15 horas
O Povo

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