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Choram porque amam

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Padre Geovane Saraiva*
Como é bom rezar e colocar em primeiro lugar o mistério da redenção! Nem sempre, porém, sabemos rezar e nem deve ser nossa maior preocupação. Ficamos com nossos lábios, mente e coração empedernidos, mas mesmo assim voltamo-nos para Deus na nossa pequenez e pouca inspiração, na persistência, simplicidade e singeleza, do mais íntimo do coração, com nossa alma atenta e aberta, diante do absoluto de Deus. Ficamos em silêncio, sim! Silêncio este, de tal modo luminoso e restaurador, a ponto de nosso coração mergulhar e se envolver, atento, nos sinais da presença de um Deus todo terno e afável, que está a nos atender e a nos escutar.

Deus mesmo quer que todos parem diante da liturgia da Semana Santa, que tem seu início no Domingo de Ramos. É quando os sacerdotes, ministros da Igreja, ficam cingidos com uma toalha para lavar os pés de irmãos e irmãs de suas comunidades, na Quinta-Feira Santa, por ocasião da missa da Ceia do Senhor. Já na Sexta-Feira da Paixão o sacerdote, presidente da celebração, prostra-se diante do altar, num gesto inexprimível e grandioso no simbolismo, em reverência, humildade e penitência.

Na riqueza do Evangelho de Jesus, nestes tempos de pandemia, devido ao coronavírus, somos chamados, de um modo solidário, a buscar o remédio eficaz aos males dolorosos, os quais interferem, de um modo devastador, o convívio humano. Voltemo-nos ao nosso Deus, com quem seu povo fiel conviveu. Observemos a condenação, o calvário, a crucifixão e a morte de Jesus, cumprindo-se, assim, aos seguidores de Jesus de Nazaré, contemplar, comovidos e sensibilizados, o verdadeiro e único caminho – o da vida –, na radicalidade do desprendimento, revestidos do manto da justiça, da reconciliação e da paz. Deus propõe dignidade a seu povo, vendo, nas estigmas de Jesus e suprema dor, o duelo forte e mais forte da vida que vence a morte, a esperança da humanidade.

As pessoas choram, porque sofrem pelas contrariedades, pelo desespero e pelas decepções; choram, também, porque se sentem felizes e porque amam. Eis alguns dos nossos sentimentos. Lágrimas são frutos dos dons e das graças divinas. Eles se externam e se manifestam pela bondade de um Deus que assume nosso viver antagônico e paradoxal, lá de dentro, do mais íntimo do íntimo. Com Dom Helder, digamos: “Que eu possa aprender, afinal, a cobrir de véus o acidental e o efêmero, deixando em primeiro plano, apenas, o mistério da redenção”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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