30 de junho de 2020

Morre Carl Reiner, ator de 'Onze Homens e Um Segredo', aos 98 anos

O ator, produtor, roteirista e diretor trabalhou até o ano passado, quando dublou um personagem de "Toy Story 4"


Legenda: Reiner continuou dirigindo até 1997, quando lançou "Guerra dos Sexos", comédia estrelada por Bette Midler e Dennis Farina
Foto: Reprodução/Instagram
Carl Reiner, um dos pioneiros da comédia televisiva americana e cocriador do "The Dick Van Dyke Show" morreu nesta segunda-feira (29), aos 98 anos. A notícia foi confirmada ao site da Variety pela assistente de Reiner, Judy Nagy, que disse que o nova-iorquino morreu de causas naturais.
Ator, produtor, roteirista e diretor, ele ganhou destaque como o Saul Bloom de "Onze Homens e um Segredo" (2001). Continuou trabalhando até o ano passado, quando dublou um personagem de "Toy Story 4".
Reiner, que foi casado com a atriz e cantora Estelle Lebost por 60 anos até a morte dela, em 2008, era também pai do ator e diretor Rob Reiner, conhecido por assinar filmes como "A Princesa Prometida" (1987) e "Harry e Sally: Feitos Um Para o Outro" (1989).
Emmys e direção Durante carreira iniciada nos primórdios da TV americana, Reiner venceu nada menos do que nove Emmys. Dois foram por sua participação em "Your Show of Shows", ainda nos anos 1950, e outros cinco como roteirista do "The Dick Van Dyke Show".
Apaixonado pela direção, ele estabeleceu uma parceria com Steve Martin ao assinar "O Panaca" (1979), um dos primeiros sucessos do ator. Os dois repetiram a dobradinha em "Cliente Morto Não Paga" (1982), "O Médico Erótico" (1983) e "Um Espírito Baixou em Mim" (1984). Reiner continuou dirigindo até 1997, quando lançou "Guerra dos Sexos", comédia estrelada por Bette Midler e Dennis Farina.
Participações especiais No "terceiro ato" da carreira, o comediante brilhou em participações especiais em séries de TV. Venceu o seu último Emmy ao aparecer em um episódio de "Louco por Você", em 1995.
Entre 2009 e 2014, interpretou Marty Pepper em "Dois Homens e Meio". Ao lado de Betty White, apareceu em vários episódios de "No Calor de Cleveland", interpretando o personagem Max, entre 2010 e 2014.
Suas últimas aparições na televisão foram em "Jovem & Gourmet" (2017) e "Angie Tribeca" (2018).

Diário do Nordeste

Mazagão: terra árida e abençoada

A imagem pode conter: céu, árvore, nuvem, casa e atividades ao ar livre

Padre Geovane Saraiva*
Homenageamos Júlia Duarte Saraiva, nossa querida vó, criatura humana, que nasceu aos 3 de setembro de 1892 e faleceu aos 16 de dezembro de 1985, em Mazagão, Capistrano-CE, deixando uma marca indelével. Temos a grata e segura convicção de que nela prevaleceu a benevolência de Deus, no seu indulgente gesto de, em 1940, doar um terreno destinado à construção da Capela de São Francisco, há 80 anos. Essa doação alargou a comunidade da nossa boa e querida gente do Mazagão, no sentido de que se pôde perceber a grandeza do Deus altíssimo, vivamente presente no poverello d'Assisi, nosso tão querido e amado São Francisco de Assis, ou das Chagas. A sua atitude, brotada de um coração dadivoso, considero-a fertilizadora, ao regar o chão árido e ressequido, numa caminhada de 80 anos de animação da fé, tendo como referencial a capela daquele lugar, que, totalmente identificada com o Filho de Deus, nossa boa gente não cessou de cantar: “Não sei se eras Francisco ou se Cristo eras”.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em péO nosso bom Deus não nos deu um espírito de medo ou timidez; ao contrário: nos deu um espírito de força, amor e sabedoria (cf. 2Tm 1, 7). Ele quer, de seus filhos e seguidores do Filho Jesus de Nazaré, uma única coisa, no exemplo de Júlia Duarte Saraiva: que combatamos o bom combate da fé, como assegura o Apóstolo dos Gentios, na mesma carta a Timóteo. Cabe a todos, não só recordar, mas ficar diante da novidade do Evangelho, como no exemplo supramencionado, em que a criatura humana jamais pode parar de sonhar. Convenhamos: o sonho é o combustível ou as vísceras da alma, como a comida é o manjar do corpo.

Devemos agir com responsabilidade, dentro do plano de Deus, inspirados em Francisco de Assis, mas no constante esforço do exercício daquilo que sua soberana vontade divina espera de seus filhos, que é a nossa própria realização, fundamentada e edificada em Nosso Senhor Jesus Cristo, a rocha inabalável. Nesse sentido temos o professor Isaías Reis, nosso parente por afinidade, a nos propor um alicerce sólido, pela escuta da palavra de Deus, na qual somos chamados, de modo alegórico, a superar chuvas, enchentes, tempestades, sem esquecer da real aridez na nossa comunidade do Mazagão, pela sua sábia e lúcida iniciativa: a de edificar a todos, mas de modo especial a nós, parentes consanguíneos, na homenagem de Júlia Duarte Saraiva, nos 80 anos da Capela de São Francisco.

Recorda-nos o sábio mestre Isaías Reis: “Júlia Duarte Saraiva era uma senhora muito devota e religiosa. Dela veio o gesto de doar um terreno que media um hectare de terra para a construção da capela da comunidade, há 80 anos, em 1940”. Ele também faz questão de registrar os netos: Francisco Geovane Saraiva Costa, sacerdote católico, e Adriana Felipe Saraiva, irmã das Filhas da Caridade.

Júlia Duarte Saraiva, casada com o senhor Norberto Saraiva da Costa, ficou viúva muito nova, com seis filhos para criar, a saber: Liberato (1917), Agapito, meu pai (1919), Maria Duarte Xavier (1921), José Duarte (1923), José (Senhorzinho) Duarte (1926) e Cesarina (1928), que ficou viúva com um filho e logo depois faleceram. Deus seja louvado por suas criaturas!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Prêmio Barco a Vapor anuncia seus finalistas de 2020

O escritor Tadeu Sarmento, vencedor do prêmio em 2017 concorre com duas obras. Vencedor será anunciado em breve.
O Prêmio Barco a Vapor, iniciativa da Fundação SM que tem como objetivo revelar novos talentos da literatura infantojuvenil brasileira, anunciou os finalistas da sua 16ª edição. Entre os escolhidos está o autor Tadeu Sarmento, que venceu o prêmio em 2017 com o livro O cometa é um sol que não deu certo. Nesta edição ele concorre com duas obras: A viagem de Ganda & Hanno Meu amigo Pedro. Guilherme Semionato Silva Alves aparece pela terceira vez entre os finalistas do prêmio com o livro A bicicleta azul e Ana Helena Pinto do Amarante pela segunda com Sem nome – O rio. Também concorrem: André Soares (“Tião”), Daniella Michelin (Procurando Papai), Stela Maris Fazio Battaglia (Como pode uma chuva de estrelas deixar a noite mais escura?), Raul Marques (O diário da escritora de paisagens), Roberta Lima Malta (Mar de Ana) e Alicia Cintra e Villa (O conto da bruxa). A organização do prêmio não anunciou ainda a data de premiação, mas disse em suas redes sociais que será em "poucos dias".

Via PUBLISHNEWS

Cursos online de filosofia acontecem no começo de julho; inscrições estão abertas

Ambos são ministrados pelo pesquisador Lucas Dilacerda e abordam temas como introdução à filosofia da diferença e introdução à estética

Estão abertas as inscrições para dois cursos online voltados para o pensamento filosófico, ambos ministrados pelo pesquisador cearense Lucas Dilacerda. O primeiro deles é “Introdução à Estética de Deleuze: Arte, criação e resistência”, que começa na próxima segunda, 6 de julho, e é uma iniciativa do Espaço Breu. Já o segundo, promovido pelo Incere - espaço interdisciplinar de psicologia, psicanálise, fonoaudiologia e terapia ocupacional - tem como temática central a “Introdução à filosofia da diferença: arte, política e clínica” e inicia no dia 7 de julho.
A introdução à estética de Deleuze, filósofo francês, ocorre nos dias 6, 8, 13 e 15 de julho, sempre de 15h às 17h30min, somando carga horária de 10 horas. O público alvo são artistas, trabalhadores da cultura e pessoas interessadas em estudar arte, estética e filosofia. Para se inscrever, basta enviar um e-mail com nome completo para cursos.breu@gmail.com. O investimento é de R$ 200. Há sorteio de duas bolsas no Instagram do Espaço BREU (@espaco.breu), a ser realizado na quarta, 1º, às 14 horas
Já a introdução à filosofia da diferença conta com aulas nos dias 7, 9, 14, 16, 21 e 23 de julho, de 19 às 21h30min, somando 15 horas de carga horária total. O público alvo definido é de psicólogos, psicanalistas, médicos, artistas, trabalhadores da cultura e pessoas interessadas em estudar filosofia, arte, política e clínica. O investimento é de R$ 120 reais para profissionais e R$ 80 para graduandos. Também haverá sorteio de duas bolsas integrais para o curso, disponível no Instagram do Incere. As inscrições podem ser feitas no email incerecursos@gmail.com.
O professor de ambos os cursos, Lucas Dilacerda, é graduado em Filosofia e Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Tendo sido pesquisador do Núcleo de Pesquisa do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC) e integrante do Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes, coordena atualmente o Laboratório de Arte Contemporânea (LAC) e o Laboratório de Estética e Filosofia da Arte (LEFA), ambos da UFC. Além disso, também é membro do Laboratório de Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR), do Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC, e coordena o Grupo de Estudos em Estética e Filosofia da Arte (GEEFA), o Grupo de Estudos em Spinoza (GES) e o Grupo de Estudos em Filosofia da Imanência (GEFI).

Serviço

Curso Introdução à Estética de Deleuze: Arte, criação e resistência
Inscrições até 5/7 em cursos.breu@gmail.com
Mais informações no email ou em @espaco.breu

Curso Introdução à filosofia da diferença: arte, política e clínica
Inscrições até 6/7 em incerecursos@gmail.com
Mais informações no email ou em @_incere_

O Povo

Governo sanciona lei de auxílio financeiro para o setor cultural

Lei Aldir Blanc: entenda que artistas e espaços culturais têm ...
O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que institui auxílio financeiro de R$ 3 bilhões para o setor cultural devido à pandemia de covid-19. O valor será repassado, em parcela única, para estados, municípios e Distrito Federal, responsáveis pela aplicação dos recursos. A Lei nº 14.017/2020, chamada de Lei Aldir Blanc, foi publicada hoje (30) no Diário Oficial da União.
O texto prevê o pagamento de três parcelas de um auxílio emergencial de R$ 600 mensais para os trabalhadores da área cultural, além de um subsídio para manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas e organizações comunitárias. Esse subsídio mensal terá valor entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, de acordo com critérios estabelecidos pelos gestores locais.
Em contrapartida, após a reabertura, os espaços beneficiados deverão realizar atividades a alunos de escolas públicas, prioritariamente, ou para a comunidade, de forma gratuita. Não poderão receber o benefício espaços culturais criados pela administração pública de qualquer esfera, bem como aqueles vinculados a grupos empresariais e espaços geridos pelos serviços sociais do Sistema S.
Trabalhadores do setor cultural e microempresas e empresas de pequeno porte também terão acesso a linhas de crédito específicas para fomento de atividades e aquisição de equipamentos e condições especiais para renegociação de débitos, oferecidas por instituições financeiras federais.
De acordo com a lei, poderão ser realizados editais, chamadas públicas e prêmios, entre outros artifícios, para a manutenção e o desenvolvimento de atividades de economia criativa e economia solidária, cursos, manifestações culturais, produções audiovisuais, bem como atividades artísticas e culturais que possam ser transmitidas pela internet ou por meio de plataformas digitais.
Enquanto perdurar a pandemia de covid-19, a concessão de recursos no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), dos programas federais de apoio ao audiovisual e demais políticas federais para a cultura deverão priorizar o fomento de atividades que possam ser transmitidas pela internet, por meio de redes sociais e plataformas digitais ou meios de comunicação não presenciais. Os recursos de apoio e fomento também poderão ser adiantados, mesmo que a realização das atividades somente seja possível após o fim das medidas de isolamento social.
As atividades do setor - cinemas, museus, shows musicais e teatrais, entre outros - foram umas das primeiras a parar, como medida de prevenção à disseminação do novo coronavírus no país. De acordo com a pesquisa Percepção dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil, mais de 40% das organizações ligadas aos dois setores disseram ter registrado perda de receita entre 50% e 100%.
O nome da lei homenageia o escritor e compositor Aldir Blanc, que morreu no mês passado, no Rio de Janeiro, aos 73 anos, após contrair covid-19.

Auxílio emergencial

O auxílio emergencial de R$ 600 mensais para os trabalhadores da área cultural deverá ser prorrogado, assim como o auxílio concedido pelo governo federal aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados.
Para receber o benefício, os trabalhadores da cultura com atividades interrompidas deverão comprovar, de forma documental ou autodeclaratória, terem atuado social ou profissionalmente nas áreas artística e cultural nos 24 meses imediatamente anteriores à data de publicação da lei. Eles não podem ter emprego formal ativo e receber benefício previdenciário ou assistencial, ressalvado o Bolsa Família.
Além disso, devem ter renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos, o que for maior; e não ter recebido, em 2018, rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70.
O recebimento dessa renda emergencial também está limitado a dois membros da mesma unidade familiar e a mulher chefe de família receberá duas cotas. O trabalhador que já recebe o auxílio do governo federal não poderá receber o auxílio cultural.
Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil

29 de junho de 2020

”Sonhe com o que você quiser"

Hoje, caro leitor, queria poder escrever algo diferente, quem sabe, animador; um artigo recheado de boas notícias, capaz de tocá-lo profundamente e de levá-lo à reflexão; quem sabe fazer um relato concreto de algo bom, bonito e justo; quem sabe contar uma história daquelas inspiradoras, que nos fazem vibrar de emoção, a encher nossos olhos de lágrimas.
Mas os noticiários não ajudam em nada: pandemia, corrupção, superfaturamento de compras por agentes públicos, intrigas políticas, desinteligências jurídicas, fakenews, abusos sexuais por parte de alunos com alunos e de professores com alunos...

Pensei em Caio Fernando Abreu, ao dizer “Hoje quero escrever qualquer coisa tão iluminada e otimista que, logo depois de ler, você sinta como uma descarga de adrenalina por todo o corpo, uma urgência inadiável de ser feliz. Ser feliz agora, já, imediatamente”.
Depois, pensei em Platão, em sua cidade ideal governada por filósofos, os guardiões perfeitos; naquilo que torna a alma má: a injustiça, a intemperança, a covardia e a ignorância; na justiça, em que cada um recebe exatamente aquilo que lhe é devido. Pensei também na implicância de Platão com Homero e os poetas de um modo geral, a quem considerava imitadores por nunca atingirem a verdade. Platão que me perdoe, mas a Ilíada e a Odisseia são impecáveis, além do mais, o que seria do mundo sem os poetas?
Em tempos de pandemia, pensei também em Saramago, ao dizer que a História era uma ficção, porque “escrita sob um prisma masculino. Se fosse feita pelas mulheres seria diferente”.
Pensei em João Guimarães Rosa, em seu Grande Sertão Veredas, em que “viver é muito perigoso”; no dilema do jagunço Riobaldo diante do amor por aquele que acreditava ser Reinaldo (Diadorim). “E ele me deu a mão. Daquela mão, eu recebia certezas. Dos olhos. Os olhos que ele punha em mim, tão externos, quase tristes de grandeza.”
Mas o que Caio Fernando Abreu, Platão, José Saramago e João Guimarães Rosa têm a ver, não faço a menor ideia, caro leitor, mas apesar de apreciá-los, no momento, vou ficar mesmo é com Clarice Lispector, porque os sonhos alimentam a alma: ”Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz”
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

Longos cabelos eternos

Quem sabe um dia eu saia atrás das lembranças dos seus cabelos longos
Os cabelos do amor que eu perdi ou talvez jamais tenha achado
Os cabelos do amor que eu perdi ou talvez jamais tenha achado (Unsplash/ Luke Pennystan)

Ricardo Soares*
Porque hoje é segunda e amanhã será segunda e depois seguirá sendo segunda nesses dias invertidos de pandemia. Porque poderia ser domingo ou quarta, pois tudo segue junto e mal misturado, com imprecisão sobrando para todo lado e as nossas semanas são acúmulos de dias parecidos, horas que se arrastam na mesma máxima de que viver é urgente, importante, fundamental.
E como é segunda entre tantas segundas, eu escondo mágoas atrás de tapumes e jogo para baixo do tapete da memória palavras hostis que andei dizendo e professo minha fé inabalável no amor como única forma eficaz de combater o ódio e o preconceito. E aí procurando abrigo nos seus longos cabelos – bem cuidados e escorridos –, atrás deles sei que tudo posso, olhando o mundo da perspectiva de uma teia protetora e amorosa. Os cabelos do amor que eu perdi ou talvez jamais tenha achado.
E como é segunda-feira e creio num país possível e melhor do que esse, eu fico aqui me convencendo do quanto a poesia é necessária e do quanto tudo vale a pena quando a alma não se apequena e seguro na mão de Fernando Pessoa e Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Ana Cristina César e tomo um trago ainda vespertino com Paulo Leminski e outro ainda com Roberto Piva  e olho para os mais antigos e românticos que se foram de tuberculose e dores de amores como Castro Alves e Álvares de Azevedo.
Tenho estado muito sossegado nessas segundas com cara de segundas. Sossegado, porém apreensivo. E certo de que talvez, quem sabe um dia, por alamedas enfim desconhecidas, eu entenda tudo isso que anda passando e saia atrás das lembranças dos seus cabelos longos, lindos e escorridos e enxergue novas janelas. Por enquanto, ainda velhas mazelas me atormentam e eu sonho, sei que um pouco fúnebre, com seus cabelos crescendo ainda mesmo depois de você morta. Porque bem forte essa imagem me ficou de uma história de Garcia Márquez.
Não, não gosto de pensar que nem a Inês e nem você sejam mortas. Mas a sua finitude me dá um alento a partir do instante em que tenho certeza que mesmo seus cabelos longos, sendo eternos, eles hão de adubar uma terra nova, rumo ao futuro. Sem tristeza, sem pandemia, na mais completa transcrição de amor e alegria.

*Ricardo Soares é diretor de tv, escritor, roteirista e jornalista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários. No site da editorapenalux.com.br encontra-se em pré-venda seu novo livro “Devo a eles um romance”.

A pandemia e a necessidade de se adotar outro estilo de vida

A civilização contemporânea, no enfrentamento desta pandemia, precisa conquistar uma cidadania renovada, marcada por hábitos orientados pela simplicidade e pela leveza

BUYING
Conquistar um estilo de vida diferente é inadiável desafio inscrito na pauta da civilização  contemporânea. Trata-se de clamor que não é novo, mas que ganhou ainda mais urgência ante o esgotamento humanístico e os adoecimentos enfrentados atualmente pela humanidade. De diferentes esferas que tratam o meio ambiente – conferências mundiais, fóruns internacionais, eventos e congressos – vêm indicações sobre a necessidade imediata de se conquistar renovado estilo de vida. Há relação entre os esgotamentos da natureza e as crises humanitárias, que geram pandemias e outros descompassos – ameaças à vida de todos, especialmente dos mais pobres.
Conquistar um estilo de vida diferente exige reconhecer a complexa e hegemônica realidade cultural da atualidade. Essa realidade tem força que é, ao mesmo tempo, avassaladora e sedutora, exercendo domínio em diferentes campos, sem mesmo poupar a ascese da vida religiosa. É quase impossível calcular os investimentos necessários para superar obscurantismos, proselitismos, fundamentalismos, exibicionismos, extrativismos, sectarismos. São graves problemas que se somam a tantos outros “ismos”, formando uma relação de superficialidades que desfiguram a preciosidade do dom de viver e a Casa Comum.
Eleja-se como ponto de partida na busca por outro estilo de vida superar o consumismo. Trata-se de um fenômeno alimentado de modo selvagem pelo mercado, que cria mecanismos compulsivos para levar pessoas a se submeterem aos gastos supérfluos. O Papa Francisco, na sua Carta Encíclica sobre o cuidado com a Casa Comum, afirma, de modo interpelante, que o consumismo obsessivo é o reflexo subjetivo do paradigma técnico-econômico contemporâneo. Obviamente, considerando os problemas atuais, são urgentes avanços na infraestrutura e na área da saúde para garantir celeridade à superação da pandemia e de seus desdobramentos econômicos. Mas não se pode contentar com paliativos: há de ser enfrentado o paradigma hegemônico, aquele técnico-econômico, que sustenta a ilusão de uma liberdade para consumir ilimitadamente.
O ser humano, dominado por esse paradigma, não consegue reverter processos destrutivos, permanece incapaz de adotar um modo de viver diferente. Por isso, a civilização contemporânea, no enfrentamento desta pandemia, precisa conquistar uma cidadania renovada, marcada por hábitos orientados pela simplicidade e pela leveza. Uma tarefa difícil, pois a cultura mundial parece se pautar pelos exageros, raízes de doenças e outros males. A humanidade deve, pois, cultivar compreensão de si mesma e desses exageros, a démarche dos processos de radicalização, para reorientar seus rumos, suas dinâmicas e fazer escolhas acertadas, sob pena de encontrar o autoextermínio. Permanecer sob o domínio da hegemonia do consumo é conviver, cotidianamente, com a ameaça de novas pandemias, agravadas pelas que ainda não foram superadas.
Faz-se necessário um estilo de vida diferente, asseverado por novos protocolos e providências que vão de pequenas atitudes a medidas estruturantes, com impactos mais amplos. Há muito a ser mudado. Basta pensar que ainda hoje, em uma civilização de tantos avanços tecnológicos, falta, a muitos, adequada educação sobre atitude básica de higiene: o ato de lavar as mãos.
De fato, o encastelamento na autorreferencialidade a que as pessoas têm se submetido, com consequências nefastas como a indiferença ou a idolatria do dinheiro, fermenta a voracidade que distancia todos de hábitos saudáveis, frugais, naturais, comprometendo vínculos, deteriorando e incapacitando para relações solidárias.  Um novo estilo de vida não apenas resguardará a humanidade de fenômenos climáticos, de grandes desastres naturais ou mesmo de doenças desconhecidas – ajudará também a debelar crises sociais e políticas. Por isso mesmo, reconfigurar hábitos – do simples ato de sempre levar as mãos aos novos modos de consumo, convivência e trabalho – é imprescindível. Trata-se de uma necessidade deste tempo, demandando força de exemplaridade das instituições e dos segmentos da sociedade, na contramão de insanidades – em atitudes ou falas.
 
A meta que deve ser buscada é dar rumo diferente à humanidade a partir de novos modos de viver, a serem cultivados no diálogo, com o coração de aprendiz. Assim é possível conquistar, para cada realidade, na família, Igreja, instituições diversas e segmentos sociais, um estilo de vida diferente.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

27 de junho de 2020

Pedro e Paulo: alegria da Igreja!

Padre Geovane Saraiva*
Que graças vos daremos, ó bem-aventurados Apóstolos, por tantas fadigas por nós suportadas? Lembro-me de vós, ó Pedro, e me espanto; lembro-me de vós, ó Paulo, e caio em lágrimas. Não sei o que dizer, não sei proferir palavras ao contemplar vossos sofrimentos. Quantas prisões santificastes! Quantas maldições tolerastes! Quão longe levastes o Cristo! Como alegrastes as Igrejas com vossas pregações! Quão benditos instrumentos são vossas línguas! E mais: de sangue foram cobertos vossos membros, em tudo assemelhando-se a Cristo,  vosso Mestre Senhor! (cf. São João Crisóstomo).

São Pedro e São Paulo: apóstolos fieis e modelos de vida para os ...A obra redentora de Deus, em sua inexprimível bondade, ternura e mistério de amor, fazendo-se homem, quis e quer eternizar a criatura humana, restaurando-a e reconciliando-a consigo. É dentro desse contexto que a Igreja comemora São Pedro e São Paulo, homens simples e humildes, fundamentalmente marcados pela graça de Deus, que, para os seguidores do Filho de Deus, no decorrer dos séculos, foram imprescindíveis, ao marcar e personificar a Igreja de um modo ininterrupto em toda a sua história.

Deus Nosso Senhor nos concede, ao celebrar São Pedro e São Paulo, a renovação de nosso ardor missionário, no sopro do Espírito Santo de Deus. Pela hierarquia, a Igreja tem sua plenitude, com sacramentos, vigor do anúncio e estrutura visível, estando à frente as criaturas humanas e como primeira delas, hoje, o Papa Francisco. 
Paulo nos aponta a Igreja, que tem na sua essência a missão, reservando-lhe o incomparável cognome de mestre e doutor das nações. A grande verdade é que os dois edificaram, pela mesma fé no Filho de Deus, a linhagem sagrada já aqui na terra, a família dos seguidores de Jesus de Nazaré.

Eles nos entusiasmam a viver a nossa fé, na fidelidade a Jesus, alimentando-nos de sua palavra e de seu corpo e sangue, voltados, evidentemente, para a realidade de dor e sofrimento de muitos irmãos e irmãs, na qual estamos inseridos. Ensinam-nos também, na esperança do prêmio eterno, que é possível repetir a mesma façanha, por eles vivida e ensinada, no bom combate da fé e, igualmente, na convicção de que Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo.

Pedro e Paulo nos conduzem à contemplação do mistério de nossa fé, não só pela ausculta e percepção da Igreja como instituição divina, mas também pelos seus ensinamentos. A Igreja, ao proclamar a mensagem de um Deus afável e terno às pessoas do nosso tempo, mostra-nos, de modo pedagógico, que Ele se fez homem e se encarnou na História, oferecendo-nos a salvação. Manifesta-nos, sem nenhuma dúvida e ilusão, a solução em Deus, como único e verdadeiro caminho. Desse modo, somos motivados, pela força da sua graça, a ultrapassar a realidade terrena, no sonho das aspirações mais profundas do ser humano: a eterna felicidade! Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Antologia fantasma no Catarse

Editoras Ex Machina e Sebo Clepsidra se uniram para publicar a coletânea 'Contos Clássicos de Fantasma', que conta com 26 narrativas sobre o tema
As editoras Ex Machina e Sebo Clepsidra se uniram para publicar a “mais completa antologia de contos de fantasma já produzida em língua portuguesa”. Em financiamento coletivo no Catarse, a coletânea Contos clássicos de fantasma apresenta uma seleção de oito obras brasileiras do gênero. Ao todo, são 26 narrativas, muitas das quais inéditas em português. Além da introdução do professor e especialista em literatura fantástica Alexander Meireles da Silva, todos os contos são acompanhados de um breve texto de abertura elaborado para contextualizar o autor e a obra em questão. A antologia conta com a organização de Alexander, edição de Bruno Costa e tradução de Marta Chiarelli, equipe que se juntou ao editor Cid Vale Ferreira.
A seleção abarca desde narrativas da Antiguidade e da Idade Média até textos do século XX. Dentre os 26 contos, estão narrativas brasileiras como O impenitente (1893), de Aluísio Azevedo; Os três círios do triângulo da morte (1922), de Moacir de Abreu, e As ruínas da Glória (1861), de Fagundes Varela. Já entre os autores internacionais estão nomes como Bram Stoker, Edgar Allan Poe, M.R. James e Charles Dickens.
Com 46 dias para o fim da campanha, o projeto já arrecadou 92% da meta. Para ajudar, é só clicar aqui. As recompensas incluem marcador de página, cartão postal, ecobag e até uma edição da HQ A vida e os amores de Edgar Allan Poe.
Via PUBLISHNEWS

Escritor santareno é um dos vencedores do 'Prêmio Literário Dalcídio Jurandir 2019'

Por Tracy Costa, G1 Santarém — PA
Lista foi divulgada no site da Ioepa — Foto: Reprodução
Lista foi divulgada no site da Ioepa — Foto: Reprodução
O escritor Francisco Egon da Conceição Pacheco, natural de Santarém, no oeste do Pará, foi um dos selecionados na categoria "Prosa" do Prêmio Literário Dalcídio Jurandir 2019. O resultado final foi divulgado no site da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa) na quinta-feira (25). A obra “Marias e Encantarias II – Num tempo do era” alcançou 80 pontos.
A lista é composta por dez selecionados na categoria "Prosa" e outros quatro em "Poesia". Os escritores vencedores terão os livros publicados. A entrega solene das obras está prevista para o dia 1º de dezembro. Devem ser lançados 11 livros, sendo 10 de prosa e um de uma coletânea de poesias.
A obra "Marias e Encantarias" trata-se de uma série de histórias organizadas em certo número de volumes. A obra premiada corresponde ao volume II da série que já está sendo desenvolvida há 5 anos. As narrativas são fabulosas e incluem um repertório de composições mitopoéticas, cuja principal referência é a cultura narrativa Amazônica.
Ao G1, Egon Pacheco disse que essa foi sua primeira obra literária premiada. "O sentido do prêmio para um autor iniciante é a abertura de uma trajetória de criação e a possibilidade de sedimentar essa trajetória em obras futuras", ressaltou.
Segundo ele, o papel do prêmio é "adubar" o terreno da literatura paraense, acolhendo produções de autores jovens que se voltam para as questões humanas e culturais na Amazônia.

Sobre o Prêmio

O edital foi lançado na 23º Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em agosto de 2019, após a assinatura do decreto do governador Helder Barbalho, que instituiu a Política Pública de Edições e Publicações de Livros do Estado do Pará. As inscrições ocorreram de 4 de novembro de 2019 até 14 de janeiro de 2020.
O presidente da Imprensa Oficial, Jorge Panzera, destacou a importância da seleção para a divulgação de novos autores e de obras inéditas. “São 14 autores que vão apresentar ao público seus trabalhos em prosa e poesia. Isso mostra a força de nossa literatura. Vamos agora preparar os livros para a publicação e lançamento em dezembro”, disse.
Segundo o presidente, além do Egon, representando Santarém, participaram do processo um professor de Altamira, além de especialistas de áreas ligadas à escrita e à literatura de formações diferentes, o que fez com que o trabalho de julgar as obras tivesse um olhar das mais diversas realidades culturais do Pará.
De acordo com Moisés Alves, assessor da Editora Pública do Estado Dalcídio Jurandir, da Ioepa, destacou a transparência de todo o processo que envolveu o prêmio. Ele informou que a Imprensa Oficial seguiu fielmente todos os prazos do edital, com algumas prorrogações, para dar o máximo de oportunidade a todos que quisessem se inscrever.
Apesar da pandemia de coronavírus, a editora pública e a comissão julgadora mantiveram o trabalho para cumprir os prazos exigidos. O certame teve mais de 130 inscritos, que passaram por uma habilitação, que selecionou 70 autores e, depois, a comissão julgadora avaliou o mérito das obras, para chegar ao resultado final.
Todos os inscritos na categoria poesia devem ser convidados pela Ioepa a participar de uma oficina de poesia. "O resultado dessa iniciativa será divulgado em uma coletânea pela Imprensa Oficial do Estado do Pará", anunciou Moisés.
Um segundo edital deve ser apresentado em dezembro, durante o lançamento das obras escolhidas agora. “Vamos buscar aperfeiçoar o certame, torná-lo ainda mais abrangente, olhando o estado como um todo para valorizar a literatura paraense, incentivar a produção e o lançamento de novos autores, já que somos um estado de literatura rica e com grandes autores em sua história”, afirmou o presidente da Ioepa.

26 de junho de 2020

Podcast: Solenidade de São Pedro e São Paulo



Por Pe. Geovane Saraiva

Sites se adaptam e se tornam acessíveis, atingindo o público com deficiência

Ações para tornar os sites mais acessíveis avançam, e marcas tomam consciência para atender quem tem necessidades especiaisPor 
Acessibilidade dos sites aos deficientes
Acessibilidade dos sites aos deficientes
O foco na acessibilidade tem aumentado no mercado. No ambiente virtual, a evolução começa a chegar e organizações lutam para que a experiência daqueles clientes que têm algum tipo de necessidade especial também sejam atendidos com eficiência.
De acordo com recente pesquisa realizada pelo Movimento Web para Todos, com apoio da BigData Corp, os sites que falham em testes de acessibilidade vêm diminuindo, mas o número ainda é alto. No último levantamento, dos 14,65 milhões de endereços ativos na web brasileira, apenas 0,74% passaram em todos os testes de acessibilidade feitos em abril. Ainda assim, o índice foi maior que os 0,61% de agosto de 2019.
A pesquisa mostra que os principais desafios para os sites brasileiros serem considerados acessíveis para todos os públicos é relacionado a problemas de links (93,65% têm defeitos) e imagens (83,3%). Os sites de educação dão bom exemplo e lideram o ranking em eliminação de barreiras de navegação para pessoas com deficiência, seguido dos sites de notícia e e-commerce.
De acordo com a professora de MBA em Gestão Estratégica e diretora da Desencaixa - Escola de Marketing, Céu Studart, é um desafio para as marcas se comunicar melhor com o público, de forma empática. "A empatia, na verdade, é entender como o público quer ser atendido e não só oferecer o atendimento que eu queria", diz.
Pensando em desenvolver essa empatia entre os programadores de sites, a W3C lançou um conjunto de fascículos em forma de cartilha para ensinar sobre acessibilidade digital. No material, de quatro fascículos, é possível obter lições sobre como elaborar projetos digitais acessíveis, com as diretrizes corretas, padrões de web e validação.
"Uma página criada sem considerar essa diversidade pode dificultar - ou mesmo impedir - o acesso de um grande número de pessoas ao seu conteúdo. Em geral, quando isto acontece, o grupo mais prejudicado é o de pessoas com deficiência. Para navegar nos sítios Web, essas pessoas utilizam diferentes tipos de softwares, hardwares e estratégias, que só funcionam bem se o sítio for criado de acordo com certos padrões de codificação", informa um dos trechos da cartilha.
Para a idealizadora do Movimento Web para Todos, Simone Freire, o desafio para tornar a web brasileira mais acessível ainda é grande. O lançamento da nova campanha, "Imagens que falam", trará luz ao problema que é para as pessoas com necessidades, a falta de descrição de imagens nos sites brasileiros. Dicas e oficinas virtuais serão oferecidos pela organização.
"Os dados que revelamos mostram que houve uma melhora na acessibilidade, mas ainda é muito pouco para a população que ainda precisa ser atendida no digital", resume.
 
Serviço

Todas as cartilhas de acessibilidade para sites estão disponíveis em HTML, ePUB e HTML no w3c.br/Materiais/PublicacoesW3C
O Povo

Dia do Diabetes reforça importância de hábitos saudáveis na pandemia

Diabetes
O Dia Nacional do Diabetes, lembrado nesta sexta-feira (26), reforça a importância de hábitos saudáveis em tempos de pandemia. As informações de óbitos de pessoas com associação de covid-19 e diabetes demonstram desafios importantes para a população e para profissionais de saúde.
De acordo com dados relativos à cidade de são Paulo desta semana, o diabetes mellitus está entre os principais fatores de risco (43,1% dos óbitos) associados à mortalidade pela doença, ficando atrás apenas de cardiopatias (58% dos óbitos).
No município, estima-se que 7,4% da população com mais de 18 anos possui diagnóstico de diabetes, segundo o Inquérito de Saúde da cidade de São Paulo de 2015. As pessoas com diabetes, assim como os que possuem hipertensão, neoplasias, obesidade, doenças cardiovasculares e pulmonares, em geral, possuem fatores de risco em comum: tabagismo, atividade física insuficiente, uso nocivo do álcool e alimentação não saudável, dentre outros.
Adotar hábitos de vida saudáveis e de autocuidado é necessário e evita muitas das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como o diabetes, alerta o Programa Cuidando de Todos, da Secretaria Municipal da Saúde, liderado pela área técnica de DCNT da Atenção Primária à Saúde.

Fatores de risco

Determinados fatores de risco podem contribuir para o desenvolvimento do diabetes: pré-diabetes, pressão alta, colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue e sobrepeso - principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura. Também é preciso estar atento a doenças renais crônicas; mulheres que deram à luz criança com mais de 4 quilos; diabetes gestacional; síndrome de ovários policísticos; diagnóstico de distúrbios psiquiátricos; apneia do sono; uso de medicamentos da classe dos glicocorticoide e pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes.
A doença se divide em dois tipos: tipo 1 e tipo 2. Os principais sintomas do diabetes tipo 1 são fome frequente, sede constante, vontade de urinar diversas vezes ao dia, perda de peso, fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náusea e vômito.
Já os do diabetes tipo 2 são fome frequente; sede constante; formigamento nos pés e mãos; vontade de urinar diversas vezes; infecções frequentes na bexiga, rins e pele; feridas que demoram para cicatrizar; e visão embaçada.
Quem tem diabetes, seja tipo 1 ou 2,  precisa seguir à risca as recomendações médicas e orientações dos profissionais de saúde quanto à prática de atividades físicas, o consumo de alimentos saudáveis, o sono regular e outros fatores de risco.
“Infelizmente ainda temos pessoas que diagnosticam a diabetes já com a presença de alguma complicação, que são aqueles que foram ao oftalmologista, por exemplo, e viram que já tem alterações de fundo de olho que são compatíveis com diabetes, ou que já tem uma perda importante de proteína na urina, que também já é o início da necropatia diabética”, alerta a médica Karla Melo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Diabetes e Covid-19

A principal recomendação para quem tem a doença é ficar em casa e sair apens quando necessário. Ao manter o distanciamento social, a pessoa que tem diabetes reduz a chance de se infectar com o novo coronavírus. No entanto, é importante adaptar-se, alimentar-se adequadamente e manter-se ativo mesmo em casa, pois o sedentarismo tem efeitos negativos na saúde, na imunidade, no bem-estar e na qualidade de vida.
“O importante é se manter ativo, mesmo em seu domicílio, nas tarefas domésticas, não ficar diante da televisão e sim fazendo atividades, arrumando sua casa. Caminhar, com máscaras, ou correr é possível, mas cuidado com a roupa: ao chegar em casa, já lavar a roupa e sempre com o álcool e com os cuidados de se distanciar dos outros no período dessa atividades”, recomenda a médica.
Outras dicas incluem manter hábitos de higiene constantes, como lavar as mãos com água e sabão; higienizar superfícies que possam estar contaminadas; e utilizar máscara individual, como barreira física ao vírus.
Caso o portador de diabetes tome medicamento de uso contínuo, mantenha e siga sempre as orientações dadas pelo médico. No período de epidemia, o paciente pode solicitar uma avaliação para uma receita com validade ampliada, evitando, assim, saídas mais frequentes para a farmácia. 

Pequenas medidas, grandes mudanças

Pessoas com diabetes devem controlar a quantidade de carboidratos ingerida e evitar a adição de açúcar - que eleva a glicemia rapidamente e tem pouco valor nutricional. A melhor escolha de carboidratos são frutas, cereais integrais, leguminosas e laticínios desnatados. A escolha de alimentos in natura e preparações caseiras são melhores que os alimentos ultraprocessados.
“A comida caseira nós conhecemos, sabemos do preparo, ela pode sim ser mais saudável. E tem uma questão importante, nesse período em que os doentes precisam melhorar o controle glicêmico, que é optar por alimentos mais saudáveis e que ajudem a controlar o diabetes”, aconselhou a médica.  
Tamém é imporante escolher alimentos de menor índice glicêmico, incluindo alimentos integrais ricos em fibras, aveia, leguminosas como feijões, vegetais e frutas com casca e bagaço, batata doce, inhame; além de incluir gorduras boas, como castanhas, e proteínas magras de boa qualidade, como queijo branco.
A doutora Karla ainda dá uma orientação especial quanto às frutas: “As frutas devem ser ingeridas uma por vez, por exemplo. Se ingerir duas bananas de uma só vez a elevação da glicemia é bem maior do que se ingerir apenas uma banana. Então [a recomendação] é ingerir frutas, legumes, verduras e hidratar-se muito bem”.
Para quem tem diabetes tipo 2 e tem excesso de peso, a prioridade é a perda de peso para melhora da resistência à insulina. Para isso, o total de carboidratos é importante, mas também o total calórico e as escolhas saudáveis em geral.
Quem utiliza insulina ou outros medicamentos que aumentam os níveis de insulina, deve monitorar os níveis de glicose e ter sempre consigo algum carboidrato de ação rápida para casos de hipoglicemia.
Diabéticos devem manter uma alimentação equilibrada, regular, variada e natural; fracionar de três em três horas as refeiçõespara evitar hipoglicemia e descontrole da fome, resultando em maior ingestão de alimentos após longos períodos sem alimentar.
O controle de açúcar, sal, frituras, colesterol e gordura saturada é bom para todas as pessoas, inclusive para quem tem diabetes. Consuma menos de 2g de sódio por dia, o que equivale a 5g de cloreto de sódio e utilize temperos frescos, que dão sabor à comida e diminuem a adição de sal.

Atividades físicas

Para as pessoas com diabetes, a prática de exercício físico é muito benéfica. Ela auxilia na perda e manutenção de peso, no aumento da sensibilidade à insulina e no melhor controle dos níveis sanguíneos de glicose no sangue.
Dentro de casa é possível simular uma caminhada: ande, no mesmo lugar, movimentando bem os braços ou ande de quatro a seis passos, vire e ande mais quatro a seis passos; repita durante 15 minutos e aumente o tempo para até 30 a 40 minutos: inicie de uma a três vezes por semana e aumente gradativamente.
Em abril, a Agência Brasil publicou matéria, com vídeos, sobre como se exercitar em casa, durante a pandemia.

Saúde mental e autocuidado

De acordo com especialistas, o estresse, associado a outros fatores de risco, pode ser muito danoso, principalmente durante a pandemia, que vem aumentando a pressão psicológica e ansiedade e o estresse, que provoca excesso de atividade do sistema nervoso e pode elevar a pressão arterial e o nível de colesterol. O estresse também estimula o hábito de fumar, provoca excessos alimentares e aumenta em 60% o risco de infarto. 
A exposição constante a notícias também pode levar à ansiedade, depressão e ao estresse. Siga notícias confiáveis e evite boatos e fake news. A pandemia também pode ser uma oportunidade para aproveitar momentos em família.

Edição: Denise Griesinger
Agência Brasil

25 de junho de 2020

Jovens autores brasileiros conquistam mercados internacionais

Você tem a vida inteira’, de Lucas Rocha, acaba de ser publicado pela Scholastic nos EUA e a Planeta Portugal prepara o lançamento de ‘As aventuras de Mike’, do casal Manu Digilio e Gabriel Dearo
No mês em que se comemora o Dia do Orgulho LGBTI, a editora americana Scholastic lançou Where we go from here, a versão em inglês do livro Você tem a vida inteira, do brasileiro Lucas Rocha publicado aqui no Brasil pelo selo Galera Record. Vertido para o inglês pelas mãos de Larissa Helena, o livro conta a história de três jovens entrelaçadas pelo vírus do HIV.
Rafaella Machado, a caçula do clã fundador da Record, conta que a trajetória internacional de Você tem a vida inteira começou na Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2018, quando o diretor editorial da Scholastic, David Levithan, visitou o evento. O livro de Lucas Rocha foi um dos livros selecionados para o Kit gay, box de livros lançado pelo selo e que reúne outros títulos da literatura LGBTQIA+. 
Levithan levou o livro para os EUA e apresentou ao editor brasileiro Orlando dos Reis, colaborador da Scholastic, que disse ao Publishers’ Weekly: “Ao meio do capítulo quatro, comecei a traduzir. Pensei: 'Alguém mais precisa ler isso. Não posso ser o único”.
Em meio aos quase 400 títulos publicados anualmente pela Scholastic, Where we go from here foi um dos três escolhidos para a “leitura obrigatória” na última convenção anual da editora norte-americana e todos os funcionários da empresa foram convidados a ler o livro. 
Rafaella, que participou da convenção a convite de Levithan, comenta o sucesso do título na nova casa: “Um ponto do livro que impressionou os funcionários da Scholastic, especialmente neste contexto de pandemia, é a assistência do serviço público brasileiro de saúde ao portador de HIV, que é uma referência mundial". No livro, Lucas destaca na trama o desempenho do Sistema Único de Saúde brasileiro, o SUS.
E Lucas, de 28 anos, não é o único autor jovem nesse caminho rumo ao exterior nesse momento em que as viagens estão restritas pela pandemia. O casal Manu Digilio, de 24 anos, e Gabriel Dearo, de 25, autores do sucesso comercial As aventuras de Mike (Planeta), acaba de anunciar que o livro sairá em Portugal, publicado pela Planeta do Além-Mar. A previsão é que o livro chegue às livrarias portuguesas em julho.
“No momento estamos ‘sem palavras’ para expressar tamanha felicidade que estamos sentindo. É uma conquista incrível ver nosso livro chegar na Europa!”, comemorou a dupla. 
Pela apuração da própria editora, o livro já vendeu mais de 60 mil exemplares por aqui. A obra traz os famosos personagens do canal Falaidearo que formam uma família divertida e muito comum, com a qual muitos acabam de identificando. A Planeta planeja o lançamento da continuação de As aventuras de Mike para o início do segundo semestre deste ano.
Via Publishnews