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Projeto registra histórias de leitura e suas relações com a capital mineira

Trabalhos e entrevistas de pesquisadores, escritores, jornalistas e rappers serão reunidos em livro
Projeto surge da ideia de retratar a relação do belo-horizontino com a leitura
Projeto surge da ideia de retratar a relação do belo-horizontino com a leitura (Ilustração Anna Cunha)

Larissa Troian
Para os belo-horizontinos que prezam por uma boa leitura, espaço nunca foi problema: cafés, bibliotecas, livrarias e eventos literários sempre fizeram parte da rota cultural da capital.
Para tentar entender melhor essa conexão entre os leitores e esses bens culturais, bem como seu significado na vida das pessoas, o projeto “História Afetiva de Leitores e Bibliotecas em Belo Horizonte” vai reunir depoimentos de moradores da capital mineira em livro e também em uma exposição. Idealizado pela bibliotecária Cleide Fernandes, o projeto tem o objetivo de “contar as muitas histórias de leitores, leituras e bibliotecas na cidade”.
Vozes da cidade
O livro contará com depoimentos de moradores da capital que atuam na criação e produção literárias, na formação de profissionais e na promoção do acesso à leitura. As entrevistas estão sendo realizadas por Fabíola Farias e Maria da Conceição, pesquisadoras na área de leitura, e também pela bibliotecária Cleide Fernandes.
A ideia nasceu de conversas entre Fabíola e Cleide e da interrogação sobre “outras histórias de leitura na cidade” e das políticas públicas relacionadas ao tema. “Para nós, entender como essas políticas, ou a ausência delas, se realizam na vida concreta das pessoas, nas várias regiões da cidade, é uma maneira de iluminar o campo, de repensar o que fazemos – nas bibliotecas, nas salas de aula, nas pesquisas, na escrita –, além de ser um jeito de contar parte da história de Belo Horizonte”, explica Fabíola.
Para ela, se observado o cenário nacional, “Belo Horizonte é uma cidade privilegiada, com mais de 20 bibliotecas públicas, uma excelente rede municipal de bibliotecas escolares e considerável atuação de bibliotecas comunitárias e um charmoso grupo de livrarias, embora pequeno e concentrado na Regional Centro-Sul”.
A jornalista não deixa de citar os méritos da capital, que conta com dois antigos e valiosos prêmios literários: Cidade de Belo Horizonte e João-de-Barro, realizados pela Prefeitura de Belo Horizonte, e também com muitos eventos literários – festivais, feiras, lançamentos de livros, encontros com autores –, além de um vigoroso movimento de coletivos de saraus, que nos últimos anos se consolidou na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), promovendo uma interessante movimentação cultural na cidade, especialmente nas regiões periféricas.
Um dos entrevistados será Rogério Coelho, criador do projeto Coletivoz – Vozes da Periferia, que atua há 10 anos em BH e dá voz a poetas, artistas e músicos de periferia. Rogério ressalta que o coletivo sempre prezou por “promover um espaço de leitura fazendo uma abertura democrática a todas as obras, e também à produção específica e original da periferia”.
Maria da Conceição ressalta a importância de pensar a relação de BH com os livros em uma perspectiva histórica. Segundo ela, “é preciso lembrar que, na condição de uma das primeiras cidades planejadas no país, Belo Horizonte já nasce demarcando uma relação desejada com os livros, uma vez que o desenho de uma biblioteca pública municipal sai do papel e ganha materialidade e endereço já na inauguração da cidade”.
Completam a lista dos entrevistados Alessandra Gino, bibliotecária; Aline Cântia, pesquisadora da tradição oral e narradora de histórias; Ana Elisa Ribeiro, professora universitária e escritora; Camila Félix, poeta e pesquisadora dos coletivos de saraus da RMBH; Carlito Homem de Sá, bacharel em letras, servidor público e leitor do Setor Braille da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais; Elizete Lisboa, escritora; Etiene Martins, jornalista e livreira; Fabrício José Nascimento da Silveira, pesquisador e professor universitário; Francisco de Moraes Mendes, escritor; Léo Gonçalves, poeta e tradutor, e Macaé Evaristo, educadora.
Também participam do projeto Márcia Maria Cruz, jornalista; Marcílio França Castro, escritor; Maria Antonieta Cunha, editora, professora universitária, tradutora e fundadora da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte; Maria Mazzarelo Rodrigues, editora; Nelson Cruz, escritor e ilustrador; Norma de Souza Lopes, poeta e professora; Odilon Esteves, ator e idealizador do projeto Espalhemos Poesia; Rafael Mussolini, pedagogo e estudante de biblioteconomia, com atuação junto a bibliotecas comunitárias.
Campanha
O projeto lançou a campanha "Quais são suas histórias e trajetórias de leitura em Belo Horizonte?”, que pretende colher depoimentos de moradores da capital mineira que queiram compartilhar suas experiências.
Os interessados podem enviar seus relatos, que devem até 2,5 mil caracteres, para o e-mail historiaafetivabh@gmail.com até 8 de agosto. Aqueles que forem selecionados integrarão um dos capítulos do livro do projeto.

Redação Dom Total

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