31 de agosto de 2019

PODCAST: A prática da humildade e simplicidade



Por Pe. Geovane Saraiva

Advocacia

Por Paulo Eduardo Mendes - Jornalista

A todo cidadão é dado o direito de defesa. Princípio básico da advocacia. Defender é prerrogativa inerente à profissão do Operador do Direito. Exercer o múnus defensivo está ficando complicadíssimo, em face do alto índice estatístico dos crimes praticados, tristemente evolutiva, dos desmandos de toda natureza. A sofisticação dos crimes surpreende pelo inusitado dos atos selvagens praticados. Inacreditáveis ações de bestialidades atribuídas aos “seres humanos” da Criação Divina.
Nunca a advocacia foi tão necessária. Advogados podem e devem usar toda a filosofia do humanismo para defender os prevaricadores da lei. Aproveitar a oportunidade para apontar o Direito justo e bom que sustenta a sociedade. Usar as regras legais para firmar o lado correto da vida de convivência. Todos merecem uma defesa, mas nem sempre visando à liberdade não merecida.
O advogado tem poderes para convencer o seu assistido da necessidade de uma reparação recuperadora. Defesa, sim, dentro dos princípios éticos da aplicação do Direito sem jaça. O exemplo do Ministério Público em que o seu agente pede a absolvição de um acusado, por estar ele isento das culpas da lei, serve para nortear rumos da coerência na seara do Direito justo. Advocacia como primoroso exercício da cidadania. Norte de civilidade para construir a paz social tão desejada. É preciso usar da altivez que se conquista nas bancas acadêmicas para interpretar as filosofias da harmonia que são repassadas em aulas memoráveis do dia a dia dos estudantes de Direito.

Direito e clamor maior de quem deseja viver bem. Todas as profissões do mundo têm a assistência das leis que visam à proteção igualitária da civilização dos que se aconchegam à vontade de praticar o bem, sem olhar a quem. Advocacia a iluminura de uma profissão voltada para a grandeza de servir, sem medos. Fortaleza de uma atividade múltipla por surgir das raízes do conhecimento que engrandece.

Poeta cria definições em busca do sentido fugidio

'Dicionário de imprecisões', de Ana Elisa Ribeiro, transforma em poesia e confere afeto aos significados das palavras
A poeta mineira Ana Elisa Ribeiro apresenta mais uma obra lúdica em que e afetiva sobre o cotidiano e a memória.
A poeta mineira Ana Elisa Ribeiro apresenta mais uma obra lúdica em que e afetiva sobre o cotidiano e a memória. (Eduardo Ribeiro Rocha)
“Amor
Substantivo masculino mas de todos os gêneros, singular
_________________________________________________________________
Acalmar os ânimos. Arrefecer.
Velocidade de cruzeiro.
Sujeito a derivações, desvirtuações, vícios e fim.
Ver paixão.”

Por Adriane Garcia*
Já dizia Mario Quintana que “todos os poemas são de amor”, mesmo se um poeta falar de um gato. Foi esse o verso que me veio à memória enquanto ainda estava nas primeiras páginas do Dicionário de imprecisões, de Ana Elisa Ribeiro. O decorrer da leitura confirmou a declaração do querido poeta gaúcho, que certamente teria gostado do humor e da ironia fina no livro da autora, coisas que lhe eram tão afeitas em poesia.
Partindo de verbetes, a poeta escreve seu dicionário afetivo. Escolhe as palavras que irão compô-lo e constrói poemas com um ritmo peculiar, e isto é muito interessante: que grande parte do livro faz o poema dançar ao som do que sabemos ser leitura de dicionário; porém quem acompanha a poesia de Ana Elisa Ribeiro sabe que sua voz poética vem nos mostrando uma habilidade de falar sério e brincar, no mesmo poema, ao mesmo tempo, com tema e forma. Falando em habilidade, neste dicionário, os fechamentos dos poemas são como fagulhas acendendo o pensamento, ora para confirmá-lo, ora para traí-lo: poesia repleta de inusitado.
Também é de se notar que em Dicionário de imprecisões a poeta traz seus conhecimentos da área de linguística para a poesia, assim como estabelece o contrário. É brincando com a organização que ela desorganiza, seu campo de estudos é invadido e invade, valida e invalida, define e indefine. O resultado é um livro delicioso, que alcançará várias camadas de sensibilidade, efeito da poesia que sabe se aproveitar de todos os meandros de uma palavra.
Se a poeta fala de amor, também fala de política (“a América do Sul padece/ da síndrome de Estocolmo?”), da experiência de ser uma mulher, sobretudo uma mulher que escreve – fala de feminicídio; fala da maternidade, da própria página em branco, antes do poema; do objeto livro, do sentimento medo; sobre as definições e indefinições dos gêneros quanto à sexualidade, afinal, “nos dicionários isso é mais simples do que na vida”. Os poemas chegam a abranger o grande problema nacional da leitura (“No país, vamos precisando de óculos/ que ajudem a interpretar”), assim como em um deles, Ouro Preto, retoma a fotografia, tema de seu livro anterior, Álbum. Curioso e bonito: Saudade ganha um lugar especial no dicionário.
O livro, com projeto gráfico muito bonito de Elza Silveira, conta com ilustrações de Wallison Gontijo e traz, ao final, um índice curioso, em que o leitor, só após a leitura dos poemas, dá-se conta de que leu um dicionário incompleto em que algumas letras iniciais não são contempladas. Esse é um ponto interessante, pois a poeta, quando definia um de seus verbetes, Dicionário, já havia nos avisado que nenhum dicionário é capaz de abarcar toda a experiência de um sujeito e, por isso, um dicionário “deve ser lido com intensa fé”. Lemos o dicionário de Ana Elisa Ribeiro com fé, e até vermos o índice, acreditamos que tudo está ali – então que nos deparamos com a falta de que a poesia cuida.
Voltando ao primeiro parágrafo e ao verso de Mario Quintana, Dicionário de imprecisões é um livro sobre o amor. Por isso dedica uma página para definir “Agora”. Pois o amor é urgente. Já a palavra “urgente” não entra em seu dicionário, porque os bons livros são aqueles que deixam alguma coisa para o leitor escrever.
Escadas
___________________________________________________________________________________
Substantivo feminino aqui no plural
Escalera é vocábulo do espanhol para nossa escada.
Escadas são para escalar, por supuesto,
e me atraem as coisas mais literais.
No entanto, escadas podem servir para sentar e descansar ou
sentar e chorar, como fiz quando entreguei meu filho ao pai
pela primeira vez.
As escadas laterais do edifício em que trabalho servem para
amantes telefonarem para suas e seus amores,
além de abrigarem casais fazendo sexo,
às vezes, arriscando, amorosamente, suas reputações.
Nunca ouvi dizer que tenham se arrependido.
Filho
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Substantivo, aqui masculino e sujeito a plural
1. Diz-se daquele que nasce das entranhas de alguém.
2. Diz-se daquele que se forma a partir da matriz biológica
de seus pais e nasce das entranhas da mulher.
3. Diz-se daquele que pode ser adotado por pessoas
dispostas ao amor.
4. Diz-se daquele que provê céus e infernos a outrem.
5. É extremamente comum que tenha como mãe uma puta.
6. É também comum que não sejam mesmo putas suas mães.
7. Os pais escapam a essas acusações.
8. Os dicionários não podem definir essas relações
satisfatoriamente.
***
DICIONÁRIO DE IMPRECISÕES
De Ana Elisa Ribeiro
Ilustrações Wallison Gontijo
Edições de Minas
134 páginas
R$ 35
* Adriane Garcia (BH/MG) é poeta, historiadora e arte-educadora.

30 de agosto de 2019

Bilhetes de encorajamento serão trocados por meio das redes sociais durante o 'Setembro Amarelo'


Projeto Vidas Preservadas lançará, de forma frequente, mensagens positivas em suas redes sociais em campanha de combate ao suicídio


Os recados podem ser acompanhados nas redes sociais do Vidas Preservadas e do MPCE.
Divulgação MPCE
Uma mensagem de apoio pode ter efeito positivo maior do que se imagina para quem está com a saúde mental fragilizada e, por isso, recados periódicos serão divulgado pelo projeto Vidas Preservadas por meio das redes sociais. A iniciativa, lançada nesta sexta-feira (30), faz parte da campanha Setembro Amarelo de combate ao suicídio e foi elaborada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Conforme o projeto, o Ministério Público iniciará a postagem de bilhetes com frases de encorajamento, fotografados e compartilhados por meio das redes sociais do MP. Objetivo da instituição é disseminar a ideia durante todo o mês de setembro, para que a população também crie e troque mensagens de valorização da vida por meio das suas redes sociais digitais.
Os bilhetes serão compartilhados nas redes sociais do projeto e do MPCE, nos dias ímpares do mês, com reflexões encorajadoras sobre existência. Além disso, o Vidas Preservadas estabelece capacitações, seminários e outras campanhas para alertar sobre a necessidade de debater sobre o tema.
Para garantir políticas públicas de combate ao suicídio é necessário investimento governamental, como destaca o promotor de Justiça e um dos coordenadores do projeto, Hugo Mendonça. Os números relatados pelo coordenador apontam Fortaleza como a 3º capital brasileira com o maior número de registros de suicídio e o Ceará como o 5º estado com mais mortes em decorrência de autoextermínio.
"Nós temos uma realidade, em Fortaleza, que é de epidemia de suicídios. No Estado do Ceará, do ano de 2010 a 2018, teve o crescimento de 31,8% nos casos de suicídios oficiais, fora aqueles que não foram notificados", ressaltou o coordenador do Vidas Preservadas, Hugo Mendonça.
Alcançar o interior do Estado é um dos objetivos do Vidas Preservadas, que já estabeleceu parceria com cerca de 50 municípios cearenses. O lançamento da campanha deste ano teve a participação de um estudioso de destaque na área, o psiquiatra e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS), José Manoel Bertolote. O profissional foi convidado para ministrar a palestra de abertura do Seminário “A evolução da prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo: diretrizes para uma política efetiva”.

Diário do Nordeste

Há 80 anos, Segunda Guerra Mundial mudou o Ceará

Há oitenta anos, a Alemanha invadia a Polônia e dava início ao segundo grande conflito mundial. No Ceará, clima pacato acabou transformado com a eclosão da Guerra

“Não ‘zepelim’ nem dirigível, ou qualquer outra coisa antiquada; o grande fuso de metal brilhante chamava-se modernissimamente blimp”. O trecho, que abre o conto Tangerine-Girl, de Rachel de Queiroz, ilustra o choque que marcou a chegada, durante a Segunda Guerra Mundial, de soldados americanos ao Ceará. Na história, uma jovem da provinciana Fortaleza dos anos 1940 observa diariamente a vagarosa patrulha de um dirigível dos Estados Unidos sobre a cidade, nutrindo sonhos e idealizações apaixonadas por um de seus tripulantes.

ASSISTA | Os cearenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial:

Há oitenta anos, em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadia a Polônia, no que hoje é considerado o início do conflito. Quase três anos depois, pressionado pelo torpedeamento de barcos brasileiros, Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha. A entrada do Brasil no Bloco Aliado traria, no final de 1943, a instalação de bases dos EUA em Fortaleza, uma no Pici e outra no Cocorote (hoje Alto da Balança). Durante anos, circularam por aqui mais de 50 mil americanos, em um choque de cultura que moldaria a cidade por décadas a seguir.
“Fortaleza ainda era muito pequena, muito provinciana, então aquilo foi uma loucura. O americano chegou trazendo o jeans, a Coca-Cola, o cigarro. Os grandes zeppelins, que onde iam as pessoas paravam para ver”, explica o major e historiador Gustavo Augusto de Araújo Chaves, autor da obra História do Ceará na Segunda Guerra Mundial. Na época com cerca de 180 mil habitantes e ainda repleta de burros e cavalos, Fortaleza foi “tomada de assalto” pelos americanos, que traziam inédita agitação à pacata e conservadora vila cearense.
De folga, os americanos se hospedavam no Excelsior Hotel, no Centro, onde abriram no entorno “points” como o Bar Americano e lojas de artigos masculinos (na época pouco usuais) como a Casa Americana – que existe até hoje. Dançavam e confraternizavam no Estoril, onde funcionava o United States Organization (USO), ao som de música em inglês e bebendo o até então desconhecido “Cuba Libre”, mistura de rum, Coca-Cola e limão. Na época, estourou o uso de nomes americanos para crianças, animais, lojas e todo tipo de coisa.
LEIA TAMBÉM | Marcos pela Cidade mantêm viva a memória da Segunda Guerra Mundial em Fortaleza
Notícia da invasão da Polônia pela Alemanha, no início da Segunda Guerra Mundial. O POVO noticiou em 1º de setembro de 1939
Notícia da invasão da Polônia pela Alemanha, no início da Segunda Guerra Mundial. O POVO noticiou em 1º de setembro de 1939
“A influência foi significativa: no vestuário, na música, na dança, na religião, na comunicação e na cultura (...) deixando algo de sua cultura e de seus hábitos que ainda permanecem no modo de viver dos cearenses”, destaca Gustavo Chaves. Em Tangerine-Girl, Rachel de Queiroz registra a influência, com a protagonista escutando longamente a programas de swing jazz no rádio. Ironicamente, era a guerra que aproximava dois povos até então tão distintos.

A guerra como ela era

Nem só da efervescência do intercâmbio cultural, no entanto, ficou marcado o período da Guerra no Ceará. Diante do fim do comércio com países do Eixo – a Alemanha, na época, era dos principais parceiros econômicos do Brasil – e do próprio naufrágio de navios mercantes, o Estado passou por uma forte crise econômica e de abastecimento no início dos anos 1940. Na rota das exportações marítimas para a Europa, Fortaleza foi das principais regiões atingidas – a própria principal empresa de navegação, a Boris Frères & Cia, era de origem francesa.
Em 7 de maio de 1945, O POVO noticiou a rendição alemã e o fim da guerra na Europa
Em 7 de maio de 1945, O POVO noticiou a rendição alemã e o fim da guerra na Europa
“Havia blecautes e racionamento de energia elétrica, alimentos e combustíveis”, registra Chaves. Para suprir a deficiência, a população recorria ao “gasogênio”, instalando nos automóveis uma gambiarra que convertia a combustível o gás obtido da queima de carvão. Para evitar que a cidade virasse alvo de bombardeios dos inimigos, Fortaleza reduzia a iluminação à noite, dificultando a visibilidade de navios e aeronaves alemãs que eventualmente planejassem um ataque contra a costa. “Cada quarteirão tinha voluntários que se responsabilizavam com uma vistoria para evitar luzes acesas”, diz o historiador. A proximidade com a Europa tornava Fortaleza um alvo preferencial de hostilidade nazista contra o território brasileiro.

Inquietação e crise marcaram primeiros anos da Segunda Guerra em Fortaleza, veja imagens:

Clique na imagem para abrir a galeria
Como o naufrágio de navios era mais frequente no litoral do Nordeste – mais de dez dos 34 navios afundados foram atingidos na região, deixando centenas de mortos –, a paranoia também era constante: suspeitos de espionagem eram denunciados e vigiados, alguns até presos. Do outro lado, a Marinha promovia campanhas nacionais de arrecadação de objetos de ferro, alumínio ou outros metais para a construção de embarcações. Uma das campanhas, batizada “Pirâmides da Vitória”, teve participação destacada do povo cearense.
A inquietação começou a se espalhar entre a população, que, mesmo diante da proibição de aglomerações do Estado Novo, organizava comícios na Praça do Ferreira. A inquietação atingiu o ápice em 18 de agosto de 1942, quando estudantes e populares depredaram casas comerciais de alemães, italianos, espanhóis e japoneses no Centro. “Grande massa do povo, ontem, durante quase todo o dia, veio às ruas em manifestações coletivas de desagravo à agressão dos piratas nazistas”, registra o extinto jornal “O Nordeste” do dia seguinte.
Colaborou David Moura, do O POVO Dados

Pesquisa histórica: Fred Souza, do O POVO Dados

Deus do Livro Sagrado

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Padre Geovane Saraiva*
Penso que o objetivo do mês da Bíblia é o de ajudar as pessoas batizadas, as que receberam, à luz da Palavra de Deus, o encargo de vencer as indiferenças, despertando-as contra o comodismo. Que todos os batizados tenham em vista a renovação espiritual bem no seu íntimo, voltando-se para um passado longínquo, e na voz dos profetas, que são suplicantes para nossos tempos. Inspirados e animados pelo Livro Sagrado, que saibamos olhar o mundo, num sincero desejo de fermentá-lo e transformá-lo, apresentando-lhe sinais de esperança e solidariedade, seguros de que Deus leva em conta nosso esforço, o testemunho coerente e a vontade de lutar e viver.

No mês da Bíblia a gratidão que Deus aceita e acolhe é a que vem do coração humilde, um coração convicto de que só o Senhor suscita “o querer e o fazer”, segundo o apóstolo Paulo. Nada mais lhe é agradável do que agradecer a Deus pelos grandes benefícios, que é o mesmo que implorar o cumprimento de sua ação salvífica, na ternura e na misericórdia divina, num Deus que, no Filho, quer reconciliar o mundo consigo.

O mês de setembro, o da Bíblia, foca e desperta nossa consciência do Deus infinito e do mistério de amor, que quer de seus seguidores um sólido redescobrimento de sua presença, à medida que as pessoas são inseridas no mundo e comprometidas com seu projeto de amor, levadas adiante pelo Filho de Deus, Jesus de Nazaré. Por isso mesmo é que Deus quer, através do Livro Sagrado, enriquecer, com seu duradouro amor, as criaturas que Ele criou, convencendo-as da morada permanente.

Enamorados de Deus, de tal modo, somos convidados a acreditar numa missão árdua e elevada, sem precedentes – fruto do mistério da palavra de Deus –, e na eficácia da oração, sinal evidente a nos ensinar, num olhar confiante para o céu, vendo as estrelas, a lua, compreendendo, na graça desse mesmo Deus, a beleza infinita a atrair as pessoas, sendo preciosa a criatura humana, entre todas, embora a menor – abaixo dos anjos –, mas que recebeu o poder e o vigor divino de tudo dominar (cf. Sl 8).

Como é maravilhoso o Livro Sagrado! Dele não podemos prescindir, pois nos revela um Deus clemente e indulgente. Além do nosso louvor, bendigamos a Ele, por seus incontáveis prodígios, revelados e manifestados ao mundo, muito acima de nossos méritos. Como São Francisco de Assis, que possamos repetir: “Onipotente, santíssimo, altíssimo e sumo bem, todo o bem, único bem. Ao Senhor toda a glória, todas as graças, toda a honra e toda a bênção”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

Um pouco de história

Por Gonzaga Mota - Professor aposentado da UFC

Certa vez, fazendo uma pesquisa na biblioteca da Câmara dos Deputados, encontrei alguns textos sobre o Barão de Itararé. Fiquei curioso e comecei a ler. Gostei e fui em frente. Quanta originalidade! Naquela ocasião, até para melhorar o meu humor, larguei os dois compêndios de política, e passei a ler as tiradas do Barão. Gostei dos seus ditos engraçados e astuciosos. Assim, conheci melhor Apparício Torelly, o Barão de Itararé (1895 - 1971). 
Famoso por suas observações satíricas e irônicas, desenvolveu um jornalismo inteligente em vários periódicos. Sua vida foi caracterizada por momentos de muita dificuldade. Saúde precária, pouco dinheiro, atividade política difícil, incompreendido, solitário, no entanto sempre escreveu com muito humor. Exerceu com mais intensidade sua atividade jornalística, na primeira metade do século XX, principalmente, no período Vargas (1930-1945). 
Cansado de apanhar ao ser preso, concebeu a famosa frase: “Entre. Sem bater”. Hoje, mencionada máxima é um lembrete nas portas de muitos gabinetes. Vale a pena destacar outras máximas do Barão de Itararé, pois continuam atuais: “Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo”; “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”; “Os juros são o perfume do capital”; “Além dos aviões de carreira, há qualquer coisa no ar”; “O mal do Governo não é a falta de persistência, mas a persistência na falta”; “Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância”. 

O Barão contou com a simpatia de renomados escritores como José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rubem Braga, Raimundo Magalhães Júnior, Jorge Amado e recebeu de Pablo Neruda uma manifestação significativa: “Al Barón de Itararé, un grande entre los grandes, con respeto le saluda de pie el poeta de los Andes”. Encerro este texto citando mais um pensamento do Barão de Itararé: “Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades”.

Leia “metafísica dos juazeiros”, poema do escritor Bruno Paulino

metafísica dos juazeiros
– bruno paulino –

Ilustração de Jéssica Gabrielle Lima
o juazeiro
é um guardador de silêncios
salpintando o deserto
com flores cor de ouro.

o juazeiro
é um guardador de rebanhos
alheio as estações.

árvore sagrada
o juazeiro é um oásis
verdejante e festivo

portal d’outro mundo
o juazeiro abriga visagens
e esconjura demônios.

existirá ciência bastante
para compreender os mistérios
de um juazeiro?

***
Bruno Paulino é cronista e aprendiz de passarinho
***
Blog O Povo

Pedro Almodóvar recebe Leão de Ouro pelo conjunto da obra

O cineasta foi indicado ao principal prêmio do festival em 1988 por 'Mulheres à beira de um ataque de nervos', filme que lhe trouxe reconhecimento internacional.
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar recebeu o prestigioso prêmio como um 'ato de justiça poética'.
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar recebeu o prestigioso prêmio como um 'ato de justiça poética'. Foto (AFP)
O Festival de Cinema de Veneza concedeu um Leão de Ouro pelo conjunto da obra ao cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que recebeu o prestigioso prêmio como um "ato de justiça poética".
O espanhol, a quem o diretor do evento, o crítico italiano Alberto Babera, considera "o maior e mais influente" cineasta da Espanha desde Luis Buñuel, nunca foi premiado em nenhuma das principais mostras europeias como Cannes e Veneza.
"Trinta anos depois me dão o Leão de Ouro por um filme de 1988. É um ato de justiça poética", comentou Almodóvar alegremente durante uma coletiva de imprensa antes da cerimônia de premiação.
O diretor se referia ao filme Mulheres à beira de um ataque de nervos, que competiu à época em Veneza e que havia entusiasmado o então presidente do júri, o cineasta italiano Sergio Leone. Em sua homenagem, o festival mostra justamente o filme que o lançou no cenário internacional.
Almodóvar, que em 25 de setembro completa 70 anos de idade, ganhou destaque mundial com as cores e o atrevimento de seus filmes e iniciou sua carreira internacional a partir da mostra da cidade italiana. "Meu batizado foi aqui, neste festival, em 1983, com o filme Maus hábitos", lembrou.
Ao relembrar sua carreira cinematográfica, afirmou que "participar de um festival internacional para mim era um milagre". "Eu tinha muito orgulho das atrizes, elas eram maravilhosas. Elas representavam uma Espanha ultramoderna", disse.
Espanha, sua inspiração
"A Espanha despertava de uma longa ditadura de 40 anos. (...) A coisa mais importante sobre 'la movida' (movimento artístico durante os primeiros anos da transição pós-Franco) foi o fato de ter-se perdido o medo e poder gozar de uma enorme liberdade", afirmou.
O "leão ferido", como o chamou a imprensa italiana, ficou emocionado ao receber o prêmio, que fará companhia aos dois Oscar por Tudo sobre minha mãe e Fale com ela.
O renomado cineasta, conhecido por filmes descontraídos e corrosivos e que evoluiu em direção a uma cinema mais introspectivo, reconheceu que seu cinema é o "produto da democracia espanhola". "Meus filmes são a demonstração de que é real", comentou. "Quando comecei a fazer filmes, não se falava em diversidade. A vida era muito diferente", disse.
"Como diretor, coloquei em todos os meus filmes toda a variedade que havia na vida", confessou ao se referir a temas "almodovarianos": masoquismo, homossexualidade, masturbação, drogas, pornografia, ataques à religião. "Para mim era a própria vida", acrescentou, em uma alusão à sua homossexualidade.
"Todas as orientações sexuais eram bem-vindas. Meus personagens têm autonomia moral, sejam transexuais, freiras ou donas de casa", explicou. "A mudança que acontecia nesses anos na Espanha era o que me fascinava. A rua e a noite de Madri eram infinitas. Era uma grande diversidade e eu me formei naquela universidade", admitiu.
O cineasta confessou que em seus filmes a cor reina como uma espécie de "reação" contra sua terra natal. "Era como uma reação contra o lugar onde nasci, La Mancha, então extremamente conservadora, calvinista, com pouca cor e muito árida. O oposto de como eu me sentia", revelou. "Não me lembro de ter visto a cor vermelha na minha infância. Apenas o preto do luto", afirmou, com seu tradicional estilo irônico.

AFP

Crianças terão atendimento especial na Bienal Internacional do Livro

Mais de 112 mil alunos de escolas públicas e particulares já estão cadastrados para visitar a 19ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que será aberta hoje (30), às 9h. O número representa o dobro dos estudantes inscritos na edição anterior, de 2017. Desde a primeira edição da Bienal, o total de estudantes que participou do evento supera 1,5 milhão.
O projeto Visitação Escolar tem o objetivo de aproximar crianças e adolescentes do universo literário e se destina a alunos na faixa etária de 6 a 14 anos, que terão seis dias especialmente reservados para eles, com benefícios diferenciados. A visitação escolar ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Alunos de escolas públicas indicadas por secretarias de Educação parceiras têm gratuidade na visita e ainda recebem das prefeituras e do estado um “dinheiro” customizado para que possam sair do evento com, pelo menos, um livro. Professores e bibliotecários têm acesso gratuito à Bienal.

Pela estrada a fora

A Bienal Internacional do Livro do Rio decidiu dar uma repaginada em sua planta arquitetônica no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, e oferece ao público, logo na entrada, um pavilhão inteiramente voltado às crianças, para facilitar a visitação das famílias e atendendo à demanda apresentada na edição anterior.
Com o tema “Pela estrada a fora”, as crianças andarão por uma floresta cenográfica e terão a impressão de estar entrando dentro de um livro, onde poderão percorrer várias tocas ilustradas com desenhos que remetem a contos clássicos da literatura. Nesse ambiente, montado em área de 500 metros quadrados, os visitantes mirins ouvirão sons de animais e sentirão a passagem do tempo por meio da gradação de luz. Passarão ainda por uma clareira, onde desenvolverão várias atividades, e por uma cabana, que reviverá a floresta no ambiente noturno.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), um dos organizadores da Bienal, Marcos da Veiga Pereira, “essa é a nossa ideia de fazer uma viagem por dentro do livro e da leitura. É o poder de viajar que o livro transmite, principalmente para as crianças. Elas estarão entrando na história, literalmente”.
II  Bienal do Livro e da Leitura de Brasília.
Bienal do Livro - Wilson Dias
Às 10h15, o Pavilhão Laranja abriga a oficina “Brincar sem fronteiras”, promovida pela Fundação Dorina, que promove a interação de crianças videntes e com deficiência visual. No local, os pequenos visitantes são convidados a participar de brincadeiras que ensinam o respeito às diferenças e a superação das desigualdades, por meio de jogos eletrônicos e de tabuleiro.

Ingressos

Toda a comunidade do livro, integrada por editores, livreiros, autores, estará presente na abertura oficial da Bienal, que se estenderá até o dia 8 de setembro. Os ingressos podem ser adquiridos no site www.bienaldolivro.com.br. A entrada inteira custa R$ 30 e a meia, R$ 15. A venda pelo site permite que o público possa se organizar para ir à Bienal no dia que preferir. Com o ingresso na mão, o visitante não enfrentará filas.
Outra modificação feita pela organização da feira é que, este ano, o evento terá duas entradas, pelas avenidas Salvador Allende e Olof de Palme, que contam com estações de BRT. Quem for de automóvel poderá estacionar no local e em vagas extras colocadas à disposição do público nos fins de semana no Condomínio Ilha Pura, localizado ao lado do Riocentro.
Para facilitar o trânsito, a Companhia de Engenharia de Tráfego do município do Rio de Janeiro (CET-Rio) montou esquema especial. A recomendação é que as pessoas deem preferência ao transporte público. Para que não haja problemas, a Secretaria Municipal de Transportes programou aumento de 20% na frota de ônibus que circula no entorno do Riocentro, nos horários de pico.
A operação montada pela CET-Rio contará com 70 pessoas, entre agentes da Guarda Municipal, controladores da companhia e apoiadores de tráfego. Serão utilizados nove veículos operacionais e 12 motocicletas. Equipes no Centro de Operações Rio (COR) farão o monitoramento com câmeras na área de entorno do evento.
A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) fará a limpeza da área externa do Riocentro diariamente, incluindo o entorno e as vias de acesso aos pavilhões. Serão distribuídos ainda 15 contêineres para os frequentadores fazerem o descarte correto do lixo, que será removido com o apoio de um caminhão compactador.

Japão

Pela primeira vez, nesta edição, a Bienal vai homenagear um país oriental. O escolhido foi o Japão, que tem uma tradição importante com o livro. “É um país que valoriza, que tem um cuidado com a leitura. Você vai ao Japão, anda nos transportes públicos e vê como os japoneses leem. Isso é uma coisa muito importante para nós”. Pereira observou que apesar de a cultura japonesa ser diferente da nossa, o Japão tem vários autores traduzidos para o idioma português. E, por meio de desenhos conhecidos como mangás, os japoneses influenciam ilustradores em todo o mundo, inclusive no Brasil, como o escritor e cartunista Maurício de Souza. “Toda a turma da Mônica jovem tem uma relação com o mangá. Então, é um orgulho para nós ter o Japão como país homenageado”, disse o presidente do Snel.
Também nesta edição da Bienal, as escritoras Ana Maria Machado e Ruth Rocha serão homenageadas pelos 50 anos de carreira na literatura. Marcos da Veiga Pereira informou que, juntas, essas duas autoras têm mais de 40 milhões de livros vendidos, quase 200 livros publicados. “Vai ser uma homenagem muito justa e para mim, particularmente, muito querida, porque fui editor das duas no início da minha carreira. Por isso, a homenagem tem gosto especial”.

Professores

Para os professores em especial, a Bienal Rio 2019 vai oferecer, nos dias 2 e 3 de setembro, o Fórum de Educação. “Vamos conversar sobre educação. Porque a gente acredita que essa é a força motriz de transformação da sociedade. Quando a gente fala de livro, tem que falar de educação e cultura. É preciso um investimento muito sério e consistente para pensar em ter efetivamente um país mais justo, onde a gente consiga crescer e dar qualidade de vida à população brasileira”, afirmou o presidente do Snel.
Durante o fórum, os educadores poderão dialogar com várias plataformas e unir saberes e conhecimento para encarar o desafio de educar em um mundo em transformação.

Conteúdo

O diretor de Marketing e Conteúdo da Bienal, Bruno Pereira Henrique, disse que as expectativas são as melhores para essa edição do evento em relação ao conteúdo. “A gente está com um conteúdo diverso e abrangente para todos os públicos”. Cerca de 300 autores brasileiros e internacionais participarão da Bienal.
O Café Literário, já conhecido do público, trará discussões sobre temas diversos, que vão desde governos, fé, religião, meio ambiente, até identidade de gênero, por exemplo. Serão dez dias de programação ininterrupta, nos quais os escritores debaterão com o público vários assuntos, incluindo as fake news. O Café Literário preparou também uma surpresa este ano para os visitantes, que é assistir ao encontro e participar da conversa de dois representantes da música brasileira: Martinho da Vila e Elza Soares.
A Arena Jovem, que passa a se chamar Arena Sem Filtro, vem com o dobro de participantes que teve na última Bienal. Bruno Henrique destacou que é “gente bacana também, falando sobre os mais diversos temas”. Marcos da Veiga Pereira ressaltou que o espaço traz jovens autores do Brasil e internacionais das mais diversas categorias de publicação, desde romancistas a poetas, biógrafos, ensaístas que escrevem sobre política, sobre gastronomia, história. “Enfim, é uma Bienal para todos os públicos”. Na última edição, realizada em 2017, a procura pelo local dedicado aos debates de interesse dos jovens cresceu 344%, com a capacidade sendo ampliada de 90 para 400 lugares.

Público

Em termos de público, a expectativa é de sucesso “mais uma vez”, disse o diretor. Considerado o maior evento cultural do país, a Bienal espera receber mais de 600 mil visitantes nos oito dias de funcionamento. “Agora é contagem regressiva e temos as melhores expectativas possíveis para o evento”.
O presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, estimou que se esses 600 mil visitantes saírem da Bienal com três a quatro livros, isso já representará um total de 2 milhões de livros vendidos. Na última edição, a média foi de 5,5 livros comprados por pessoa.
Cerca de 520 expositores participam da Bienal Rio 2019. Na avaliação do presidente do Snel, o mais importante para quem vai à Bienal é a experiência. “A venda é importante, porque é a maneira de os expositores remunerarem seu investimento, mas o fundamental é a experiência do visitante. O principal é ele estar feliz por ter dedicado seu dia ao livro, à leitura e a conhecer os autores. Essa é a grande magia da Bienal”.

Apoio

A Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro é promovida pelo Snel e GL exhibitions e apresentada pela Microsoft. O investimento no evento atingiu mais de R$ 44 milhões. A feira tem apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, por meio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da cidade do Rio de Janeiro.

Inclusão digital

A Microsoft participa pela primeira vez da Bienal, levando ao público tecnologias que podem ajudar a incluir mais pessoas no universo da leitura, além de facilitar a aprendizagem com recursos que beneficiam alunos e professores. O objetivo da empresa é ampliar o acesso à leitura para todos os brasileiros.
No Espaço de Leitura e Aprendizagem, ocorrerão de hora em hora, em parceria com o Instituto Crescer, sessões demonstrativas do uso de inovações tecnológicas no ambiente de sala de aula, como Inteligência Artificial, e da aplicação do recurso na plataforma inclusiva Microsoft Learning Tools, que é um conjunto de ferramentas gratuitas que possibilitam o aperfeiçoamento da leitura, escrita e compreensão de textos dos alunos, independentemente de idade e habilidades.
Uma dica interessante para as pessoas que visitarem o espaço da Microsoft é a AcademIA. Essa plataforma apresenta cursos gratuitos de inteligência artificial que estimulam a capacitação na tecnologia para estudantes e profissionais, com o objetivo de prepará-los para os empregos do futuro.
Haverá também um espaço para os programas educacionais gratuitos da companhia, incluindo a Comunidade de Educadores Microsoft, que é dedicada a professores e profissionais de educação que pretendem adotar tecnologia nos processos de ensino e aprendizagem.
Agência Brasil

29 de agosto de 2019

PODCAST: Agradecer a Deus pelos grandes méritos



Por Pe. Geovane Saraiva

Prêmio Off Flip recebe inscrições até 8 de outubro

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio

Estão abertas até 8 de outubro de 2019 as inscrições para o Prêmio Off Flip de Literatura, que oferecerá aos vencedores R$ 25 mil, estadia em Paraty e passeio de escuna. Os autores classificados em 1º lugar (conto e poesia) ganharão ainda residência literária e bolsa de criação no valor de R$ 2 mil (além de terem estadia, transporte e alimentação custeados). Os contos e poemas selecionados serão publicados em coletânea a ser lançada durante a FLIP de 2020. O vencedor no gênero infantojuvenil terá sua obra publicada em livro ilustrado, com lançamento também durante o evento.
Os textos serão avaliados por escritores de expressão no cenário literário lusófono e o evento de premiação acontecerá no Centro Cultural Sesc Paraty, durante a Festa Literária Internacional de Paraty.
Os vencedores serão conhecidos em 10 de março de 2020 e o regulamento pode ser lido neste link.
Fnte: LiteraturaRS

Academia Rio-Grandense de Letras abre edital para vaga de patrono

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio

A Academia Rio-Grandense de Letras abre edital para candidatos à Cadeira 8 da instituição com inscrição até 25 de setembro. A Cadeira 8 tem por Patrono o engenheiro, geógrafo e professor José Teodoro de Souza Lobo e teve como último ocupante o jornalista Raul Moreau Neto.
Para concorrer é necessário ter nascido no Rio Grande do Sul ou residir no Estado há no mínimo dez anos e notabilizar-se por sua obra intelectual, entre outros requisitos. É muito importante que o candidato conheça o Regimento Interno da Academia e o Estatuto, que estabelece os deveres do acadêmico.
Para o presidente da ARL, Rafael Bán Jacobsen, a eleição de um novo membro é um dos pontos altos da vivência acadêmica. “Buscamos um candidato que, além de possuir uma obra expressiva, seja alguém com espírito associativo, que deseje realmente participar das atividades da Academia e trabalhar pelo seu engrandecimento.”
O pedido de ingresso deve ser encaminhado por carta remetida ao endereço da ARL (Rua dos Andradas 1234 / 1002, CEP 90020-008, Porto Alegre/RS), onde deve ser manifestado o desejo de concorrer à eleição e declarar conhecimento do Estatuto e do Regimento.
Sobre a Academia Rio-Grandense de Letras
Fundada em 1901, a ARL é composta de 40 membros, eleitos por critérios de mérito literário e relevância na cena literária gaúcha. Sua sede preserva uma pinacoteca com obras doadas e uma biblioteca com livros de escritores do Estado, além de documentos de memória da instituição.

Além da preservação e resgate da memória gaúcha, a entidade está em constante modernização e tem atuação relevante na cultura gaúcha, participando de debates, lançamentos e exposições em eventos com a Feira do Livro de Porto Alegre e no interior do Estado. Em 2017, criou um concurso literário que premia escritores de diversas categorias, já em sua terceira edição consecutiva.
Da assessoria
LiteraturaRS

Escritora reúne histórias de missionários comprometidos com o evangelho

“Onde só a alma chega” é o título do livro de Monica Mondo que reúne algumas entrevistas com missionários que enfrentam realidades difíceis 

Da redação, com Vatican News
Irmã Hanna Kulaszewska missionária em Moçambique 
Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação, escreveu o prefácio do livro de Monica Mondo “Dove solo l’anima arriva” (Onde só a alma chega), publicado pela editora Missionária Italiana. O livro reúne uma série de entrevistas com missionários de todas as partes do mundo. No prefácio o prefeito escreve entre outras coisas: “Viaja-se de Madagascar de padre Pedro ao Japão de padre Tosolini, das favelas de Buenos Aires onde Papa Francisco era de casa ao coração ferido da profunda África, onde a violência insensata contra os menores não é a última palavra. Isso porque mulheres como irmã Rosemary são capazes de acender a esperança onde o inferno parecia ter encontrado moradia”.
Ruffini recorda também o quanto as entrevistas apresentadas no livro leva o leitor “espiritualmente diante do muro que separa israelenses e palestinos rezando com irmã Donatella um terço de lamentações e esperança”. Assim como faz o leitor entrar “no território da cultura com mestres do pensamento como José Tolentino Mendonça e Timothy Radcliffe”, e confrontar-se com “a desumanizadora pobreza do Sudão do Sul de padre Moschetti”. Une os cristãos também “à via-sacra dos migrantes do México de padre Rigoni”, e os faz se deparar com “a indomável esperança da irmã Bertelli, uma nova mãe para tantas crianças com deficiências em Bangkok”.
Estes encontros com os missionários, sublinha o prefeito do Dicastério para a Comunicação, demonstram como no fundo o Evangelho é sempre notícia: “trata-se de histórias de vida capazes de reacender ’em nós a paixão pelo Evangelho’, porque as palavras dos religiosos entrevistados pela autora são ‘vibrantes de apaixonado testemunho e de caridade incansável'”.
Trata-se, segundo Ruffini, de “milagres que ainda hoje o Evangelho sabe causar, milagres que os missionários e as missionárias encontram nos pontos mais longínquos da terra, confirmando mais uma vez que Deus nos precede sempre, que o amor é mais forte do que o medo e que a vida sempre vence a morte”.