31 de outubro de 2019

Geladeira Literária chega à UBS 1 de Santa Maria

A comunidade também pode levar o livro para fazer a leitura em casa. Há apenas algumas regras para manter o bom funcionamento da iniciativa

Da Redação 
redacao@grupojbr.com
Foi inaugurada, na Unidade Básica de Saúde 1 de Santa Maria, a Geladeira Literária. A iniciativa tem como objetivo disseminar a prática da leitura e proporcionar o acesso à literatura aos usuários da UBS. 
A Geladeira Literária é ideia da Gerência de Serviços da Atenção Primária à Saúde 1 de Santa Maria e tem apoio voluntário da equipe, da comunidade e da Diretoria de Atenção Primária à Saúde. 
A geladeira foi doada por uma moradora da cidade e os livros foram arrecadados pelos profissionais da unidade. “O objetivo é oferecer a oportunidade de leitura em ambiente público: enquanto o paciente aguarda pela consulta, lê”, destaca a responsável, Roseli de Jesus Lopes.
A comunidade interessada também tem a possibilidade de levar o livro para fazer a leitura em casa. Há apenas algumas regras para manter o bom funcionamento da iniciativa.
“Os pacientes que estavam presentes no lançamento da Geladeira Literária elogiaram a ação e já pegaram alguns livros. As regras são simples, como devolver o livro, sem rasuras ou rabiscos, porque a geladeira e os livros pertencem a todos”, acrescenta Roseli.
Jornal de Brasília

Enem é um dos principais intrumentos de acesso ao ensino superior

Mais de 5 milhões de alunos farão provas nos dias 3 e 10 de novembro

Os mais de 5 milhões de estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) domingo (3) e dia 10 poderão usar as notas que obtiverem para acessar o ensino superior dentro e fora do país. As oportunidades são muitas e uma das principais condições para participar dos processos seletivos é não zerar a redação. 
Todas as universidades federais do país usam o Enem de alguma forma, seja como processo seletivo único, seja como uma das formas de admissão. Para ingressar em instituições públicas federais, estaduais e municipais, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que ocorre duas vezes por ano, é uma das principais formas de acesso. 
Na primeira edição deste ano foram ofertadas mais de 235 mil vagas distribuídas em 129 universidades públicas de todo o país. Na segunda edição, foram mais de 59 mil vagas em 76 instituições públicas de ensino.
Algumas instituições usam a nota do Enem em processos próprios. Em 2020, a Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, deixará de usar o Sisu, mas os estudantes continuarão podendo usar o exame como forma de ingresso.
As instituições particulares também admitem estudantes com base na nota do Enem, seja por meio de programas do governo federal, seja por processos próprios. O Programa Universidade para Todos (ProUni) oferece bolsas de estudos nessas instituições. Neste ano, foram ofertadas, no primeiro semestre, cerca de 244 mil bolsas de estudo em 1,2 mil instituições particulares de ensino. No segundo semestre, o total de bolsas foi 169 mil, em 1,1 mil instituições em todo o país.
Também com base nas notas do Enem é possível concorrer a financiamentos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Neste ano, foram ofertadas 100 mil vagas na modalidade juro zero.
Fora do país, o Enem também pode ser usado para admissão em universidades. Em Portugal, o exame é aceito como forma de ingresso em 42 instituições de ensino.

Vantagens do Enem

O Enem, que era usado para avaliar os estudantes do ensino médio, começou em 2009 a servir para o ingresso no ensino superior, ganhando uma roupagem de vestibular. A mudança trouxe vantagens, de acordo com especialistas. Não é mais necessário pagar várias taxas de vestibular e viajar o país para ter acesso a instituições de ensino superior. 
“Antes, quando havia várias provas, elas eram muito diferentes. Até hoje faço gabarito das provas e digo, com toda certeza, que meus alunos do Rio de Janeiro, de antigamente, não tinham condições de enfrentar uma prova como a da UnB, por exemplo”, diz o coordenador pedagógico do ProEnem, plataforma online de preparação para o exame, Diego Viug. “Democratizou muito o acesso ao ensino superior”, acrescenta. 
O Enem pode, no entanto, ser aprimorado, de acordo com Marcelo Lima, vice-presidente de relações institucionais da Quero Educação, plataforma que desenvolve soluções para ajudar escolas a captarem e a manterem os alunos, Uma das mudanças é a aplicação mais de uma vez por ano. “Se aluno perde a data do Enem, não consegue mais fazer o exame no ano. Isso restringe o ingresso na faculdade”, diz. 
Ele defende ainda que outros elementos sejam considerados na seleção para o ensino superior. “O ideal seria fazer várias provas ao longo do ensino médio, [fazer], análise de nota, análise da vida do estudante, [se participou de] voluntariado, [avaliar] habilidades socioemocionais. O que define é a vida ao longo do ensino médio e não uma única prova”, diz.

Mudanças

Esta é a última edição do Enem inteiramente de papel. A partir do ano que vem, a prova começa a ser aplicada, ainda em versão teste, digitalmente. Até 2026, as provas deverão ser todas feitas pelo computador. Com isso, a intenção é que o exame seja aplicado mais de uma vez por ano.
O exame também deverá ser reformulado para atender ao novo ensino médio, que ainda está em fase de implementação. Pelo novo modelo, os estudantes terão uma formação comum, definida pela Base Nacional Comum Curricular, e poderão, no restante da formação, escolher uma especialização por itinerários formativos. Os itinerários são: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino técnico.
A intenção é que, quando o modelo estiver em prática, o que deverá ocorrer em 2021, o Enem também se adeque, passando a oferecer várias opções de prova para cada itinerário escolhido pelo estudante, além de avaliar a parte comum.
Agência Brasil

30 de outubro de 2019

Ioepa e Infraero levam a literatura paraense ao Aeroporto de Belém

A 7ª Edição da Campanha Livro Viajante já está no Aeroporto Internacional de Belém, em Val-de-Cans, com a distribuição de mais de 1.500 livros, dos mais variados gêneros, que estarão à disposição dos passageiros nas salas de embarque até o próximo dia 5 de novembro. A ação da Infraero (Empresa de Infraestrutura Aeroportuária), em homenagem ao Dia Nacional do Livro – 29 de Outubro, visa estimular o hábito da leitura, e conta com a parceria da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), por meio do Projeto “Portal do Conhecimento”.
A escritora Lorena Valente vai autografar seu primeiro livro, “Efemérides”Foto: Divulgação
Nesta edição, a Imprensa Oficial optou por apresentar aos viajantes que passam pelo Aeroporto de Belém cerca de 120 livros, de quatro autores paraenses, que foram lançados com o selo da Ioepa na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, realizada de 24 de agosto a 1º de setembro.

“São livros produzidos pela Imprensa Oficial que foram destinados, também, para que leitores que viajam pelos céus do nosso País possam estar acompanhados das impressões e aventuras produzidas pelos escritores e publicados na nossa editora pública”, disse o presidente da Imprensa Oficial, Jorge Panzera.
Encontro com escritores - Os autores paraenses selecionados pela Imprensa Oficial também irão autografar os livros direto no aeroporto. A tarde de autógrafos desta quarta-feira (30) será com Ester Pereira Septmio, a autora do infantil “Mirrão”. A obra é uma reflexão sobre a vida e o meio ambiente, uma narrativa sobre a história de amizade de um menino que mora em uma fazenda com um sapo. O escritor Luiz Peixoto Ramos, conhecido por seu personagem “Jabutigão”, também autografará suas principais obras.
Na quinta-feira (31), será a vez de Nelson Maués divulgar sua obra “De Mosqueiro a Xangai: que viagem é essa?” aos viajantes, que terão acesso à segunda edição do livro, ampliada e revisada, com 254 páginas, sobre a trajetória do ídolo do basquete paraense, que nasceu na Ilha de Mosqueiro (distrito de Belém).
Na sexta-feira (1º), a Imprensa Oficial apresentará dois escritores do Projeto Livro Viajante. O fotógrafo Mauro Fernandes vai autografar o livro “Raízes: quilombos do Marajó”, que mostra paisagens, fauna, flora, atividades econômicas, o dia a dia e os personagens de quilombos marajoaras, em especial na área do município de Salvaterra, como o Salvar, Vila União, Mangueira e Pau Furado.
Também autografará seu primeiro livro a escritora Lorena Valente, autora de “Efemérides”, agraciado pela Academia Paraense de Letras com o Prêmio Barão do Guajará 2017. “Fico muito feliz de ser convidada para esse vento, até porque é uma experiência super inovadora. Nunca tinha ouvido falar nesse sentido. Cria uma expectativa muito grande na gente, de pensar o livro circulando por tantos lugares diferentes”, ressaltou a jovem escritora.
Círculo de cultura - O “Livro Viajante” é realizado pela Infraero desde 2013, e surgiu a partir do BookCrossing, conceito que nasceu nos Estados Unidos em 2004 e pode ser definido como a prática de deixar um livro num local público para que outros o encontrem, leiam e voltem a deixá-lo à disposição de outra pessoa que possa ter acesso à obra.
Os livros já estão espalhados pelas salas de embarque do Aeroporto de Belém desde a tarde desta terça-feira (29), identificados com o selo da campanha, por meio de uma tag que explica o objetivo da iniciativa e pede ao viajante que, ao pegar o livro para ler, deixe-o no próximo aeroporto. Parte desses exemplares foi doada pelos participantes da 6ª Edição do Spotter Day Infraero, que ocorreu no aeroporto da capital paraense em junho deste ano.
O superintendente do Aeroporto Internacional, Fábio Rodrigues, destacou que o Projeto Livro Viajante “é gratificante, pois incentiva e proporciona ao passageiro que passa pelo aeroporto um momento de leitura. A ideia é fazer com que a obra escolhida como companheira de viagem seja deixada no próximo aeroporto de destino. Dessa forma, permitimos que aquele livro viaje todo o País e o mundo, multiplicando conhecimento e disseminando cultura”, reforçou.
Serviço: Tarde de autógrafos do Projeto Livro Viajante com escritores paraenses de terça-feira (30) a (1º/11), a partir das 14h30, no Mezanino do Aeroporto Internacional de Belém – próximo à escada rolante. Nesta quarta-feira (30), será com Ester Pereira Septmio (livro Mirrão); na quinta (31), com Nelson Maués (livro De Mosqueiro a Xangai: que viagem é essa?) e na sexta-feira (1º/11) com Mauro Fernandes (livro Raízes: quilombos do Marajó) e Lorena Valente (Efemérides).
Fonte: https://www.agenciapara.com.br/noticia/16014

Belchior ganha estátua de bronze em Sobral

A obra levou seis meses para ficar pronta. O artista plástico responsável pela obra foi o mesmo que confeccionou a estátua de Albert Einstein instalada também em Sobral.


Uma estátua forjada em bronze e com peso de 204 quilos será inaugurada na noite desta terça-feira (29), em Sobral, como homenagem póstuma ao cantor e compositor sobralense Belchior. Se vivo fosse, o artista teria completado no último dia 26 de outubro, 73 anos. 
O monumento, instalado em frente ao Theatro São João, vai ser inaugurado oficialmente durante a mostra “Para Belchior com Amor”. A solenidade contará com grupos da Escola de Música de Sobral, que apresentarão canções do artista, como “Apenas um rapaz latino-americano”.
O artista plástico Murilo Sá Toledo, natural do Estado de São Paulo, foi o responsável pela confecção da estátua que levou seis meses para ficar pronta. “É um processo delicado e feita em várias etapas. Primeiro ela é feita na argila, depois moldada em silicone e gesso. Posteriormente, a peça é forjada em bronze”, detalhou o profissional que também confeccionou o monumento do cientista Albert Einstein. 
“É uma honra muito grande, para mim, enquanto artista, fazer estátuas de duas pessoas que muito admiro, pois eles ultrapassaram suas profissões por possuírem uma sensibilidade social muito grande”, completa Murilo, que trabalha com artista plástico há 30 anos.  
O valor da obra, encomendada pela Prefeitura de Sobral, não foi revelada.  

Diário do Nordeste

Livro relata censura sofrida por Dias Gomes em três tempos na Ditadura Militar

Autiora teve acesso a documentos valiosos e a um diário inédito escrito por Dias Gomes entre 1959 e 1962


A jornalista Laura Mattos explora a jornada da novela, que foi impedida de ser exibida em 1975 e teve de ser regravada dez anos mais tarde
A jornalista Laura Mattos explora a jornada da novela, que foi impedida de ser exibida em 1975 e teve de ser regravada dez anos mais tarde (Reprodução Globo)
Há oito anos, Laura Mattos, repórter e colunista da Folha de S.Paulo, iniciou uma pesquisa sobre a obra de Dias Gomes (1922-1999), um dos maiores dramaturgos brasileiros, autor ainda de grandes telenovelas. Seu projeto inicial era o de fazer uma biografia. Em um mestrado na USP, porém, entre 2014 e 2016, o trabalho ganhou profundidade no momento em que Laura destacou três momentos da obra de Gomes que exemplificam a atuação de órgãos de censura ao longo de três décadas. O resultado é o bem construído Herói mutilado – Roque Santeiro e os bastidores da censura à TV na ditadura, livro que ela lançou essa semana, em SP.
Trata-se da ferrenha perseguição sofrida por Dias Gomes graças à trajetória de seu personagem, um falso herói de guerra. Surgiu pela primeira vez em uma peça de teatro, O berço do herói, que estrearia em 1965 se não fosse proibida pela censura do governo militar, incomodado com a crítica explicitamente humanista à forma como se constroem mitos heroicos baseados em fatos reais – o texto trata da idolatria que uma pequena cidade dedica ao cabo Jorge, aclamado por ter morrido com bravura na Segunda Guerra quando, na verdade, ele fugiu do front depois de atacado por uma crise nervosa.
Dez anos depois, em 1975, já consagrado como autor de telenovelas, Dias Gomes disfarçadamente adaptou a própria peça e a transformou em Roque Santeiro, cujo primeiro capítulo nem sequer foi exibido: naquele 27 de agosto, a Globo recebeu ofício do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), censurando a novela – o governo percebeu que a peça era a origem do folhetim. Trinta e seis capítulos já tinham sido gravados com Lima Duarte no papel de Sinhozinho Malta, amante de Porcina (Betty Faria), viúva do milagreiro Roque (Francisco Cuoco), que volta à cidade de Asa Branca 17 anos depois de ser canonizado como um herói morto.
Não adiantou nem um feroz editorial escrito por Roberto Marinho, então presidente das Organizações Globo, que foi lido no Jornal Nacional. Finalmente, em 1985, já na fase de abertura política, a novela foi exibida, agora com Regina Duarte como Porcina e José Wilker no papel de Roque Santeiro.
Um sucesso retumbante, cravando em média 75% da audiência da TV. Mesmo assim, Gomes e Aguinaldo Silva, que o auxiliava na escrita dos capítulos, continuaram sofrendo ação da censura, especialmente as menções à teologia da libertação, movimento católico influenciado pelo marxismo.
Momentos reveladores sobre a face mais assustadora da censura, como Laura observa ainda no texto de introdução do livro: "É preciso romper com o mito de que a censura é restrita a ditaduras, igualmente não se pode esquecer de que ela é suprapartidária, 'democraticamente' distribuída à direita e à esquerda, porque visa à manutenção do poder para qualquer que seja a tendência política".
Laura fez uma pesquisa incansável – além de várias entrevistas, debruçou-se sobre mais de 2 mil páginas de documentos, com destaque para as 432 páginas escritas por funcionários do Serviço Nacional de Informações, o SNI, criado pelo governo militar em 1964. Documentos valiosos porque detalham o grau de conhecimento dos censores – em um ofício, por exemplo, é revelado indício de que o governo sabia que a novela de 1975 era uma versão da peça censurada na década anterior.
Em outro ofício, datado de agosto daquele ano, o governo veta a tentativa da Globo de trocar o horário de exibição da novela Gabriela, das 22h para as 20h – isso abriria um espaço na programação para Roque Santeiro. O documento com a proibição, além de inviabilizar totalmente a estreia do folhetim de Dias Gomes, traz detalhes sobre a insatisfação da Divisão de Censura de Diversões Públicas, órgão da Polícia Federal, em relação à adaptação da obra de Jorge Amado, "novela que vem mostrando cenas situações que agridem os padrões normais da vida no lar e na sociedade", mas que não são vetadas, e sim toleradas "para evitar transtornos à emissora, com a retirada de todos os capítulos comprometedores". Ou seja, a "gentileza" em relação à Gabriela parecia justificar o veto à Roque Santeiro.
Outro grande trunfo de Laura Mattos foi a possibilidade de acesso a um diário inédito escrito por Dias Gomes entre 1959 e 1962, cedido pela viúva do dramaturgo, a atriz Bernadeth Lyzio. Trata-se de um importante período na carreira de Gomes, dividido entre a incerteza sobre o rumo artístico que deveria tomar até a escrita e a consagração de O pagador de promessas (1960), seu grande sucesso. Gomes considerava a representação teatral como um ato social. E, por conta disso, qualquer peça deveria ter a função não apenas de divertir mas, principalmente, de estimular a reflexão.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, o dramaturgo duvidava também dos caminhos às vezes seguidos pelos correligionários, especialmente quando apoiavam o veto como forma de imposição de opiniões. Brutalidade que o acompanhou, no entanto, durante boa parte da vida artística na perseguição dos diversos órgãos de censura. Mesmo durante o período de redemocratização (a partir de 1985), Dias Gomes continuou sob observação – 13 de fevereiro de 1990 é a data do último registro feito pelo SNI, um mês antes da extinção do órgão. Apontado como "militante do PCB" e com "antecedentes negativos", ele apenas solicitava autorização para viajar. Não para Cuba ou União Soviética, mas aos Estados Unidos.
HERÓI MUTILADO
De Laura Mattos
Companhia das Letras
456 páginas
R$ 94,90

Lançamento: Livraria da Vila. Alameda Lorena, 1731. 3ª (22), 19h

Agência Estado

29 de outubro de 2019

Nos 80 anos de Espedito Seleiro, familiares e amigos o reverenciam como mestre

O artesão cearense é referência e inspiração para aqueles que o rodeiam


O entretenimento maior para a família do mestre Espedito Seleiro sempre foi o trabalho. Desde que eram só ele e a esposa, dona Francisca, o ofício já ocupava o lugar de protagonista. "Ele trabalha até demais, mulher", comenta entre risos a companheira, que não esconde a admiração: "Mas é muito gente boa. Eu gosto é de tudo nele", completa, com a mesma certeza do primeiro encontro, ela aos 14 anos de idade e ele aos 21.
Quando vieram os filhos, o processo de assimilação do artesanato em couro foi semelhante ao do próprio Espedito com o pai Raimundo e o avô Gonçalo. "Comecei novinho. Ele trabalhando e eu já tava em cima de uma mesa, mexendo", conta Maninho, aos 42. Wellington, cinco anos mais velho, também desfrutou dessa experiência. "Tô aqui desde que comecei a me entender por gente. De uma maneira ou de outra, ajudando ou dando trabalho, mas sempre lá", recorda.
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Espedito Seleiro com o filho Wellington e as netas Rayssa e Mayssa, no ateliê em Nova Olinda
FOTO: THIAGO GADELHA
O processo, como fica perceptível, é gradual na família de seleiros, e as filhas de Wellington, Rayssa, 13 anos, e Mayssa, 4, são provas vivas disso. "A gente começa aos poucos, nos pontinhos, que é mais fácil, depois pega na lâmina, corta o couro, e aí vai desenvolvendo, criando, aprendendo mais, pegando a prática", destaca o pai.

REVERÊNCIA

O mérito de ter um trabalho que agrega a família de forma harmoniosa é reconhecido por todos. "Nesses 80 anos, acho que isso é um privilégio tanto para ele quanto para nós, que permanecemos unidos", observa Maninho.
E o irmão Wellington complementa, ressaltando a humildade do pai frente a toda a comunidade, mesmo com o sucesso.
Aqui não importa a pessoa, quem chega é bem-vindo. O que eu mais admiro nele é exatamente essa simplicidade. Qualquer um que vier, ele dá a maior atenção. É isso que importa", reconhece.

INSPIRAÇÃO

Mesmo quem não tem o sangue de seleiro correndo nas veias, é tratado como se fosse da família. É o caso de Alan Cordeiro, 18 anos, que atua como guia do Museu do Ciclo do Couro e inspira-se na história do artesão para construir a sua própria. "Os 80 anos dele significam muito crescimento, tanto das pessoas que trabalham com ele como da própria cidade. Toda essa trajetória significa isso, de quanto um homem daqui do interior, do Cariri, humilde, que começou um trabalho simples, torna-se um ícone cultural e econômico", evidencia.
O mestre realmente é referência, seja para quem está começando ou quem tem um caminho traçado, a exemplo do amigo e designer paulista Marcelo Rosenbaum. "Espedito é inspiração para mim em todos os sentidos. Fico muito feliz quando estou ao lado dele, ouvindo causos, conversas cheias de humor; e o acabamento dele é uma loucura mesmo, a criatividade, a noção estética de equilíbrio, de proporção. Ele é um mestre, na dimensão toda do uso, do fazer, da manufatura, da criatividade". 
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Marcelo Rosembaum considera Espedito Seleiro uma inspiração
FOTO: NATINHO RODRIGUES
Diário do Nordeste

Repórter Brasil celebra Dia Nacional do Livro

Primeira das três reportagens fala sobre Biblioteca Brasiliana

O Dia Nacional do Livro, celebrado nesta terça-feira (29), foi instituído em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, em 1810, pelos reis de Portugal que, dois anos antes, haviam fugido das tropas do imperador francês Napoleão Bonaparte para o Brasil.
Na bagagem, a família real trouxe caixas contendo milhares de peças da Real Biblioteca Portuguesa, que deram origem à Biblioteca Nacional do Brasil, hoje considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das 10 maiores do mundo e a maior da América Latina.
Deve-se, porém, a um brasileiro, de ascendência judaica, a criação de outra importante biblioteca nacional, hoje pertencente à Universidade de São Paulo (USP). José Ephim Mindlin foi jornalista, advogado e empresário, mas sua verdadeira paixão foram os livros, que colecionava aos montes. Em mais de 70 anos, Mindlin adquiriu, catalogou e colocou em sua estante 31 mil títulos, que correspondem, segundo a Universidade de São Paulo (USP), a 60 mil volumes aproximadamente.  
No acervo existem obras raras, como exemplares de Marília de Dirceu, de 1810, de Thomas Antonio Gonzaga, a obra completa de Machado de Assis, em suas raras primeiras edições, um exemplar igualmente raro de O Guarani, de José de Alencar, que Mindlin chegou viajar à França para comprar e que quase se perdeu na sua volta ao Brasil.
O crítico literário e escritor Manuel da Costa Pinto disse sobre Mindlin que, em tudo que falava, transparecia o amor pelos livros. “Ele me contou que sempre que recebia alguém em sua casa para conversar, sentava com a pessoa e esperava a sua reação diante dos livros. Se o visitante não olhasse para os livros, ele encerrava a conversa em 10 minutos. O livro significava tudo para ele”, afirmou Costa Pinto.
A partir desta terça-feira, por três dias consecutivos, o telejornal Repórter Brasil, da TV Brasil, vai exibir uma série de reportagens comemorando o Dia Nacional do Livro. O Repórter Brasil vai diariamente ao ar às 20h15.

O primeiro programa da série fala justamente da Biblioteca Brasiliana, doada por José Mindlin, sua mulher, Guita, e formada também pelo acervo dado por um amigo do casal chamado Rubens Borba Moraes. Os três já são falecidos. Antes de morrer, Moraes entregou seu acervo para Mindlin, para que ele pudesse concretizar o antigo sonho de constituir essa biblioteca hoje pertencente à USP.

Editora artesanal

O segundo capítulo mostrará uma editora artesanal de livros de São Paulo que usa antigos linotipos e uma máquina de costura para confeccionar suas obras, em um momento em que tudo é digital e instantâneo.
O último capítulo é uma homenagem ao leitor, representado por um homem que até os 9 anos de idade era analfabeto. Hoje, Sidnei Rodrigues é um grande devorador de obras literárias e viu sua vida se transformar depois que passou a ler. Rodrigues diz que lê um livro a cada seis dias, em média. Sua profissão: vigia de uma faculdade particular na capital paulista. “Eu falo para todo mundo com muito orgulho que os livros abriram para mim as portaspara uma outra vida.”
Na semana passada, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) distribuiu, em São Paulo, 6 mil livros para seus passageiros, visando estimular a leitura. O objetivo é que o usuário, depois de ler a obra, a devolva e pegue outra, fazendo circular os livros entre milhares de passageiros.
Nesta terça-feira, os shopping centers da capital paulista decidiram incentivar a doação de livros, oferecendo estacionamento gratuito em troca de uma obra literária. Os livros serão destinados para a organização não governamental (ONG) Casa do Zezinho.  
Com o mesmo objetivo, nos 19 terminais de ônibus da capital paulista, o Dia do Livro será marcado com a distribuição de obras literárias entre os passageiros. O objetivo da campanha, que foi denominada Livro na Faixa, é estimular o hábito da leitura entre os passageiros de ônibus.
Agência Brasil

Mercado literário brasileiro está em transformação, dizem escritores

Para Cláudia Rezende, concorrência editorial é alta

Um mercado em transformação, com novos consumidores potenciais e a carência de estratégias para a formação de novos leitores é a descrição do mercado literário brasileiro, feita por escritores. O mercado reúne profissionais apaixonados pelo que fazem. No Dia Nacional do Livro, a Agência Brasil conversou com autores e editores.
"Nós todos que trabalhamos com escrita, com texto, com formas de abstração, somos todos sonhadores", diz a autora e editora na Página Editora, de Belo Horizonte (MG), Cláudia Rezende. "Acredito muito na literatura, na força de formar um leitor fluente, na diferença que isso faz na vida das pessoas", acrescenta. 
Cláudia publicou o primeiro livro este ano, Poli Escolhe, que tem como tema o processo de escolha das crianças. O lançamento vem junto com um trabalho já conhecido de autores, de divulgação, de lançamento da obra, de distribuição e vendas.  
"Há crise no mercado, temos editoras fechando, livrarias em dificuldade, mas, por outro lado, temos também uma facilidade maior de publicar. Na editora recebemos muita procura por publicação", diz. Segundo ela, editoras pequenas, como a Página são as que "estão realizando sonhos. Antes, dependia-se de grandes editoras, agora não", afirma. 
Cláudia destaca, no entanto, que a concorrência editorial é alta, sobretudo com livros impressos em outros países, de baixo custo. "A gente nem visa a determinados públicos porque não há como concorrer com dois livros a R$ 10", diz. A estratégia tem sido, então, segundo ela, recorrer à maior qualidade, à busca por obras que reflitam as ideias de cada autor.

Editais e vaquinhas

Além das editoras, editais públicos e vaquinhas aparecem como alternativa, sobretudo para novos autores. A escritora Sílvia Amélia de Araújo, de Cidade de Goiás (GO), recorreu às duas estratégias. Ela já tem livros publicados e outros ainda na gaveta, quase prontos para serem lançados. 

Reinauguração da fachada restaurada da Biblioteca Nacional, na Cinelândia, Rio de Janeiro.
Fachada da Biblioteca Nacional, na Cinelândia, Rio de Janeiro. - Fernando Frazão/Agência Brasil
Foi com recursos do edital de Literatura do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás que Sílvia publicou o livro No meio do caminho. A obra, vendida a R$ 15, reúne histórias de pessoas que compartilharam com ela viagens em transportes públicos. De quem sentava ao lado e falava da vida. "Fiz o livro voltado para pessoas de baixa escolaridade, pessoas adultas que se alfabetizaram recentemente ou que têm pouco estudo, que não vão conseguir ler um livro denso de letra pequena, mas que também não se interessam por livros infantis", conta. 
O edital, segundo ela, tornou a obra mais acessível. "O brasileiros têm um hábito de leitura ainda muito baixo, mas valor da leitura é alto no país. As pessoas acham importante ler, acham valioso e esperam que seus filhos sejam leitores. Acho que existe campo para trabalhar e, nesse sentido, os editais são importantes porque permitem esse tipo de coisa que eu propus, distribuir os livros ou vender muito baratinho", diz. 
A estimativa é que 44% dos brasileiros sejam não leitores, o que significa que não leram nenhum livro nos últimos três meses, de acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. 
A autora conseguiu ainda, por meio de uma vaquinha online, financiamento para lançar mais dois livros: Álbum de histórias e Guia Casar Bonito. Como está grávida, a contagem para o lançamento é também pelo tempo do bebê. Ela pretende lançar um livro antes do nascimento, previsto para fevereiro, e outro depois. 
Apesar dos projetos em andamento, Sílvia diz: "é difícil viver só da literatura, só da venda de livros, é raríssimo encontrar alguém que viva só disso. Mas, é possível construir uma carreira em torno disso. Eu dou oficinas de escrita, é algo que me dá uma renda e tem relação com o que eu quero fazer".

Cenário de transformações

Para a diretora executiva da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Fernanda Garcia, o livro no Brasil está passando por transformações. O Painel do Varejo de Livros no Brasil, pesquisa da Nielsen Brasil e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), mostra leve melhora de 0,96% das vendas de livros entre setembro e outubro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. 
Em 2018 foram vendidos 2,9 milhões de livros e, em 2019, 3 milhões entre o início de setembro e o início de outubro de cada ano. Em valores, o aumento foi de 3,74%, passando de R$ 112,7 milhões para R$ 116,9 milhões. "[A pesquisa] este ano mostrou, pela primeira vez, um crescimento, pequeno, mas a curva para cima. A gente está feliz com isso", diz Fernanda. "Embora não seja uma recuperação, demonstra um cenário, uma curva de crescimento".
Apesar do crescimento no mês, no acumulado do ano, de janeiro a outubro, 2019 ainda está abaixo de 2018. O volume de livros vendidos acumula até agora queda de 10,26% e o valor das vendas, queda de 9,53%. 
Fernanda cita várias mudanças no consumo de obras literárias, como o surgimento de diversos clubes de leitura, o fortalecimento dos audiolivros e livros digitais, o avanço de livrarias independentes e de nicho, ao mesmo tempo que o enfraquecimento de grandes redes. "Paralelamente a isso, há uma geração que vem fazendo livro de forma diferente, mais conectada a um tipo específico de público", diz. 
A diretora defende que para que o hábito da leitura se perpetue e para que o mercado de livros se sustente, é preciso um trabalho, principalmente do Poder Público, na formação de leitores. Para isso, a CBL defende a regulamentação da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), sancionada em lei no ano passado. 
Entre outros pontos, a política visa à universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas e, para isso, prevê a formação de pessoal e o fortalecimento dos acervos. "A gente acredita muito no livro como elemento transformador da sociedade, da educação, do país", defende.

Dia Nacional do Livro

O Dia Nacional do Livro foi instituído em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional - na época Real Biblioteca -, instalada oficialmente no Rio de Janeiro em 29 de outubro de 1810.

Agência Brasil

28 de outubro de 2019

Plaza Shopping realiza semana de troca de livros

Desta segunda-feira (28) à próxima sexta-feira (1º), o Plaza Shopping, no bairro de Casa Forte, Zona Norte do Recife, realiza uma semana de troca de livros. A iniciativa 'Trocando o Saber' marca o Dia Nacional do Livro, comemorado esta terça (29). e a estante de troca - autogerenciável - está montada no piso L4 (em frente à loja C&A).

A semana tem parceria com a Academia Pernambucana de Letras (APL), que doou uma série de exemplares de autores pernambucanos, como Carneiro Vilela, Alfredo Antunes e Fátima Quintas. Também estão na estante livros do acervo interno do Plaza e doações recebidas, como exemplares da literatura nacional e estrangeira, que vão desde romances, passando por ficção e contos.

Para realizar a troca, basta o interessado levar um livro até a estante durante o horário de funcionamento do shopping (9h às 22h no período), escolher a obra desejada e deixar um exemplar.

A data
29 de outubro é Dia Nacional do Livro em comemoração à fundação da primeira biblioteca brasileira, a Real Biblioteca, no Rio de Janeiro, então capital do país. Nesse dia, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil e se tornou-se a Biblioteca Nacional. Porém, o acervo chegou ao Rio de Janeiro antes, em 1808. Além de livros, havia manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.

FolhaPe

Ator e diretor Jorge Fernando morre aos 64 anos

Em nota, o hospital onde ele estava informou que o artista morreu devido a uma parada cardíaca "em decorrência de uma dissecção de aorta completa"


O diretor e ator Jorge Fernando, 64, da TV Globo, morreu na noite de domingo (27) no hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por plantão do Fantástico, da Globo, no início da madrugada desta segunda-feira (28).
Ele estava internado desde domingo à tarde no Hospital Copa Star, após passar mal. Jorge Fernando se recuperava das sequelas de um acidente vascular cerebral sofrido em janeiro de 2017. Em nota, o hospital informou que Jorge Fernando morreu devido a uma parada cardíaca "em decorrência de uma dissecção de aorta completa".
Nascido no Rio, ele começou a carreira artística aos 17 anos, ao adaptar para um monólogo a peça "Zoo Story", de Edward Albee. Na Globo a estreia, como ator, ocorreu em 1978, no seriado "Ciranda, Cirandinha", voltado ao público jovem.
Ainda apenas como ator, Jorge Fernando participou das novelas "Pai Herói" e "Água Viva". Começou a trabalhar como diretor em 1980, na novela "Coração Alado", de Janete Clair.
Ao longo de sua trajetória profissional, atuou ao mesmo tempo como ator e diretor em diversas novelas. Também comandou programas da linha de shows da Globo e dirigiu espetáculos teatrais como "Não Fuja da Raia", estrelado por Claudia Raia.
No espetáculo teatral "Boom", estrelado por ele mesmo, Jorge Fernando cantava, dançava e interpretava vários personagens.
Um dos grandes sucessos de sua carreira na TV foi a novela "Guerra dos Sexos", que rendeu o prêmio de melhor diretor pela Associação Paulista de Críticos de Arte, ao lado de Guel Arraes, em 1983.
Na Globo, seu último trabalho como ator e diretor foi este ano, na novela "Verão 90".

Diário do Nordeste

27 de outubro de 2019

DESILUSÃO

No Brasil, parece que todas as áreas e profissionais passam por um período de provação, um verdadeiro teste de fogo. Se o profissional sobreviver, ele fica imune a qualquer coisa. Assim acontece com os profissionais da educação, da saúde, do Direito, da segurança pública...
Os desafios são tantos: estruturais, materiais e humanos que, por vezes, pensamos que não vale a pena. A alma tem que ser enorme para valer a pena, parafraseando o poeta Fernando Pessoa.
No Direito então, é desalentador. Do muito que se aprende nos bancos da faculdade e nos livros, pouco se aplica quando nos deparamos diante de um caso concreto, quando materializado o processo, em especial, quando os autos chegam às instâncias superiores.
O Direito, com a doutrina e jurisprudência, com seus princípios norteadores, com a hermenêutica, passou a ter uma relativização impressionante, ao ponto de comprometer um princípio basilar: o da segurança jurídica.
O Direito, de tão relativizado que foi, para atender a interesses individuais e de pequenos grupos fincados no poder, os quais precisam manter seu status quo, está sendo dilapidado, descontruído, reinventado, infelizmente, não para melhor, mas para pior. Bem pior.
Só para exemplificar, recentemente, no Rio de Janeiro, os deputados estaduais presos por participar no esquema criminoso do ex-governador Sérgio Cabral, de saques aos cofres públicos, o que levou à quebra, à bancarrota de um Estado federativo, foram soltos por decisão da maioria de seus pares. Além de soltos, a própria Assembleia Legislativa determinou a soltura dos deputados.
O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, a cada julgamento polêmico, dá inúmeros passos para trás, adotando posicionamentos que se chocam com a interpretação de um Direito mais justo, mais equilibrado e que respeita os princípios constitucionais vistos em toda a sua amplitude e alcance. E a cada nova decisão, o interesse público é relegado a um segundo plano, priorizando-se o individual, o particular.
Quando a segurança jurídica deixa de existir, o cidadão deixa de acreditar na justiça, e assim vamos retrocedendo, no tempo, nas leis, no Direito, até chegar um dia em que o cidadão, para fazer valer seu direito, terá de recorrer à lei de Talião.
Que seja recobrada a sanidade.
Que sejam recobrados o pudor e a decência.
Que cheguemos ao tempo em que as autoridades tenham vergonha na cara e se deem ao respeito.
Enquanto isso, fiquemos na desilusão.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

26 de outubro de 2019

O gigante mansinho


O livro infantil desperta interesse desde a ilustração que sempre combina com a "historieta" relatada. É o conto de história movido da espontaneidade do autor, notadamente quando este é pai.
As imagens saltam aos borbotões firmando caracteres surpreendentemente vivos. Assim sendo, fomos encontrar "Duquito Lambedor" - personagem criado por Davidson Nunes - um dentista, por formação profissional.
Davidson contou uma amizade sincera "entre uma criança e um cachorro". É história de amor e companheirismo dentro de clima extra de alegria.
"Duquito Lambedor" é o Gigante Mansinho da jornada de imaginação fértil de Davidson. Ele viaja no tempo de criança e volteia com agradável humor e leveza de um esteta na arte de encantar as crianças sonhadoras. História simples. 
Sem qualquer rebuscado.
Figuras retemperadas de entusiasmo por ser uma ilustração do próprio autor. Desenho, estrutura e toda uma produção infantil impecável ao que se propõe.
Assim nasce um talento para divertir a gurizada. Dentista desses que desejam ver um sorriso perfeito. O certo é que "Duquito Lambedor - O Gigante Mansinho" tem a base sólida de uma recreação cultural muito bem talhada.
Texto e contexto num traço revelando boa técnica na "contação de história" da atualidade tão rica em movimento. 
Ação primorosa num derrame de contentamento puro onde o riso acompanha a narrativa romântica de sereno desfiar para um evoluir de emoção tipicamente saudável. Livro de coração para contagiar o público infantil na seara de sonhar de pura satisfação, como na época do "faz de conta", de Monteiro Lobato.
A boa história que não vai deixar nunca de pontuar no teatro infantil da alegria.
Paulo Eduardo Mendes
Jornalista