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Leituras no tempo da peste

Se lêssemos muito mais não estaríamos nessa esparrela histórico sendo 'desgovernados'
Ler é o melhor remédio
Ler é o melhor remédio (Unsplash/ freestocks)
Ricardo Soares*
No momento em que vos escrevo essas linhas navego bem perto do golfo do Sião na Linha de sombra de Joseph Conrad mas também estou numa infecta mina de carvão do século 19 no interior da França conduzido por Émile Zola em Germinal enquanto também passo por Noites antigas do Egito antigo na ótica de Norman Mailer e vou para uma ilha bem grande no mar do Caribe retratada por V.S.Naipaul em Os mímicos. Arremato com pensatas pertinentes nesses tempos bicudos escritas por Maurizio Lazzarato em Fascismo ou revolução? e me deixo levar pelo aterrorizante imaginário de Stephen King em A metade negra que está muito longe da poesia de Manoel de Barros nas suas Memórias inventadas e ainda mais longe da Luanda de Pepetela registrada em Se o passado não tivesse asas . Pepetela que por sua vez conheci na capital angolana e se tornou mais próximo de meu amigo Sérgio Túlio Caldas autor do oportuno Água – Precisamos falar sobre isso .
Este foi o jeito que arrumei para lhes dizer como está sendo minha proveitosa quarentena literária. Já tinha pensado em escrever algo a respeito e me convenci porque essa também me foi a sugestão dada pelo prezado Ben-Hur Demeneck, escritor e professor paranaense que recém chegado a São Paulo não está podendo desfrutar das benesses da metrópole em virtude do confinamento a que muitos de nós estamos submetidos.
A lista de leitura deve se somar a tantas outras milhares de sugestões que vemos todos os dias na internet sobre como podemos desfrutar de nosso tempo. Não tenho a menor pretensão de fazer amigos e influenciar pessoas com as minhas modestas dicas mas apenas reforçar que se antigamente a revista Seleções dizia em uma coluna que rir era o melhor remédio eu posso lhes garantir que nesses tempos, Netflix a parte, “ler é o melhor remédio”. Você viaja sem sair de casa, você abraça um mundo que não conhece e não conheceu, você vai para o futuro, enxerga múltiplas variantes do passado. E a essa altura ainda comete uma tremenda malcriação com o Bozonazi que é completamente avesso ao conhecimento. Ler é afrontar a besta, ter argumentos para engrossar o coro dos descontentes e ter a certeza de que se lêssemos muito mais não estaríamos nessa esparrela histórico sendo “desgovernados” por um estúpido terminal na pior crise sanitária desde a gripe espanhola há um século. Vamos ler por favor.

*Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista. Publicou 8 livros , dirigiu 12 documentários.

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