Festival do Verso Popular acontece em Portugal

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Os poetas cearenses Klévisson Viana e Geraldo Amâncio embarcam para a Europa, para excursão por cidades portuguesas, em festival que celebra o verso popular ( FOTO: SAULO ROBERTO )
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A poesia tradicional do cordel e do repente cearense há muito encanta os europeus que veem, neles, herdeiros vivos e dotados de saúde da arte dos menestréis, trovadores e jograis da Idade Média. A arte de cearenses, versados nesta artes populares, será destaque em Portugal, entre os dias 21 de fevereiro a 4 de março, quando acontece o I Festival Internacional do Verso Popular (Festcordel), com o tema: "Descante, Desgarrada e Desafio".
O evento é itinerante e acontece nas cidades portuguesas de Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Coimbra e Lisboa. Participam desta excursão poética os repentistas cearenses Geraldo Amâncio e Jorge Macedo; e o poeta, ilustrador, quadrinhista e editor de cordeis Klévisson Viana. Além dos brasileiros, participam do encontro Augusto Canário e Cândido Miranda, de Portugal, Lupe Blanco e Alba Maria, da Espanha, e o marroquino Muhamed el Eich.
O Festcordel é organizado pelo pesquisador lusitano António Sousa de Abreu Freire, autor de livros editados em seu país sobre as tradições poéticas populares do Brasil, como "Crônicas em prosa de mar e versos de cordel" e "Introdução à Literatura de Cordel".
O festival visa restaurar uma das tradições culturais mais antigas e genuínas de Portugal, a arte dos trovadores, uma das ancestrais do repente. "O cordel e o repente são muito fracos em Portugal, enquanto no Brasil têm uma força gigantesca. Literatura popular você pode até encontrar em qualquer país, mas só quem faz com qualidade e em quantidade é o Brasil. A literatura de cordel, como um todo, é muito estudada fora do País", explica Klévisson Viana.
"Nós temos uma variedade enorme de cantoria: o mourão, o martelo, o galope - quantidade de estrofes cantadas em um repente, tudo isso criação nossa, brasileira, e vamos mostrar essas 'novidades'. Enquanto ele (Klévisson) fala de cordel, eu falo de cantoria", pontua o repentista Geraldo Amâncio.
Convite
"Fui fazer uma apresentação no Teatro do Sesc e esse cidadão (o organizador do evento português) me viu fazendo um repente. Eu sabia que ele estaria lá. Ele é um grande estudioso do Padre Antonio Vieira, então ensaiei algo sobre o Viera para recitar e daí surgiu o convite", conta Geraldo Amâncio.
Os artistas levam na bagagem amostras de seus trabalhos. "O Geraldo vai mostrar a parte da oralidade da literatura de cordel, junto com Jorge Macedo, e eu vou declamar. Também vamos palestrar para alunos, professores, gente de instituições relacionadas à cultura popular", ressalta Klévisson Viana, autor de mais de 200 folhetos de cordel e de 35 livros. "Miolo da Rapadura", sua mais recente coletânea de poemas, será lançada no dia 28 de fevereiro, na Universidade de Aveiro. (O livro pode ser adquirido, em Fortaleza, na banca de folheto do Dragão do Mar ou por através de pedidos pelo e-mail: tupynanquimcordelbrasil@gmail.Com).
Indo pela quinta vez para à Europa falar sobre repente, Geraldo fez um cordel para o evento falando que estão "levando de novo essa poesia que veio de lá, que eles deixaram adormecer".
Reviver
O festival pretende sensibilizar as escolas, as universidades e o público em geral e fazê-los reviver uma tradição comumente identificado com a vida cultura da Idade Média, na Península Ibérica. "Tudo que tem que permanecer deve passar pela escola, para não acabar tão rápido. Para se consolidar, tem que necessariamente chegar até a escola", defende Geraldo Amâncio.
Na programação, estão incluídos eventos centrados em grandes nomes do verso popular da história recente de Portugal. É o caso de Maria "Barbuda" (1869 - 1946) e Marques "Sardinha" (1859 - 1941), companheiros de desafio. Outro artista que será celebrado no evento é o poeta popular José Joaquim Monteiro (1913 - 1988), um dos últimos grandes personagens da arte dos versos. Nascido em Portugal, o trovador esteve no Brasil, Belém do Pará, e em Macau, China.
Universalidade
"A literatura de cordel é uma leitura universal. Começando aqui, pela América Latina, com a literatura popular dos trovadores. O Chile, por exemplo, tem uma literatura muito semelhante ao nosso cordel, principalmente com as xilogravuras. Todas essas tradições estão em derrocada, menos aqui no Brasil. Aqui ela tem uma vitalidade como nunca teve", conclui Viana.
"Fortaleza é a capital do cordel. Aqui tem o maior número de associações e a organização mais antiga se encontra na capital cearense, a Associação Nordestina de Cantadores (ANC), fundada em 1951", finaliza Geraldo Amâncio. A tradição, afirma o poeta, tem garantia de continuidade. "Nós temos o cantador mais jovem do Brasil, Guilherme Nobre, da Messejana, de 16 anos", comemora.

Mais informações

Festcordel - Festival Internacional do Verso Popular. De 21 de fevereiro a 4 de março. Em Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Coimbra e Lisboa, Portugal.
Contato: festcordel@gmail.com


Diário do Nordeste

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