A atriz Fernanda Montenegro, 88 anos, e a maestrina Jocy de Oliveira, 81 anos, foram as escolhidas para fazer a abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (25 a 29 de julho).
Contemporâneas de Hilda Hilst (1930-2004), a escritora homenageada desta edição da Flip, elas devem falar da admiração pelo trabalho da poeta ao mesmo tempo em que serão homenageadas pelo evento. As duas têm mais de meio século de palco – Fernanda é uma das principais atrizes brasileiras e Jocy, pioneira da música de vanguarda eletroacústica e da ópera multimídia.
Fernanda Montenegro (Foto: Eduardo Nicolau/Estadão) e Jocy de Oliveira (Foto: Fábio Motta/Estadão), juntas no palco Foto: Estadão
“Hilda Hilst reclamava homenagens em vida – queria ser prestigiada enquanto estivesse aqui – e brincava dizendo que seria homenageada depois de morta. É isso que temos de fazer com nossos autores e autoras em atividade, e são duas mulheres admiráveis”, diz a curadora Josélia Aguilar.
Assim como foi em 2017 na Flip de Lima Barreto, a abertura será mais artística – e não com uma conferência sobre o homenageado, como era no início –, explica a curadora, que não dá mais detalhes. No ano passado, o ator Lázaro Ramos leu trechos de livros de Lima enquanto a historiadora e biógrafa do escritor, Lilia Schwarcz, falou sobre ele.
As duas convidadas vão lançar livros na Flip. Jocy, vencedora do Jabuti em 2015 por Diálogo com Cartas, apresenta, em Paraty, Leituras de Jocy – reunião de textos sobre sua obra a ser lançada pela Sesi-SP Editora.
Já Fernanda Montenegro lança sua fotobiografia pelas Edições Sesc e, pela Companhia das Letras, ainda a confirmar se na Flip, Meus Papéis, livro de memórias escrito com a jornalista e dramaturga Marta Góes.
Alunos participantes do projeto Jovem Explorador, em Pacoti (de cima para baixo), em passeio sobre a memória e edificações da cidade, em trilha ecológica e em visita ao Ecomuseu do município
A noção de que existem "Brasis" espalhados pelo interior do Brasil às vezes não passa disso, de uma mera noção, uma ideia. Fontes históricas oficiais sobre as regiões interioranas do País não encontram paralelo com a historiografia das capitais e, para equilibrar essa balança, há muito material e informação ainda a serem investigados e compartilhados.
Há quatro anos, em Pacoti, na região serrana do Maciço de Baturité (CE), um grupo de estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Menezes Pimentel, sob coordenação do historiador e professor Levi Jucá, iniciou uma investigação de memória sobre a cidade e seu entorno. O passo inicial foi batizado Jovem Explorador, inspirado na Comissão Científica de Exploração do século XIX, que à época esteve de passagem pelo Ceará pesquisando a flora, a fauna e a cultura do Maciço.
Agora, após a abertura do Ecomuseu de Pacoti (localizado no campus da Universidade Estadual do Ceará/UECE no município), o grupo dá um passo além da exposição dos primeiros resultados da pesquisa. De quinta (1º) a sábado (3), será realizado o curso gratuito "Organização de Acervos Documentais e Recuperação da Informação", também no campus da UECE em Pacoti, a fim de organizar o material doado pela comunidade local, para contribuir com a formação de um acervo de memória da região.
Segundo Levi Jucá, em entrevista por telefone, a necessidade de arquivar as informações recolhidas foi uma demanda da própria comunidade. "O objetivo no início, pesquisando história e patrimônio da cidade, era criar o Ecomuseu. Mas à medida que o trabalho aconteceu, a gente recebeu doações de famílias. Fotografias de época, recortes de jornais, periódicos que circulavam na região antigamente. Enfim, uma gama diversificada de documentos e objetos", situa o historiador.
Olhar para si
Levi destaca que a carência de fontes históricas sobre o interior do Brasil também motivou a abertura do curso. "Queríamos catalogar e digitalizar esse acervo, para colocá-lo à disposição do público".
Ainda em sala de aula, antes de cair no campo através do Jovem Explorador, o professor e seus alunos perceberam que o currículo escolar não ia além da história do Brasil, de outros países e continentes. O grupo decidiu, então, começar uma pesquisa histórica local, abordando os moradores com questões objetivas sobre o passado e a natureza da região ("qual a origem e significado do nome Pacoti?"; "quando o município foi criado?").
"Cerca de 80% das respostas (do questionário) ficavam em branco. Os moradores não têm essa identidade local, e a cidade não tinha um equipamento de memória (até a criação do Ecomuseu). Então depois que a gente atuou nessa questão museológica, agora é criar um arquivo histórico. Você tem o Arquivo Público do Estado em Fortaleza. Mas arquivos regionais são praticamente inexistentes", detalha Levi Jucá.
Turismo cultural
Indagado se a pesquisa e a atuação do grupo se afinam às expectativas dos turistas que visitam o Maciço de Baturité procurando um clima frio no Ceará, além da exploração recente da rota do café na região (mediada por proprietários de sítios antigos e do Sebrae), o historiador pontua que a exposição da memória da região é complementar a tudo isso.
"Fizemos mapeamentos de trilhas ecológicas e de memória; e foram experiências maravilhosas. Os turistas entenderam que a serra era mais que o evento, a boa comida, o verde, o frio. E a gente entende que a serra é um capítulo à parte da história do Ceará: diferente do sertão do algodão (e de outras culturas), o local foi terra de cultivo do café", destaca Levi.
Paralelo à rota do café, o grupo prepara um roteiro de turismo comunitário, percorrendo o patrimônio edificado de Pacoti, enquanto apresenta a história do café e de vocações religiosas da região.
Levi Jucá e os estudantes tiveram o apoio do "mateiro" José Carneiro. Ele, pai de uma das alunas do projeto, já orientava cientistas da UECE, que pesquisam o Maciço. "Ele não precisa de GPS, de nada (para se situar na mata). Através do projeto do Ecomuseu, o saber dele foi mais reconhecido, e inclusive ele foi selecionado pelo último edital dos Mestres da Cultura (da Secretaria da Cultura do Ceará)", aponta o historiador.
Ecomuseu
Criado para apresentar o material pesquisado, o Ecomuseu ainda não tem um funcionamento pleno. Com dificuldades financeiras para bancar pessoal, o local é um salão de 11 x 5 metros, feito de plástico reciclável. O engenheiro Joaquim Caracas, de Guaramiranga (a 15km de Pacoti), projetou o espaço em parceria com o grupo coordenado por Levi Jucá. "Foi uma construção muito rápida. Ele já tinha criado o hotel Vale das Nuvens (em Guaramiranga), da mesma forma", detalha Levi.
Desde novembro passado, o local sedia a exposição fotográfica, em cartaz por tempo indeterminado, "Pacoty ontem, Pacoti hoje'. Levi Jucá pontua que o conceito de ecomuseu se diferencia do museu tradicional. "Não se prende a um prédio e a uma coleção de objetos. Considera todo um território, e não se resume a um acervo de objetos, mas ao próprio patrimônio desse território. É a chamada 'museologia social'", explica.
Mais informações
Curso "Organização de Acervos Documentais e Recuperação da Informação" (20h/aula), dentro do projeto "Arquivos da Memória: Maciço de Baturité". De 1º a 3/03, das 8 às 16h, no Campus da UECE em Pacoti (R. Divino Salvador, 225, Centro). Inscrições gratuitas. Contato: (85) 98725.4437 facebook.com/ecomuseudepacoti
por Aline Oliveira - Especial para o Diário do Nordeste
O embaixador Antonio Patriota (à esquerda), a curadora Regina de Barros (meio) e o vice-reitor da Unifor, Randal Pompeu (à direita) ( Foto: Alexandre Leão/Embaixada do Brasil em Roma )
Roma. Dentro de dois dias, as portas da Embaixada do Brasil em Roma vão ser abertas para mostrar aos europeus e turistas obras que marcam a produção modernista no Brasil entre 1920 e 1960. Antes disso, a exposição, que recebeu na Itália o nome de “Arte Moderna in Brasile”, e reúne 76 obras da coleção da Fundação Edson Queiroz, será lançada em evento para convidados.
Em Roma, três espaços do prédio da embaixada foram reservados para exposição, o que vai permitir aos visitantes que, logo que entrem, já se deparem com obras de artistas brasileiros ou radicados no País, ilustrando cerca de quarenta anos de produções artísticas no Brasil.
A exposição é dividida em três núcleos: o que engloba os anos 20 e 40, com predomínio da arte figurativa, o que marca a transição da figuração para a abstração e o terceiro núcleo que reúne produções do fim dos anos cinquenta e anos sessenta, marcadas pelo abstrato informal, quando os artistas começam a trabalhar com outros materiais, como papel e areia.
Para a curadora da exposição, Regina Teixeira de Barros, a apresentação das imagens em blocos torna a exposição mais concisa e até mais aconchegante para o público. “Isso vai ser muito interessante para o visitante que não conhece arte brasileira, porque ele vai ter uma experiência muito marcante de sentir uma série de trabalhos de uma época, em cada sala, de perceber como na década de cinquenta isso muda de figura de uma forma radical, da figuração para a abstração, como isso acontece. Então, eu acho que o visitante italiano, estrangeiro ou mesmo brasileiro que não conhece muito a história da arte nesse período vai ter uma oportunidade muito bacana de perceber esse andamento da história”.
Randal Pompeu, vice-reitor da Universidade de Fortaleza, explica que a chegada da exposição a outros países começou com um projeto do chanceler Airton Queiroz.
“Essa ideia nasceu do Chanceler Airton Queiroz que tinha o seu sonho de mostrar essa exposição que foi montada por ele durante a sua gestão à frente da Universidade de Fortaleza e da presidência da Fundação. Ele queria mostrar para as pessoas a arte e a cultura. E esse sonho do chanceler Airton Queiroz só foi concretizado graças à continuidade que a atual presidente da Fundação, Lenise Queiroz Rocha, deu a esse trabalho, fazendo com que essa exposição viesse aqui para Roma”. O embaixador do Brasil em Roma, Antonio Patriota, se diz feliz com a exposição e ressalta a participação de obras de cerca de dez artistas ítalo-brasileiros, que nasceram na Itália ou que são descendentes de italianos.
Segundo ele, isso vai permitir que o público local, ainda pouco familiarizado com esse período da nossa arte, tenha uma verdadeira introdução à arte brasileira do século XX. “Somos muito agradecidos à Fundação Edson Queiroz, ao Ceará por nos permitir fazer essa apresentação de um acervo tão bonito”, finaliza o embaixador brasileiro.
A mostra que será exposta na capital italiana faz um recorte da coleção de obras pertencente à Fundação Edson Queiroz, que ao longo de 30 anos vem construindo uma das mais sólidas coleções de arte brasileira, contemplando todos os períodos da arte no País. A exposição “Arte Moderna in Brasile”, da Fundação Edson Queiroz, será lançada amanhã, e ficará aberta ao público de 2 de março a 5 de maio, na embaixada do Brasil em Roma, que funciona no Palazzo Pamphili, uma construção do século do XVII adquirida pelo governo brasileiro em 1960. O prédio imponente que tem a bandeira do Brasil ao alto fica numa das mais famosas praças de Roma, a Piazza Navona, dia e noite movimentada por romanos e turistas.
A praça concentra exemplos da arquitetura barroca, como a Igreja de Santa Inês em Agonia, e monumentos importantes, entre eles a “Fontana dei Quattro Fiumi”, ou “Fonte dos quatro Rios”, que representa os rios Nilo, símbolo da África; Ganges, da Ásia; Danúbio, da Europa; e Rio de la Plata, da América.
Serviço
Exposição: "Arte Moderna in Brasile"
Período: 2 de março a 5 de maio
Local: Embaixada do Brasil em Roma (Itália), Palazzo Pamphilj, Piazza Navona 14, 00186
A luta por mais representatividade feminina nos quadrinhos já atravessa algumas décadas. Dentre as poucas personagens mulheres destacamos a Batgirl, que foi criada inicialmente para ser coadjuvante do Batman. Entretanto, sua trajetória ganhou fôlego e ela se tornou uma das super-heroínas mais aclamadas pelo público teen, rendendo um bom faturamento a editora norte-americana DC Comics.
No universo das HQs, ela teve a sua primeira aparição na Detective Comics 359, em 1967, com The Million Dollar Debut de Batgirl!, escrita por Gardner Fox e desenhada por Carmine Infantino. Durante o dia, ela é Barbara Gordon, filha do comissário de polícia de Gotham City, Jim Gordon. Ao colocar a máscara, Batgirl tem um arsenal de habilidades, é especialista em computação gráfica, possui alto intelecto, memória fotográfica e pratica artes marciais. Com um público fiel de leitores, ela já viveu muitas aventuras e, quando não está combatendo o crime, é estudante e bibliotecária.
Dentro das narrativas apresentadas pela personagem, existe uma que marcou tragicamente sua performance. A Piada Mortal, de Alan Moore, conta a origem do Coringa. Na trama, o vilão atira em Barbara deixando-a paralisada da cintura para baixo. “É uma história muito pesada e debatida até hoje. Além de deixá-la paraplégica, existem indícios de que houve um abuso”, revela o quadrinista Daniel Brandão.
Mesmo limitada fisicamente, Batgirl é um verdadeiro símbolo “girl power”. Resistente, ela volta na HQ Esquadrão Suicida como uma hacker super poderosa. “Ela vem mostrando sua força e coragem em acreditar no propósito de defender a cidade. Ela vira a Oráculo, usando computação e tecnologia para isso”, conta a redatora Vitória Salviano, leitora voraz de HQs. A personagem se tornou uma das principais forças femininas nos quadrinhos. Ela deu voz a uma legião de novas leitoras que se sentem representadas nesse universo. Com isso, acabou surgindo a possibilidade de um filme estrelado pela personagem.
Em 2017, sites especializados chegaram a noticiar que a personagem ganharia um filme solo, dirigido por Joss Whedon, mesmo diretor de Os Vingadores. “Sempre tivemos heróis e vilões consagrados nos cinemas. Porém, ainda sofremos pela falta de personagens femininas atuantes. Dessa forma, a Batgirl nada mais é do que um meio para diminuir essa diferença e mostrar boas histórias através do olhar feminino”, afirma o jornalista Daniel Costa.Mas recentemente, segundo a revista Hollywood Reporter, Joss Whedon decidiu abandonar a ideia do filme alegando não ter história para contar. “Batgirl é um projeto também animador e Warner/DC são parceiros tão colaborativos e compreensivos, que demorei meses para perceber que não tinha história. Sou muito grato a Geoff (Johns, presidente do DC), Toby (Emmerich, presidente da Warners Picture Group) e todo mundo que me recebeu quando cheguei e que me entenderam quando... tem uma palavra mais sexy para ‘falhei’?”, disse Whedon em nota. Apesar disso, a revista americana Variety revelou que, caso fosse rodado, o filme seria baseado em The Million Dollar Debut of Batgirl!.
Para os fãs, levar Batgirl aos cinemas daria mais força à icônica personagem e voz à uma legião de novas leitoras que se sentem representadas pela heroína mascarada.
Os festivais no Canadá estão bem representados nesta lista, incluindo a Canadian Music Week em Toronto. (Reprodução)
Quarenta e seis festivais de música do mundo se comprometeram nesta semana a aumentar a igualdade de gênero em sua programação antes de 2022, em um momento em que a falta de reconhecimento das mulheres no setor do entretenimento é alvo de debate.
"Espero que seja o começo de uma indústria mais equilibrada que traga benefícios para todos", declarou Vanessa Reed, diretora da PRS Foundation, uma fundação britânica de apoio a iniciativas musicais que lidera a campanha.
Estes 46 festivais, na Europa e nos Estados Unidos, se comprometeram que seus "headlines", júris e suas comissões estejam compostos por, ao menos, 50% de mulheres.
Oito festivais já haviam feito isto anteriormente, entre eles Iceland Airwaves, Reykjavik Rock and Electro Festival e The Great Escape em Brighton, no Reino Unido.
Trinta e oito festivais se uniram à iniciativa. Na França, integraram a iniciativa o Gilles Peterson's Worldwide Festival de Sète e o Midem, um importante evento anual para a indústria da música. Também se somaram o BBC Proms, um festival de verão de música clássica de Londres, e a A2IM, uma associação americana de música independente em Nova York.
Os festivais no Canadá estão bem representados nesta lista, incluindo a Canadian Music Week em Toronto.
Mas a iniciativa de gênero não inclui muitos dos festivais de música mais famosos, que muitas vezes apresentam apenas homens como "headlines".
O Coachella, por exemplo, o festival americano mais famoso, tem somente uma mulher, Beyoncé, entre os três "headlines", em abril. E nenhuma mulher esteve entre os três principais nomes do Glastonbury em 2017, que é realizado a cada dois anos.
A campanha surge em um contexto em que cada vez mais surgem vozes para denunciar o sexismo institucional na indústria do entretenimento e em outros setores culturais.
Várias mulheres do mundo da música expressaram sua indignação depois que Neil Portnow, presidente da Academia americana de Gravação, que organiza o Grammy, disse que as artistas deveriam "dar um passo à frente" para aumentar sua presença entre os premiados.
A nova Diretoria da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF, eleita no dia 30 de novembro de 2017, para o exercício de 2018-2019, tomou posse, nesta sexta-feira, dia 23 de fevereiro, às 19:30 horas, em solenidade no Palácio da Luz. O Presidente é o Acadêmico Dr. Régis Frota.
A nova Diretoria da AMLEF
NOMES:
Créditos: Pe. Geovane Saraiva (Diretor de Publicações e Comunicações)
Mário de Andrade e a correspondência com escritores e artistas são temas no Chá com Letras, nesta teça-feira (27), na Idea Casa de Cultura. (foto: Arquivo EM)
Na atualidade, a literatura divide espaço com diversos meios de entretenimento de acesso fácil e satisfação imediata. Isso, somado à baixa cultura literária do brasileiro, resulta em uma população adulta que lê pouco e não se esforça em propagar o hábito para as novas gerações. No entanto, em Belo Horizonte, há diversas iniciativas que buscam reverter esse cenário a partir de experiências de troca. Esta semana, dois desses encontros celebram a literatura de forma conjunta em Belo Horizonte.
Há 10 anos, as rodas de leitura realizadas pela Biblioteca Pública Infantil e Juvenil compartilham textos literários e incentivam, na prática, o contato com obras literárias. O projeto reúne voluntários, que, após um encontro de preparação, apresentam textos e fazem leituras expositivas em voz alta para um público agendado, geralmente, na última quarta-feira do mês. Além de escolas, que organizam excursões ao local, a ação recebe também público universitário e jovens cumprindo medidas socioeducativas.
Técnico em literatura da biblioteca, Samuel Medina é um dos coordenadores da roda de leitura e do encontro de contadores de histórias. “As ações propõem o retorno do hábito da leitura como um momento de encontro. Considerando o desenvolvimento mercadológico do livro ao longo do tempo e também o processo de alfabetização, percebemos que a leitura passou a ser feita silenciosamente, de forma recolhida”, observa, defendendo o resgate dos serões, em que “uma pessoa lia em voz alta um livro ou um jornal e a família se reunia para ouvir”.
Nos encontros, são trabalhadas diferentes formas de expressão da literatura. Assim, textos teatrais e livros ilustrados não ficam de fora das rodas de leitura. A acessibilidade também é uma preocupação dos participantes. “Como um livro de imagens pode ser lido para uma pessoa com deficiência visual? Essas questões são abordadas e discutidas nas leituras experimentais junto com as discussões dos textos”, conta Samuel.
FORMAÇÃO Segundo pesquisas, adultos leem menos que crianças e adolescentes. A prática, bastante associada ao processo de escolarização, costuma ser abandonada pelas pessoas ao encerrarem os estudos. Atento a esse cenário, Samuel propõe que o olhar seja direcionado ao processo de formação de novos leitores ainda na infância. “Na roda de leitura, convidamos o público infantil a acompanhar o texto com uma fruição que propicia um momento agradável, de prazer. Fazemos uma espécie de propaganda da leitura e do livro”, afirma o técnico, que destaca a importância da construção de imagens interiores e projeções simbólicas. Assim como as artes plásticas, a literatura requer um esforço maior, um compromisso e uma cumplicidade que vão além da função de espectador”, diz Samuel.
Segundo Samuel, a literatura deve ser vista como um ato de liberdade e faz parte do processo de educação estimulá-la de forma prazerosa. Nesse contexto, ele observa a importância da literatura popular infantojuvenil. “Por mais que eu ofereça o que eu acho bom e importante que eles conheçam, os jovens precisam exercer suas próprias escolhas. Literatura imposta não é literatura. Você não vai construir imagens se não tiver interesse e atenção ativa para aquilo”, defende.
Para Samuel, as novas mídias e tecnologias não devem ser vistas como rivais da leitura, mas aliadas. Como exemplo, ele cita a difusão de crônicas e poesias através do WhatsApp e a possibilidade de os usuários das redes sociais produzirem seus próprios conteúdos. “As pessoas estão escrevendo mais – o que não quer dizer que estão escrevendo bem.” Doutora em literatura, a professora Maria do Rosário Alves Pereira concorda, apostando na coexistência dos vários meios. “Uma pessoa pode se interessar pelos estudos literários e também pelos novos formatos de arte e comunicação. Afinal, ainda que efêmeros, esses meios atendem ao nosso cotidiano com uma praticidade que, inclusive, dá a tônica das próprias relações humanas”, afirma.
CARTAS Maria do Rosário participa da edição de hoje do Chá com Letras, projeto de fomento dos estudos literários promovido periodicamente pela Idea Casa de Cultura. Ela analisa cartas trocadas pelo escritor Mário de Andrade (1893-1945) com artistas de sua época – incluindo um acervo inédito disponibilizado pelo Instituto de Estudos Literários (IEB), da USP.
O bate-papo promoverá um amplo panorama do cenário cultural brasileiro na primeira metade do século 20. Terão destaque textos trocadas por Mário de Andrade com as escritoras Henriqueta Lisboa e Oneyda Alvarenga. “A carta como documento histórico e cultural traz uma série de vestígios acerca dos escritores, que muitas vezes nós não conseguimos vislumbrar em seu arsenal de obras publicadas. Para além do aspecto da privacidade – já que pressupõe apenas dois interlocutores –, essas cartas alcançam dimensão pública, pois refletem aquele tempo”, afirma.
A professora defende que as cartas eram o laboratório do escritor, em que Mário dialogava com os novos artistas da época – que o enxergavam como um patrono da vida literária. Fernando Sabino (1923-2004)foi um dos que recorreram ao veterano, para opinar a respeito de sua primeira obra, escrita aos 18 anos. “Mário promovia uma espécie de modelagem desses escritores, traçando um percurso de obras que eles deveriam ler. De uma forma geral, começava pela literatura brasileira e latina e só depois seguia para a literatura estrangeira”, revela Maria do Rosário.
O encontro aborda ainda correspondências assinadas pelas artistas plásticas Tarsila do Amaral (1886-1973) e Anita Malfati (1889-1964) endereçadas ao escritor. Maria do Rosário ressalta que o Movimento Antropofágico fica muito claro nas primeiras cartas trocadas entre eles, além de elas reunirem informações sobre obras cruciais para o modernismo brasileiro, como Abaporu (1928), de Tarsila.
“É perceptível a participação fantasmagórica de Oswald de Andrade (primeiro marido de Tarsila) através do tom irônico de algumas cartas, algo que vai se esfacelando com o tempo, já eles se separaram nos anos seguintes”, observa Maria do Rosário. Já nas cartas escritas por Anita Malfati, é notório o quanto as fortes críticas que recebia na época impactavam seu fazer artístico.
Segundo Maria do Rosário, o objetivo do projeto é promover conversas pessoalmente sobre assuntos voltados à cultura. Ela afirma que o Chá com Letras costuma reunir não apenas um público intelectual, mas pessoas com diversos repertórios que, em diálogo, só têm a acrescentar uma às outras.
CHÁ COM LETRAS As cartas de Mário de Andrade e sua importância como epistológrafo, com Maria do Rosário Alves Pereira. Mediação: Carol Barreto. Terça-feira (27), às 19h, na Idea Casa de Cultura (Rua Bernardo Guimarães, 1.200, Funcionários. (31) 3309-1518). Entrada franca, com retirada de ingressos a partir das 18h30.
RODA DE LEITURA EM VOZ ALTA E REFLEXÕES SOBRE LITERATURA Mediação: Wander Ferreira e Samuel Medina. Quarta-feira (28), às 9h30, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil (Centro de Referência da Juventude, Praça da Estação, s/nº, Centro. (31) 3277-8658). Entrada franca.
Resgatando a cultura e a memória histórica de personalidades cearenses, o Instituto Myra Eliane lançará em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) um concurso de monografias: “O Cearense 2018, uma releitura da obra clássica de Parsifal Barroso”.
As monografias serão analisadas por comissão composta de membros de notório conhecimento em área acadêmica. Os três trabalhos selecionados serão reunidos em coletânea que será publicada pelo instituto. Os autores das redações classificadas receberão prêmios de até R$ 10 mil.
As inscrições estarão abertas a partir do dia 27 de fevereiro e seguem até o dia 27 de março. Podem participar estudantes matriculados em cursos de nível superior de qualquer universidade do Brasil, seja ela pública ou privada. O regulamento do concurso está disponível no site do concurso.
O secretário de Cultura do Estado, Fabiano Piúba, ao lado de Igor Queiroz Barroso, e crianças durante a solenidade de entrega dos livros ( Foto: Natinho Rodrugues )
Bibliotecas públicas e escolares de todo o Estado passaram a contar com duas importantes obras da literatura local, responsáveis por contar a história e a cultura do Ceará. Em uma parceria entre o Grupo Edson Queiroz e o Instituto Myra Eliane, entidade sem fins lucrativos voltada para a educação, os equipamentos receberam, ontem (26), 1.500 exemplares dos livros "O Cearense", do autor Parsifal Barroso, e "Olga Barroso - Na Vanguarda da Vida", do escritor e historiador Juarez Leitão.
A doação foi celebrada em evento na manhã dessa segunda-feira, na Biblioteca Pública Espaço Estação, em Fortaleza. Mais de 200 equipamentos e acervos de escolas do Estado utilizarão as obras para incentivar a leitura e disseminar conhecimento sobre as origens do Estado.
Segundo Igor Queiroz Barroso, diretor institucional do Grupo Edson Queiroz e presidente do Instituto Myra Eliane, a entrega dos livros faz parte do trabalho realizado desde o ano passado de resgate das obras. "O Cearense", publicado originalmente em 1967, ganhou, em 2017, uma nova edição. Escrito por Parsifal Barroso, que possuiu ampla atuação política no Estado, inclusive na função de governador, o ensaio traz uma análise sobre os traços do povo local. Já a biografia "Olga Barroso - Na Vanguarda da Vida", lançado no ano passado, revela a trajetória da ex-primeira-dama do Ceará e esposa de Parsifal, que tornou figura feminina de destaque na política e na sociedade cearense.
Igor Queiroz ressalta que, com a doação dos exemplares, estudantes e pesquisadores poderão conhecer novos personagens da história do Ceará. "Estamos celebrando a doação desses 1.500 exemplares, resgatando a história do nosso povo e colaborando para que crianças, jovens e adultos conheçam nossas origens e se espelhem em pessoas que foram exemplo de cidadania e dedicação à nossa terra", salientou Barroso.
Incentivar
O diretor institucional do Grupo Edson Queiroz e presidente do Instituto Myra Eliane afirmou, ainda, que a ação também tem por objetivo aumentar o acesso à leitura e incentivar o hábito entre pessoas de todas as idades. "Ler um livro não é simplesmente transportar-se para o mundo da imaginação, mas é educar-se, conhecer o passado para compreender o hoje e buscar melhorias para o futuro", destacou.
O secretário de Cultura do Estado, Fabiano Piúba, frisa que as obras passam a fazer parte do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, que conta com equipamentos do Estado, dos Municípios e comunitários. Para o gestor, as duas obras fazem diálogo com a Educação, uma vez que ajudam os leitores a compreenderem os contextos históricos que retratam. "São obras importantes pra conhecer a natureza das origens culturais do Estado e destacam o papel da 'cearensidade'", diz.
Biblioteca pública
Piúba revela que os dois livros terão destaque na seção voltada para a literatura cearense na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, principal equipamento do Sistema Estadual de Bibliotecas.
Em reforma desde abril de 2015, o espaço deve ser reaberto no mês de julho. "Concluímos a reforma e estamos na fase de implantação de mobiliário e equipamentos. E essas obras devem ganhar destaque para serem difundidas melhor não só na biblioteca, mas também nas escolas públicas", explicou o secretário de Cultura do Estado, Fabiano Piúba.
Fique por dentro
Parsifal e Olga Barroso marcaram a sociedade
Parsifal Barroso nasceu em Fortaleza, no ano de 1913. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, governou o Estado entre 1959 e 1963 e atuou como senador, ministro e deputado em duas ocasiões. Trabalhou, ainda, como advogado, professor e jornalista. Além de "O Cearense", publicou as obras "Pedro, nosso irmão", "Na Casa do Barão de Studart", "Um francês cearense" e outras.
Olga Barroso nasceu em Sobral, filha do Coronel Chico Monte, líder político da região Norte no início do século XX. Enquanto primeira-dama, casada com Parsifal Barroso, desenvolveu trabalhos de relevância para a sociedade, como a criação da Sociedade de Amparo à Criança Cearense. Também estimulou a implantação de cursos de Pediatria e Prática Obstetrícia para a formação de cuidadoras e parteiras, colaborou para a construção do Hospital Infantil Albert Sabin e comandou a Legião Brasileira de Assistência (LBA).
As inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) terminam na próxima quarta-feira (28), às 23h59. O programa é coordenado pelo Ministério da Educação (MEC) e oferece crédito para custear a mensalidade de estudantes interessados em cursar o ensino superior em instituições privadas. Os contratos vão seguir as novas regras do programa, aprovadas no ano passado. No total, serão ofertadas 310 mil vagas, sendo 155 mil para o primeiro semestre de 2018.
Os recursos do financiamento são destinados a financiar alunos em cursos superiores privados, desde que tenham avaliação positiva junto ao MEC. O montante a ser pago depende de uma fórmula que leva em consideração o preço da mensalidade e a renda familiar do candidato. No início do mês, o Comitê Gestor do Fies definiu os limites do financiamento: máximo de R$ 30 mil e mínimo de R$ 300 por semestre.
As condições do financiamento são estipuladas entre o banco que irá conceder o empréstimo, a instituição de ensino e o aluno. O estudante começará a pagar a dívida após a formatura e o valor da parcela dependerá de sua renda.
Pode se inscrever quem teve média de pelo menos 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e não tirou zero na redação. Outra exigência é se encaixar dentro dos limites de faixa de renda estabelecidos para o programa.
As inscrições devem ser feitas pelo site do MEC. O candidato deve fornecer o número do CPF, a data de nascimento e um e-mail válido. Além disso, deve informar a renda familiar para comprovar que se encaixa nas exigências do programa. Modalidades
O governo oferta duas modalidades de financiamento (Fies e P-Fies), estruturadas em três faixas. O Fies abrange a primeira, que contempla alunos com renda familiar bruta de atê três salários mínimos por pessoa. Neste caso, as parcelas terão apenas a reposição inflacionária, com juro real zero.
O P-Fies contempla as segunda e terceira faixas. A segunda é destinada a alunos com renda de até cinco salários mínimos por pessoa nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já a terceira é voltada a estudantes com o mesmo teto de renda familiar nas demais regiões. Nesses dois casos, os juros serão um pouco acima da inflação.
A expectativa do MEC é atender 310 mil alunos, sendo 100 mil na faixa 1, 150 mil na faixa 2 e 60 mil na faixa 3. Calendário
Após o encerramento das inscrições, no dia 28 de fevereiro, serão divulgados os resultados de pré-seleção e as listas de espera. A modalidade FIies disponibilizará os nomes no dia 5 de março, enquanto a P-Fies tornará público os contemplados no dia12 de março.
Quem for pré-selecionado na modalidade Fies terá de 6 a 8 de março para fazer a complementação da inscrição. Para tirar dúvidas e obter mais informações sobre o calendário ou outros aspectos da seleção, o candidato deve acessar o site oficial do programa.
Cidade do Vaticano, 27 fev 2018 (Ecclesia) – O novo livro-entrevista do Papa Francisco, ‘Deus é jovem’, vai ser lançado a nível mundial no próximo dia 20 de março.
Dois anos depois de ‘O nome de Deus é misericórdia’, publicado em mais de 100 países, a publicação antecipa a próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, que o Papa convocou para outubro, no Vaticano, dedicada à realidade dos jovens na Igreja e na sociedade.
Francisco conversa com o jornalista Thomas Leoncini, “dirigindo-se aos jovens de todo o mundo, de dentro e fora da Igreja”, informa o portal de notícias do Vaticano.
A Editora Planeta adianta que a obra contém “uma mensagem de libertação que retrata o presente e desenha o futuro, construindo uma ponte entre as gerações”.
“Francisco analisa com força e paixão os grandes temas da atualidade e propõe arrancar as novas gerações, ou seja, os grandes rejeitados do nosso tempo agitado, das margens a que foram relegadas, destacando-as como protagonistas da nossa história”, acrescenta.
Filipe Lopes realça a importância de «humanizar» os estabelecimentos prisionais e recorda que estas pessoas um dia serão «o nosso vizinho do lado»
Lisboa, 27 fev 2018 (Ecclesia) – Filipe Lopes leva poesia às prisões há 15 anos, num projeto que tem como objetivo contribuir para a reabilitação dos reclusos, através da palavra, e ajudar a contrariar os estigmas sociais que pesam sobre aquelas pessoas.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o voluntário de 42 anos explica que o projeto ‘A poesia não tem grades’ começou em 2003, a partir de uma iniciativa de leitura no Estabelecimento Prisional de Sintra, promovida pela Direção-Geral dos Serviços Prisionais, e da perceção de que, “apesar de se sentir uma pessoa bastante aberta, também ele tinha imensos preconceitos” em relação aos reclusos.
Para Filipe Lopes, é fundamental passar a mensagem à sociedade de que estas pessoas estão ali por causa de uma determinada história de vida, que poderiam ter tido “outro destino” que não aquele, e que ninguém está livre de cair ou errar.
“Existe a punição através da pena de prisão, mas temos de olhar para estes homens e mulheres também pelo seu contexto”, salienta o voluntário que com o seu trabalho espera contribuir para a “humanização” dos estabelecimentos prisionais.
Aquelas pessoas, assinala, merecem ser “tratadas não apenas como um número, mas pelo seu nome”, porque “daqui a uma semana, a um ano, a dez anos vão ser o nosso vizinho do lado” e é essencial que saiam “como pessoas renovadas”.
As sessões de poesia na prisão duram cerca de hora e meia e Filipe Lopes destaca a importância do diálogo e da escuta para a recuperação dos reclusos.
“A palavra, o conseguir estar com aquela pessoa e ouvi-la no momento certo pode fazer a diferença para se calhar salvar vidas”, observa.
Habitualmente, o voluntário leva consigo cerca de “10, 15 poemas” para ler, além de “centenas de folhas com textos que possam ser aproveitados pelas pessoas”.
Os autores são variados, portugueses e estrangeiros, como Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, António Lobo Antunes, Fernando Pessoa ou DH Lawrence e Charles Baudelaire.
No entanto, mais do que declamar poesia a intenção passa por “ouvir as pessoas” e desafia-las também à escrita, porque isso também ajuda a desabafar, a exprimir sentimentos.
“Cada pessoa tem a oportunidade de ler os textos que escreveu, de fazer as suas perguntas, de dizer aquilo que sentiu a ler”, explica Filipe Lopes.
Das “centenas de histórias que tem para contar”, o voluntário tem “uma marcante que não esqueceu” e que gosta inclusivamente de contar nas suas sessões: é a de um rapaz com cerca de 20 anos, que estava preso porque tinha caído no vício da droga.
“Ele disse-me que na prisão tinha ganho outro vício, o da leitura, e que ao ler determinados textos tinha sentido sensações tão fortes ou melhores do que aquelas que sentia quando tomava drogas”, recorda Filipe Lopes.
Sobre o futuro do projeto ‘A poesia não tem grades’, o voluntário natural de Tomar pretende atrair mais voluntários para esta missão.
Ao mesmo tempo, quer dar andamento a outros projetos em que está a participar, nomeadamente um que está diretamente ligado à prevenção do crime e da delinquência.
Filipe Lopes trabalha há vários anos com a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens, sobretudo no contacto com as escolas; a ideia é prestar este serviço “cada vez mais cedo”, com as “famílias”, acompanhando-as, dando-lhes “competências” para que os mais novos não caiam nas margens da sociedade.
O projeto ‘A poesia não tem grades’ vai ser um dos destaques do Programa ECCLESIA, esta tarde na RTP2 a partir das 15h00, num trabalho ligado à Pastoral das Prisões.
A retirada da cadeira de literatura da grade escolar em Mato Grosso do Sul voltou a ser criticada, na Capital, na posse do novo imortal da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), Oswaldo Barbosa de Almeida, em solenidade realizada na sede da entidade na noite de sexta-feira (23). O novo imortal da ASL, que passa a ocupar a cadeira de número 3, é natural de Coxim, autor de livros de crônicas e contos, e também colaborador do jornal "Correio do Estado", com artigos de opinião e crônicas ou minicontos totalizando mais de 200 publicações no periódico.
Em seus discursos, o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, e o secretário-geral, Rubenio Marcelo - que fez o discurso de saudação ao novo acadêmico - fizeram duras críticas à medida. Rubenio declarou que o Ensino Médio "tem a meta de propiciara formação integral do estudante, bem como a educação em direitos humanos como princípio nacional norteador. Para ele, a formação integral necessita de aprendizados integrais e consistentes, e no tocante a educação em direitos humanos "sabemos que a literatura, pelo seu aspecto humanizador e formador cultural, constitui-se num dos necessários e mais relevantes direitos de todos."
Críticas ocorreram durante posse de novo imortal da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), Oswaldo Barbosa de Almeida
Henrique de Medeiros, ao também criticar a composição da nova grade escolar, disse que "a palavra na gramática é matemática", e a "palavra na literatura é pensamento e lições de vida". Lembrou ainda que a ASL foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra a retirada da cadeira exclusiva de Literatura da rede escolar, ao publicar um Suplemento Cultural inteiro comentando e analisando a postura da Educação estadual, e que estará sempre ao lado das entidades organizadas em defesa dessa posição.
A solenidade contou com a presença de inúmeros acadêmicos, diversas autoridades e público com vários educadores que se manifestaram solidários às críticas proferidas, tendo sido a tônica principal da confraternização no foyer da Academia após a solenidade. Em seu discurso, Rubenio disse ainda, ao citar o escritor e ensaista Goethe, que valia ressaltar sua assertiva de que "O declínio da literatura indica o declínio de uma nação".
IMORTAL
O novo imortal, Oswaldo Barbosa de Almeida, passa a ocupar a cadeira que tem como patrono Ulysses Serra e que foi preenchida anteriormente porHeliophar de Almeida Serra. Oswaldo tem uma linda história de vida, tendo sido engraxate, vendedor, servente de fábricas de refrigerantes, frentista, entregador de mercadorias, locutor de rádio, além de ter trabalhado na Prefeitura de Campo Grande, no Banagro, no Banespa, na Planoeste, na Cohab e no TRT e ainda de exercer a advocacia.
Oswaldo foi membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, Seccional de MS, por oito anos. Atualmente, é advogado e servidor federal aposentado, residindo em Campo Grande. É autor dos livros Memórias... e outras histórias" e "Sobre Corujas e outras espécies". Possui iniciados dois projetos: um romance e um livro no campo histórico, sobre tema de interesse público. É colaborador do jornal "Correio do Estado", de Campo Grande, desde o ano de 2006, com mais de 200 textos publicados em crônicas, artigos de opinião, críticas e costumes, política e outros temas.
ACADEMIA
Fundada, em 30 de outubro de 1971, pelos escritores Ulisses Serra, Germano de Souza e José Couto Pontes, a instituição surgiu com o nome de Academia de Letras e História de Campo Grande. Esta denominação predominou até final de dezembro de 1978, quando, às vésperas da instalação da nova unidade da Federação (MS), que se daria no dia 1º/01/1979, em assembleia geral, a entidade foi transformada em Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL).
O artista Francisco de Almeida, cuja exposição integra a programação do Encontro
A imagem pode contribuir tanto para denunciar e conscientizar as pessoas acerca de questões sociais - drama da migração, miséria, desrespeito aos direitos humanos, entre outros - como apenas para espetacularizar a realidade. Exemplo recente foi a foto do garoto sírio, morto no mar Mediterrâneo, estampando primeiras páginas de jornais e sites de vários países do mundo em setembro de 2015, e de repente transformando o menino em símbolo da crise migratória na Europa.
O fato mostra a multiplicidade de sentimento que uma fotografia desperta. "A imagem possui papel, simultaneamente, de conscientizar e de causar uma espécie de anestesia", adverte a pesquisadora em cinema contemporâneo Angela Prysthon, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Ela considera pertinente a discussão, que será ampliada, a partir da junção de várias vozes, durante o III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea. O evento, que tem como tema "Imagem e liberdade", começa hoje (26), com a inauguração da mostra individual do artista Francisco de Almeida, às 18h, na Sem Título Arte. Em paralelo, será apresentada a performance "Merci beaucoup, blanco!", da artista Michelle Mattiuzzi, que pintará o corpo de branco.
Até 1º de março, pesquisadores do Brasil, França, Itália e Argentina ocuparão diferentes equipamentos culturais de Fortaleza - Cineteatro São Luiz, Cinema do Dragão, Escola Porto Iracema das Artes, Museu da Fotografia Fortaleza e Vila das Artes - para discutir a relevância da imagem na atualidade, ganhando mais ênfase com a popularização da tecnologia digital, no início do século XXI.
O encerramento será na quinta (1º), às 19h, com a conferência "A conquista de uma autonomia visual: marcos históricos e iniciativas fílmicas contemporâneas", com Nicole Brenez, professora de estudos cinematográficos na Universidade Paris III e curadora de programas experimentais e de vanguarda na Cinemateca Francesa.
A pesquisadora assina texto sobre cinema engajado no livro "Levantes", organizado pelo teórico francês Georges Didi-Huberman. Ao todo, serão ministradas 18 conferências, além da programação artística, materializada na mostra de Francisco de Almeida, e na performance "Merci beaucoup, blanco!"
Angela Prysthon, que ministrará a palestra "Poéticas da liberdade na diáspora - o cinema de John Akomfrah", na quarta-feira (28), às 11h, no Cinema do Dragão, recorre ao livro "Diante da dor dos outros", da ensaísta americana Susan Sontag, que aborda justamente a reação dos seres humanos ante a dor alheia.
Anestesia
Até que ponto o excesso de veiculação de imagens pode colaborar para o embrutecimento das pessoas, provocar ações ou, simplesmente, "anestesiar", questiona ela. Por outro lado, prossegue, para além da conscientização, pode levar também à banalização da imagem e, de certo modo, nos tornar insensíveis diante das catástrofes.
Sua fala será pautada no cinema do ganês John Akomfrah. Criado na Inglaterra, ele iniciou a carreira nos anos 1980. Seus filmes tratam sobre questões raciais, colonialismo e pós-colonialismo - atual momento vivido pela Europa, daí as fronteiras estarem sendo fechadas aos migrantes. A revolução tecnológica da era digital provoca essa nova diáspora: muitas vezes, as pessoas viram personagens de um filme real, sem querer.
Com um olhar especial, afirma a pesquisadora, o cinema de John Akomfrah passa ao largo da "banalização e do clichê" das situações representadas, mesclando imagens do presente com passado.
"Ele adensa essa manipulação de imagens" misturando os dois tempos, observa Angela Prysthon, afirmando que sua arte é pouco conhecida no Brasil - embora seus filmes tenham sido apresentados em mostras realizadas nos em Brasília e São Paulo.
Um dos temas recorrentes nos títulos do cineasta nascido em Gana é a migração. A base do trabalho da pesquisadora é o filme lançado em 2013, sobre o teórico jamaicano, radicado na Inglaterra, Stuart Hall (1932- 2014). Ela investiga a diáspora condensada na obra do cineasta africano.
Expandida
A sensibilidade do artista faz com que o filme se torne uma "biografia expandida", ao transpor a história de vida de Hall para todos os migrantes. Angela Prysthon chama a atenção para o sujeito pós-colonial, que vai viver no império, no centro metropolitano.
A pesquisadora define o cinema de John Akomfrah como político, mas não no sentido tradicional e panfletário. "É um cinema com uma estética política", justifica.
Dessa maneira, seus filmes são exibidos em museus, com instalações, possuindo íntima ligação com as artes visuais, e explora a vertente do cinema expandido, uma das facetas da arte contemporânea.
Outra característica desse "cinema político mais estético" é o compromisso com a história, destacando o afro-futurismo. "Sua noção de expressão de negritude ultrapassa os clichês sobre raças", reitera, completando que leva para o universo da arte questões teóricas desenvolvidas por Hall.
Assim, o cineasta dá uma expressão artística a essas questões caracterizadas na diáspora pós-colonial. A intenção de Angela Prysthon é usar muitas imagens para ilustrar seu discurso. Dentre as principais criações de John Akomfrah destaca "As canções de Handsworth" (1986), que marca a estreia do diretor na sétima arte. Além de "O último anjo da história" (1995), "As nove musas" (2011) e "O projeto Stuart Hall" (2013). Na opinião da professora, são referências incontornáveis para pensar a diáspora africana e as relações inter-raciais na contemporaneidade.
Mais informações:
Abertura do III Encontro Internacional de Imagem Contemporânea. Nesta segunda (26), às 18h, na Sem Título Arte (R. João Carvalho, 66, Aldeota) com apresentação da performance "Merci beaucoup, blanco!", de Michelle Mattiuzzi, e inauguração mostra Francisco de Almeida. Programação: eiic.ufc.br/2018/