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Fotografias revelam os bastidores de conflitos que redefiniram o País


 JÁDER SANTANA
jader.santana@opovo.com.br
s protestos de 2013 não foram exceção. De acordo com a exposição Conflitos: Fotografia e violência política no Brasil, 1889-1964, o gigante nunca esteve adormecido. Com curadoria de Heloisa Espada, coordenadora de artes visuais do Instituto Moreira Salles, as imagens, pertencentes a 30 coleções de todo o Brasil, deixaram ontem, 25, a sede do IMS no Rio de Janeiro com previsão para chegar a São Paulo no início de maio.
Enquanto isso, as fotografias podem ser vistas no catálogo homônimo co-organizado pela socióloga Angela Alonso. As imagens aparecem situadas cronologicamente em capítulos individuais dedicados aos conflitos, da Revolução Federalista de 1893, nos primeiros anos da República, ao Golpe de Estado de 1964. O Vida&Arte apresenta a seguir alguns desses registros.

Motins pós-suicídio de Vargas (1954)
Foi no dia 24 de agosto de 1954, às 9 horas, que o Repórter Esso noticiou o suicídio de Getúlio Vargas. Com disposição de partir para as vias de fato, manifestantes percorreram o Centro do Rio de Janeiro destruindo todo tipo de propaganda relacionada à oposição de Vargas, promovendo quebra-quebras e incendiando carros. Um grupo cercou a redação do jornal O Globo e, impedido de entrar, atacou as caminhonetes de distribuição dos jornais prontas para partir. A edição inteira do diário foi incendiada.

Jornal O POVO

Notícias do Ceará

Três capas do jornal O POVO integram o livro-catálogo da exposição. No capítulo “A guerra das imagens: Lampião descobre a fotografia”, ilustrando artigo escrito pela historiadora francesa Elise Jasmin, estão os fac-símiles da primeira página das edições de 29 de dezembro de 1936 (“Uma das mais importantes Reportagens fotográficas dos últimos tempos - Lampeão, sua Mulher e seus Sequazes filmados em pleno Sertão”); 31 de dezembro do mesmo ano (“A Mulher de Lampeão: A Vida amorosa de Virgolino através de curiosos e interessantes Episódios”); e 15 de agosto de 1938 (“No Local onde tombou Lampeão: Como a Reportagem do O POVO encontrou o Corpo de Virgolino e seus Companheiros”).

Guerra de Canudos (1896)
Perseguido desde a década de 1870, Antônio Conselheiro viu ruir seu reino na tarde de 5 de outubro de 1897, quando a ocupação de Canudos foi destruída pelas tropas do Exército — agindo sob a ordem de “não deixar ficar de pé nem um só pau que indicasse ter havido ali uma choça”. O fotógrafo Flávio de Barros capturou em imagens o orgulho do exército, o cadáver do líder messiânico e a situação precária dos jagunços prisioneiros (foto), amontoados sob o sol, sem água e comida disponíveis, totalmente dominados. Com Canudos completamente cercada, ficou o registro da vitória.
Revolução Federalista (1893)
Envolvendo os estados do Sul do País, a Revolução Federalista marcou os primeiros anos da República. Os Federalistas foram um grupo dissidente que pretendia liberar o Rio Grande do Sul da governança de Júlio de Castilhos. As disputas sangrentas duraram de 1893 a 1895, e foram acentuadas pelo envio de tropas federais por Floriano Peixoto para socorrer de Castilhos. Pelos menos 10 mil pessoas morreram durante o conflito, muitas delas vítimas da degola, prática recorrente executada por ambos os lados da disputa. Na foto, um revoltoso momentos antes de sua degola.
 Revolução de 1924
Nascida do rescaldo da revolta tenentista de 1922, mostrou o potencial de insubordinação dos militares — que exatos dois anos depois, em 5 de julho de 1924, deflagraram uma nova rebelião com articulação em vários estados. A maior parte das ações ocorreu em São Paulo, nas proximidades do Palácio dos Campos Elísios. Houve bombardeio intenso durante dez dias, e várias casas, fábricas e igrejas foram destruídas (foto). As tropas conseguiram expulsar os revolucionários, que decidiram abandonar a Cidade e seguir marchando pelo interior do Estado, em direção ao Paraná.
 Insurreição de Aragarças (1959)
Última tentativa da Aeronáutica de contribuir com a União Democrática Nacional (UDN) em suas tentativas de conquistar o poder sem autorização do voto popular, desenrolou-se durante 36 horas — do sequestro de um avião decolado do Rio de Janeiro com 38 passageiros à rendição de amotinados pelo Exército em Aragarças, interior de Goiás. O objetivo era fortalecer Jânio Quadros e burlar a campanha presidencial do general Teixeira Lott, candidato apoiado por Juscelino Kubitschek. Na foto, insurgentes de Aragarças no momento de sua rendição, em dezembro de 1959.

O Povo

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