Aconteceu hoje, 26 de maio de 2018, mais uma reunião ordinária mensal da AMLEF - Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, na sede do Palácio da Luz, sob a presidência do Acadêmico Régis Frota e a presença dos patronos e acadêmicos.
Créditos: Pe. Geovane Saraiva - Diretor de Publicações e Comunicações
Editais são voltados para prosa, poesia, ilustração infantil e/ou juvenil, dramaturgia, história em quadrinhos e estímulo à leitura em bibliotecas municipais; prêmios variam de R$ 20 mil a R$ 40 mil
A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo abriu as inscrições para os editais de Literatura do Programa de Ação Cultural (ProAC). Desta vez, serão contemplados 54 projetos destinados a Pessoas Físicas e 10 destinados a Pessoas Jurídicas. Os prêmios variam de R$ 20 mil a R$ 40 mil e no mínimo 50% dos selecionados serão proponentes da Grande São Paulo, interior e litoral. Pessoas físicas podem enviar até sete projetos para criação e publicação em Prosa e Poesia, seis para Ilustração Infantil e / ou Juvenil e 10 para Dramaturgia. Cada um dos contemplados receberá R$ 25 mil. Em Histórias em quadrinhos, serão selecionados 14 projetos que receberão R$ 40 mil cada. Já Pessoas Jurídicas podem se inscrever no edital de estímulo à leitura em bibliotecas municipais. Serão 10 projetos selecionados com prêmios de R$ 20 mil cada. As inscrições vão até os dias 04 e 05 de julho, e devem ser feitas pelo site do ProAC. Os editais completos estão disponíveis no mesmo endereço.
Uma das personagens mais famosas da literatura cearense, é tema da mostra “Iracema: o mito de formação do povo cearense”, no Cuca Mondubim, em Fortaleza. Na exposição, que se encerra nesta quarta-feira (30), trabalhos de pintura realizados por alunos dos 9º ano da Escola de Ensino Fundamental e Médio Adalgisa Bonfim Soares.
Os estudantes procuraram expressar as ideias, conceitos e percepções em torno da figura emblemática construída pelo romancista José de Alencar, no século XIX, e ainda tão lembrada. As releituras da personagem foram feitas em guache sobre o papel e colocadas em pequenos quadros.
O ponto de partida da atividade foi a visita a diversas estátuas da índia espalhadas pela capital cearense, que constituem lugares de memória local. A exposição ocorrerá até esta quarta-feira, dia 30 de maio, no Cuca Mondubim.
Serviço “Iracema: o mito de formação do povo cearense” Local: Cuca Mondubim – Rua Santa Marlúcia, S/N, Bairro Mondubim. Hora: 8h às 22h Contato: 85-3499-0018
Quase 100 anos depois, a importância do feito foi lembrada no encontro a céu aberto que reuniu cientistas, acadêmicos e pessoas comuns ( Foto: Marcelino Júnior )
Sobral. A Praça do Patrocínio, no Centro de Sobral, recebeu grande número de pessoas, nessa terça-feira (29), que prestigiaram a abertura do "Ano Municipal das Ciências". O evento, realizado ao lado do complexo científico que engloba o Museu do Eclipse e o Planetário de Sobral, marca o início da programação que antecede a comemoração dos 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade Geral (29 de maio de 2019), formulada pelo físico alemão Albert Einstein e comprovada em Sobral, pela observação do mais famoso eclipse solar, em 1919.
Quase 100 anos depois, a importância do feito foi lembrada no encontro a céu aberto que reuniu cientistas, acadêmicos e pessoas comuns, como o professor Antônio Soares, que levou a filha, de 7 anos, para aprender um pouco mais sobre a história do fenômeno que trouxe grandes transformações para a ciência. "Hoje, Sobral passa a rememorar esse fato tão importante. Fico feliz em poder compartilhar isso com minha filha, que está encantada com a história do eclipse", disse.
Na Praça, as pessoas ouviram a Banda de Música e tiveram acesso à exposição "Centenário do Eclipse de Sobral", com fotografias da época recontando os fatos vividos pela equipe destacada para registrar o fenômeno, em Sobral, colocando a Cidade no mapa do cenário científico. Na época, a comprovação da Teoria revolucionou a ciência moderna, derrubando ideias fundamentais da Física clássica, ao mostrar que o espaço não era absoluto e o tempo não corria de modo uniforme, dependendo do ponto de vista do observador.
Segundo Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), as atividades a serem realizadas ao longo do ano aproximarão mais ainda as pessoas dos grandes feitos científicos. "Esse impacto enorme na Física e na nossa visão de mundo, causado pela comprovação, passa a ser dividido com a população de Sobral e região com maior efetividade. Em maio de 2019, reuniremos aqui cientistas brasileiros e internacionais para marcar a importância desse evento", adianta.
Na solenidade de abertura, o prefeito Ivo Gomes assinou Decreto que dispõe sobre a instituição do Ano Municipal das Ciências em Sobral. Em sua fala, ressaltou quanto esse fato é importante para a educação das novas gerações. "Aqui, ao longo do ano, teremos a aproximação de cientistas, estudantes e pessoas que se interessam pelo tema. É bom que as pessoas fiquem atentas à divulgação das muitas atividades que estarão à disposição de todos. Aproveitem bem a oportunidade", disse, ao lado da vice-governadora, Isolda Cela.
Ela também lembrou o quanto as comemorações são importantes. "Esse é um trabalho de parcerias, que proporcionará a todos uma experiência única", disse aos presentes, que também assistiram ao espetáculo "A Natureza da Luz", do Grupo Teatro Seara, da Seara da Ciência da UFC. A peça apresenta Isaac Newton e Christian Huygens, em uma discussão sobre seus respectivos modelos para explicar o que é a luz e como ela se decompõe nas cores elementares, até que Albert Einstein surge com seu ponto de vista comprovadamente revolucionário.
Durante o Ano Municipal das Ciências, serão realizadas, na Cidade, palestras, exposições, congressos, simpósios, além da construção do "Monumento da Luz", por meio do Concurso Público Nacional de Ideias de Arquitetura e Urbanismo.
Segundo Francisco Carvalho Arruda Coelho, secretário adjunto de Ciências, Tecnologia e Educação Superior do Estado, "essas atividades ocorrerão em outras cidades, como Fortaleza e Rio de Janeiro, até o encerramento das ações. Equipamentos científicos também serão instalados aqui, e esperamos uma grande participação dos moradores, dentro das muitas atividades lúdicas a serem oferecidas".
Convido você, amigo leitor, a ler ou reler esta obra com esta nova perspectiva, a fim de conciliar uma ótima leitura com o crescimento na fé
Você já teve a sensação de não encontrar palavras para expressar aquilo que estava pensando ou sentindo e precisou recorrer a uma figura de linguagem?
A figura de linguagem é um recurso da escrita utilizado para tornar as mensagens mais expressivas ou até dar um novo significado ao texto.
Talvez você se recorde vagamente de alguns conceitos que aprendeu na escola, mas que já estão bem cheios de “teias de aranha” dentro do seu cérebro, como, por exemplo: metáfora, hipérbole, onomatopeia, antítese e por aí vai.
É óbvio que não existem teias de aranha dentro do cérebro humano, mas, metaforicamente, queremos dizer que certos conhecimentos adquiridos provavelmente só serão utilizados por seus donos até passarem pelo ensino médio, depois disso, dependendo da carreira escolhida, as mitocôndrias, os cossenos e todos os elementos da tabela periódica tornar-se-ão como uma opaca lembrança de um sonho distante.
Dentre estes nomes estranhos contidos na gramática, um dos mais conhecidos é a alegoria. Todo mundo sabe o que é uma alegoria, ou, ao menos, já utilizou uma na vida, mas talvez não saiba “dar nome aos bois”, pois aí vai: alegoria é um modo de expressão que adiciona ao sujeito, objeto ou situação um significado oculto, além do que aparenta ter.
Neste sentido, existem alguns símbolos alegóricos universais: a pomba é conhecida mundialmente como o símbolo da paz; já a figura da morte é comumente representada por um misterioso ente vestido de preto e armado com uma foice. Há também inúmeras obras literárias recheadas com alegorias.
Assim, a dica agora é sobre um livro escrito em meados dos anos 50, que tem em sua narrativa muitos elementos alegóricos, mas que passam completamente desapercebidos por grande parte das pessoas, principalmente pelas que o conhecem somente pelas suas três adaptações para o cinema, que foram a público a partir de 2005. Falo do ótimo “As Crônicas de Nárnia”, do escritor irlandês Clive Staples Lewis, ou, simplesmente, C. S. Lewis.
Na verdade, a obra comporta uma série de histórias, comumente encontradas em volume único, mas que consistem em sete crônicas diferentes.
A mais famosa delas, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa” passa-se na época da Segunda Guerra Mundial e conta a história de quatro irmãos que moravam em Londres, mas que precisam se retirar para a casa de um velho professor, no interior da Inglaterra, motivados pelos constantes ataques aéreos que a capital vinha sofrendo por causa da guerra.
Naquele local que, a princípio, não passava de um velho casarão sem nenhum atrativo para crianças, os quatro irmãos descobrem uma passagem secreta dentro de um antigo guarda-roupas, que leva a uma terra mágica, cheia de personagens mitológicos e que padecia há cem anos sob o jugo da Feiticeira Branca, que viajara para Nárnia e se autoproclamara rainha. Desde então, um rigoroso inverso se instalara naquela região.
Por sua vez, os seus habitantes esperavam pelo cumprimento de uma profecia, que previa a volta de Aslam, o grande leão que, com o auxílio dos quatro irmãos Pevencie: Peter, Lucy, Edmond e Susan, poria fim ao reinado da Feiticeira Branca, restabelecendo a paz e a liberdade naquele reino.
E toda esta luta pela salvação de Nárnia trata, além de uma bela aventura, de uma grande alegoria criada por Lewis para falar da imensurável obra de salvação da humanidade, alcançada por Jesus Cristo, sendo que este detalhe sobre o real significado da trama é o que passa despercebido pela maioria de seus espectadores, que pensam nesta obra como nada mais do que um conto de fadas para crianças.
Não há como falar a respeito da maioria das alegorias sem correr o risco de soltar alguns spoilers, assim, atenho-me ao mais claro de todos: Aslam, o Leão, é uma simbologia de Jesus Cristo, inclusive, representando o seu sacrifício em favor do homem corrompido pelo pecado, salvo pela misericórdia divina. A partir desta informação, convido você, amigo leitor, a ler ou reler esta obra com esta nova perspectiva, a fim de conciliar uma ótima leitura com o crescimento na fé.
Ficha
Autor: Clive Staples Lewis
Primeiro livro: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
Gêneros: Literatura fantástica, Literatura infantil
O Ministério da Saúde (MS) anunciou hoje (29) a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe até o dia 15 de junho. A decisão foi motivada pelos efeitos da paralisação dos caminhoneiros no atendimento em saúde. Inicialmente, o fim da campanha estava previsto para esta sexta-feira, 1° de junho.
De acordo com os últimos dados do ministério, a campanha imunizou 35,6 milhões de pessoas, o que equivale a 66% do público-alvo. Para atingir a meta de imunizar 54,4 milhões de pessoas, o governo espera, com a prorrogação da campanha, vacinar os 18,8 milhões de brasileiros e brasileiras que ainda não receberam a dose da vacina.
No recorte por estados, os que mais se aproximaram da meta estabelecida foram Goiás (99,8%), seguido do Amapá (91%), Ceará (84%), Distrito Federal (78,5%) e Espírito Santo (77,4%). Por outro lado, os estados com menor cobertura da vacina são Roraima (32,5%), Rio de Janeiro (47,6%), Rondônia (51,3%), Amazonas (51,9%) e Acre (52%).
O público-alvo da campanha inclui idosos a partir de 60 anos, crianças de seis meses a cinco anos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (mulheres em até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.
Caso haja disponibilidade de vacinas, os municípios podem ampliar o público para crianças de cinco a nove anos e adultos com idades entre 50 e 59 anos. O Ministério destaca, no entanto, a importância de o público-alvo prioritário que ainda não se imunizou procurarem os postos de saúde. De acordo com o Ministério, 100% das 60 milhões de doses de vacina já foram distribuídas aos estados.
Até o momento, o público com maior cobertura são as puérperas (78%), seguido por idosos (75%), professores (73%), trabalhadores da saúde (71,6%), indígenas (63,6%) e gestantes (55%). Já entre as crianças com idades entre seis meses e cinco anos, o índice de vacinação está em pouco menos da metade (49,7%).
Mortes por gripe
De acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde, foram registrados 2.088 casos de gripe em todo país e 335 pessoas morreram em decorrência da doença. O tipo mais grave de gripe foi o H1N1, com 218 óbitos e 1.262 casos. Das pessoas que faleceram, 70% possuíam ao menos algum fator de risco, como idosos com mais de 60 anos cardiopatas, pneumopatas e com diabetes millitus.
Tenho visto, nesses últimos dias, muitos discursos por aqui sobre a manifestação dos caminhoneiros: alguns contra, outros a favor. Mas, o que mais chama a atenção nisso tudo, não é o objetivo do protesto, mas a “guerra” vernacular pra dizer de modo direto ou indireto, por meio de postagens, a intenção de apenas ofender, mostrar quem tem razão, passar nas “fuças” do outro que ele está errado porque a opinião dele é mais importante. Enfim... não vou me alongar nisso!
Nosso país está passando por um péssimo momento histórico e estamos vivenciando tudo com temor. Mas é isso, grandes transformações não ocorrem por meio de passe de mágica... Sendo assim, ninguém está isento de expor seu ponto de vista, mas, é preciso, antes de tudo, respeitar o outro, mesmo que ele não pense igual a você ou igual a mim. Inclusive, se você não concorda com o que estou dizendo, não tem problema, é apenas mais uma opinião. Enquanto pensarmos assim, que o problema é oriundo apenas de quem votou em A ou B, nada tomará um rumo. Ser hostil, agressivo ou banalizar tudo, não resolverá nada. Quantas vezes, aqui nesta rede social, já li posts que não concordei, mas, nem por isso, bloquei, exclui ou silenciei alguém. Sabe por quê? Porque a minha opinião pode não agradar também, mas, nem por isso, deixo de admirar, aplaudir outras características dessas mesmas pessoas com as quais discordo. O que falta é tolerância no lugar da arrogância. O que faz você diferente de mim e vice-versa é justamente esse pensar diferenciado. Mas, de fato, agora, seria salutar, se pelo menos em se tratando do futuro do nosso país, tivéssemos mais maturidade pessoal, política e social pra debater o que seria melhor pra todos.E, não apenas, uma guerra entre panelas, coxinhas, patos, esquerdistas ou pessoas de direita, admiradores de “mitos” ou de forças ou intervenções militares. Enquanto for só isso o foco do debate, nada irá pra frente. Ah, e se você ficou curioso(a) pra saber a minha opinião sobre os caminhoneiros, aí vai: Eles estão fazendo o que muitos de nós não fizemos, inclusive você ou eu, embora eu não saiba se isso importa ou não. Embora eu e você estejamos sentindo as consequências disto tudo. Outra coisa: eles não estão de greve, porque o que estão fazendo é manifestação. Quem faz greve é quem tem patrão e faz manifestação quem é autônomo, que é isso o que eles são. E, durante a reforma trabalhista, tinha muita gente preocupada em deixar os sindicatos de certas categorias sem ação pra não haver “rebeldia”, mas aí, olha a ironia, veio uma categoria sem amarras e deixou o Brasil de mãos atadas. Confesso que estou receosa do que virá, mas mais cedo ou mais tarde, era certo que tudo chegaria ao ponto que chegou: insuportável. 😢
P.s: Pode ser que depois eu ou você mudemos de opinião, porque mudar de opinião é sempre bom, principalmente quando se percebe que não é fraqueza, mas que é evolução.
Com a Copa do Mundo na Rússia se aproximando, nada mais justo do que lançar um olhar sobre a produção de uma das mais vigorosas culturas artísticas do planeta. A equipe do Segundo Caderno selecionou um conjunto de 12 livros e 10 filmes para conhecer (ou revisitar) a rica herança cultural russa.
No campo da literatura, a Rússia foi o berço de alguns dos principais escritores do estilo realista, com seu olhar amplo e totalizante que pretendia abarcar não apenas um grande panorama ficcional, mas dizer algo sobre a Rússia enquanto sociedade.
A grande literatura russa do século 19 não se furtava a um debate que era o da própria sociedade russa: a arte europeia, transplantada para o território, tinha mesmo algo que o povo russo podia reconhecer como próprio ou era apenas a imposição de uma cultura estrangeira (muito influenciada pelas visões francesas e germânicas) que havia sobrepujado a cultura eslava original?
O debate opôs gênios do calibre de Ivan Turguêniev (1818 – 1883), para quem a Rússia deveria abraçar a forma do romance com entusiasmo – e que, não por acaso, era considerado por muitos de seus contemporâneos como um autor muito mais francês do que russo – e Liev Tolstói (1828 – 1910), para quem a grande literatura russa representava um decisivo "desvio das formas europeias".
A literatura russa é produzida por autores que tentam pensar a própria identidade de seu país, mas que, ao fazerem isso, vibram uma corda íntima universal capaz de arrebatar leitores de outras épocas e origens geográficas. São tramas universais sobre a própria aldeia (às vezes, literalmente) – para lembrar uma frase, formulada originlamente por Tolstói, que foi repetida a ponto de se tornar um clichê.
Livros breves
A lista de livros seguiu um projeto diverso, mais focado em apresentar a grandeza da literatura russa do que em esgotar seus grandes clássicos. A ideia foi apresentar títulos que poderiam ser bons cartões de apresentação para a obra de gigantes da literatura. Não é preciso começar Tolstói por Guerra e Paz ou Dostoiévski por Os Demônios, duas obras imprescindíveis, mas alentadas. Por isso, listamos novelas breves de ambos os autores, bem como textos de outros mestres.
A relação se amplia para abarcar nomes menos conhecidos do grande público e ainda avança até Viktor Pelevin, autor contemporâneo que se tornou o grande cronista ficcional da queda do regime soviético. Como nos filmes não havíamos indicado documentários, também se privilegiou nesta relação os textos ficcionais.
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1 - O Capote e Outras Histórias(1842), de Nikolai Gógol
Série de contos em que, com uma prosa límpida e toques de realismo fantástico, Gógol satiriza dois dos principais aspectos da sociedade russa de seu tempo: o arcaísmo pesado da vida dos camponeses e a rígida etiqueta hierárquica da casta de funcionários burocráticos da corte czarista. No conto título, todo o drama do protagonista está em arranjar um novo capote, já que ele é alvo de desprezo mesmo dos colegas de repartição pelas condições precárias de seu casaco – uma preocupação que vai acompanhá-lo até mesmo depois da morte.
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2 - Primeiro Amor (1860), de Ivan Turguêniev
Uma das novelas de formação mais clássicas da história da literatura. Neste breve texto de Turguêniev (mais conhecido pelo ambicioso Pais e Filhos), Vladimir Petróvitch é um rapaz sensível de 16 anos, superprotegido pela mãe e com um relacionamento distante com seu pai. Sua relação com o mundo vai ganhar novas cores e dramas ao se apaixonar pela vizinha Zinaida, uma jovem mais velha cercada de admiradores. O aprendizado da paixão é também o das armadilhas e enganos da vida adulta.
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3 - Homens Interessantes e Outras Histórias (1873), de Nikolai Leskov
Escritor que foi apontado por Walter Benjamin como o modelo mais acabado de narrador russo, Leskov reúne aqui contos sobre personagens "interessantes" – que, na verdade, são homens comuns, mas que preservaram uma ligação mais próxima e vigorosa com a natureza. As narrativas de Leskov também buscam ressaltar as virtudes do sacrifício e da abnegação entre aqueles que têm pouco mas não se furtam a tentar salvar seus semelhantes.
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4 - Uma Criatura Dócil (1876), de Fiódor Dostoiévski
Tiranizada pelas tias e desesperada para deixar a casa da família, uma jovem de 16 anos aceita casar-se com um quarentão hipocondríaco. O choque entre as aspirações de liberdade dessa mulher, que até ali aparentemente foi tão "dócil", e as ideias preconcebidas do marido, mais apegado às noções tradicionais do que se espera de uma esposa, serão o mote para um mergulho de Dostoiévski numa profunda trama psicológica de ciúmes e tragédia. Um bom ponto de partida para um autor que sabia dar voz às psiques mais torturadas.
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5 – A Morte de Ivan Ilítch (1886), de Leon Tolstói
Uma novela dilacerante sobre a vacuidade da vida e talvez uma das melhores obras já escritas sobre doença e dor física em toda a história da literatura. Nesta breve história que nada fica a dever a seus monumentais panoramas épicos, Tolstói reconstitui a vida do magistrado Ivan Ilítch, um homem com uma vida burguesa aparentemente perfeita que vê seu mundo ruir rapidamente à medida que combate um câncer agressivo e percebe que suas ligações, sua família, mesmo sua posição burguesa respeitável não são nada diante do sofrimento e da morte.
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6 - O Beijo e Outras Histórias (1887), de Anton Tchékhov
O mestre do conto na sua melhor forma. Uma compilação de seis textos mais longos do autor (que era conhecido também por narrativas curtas como vinhetas), entre os quais alguns frequentemente listados entre suas obras-primas, como o contundente Uma História Enfadonha, sobre um professor aposentado e sua visão desencantada do mundo, e Enfermaria Nº 6, desalentador quadro de um hospício de província.
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7 - Os Sete Enforcados (1908), de Leonid Andreiev
Sete condenados à forca pelo sistema judiciário russo, já cientes da morte inapelável, enfrentam a ideia do fim enquanto aguardam a preparação da execução. Andreiev (1871 – 1919), um dos mais sombrios e menos conhecidos dos grandes prosadores clássicos do realismo russo, torna a angústia de seus personagens nesta breve novela um libelo contundente contra a pena de morte.
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8 – O Exército de Cavalaria (1924), de Isaac Bábel
Reunião de 36 narrativas curtas, resultado de um período que o autor passou, como soldado raso e correspondente do jornal militar O Cavalariano Vermelho, junto às tropas da cavalaria russa durante a sangrenta guerra de fixação de fronteiras com a Polônia, entre 1920 e 1921. Narradas em primeira pessoa, quase todas do ponto de vista de Kiril Vassílievitch Liútov, jovem judeu agregado ao batalhão de cossacos e alter ego do próprio Bábel, montam um panorama dos efeitos do regime soviético junto à gente comum. Também foi publicado no Brasil com o título de A Cavalaria Vermelha.
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9 - Nós (1924), de Evgueny Zamiátin
No cenário distópico deste romance ambientado no século 26, a individualidade foi abolida, os cidadãos são identificados por números e o sistema político é comandado por uma burocracia tecnicista. Nesse cenário, D-503, um matemático que trabalha na construção de uma espaçonave, desperta para o caráter totalitário da sociedade ao conhecer uma mulher irreverente e rebelde. O livro influenciaria Admirável Mundo Novo (1932), de Huxley, e 1984 (1949), de Orwell.
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10 – A Estrada (anos 1930 e 1940), de Vassili Grossman
Bom cartão de apresentação para um dos maiores e mais obscuros escritores do século 20. Perseguido pelo stalinismo soviético, Vassili Grossman só foi redescoberto nos anos 1980.
Este livro reúne contos, ensaios e reportagens distribuídos em cinco seções, que abrangem desde ficções poderosas sobre dilemas da vida sob o regime soviético até cartas de despedida que escreveu para a mãe morta (fuzilada pelos nazistas em 1941, com outros 12 mil judeus, na Berdítchev natal).
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11 – Piquenique na Estrada(1977), de Arkádi e Boris Strugátski
Um romance que comprova a rica tradição russa na ficção científica. Naves alienígenas visitaram a Terra, mas partiram sem fazer contato.
As zonas de pouso estão sob controle governamental estrito, mas logo surgem os "stalkers", especialistas em invadir os lugares em busca de artefatos alienígenas para vender no mercado negro. O livro inspirou uma obra-prima do cinema, Stalker (1979), de Andrei Tarkovsky.
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12 - A Metralhadora de Argila(1996), de Viktor Pelevin
Viktor Pelevin se tornou o primeiro grande escritor russo a emergir após a queda do regime soviético. Este romance, considerado sua obra-prima, faz uma leitura delirante da experiência comunista no país apresentando Piotr Poustota, um personagem que é alternadamente um oficial do Exército Vermelho às vésperas da criação da União Soviética e um interno em um hospício russo nos anos 1990, no período pós-comunista. A narrativa borra as definições precisas sobre qual das duas personalidades do narrador é a verdadeira e qual é a imaginada, num comentário preciso sobre a dificuldade do povo russo de conciliar as experiências de seu passado recente.
Sem ter plena consciência disso, ao ler este texto, você está fazendo parte de uma transformação radical. O surgimento de símbolos que registram ideias foi uma revolução. Poder ler, caro leitor e querida leitora, é habilidade com mais de cinco milênios de histórias.
Houve cinco berços de escrita no nosso planeta: Egito, Sul da Mesopotâmia, Mesoamérica, China e vale do Rio Indo. Há um debate sobre o uso andino dos quipos (sistema de nós em cordões) como escrita tridimensional. Decifrar uma escrita traz um universo de descobertas para a compreensão do passado. Escrita e Estado estão associados e a função de escriba é, praticamente, uma função oficial. Os governantes e seus aliados burocráticos controlam impostos, leis, quantidades de estoques, contratos e textos religiosos. O mais frequente registro escrito, por exemplo em Ur (Suméria) ou em Palenque (Iucatã), trata de listas de reis e dos seus feitos. A escrita possibilitou o controle sobre as populações. Até hoje colhemos um eco do princípio: o governante letrado é mais bem aceito. Falar ou escrever mal é uma injúria jogada à socapa na face de um poderoso. Getúlio Vargas decidiu que deveria fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Um membro da junta militar de 1969, o paraibano Aurélio de Lira Tavares, teve a mesma ideia. Nada endossa mais a pretensão de poder do que, como dizia Angel Rama, o apoio da “Cidade das Letras”.
Yuval Harari, no livro Sapiens, fez a primeira crítica que conheço sobre a sedentarização dos grupos humanos (e as consequentes escrita e Estado). Para o historiador israelense, os bandos de caçadores e coletores eram mais felizes e com dieta mais variada do que os que plantavam cereais à margem de grandes rios, como o Tigre, Nilo ou Yang-Tse. Em tantas décadas de dedicação à história, nunca tinha lido argumentos adversos à transformação técnica da Revolução Neolítica (agricultura) e Urbana. Inconscientemente, meu cérebro desenvolvimentista achava que bronze era melhor do que pedra e o ferro superava os metais mais maleáveis. Marcado por uma provável visão europeia, eu sempre vi o Estado, a escrita, a vida urbana e a domesticação de plantas e animais como um salto humano para o progresso. Harari lembra que o Estado, as pirâmides, os zigurates, a escrita e os vastos campos de arroz foram benéficos à glória de alguns e submissão de muitos. A explosão civilizacional do Egito, por exemplo, foi uma cornucópia fabulosa que jorrou dividendos sobre o faraó e um pequeno grupo. Além da elite nilota, os beneficiados das novas técnicas e dos milhares de artefatos artísticos foram os museus contemporâneos e os historiadores. A glória do Louvre e do Britânico oculta milhões de trabalhadores que entregaram suas vidas para que sacerdotes, faraós e escribas pudessem nos impressionar com sua criatividade e feitos. Grupos nômades ágrafos deixam menos legados materiais. Seriam mais felizes? Harari assevera que sim.
As complexas escritas ideográficas do Egito e outros lugares foram dando lugar à revolução do alfabeto. Realizamos uma grande exposição em São Paulo (A Escrita da Memória) sobre o salto rumo ao modelo que, no fundo, você e eu aproveitamos até hoje. Conjunto fixo de sinais gráficos com sons associados facilitaram o aprendizado. Não foi à toa que o alfabeto nasceu entre comerciantes fenícios.
A escrita espraiou-se. Dos suportes originais (estelas, pergaminhos, papiros, tabletes de barro, papel) atingiu todas as superfícies, inclusive a pele humana. Com o despertar da comunicação instantânea das redes, mais a alfabetização crescente no nosso planeta, somos o período da história com mais alfabetizados e com o maior volume de leitura e escrita de todos os tempos. Um jovem de 14 anos passa quase o dia inteiro escrevendo e lendo. Ressurgem, nas telas, as formas semíticas (sem registrar vogais), escritas simbólicas (emojis) e uma comunicação que parece combinar o alfabeto fenício com rebuscamentos de códices maias. Escrita simbólica e fonética, talvez impossível de ser lida em voz alta, mas perfeitamente compreensível para adolescentes.
O tempo do leitor foi transformado. Todos que escrevemos para o público sabemos a lição surpreendente: se o argumento principal estiver a partir do terceiro parágrafo, não chegará a muitos. Sou testemunha privilegiada do fenômeno. Escrevo crônica contra ditaduras em geral, enumero as clássicas de direita (Pinochet, Geisel, Trujillo) e, depois, dedico um enorme espaço às ditaduras de esquerda (Cuba, Venezuela, Stalin, Mao). Mal o texto sai a público e uma pletora de mensagens inunda minha praia: “Da esquerda você não fala nada, não é seu comuna?”. Problema central? As ditaduras de direita estavam no segundo parágrafo e as de esquerda no quarto. O sábio beneditino que levava meses copiando e ilustrando um delicado manuscrito no silêncio do scriptorium medieval foi substituído pelo leitor polarizado, focado em manchetes, com déficit de atenção e mais rápido em formular insultos do que em capacidade de ler. Talvez Yuval Harari tenha razão, éramos mais felizes arrancando raízes e abatendo capivaras. Nunca tantos seres humanos tiveram a capacidade de ler. Nunca tantos leitores tiveram crescente dificuldade com a interpretação do lido.
No Louvre, há uma pequena imagem de 53 cm retratando um escriba. Ele está sentado, atento, esperando um ditado que, após anos de treinamento, torna-o apto a transferir ideias complexas para o suporte da escrita. Olho para a imagem sempre que vou a Paris e penso: o que ele diria da nossa sociedade lendo frases sintéticas o dia todo? Bom domingo para todos os escritores e leitores.
O Observatório das Nacionalidades realiza nesta terça-feira (29/05), a partir das 16h, o debate “O Movimento dos Caminhoneiros e a Situação Política Brasileira”. O evento ocorre no auditório do Mestrado Acadêmico em História (Mahis) da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
A greve entra no nono dia, gerando impacto em diferentes setores, como combustíveis, transporte, abastecimento, saúde, entre outros. A situação levou a um agravamento da crise política do País, levando o Governo a ceder em pontos como redução do preço do diesel e isenção de impostos os combustíveis e mudanças na periodicidade do cálculo da tarifa.
O cantor e compositor carioca Jorge Vercillo fará show em Fortaleza no próximo dia 12 de junho, data em que se comemora o Dia dos Namorados. Ele se apresenta na Biruta, com ingressos de R$ 40 a R$ 250.
“Preparamos algo diferente de tudo o que já apresentamos ao público antes. A música exerce uma magia muito especial em nossas vidas e desejo que todos desfrutem dessa experiência com a gente”, diz Vercillo, que traz a turnê A Experiência 2018.
No repertório, sucessos como “Ela Une Todas as Coisas”, “Final Feliz” e “Monalisa”. Canções mais recentes como “Talismã sem Par” e “Pode Ser”, do álbum “Vida é Arte”, também entra. Vercillo apresentará ainda as inéditas “Minhas Escolhas”, composta com o gaúcho Antônio Villeroy, e “Samba Oração”, homenagem a Jorge Mautner.
Para A Experiência 2018, o cantor divide o palco com músicos André Neiva (contrabaixos e vocal), que também assina a direção musical do show; Misael da Hora (teclados e vocal); Claudio Infante (bateria) e Bernardo Bosisio (violão, guitarra e vocal).
Serviço
Show Jorge Vercillo “Experiência” no Dia dos Namorados Quando: 12 de junho (terça-feira) Horário: portões 20h Local: Biruta – Av. Clóvis Arraes Maia, 4111 – Praia do Futuro
Ingressos Valores – 1º lote: Meia: R$ 40 Inteira Solidária: R$ 40 + 1 kg de alimento Mesa com 4 lugares: R$ 250 (venda de mesas só no Cantinho do Frango) Mesa Solidária: R$ 250 + 4 kg de alimentos
Pontos de venda: Lojas CHILLI BEANS dos Shoppings Central, Aldeota, Iguatemi e Rio Mar CANTINHO do FRANGO da Torres Câmara (no cartão)
Aproveitando a campanha da TV Globo, sobre o Brasil que eu quero, permita-me falar sobre o Brasil que eu NÃO quero.
O Brasil que eu NÃO quero...
Possui estradas esburacadas e mal sinalizadas a dificultarem o tráfego de veículos, apesar de serem feitas por empreiteiras a cobrarem um preço absurdo, via de regra, mediante superfaturamento do orçamento e, geralmente, possui uma durabilidade que não resiste a uma chuva.
Possui um sistema de saúde que funciona de forma precária, com poucos profissionais, com postos de saúde e hospitais em péssimo estado de conservação, sendo constante a interrupção de fornecimento de medicamentos e de material adequado, enquanto a fila de doentes em busca de ajuda aumenta a cada dia.
Possui um sistema educacional que menospreza o professor, oferecendo-lhe um salário indigno para a relevância de sua profissão, além do que, subestima o aluno, incentivando-o a frequentar a escola em troca de uma merenda, forçando a comunidade escolar a estimular o comparecimento do aluno, mesmo que não estude e que não aprenda, apenas para garantir a verba que lhe é destinada.
Possui um sistema de justiça que não ressocializa, a criar um fosso entre o criminoso pobre e o criminoso rico, este, sempre com direito a diversas regalias, jamais usufruídas por aquele.
Possui um sistema político que favorece a troca de favores, a barganha, o balcão de negócios no Executivo e no Legislativo, tudo para beneficiar os políticos e seus amigos, em detrimento do povo, do interesse público, do país.
Possui uma carga tributária injusta e afrontosa, que massacra o cidadão, fazendo com que pague muito caro para nada ter em troca, sendo sua finalidade desviada para o ralo da corrupção.
Possui riquezas naturais e minerais de fazer inveja ao mais rico país do mundo, ainda assim, não são bem aproveitadas e, quando exploradas, não atendem ao interesse público, mas a um pequeno grupo, fazendo com que paguemos a energia mais cara, o combustível mais caro.
Possui leis ineficazes e injustas, muitas delas negociadas como um produto de feira, feitas por quem não tem a menor noção de sua imensa responsabilidade, muitos deles processados por práticas criminosas variadas.
O Brasil que eu NÃO quero é exatamente tudo o que ele é hoje, graças à incompetência e à falta de compromisso dos gestores públicos, capazes de surrupiar descaradamente os cofres públicos.
Sara Danius,secretária da Academia do Nobel de Literatura, pediu demissão após o escândalo (Jonas Ekstromer/TT News Agency/AFP)
A Fundação Nobel informou nesta sexta-feira (25) que seu prêmio de Literatura 2018, cuja entrega foi adiada até 2019 devido a um escândalo sexual, poderá ser adiada novamente.
Pela primeira vez em quase 70 anos, a Academia Sueca, que se encarrega de entregar a prestigiosa honraria, anunciou este mês que o prêmio Nobel de Literatura de 2018 será anunciado junto com o de 2019, devido à crise que a instituição atravessa desde novembro.
O jornal sueco Dagens Nyheter publicou neste mês os depoimentos de 18 mulheres que diziam ter sido violentadas, agredidas sexualmente ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente personalidade da cena cultural sueca.
A notícia causou indignação em plena campanha mundial contra os abusos sexuais.
Lars Heikensten, diretor-executivo da Fundação Nobel, assegurou nesta sexta-feira que seu prêmio de Literatura será entregue "quando a Academia Sueca tiver recuperado a confiança".
"Isto significa que não há uma data estabelecida em 2019", reportou à rádio pública sueca.
A imaginação corre, pula, voa quando a gente se entrega à leitura. Duas iniciativas de biblioteca comunitária dão às comunidades do Curió e do Barroso, marcadas pela violência através de duas grandes tragédias – A Chacina do Curió, em 2015, e a Chacina das Cajazeiras, em 2018 -, a oportunidade de criar mundos possíveis através da leitura.
A liberdade do livro
A Livro Livre Curió. biblioteca comunitária do bairro, funciona dentro de uma esmalteria. (FOTO: Reprodução/Facebook)
Na Livro Livre Curió, a democratização dos livros é o jeito de chamar e acolher quem deseja abrir a mente. A iniciativa foi de Talles Azigon, que sempre nutriu esse desejo. No aniversário, decidiu se presentear criando o espaço na própria casa. Com o apoio da amiga Anita Moura, que também foi sua aluna, a biblioteca nasceu.
Ele jogou a ideia no Facebook, os amigos ajudaram na doação de livros, estantes. Na esmalteria da mãe dele, há um mês nascia a Livro Livre Curió. Há 13 trabalhando com produção de eventos literários e mediação de leitura, não foi difícil encontrar motivação.
“Sempre fiz ações e projetos voltados pra leitura e para a literatura. É algo da minha prática do cotidiano. Acredito que a literatura é a possibilidade dentro de uma outra existência. A ideia foi bem recebida. Muitas das doações que temos hoje vieram da própria comunidade. Nesse primeiro mês, foram mais de 200 livros circulando. Todo dia tem pelo menos umas 10 pessoas que vêm buscar”, disse o poeta.
“O problema maior é que, não só nessa, mas várias comunidades são carentes de equipamentos públicos. A gente não tem teatro, cinema, não temos muitas outras coisas. A importância dessa atividade ou de qualquer outra que vise o acesso a esse tipo de equipamento é prioritário, porque dentro de uma escassez imensa de recursos e atividades, esse tipo de projeto é totalmente vital”, avaliou Talles.
Viva Barroso
A biblioteca comunitária Viva Barroso foi criada há quase dois anos. (FOTO: Divulgação)
Prestes a completar dois anos, a Biblioteca Viva Barroso foi fruto do apreço de um grupo de amigos pela leitura. A ideia era de um grupo de estudo, mas não deu certo. No entanto, a intenção de ter um espaço para guardar livros e abrir ao público seguiu firme.
Cerca de 100 pessoas estão envolvidas no projeto. O espaço ainda é pequeno, mas o acervo de quase 2000 livros é variado. A comunidade, claro, recebeu o espaço de maneira positiva. Cerca de 250 pessoas frequentam o local com regularidade.
“Hoje, elas têm um hábito de leitura que talvez não tivessem antes. Alguns jovens têm falado da biblioteca na escola. As pessoas têm incentivado umas às outras a ler. Talvez isso crie um novo ambiente e traga novas reflexões ao bairro”, disse Raphael Rodrigues, um dos idealizadores da biblioteca.
“Foi uma coisa que mexeu com todo mundo, o bairro não se movimentou da mesma maneira depois da chacina. É uma coisa que mostra que, talvez, o mais importante seja que as pessoas entrem no espaço público e utilizem. E a biblioteca vai se inserindo nisso. É um ponto de encontro e de saída de várias vozes”, avalia Raphael.
Se a leitura é porta para novos mundos, os caminhos para transformar e melhorar a realidade têm sido desenhados por iniciativas como a Livre Livro Curió e Viva Barroso. Afinal, celebrar a imaginação é também celebrar um futuro possível, de um mundo mais justo.
Serviço
Biblioteca Viva Barroso
Avenida Capitão Waldemar de Paula Lima, 680, Barroso 1
Funcionamento: Terças, Quintas e Sextas (14h às 18h) e Sábado (13h30 às 17h)