Claudia Assef lança em Fortaleza nova edição de livro sobre a discotecagem nacional e seus protagonistas

por Roberta Souza - Repórter
A autora Claudia Assef: livro sobre a história dos DJs no Brasil se tornou uma referência
A primeira lembrança musical de Claudia Assef é dela, ainda pequena, ouvindo o disco music das fitas cassetes compradas pelos pais. Frequentadores assíduos das festas desse gênero na São Paulo da década de 70, eles transmitiram à filha o gosto e interesse pela discotecagem desde muito cedo. Aos 11 anos, influenciada por esse processo, a garota iniciou sua coleção de vinis e, anos mais tarde, em paralelo a profissão de jornalista, aventurou-se como DJ. A trajetória pessoal credenciou-a para escrever o livro "Todo DJ já sambou - A História do Disc-Jóquei no Brasil", cuja 4ª edição revisada e ampliada será lançada nesta sexta (18), às 18h, no Porto Iracema das Artes.
"Esse gênero de música eletrônica entrou na minha veia porque já tinha espaço preparado por causa da lembrança da música pra dançar. Era o som que eu ouvia na minha casa, por isso tinha um interesse natural e orgânico", recorda Claudia a respeito da ideia de escrever o livro no começo dos anos 2000. Além disso, ela tinha acabado de voltar de Paris, onde foi trabalhar como correspondente da Folha de S.Paulo, e o contato mais próximo com referências dessa geração, tais como David Guetta e Daft Punk, fizeram-na aprofundar-se no estudo dessa indústria.
O primeiro livro nasceu em seis meses, com mais de 120 entrevistas, 200 páginas escritas e 60 de fotos e imagens, retratando esse universo. Toda a bagagem adquirida até então, até em termos de contextualização histórica, foram fundamentais para a pesquisa, afinal, não dava para falar da figura do DJ no Brasil sem pontuar o movimento que acontecia fora das fronteiras nacionais.
"Apesar do nosso atraso, nós tivemos sagacidade no desenvolvimento dessa profissão. Sempre tivemos dificuldade com importação de equipamento, disco que chegava atrasado, mas desde os anos 70, já tínhamos DJs talentosos no Brasil, tanto homens como mulheres", observa a autora. Em "Todo DJ já sambou", ela apresenta inclusive entrevista com o primeiro profissional da área no Brasil: Osvaldo Pereira, técnico de som, ainda vivo, que construiu o próprio equipamento e movimentou bailes a partir de 1958.

Pesquisa
A bibliografia que Claudia encontrou sobre o tema foi bem curta e mais atravessada pelo tema do que de fato voltada para ele. "Usei um livro do Hermano Vianna que conta a história do funk carioca; outro sobre a história da rádio Jovem Pan; o 'Noites tropicais', do Nelson Mota; e um sobre o hip hop. Basicamente esses, além dos bancos de dados de jornais e revistas", explica. Pelo caráter pioneiro da produção, rapidamente sua primeira edição sumiu das prateleiras. Seguiram-se mais duas tiragens com boa aceitação nos cursos de produção musical, e em 2016 era praticamente impossível encontrar o livro disponível para venda.
Foi então que em 2017 ela resolveu fazer uma campanha de financiamento coletivo, apresentando ao público uma edição revisada e ampliada. No novo livro, a autora trata desde Alok à Vintage Culture; discute a conquista de espaço das mulheres na discotecagem (desde a primeira DJ, Sônia Abreu, e tomando com exemplo a própria trajetória nesse mercado), explica o novo e forte eixo das festas independentes de São Paulo, como Mamba Negra e Capslock; e conta sobre a reverberação da bass music, que colocou o DJ Zegon e seu projeto Tropkillaz como nomes internacionais.
As entrevistas saltaram de 120 para 150 - contemplando DJs de todo País, promoters, donos de boates, dançarinas, cantoras e cantores, jornalistas - e as páginas foram de 200 para 305. "De uns anos pra cá, muita coisa mudou na música eletrônica. Você tem DJs como Alok que ganham cachês iguais ou maiores que uma Ivete Sangalo. É outra indústria, o DJ ganhou um status diferente que se equipara a uma banda, um super show, uma super produção, e é assim também como ele se coloca", analisa Claudia.

Debate
Antecedendo o lançamento do livro, a autora vai participar de uma roda de conversa sobre o cenário musical brasileiro com os integrantes da comissão de avaliação do Laboratório de Música da Porto Iracema das Artes deste ano, grupo que ela própria compõe ao lado de Delia Fischer e Domenico Lancellotti. O evento será no auditório da Escola, a partir das 16h, aberto a músicos, bandas e demais interessados, e também ajudará a reflexionar sobre a profissão de DJ.
"A essência do DJ não está na tecnologia, na técnica. Tá no repertório. O grande desafio hoje é construir esse repertório de forma orgânica e autêntica e se diferenciar nessa multidão em que todos são DJs com o auxílio de ferramentas de mixagem na internet", destaca Claudia. "Eu sinto muita falta no repertório dos DJs de conhecimento histórico e acho que quem tem informação vai longe", adianta sobre o papo que pretende conduzir.
Os livros estarão à venda por preço especial (R$40) e a autora trouxe para Fortaleza apenas 40 exemplares. Quem não puder adquirir na ocasião, vai encontrar apenas no site de Claudia Assef (https://musicnonstop.Uol.Com.Br) ou no Mercado Livre.

Livro

Todo DJ já sambou - A História do Disc-Jóquei no Brasil
Cláudia Assef


Independente
305 páginas, 2017
R$ 44


Mais informações:
Lançamento do livro "Todo DJ já sambou - A História do Disc-Jóquei no Brasil', de Claudia Assef. Dia 18, às 18h, no Porto Iracema das Artes ((R. Dragão do Mar, 160 - Praia de Iracema). Debate sobre o cenário musical às 16h. Gratuito.

Diário do Nordeste

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