Oitavo Encontro Agentes de Leitura do Ceará terá sua abertura nesta terça (15), no Theatro José de Alencar

por Felipe Gurgel - Repórter
Um agente de leitura em ação: programa é o mais longevo da Secult ( Foto: Secult/ Felipe Abud )
A partir desta terça (15), até sexta (18), a Secretaria da Cultura do Estado (Secult) realiza a oitava edição do Encontro Agentes de Leitura do Ceará. O evento acontece no Theatro José de Alencar (TJA, Centro) e reúne cerca de 170 agentes do projeto (de 33 municípios cearenses). A programação é gratuita e traz palestras sobre a política do livro e leitura; exibição de filmes e atrações culturais.
O projeto é um dos mais longevos da atual gestão da Secult. Criado em 2006, atravessou os governos de Lúcio Alcântara (final do último mandato), Cid Gomes (dois mandatos) e, agora, Camilo Santana (desde 2015).
Neste momento, o Agentes de Leitura passa por uma mudança em sua execução. Antes, os agentes recebiam kits de livros e levavam até as comunidades. Hoje, a biblioteca do município recebe o acervo e o agente faz a triagem a partir dessa nova coleção.
Em entrevista por telefone, a coordenadora das políticas de livro, leitura, literatura e bibliotecas da Secult, Mileide Flores, explica a mudança. Ela aponta duas razões "simples" para a reformulação.
"Primeiro, as bibliotecas municipais têm dificuldade de manter a renovação e dinamização do acervo. E dentro da política do livro, a biblioteca é essencial. Muitas vezes ela é quase invisível em alguns municípios. E nós temos 193 bibliotecas públicas municipais no Estado", situa.
A gestora esclarece o segundo ponto. "Quando entregávamos os kits para os agentes, eles eram iguais. Agora disponibilizamos um acervo para a biblioteca municipal e o agente pode fazer escolhas específicas para a comunidade onde atua".
Ou seja, o agente continua a levar livros para as famílias. O diferencial, agora, é que terá mais opções para renovar o conjunto de obras com as quais sugere as leituras.
Agentes
Atualmente, 177 agentes de leitura atuam no projeto. O número é resultado da formação aberta por edital de 2016. Este ano, a Secult lançará outra convocatória, com previsão de publicação no segundo semestre.
Para compor o acervo atual que está à disposição dos agentes de leitura, Mileide observa que houve seleção por parte de uma curadoria. Um agente e mais duas pessoas que já tiveram ligação com o projeto trabalharam nesse sentido.
Antes, o acervo era "quase que prioritariamente" de literatura infantil. Agora, o foco se mantém, mas a diversidade de títulos é maior. "Os agentes conseguem conquistar a família (atendida pelo projeto) por meio da criança. Muitas mães diziam que as crianças passaram a ter um interesse maior pela escola, a partir do contato com a leitura", conta a gestora da Secult.
Digitalização
Indagada sobre como o projeto lida com o hábito - cada dia mais comum - do público absorver conteúdos através de telas digitalizadas, Mileide Flores pontua que o foco é estimular a atenção das famílias para além da internet e da televisão. E, de certa forma, criar um diálogo entre o uso dessas plataformas e a leitura em suportes físicos.
"As crianças são muito curiosas. O agente faz a contação de histórias e chega a usar imagens no suporte dessa leitura. Daí esses dias recebemos um vídeo (feito no celular) em que uma família fez uma encenação, a partir da história do livro que eles conheceram", exemplifica.
Mileide chama atenção que, pelo perfil das famílias atendidas (situadas em comunidades de baixa renda de 41 municípios do Estado, determinados pelo Fundo Estadual de Combate à Pobreza), o próprio acesso à internet às vezes é instável. E algumas famílias ainda têm, por hábito, acompanhar conteúdos televisivos, ao invés de interagir com celulares, tablets e smartphones.
"A gente deve ter um cuidado maior sobre essa questão no próximo edital (de formação dos agentes). Mas o ponto é como o agente de leitura pode transformar a casa dessas pessoas. Sobretudo num ambiente onde, normalmente, se tem altos índices de violência. Desde 2014, o programa atua em áreas onde o (programa) Ceará Pacífico tem alcançado", situa.
Avaliação
Questionada sobre a avaliação que faz do Agentes de Leitura depois de 12 anos, Mileide Flores vislumbra que a iniciativa amadureceu, mas existe um longo caminho para a gestão não deixar o programa acabar.
"Há uma percepção do Governo do Estado de que o projeto integra um programa para a juventude. E já é lei. Agora, é preciso haver um acompanhamento melhor para detectar índices, além dos relatórios dos agentes. Faremos uma parceria com a UECE para criar esse levantamento", adianta a gestora.

Programação

Abertura (Terça, 15)
Local: TJA (Rua Liberato Barroso, 525, Centro)
9h30 - Abertura com o titular da Secult (CE), Fabiano dos Santos Piúba, no palco principal do TJA
10h - Palestra "O ser Agente de Leitura", com Fabiano dos Santos Piúba, no palco principal do TJA
14h - Cineconversa sobre o filme "A menina que roubava livros" (Brian Percival, 2013), com o curador e programador Duarte Dias, no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500, Centro)
16h - Roda de conversa "O corpo como ferramenta de leitura" com Pedro Domingues (Ator e dramaturgo), no palco principal do TJA

Diário do Nordeste

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