Pular para o conteúdo principal

Pensador da internet lança livro com críticas fortes à mídia digital

Lev Chaim*
O norte-americano Douglas Rushkoff, ele próprio um pioneiro no uso da internet como meio de comunicação há muitos anos, hoje com 58 anos, lançou o seu mais recente livro, Time humano (Team Human), no qual ele faz duras críticas à maneira com que se usa a mídia social e a internet em nossos dias. Ele faz um apelo para que reconquistemos o nosso humanismo, já que a mídia digital de hoje exerce uma agenda anti-humanista, visando apenas quantidades e não qualidades do ser humano.
Ele é contra a atual realidade virtual tão divulgada entre os jovens e enfatiza que as crianças não necessitam disso tudo mas, sim, de mais contato com outras pessoas; contato de olhos nos olhos e de dar um tempo real de um para com os outros, para que seja enfatizada a nossa humanidade que, cada vez mais, estamos perdendo com o desenvolvimento atual da mídia digital. Em seu novo livro, ele critica a maneira com que as companhias tecnológicas digitais determinam a nossa vida atual, e como os celulares e a realidade virtual determinam o objetivo de nossas vidas centrados em valores totalmente anti-humanistas.  
Quando perguntado sobre o que estava errado em tudo isso, na entrevista com ele feita pelo jornal holandês NRC, Rushkoff respondeu de forma enfática: “Tivemos uma revolução digital em vez de uma renascença digital. Em vez de enfatizarmos as melhores ideias da nossa civilização, supervalorizamos uma forma de extração colonial capitalista baseada em um crescimento infinito e sem forma. A atenção humana tornou-se uma fonte para o desenvolvimento dessa indústria voraz e torna-se uma arma a serviço dessas indústrias. Para funcionar com lucros, eles têm que manipular o comportamento humano, dentro dos padrões dos modelos de estatística. Plataformas digitais, como o Facebook, usam os dados das pessoas para um controle social e não para uma interação social, como eles querem fazer crer. Isto porque não adaptamos os nossos modelos sócio econômicos à essa nova forma de mídia social que nos cerca totalmente. Mesmo os programadores dessa mídia, muitas vezes, também não compreendem o objetivo dessa grande agenda final da mídia social, que tenta manipular a todos para seus objetivos de lucros exorbitantes e controle social.”
Quando perguntado se ele não estava pensando de uma forma um tanto quanto ultrapassada, Rushkoff foi claro na resposta: “Pode ser. Mas existem pesquisas científicas que comprovam que esta tecnologia usada, da forma que está sendo difundida, acaba por desequilibrar o organismo humano. Para lutar contra isso, ele sugere que todos procurem contatos reais, contatos com os olhos de um outro ser humano para colocar o seu sistema nervoso em ordem novamente. Todos esses aparatos digitais, como o celular por exemplo, acabam por desorganizar o organismo humano, tirando-o do seu balanço natural, devido ao achatamento das telinhas desses aparatos, devido à pequena distância para com os seus olhos e pela maneira com que se trabalha esses pixels ali instalados. Com isto, programadores espertos usam essas técnicas todas para dirigir o seu comportamento, fazer com que comprem certos produtos etc.” 
E, finalmente, ele diz algo para se pensar: “ As escolhas que fazemos hoje irão determinar se a nossa espécie humana irá ou não sobreviver no futuro”. Ao ler tudo isso, pensei imediatamente no presidente Trump, que parece governar o país através da mídia social. E você, caro leitor, o que pensa das ideias desse pensador da internet, Douglas Rushkoff, e seus conselhos que podem parecer fora de moda, mas que ele considera tudo muito sério e preocupante?
*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Dom Total.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…