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Viva a Flup Mar!

A iniciativa ganha ainda mais relevância e necessidade nos dias atuais, em momento de cena conturbada, de manifestação de atos de censura
O MAR jamais seria indiferente, contrário ou insensível à força da FLUP
O MAR jamais seria indiferente, contrário ou insensível à força da FLUP (Divulgação)

Eleonora Santa Rosa**
O Museu de Arte do Rio – MAR tem a honra e alegria de acolher em seus espaços a oitava edição da FLUP – Festa Literária das Periferias, seja por sua importância estratégica, conceitual e cultural para a cidade do Rio de Janeiro, seja por sua exemplaridade e significado no cenário nacional.
A iniciativa ganha ainda mais relevância e necessidade nos dias atuais, em momento de cena conturbada, de manifestação de atos de censura, de perseguição religiosa, de discriminação crescente, de homofobia, de caça ao pensamento, à liberdade de expressão, de corte orçamentário nos campos da educação, cultura, meio ambiente e ciência e tecnologia, da retração de investimentos no campo social e na mitigação da pobreza, do retrocesso das políticas públicas de direitos humanos e de outras conquistas sociais arduamente alcançadas ao longo de anos, graças a lutas sem tréguas de milhares.
Em contexto político de persecução e autoritarismo e de raquitismo intelectual, moral e pessoal, tornam-se vitais ao corpo ético do país movimentos, ações estruturadoras compromissadas com a civilização, com a cultura, com a história, com a arte, com a literatura, como a FLUP. Os empreendedores dessa festa literária trazem em seu currículo, em sua trajetória individual e coletiva, um potente e vital trabalho compromissado com a resistência e transmutação da injusta, excludente e triste realidade que nos assola e sufoca, historicamente.
Se por um lado assistimos ao inegável encolhimento dos valores basilares da nação, no seu sentido mais amplo, por outro lado é inquestionável que a esperança de transformação e de um futuro mais solidário, íntegro e generoso, de compartilhamento e de justiça econômica e social reside na existência e atuação de agentes, de pessoas, de profissionais, de artistas, de jovens, de simpatizantes, de militantes, de aliados a movimentos como o encabeçado pela FLUP.
O MAR jamais seria indiferente, contrário ou insensível à força da FLUP. Nesta parceria estratégica, o museu, que tem atuado na zona portuária e em outros territórios da cidade com um alentado e ousado programa de atividades de formação, mobilização, sensibilização, cooperação, provocação e extensão desenvolvido por sua Escola do Olhar, não só abraça, mas assume, em sua face mais resiliente, a FLUP. Mais do lhe que ceder espaço ou colaborar para sua viabilização econômica, o MAR afirma sua crença e compromisso com a força e inteireza da arte, da cultura e da educação em território expandido de livre-pensamento, afeto e comportamento.

Viva a FLUP MAR!
*Este texto foi escrito especialmente para a abertura da FLUP esta semana no MAR.
**Eleonora Santa Rosa – ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, dirige atualmente o Museu de Arte do Rio – MAR.

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