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Literatura usada para unir ideias e pessoas

A Arte do Encontro, que estreia nesta segunda, 7, às 22h, nova temporada, a 4ª, no Canal Brasil

por Estadão Conteúdo - Site

A Arte do Encontro com Tony Ramos estreia nova temporada
Em mais de 50 anos de carreira, Tony Ramos surgiu para o público de várias maneiras, iniciando sua trajetória na extinta TV Tupi. Lá estreou seu primeiro trabalho em telenovela, Nino, o Italianinho, em 1969. Já na Globo, vem divertindo o público com suas variadas interpretações. Desde se desdobrar para viver os gêmeos Quinzinho e João Victor, na novela Baila Comigo (1981), de Manoel Carlos, o jagunço Riobaldo, da série Grande Sertão: Veredas (1985), baseada em Guimarães Rosa, ou ainda o Tonico Ladeira, da cultuada Bebê a Bordo (1988), de Carlos Lombardi.
Então, há quatro anos, o ator aceitou o convite para comandar o programa de entrevistas A Arte do Encontro, que estreia nesta segunda, 7, às 22h, nova temporada, a 4ª, no Canal Brasil.
Tony Ramos, que se mostra um ótimo proseador, conta que ao receber o inesperado convite vindo do diretor Felipe Nepomuceno e da coprodutora Tereza Alvarez para apresentar o programa, tratou logo de dizer que não era um apresentador. Mas os dois argumentaram que o projeto era colocar o entrevistado no mundo da literatura, mas que tivesse ligação com suas respectivas áreas, cinema, teatro, música. "Achei a ideia ótima. Na verdade, trata-se de um bom bate-papo", revela o ator de 71 anos.
"Nessa arte do encontro, mesmo sendo uma pessoa que você já conhece na vida ou na profissão, você pode descobrir coisas que nunca havia imaginado", explica Tony, que comemora o fato de, ano a ano, o programa se firmar, construindo uma identidade. Para ele, um dos pontos relevantes da atração foi a ideia de ter uma mesa, como se fosse fazer a leitura prévia de algum espetáculo, quando elenco e equipe conhecem o texto a ser encenado. "Nessa estrutura, foram feitos programas adoráveis. Já fiz 52 programas, mas parece que estou sempre começando, a cada entrevistado é uma revelação, a cada programa, uma pulsação nova. É uma alegria muito grande, pois é um trabalho que me possibilita estar próximo de algo que adoro, que é ler. É uma alegria falar de literatura. Amo poesia."
O ator fala ainda da importância da leitura em tempos de textos breves. "Quando se fala 'dá um Google aí', significa ter informação imediata, mas conhecimento você só terá mergulhando nas páginas. Adoro ler jornais tomando meu café, lendo página por página, sorvendo o cheiro do papel", reflete. "Só pela leitura vamos conquistar o conhecimento, não há outra forma ou milagre."
O apresentador garante que seu programa tem de tudo, de Drummond a Vinicius, até duas versões de García Lorca, uma em espanhol, que Tony ama pela musicalidade da língua, e outra traduzida. "Abro o livro ao acaso e saio falando, e aí está o charme da coisa. Foi o que fiz com Ney Matogrosso, quando lemos Navalha na Carne, fizemos ali no momento, e isso é que é gostoso, o improviso."
O primeiro convidado da nova temporada será o ator, diretor, dramaturgo e cineasta Miguel Falabella, que vai falar sobre a representação como forma de resistência e também sobre o poder da arte, além da leitura de trecho do filme Meu Nome Não É Johnny. Outros nomes previstos são Gregório Duvivier, Cláudia Abreu, Lucinha Araújo, Dan Stulbach, Conceição Evaristo e outros.
Apesar de não escolher os convidados, Tony Ramos tem alguns nomes que adoraria levar ao programa. "Queria entrevistar Drauzio Varella, mas não foi possível. Mas a Bárbara Paz, minha colega de programa, conseguiu", conta. "Adoraria conversar, ler textos com o Roberto Carlos, o cantor, por ser alguém que admiro", diz, lembrando que Pelé também faz parte de sua lista de desejos.
Agora, se preparando para a minissérie O Selvagem da Ópera, de Maria Adelaide Amaral, sobre o maestro Carlos Gomes, o ator diz ver o meio artístico com preocupação. "Houve uma vilanização muito grande de que todo artista esteja mamando nas tetas do governo. É uma afirmação simplista, covarde." Para ele, o que se deseja é ter condições de realizar um espetáculo, pois nem todos têm carreira solidificada e ter apoio se torna fundamental. "Estou triste por uma categoria. Acho que vamos ter de apelar para a sensibilidade de pessoas que possam rever leis e mecanismos de forma absoluta."

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